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Tuesday, 5 July 2022

Temas de Ética - Reflexões e Desafios

Foi um enorme privilégio ser convidado para escrever um capítulo do livro "Temas de Ética - Reflexões e Desafios", publicado recentemente pelo Movimento Acção Ética.

O livro contém 14 capítulos sobre variados temas, o meu explora a ética no jornalismo e nas redes sociais. Sem pretensiosismos, procuro abordar o assunto da perspectiva prática, apontando alguns dos pontos principais a ter em conta num assunto cada vez mais importante. 

O livro está à venda nas livrarias e através do site do MAE. Toda a informação aqui.

Outros temas abordados no livro são a objecção de consciência, relações internacionais, desporto, política e medicina. Podem ler o índice aqui.

Lista completa de autores: André Azevedo Alves, Isabel Almeida e Brito, Filipe Almeida, Filipe d’Avillez, José Carlos Lima, João César das Neves, José Manuel Moreira, Manuel Monteiro, Margarida Góis Moreira, Margarida Machado Gil, Margarida Mateus, Maria da Glória Garcia, Maria do Céu Patrão Neves, Marta Lince Faria, Paulo Otero, Pedro Afonso e Pedro Vaz Patto, assinam os catorze artigos, a maioria a título individual, alguns em co-autoria.

Wednesday, 4 August 2021

O Que é Feito nas Trevas Será Trazido para a Luz

Stephen P. White

Na segunda-feira dia 24 de julho o secretário-geral da Conferência Episcopal dos Estados Unidos (USCCB), monsenhor Jeffrey Burrill, demitiu-se antes da publicação de alegações de que usava frequentemente uma aplicação de engate gay chamado Grindr.

A reportagem que levou a essa demissão surgiu no “The Pillar”, um órgão de comunicação novo, gerido pelo JD Flynn e o Ed Condon. (Advertência: São ambos meus amigos e recentemente escrevi um curto artigo de análise para o “The Pillar”). Quase de imediato o interesse por esta história ultrapassou o meio do jornalismo católico e os repórteres do costume. A história ganhou mais pernas que um polvo.

Existia o problema evidente de um padre num cargo de importância a viver uma vida dupla, em violação das suas promessas de ordenação. Mais, embora não exista qualquer indicação de que o conduto de Burrill envolvesse menores, a aplicação Grindr é conhecida por colocar menores em risco de exploração precisamente porque permite que os utilizadores se mantenham anónimos.

É significativo ainda que, uma vez que o “The Pillar” usou dados de rastreio de telemóvel comprados – mas sem revelar nem a fonte desses dados nem como ficou na posse dos mesmos – a história despertou uma série de polémicas sobre a segurança dos dados e sobre a perspetiva ética de usar estes dados numa reportagem.

Desde a reportagem de segunda-feira, o The Pillar publicou mais duas histórias baseadas no mesmo tipo de dados. Uma a dar conta do uso de aplicações de encontros e de engates em várias casas paroquiais na arquidiocese de Newark, e outra sobre as ameaças de segurança para a Santa Sé por causa do uso dessas aplicações de engate no Vaticano.

Resumindo, o trabalho jornalístico do “The Pillar” irritou muita gente. Desde a Secretaria de Estado do Vaticano à USCCB, passando por gurus de segurança de dados, supostos guardiões da classe jornalística e as vozes do costume das redes sociais católicas que clamam “homofobia” cada vez que se sugere que possa valer a pena falar do problema que é a existência de um vício contranatura entre clérigos.

Nem toda a gente está irritada com o “The Pillar”, como é evidente. A maioria dos católicos “normais” com quem tenho falado acha que o “The Pillar” prestou um serviço à Igreja. E isso indica outra coisa que merece a nossa atenção.

Olhemos para a cronologia dos eventos, como relatado pelo “The Pillar”, que nos dá alguma noção de como os responsáveis da Igreja têm respondido a tudo isto.

Jeffrey Burrill


• Algures durante a semana de 11 a 17 de julho, “O The Pillar abordou responsáveis da USCCB… propondo apresentar aos líderes da Conferência Episcopal informação sobre más práticas de funcionários, durante uma reunião off the record antes de esta ser publicada, permitindo assim à USCCB tempo suficiente para formular a sua resposta”. A reunião foi agendada para dia 19 de julho.

