Wednesday, 28 February 2018

Guarda & Suíça

Coach
O Santo Sepulcro reabriu esta quarta-feira, após a intervenção do primeiro-ministro de Israel. Situação resolvida, por enquanto.

Dezenas de freiras, padres e até um bispo foram detidos ontem em Washington. Correu tudo bem, portanto.

Leia a história de uma freira das Irmãs da Caridade que foi roubada e esfaqueada, mas perdoa os criminosos.

O Papa pediu hoje, novamente, orações pela Síria, no dia em que se soube que em Junho vai à Suíça, também por causa da Síria. Conheça também os dois livros com os quais Francisco colaborou e que saem em breve.

Sabe como descontraem os padres da Guarda? A jogar futebol, como tantos outros homens… Ainda assim, não perca esta divertida reportagem de Liliana Carona com os padres que “não jogam grande coisa”, mas são campeões do fairplay.

Aproveito para partilhar convosco a última oração escrita pelo padre Dâmaso.

Hoje é dia de artigo do The Catholic Thing. Pela primeira vez publicamos um artigo de Nicholas Senz, que se insurge contra as pessoas que insistem em ver a Igreja pela lente das disputas políticas.

A última oração escrita pelo padre Dâmaso

Hoje na Renascença houve missa de 7º dia pelo padre Dâmaso.

A capela estava cheia, o que foi a melhor homenagem que se lhe poderia ter feito!

No final da missa leu-se a última oração escrita pelo padre Dâmaso, na véspera da sua morte.

É uma oração simples e despretensiosa. Como ele, não é a sua profundidade teológica que nos atrai, mas sim a sua transparência e proximidade de Deus.

Partilho:

"Louvo a Deus, a Ele me entrego, o brilho da Sua luz me guie junto a Ti. 

O reflexo da palavra de Jesus deu valor e significado à minha vida e deu-me muita felicidade em todo o tempo da minha existência.

Louvamos e pedimos perdão a Nossa Senhora, que continua a fazer parte da humanidade.

Maria muda-nos a vida para Deus.

Muda-nos também a oração de coração. Esta deixa-nos viver para Deus."

A Igreja é uma Realidade Política ou Espiritual?

Nicholas Senz

Quando os futuros repórteres aprendem as artes do jornalismo nas faculdades e universidades, o assunto sobre o qual costumam aperfeiçoar as suas técnicas costuma ser política. Por outras palavras, a maioria dos repórteres treinam para ser jornalistas políticos. Não é nada que não faça sentido, uma vez que a maioria dos empregos para jornalistas serão aqueles que cobrem o campo da política. Mas o factor negativo é que todas as outras áreas tendem a ser vistas pela lente da política e isso pode conduzir a uma cobertura distorcida.

Os exemplos abundam, mas existem sobretudo no campo do jornalismo religioso. E vemos esta tendência não só em órgãos de imprensa seculares, que cometem erros tão básicos como confundir um crozier [báculo] com “crow’s ear” [orelha de corvo] ou a apelidar carmelitas de freiras da Luz do Karma [Karma Light]. Claro que bastaria uma pesquisa de cinco segundos no Google para resolver isto, desde que haja noção do que não se sabe. Mas o que é mais perturbador é que tendemos a ver estes mesmos erros básicos em órgãos de informação católicos. Os jornalistas católicos importam frequentemente termos políticos para as suas reportagens sobre assuntos de Igreja e os resultados são tudo menos esclarecedores.

Uma das armadilhas mais frequentes e que mais têm formado, ou deturpado, o discurso eclesial é a divisão da Igreja entre “progressistas” e “conservadores”. Para o jornalista que vê tudo pela lente da política, isto seria uma perspectiva natural. A política tem sobretudo a ver com facções com interesses diferentes a competir pelo poder para poderem aplicar as suas agendas ou ideias. Na política americana as facções tendem de facto a caber nestes dois campos. Por isso, quando um jornalista participa num encontro da Conferência Episcopal e ouve os bispos a discutir se deviam dar prioridade a questões de vida ou de justiça social, não acha muito diferente de republicanos e democratas a debater os detalhes de um orçamento no senado.

Mas o ensinamento da Igreja não cabe tão bem nesta quadrícula da política secular e as tentativas de projectar os prelados neste ou naquele campo tendem a ser fúteis. Quem lê os textos do arcebispo Jose Gomez ou do Cardeal Sean O’Malley sobre questões de vida, classifica-os de conservadores; mas se ler as suas declarações sobre a imigração ou salários justos, parte do princípio que são progressistas. A verdade é que nem um termo nem outro se aplica a um contexto eclesial, mas demasiados jornalistas católicos insistem em usá-los. Este hábito só serve para exagerar e exacerbar as divisões entre os católicos.

