Wednesday, 10 October 2012

Jesus Cristo Superstar de Frankfurt

Superstar... of Frankfurt!
É já amanhã que começa o Ano da Fé!

A data não foi escolhida ao acaso. Faz 20 anos que foi publicado o Catecismo e 50 anos que começou o Concílio Vaticano II, como recordou hoje, em português, o Papa.

Este Ano da Fé dá direito a indulgência plenária para quem for à Pia Baptismal recordar o seu baptismo. D. Manuel Monteiro de Castro, responsável por estas coisas, explica.

No sínodo que está a decorrer em Roma, hoje falou o Patriarca dos Melquitas. Sua beatitude Gregórios III Laham falou também da situação do seu país, a Síria.

Na Alemanha decorre a Feira de Frankfurt, uma das feiras de livros mais importantes do mundo. A estrela deste ano é… Bento XVI e o terceiro volume dedicado à vida de Jesus Cristo.

O ex-presidente Ramalho Eanes disse ontem, na Renascença, que a Igreja não se tem feito ouvir numa altura de crise. Em resposta, o porta-voz da Conferência Episcopal… fez-se ouvir.


Por fim, um pedido. A Renascença está a preparar um calendário com os principais eventos do Ano da Fé. Já temos algumas das iniciativas que vão decorrer em Portugal e no estrangeiro, mas se estiverem envolvidos em algum evento podem-me mandar a informação que eu farei por incluí-la na listagem.

Todos a seguir a… Rússia?

Austin Ruse
Os russos estão fartos. O ano passado no Conselho de Direitos Humanos, em Genebra, iniciaram um processo que deveria levar a uma resolução que estabelecia uma relação entre os direitos humanos e os valores tradicionais. A oposição foi quase imediata e veio dos sítios do costume: a União Europeia, os Estados Unidos e os seus apoiantes de organizações não-governamentais que defendem os “direitos humanos” e os grupos homossexuais.

As potências ocidentais sabem bem como minar as iniciativas de que não gostam. No projecto inicial russo lia-se que os direitos humanos radicam na força moral dos valores tradicionais. Havia linguagem que defendia o direito à vida, a importância da família na sociedade e o papel desempenhado pelas principais religiões.

Os governos de esquerda acusaram o projecto russo de não dar atenção à ligação existente entre valores tradicionais e violações dos direitos humanos. Os Estados Unidos e alguns países europeus, em particular, afirmaram que os valores tradicionais são uma ameaça para os direitos das mulheres, dos homossexuais e transsexuais.

Foi encomendado um novo “estudo” que acabou por retirar quaisquer referências à família, religião e direito à vida. Mais, o novo projecto acusava os valores tradicionais de colocarem em perigo os direitos das mulheres e das minorias.

Como costuma acontecer nas Nações Unidas, a esquerda acabou por levar a sua avante. Mas os russos não, e muitos outros também não. Estava agendada uma discussão sobre o novo estudo em Genebra, a semana passada. Desta vez os russos foram firmes, animados por uma confiança cultural conservadora que deve ter dado arrepios aos europeus e à claque LGBT no Departamento de Estado dos Estados Unidos.

Os russos limitaram-se a ignorar os seus adversários, exigiram uma votação e ganharam. Estavam tudo menos sozinhos. A resolução foi assinada por mais de 60 governos e acabou por passar no Conselho de Direitos Humanos com 25 votos a favor, 15 contra e 7 abstenções.

O novo documento é uma vitória para os valores tradicionais no entendimento dos direitos humanos, deixando claro que estes são universais e não se encontram em “evolução”, como afirma a esquerda.

Momentos depois da votação o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Moscovo emitiu um comunicado que a minha colega na C-FAM, Stefano Genarrini, descreveu como “cheio de confiança”, onde se lê: “A Federação Russa, juntamente com os seus aliados, continuará a promover no Conselho de Direitos Humanos a ideia de que os direitos humanos e os valores morais tradicionais são inseparáveis.”

O comunicado criticava ainda as medidas da União Europeia e dos Estados Unidos, lamentando as “posições negativas destes países, a falta de vontade de trabalhar o texto e os argumentos rebuscados contra a resolução”.

Aquilo a que estamos a assistir nas Nações Unidas é o acordar do urso da política social russa. Muitos Governos estão a ficar saturados com a agressividade da esquerda sexual, que já se infiltrou firmemente na burocracia das Nações Unidas e dos direitos humanos.

O acordar do "Urso Russo"?
A maioria dos estados-membro já não pode ouvir as insistências sobre os direitos à saúde reprodutiva. Aliás, nas recentes negociações Rio+20 sobre o ambiente os russos lideraram os esforços para remover linguagem a favor dos direitos reprodutivos, um revés que levou a esquerda, incluindo Hillary Clinton, a denunciar o documento final.

