Tuesday, 2 October 2012

Perdão e não violência em vésperas de São Francisco

O ex-mordomo do Papa foi hoje interrogado em tribunal e reconheceu ter agido sozinho, mas “influenciado por outros”. Entretanto queixou-se da vista…

Os muçulmanos de Lisboa condenaram num comunicado as recentes ofensas a Maomé, mas rejeitam liminarmente qualquer acto de violência. O comunicado pode ser lido aqui, na íntegra.

Está em Portugal um sacerdote colombiano para falar da experiência daquele país com o perdão na resolução de conflitos. Hoje o pe. Leonel dá uma conferência sobre o assunto em Lisboa, às 18h30. Com muita pena minha não poderei estar presente, mas recomendo a quem possa. Pelo menos leiam a entrevista, que é muito interessante.

E quando a Igreja se prepara para assinalar mais um dia de São Francisco, os franciscanos convidam-nos para dois eventos, amanhã em Lisboa, hoje no Porto, que podem consultar através da imagem em anexo.

Comunicado da Comunidade Islâmica de Lisboa

Aqui podem ler na íntegra o comunicado enviado ontem pela Comunidade Islâmica de Lisboa, a respeito das recentes ofensas a Maomé.

Clicar para aumentar





Monday, 1 October 2012

Templos queimados e saltos de avião

Paolo Gabrielle em tribunal no Vaticano
Antes de mais nada, esta iniciativa precisa de voluntários

Começou no Sábado o julgamento do ex-mordomo do Papa acusado de roubar documentos secretos. Tudo deve ficar concluído esta semana. Não podemos mandar para lá alguns dos casos que entopem o nosso sistema judicial?

Foi mais um fim-de-semana de violência inter-religiosa. No Quénia um atentado conseguiu matar mais uma criança cristã… no Bangladesh foram os budistas que sofreram na pele por causa de uma foto publicada no Facebook. Dezenas de templos e casas foram destruídos.

Este ano o Festroia entregou novamente um prémio da Signis, para o filme que melhor se enquadra com os valores da Igreja. Conheça aqui o premiado.

Os presidentes das Conferências Episcopais dizem que o conceito de homem está em crise na Europa e que o euro foi criado precipitadamente. Para todos os que já me conheciam em 2001… I told you so!

Tendo em conta que os anglicanos têm dificuldades em pôr-se de acordo sobre o que quer que seja, não é muito surpreendente que a escolha de um novo arcebispo de Cantuária esteja a ser mais difícil do que era suposto. Em todo o caso, conheça aqui os possíveis candidatos.

John, James ou Justin: Quem será o próximo Arcebispo de Cantuária?

John Sentamu
A Igreja Anglicana poderá ter de ficar sem líder durante várias semanas, uma vez que a comissão encarregada de designar o sucessor do Arcebispo de Cantuária chegou ao fim da sua reunião sem acordo.

A Crown Nominations Commission, composta por padres, bispos, leigos e representantes da vida política, tinha três dias para apresentar dois nomes ao Governo, que depois as apresentaria à Rainha, que tornaria oficial escolha.

Regra geral o primeiro nome seria escolhido, havendo a possibilidade, contudo, de Isabel II optar pela segunda hipótese.

Mas ao fim dos três dias de reuniões, que decorreram num local secreto, a CNC não conseguiu chegar a um consenso. Segundo o jornal Sunday Times apenas se chegou a uma lista de três nomes que são:

Graham James
John Sentamu, de 63 anos, actual arcebispo de York.
Graham James, de 61 anos, actual bispo de Norwich.
Justin Welby, de 56 anos, actual bispo de Durham.

Sentamu é uma das figuras mais carismáticas da Igreja Anglicana. Nascido no Uganda é tradicionalista nas questões morais e tem sido uma das vozes mais firmes contra o “casamento” homossexual.

James, por outro lado, é uma figura mais apagada e vista por alguns como sendo demasiado liberal. O próprio foi citado a dizer que ia rezar para que outro fosse incumbido dessa responsabilidade.

O terceiro candidato seria a carta fora do baralho. Bispo há menos de um ano, tem apenas 56 anos e fez carreira na indústria petrolífera antes de se tornar clérigo. Justin Welby seria ainda uma escolha surpreendente por causa da sua idade.

