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Thursday, 27 April 2023

Afinal a única coisa natural que o PAN quer ver extinta somos nós


Ainda pensei tentar rebater alguns dos pontos neste vídeo, mas não vale a pena.

Começo por dizer que o recebi num grupo do WhatsApp, e não faço ideia se a tal proposta que está a ser discutida é boa ou não. Mas a razão pela qual não vale a pena rebater os argumentos expostos é porque o deputado municipal do PAN tem razão. 

Atenção, não é que eu concorde com ele! Mas ele tem razão porque está a operar dentro de um paradigma em que tudo o que diz faz todo o sentido. Logo tem razão, dentro da realidade que subscreve. O que não implica que tenha razão à luz da verdade, porque eu sou daqueles antiquados que para além de defender que a família "convencional" é uma coisa porreira que faz sentido preservar - tipo lince de Malcata, mas para melhor - acredita também que existe uma verdade, e não muitas, ao sabor das ideologias de cada um. 

Porque o problema aqui é ideológico mesmo, daí ter falado de paradigma. O problema não é a lógica que o deputado municipal usa, é a ideologia que está por detrás e essa, é bom que entendamos, é incompatível com a minha, e a de muitos. Não é apenas diferente, é incompatível.

Eu acredito num mundo em que o ser humano tem a responsabilidade de cuidar da criação. Toda. A sua e a do reino natural. Não o fazemos bem, e até eu falho muitas vezes nesse aspecto, mas temos essa responsabilidade. Ele acredita num mundo em que o humano está a mais. Muito a mais, pelos vistos. 

Eu compreendo que os animais, fazendo parte da criação infinitamente sábia e bela de Deus, estão num plano diferente da do ser humano, que é dotado de razão e, acima de tudo, de capacidade de se relacionar e de amar, não apenas para preservação da espécie, mas por total altruísmo. Ele acredita num mundo em que o animal e o homem estão exactamente ao mesmo nível, pese embora eu tenha muita dificuldade em acreditar que se os leões pudessem formar um partido as suas preocupações fossem as mesmas que as do PAN. 

Eu acho que os casais devem poder ter os filhos que desejam ter e que o Estado, que tem por função zelar pelo bem-estar e pelos interesses das pessoas, deve fazer o que estiver ao seu alcance para permitir que elas se concretizem dessa forma. Ele acha que a função do Estado é dar às pessoas os meios para não terem filhos, e que se ainda assim insistirem em os ter, então o problema é deles e não merecem qualquer ajuda ou apoio. 

Eu acho que uma família composta por um casal estável, mãe e pai, é o melhor ambiente para se criarem filhos saudáveis, realizados e equilibrados, o que por sua vez é um bem social. Ele nota com satisfação que as famílias "convencionais" já são minoria, estão em vias de extinção, e "assim esperemos que fiquem", que isto da monogamia é só para os pinguins, pelos vistos, e afinal há coisas naturais que o PAN até defende que se extingam. 

Eu acho que submeter os animais, quaisquer que sejam, a tratamentos hormonais é uma violência pouco saudável que desrespeita o equilibrio biológico. Ele concorda, desde que esses animais não sejam as nossas mulheres.

Eu acho que devemos evitar o uso do plástico a nível social, ele considera que todos os homens heterossexuais que tenham relações sexuais devem plastificar determinada parte do seu corpo, para evitar essa doença sexualmente transmissível que é a gravidez. 

Tenho, contudo, uma dúvida. Eu acho que este senhor tem direito a ter as suas opiniões anti-natalidade, anti-humanas e anti-família. Acho, porque considero que o direito à liberdade de consciência é uma coisa sagrada. Discordo, e espero que ele mude as suas opiniões nefastas, mas respeito a liberdade de as ter. Será que ele acha o mesmo em relação às minhas?

Quando o PAN apareceu notei com frustração que muitas pessoas iam votar no partido dos "animais" porque achavam giro e fofo que estivessem representados no Parlamento. Pois bem, é nisto que acreditam? É isto que defendem? Porque é isto que o PAN é. E não é coisa boa. Um partido que diz às famílias numerosas: "Demo-vos contracepção e aborto. Se ainda assim quiserem poluir a terra com a vossa prole, problema vosso", não é uma coisa boa. 

E para quem assim pensa nada tenho a argumentar. Só posso responder que temos visões diferentes do mundo e da realidade, e que eu e a minha casa escolhemos a vida, e escolhemos acreditar que a família - tenha ela o tamanho que tiver - é uma coisa boa. 

Por isso para vocês e para a vossa cultura da morte, não faço mais do que responder com uma fotografia da minha família orgulhosamente numerosa. 



Wednesday, 22 September 2021

A Falácia das Escolas

Um dos aspetos mais marcantes dos atuais debates na nossa sociedade – tenham eles a ver com religião, política ou qualquer outro assunto – é a abundância de falácias lógicas. Fazia bem a todos um curso de introdução à lógica, com particular atenção a ser dada aos capítulos sobre falácias formais e informais.