Há muitos anos que se tenta transformer a homossexualidade e suas variantes numa categoria protegida pelo direito internacional. Mais de metade da Assembleia Geral das Nações Unidas são contra isto, os russos em particular.

Mas a maior parte dos países temem enfrentar a pressão. Muitos dependem da generosidade das Nações Unidas, União Europeia e Estados Unidos. O Departamento de Estado visitou pessoalmente muitas das delegações nas Nações Unidas e fez ameaças por causa de uma votação no Conselho de Direitos Humanos que pedia um estudo sobre a violência contra os homossexuais.

Mesmo um país como a Jamaica, por exemplo, que em termos politicos e culturais não é favorável à homossexualidade, cedeu perante tamanha pressão e, embora não tenham votado a favor, aceitou abster-se.

Mas a Rússia não tem medo do bullying das Nações Unidas, da União Europeia nem dos Estados Unidos. A Rússia está profundamente preocupada com a diminuição da sua população e já iniciou um debate interno sobre o aborto legal. Os rusoss não consideram a homossexualidade normal. Ao mesmo tempo a Rússia parece contente com a hipótese de confrontar os seus concorrentes geopolíticos nesta arena.

Ter a Rússia na linha da frente nestes assuntos é útil por variadas razões. Retira a pressão da Santa Sé, que nunca se sentiu confortável no papel de líder nesta luta. A Santa Sé prefere dar apoio moral, falar nos momentos chave, mas não liderar. Depois, há o facto de a Rússia não ser um Estado islâmico. Os Estados islâmicos, quer sozinhos quer através da Organização da Conferência Islâmica, são caricaturadas como ayatollahs no que diz respeito a políticas sociais.

Há quem pergunte se, enquanto conservadores, devemos aliar-nos a um concorrente geopolítico dos Estados Unidos. E a repressão interna na Rússia? E as Pussy Riot?

Num mundo ideal as democracias ocidentais e as Nações Unidas seriam os maiores defensores dos bebés por nascer, em vez de promoverem o aborto. Defenderiam o casamento tradicional em vez de promover práticas sexuais aberrantes, definindo-as como “direitos” humanos.

A Rússia é tudo menos perfeita, mas no campo das políticas sociais está bastante à nossa frente nesta altura.



Austin Ruse é presidente do Catholic Family & Human Rights Institute (C-FAM), sedeado em Nova Iorque e em Washington D.C., uma instituição de pesquisa que se concentra unicamente nas políticas sociais internacionais. As opiniões aqui expressas são apenas as dele e não reflectem necessariamente as políticas ou as posições da C-FAM.

(Publicado pela primeira vez em www.thecatholicthing.com na Sexta-feira, 5 de Outubro de 2012)

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Tuesday, 9 October 2012

A importância do "voto católico" e futebol pela vida


Faltam precisamente quatro semanas para as eleições americanas. Se a tradição se mantiver o vencedor terá de ganhar a maioria dos votos católicos também. Falei com o jornalista David Gibson sobre a importância dos católicos, e da religião em geral, nas eleições americanas. Vale a pena ler a transcrição integral da conversa no blog.





Por fim, para todos os (e as), que gostam de futebol, o Ponto de Apoio à Vida está a organizar um torneio para angariação de fundos. Informações na imagem em anexo.

"Whoever wins the Catholic vote can win the election"

"This is how big the Catholic vote is, seriously!"
Transcrição integral da entrevista a David Gibson, jornalista premiado e especialista em religião, sobre a importância do voto católico nas presidenciais americanas. Reportagem aqui.

Full transcript of interview with award winning religion beat journalist David Gibson, on the importance of the Catholic vote in the upcoming US presidential elections. News story here (in Portuguese).

How important is religion in the election?
Religion is very important, as one president said, it’s important that our Government leaders have a religious belief, and I don’t care what it is. So it’s very important that Americans see themselves as religious, its part of our founding mythology, and that they see our leaders as religious.

But also, it’s a very polarised electorate, and each candidate has to turn out his base. And particularly on the Republican side that base is very motivated by religion, hence all the “God talk”, as we say. But on the other hand the Democrats don’t want to be seen as atheists, or being anti-religious, so they counter with their own “God talk”, and they make sure to invite Cardinal Dolan to give a blessing at their convention as well.

But is the electorate divided along confessional lines? Do Catholics all vote the same way, for example?
It depends which group you’re talking about. Catholics are actually the ultimate swing voter, they are very divided, the polls show them going back and forth between Romney and Obama. They are crucial, a very important voting bloc. They make up a quarter of the electorate, about 24% of the voting Americans. Hence, whoever wins the Catholic vote has a good chance of winning the election. Catholics used to be mostly democrats, but that’s not the case anymore.

