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Wednesday, 12 August 2020

Aguardando o Relatório McCarrick

Stephen P. White
O Cardeal Dolan, de Nova Iorque, deu uma conferência online para o clero na terça-feira e disse que, segundo as suas fontes, o relatório McCarrick deverá sair ainda este mês. Disse ainda que não sabe o que o relatório contém. Esta última afirmação é credível, quanto à primeira, esperemos para ver.

Faz dois anos desde que o Vaticano anunciou que iria preparar um relatório sobre o caso de Theodore McCarrick. Sobre a divulgação do relatório, o cardeal Parolin disse que esta “depende do Papa. O trabalho que foi feito está feito, mas a palavra final cabe ao Papa… Acho que sairá em breve, mas não vos posso dizer precisamente quando”. Isto foi no início de Fevereiro.

Já passou o segundo aniversário da resignação de McCarrick do Colégio dos Cardeais. Desde então a Conferência Episcopal americana votou duas vezes contra a ideia de pedir publicamente ao Papa que publique o relatório completo de imediato.

Para quase todos – incluindo muitos bispos individuais, se não em conjunto – a publicação do relatório é um passo necessário e evidente para garantir a transparência. Idealmente essa transparência conduziria à responsabilização. Prestar contas aos fiéis pela confiança que lhes foi roubada deveria parecer uma mera questão de justiça.

Mais do que isso, a publicação do relatório McCarrick é um passo necessário rumo ao tipo de reconciliação de que a nossa Igreja, tão dividida e marcada, precisa tão urgentemente. Se os nossos pastores querem recuperar a confiança que foi desbaratada, então têm de estar dispostos a dizer quais as falhas que querem ver perdoadas. Os pedidos de perdão e reconciliação da hierarquia soam a falso enquanto esta continuar a esconder dos seus membros a verdadeira dimensão daquilo que os nossos líderes fizeram ou não fizeram.

Não é por acaso que os católicos são obrigados a confessar pecados graves em número e espécie antes de poderem receber a absolvição. E não que Deus seja forreta com o seu perdão, mas porque o penitente que não esteja disposto a revelar de forma sincera os seus pecados ao Senhor, um penitente que não esteja verdadeiramente contrito, não está pronto a ser perdoado.

Como é que prelados, sejam eles bispos, cardeais ou Papas, que não sejam capazes de revelar de forma sincera os males que foram cometidos – e o mal que foi feito aos fiéis – podem esperar perdão e reconciliação? Não é que os fiéis sejam forretas com a misericórdia, mas porque a recusa em ser honesto é um sinal claro de falta de contrição.

Até certo ponto é compreensível que Roma se preocupe que o relatório McCarrick seja tão disruptivo e prejudicial para a Igreja dos Estados Unidos que seja melhor esconder a verdade do mundo, ou pelo menos aguardar até que as consequências possam ser mais facilmente mitigadas. Nalguns casos de más notícias isto pode até ser sensato. Mas no caso McCarrick o silêncio da Igreja e a falta de transparência são preocupantemente semelhantes à cultura de encobrimento que nos trouxe até este ponto.

Quanto mais tempo se atrasar o relatório McCarrick, mais a ferida aberta entre o rebanho e os pastores irá deteriorar-se.

E acontece que esta desconfiança é prejudicial tanto para os fiéis como para a

Theodore McCarrick

 Igreja no seu todo. Prejudica também todos aqueles cujos nomes foram manchados pela proximidade a McCarrick – homens que, se estiverem inocentes de qualquer mal, merecem ser ilibados aos olhos do público.

Depois de o arcebispo Viganó ter publicado o seu “testemunho” bombástico há dois anos o cardeal DiNardo, então presidente da Conferência Episcopal, emitiu uma resposta 

ponderada e séria: “As questões levantadas merecem respostas conclusivas e baseadas nas provas. Sem essas respostas, homens inocentes podem ser manchados por falsas acusações e os culpados ficam livres para repetir os pecados do passado”.

A desconfiança e a divisão que se têm multiplicado na Igreja nos anos mais recentes (e claro que nem tudo tem a ver com McCarrick) pioraram nestes últimos tempos, sobretudo nos Estados Unidos. Penso que isto é claro para todos. A necessidade de reconciliação é urgente e evidente. A publicação do relatório McCarrick, só por si, não vai resolver as divisões da Igreja, mas o adiamento da sua divulgação é um obstáculo cada vez maior a essa cura.

Muitos católicos perguntam se o relatório, quando for finalmente publicado, será uma manobra de diversão ou um relato completo e honesto. A longa demora pode bem indicar que o relato vai ser honesto, mas o atraso é também um obstáculo à reconciliação porque nos recorda constantemente da cultura institucional de impunidade clerical que durante décadas marcou a forma como se lidou com os casos de abusos na Igreja.

Nem toda a transparência, honestidade e responsabilização do mundo podem sarar as feridas dentro da Igreja. O tipo de reconciliação de que a Igreja precisa requer o perdão daqueles que foram prejudicados. Para a maioria dos católicos, mesmo os que não são vítimas de abusos sexuais, esta é uma proposta exigente.