• 17 julho: “O The Pillar reuniu durante mais de 90 minutos com os cardeais Pietro Parolin, secretário de Estado do Vaticano e Paolo Ruffini, prefeito do dicastério do Vaticano para as comunicações, para apresentar os seus dados… Concluída a reunião, Ruffini pediu ao ‘The Pillar’ que submetesse questões, que apresentaria ao Parolin para que ele respondesse, e solicitou uma semana para a formulação das respostas, a que o ‘The Pillar’ acedeu”.

• 18 julho: “O ‘The Pillar’ foi informado de que a reunião com altos quadros da USCCB, marcada para segunda-feira, 19 de julho, tinha sido cancelada. Em vez disso foi pedido ao ‘The Pillar’ que submetesse perguntas por escrito e, ainda, que o prazo fosse estendido até terça-feira 20 de julho, a que a publicação acedeu”.

• 19 julho: A “Catholic News Agency (antiga entidade patronal de Flynn e de Condon) “publicou uma notícia sobre possíveis futuras reportagens na imprensa baseadas no uso de dados de sinal de aplicações”.

• 20 julho: Quadros da USCCB ofereceram-se para reunir pessoalmente com o “The Pillar”: “A caminho dessa reunião, o ‘The Pillar’ tomou conhecimento, através da imprensa, da demissão do secretário-geral da USCCB, monsenhor Jeffrey Burrill, devido a ‘notícias pendentes alegando possível comportamento impróprio”.

Tudo somado dá nisto: A análise de dados de aplicações móveis feita pelo “The Pillar” revelou umas coisas muito desagradáveis. Em vez de publicar a informação, o “The Pillar” notificou as autoridades eclesiais relevantes, dando-lhes uma oportunidade razoável para formular uma resposta construtiva, e estendendo o prazo inicial quando isso lhes foi solicitado.

A USCCB ou a Secretaria de Estado (ou ambas) claramente não gostaram do que o “The Pillar” tinha para lhes dizer. A resposta foi empatar, espalhar partes da história a outros órgãos de comunicação mais amigáveis e depois fechar-se em copas. Deixarei aos diretores de comunicação e jornalistas a discussão sobre se esta estratégia é brilhante ou rasca. 

O que é evidente é que esta manobra tinha por objetivo punir e intimidar. A estratégia não passava por impedir que a história fosse publicada – claramente houve fuga de informação para outros órgãos e Burrill demitiu-se antes de o “The Pillar” ter publicado uma só linha – mas sim por infligir o máximo de danos a dois jornalistas católicos que tiveram a audácia de informar os líderes católicos sobre algo que eles não queriam ouvir.

É evidente que existem questões legítimas a colocar em relação à utilização de dados de aplicações por parte do “The Pillar”. Mas quando os líderes eclesiais tratam automaticamente jornalistas como Flynn e Condon – que claramente não estão nas margens – como párias simplesmente por terem revelado verdades inconvenientes sobre pecados clericais, há consequências não intencionais.

Perante as mudanças radicais no panorama dos media católicos, os bispos – e as suas equipas de comunicação, muitas vezes lideradas por leigos – terão de tomar umas decisões estratégicas. Querem uma imprensa católica “domesticada”? Uns media católicos em quem ninguém confia, com as notícias mais difíceis sobre a Igreja a terem de ser dadas por órgãos seculares (ou por procuradores públicos) com um conhecimento limitado de uma Igreja pela qual nada sentem?

E depois existe o espetro de uma franja de meios de comunicação católicos cada vez mais venenosa, que cresce na medida inversa à da credibilidade e transparência dos bispos, sobretudo no que diz respeito a questões de más práticas sexuais e de abusos por parte do clero. Bispos que lamentam o crescimento dessa franja e a sua influência sobre os seus rebanhos fariam bem em lembrar-se do que a alimenta.

A restauração da credibilidade episcopal vai exigir um grau de responsabilização e transparência que poderão ser dolorosos e, por vezes, até humilhantes. E nesse sentido jornalistas católicos independentes como Flynn e Condon não são o inimigo da Igreja, pelo contrário, são alguns dos seus mais importantes aliados.


Stephen P. White é investigador em Estudos Católicos no Centro de Ética e de Política Pública em Washington.

(Publicado em The Catholic Thing na Quinta-feira, 29 de Julho de 2021)

© 2021 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing


Wednesday, 28 February 2018

A Igreja é uma Realidade Política ou Espiritual?