Uma das maiores das falácias informais, parece-me, é aquilo a que chamo a “falácia da escola”. Este surge cada vez que alguém assume que “educação” e “escolaridade” são exatamente ou aproximadamente sinónimos.

Imaginem um círculo (ou façam como eu quando ainda dava aulas e desenham-no num quadro). Esse círculo representa toda a educação de um jovem. Depois imaginem uma fatia desse círculo, correspondente a 25% do total. Essa fatia, ou uma fatia um pouco maior ou menor, representa a porção da educação desse jovem que é fornecida pela escola.

A educação de um jovem rapaz ou rapariga é muito maior do que a escolaridade. A educação geral de uma criança inclui muito mais do que a instrução que lhe é dada pelos seus professores. Inclui a educação (que pode ser deseducação) fornecida por pais e outros parentes, amigos e colegas, treinadores desportivos, padres, rabinos e imames, televisão e filmes, música popular, jogos de computador, livros, celebridades, pornografia, e por aí fora.

Deve-se ainda referir que o impacto da educação dentro das escolas não vem apenas dos professores, mas também dos pares. Alguns desses pares reforçam aquilo que os professores tentam ensinar. Outros minam esses esforços dos professores. Em muitas escolas, sobretudo aqueles que se situam em grandes centros urbanos, os segundos são em muito maior número que os primeiros.

De todos os educadores não-escolares, os mais influentes são, pelo menos na primeira dezena de anos de vida, os pais. Na adolescência esse lugar tende a ser ocupado pelos pares. Ao todo, nos anos entre o nascimento e o fim do liceu, os professores não serão mais do que a terceira maior influência educativa, se tanto.

É preciso distinguir aqui entre dois tipos diferentes de educação: 1) cognitiva ou informativa e 2) moral ou afetiva. Quando os professores são bons, são bons a fornecer o primeiro tipo. Pais e colegas, independentemente de serem bons ou maus, são muito eficientes a fornecer o segundo.

E dos dois o segundo é muito mais importante, em muitos respeitos, para o indivíduo. Pode chegar a adulto sem saber, por exemplo, o Presidente que antecedeu Lincoln, ou sem compreender o teorema de Pitágoras, ou o nome da mãe do Hamlet, ou que rio atravessa Budapeste. Isto é uma infelicidade. Pode levar a que algumas pessoas mais bem-informadas lhe olhem de cima. Pode até afetar a sua carreira profissional.

A caminho da escola, com a principal educadora

Mas se crescer sem aprender e internalizar certas regras de boa conduta – por exemplo abster-se de roubo, drogas, abuso de álcool, fumar, violação, violência doméstica, má educação, adultério, ser um “espertalhão” a lidar com os polícias, e por aí fora – então poderá acabar divorciado, desempregado ou o centro de atenções numa funerária. Isto sem se quer falar do destino da sua alma.

A instrução informativa é importante, mas as lições que aprendemos sobre o bem e o mal, o comportamento prudente e imprudente, são muito mais. E estas lições em moralidade (ou imoralidade) apenas podem ser dadas por pessoas com quem temos relações íntimas e emocionais, como pais e outros parentes e amigos próximos.

As crianças raramente, ou nunca, têm esta relação íntima com os seus professores. Por isso é vão esperar – como muita da propaganda educacional afirma – que os professores possam fornecer às crianças uma educação moral. Se um miúdo não tiver uma boa educação moral em casa nos primeiros anos de vida e de pares bem-comportados nos anos da adolescência, então provavelmente nunca a obterá. A não ser que (caso raro) venha a sofrer uma profunda conversão religiosa mais tarde na sua vida.

Devemos notar que entre as boas atitudes que devem ser inculcadas nos rapazes e nas raparigas incluem-se uma boa atitude para com a escola. Para poderem tirar o melhor da educação cognitiva que se oferece na escola os rapazes e as raparigas têm de abordar com uma boa atitude. Os professores acabam por ter uma influência bastante pequena para a educação geral e a dimensão dessa contribuição depende tanto, se não mais, na recetividade do aluno como na capacidade dos professores.

Quando temos discussões públicas sobre a qualidade da educação (ou falta dela) elas tendem a focar sobretudo as escolas. As pessoas envolvidas tendem a falar na necessidade de melhores salários pra professores, ou menos alunos por sala de aula, mais computadores, ou preservativos gratuitos para rapazes no secundário, ou uma maior centralização de padrões escolares – e sobretudo da necessidade de mais financiamento para as escolas.

Mas o que nunca ouvimos é um funcionário público a dizer: “Para obterem uma melhor educação os alunos devem ter melhores pais, melhores amigos, melhores programas de televisão e melhor música popular”.