Estamos preparados para responder à honestidade – caso ela surja – com misericórdia? Estamos preparados para acolher as verdades duras com humildade em vez de espírito vingativo? Em vez de olhar para o outro lado ou desculpabilizar os pecados e os crimes?

Estamos preparados para acolher bem aquilo que tantos de nós exigimos há tanto tempo? Estamos preparados para a honestidade? Estamos preparados para confiar? Estamos preparados para perdoar? Estas são as questões que devemos estar a colocar-nos e cujas respostas devemos estar a preparar, enquanto esperamos.

 

Stephen P. White é investigador em Estudos Católicos no Centro de Ética e de Política Pública em Washington.

(Publicado pela primeira vez em The Catholic Thing na Quinta-feira, 6 de Agosto de 2020)

© 2020 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte:info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

Monday, 25 February 2013

Timothy Dolan

Nascido: 6 de Fevereiro de 1950
Ordenado padre a 19 de Junho de 1976
e bispo a 15 de Agosto de 2001
O Arcebispo de Nova Iorque é uma das figuras mais carismáticas de todo o colégio cardinalício.

Num país a braços com um escândalo de abusos sexuais, Dolan tem a grande vantagem de não estar manchado por qualquer suspeita e de ter tido palavras e acções significativas no sentido de limpar a imagem da Igreja e de mudar práticas para melhor lidar com o assunto.

Contudo, no dia 21 de Fevereiro surgiu uma notícia na imprensa a dizer que o Cardeal tinha sido interrogado no dia 20 por advogados a propósito de suspeitas de abusos sexuais que se terão passado em Milwaukee na altura em que era bispo daquela diocese. Não existe, contudo, qualquer indício de responsabilidade ou de más práticas neste momento.

O Cardeal viveu algum tempo em Roma, como prefeito do Colégio Americano, e fala por isso italiano mas não com a fluência que muitos esperariam para um Papa. Tem, obviamente, a vantagem de dominar aquela que é actualmente a língua mais importante do mundo, mas o dia-a-dia do Vaticano ainda decorre muito em italiano e isso pode ser uma desvantagem.

Uma das maiores armas de Dolan é o seu sentido de humor. Tem um à vontade com a imprensa, por exemplo, que é ímpar entre os outros cardeais e consegue apresentar os ensinamentos católicos de uma forma simples, simpática e divertida, mas ao mesmo tempo firme, que desarma facilmente os seus críticos e adversários.

Apesar do seu sentido de humor e ár divertido, Dolan é também um líder formidável. Os seus pares americanos estão satisfeitíssimos com a sua liderança da conferência episcopal. Ao longo dos últimos anos conseguiu unir totalmente os bispos, sem excepção, num duro conflito com a administração de Barack Obama por causa da insistência deste em obrigar as empresas, incluindo as católicas, a fornecer contraceptivos aos seus funcionários através dos seguros de saúde, obrigatórios ao abrigo do novo sistema de saúde conhecido como Obama Care.

Apesar de essa batalha não estar ganha, Dolan tem-se tornado um herói para os católicos praticantes nos EUA pela forma como a tem travado. Contudo, para os restantes cardeais, isso pode também ser visto como uma razão para não o retirar dos Estados Unidos, numa altura em que faz lá falta e pode, enquanto arcebispo de Nova Iorque, tomar posições e fazer afirmações que enquanto Papa dificilmente poderia fazer.

Com apenas 63 anos, Dolan é ainda bastante novo, este vai ser o seu primeiro conclave, e por isso alguns cardeais que simpatizam com ele poderão também pensar que ainda é cedo para ele assumir uma responsabilidade tão grande. Outros há que simplesmente se sentem desconcertados com o seu estilo à vontade e que sentem que lhe falta a seriedade para assumir uma posição desta importância.

Questionado por um jornalista sobre se poderia votar nele próprio, o Cardeal respondeu calmamente que não, porque não deixam entrar malucos no Conclave.

Friday, 8 February 2013

Fé, Filhos e Rock & Roll

Manuel Fúria a contemplar os lírios do campo
(Foto Paulo Moreira)
Os bispos e padres estão no Vaticano neste momento a discutir as “culturas juvenis emergentes”. Por isso nós trouxemos Manuel Fúria e Tiago Cavaco, dois jovens emergentes da cultura, para falar de como conciliam o rock e a fé. Esta é mesmo daquelas reportagens em que vale a pena perder uns minutos a ler a transcrição integral da conversa, que foi muito gira.

Diz-se que a crise financeira faz aumentar a fé, mas a verdade é que foram menos peregrinos a Fátima em 2012. Talvez seja do preço da gasolina…

A semana passada Obama estendeu a mão aos bispos católicos, na questão da contracepção e a reforma do sistema de saúde. Hoje eles agradeceram o gesto mas não estão satisfeitos e consideram que há ainda muita coisa a esclarecer.

O Papa dos coptas criticou ontem a violência no Egipto, mas as piores críticas estavam reservadas para o regime. Tawadros não está contente com Mursi.