Nicholas Senz

Quando os futuros repórteres aprendem as artes do jornalismo nas faculdades e universidades, o assunto sobre o qual costumam aperfeiçoar as suas técnicas costuma ser política. Por outras palavras, a maioria dos repórteres treinam para ser jornalistas políticos. Não é nada que não faça sentido, uma vez que a maioria dos empregos para jornalistas serão aqueles que cobrem o campo da política. Mas o factor negativo é que todas as outras áreas tendem a ser vistas pela lente da política e isso pode conduzir a uma cobertura distorcida.

Os exemplos abundam, mas existem sobretudo no campo do jornalismo religioso. E vemos esta tendência não só em órgãos de imprensa seculares, que cometem erros tão básicos como confundir um crozier [báculo] com “crow’s ear” [orelha de corvo] ou a apelidar carmelitas de freiras da Luz do Karma [Karma Light]. Claro que bastaria uma pesquisa de cinco segundos no Google para resolver isto, desde que haja noção do que não se sabe. Mas o que é mais perturbador é que tendemos a ver estes mesmos erros básicos em órgãos de informação católicos. Os jornalistas católicos importam frequentemente termos políticos para as suas reportagens sobre assuntos de Igreja e os resultados são tudo menos esclarecedores.

Uma das armadilhas mais frequentes e que mais têm formado, ou deturpado, o discurso eclesial é a divisão da Igreja entre “progressistas” e “conservadores”. Para o jornalista que vê tudo pela lente da política, isto seria uma perspectiva natural. A política tem sobretudo a ver com facções com interesses diferentes a competir pelo poder para poderem aplicar as suas agendas ou ideias. Na política americana as facções tendem de facto a caber nestes dois campos. Por isso, quando um jornalista participa num encontro da Conferência Episcopal e ouve os bispos a discutir se deviam dar prioridade a questões de vida ou de justiça social, não acha muito diferente de republicanos e democratas a debater os detalhes de um orçamento no senado.

Mas o ensinamento da Igreja não cabe tão bem nesta quadrícula da política secular e as tentativas de projectar os prelados neste ou naquele campo tendem a ser fúteis. Quem lê os textos do arcebispo Jose Gomez ou do Cardeal Sean O’Malley sobre questões de vida, classifica-os de conservadores; mas se ler as suas declarações sobre a imigração ou salários justos, parte do princípio que são progressistas. A verdade é que nem um termo nem outro se aplica a um contexto eclesial, mas demasiados jornalistas católicos insistem em usá-los. Este hábito só serve para exagerar e exacerbar as divisões entre os católicos.

A aplicação destes termos à realidade interna da Igreja é ainda menos apropriada. Tipicamente, os católicos que defendem os ensinamentos e a prática da Igreja são apelidados de “conservadores” enquanto aqueles que fazem pela mudança (normalmente por algo mais em linha com a moral secular), são apelidados de “progressistas”. Mas não deveria ser a doutrina da Igreja que serve para medir as outras coisas? Uma pessoa que simplesmente defende preservar a doutrina da Igreja devia ser considerada “moderada”. Os próprios termos são reveladores dos preconceitos daqueles que os usam.

Outro problema tem a ver com a forma como os repórteres e meios de comunicação descrevem os próprios ensinamentos da Igreja. Para os católicos estes ensinamentos são e entendidos como verdades, enraizadas nas Escrituras e passadas de mão em mão pela tradição apostólica, desenvolvida ao longo do tempo pelo Magistério. Mas demasiadas vezes vemos os jornalistas católicos a descrever estas verdades com recurso a termos políticos. Diz-se que a contracepção é “proibida” pela Igreja, que esta tem uma “política” contra a ordenação das mulheres e “regras” sobre eutanásia. Esta terminologia é inteiramente desadequada e enganadora. As proibições podem ser levantadas. As políticas podem ser alteradas. As regras podem ser mudadas. As verdades não podem.

Freiras da Luz do Karma
Todos estes termos podem ser usados correctamente numa análise política, em que as diferentes facções lutam pelo poder para poderem implementar as suas preferências, vendo-as anuladas e revertidas quando o partido da oposição as expulsar do poder. Usá-los para descrever os ensinamentos da Igreja apenas deixa o leitor com a impressão de que a doutrina e o dogma são alteráveis, sujeitos a guerrilhas de poder e acordos. Imagine-se os cardeais a fazer acordos sobre parágrafos do Catecismo como os deputados fazem acordos sobre projectos de lei.