A Igreja Católica tem uma série de ensinamentos antiquados que, se implementados, fariam toda a diferença no mundo da educação. Estou a pensar em três em particular:

(1) As primeiras e mais importantes instituições de educação para as crianças são o lar e a família.

(2) Os pais são as autoridades definitivas no que diz respeito à educação de uma criança.

(3) A criança tem o direito a crescer com pais casados.

Infelizmente nós não abraçamos – aliás, mal reconhecemos – estas três verdades educacionais básicas. É uma vergonha que nós católicos, e sobretudo para os nossos líderes, não tenhamos passado os últimos 50 anos a gritar estas verdades básicas aos quatro ventos.


David Carlin foi professor de sociologia e de filosofia na Community College of Rhode Island e autor de The Decline and Fall of the Catholic Church in America

(Publicado pela primeira vez na sexta-feira, 17 de Setembro de 2021 em The Catholic Thing)

© 2021 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

Friday, 2 August 2019

Tomem lá esta celebração




Em Fátima já começaram as férias para famílias com filhos deficientes. É um projeto fantástico e muito generoso, que tem tido cada vez mais sucesso.

O Papa Francisco pede que se reze pelas famílias durante o mês de Agosto. E por falar em família, que dizer desta campanha de um grupo holandês? (Ver foto). Querem festejar o facto de haver cada vez menos bebés a nascer em Portugal (e não só). Fui lá com a minha família para mostrar um festejo tradicional português.


Agora o Actualidade Religiosa vai de férias. Continuarei a publicar os artigos do The Catholic Thing às quartas-feiras e a partilhar informação no Twitter e Facebook.

Wednesday, 2 May 2018

Uma Coisa a Evitar

Stephen P. White
Nota prévia: Acompanhei o caso do Alfie com a atenção que me foi possível, que ainda foi bastante. Neste artigo o autor critica a posição do inglês Austen Ivereigh. Penso que o faz de forma injustificada. Como o Ivereigh, também eu lamento que tenha havido muita manipulação por parte de alguns defensores da família do Alfie. Mas publico o artigo à mesma porque considero que esses são detalhes secundários e que o resto do texto, nomeadamente o alerta sobre o perigo de o Estado se intrometer em demasia nas vidas privadas dos cidadãos, dando origem a conflitos como este, e outros.

Já se esperava que o pequeno Alfie Evans morresse num hospital, com os seus pais ao lado. Não era previsível que as batalhas judiciais, os tweets papais ou as vigílias e multidões de apoiantes da criança britânica mudassem isso. Os milagres acontecem, mas não é por acaso que lhes chamamos milagres. Não era provável que os médicos em Itália (ou qualquer outro local) pudessem ter feito mais pelo Alfie do que os médicos em Liverpool. Possível, talvez, mas não provável.

Quando os médicos de Alfie tinham esgotado a sua perícia, quando mais nada havia a fazer, o corpo de Alfie iria falhar e ele iria morrer. A vida é sagrada, mas a morte não é o pior que nos pode acontecer. Toca-nos a todos.

Porém, o que começou por ser uma disputa entre os pais de uma criança e os seus médicos, tornou-se uma disputa legal sobre quem tem o direito de falar em nome dos interesses de Alfie. Os médicos e os juízes tinham a certeza de que sabiam o que era o melhor para ele. Talvez os médicos tivessem razão, e nada mais houvesse a fazer pelo doente que não conseguiram sequer diagnosticar. E o juiz bem pode ter tido razão em dizer que a lei concede aos médicos prerrogativas que, na verdade, pertencem aos pais. Se existe algum elo que proclama a verdade do direito e da autoridade natural, é aquele que existe entre pais e filhos.

Não deixa de ser um interessante exercício mental contrastar as reações ao caso do Alfie com outro caso controverso sobre os limites dos direitos paternais e das autoridades civis: o famoso caso Mortara, no Século XIX. Um menino judeu, que tinha sido batizado por uma criada bem-intencionada, foi retirada aos pais, em conformidade com as leis do Vaticano. Hoje parte-se do princípio que foi injusto usurpar os direitos naturais dos pais de Edgardo Mortara. Mas muitas pessoas que o dizem defendem também que o Reino Unido fez bem em usurpar os direitos naturais dos pais para poder garantir que Alfie Evans morresse num hospital.

Nada disso interessa muito agora. Os médicos e os juízes conheciam os interesses do rapaz, eram imparciais. Não eram como os pais de Alfie, que não são médicos. Nem juízes. Nem têm formação universitária. Os pais em geral são porreiros, à sua maneira, mas são amadores. A lei procura a opinião de peritos, e eles bem sabiam o que o menino precisava. Não valia a pena fazer mais tentativas de diagnóstico. O Alfie não devia, sob qualquer condição, ser removido do hospital que recusava tratá-lo e apenas queria fornecer cuidados paliativos. Se os pais o tentassem remover, deviam ser detidos.