As catequeses quaresmais do Patriarca de Lisboa já eram transmitidas na net, agora vão passar a sê-lo no Meo

Wednesday, 12 December 2012

5 – Liberdade Religiosa nos EUA

Assistimos em 2012 a uma luta hercúlea nos Estados Unidos que opôs a hierarquia da Igreja Católica à Presidência, que está longe de terminar. Em causa está a liberdade religiosa, um dos direitos fundamentais para aquele país e que os bispos consideram estar a ser posta em causa pelo Governo.

No centro da questão está o plano de reforma do sistema de saúde que foi a grande bandeira de Obama no seu primeiro mandato. Os bispos até apoiaram a passagem de ObamaCare, como passou a ser conhecido, mas não esperavam o decreto que foi emitido o ano passado que obriga muitas instituições religiosas a fornecer aos seus funcionários seguros de saúde que incluam a cobertura de serviços abortivos e contraceptivos.

De fora ficam as igrejas propriamente ditas, ou seja, uma pessoa que esteja empregada como organista ou como sacristã não tem direito a um seguro com estes serviços. Mas de fora fica tudo o que são hospitais, universidades e escolas, por exemplo. Ou seja, um hospital católico tem de pagar os serviços abortivos e contraceptivos de que os seus funcionários eventualmente queiram beneficiar.

E que dizer das empresas privadas? São muitos os católicos que já contestaram este decreto por via judicial, não aceitando que o Estado os obrigue a financiar um serviço não essencial que ainda por cima atenta contra os seus valores morais.

Obama v. Católicos
Os bispos queixaram-se imediatamente e à primeira vista Obama ofereceu um compromisso. O custo desses serviços seria suportado pelas seguradoras e não pela instituição. Mas rapidamente se percebeu que essa não era solução nenhuma. Por um lado porque a seguradora simplesmente iria aumentar o prémio, por outro porque muitas instituições não recorrem a seguradoras externas, preferindo gerir os seus próprios sistemas de seguro, pelo que a decisão nada resolve.

O episcopado norte-americano, habilmente liderado pelo Arcebispo de Nova Iorque, Cardeal Timothy Dolan, não cruzou os braços. Num movimento inédito naquele país todos os bispos se declararam contra a medida. Nem uma dissensão. Aos católicos juntaram-se vários outros líderes religiosos que, não tendo nada de especial contra a contracepção viam com alarme este ataque à liberdade religiosa. Obama não cedeu.

Estavam lançados os dados para uma guerra épica entre as duas instituições. Igreja contra Presidente. Sobretudo em ano de eleições.

Sem o apoiar oficialmente os bispos pareceram colocar o seu peso por detrás de Mitt Romney, a derrota de Obama seria para eles uma enorme vitória. Mas essa expectativa gorou-se. Obama ganhou e os bispos perderam.

E agora? Do ponto de vista da Igreja há uma memória histórica. O Cristianismo nasce precisamente de uma aparente enorme derrota. Os primeiros tempos da Igreja são de derrota após derrota, perseguição após perseguição. Mas haverá maior derrota que não lutar?

Dolan não cruza os braços...
Dolan e os seus colegas no episcopado percebem que esta guerra é crucial e não mostram sinais de ceder. Temem o que poderá vir a seguir. Quando o Governo pode mandar uma Igreja pagar abortos dos seus empregados, alguma coisa estará segura?

Mas a batalha trava-se também noutros campos, sobretudo no judicial. Aqui há boas possibilidades de o Supremo considerar que esse decreto em particular é inconstitucional e aí voltaria tudo à estaca zero e os bispos sairiam triunfantes.

Contudo, há uma coisa que nenhuma decisão judicial pode disfarçar. É que os bispos falaram, falaram a uma só voz e falaram com firmeza, mas os fiéis também falaram, nas urnas, e a maioria dos católicos deu o seu voto a Obama, o Presidente mais pró-aborto da história da América, que quer obrigar os bispos a comprar preservativos.

Claro que o número tem nuances. A maioria dos católicos praticantes votou em Romney, a maioria dos não praticantes votou em Obama. O problema está, portanto, em haver mais não praticantes que praticantes. E esse é um problema que os bispos têm de resolver internamente.

Wednesday, 7 November 2012

Four more years...

Obama à frente da Cruz...
Obama venceu, e se venceu!



O grande derrotado de ontem foi Romney, claro, mas a Igreja também parece ter perdido, tendo em conta que investiu muito na vitória do republicano. Ao menos os hindus têm razões para sorrir e já estão representados no Congresso!

Eleições foram derrota para a Igreja

A hindu Tulsi Gabbard com razões para
 sorrir, ao contrário dos bispos católicos
As eleições que se realizaram ontem nos EUA traduziram-se numa derrota para a Igreja Católica em quase toda a linha.

Não só Barack Obama reconquistou a Casa Branca, apesar de os bispos terem deixado bastante claro, sem no entanto endossar claramente Mitt Romney, que os fiéis não deviam votar num candidato que abraça posições anti-católicas como por exemplo a liberalização do aborto e a limitação da liberdade religiosa.