The real voting bloc for republicans is white Evangelical Protestants. 75% to 80% of Evangelical Protestants vote republican and they also make up about a quarter of the electorate.

There are other religious voting blocs, Jews vote overwhelmingly democratic, African American Christians who are also a form of Evangelical vote overwhelmingly democratic, but they don’t make up such a large portion of the electorate.

Speaking of African Americans, it seems that Obama’s stance on gay “marriage” could hurt him there…
I think there have been serious reservations and objections expressed, because it is true that black churches tend to reject gay marriage, even as they support overwhelmingly democratic principles on poverty and other things, but I think overwhelmingly the issues are economic issues and among the black community there is a solidarity with the first black president which, the polls show, is going to overcome any reluctance and reticence over the gay marriage issue.

How about the HHS mandate debate? The bishops have all united against the administration over this. It’s clearly a gamble… will it hurt Obama, and if he is re-elected, and the bishops don’t win this fight, could it hurt them?
I think the American bishops are taking a big gamble here, and it’s very risky. Fundamentally I think Catholics, even if they reject, by and large, the Catholic position on contraception, tend to agree with the bishops about the problems of religious freedom involved in the HHS mandate. But they also believe that the bishops are overplaying their hand. They are casting this in apocalyptic terms, an all or nothing battle for the survival of the Catholic Church, and most Catholics don’t really see it that way. And there are these interesting polls where the majority of Catholics agree with the bishops, but it doesn’t affect their vote. They just don’t see it in apocalyptic terms.

The big question is, what will the bishops do if Obama wins? If you cast your lot entirely with the other side, in such black and white terms, what if you have to deal with him for the next four years and you have to negotiate a better deal with him, have you spent all your political capital?
Romney and Obama fighting for votes
Do you think Obama might concede on this subject, after the elections, when there is less pressure?
I don’t know. I would think so. It’s not clear why he has stuck to his guns on this one issue, it’s really unlike him to do this. I think he has advisers who are very dedicated to this contraception issue. But there are other ways to do this, to work this same policy so that it doesn’t impinge on Catholic freedoms at all. So I think it would be characteristic of Obama to change this HHS contraception policy if he wins, but really nobody knows at this point.

And if he doesn’t change it, do you think it will make it through the Supreme Court?
That also is an open question. The Supreme Court has forcefully rejected the Obama administration’s arguments in a couple of religious freedom issues in recent months. Most lawyers think the administration is on safe ground, relatively speaking, but nothing is clear. The Supreme Court is as divided as the entire United States is. Almost every decision is 5-4.

Monday, 8 October 2012

Tsunami de secularismo afoga cristãos mornos

O tsunami do secularismo, ou Carcavelos hoje de manhã?

O ex-mordomo do Papa foi condenado a 18 meses de prisão. Vários observadores do Vaticano esperam agora que Bento XVI indulte o seu antigo funcionário, veremos.


E na Arábia Saudita os temidos polícias religiosos vão passar a ter menos poderes. Nomeadamente já não poderão deter nem interrogar pessoas suspeitas de violar os bons costumes islâmicos…

Wednesday, 3 October 2012

Confiar as preocupações a São Pedro...

D. José Policarpo foi ontem entrevistado pela Renascença onde referiu que a Igreja respondeu à crise com actos concretos e não com palavras.

Um vendedor de chapéus-de-sol italiano está chateado com a União Europeia e por isso fez aquilo que todos nós já pensámos fazer quando ficamos chateados… instalar-se na parte de fora da cúpula da Basílica de São Pedro.


Imune a ex-mordomos, vendedores de chapéus-de-sol e sociedades secretas, Bento XVI pediu aos fiéis que rezem pelo Sínodo dos Bispos e pelo Ano da Fé, que começam este mês.

São José, padroeiro do casamento


por Kristina Johannes
Não existe batalha mais important no nosso tempo que a defesa do casamento. Mesmo as questões de defesa da vida radicam na crise do casamento. Como é que a civilização pode sobreviver ao minar de um pilar tão importante da vida humana? Quando as fundações cedem, cede a casa toda. É por isso que esta batalha exige recursos espirituais especiais.

Estou envolvida nesta luta há muito tempo e já vi as sondagens em defesa do casamento a variar de Estado para Estado. Alguns peritos dizem que é apenas uma questão de tempo até a corrente mudar a favor de uma redefinição política do termo casamento. Não admira, tendo em conta a propaganda a que as novas gerações têm sido sujeitas nas escolas por todo o país.