Dito isto, claro que há elementos de verdade nesta forma de falar sobre a Igreja. Qualquer pessoa que conheça as tricas dos funcionários do Vaticano poderá dizer-lhe que muito do que se passa lá é política. Enquanto a Igreja for povoada por seres humanos – e não por anjos – continuará a haver facções e politiquices.

Mas esta não é a essência da Igreja. Não define o que a Igreja é, o que ensina nem a sua mensagem salvadora. A Igreja é composta por pessoas, mas é uma instituição fundamentalmente divina. É o corpo de Cristo, vivificado pelo Espírito de Deus, trazendo pessoas para o Pai através dos seus ensinamentos, sacramentos e vida diária.

Sem essas fundações, a Igreja ter-se-ia dissolvido há muito tempo. Esta deve ser a visão que guia a Igreja. Mas boa sorte em conseguir que as escolas de jornalismo compreendam, ou ensinem, isso.


Nicholas Senz é Director da Formação de Crianças e de Adults na Igreja Católica de St. Vincent de Paul, em Arlington, Texas, onde vive com a sua mulher e dois filhos. Tem um mestrado em Filosofia e Teologia da Dominican School of Philosophy and Theology em Berkeley, Califórnia.

(Publicado pela primeira vez em The Catholic Thing na quarta-feira, 22 de Fevereiro de 2018)

© 2018 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

Wednesday, 18 October 2017

Terços que Assustam os Media

Clemente Lisi
Num tempo marcado por “fake news”, os leitores são bombardeados todos os dias com histórias – na maior parte dos casos legítimas, mas às vezes totalmente inventadas – alimentadas pelas redes sociais. O processo de angariação de notícias – o método através do qual os jornalistas e os editores avaliam o valor das histórias – tem-se tornado cada vez mais tema de discussão.

Os leitores já não se limitam a aceitar as notícias que aparecem de manhã nos jornais ou que lhes chegam continuamente através dos seus feeds do Twitter. Erros básicos, falta de isenção e a eleição presidencial do ano passado ajudaram a alimentar a narrativa de que a imprensa generalista está desligada da realidade dos americanos. A internet tem-se revelado uma oportunidade para os jornalistas, mas cada vez mais um desafio, também.

A minha experiência indica que falta diversidade nas redacções. Todas as empresas procuram ter diversidade nos seus quadros hoje em dia, mas nenhuma indústria precisa mais dela do que o jornalismo. A diversidade na redacção conduz a boas ideias, melhores debates e cobertura jornalística de melhor qualidade. Existe diversidade racial entre o pessoal? Devemos contratar outra mulher? Estas são questões com as quais as empresas se debatem cada vez que há uma vaga.

Mas o que nunca parece preocupar os empregadores é se existe um número suficiente de católicos praticantes na redacção, ou se devem contratar uma pessoa de fé – qualquer fé – para escrever sobre o que se passa no mundo e na comunidade. A crença em Deus é tabu na redacção.

Dizer que as pessoas religiosas estão mal representadas no mundo jornalístico é pouco. Mas esse facto faz uma grande diferença na forma como grandes órgãos de comunicação social tratam temas importantes como o aborto e o casamento entre pessoas do mesmo sexo. A cobertura mediática pode influenciar a opinião pública e ajudar a determinar as leis e as políticas. Tem um impacto sobre as normas sociais e está a ser feita, em larga medida, sem a contribuição de pessoas religiosas em lugares chave.

Não existe espaço mais secularizado do que uma redacção. O preconceito liberal existe nos media, mas a maioria dos jornalistas não dá por ele. Não se consegue distinguir o preconceito quando toda a gente à nossa volta pensa e sente da mesma maneira.

Tomemos como exemplo a recente concentração de cidadãos polacos ao longo da fronteira da sua nação. O evento do dia 7 de Outubro, a que se chamou, “Terço nas Fronteiras”, foi organizado para coincidir com o aniversário da Batalha de Lepanto, entre cristãos e o Império Otomano, em 1571. Neste caso tratou-se de um evento solene e pacífico, mas para muitos nos media foi automaticamente classificado como sinistro porque envolvia católicos e terços. A “Newsweek” não resistiu a classificá-lo assim logo no título: “Católicos polacos rezam na fronteira, em evento tido como anti-islâmico”.