A hostilidade entre os bispos e Obama é palpável, os bispos assumiram um grande risco em entrar em guerra com ele, embora se possa entender que não tinham outra hipótese, por fidelidade aos ensinamentos da Igreja. Recorde-se que a administração de Obama quer obrigar as instituições católicas, como hospitais e escolas, entre outros, a fornecer aos seus funcionários seguros de saúde que incluam serviços contraceptivos e abortivos.

Prevêem-se agora quatro anos complicados para os bispos. Resta saber se Obama vai estender um ramo de oliveira aos católicos, revogando o decreto sobre contracepção. De resto, a Igreja sempre apoiou o seu plano de reforma do sistema de saúde e não se compreende porquê tanta teimosia por parte do Presidente neste assunto.

Nos próximos dias saber-se-á com mais detalhe como votaram os católicos, sendo quase certo que a maioria votou por Obama, mas os dados costumam ser bem trabalhados e dará para ver os votos de católicos praticantes, católicos culturais, outra religiões, etc.

Referendos locais
Mas a "derrota" não foi só nas presidenciais. As posições da Igreja foram derrotadas em quase todos os referendos estaduais sobre temas fracturantes. Tudo indica que os três Estados, mais a cidade de Washington D.C., que votaram sobre o "casamento" gay o aprovaram ou mantiveram. A Florida recusou restringir o acesso ao aborto livre e na California os eleitores rejeitaram a proposta de acabar com a pena de morte.

Só existem dois casos para sorrir. Nomeadamente no Montana, onde as menores agora não podem abortar sem consentimento dos pais, e no Massachusetts onde, aparentemente, a eutanásia foi rejeitada por curta margem.

Resta saber agora como serão os próximos quatro anos e como é que o Cardeal Dolan, presidente da Conferência Episcopal americana, vai lidar com Obama.

Ah! E para os curiosos, Tulsi Gabbard tornou-se, de facto, a primeira hindu a ser eleita para o Congresso, pelo Havai.

Filipe d'Avillez

Monday, 5 November 2012

Religião nas eleições americanas


Este blogue existe em grande parte para demonstrar a importância que a religião tem nas relações internacionais e na política, entre outras áreas. A política interna americana é um grande exemplo disso e apesar de nas últimas semanas não se ter falado muito de fé na campanha, continua a haver uma série de assuntos a realçar e a ter em atenção.

Comecemos com as curiosidades. Como já aqui foi dito, esta é a primeira vez que nenhuma das candidaturas inclui um membro de uma das principais igrejas protestantes. Neste caso temos um cristão que não pertence a qualquer confissão em particular (Obama), contra um mórmon (Romney), com dois católicos a concorrer pela vice-presidência. Se Romney vencer será o primeiro mórmon a assumir a presidência dos Estados Unidos ou, se não me engano, de qualquer país...

Outra curiosidade vem do Havai, onde Tulsi Gabbard arrisca-se a ser a primeira hindu a ser eleita para o congresso dos EUA.

O percurso até aqui foi muito marcado por religião. Desde a barraca de os democratas terem apagado qualquer referência a Deus do seu manifesto eleitoral e depois terem-na colocado à pressão, durante a convenção, em flagrante desrespeito pelos votos dos delegados presentes, até a presença de Obama no jantar Al Smith, a convite do Arcebispo Tim Dolan, de Nova Iorque, que levou o cardeal a ter que justificar-se no seu blogue.

Mas a grande questão, sem dúvida, foi a “guerra” entre Obama e os bispos católicos por causa do decreto da Human Health and Services (HHS), parte da reforma do sistema de saúde de Obama, que visa obrigar as organizações católicas, entre as quais hospitais e escolas, a fornecer aos seus funcionários seguros de saúde que cobrem serviços contraceptivos e abortivos. Pela primeira vez desde que alguém se lembra, todo o episcopado católico falou a uma só voz, genialmente liderados por Dolan, acusando Obama de estar a atentar contra a liberdade religiosa.

Durante a campanha propriamente dita os bispos evitaram apoiar claramente um dos candidatos, mas nos últimos dias têm-se multiplicado cartas pastorais em diversas dioceses que falam do perigo de votar em candidatos que sejam pró-aborto, pró-“casamento” gay e que defendam medidas que põem em causa a liberdade religiosa. Não é preciso ser um génio para ler entre as linhas. Os bispos querem que Romney ganhe. Se isso acontecer será uma enorme vitória para a hierarquia católica. Se não acontecer antevêem-se quatro anos bastante difíceis para o relacionamento entre a Igreja e a presidência nos EUA.

Mas com tanta atenção a ser tomada pela escolha do próximo presidente, é fácil perder de vista alguns outros aspectos que também são muito importantes. Os americanos aproveitam sempre as eleições para fazer referendos estaduais também. Este ano existem 176 referendos estaduais que variam entre um medida para apagar da constituição do Alabama referências à segregação racial nas escolas que ainda lá estão (!!!), até uma no West Virginia que visa pôr fim ao limite de dois mandatos para os xerifes. Mas entre estes 176 há muitos que são de interesse para este blogue e, imagino, para os seus leitores.