A aplicação destes termos à realidade interna da Igreja é ainda menos apropriada. Tipicamente, os católicos que defendem os ensinamentos e a prática da Igreja são apelidados de “conservadores” enquanto aqueles que fazem pela mudança (normalmente por algo mais em linha com a moral secular), são apelidados de “progressistas”. Mas não deveria ser a doutrina da Igreja que serve para medir as outras coisas? Uma pessoa que simplesmente defende preservar a doutrina da Igreja devia ser considerada “moderada”. Os próprios termos são reveladores dos preconceitos daqueles que os usam.

Outro problema tem a ver com a forma como os repórteres e meios de comunicação descrevem os próprios ensinamentos da Igreja. Para os católicos estes ensinamentos são e entendidos como verdades, enraizadas nas Escrituras e passadas de mão em mão pela tradição apostólica, desenvolvida ao longo do tempo pelo Magistério. Mas demasiadas vezes vemos os jornalistas católicos a descrever estas verdades com recurso a termos políticos. Diz-se que a contracepção é “proibida” pela Igreja, que esta tem uma “política” contra a ordenação das mulheres e “regras” sobre eutanásia. Esta terminologia é inteiramente desadequada e enganadora. As proibições podem ser levantadas. As políticas podem ser alteradas. As regras podem ser mudadas. As verdades não podem.

Freiras da Luz do Karma
Todos estes termos podem ser usados correctamente numa análise política, em que as diferentes facções lutam pelo poder para poderem implementar as suas preferências, vendo-as anuladas e revertidas quando o partido da oposição as expulsar do poder. Usá-los para descrever os ensinamentos da Igreja apenas deixa o leitor com a impressão de que a doutrina e o dogma são alteráveis, sujeitos a guerrilhas de poder e acordos. Imagine-se os cardeais a fazer acordos sobre parágrafos do Catecismo como os deputados fazem acordos sobre projectos de lei.

Dito isto, claro que há elementos de verdade nesta forma de falar sobre a Igreja. Qualquer pessoa que conheça as tricas dos funcionários do Vaticano poderá dizer-lhe que muito do que se passa lá é política. Enquanto a Igreja for povoada por seres humanos – e não por anjos – continuará a haver facções e politiquices.

Mas esta não é a essência da Igreja. Não define o que a Igreja é, o que ensina nem a sua mensagem salvadora. A Igreja é composta por pessoas, mas é uma instituição fundamentalmente divina. É o corpo de Cristo, vivificado pelo Espírito de Deus, trazendo pessoas para o Pai através dos seus ensinamentos, sacramentos e vida diária.

Sem essas fundações, a Igreja ter-se-ia dissolvido há muito tempo. Esta deve ser a visão que guia a Igreja. Mas boa sorte em conseguir que as escolas de jornalismo compreendam, ou ensinem, isso.


Nicholas Senz é Director da Formação de Crianças e de Adults na Igreja Católica de St. Vincent de Paul, em Arlington, Texas, onde vive com a sua mulher e dois filhos. Tem um mestrado em Filosofia e Teologia da Dominican School of Philosophy and Theology em Berkeley, Califórnia.

(Publicado pela primeira vez em The Catholic Thing na quarta-feira, 22 de Fevereiro de 2018)

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The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

Monday, 26 February 2018

Santo Sepulcro fechado outra vez

A Igreja do Santo Sepulcro está fechada. É um facto quase inédito e deve-se ao protesto das Igrejas cristãs contra o Estado de Israel. Vejam aqui e aproveitem para ver uma das melhores fotos de sempre… Quem é que se meteria com estes tipos?

A liberdade religiosa protege todos os cidadãos, diz a ministra da Justiça, enquanto o presidente da Comissão da Liberdade Religiosa diz que a presença de símbolos religiosos nos espaços públicos é uma decisão que cabe às comunidades.

As seis dioceses do centro já têm um documento para aplicação do Amoris Laetitia.

Quase 9 anos depois volta a haver um português na mais alta roda da diplomacia do Vaticano. É José Avelino Bettencourt.

A minha colega Elsa Rodrigues conversou com o sociólogo francês Dominique Wolton que falou do Papa Francisco. Ele surpreende porque fala como um laico”, diz o autor.

E conheça aqui as voluntárias que vão fazer “o que for preciso” para Cabo Verde.

Friday, 23 February 2018

Actualidade Religiosa: Mais memórias do padre Dâmaso e Missão País

Antes de prosseguir, para quem estiver interessado, o corpo do padre Dâmaso está agora em câmara ardente na Igreja de Nossa Senhora do Amparo, em Benfica, e o funeral realiza-se amanhã, sábado ás 10h30.