Se os muçulmanos tivessem organizado uma iniciativa semelhante jamais teria sido descrito de forma negativa. Ainda por cima a “Newsweek” embebeu um vídeo sobre a Sexta-Feira Santa nas Filipinas (provavelmente o único vídeo relacionado com catolicismo que tinham disponível), em que são reencenadas as últimas horas de Jesus – incluindo homens a serem pregados a cruzes – numa prática que o Vaticano já condenou. A imprensa cobre este evento porque representa fanatismo, ao contrário de devoção normal.

Mas a “Newsweek” está em boa companhia. A “BBC” e outros órgãos descreveram o evento de oração como “controverso”, como se isso fosse um simples facto.

Estamos habituados a ver este tipo de preconceito na forma como os media cobrem eventos como a Marcha pela Vida anual, mas a maioria de nós não tem noção de como muitas outras “notícias” são afectadas.

Os jornalistas tendem a ser caucasianos, educados, a viver em Nova Iorque ou em Los Angeles, duas das cidades mais liberais do país. A maioria das pessoas conservadoras acaba por entrar para o sector privado, oferecendo frequentemente o seu tempo ou doando dinheiro para causas que crêem que podem ajudar outros. Os liberais apostam no jornalismo porque é uma profissão que valorizam.

Os jornalistas que trabalham nos jornais de grande circulação de áreas metropolitanas importantes costumam ter licenciaturas de universidades da Ivy League – mais um bastião de liberalismo – e querem promover a mudança através do pensamento crítico e da escrita. O jornalismo é visto como um trabalho intelectual e passou de ser um trabalho de classes socialmente mais baixas para classe média ou alta nos anos que se seguiram ao caso Watergate.

Este conjunto de factores deixa católicos devotos – e crentes devotos de qualquer fé – praticamente sem espaço nas redacções actuais. Isso em si faz com que a cobertura mediática seja enviesada. O escândalo dos abusos sexuais na Igreja Católica, por exemplo, não é tratado da mesma forma do que escândalos envolvendo rabinos ou imãs.

Para os jornalistas liberais a Igreja Católica é um autêntico saco de pancada. O jornalismo que levou ao desmascarar de padres culpados de abusos sexuais é um exemplo de profissionalismo – e uma fonte de grande vergonha para mim enquanto católico. Mas os representantes da Igreja nunca recebem o benefício da presunção da inocência que vimos atribuída a polícias, ou até a outras pessoas, acusadas de homicídio. As únicas alturas em que vemos a Igreja a receber cobertura mediática positiva é quando apoia a agenda liberal – basta ver a cobertura aos bispos americanos que se opuseram a Trump quando ele tentou acabar com a política que protegia imigrantes ilegais que tinham chegado aos Estados Unidos enquanto crianças.

A diversidade de pensamento, em geral, seria muito útil para melhorar as redacções e o jornalismo que produzem. Mas contratar alguns jornalistas que percebem de facto alguma coisa sobre religião – um dos aspectos centrais da vida de seres humanos em todo o mundo – ou que talvez fossem eles próprios crentes, é tão ou mais importante para garantir que as notícias são completas do que a cor da pele ou o historial étnico de um repórter.

Talvez um dia os órgãos generalistas dos media acordem para essa realidade.


Clemente Lisi, um novo colunista no “The Catholic Thing”, é professor assistente de Jornalismo na King’s College, em Nova Iorque. Tem quase 20 anos de experiência enquanto jornalista e editor em órgãos de comunicação social como o “New York Post”, “ABC News” e o “New York Daily News”.

(Publicado pela primeira vez na segunda-feira, 12 de Outubro de 2017 em The Catholic Thing)

© 2017 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing. 

Monday, 30 November 2015

Papa Francisco abre a Porta Santa em Bangui
O Papa já regressou de África. Foram seis dias muito cheios, a sua estreia no continente, que terminaram com uma visita de alto risco a Bangui, agora capital espiritual do mundo. O Papa abriu ainda a porta santa, antecipando-se assim ao início oficial do Jubileu da Misericórdia.

Já hoje, no avião papal, Francisco conversou com os jornalistas novamente. O Papa disse que a cimeira do ambiente em Paris é crucial, utilizando os termos “Agora ou nunca!”. Falou também do terrorismo e do fundamentalismo religioso e elencou o que considera serem os “três pecados do jornalismo”, o que na minha opinião é para ser lido em contexto “Vatileaks II”.

Está em campo a campanha de Natal “Vai e faz o Bem”, que pode conhecer aqui.

Por cá, D. Manuel Clemente espera que o governo melhore a vida dos portugueses e em Fátima abriu uma exposição que “mostra a condição das pessoas” que visitam o santuário.

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