Começamos pelos quatro estados que estão a votar sobre o “casamento” gay. Vale a pena recordar que até hoje, nos EUA, mais de trinta estados discutiram esta questão. Seis legalizaram a prática por via exclusivamente legislativa. Mas 32 votaram e, em todas, a opção popular foi contra. Nalguns casos os votos vieram depois de os políticos terem decidido e anularam as leis entretanto aprovadas. A Califórnia é um caso especial, onde o “casamento” gay foi aprovado pelo Governo local, chumbado num referendo estadual há quatro anos e depois readmitido pelos tribunais (viva a soberania popular). Amanhã quatro locais vão colocar a questão aos seus eleitores. A Cidade de Washington, que não é um Estado mas tem autonomia política, e os Estados de Maine, Maryland e Minnesota.

Destes quatro, o único em que os defensores do casamento entre homossexuais parecem ter vitória assegurada é Maine, com uma confortável vantagem nas sondagens. Na Cidade de Washington havia uma vantagem confortável mas tem vindo a diminuir de forma vertiginosa e é bem possível que a situação inverta a tempo das eleições. Maryland e Minnesota parecem estar do lado do casamento tradicional. São quatro iniciativas a ter em atenção e podem ter a certeza que neste blogue, logo que possível, terão acesso aos resultados, uma vez que a imprensa não vai ligar a nada que não as presidenciais.

Há ainda um referendo no Massachusetts sobre eutanásia, embora neste caso se use o eufemismo “Referendo de Morte Digna”, que basicamente permitirá, caso passe, a eutanásia para doentes terminais naquele Estado.

Na Flórida são grandes fãs destas iniciativas e por isso vai haver 11 referendos estaduais no mesmo dia. Um deles tem a ver com o aborto. Se passar, a “Emenda 6” deixará claro na constituição que a legislação estadual sobre o aborto nunca pode ser mais liberal que a lei federal.

No Montana está também a votos a medida LR-120, que tornará obrigatória a autorização dos pais de uma menor (-16 anos) que queira fazer um aborto, salvo em casos de emergência médica (leia-se, imagino, risco imediato para a vida da mãe).

Por fim, na Califórnia há outra medida que visa acabar com a pena de morte no Estado, substituindo-a por pena perpétua sem possibilidade de liberdade condicional.

Como vêem, há muito mais em jogo do que simplesmente a decisão de quem vai ser o homem mais poderoso do planeta durante os próximos quatro anos. Fiquem atentos a este blogue para saberem o que se passa.

Filipe d’Avillez

Wednesday, 5 September 2012

Usain Bolt a caminho da Santa Sé


O que distingue um professor católico? João César das Neves explica aqui.

O Vaticano quer promover uma conferência TEDx no Vaticano e espera contar, entre outros, com o homem mais veloz do mundo…


E o que é que acontece quando se junta a rivalidade local com a religiosidade popular? Loucuras como um andor de 24 metros de altura que precisa de 130 homens para o carregar



Entretanto continua o Simpósio Nacional do Clero. D. José Cordeiro diz que não é preciso grandes esquemas para ultrapassar a crise de vocações e o afastamento do povo, basta os sacerdotes serem autênticos.

Finalmente, temos hoje um novo artigo de The Catholic Thing que analisa a bênção final que o Cardeal Dolan deu na convenção do Partido Republicano, a semana passada.

O Cardeal Reza

Joseph R. Wood
[O site The Catholic Thing vive exclusivamente de donativos dos seus leitores e amigos. Se estiver interessado em ajudar, pode fazê-lo através deste link. Realço que os donativos não são para o Actualidade Religiosa, mas sim para The Catholic Thing]

Esta semana o Cardeal Timothy Dolan mostrou como se diz a verdade aos poderosos na praça pública.

Neste caso o “poder” era o Partido Republicano, e o poder estava bem disposto quando o Arcebispo subiu ao palco para fechar a convenção. Mas em vez de despedir a multidão com palavras bonitas de oportunidade, Dolan fez uma bênção rápida mas repleta de ensinamento católico. E fê-lo num espírito verdadeiramente americano.

Tal como aconteceu com a sua decisão de convidar ambos os candidatos presidenciais para o jantar de angariação de fundos Al Smith em Outubro, a aceitação por parte de Dolan para ir à convenção republicana causou controvérsia para a esquerda, tanto católica como não católica. Mas aqueles que o criticaram foram surpreendidos, se é que repararam, quando foi anunciado que também fará a bênção final da convenção democrata na próxima semana em Charlotte.

A diferença é que em Charlotte a lista de oradores inclui também a irmã Simone Campbell, cuja visão da doutrina social da Igreja Católica está alinhada com o programa eleitoral do Partido Democrata e que pode servir de “hierarquia alternativa” para quem procura o apoio católico para a agenda progressista.