Os médicos e os juízes de sua majestade nunca chegaram a perceber o que é que se passava com o Alfie. Mas estavam bastante certos de que ele não seria capaz de respirar sozinho. Removeram o ventilador, mas respirou sozinho. Cinco dias. Isso abalou as certezas dos mandarins? Não. Os médicos acharam possível que o Alfie pudesse ter uma convulsão se fosse levado para Liverpool. Preocupavam-se que ele pudesse não sobreviver à viagem. Seria melhor deixar o rapaz morrer em Liverpool.

Tudo com os seus melhores interesses em mente, claro.

Embora os apelos cada vez mais desesperados dos pais de Alfie, e o clamor dos seus apoiantes à volta do mundo – incluindo do Papa Francisco, que até disponibilizou um helicóptero para levar Alfie até Roma – os perturbassem, os mandarins recusaram ceder. O facto de serem especialistas em medicina e em direito deu-lhes o poder de determinar o que seria melhor para o Alfie e, como que para provar isso mesmo, o Alfie Evans morreu num hospital em Liverpool para evitar o risco de poder morrer num hospital em Roma.

Margaret Thatcher disse certa vez que “não existe sociedade. Existem homens e mulheres e existem famílias”. Uma visão bastante anémica da vida social, mas olhando para o caso de Alfie Evans, perguntamos se não terá mesmo exagerado. Talvez só existam mesmo indivíduos e os seus interesses – e o Estado, a empregar peritos para instruir os primeiros quanto aos segundos.

Mas os católicos sabem bem que não é assim. Ou pelo menos deviam saber. O Papa Francisco apercebeu-se do que estava em causa – encontrando-se com Tom, o pai de Alfie, e fez vários tweets manifestando o seu apoio. As declarações dos bispos de Inglaterra e do País de Gales foram essencialmente do género pastoral mas sem tomar partidos, ou seja, flácidas e superficiais. Alguns católicos – entre os quais o autor britânico e biógrafo papal Austen Ivereigh, por exemplo – indignaram-se, insistindo que os protestos contra esta abrogação dos direitos paternais constituíam prova de certo contágio libertário com origem na Igreja americana.

O Papa Leão XIII escreve no Rerum Novarum que “querer, pois, que o poder civil invada arbitrariamente o santuário da família, é um erro grave e funesto”. Note-se que o Papa Leão não era nem americano nem libertário.

Quando os ministros da lei, alegando agir no interesse de um indivíduo, o isolam dos laços familiares, que são a própria fundação da sociedade humana e que a lei existe precisamente para proteger em primeiro lugar, exercem violência sobre o indivíduo, a família e a sociedade. Novamente, quem o diz é o Papa Leão: “E se os indivíduos e as famílias, entrando na sociedade, nela achassem, em vez de apoio, um obstáculo, em vez de protecção, uma diminuição dos seus direitos, dentro em pouco a sociedade seria mais para se evitar do que para se procurar.”

Alfie Evans foi tratado não como uma pessoa em pleno, filho de um pai e de uma mãe, mas como um indivíduo despido de laços, cuja dignidade consiste nos seus “interesses” e que foi sujeito à ministração das forças impessoais do Estado. O Estado tornou-se assim uma coisa a evitar.

Filho adoptivo do Pai pelo baptismo, o Alfie está agora seguro da violência exercida contra ele. A violência cometida contra a sua família, os seus pais e a sua nação talvez sejam um pecado ainda maior.


Stephen P. White é investigador em Estudos Católicos no Centro de Ética e de Política Pública em Washington.

(Publicado pela primeira vez em The Catholic Thing no domingo, 2 de Maio de 2018)

© 2018 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte:info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing

Friday, 28 October 2016

Papa Francisco e bizantinices

Arcebispo de Melbourne Denis Hart
Existem em Portugal alguns milhares de católicos de rito oriental, nomeadamente da Ucrânia e mais alguns países de Leste. O líder da Igreja Greco-Católica da Ucrânia, o arcebispo-maior Sviatoslav Shevchuk, acredita que estas pessoas precisam de integração, mas não assimilação.

Há quem chame a Shevchuk Patriarca, mas oficialmente não é. Essa questão, e toda a da relação e autonomia em relação a Roma, é sensível, como é também o factor russo. São assuntos que o líder religioso refere aqui.

O Papa Francisco manifestou ontem a sua vontade de visitar o Sudão do Sul. Não está confirmado, mas falta só um convite oficial do Governo, o que não deve ser complicado. O complicado virá depois.

O Papa fez ontem um discurso à comunidade académica do Instituto João Paulo II,em Roma. O discurso era suposto ser feito pelo Cardeal Sarah, mas o Papa decidiu que faria ele. Francisco falou da enorme importância desta instituição – para a qual nomeou uma nova direcção em Agosto – mais ou menos no mesmo dia em que o arcebispo de Melbourne, na Austrália mandou encerrar o polo local.