Justin Welby
Tradicionalmente os bispos são obrigados a avisar as suas dioceses três meses antes de abandonarem a função. Isso significa que o próximo Arcebispo de Cantuária apenas poderá ocupar-se do cargo depois de Janeiro, dependendo de quando for feita e anunciada a escolha, deixando o posto vazio durante algumas semanas, uma vez que Rowan Williams abandona no dia 31 de Dezembro para se dedicar a uma vida académica na Universidade de Cambridge.

O próximo Arcebispo de Cantuária, seja quem for, terá uma tarefa praticamente impossível de garantir a unidade da Comunhão Anglicana a nível mundial. Os anglicanos estão fortemente divididos entre conservadores e liberais, com diferentes visões e entendimentos sobre o papel da tradição, das sagradas escrituras e de questões morais.

Filipe d'Avillez

Thursday, 27 September 2012

Jornalistas em Fátima, Sospiros em São João

Divino Sospiro, Domingo às 21h30 no
auditório da Boa Nova, S.J. Estoril
Decorreu hoje o primeiro dia das Jornadas da Comunicação Social, com a participação de elementos de peso tanto da Igreja como do mundo do jornalismo.

Do lado dos jornalistas António Marujo, do Público, Joaquim Franco, da SIC e Graça Franco, da Renascença, explicaram de que forma a Igreja pode e deve melhorar a sua comunicação.


Mais longe, na Suíça, os presidentes das conferências episcopais da Europa estão reunidos para debater a crise financeira e para ouvir falar os especialistas, para ficarem mais bem informados.


E para terminar numa nota mais positiva. Vitória! A Igreja de Olivença venceu o concurso de “Melhor recanto de Espanha”. Resta saber o que vão fazer quando perceberem que Olivença não é Espanha, mas por enquanto deixemo-los festejar.

Se procura programa para este fim-de-semana, que tal ir ao Estoril ver um concerto dos Divino Sospiro, a orquestra residente do Centro Cultural de Belém e, este ano, da Gulbenkian? É no Domingo às 21h30 no auditório do Centro Comunitário da Boa Nova, em São João do Estoril.

Tuesday, 25 September 2012

Quem te avisa…

Randall Smith
Os debates de 1858 entre Lincoln e Douglas prepararam os americanos para uma eleição que Abraham Lincoln acabaria por perder e cobriram uma série de assuntos políticos daquele tempo, mas houve um que dominou: a escravatura. Na verdade, hoje ninguém quer saber quais eram as posições de Stephen A. Douglas sobre, digamos, a economia, o que pensava sobre meios de pagamento ou impostos. A única coisa que nos interessa agora é que ele votou a favor da escravatura.

Em abono da verdade, devemos esclarecer que Douglas repetiu insistentemente que não era a favor da escravatura, mas foi também um dos arquitectos da noção de “soberania popular”, isto é, deixar que os Estados decidam a questão por si.

Assim, Douglas declarou que:

Acredito que a humanidade e o Cristianismo ambos requerem que o negro deva ter, e possa beneficiar de, todos os privilégios e todas as imunidades consistentes com a segurança da sociedade na qual vive. Sobre isso, presumo, não pode haver diversidade de opinião. Somos obrigados a estender aos seres dependentes e inferiores todo o direito, todo o privilégio, toda a facilidades e imunidade que sejam consistentes com o bem público.

A questão que surge é, então, que direitos e privilégios são consistentes com o bem público? Esta é uma questão que cada Estado e cada Território deve decidir por si. O Estado de Illinois já decidiu. Decidimos que o negro não deve ser escravo e também que não deve ser um cidadão, mas protegêmo-lo nos seus direitos cívicos, na sua vida, na sua pessoa e propriedade, negando-lhe apenas todos os direitos políticos e recusando colocá-lo num nível de igualdade com o homem branco. A política do Illinois é satisfatória para o Partido Democrático e para mim, e se assim fosse para os republicanos então não haveria nada a discutir; mas os republicanos dizem que ele deve ser um cidadão e quando isso acontece ele torna-se nosso igual, com todos os nossos direitos e privilégios. Eles dizem que a decisão Dred Scott é monstruosa porque nega ao negro o direito à cidadania à luz da Constituição. Ora, eu considero que o Illinois tinha o direito de abolir e proibir a escravatura, como fez, e considero que o Kentucky tinha o mesmo direito de manter e proteger a escravatura que o Illinois tinha de a abolir.