Mas voltemos a Tampa. Dadas algumas das reportagens incrivelmente mal feitas sobre aquilo que disse aos republicanos, vale a pena gastar um momento para considerar algumas das coisas que o Cardeal disse realmente.

Começou por invocar “Deus todo poderoso, Pai de Abraão, Isaac, Jacob e Jesus.” A autoridade e nome de “Pai”para a primeira pessoa da Trindade é repetida vezes sem conta no Catecismo Católico. “Pai” significa coisas diferentes no caso de Abraão e Jesus, como é evidente. Mas começar a sua bênção com esta referência é um afirmação sólida das crênças católicas numa altura em que o lado”paterno” de Deus precisa de ser realçado.

O Cardeal fez questão de extender a sua bênção a “todos os que ainda não nasceram”, bem como aos que se aproximam da morte, um pedido claro para acarinhar a vida em todas as suas fases. E, sem fugir à questão das políticas de imigração, pediu a bênção de Deus para todos aqueles cujas famílias chegaram há muitas gerações e também os que chegaram mais recentemente “para construir um futuro melhor, enquanto juntam as suas vidas à rica tapeçaria que é a América”.

Invocou o princípio da solidariedade para aqueles que sofrem com desastres naturais e para com os pobres, sem receitar quaisquer soluções específicas.

Numa passagem crucial recordou que “o único Governo justo é o Governo que serve os seus cidadãos e não se serve a si mesmo”. A partir deste princípio, que está radicado no pensamento católico sobre política, prosseguiu para aquela que terá sido a sua mensagem central: “Renova em todo o nosso povo um respeito integral pela liberdade religiosa, essa liberdade que nos é mais cara”.

Não pode haver dúvidas sobre o destinatário dessa petição tão concisa. Nessa afirmação simples o Cardeal Dolan fez aquilo que outros deveriam ter feito no contexto da convenção.

Mas o Cardeal prosseguiu, pedindo que sejamos tornados “verdadeiramente livres, ancorando a liberdade à verdade e ordenando a liberdade em torno da bondade”. Este ancorar a liberdade na verdade, e a colocação da liberdade no contexto de uma ordem maior que é boa, são o antídoto para o niílismo que se segue ao relativismo moral.


Essa liberdade deve servir um propósito – levar uma boa vida. E embora eu não seja perito na história dos discursos de convenções, ficaria muito surpreendido se qualquer outro orador nos anos recentes tivesse falado à multidão sobre as virtudes da fé, esperança, amor, prudência, justiça, temperança e fortaleza como sendo guias e marcas sobre como viver uma vida livre.

De seguida Dolan recordou as palavras da Declaração de Independência, pedindo que possamos “conhecer a verdade da vossa criação, respeitando as leis da natureza e do Deus da natureza...” Embora ninguém defenda que os fundadores dos EUA fossem predominantemente católicos, tratou-se de uma recordação de que esses fundadores aceitavam que uma certa medida de lei natural é essencial para a natureza e espírito da República. Isso foi um aspecto central para o que Jefferson quis dizer, 49 anos mais tarde, quando caracterizou o documento como sendo uma expressão de verdades mais antigas, como eram entendidas pelos americanos, e não uma afirmação de princípios novos ou inovadores.

Foi importante também o acrescento de Dolan de que não devemos “procurar substituir [as verdades da criação e da lei natural] com ídolos feitos por nós”. Este aviso contra colocar as nossas ideias sobre o aperfeiçoamento do mundo no lugar da verdade de Deus está no âmago de grande parte da discórdia política e pessoal nos dias de hoje, como tem sido sempre o caso ao longo da história. Logo, devemos ter “o bom senso de não descartar os limites de uma vida recta”.

O Cardeal pediu a bênção de Deus para “todas as pessoas, em todas as terras, que procuram conduzir as suas vidas na liberdade”. A sua bênção foi uma oração a Deus de verdades que são universais e não só americanas. Mas terminou o discurso com palavras muito americanas, recordando-nos que “somos de facto uma nação debaixo de Deus, e em Deus confiamos”.

Há sempre questões sobre o papel que a hierarquia católica devia desempenhar na política. Como ficou demonstrado este ano, estas questões são mais pertinentes agora do que em qualquer outra altura da nossa história. Exigem uma consideração cuidadosa sobre como e quando os bispos devem abordar líderes políticos. Os pedidos habituais de diálogo e bons modos não serão o suficiente para guiar a Igreja nestas circunstâncias, quando é a sua própria liberdade de acção que está ameaçada.

Mas no que diz respeito à obrigação central dos bispos em falar a verdade, foi uma boa semana.

Joseph Wood é professor no Institute of World Politics em Washington.

(Publicado pela primeira vez na Sexta-feira, 24 de Agosto de 2012 em www.thecatholicthing.org)

© 2012 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

Thursday, 10 May 2012

"Casamento gay" = Divórcio entre Obama e Igreja


Barack Obama assumiu-se a favor do “casamento” entre pessoas do mesmo sexo. O presidente justificou a decisão com base na sua fé cristã. Quem não gostou foi o Cardeal Timothy Dolan, presidente da Conferência Episcopal Americana, que considerou as declarações “profundamente tristes”.