Por tudo isto podia-se pensar que o arcebispo estava metido em sarilhos, mas pelos vistos não, porque hoje foi nomeado para a congregação do Culto Divino e da Disciplina dos Sacramentos, juntamente com outros 25, incluindo o bispo de Bragança, D. José Cordeiro. Quem é o prefeito dessa congregação? Cardeal Sarah. Coincidências! (Mas leiam a notícia sobre o discurso, porque independentemente de todas estas confusões, é muito bonito).

Monday, 24 October 2016

Venezuela, Iraque e Famílias - Crises para todos os gostos

Até as lojas de álcool no Iraque estão em crise
O Papa recebeu esta segunda-feira, e sem que tivesse sido previamente anunciado, o presidente Nicolás Maduro, da Venezuela. Falaram da crise que o país atravessa, que vai de mal a pior.

Com o cerco a Mossul a apertar são já várias as terras cristãs que já foram libertadas do jugo do Estado Islâmico. Qaraqosh já é livre, bem como Bartella, onde voltaram a tocar os sinos das igrejas. Falei sobre este assunto com o especialista Nuri Kino, cristão assírio, que me diz que os cristãos estão “cautelosamente felizes” com estes desenvolvimentos, porque ainda há muito por fazer. Aqui podem ler a transcrição integral, no inglês original.

A situação no Iraque não passou o lado do Papa, que admitiu que as notícias que recebe de sofrimento e morte lhe levam às lágrimas e deixam sem palavras.

Enquanto alguns iraquianos combatem o Estado Islâmico, outros estão corajosamente a combater o consumo e comércio de álcool. A proibição do comércio de bebidas alcoólicas é mais uma medida que afecta sobretudo os cristãos naquele país.

A Igreja quer fazer mais e melhor no acompanhamento de casais e famílias em crise. D. António Marto diz que é preciso “olhar para o matrimónio como uma vocação e um projecto a construir” e a Renascença dá-lhe a conhecer vários projectos que existem nesta área, incluindo o “projecto família” do MDV que em 10 anos já evitou que mais de três mil crianças fossem retiradas às suas famílias.

Arrancou ontem a Semana da Educação Cristã. D. João Lavrador presidiu à missa inaugural, nos Açores.

Monday, 30 May 2016

Contratos de Associação – A batalha errada?

Yellow? Is it me you're looking for?
Dois pontos prévios… 1) Toda a vida andei em colégios particulares, nenhum dos quais com contrato de associação, mas tirei o curso numa universidade pública. Não é que isso seja particularmente importante, mas é para não me virem acusar de nada.
2) Os meus filhos andam num colégio privado, sem contrato de associação, pela simples razão de que a minha mulher trabalha na instituição e por isso é-nos simultaneamente mais prático e ao mesmo tempo economicamente viável por causa do desconto de que beneficiamos.

Dito isto, quero deixar claro que sou simultaneamente um ignorante em matéria de política educativa e também o maior especialista do país em política educativa. Não percebo nada da legislação nem dos programas escolares, ignoro as guerras dos professores e da Fenprof bem como o que se passa no Ministério. Mas enquanto pai de quatro alunos, com um quinto a caminho, sou o maior especialista que existe sobre aquilo que quero da sua educação e aquilo que espero para eles na escola.

Com estes preliminares esclarecidos, vamos á questão do momento… Os contratos de associação.

Pelas redes sociais e também pelas caixas de comentários das notícias da Renascença, que por vezes preciso de moderar, vejo que reina uma ideia muito simplista sobre esta disputa.

A ideia que se espalhou é que o Governo anda a sugar o tutano das escolas públicas para ajudar os donos dos privados a construir piscinas olímpicas para meninos ricos. Mas não… Na verdade o que está em causa, tanto quanto consigo perceber, é o entendimento que privados e Ministério fazem de um contrato assinado há um ano sobre o financiamento de turmas. É uma disputa jurídica e que provavelmente será decidida em tribunal.

Pelo meio há várias coisas que me parecem evidentes:
1)      Que os mais directamente afectados pelo corte do financiamento nos colégios serão os alunos com menos recursos.
2)      Que provavelmente existem mesmo casos de abusos, tendo sido assinados contratos de associação com colégios que não deveriam ter direito a isso.
3)      Que isto não pode ser uma simples guerra esquerda-direita, porque se fosse os autarcas do PS não estariam do lado dos colégios dos seus concelhos.
4)      Que em muitos casos os colégios que estão a ser ameaçados, longe de serem ninhos para as classes privilegiadas são espaços onde se aceitam os alunos mais difíceis, ou com necessidades especiais, e com jovens de todos os extractos sociais, onde o ensino é excelente.
5)      Que me cheira muito a esturro o facto de o Governo (os sucessivos governos) se recusarem a dizer exactamente quanto dinheiro custa ao Estado um aluno no público, já que sabemos já quanto custa nos colégios privados.