Por outras palavras, Douglas era o típico candidato pró-escolha: Defendia a liberdade de escolha para todos – excepto para os americanos negros que não eram inteiramente pessoas à luz da lei de então. Quanto à sua garantia de que os negros deviam poder gozar de “todos os direitos, todos os privilégios” consistentes com o bem público, trata-se de um caso típico de “duplicidade”: aquilo que oferece tão generosamente com uma mão, tira de forma brutal com a outra.

E não pensem que Douglas não tentou classificar Lincoln como um “extremista”, “desalinhado”, próximo dos abolicionistas “fanáiticos”. Disse-o diversas vezes. Mas o próprio Lincoln também não tinha um registo imaculado no que diz respeito à escravatura, optando por compromissos pragmáticos que, sem dúvida, levaram alguns abolicionistas a optar por um candidato mais “puro”. Assim, é natural que muitos grupos tenham votado contra Lincoln: os que discordavam da sua posição sobre a escravatura; os que estavam convencidos de que ele não era suficientemente contra e aqueles que pensavam que a escravatura era apenas uma de entre várias questões e que, pensando bem, preferiam o Douglas.
Lincoln e Douglas... muito mais que economia
Seria errado colocar todos os assuntos a par da escravatura em termos de importância, mas seria igualmente errado esquecer que há momentos na história em que as injustiças que surgem tornam tudo o resto insignificante, pese embora a seriedade da situação não seja clara para todos na altura.

Não existiam Nazis na Alemanha depois da Segunda Guerra Mundial, porém o partido tinha sido eleito por largas maiorias em todas as eleições até que a guerra começou a correr mal em 1942. Hoje ninguém olha para trás e diz: “Sim, o candidato Nazi era a favor da deportação de judeus, mas se calhar tinha boas políticas económicas.” As políticas económicas não interessam a ninguém.

A expressão “mas eles puseram os comboios a correr a horas!”, outrora usada para justificar o apelo dos Nazis, é hoje recebida com particular desprezo porque sabemos qual era a carga humana desses comboios. Nem temos grande pachorra para aqueles que argumentariam que era melhor votar num candidato Nazi porque, se a economia melhorasse, poderia diminuir a pressão para deportar judeus. As consequências não intencionais não podem ser controladas, mas o que as pessoas escolhem favorecer ou restringir pode. Os candidatos que se opõem à defesa da vida minam o mais básico princípio fundador da nação.

À medida que nos aproximamos da eleição presidencial de Novembro faríamos bem em recordar esta história. Daqui a 200 anos, quando a visão moral for mais clara, alguem quererá saber das questiúnculas políticas que agora nos dominam? Ou perguntarão simplesmente (como nós fazemos em relação aos nossos antepassados): quem votou contra o aborto e quem não o fez?

O ensinamento da Igreja sobre este assunto tem sido repetida várias vezes; nalguns aspectos é até mais clara do que era em relação à escravatura ou ao tratamento dos judeus. Muitas vezes perguntam-me porque é que os bispos alemães não excomungaram os católicos que votavam nos Nazis. Não sei. Mas também tendo a interessar-me menos pelos pecados do passado e mais em evitar a minha própria cegueira moral. O juizo é uma faca de dois gumes.

A Igreja não pode obrigar, como fazem os governos. Ela pode apenas apelar à consciência dos homens e mulheres de boa vontade. Um católico com consciência bem formada não pode votar a favor de um candidato que defende o aborto por oposição a um candidato que defende a restrição do aborto, da mesma maneira que nenhum católico de consciência bem formada poderia ter votado a favor de um candidato pró-escravatura ou pró-Nazi. Alguém hoje defenderia que era justificável votar em Douglas em vez de Lincoln?

Não se engane a si mesmo. Aqueles que têm ouvidos, que ouçam.

Randall Smith é professor de teologia na Universidade de St. Thomas, Houston.


(Publicado pela primeira vez em www.thecatholicthing.com na Sexta, 21 de Setembro de 2012)

© 2012 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte:info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

Partilhar