Não deixa de ser peculiar que Obama tome esta medida em ano de eleições. Leia aqui a minha análise.


A crise não poupa ninguém e as IPSS da Igreja em Bragança vão ter de despedir funcionários. O bispo lamenta e diz que vão tentar encontrar soluções.

Hoje Bento XVI recebeu uma delegação judaica e reafirmou a importância da declaração Nostra Aetate. Pode parecer insignificante, mas não é, saiba aqui porquê.

Por fim, se pensa ir a Fátima para as celebrações de dia 12 e 13 estará na boa companhia de outras 300 mil pessoas. A GNR tem conselhos, estão aqui…

Wednesday, 7 March 2012

Ecumenismo musical e cooperação com o mal

A situação na Síria mantém-se muito grave e valeu um apelo à paz por parte de Bento XVI esta manhã. O Papa falou também da importância do silêncio na oração.

Por cá ficámos a saber o tema da próxima catequese quaresmal do Patriarca de Lisboa. D. José Policarpo falará da importância da cultura e desafia os católicos a envolverem-se mais nela.

O diálogo ecuménico também se faz com a música. Prova disso é que o coro da abadia de Westminster (na imagem) irá actuar no Vaticano em conjunto com o coro da Capela Sistina. Um momento histórico para ambos os grupos.

E voltamos novamente à “guerra” entre os bispos americanos e Obama por causa da situação da liberdade religiosa versus contraceptivos. O Cardeal Timothy Dolan escreveu aos bispos a dizer que a Igreja não queria esta guerra, mas também não vai fugir dela, e enumera os últimos desenvolvimentos e a estratégia para o futuro.

O artigo que hoje publicamos no blogue de “The Catholic Thing” parte novamente desta questão para analisar o problema da cooperação com o mal, do ponto de vista da teologia moral, de uma forma fácil de compreender. É uma análise que também se pode aplicar à questão das prostitutas na Mouraria, que vimos nos últimos dias, e a tantas outras situações das nossas vidas.

Saturday, 18 February 2012

Coincidências?

Durante as últimas semanas tenho-vos chamado atenção para o arcebispo de Nova Iorque, Timothy Dolan.

Ontem, na véspera do consistório o Papa teve um encontro com os homens que hoje foram criados cardeais.

Durante esse encontro foi escolhido um de entre os 22 futuros cardeais para dirigir umas palavras ao Papa e ao resto dos presentes. Adivinhem que foi o escolhido?

O Arcebispo de Nova Iorque, Timothy Dolan.

Coincidência? Não me parece.

Dolan é o general que comanda as tropas numa importantíssima batalha contra o presidente dos Estados Unidos pela salvaguarda da liberdade religiosa e pelo respeito que o Estado deve à consciência dos indivíduos e das instituições.

Com Dolan conseguiu-se o feito absolutamente inédito de todos, realço, TODOS, os bispos titulares de dioceses nos Estados Unidos terem-se manifestado publicamente contra uma medida de Obama que violava claramente essa liberdade religiosa. E quando digo todos, atenção que são 180!

O discurso de Dolan ontem foi centrado no tema da Nova Evangelização. Foi longo, e pode ser consultado na íntegra aqui, mas destaco apenas esta passagem, que me pareceu particularmente curiosa e pertinente e que Dolan atribui ao já falecido Cardeal Fulton Sheen: “A primeira palavra de Nosso Senhor para os discípulos foi ‘Vinde!’. A sua última palavra foi ‘ide!’. Não se pode ‘ir’ sem primeiro ter ‘vindo’ a Ele.”

Vale a pena ler o texto todo com atenção. Vale a pena estar atento a Timothy Dolan.

Monday, 13 February 2012

Bispos ganham batalha, conseguirão ganhar a guerra?


Há várias considerações a tecer sobre esta disputa que se mantém entre a Conferência Episcopal Americana e a administração de Barack Obama. Vejamos alguns pontos.

Segundo uma fonte da administração, citada há uma semana pelo New York Times, a decisão de não dar direito de objecção de consciência às instituições religiosas (como hospitais ou universidades, uma vez que as igrejas propriamente ditas estavam abrangidas por este direito), foi assumida pessoalmente por Obama. O que é que lhe passou pela cabeça?

Não estava certamente à espera da reacção que os bispos tiveram. Mas já lá vamos. Mais preocupante é a forma como o presidente revelou que acha mais importante o livre acesso, gratuito, a métodos contraceptivos e nalguns casos abortivos, do que à liberdade religiosa e de consciência das religiões, das suas instituições e mesmo das pessoas que partilham das suas convicções. Quando os católicos (e não só, é certo) falam de uma cultura da morte, não se referem a uma qualquer ideia vaga e abstracta, mas sim a medidas concretas como esta.