Mas claro que esta questão jurídica dos contratos de associação entronca numa disputa muito maior e é essa que me parece grave. Que visão é que temos do ensino em Portugal?

Nem isto...
A extrema-direita e a esquerda mais radical (que tem vários ganchos no PS) encara a educação como um instrumento para promover a igualdade. Para eles haveria apenas um programa, um sistema escolar, um pensamento. E o responsável por tudo isto deve ser, claro está, o Estado, todo-poderoso e omnisciente. Espanta-me como as mesmas pessoas que se queixam do Estado por tudo e por nada aceitam sem pestanejar que os burocratas que pelos vistos não pensam em mais nada se não roubá-los diariamente são os que se encontram mais bem colocados para educar os seus filhos.

Quer isto dizer que sou contra o ensino público? Claro que não! O ensino público e tendencialmente gratuito tem sido uma enorme benesse social. O que contesto é a monopolização do ensino por parte do Estado e a ideia de que devemos confiar cegamente não só neste Governo mas em todos os Governos, para toda a eternidade, como se fosse impossível voltar a ver um Estado totalitário e mau, no sentido mais puro da palavra.

Contra esta posição está a minha (que não me parece especialmente de esquerda ou de direita) que considera que o primeiro e último responsável pela educação dos meus filhos sou eu e a minha mulher. E que o Estado faz muito bem em querer educar as crianças do país, mas deve fazê-lo sempre em conjunto com os pais, e nunca contra eles.

É por isso que a Igreja, para espanto de muitos, está nesta luta. Porque esta é a visão da doutrina social da Igreja sobre a educação, como o Papa deixou muito claro na sua última exortação apostólica. Não se trata apenas de defender privilégios (até porque a maioria das escolas com contrato de associação não são católicas e a maioria das escolas católicas não tem contrato de associação), trata-se de combater aquilo que na sua perspectiva – e na minha – está na verdade por detrás desta tomada de posição do Governo, um ataque à subsidiariedade na educação.

Dito isto, o que acho em particular desta batalha dos contratos de associação? Acho, acima de tudo, que esta é a batalha errada…

Compreendo a luta dos colégios, estão em muitos casos a lutar pela sua sobrevivência, mas para mim isto resolvia-se de forma mais justa com a implementação simples do cheque escolar.

...nem aquilo.
Para quem não sabe, já vários países usam este método e este, sim, dá verdadeira liberdade de escolha às famílias, e não apenas às que vivem perto de uma escola com contrato de associação.

A ideia é simples. Eu pago (números inventados, obviamente) 400 euros por ano de impostos para a educação. Cada aluno custa ao Estado, no ensino público, 300 euros por ano. O Estado dá a cada família um cheque ensino por filho, no valor de 200 euros por ano. Se eu quiser inscrever os meus filhos num colégio, o cheque ensino serve para abater no custo das propinas. Se quiser mantê-los no ensino público, o cheque fica na gaveta, uma vez que unicamente pode ser usado para ensino. Mesmo que use o cheque, continuo a contribuir para o sistema público, e bem.

Se eu quiser colocar os meus filhos num colégio católico, posso. Se os quiser mandar para o colégio islâmico de Palmela, posso. Se os quiser meter na Escola Karl Marx Lenin, força! Desde que aprendam um conjunto de matéria básica essencial e moralmente neutra, o resto é comigo e com os pais de cada criança.

Não me parece complicado… Estarei enganado? Aceito de bom grado sugestões e correcções.

Tuesday, 16 February 2016

Famílias feridas são melhores que sociedade que não sabe amar

Crianças indígenas no México aguardam o Papa
O Papa Francisco encontra-se no México em visita pastoral. Hoje participou num encontro com famílias. Primeiro ouviu quatro impressionantes testemunhos e depois disse aos presentes que prefere ver famílias feridas do que uma sociedade com medo de amar.

Ainda esta segunda-feira Francisco encontrou-se com indígenas de Chiapas, dizendo que há que fazer um exame de consciência sobre a forma como estes foram tratados no México.

A visita do Papa já decorre desde sábado. Aqui pode encontrar várias notícias, mas uma das coisas mais significativas foi o encontro ainda na sexta-feira, em Havana, com o Patriarca de Moscovo. Saiba aqui porque é que se trata de um momento tão histórico.

Entretanto o debate da Eutanásia continua em força. Os bispos já avisaram que não vão ficar calados. Os juristas católicos já vieram dizer que a eventual despenalização será inconstitucional, os médicos católicos também tomaram posição pública contra e a associação de cuidados paliativos lamenta que se esteja a considerar sequer o assunto. Já agora, veja aqui exactamente do que é que se fala quando se fala em eutanásia, e em que é que difere de outros termos como distanásia e ortotanásia, por exemplo.