Pelo caminho tem havido marcos importantes que têm travado a marcha, supostamente inevitável, em direcção à redifinição da realidade. Sempre que os eleitores são chamados a pronunciar-se reafirma-se a natureza, confirmando o que o senso comum nos diz sobre o casamento.

A destruição do casamento é inevitável? Claro que não. Mas os números cada vez menos expressivos das maiorias não podem ser ignorados.

Sempre pensei que os católicos deviam estar envolvidos em pelo menos um apostolado pró-vida, não interessa qual. Penso o mesmo em relação à protecção do casamento.

Santo Inácio terá advertido os seus seguidores a agir como se tudo dependesse de nós e a rezar como se tudo dependesse de Deus. É uma premissa exigente, mas que nos permite dormir descansados.

Os católicos gostam de colocar tudo sob a protecção de santos padroeiros. Enquanto protector da Sagrada Família, São José parece-me um candidato perfeito para a protecção do casamento.

Em tempos de turbulência para a Igreja, Leão XIII escreveu uma encíclica sobre São José, Quamquam Pluries, na qual propôs que juntássemos à devoção a Nossa Senhora a devoção a São José. Para melhor implementar esta prática o Papa incluiu uma oração que devia ser recitada no fim do terço durante o mês de Outubro. Ele esperava que esta devoção se tornasse anual. Passados quase 125 anos, talvez devêssemos torná-la diária.

Basta pensar um bocado na vida de São José para perceber porque é que ele é um intercessor tão poderoso.

Maria não era uma “mãe solteira” na altura da Anunciação, já era esposa de José. O noivado judaico implicava uma verdadeira troca de consentimento matrimonial. Por isso, a Encarnação esperou pelo casamento de Maria e José. Este facto não tem sido suficientemente apreciado e, ao que parece, alguns preferiam nem sequer saber.

O casamento envolve um dom mutual de si. O dom de Maria foi uma consagração magnífica e total a Deus (o que a tornou a mãe perfeita de Deus). O dom recíproco de José foi o sacrifício da vida conjugal, permitindo assim a total consagração de Nossa Senhora.

Através do seu sacrifício, José deu a sua vida por Maria e, consequentemente, pôde recuperá-la de forma extraordinária, tornando-se o pai de Deus, não na carne mas na mente, quando a sua mulher, Maria, concebeu pelo poder do Espírito Santo.

O casamento de Maria e José
Por isso, embora Maria tenha concebido de forma totalmente milagrosa, permanecendo virgem, o amor de Maria e José foi uma verdadeira união esponsal de corações e foi abençoada de forma singular pela Encarnação.

O Beato Joao Paulo II sublinha esta ideia em Redemptoris Custos, onde escreve: “O Salvador deu início à obra da salvação com esta união virginal e santa ... o casal formado por José e Maria constitui o vértice, do qual se expande por toda a terra a santidade”.

Podemos supor que José tinha sido bem preparado por Deus para este papel de marido de Nossa Senhora e, por isso, para efeitos legais, pai do Salvador do Mundo. Coube a José guardar o mistério da Encarnação.

Não deve ter sido fácil para este homem humilde ter de assumer o papel de Guardião do Filho de Deus. Apesar da sua natureza divina, Jesus apreendeu parte da sua natureza humana do exemplo de São José. E tal como Jesus nos legou a sua mãe, também nos deixa o seu pai que o amava.

Depois de Maria, José é a criatura humana mais santa que alguma vez viveu. Como se pode ler em Quamquam Pluries: “Por isso mesmo que entre a Santíssima Virgem a José foi estreitado o vínculo conjugal, não há dúvida de que ele se aproximou como ninguém dessa altíssima dignidade, em virtude da qual a Mãe de Deus ocupa lugar eminente, a grande distância de todas as criaturas. Uma vez que o casamento é a comunidade e a amizade máxima a que, por sua natureza, anda ligada a comunhão de bens, segue-se que, se Deus quis dar José como esposo à Virgem, deu-lo não apenas como companheiro na vida, testemunha da sua virgindade e garante da sua honestidade, mas também para que ele participasse, mediante o pacto conjugal, na sua excelsa grandeza.

À medida que a batalha pelo casamento prossegue precisamos urgentemente de um padroeiro. Da minha parte não consigo pensar em ninguém melhor para esse papel que São José.



(Publicado pela primeira vez em www.thecatholicthing.com no Domingo, 30 de Setembro de 2012)

Kristina Johannes é enfermeira e instrutora de métodos naturais de planeamento familiar. Foi porta-voz da Alaska Family Coalition, que conseguiu a aprovação da emenda constitucional de protecção do casamento naquele Estado.

© 2012 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte:info@frinstitute.org

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