Mas vejamos a reacção dos bispos. Magnífica, é tudo o que se pode dizer. Quer se concorde com o princípio ou não, foi magnífica. E foi tanto mais surpreendente porque foi inédita. No próprio dia 20 de Janeiro, quando a administração anunciou que não ia respeitar a liberdade de consciência das instituições, os bispos estavam prontos e a partir daí falaram com força e firmeza e a uma só voz.

Quem é o responsável por isto? É o arcebispo de Nova Iorque, Timothy Dolan, actual presidente da Conferência Episcopal americana e, dentro de cinco dias, cardeal. Dolan é superiormente inteligente, tem fantástico sentido de humor, lida bem com a imprensa e é organizado.

No dia 23 de Fevereiro, foi publicada uma entrevista com o responsável pelo Ordinariato Pessoal para ex-anglicanos nos EUA, Jeffrey Steenson. O ex-bispo anglicano, que agora é padre católico e tem assento na Conferência Episcopal, tinha isto a dizer sobre essa experiência: “Uma das diferenças que vejo é que existe uma unidade entre os bispos católicos muito superior ao que vi entre os bispos episcopalianos [anglicanos]. Isso marcou-me, sentia que existia um consenso maior para as questões importantes. Mais, a Conferência Episcopal tem o Dolan – Nunca vi um homem a dirigir uma reunião com a eficiência dele. Fiquei arrasado com a sua qualidade. Nunca vi nada do género, a qualquer nível”.


Recordem bem este nome. Timothy Dolan. Vai longe.

Na Sexta-feira passada Obama cedeu. Perante a avalanche e com medo dos efeitos que este problema pode ter sobre a sua recandidatura, propôs um compromisso.

Os bispos não foram na conversa e prometem continuar na luta. Mais, não mostraram grande esperança numa maior flexibilidade de Obama, preferindo realçar que vão desafiar o decreto nos tribunais e no Congresso.

Na sexta-feira os bispos tiveram uma importante vitória. Obrigar o presidente dos Estados Unidos a ceder num assunto que é claramente prioritário para ele, é obra. Mas a partir daqui a questão pode não ser tão simples, a decisão de continuar a luta é natural (afinal, é uma questão moral na qual a Igreja não pode ceder), mas pode acabar por ser prejudicial para a imagem dos bispos.

Em parte porque com a cedência de Obama várias pessoas ficaram satisfeitas. O que até agora era uma coligação que incluía os bispos católicos e ortodoxos, mais uma boa parte da direita evangélica e ainda várias instituições liberais, vai ficar reduzida e por conseguinte perderá força. Ou seja, a imagem que poderá passar dos bispos é de meninos embirrentos que recusam um compromisso e querem ter tudo à maneira deles. Pode não ser a imagem verdadeira, mas para o efeito desta análise é indiferente e pode levar a que os bispos percam a guerra depois de terem vencido a batalha.

Naturalmente isto joga-se também a nível político. O ataque inicial de Obama à liberdade religiosa continuará a ser usado como arma contra ele. Terá perdido alguns votos, certamente, mas com a sua “cedência” espera ainda recuperar essa desvantagem. Inteligentemente, Obama cedeu um bocado sem ceder tudo. Deu imagem de flexibilidade e pode agora aproveitar a imagem de inflexibilidade dos bispos e dos seus adversários.


Claro que há ainda a possibilidade de Obama perder as eleições e o próximo presidente revogar o decreto em causa. Isso seria então uma vitória por “knock-out” dos bispos, mas não é de todo provável. De resto, é até natural que o Supremo Tribunal acabe por declarar o decreto inconstitucional, mas isso levará anos.

Mas não é este mesmo o drama que a Igreja enfrenta quando se mete na coisa pública? É que a Igreja não faz política. As concessões morais e o jogo dos compromissos e das cedências não é o ambiente em que os bispos se sentem mais à vontade, nem devia ser. Mas num assunto como estes em que a opinião pública tem muito peso isso acaba sempre por ser um factor.

Os próximos meses dirão como é que este assunto se desenrola, mas os bispos continuam a ter uma arma formidável que Obama não deve subestimar. Chama-se Timothy Dolan.


Filipe d'Avillez

Tuesday, 24 January 2012

Silêncio, unidade e Golias

Bento XVI fez hoje um elogio do silêncio, num discurso muito interessante em que falou ainda da importância das redes sociais e motores de busca.

Já o Patriarca de Lisboa falou da unidade dos católicos. Poderá ser coincidência, mas é interessante que o tenha feito numa altura em que se discute bastante (por exemplo aqui) a aprovação dos estatutos do Movimento Neocatecumenal que alguns acusam de ter um efeito divisivo nas paróquias onde está implantado e que tem uma presença significativa em Lisboa.

Por fim olhamos para os EUA. Ontem cumpriu-se a marcha anual pela vida. O Arcebispo de Nova Iorque compara a luta pela vida como uma contenda entre David e Golias.

Amanhã publicamos mais um artigo semanal de The Catholic Thing, estejam atentos. As novidades mais importantes continuarão a ser colocadas no grupo do Facebook, que em poucos dias ultrapassou a centena de membros.

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