Wednesday, 7 October 2015

A Criança Invisível

Anthony Esolen
Ultimamente tenho pensado em casamentos e processos de nulidade e na instrução do Senhor de que devíamos sair em busca da ovelha perdida no deserto, longe das outras 99. Creio profundamente nessa instrução, porque essa ovelha era eu.

Mas o que acontece se for devido à nossa negligência e desobediência que a ovelha se perde? Será que o pastor vai em busca da ovelha perdida só porque isso é mais fácil do que cuidar do aprisco que deixou degradar-se? Vemo-lo a cantarolar pelo prado enquanto o lobo se aproxima? E quando regressa com a ovelha perdida dá-se ao trabalho de contar as que permanecem? Repara sequer no sangue e nas entranhas que mancham as paredes em ruínas?

Um rapaz tinha uma mãe e um pai. Eles tinham prometido amar-se um ao outro e serem fiéis até que a morte, e só a morte, os separasse. Não eram mentalmente débeis, sabiam o que significavam as palavras daquela promessa. E o rapaz era feliz.

Depois apareceu o Pai das Nuances, que sussurrou ao marido que as palavras são só palavras, não são coisas, e que as palavras estão sujeitas a interpretação, e que uma palavra proferida com total confiança num contexto poderia não ter o mesmo significado quando o contexto mudasse. E tinha mudado, porque a mulher era agora mais velha e os seus hábitos femininos que em tempos tinham fascinado o marido, agora não passavam de alfinetadas e beliscões. Por isso ele começou a deixar o seu olhar resvalar e o seu coração endureceu.

“Mulher”, disse, “vou levar a minha metade dos bens, que me pertence”. E ela não pôde fazer nada, por causa das leis do país onde viviam. Por isso ele vendeu a casa, a casa que o rapaz tanto amava, e levou metade dos bens e viajou para um país distante. Mas não foi sozinho. Levou outra mulher com ele.

E o rapaz amava o seu pai, porque era seu pai; e odiava-o, porque os tinha abandonado. E não havia quem o conseguisse consolar. Os seus professores chegaram ao ponto de lhe dizer que tinha sorte, porque agora tinha duas mães em vez de uma e duas casas também. Em breve teria também dois pais, porque a sua mãe desanimou.

Ela foi ter com um padre e disse: “Vê como o meu marido nos deixou a sangrar na berma da estrada”. Mas o padre não podia fazer nada por ela, incentivou-a a perdoar o marido e sugeriu que se juntasse a um grupo da paróquia para adultos solteiros. Foi ter com um escriba, perito na lei, e disse: “Vê como o meu marido quebrou os seus votos, agora estamos em sofrimento”, mas o escriba sorriu e disse que ela devia estar satisfeita com o que tinha recebido, que era bem generoso. 

E por isso desanimou. E um dia quando ela e o seu filho estavam no Templo, juntamente com outros, em oração, ouviu as palavras daquele que disse, “Então eles já não serão dois, mas uma só carne. E por isso não separe o homem o que Deus uniu”.

E então o padre disse que as palavras não passam de palavras, e que as palavras estão sujeitas a interpretação, e que uma palavra proferida num contexto não tem de significar o mesmo quando o contexto mudar. E tinha mudado, porque o padre incentivou os fiéis a abrirem as suas mentes e aceitar os fornicadores, os sodomitas e os adúlteros no meio deles. E o rapaz ouviu tudo, e passou a acreditar que tudo aquilo não passava de uma mentira.

Era suposto dizer que gostava de visitar o seu pai e a mulher que tinha ajudado a estragar a sua juventude, mas era mentira. Era suposto dizer que acreditava nas palavras de Jesus, mas pelos vistos ninguém acreditava nelas, em vez disso mentiam continuamente. A sua mãe passou a viver com outro homem, sem se dar ao trabalho de casar, porque ninguém acreditava que existia ligação entre o casamento e o acto conjugal, por isso deitavam-se no seu pecado como se nada fosse, continuamente. Era suposto ele amar aquele homem, e de certa forma amava, mas também era suposto fingir que tudo tinha acabado da melhor maneira, o que também era mentira.

"Por isso embriagou-se..."
Quando o seu corpo estava preparado para a fornicação, também ele estava. Tornou-se especialista no acto de dizer, com o seu corpo, “sou teu para sempre”, quando na verdade “para sempre” queria dizer apenas “até ficar farto de ti”, o que por vezes acontecia pouco tempo depois, outras vezes esgotava-se no próprio acto. Mas as raparigas mentiam também, por isso não devemos sentir muita pena por elas.

Então um dia o seu pai regressou com a madrasta e as pessoas foram instruídas a celebrar, porque ele tinha regressado. Não tinha regressado à sua mulher, e não procurou recompensar o seu filho pela sua tristeza, abandono e perda de fé. Não disse “trata-me como um dos teus empregados, porque pequei contra Deus e contra ti”, disse: “Vinde e festejai comigo, porque regressei!”