Desde o mail de ontem mais pessoas quiseram partilhar memórias e homenagens ao bom padre. Marcelo Rebelo de Sousa publicou hoje uma nota, um ex-recluso recorda como a sua vida mudou por causa dele, o presidente do Conselho de Gerência da Renascença, padre Américo Aguiar escreve aqui e o seu antecessor padre João Aguiar Campos aqui. Não percam ainda estas memórias de outros que trabalharam com ele.

As minhas memórias, caso ainda não tenham lido, encontram-se aqui.

Hoje temos ainda uma reportagem sobre a Missão País, um dos maiores tesouros que a Igreja portuguesa tem para oferecer ao mundo.


Morreu o padre Dâmaso Lambers

Morreu o padre Dâmaso, o bom e santo padre Dâmaso. Estou com saudades, mas não caibo em mim de alegria por saber que ele agora está junto do seu bom amigo Jesus.

Leiam aqui o obituário que eu lhe fiz e aqui a entrevista de vida que a Marta Grosso lhe fez recentemente e a homenagem que a directora de informação, Graça Franco, lhe deixa aqui.

Para mim o padre Dâmaso desempenhou um papel especial. Para uma pessoa como eu, que se tem em tão boa conta, faz maravilhas conviver semanalmente com um santo que aparentemente nunca fazia ideia quem eu era

Obrigado meu querido santo padre Dâmaso.

Thursday, 22 February 2018

Morreu o padre Dâmaso, um homem santo

O padre Dâmaso e o meu avô, Francis Stilwell
Dois dos santos que tive a sorte de conhecer
Tenho o privilégio de conhecer muitos bons homens e mulheres, incluindo muitos e bons padres, mas são poucos aqueles sobre cuja santidade não tenho dúvidas. O padre Dâmaso era um deles.

A paixão dele por Cristo era aterradora. Era homem para se irritar às vezes, para mandar uma ou outra “atordoada” do ponto de vista teológico, pois era sobretudo um homem da pastoral, mas a forma como brilhava quando falava de Jesus não enganava. Não era só a boca que sorria, era todo o seu corpo, o seu imponente corpo!

Quando fiz a série de reportagens “Vidas Consagradas” para o ano sacerdotal fiz-lhe uma entrevista de fundo. Falou da guerra, dos anos em família numa Holanda ocupada, da relutância com que veio para Portugal e da forma como se tinha apaixonado não só por este país mas por este povo, sobretudo pelos mais pobres e mais fracos.

Poucos anos depois um amigo meu acabou por ir para à penitenciária da PJ, onde o padre Dâmaso era capelão. Foi através dele que enviávamos todas as semanas as cartas que ajudavam a animar o H e pedi ao padre Dâmaso que o procurasse e acompanhasse, coisa que fez imediatamente.

Quando me viu de novo disse-me que o meu amigo era claramente um bom homem. Eram poucos os homens e as mulheres em quem o padre Dâmaso não via bondade.

Celebrava missa todas as semanas na Renascença, e sempre que cá estava eu ia. Normalmente fazia a primeira leitura. Certa vez li a narração do combate entre David e Golias. Ainda hoje esse relato me deixa com os pelos em pé. A fé do jovem David, o seu zelo por Deus, a confiança total no seu senhor e a épica vitória sobre o gigante… Sentei-me à espera da homilia e ouvi o padre Dâmaso dizer simplesmente. “Esta primeira leitura… Mortes, lutas… Deus não é isto. Não vou falar disto”. Só me podia rir por dentro.

Porque uma das vertentes engraçadas sobre a minha relação com o padre Dâmaso era a sua capacidade involuntária de me colocar no meu lugar. Sendo dos poucos que ia à missa na Renascença, sendo neto de grandes amigos dele, estava sempre à espera que ele me desse uma atenção especial. Mas como eu o apanhei numa fase da vida em que as memórias recentes são mais fracas, a verdade é que cada vez que o revia, sobretudo nestes últimos anos, e não obstante o seu sorriso sempre presente, tenho quase a certeza que ele não fazia a menor ideia quem eu era. E para uma pessoa como eu, que se tem em muita conta, não há melhor remédio que nos cruzarmos com um santo que não faz a menor ideia quem nós somos.

O padre Dâmaso foi um homem que se deixou consumir inteiramente por amor. Todo ele era de Deus e para Deus. De manhã vivia para a Eucaristia e à tarde vivia a partir da Eucaristia. A santidade é isso e ao pé disso eu nada sou, de facto. Mas é isso que quero ser. Ele mostrou-me que é possível.

Que privilégio poder dizer que este grande homem não fazia ideia quem eu sou.

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