E o bispo gordo disse ao rapaz: “É bom que vás festejar com o teu pai, porque ele regressou”.

Por isso o rapaz foi para o banquete e embriagou-se. Afastou da memória as muitas vezes que tinha chorado de noite, porque o seu pai não estava lá. Afastou da memória aquele primeiro dia em que percebeu que ninguém dizia a verdade. Afastou da sua imaginação aquele Jesus que disse: “Deixai vir a mim as criancinhas”.

Pendurou uma mó à volta do seu coração. Não perdoou, porque toda a gente lhe dizia que não havia nada a perdoar. Por isso embriagou-se.


Anthony Esolen é tradutor, autor e professor no Providence College. Os seus mais recentes livros são:  Reflections on the Christian Life: How Our Story Is God’s Story e Ten Ways to Destroy the Imagination of Your Child.

(Publicado pela primeira vez na Quarta-feira, 30 de Setembro de 2015 em The Catholic Thing)

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The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

Tuesday, 6 October 2015

A terra onde "fácil" e "tranquilo" não existem

Depois de ontem o cardeal Erdö ter dado a entender que a comunhão para pessoas em uniões irregulares não estava sequer em discussão, hoje ficámos a saber que afinal está. Mas o Papa quer que se saiba que essa não é a única questão que se discute no sínodo.

O que o Papa também não quer, pelos vistos, é que os bispos entrem em modo conspiração, e por isso hoje falou novamente aos bispos. Se fosse pelo gabinete de imprensa da Santa Sé, porém, nunca o saberíamos.

Entretanto a pouca distância de Roma, na Síria, as palavras “fácil” e “tranquilo” já não são usadas. Quem o diz é o provincial dos salesianos para o Médio Oriente, numa entrevista interessantíssima em que fala também dos refugiados, dos perigos da sua missão e da tristeza de ver os cristãos a abandonar o Médio Oriente.

Hoje partilho convosco mais uma transcrição completa de uma das entrevistas que fiz de antecipação do sínodo. Assunção Guedes é mediadora familiar e fala daquelas famílias que acabam por ser esquecidas no meio destas discussões do sínodo, isto é, as famílias “normais”, mas que também têm problemas.


E por fim, um convite. Na sexta-feira estarei na Igreja Baptista da Lapa, a convite do meu amigo o pastor Tiago Cavaco. É com enorme prazer que participo pela segunda vez no “Fim-de-Semana Cheio na Lapa”, cujo programa vai em anexo. Apareçam, que todos são bem-vindos!

Monday, 5 October 2015

"Dificuldades da família levam a sensação de solidão"

Transcrição integral da entrevista a Assunção Guedes, católica e mediadora familiar credenciada. A Assunção trabalha no acompanhamento de mulheres grávidas em dificuldade e suas famílias, com o Vida Norte, no Porto. A reportagem desta entrevista pode ser lida aqui.

Da sua experiência a trabalhar com famílias, quais são as principais dificuldades que estas enfrentam actualmente?
Há dificuldades internas e dificuldades externas. 

Nas dificuldades internas incluo sobretudo as dificuldades de relação, quer entre o casal quer entre gerações. Essas dificuldades têm sobretudo a ver com dificuldades de comunicação, de incompreensão, de dificuldade de entrega uns aos outros.

Para usar uma expressão do Papa, que acho muito certeira, nós temos dificuldade em gastarmo-nos uns com os outros. Numa relação de família, conjugal ou até de relação entre pai e filho, irmãos e irmãs, sogros e noras, há dificuldade nisto, em gastarmo-nos uns com os outros, de nos dedicarmos uns aos outros. É difícil porque isso implica esquecer-me de mim e pôr o outro à frente.

Por outro lado há dificuldades externas e que têm impacto directo e evidente nas relações familiares e aí vejo mais as questões da sociedade actual, de ritmo de vida, de exigências laborais, exigências de consumo e uma necessidade de consumo extremada, exagerada, que é difícil corresponder e que tem estragos evidentes nas relações. 

Depois, ao mesmo tempo, uma dificuldade que é externa mas que também é muito interna é o cansaço. O cansaço provocado por este ritmo de vida acelerado mas que implica falta de tempo e de disponibilidade para o outro, ou seja, a sociedade actual é de tal forma frenética que não nos permite estarmos uns com os outros; estamos desaprendidos de estar uns com os outros, de simplesmente estar, sem um programa estipulado, mas simplesmente para dar tempo à relação para estarmos juntos. Isto acontece de forma mais grave nas relações conjugais, mas na família no seu todo. 

São portanto dificuldades externas e internas, mas com implicações mútuas e que, de certa forma, só para concluir, ambas acabam num factor mais grave, que é a solidão. Ou seja, esta confusão toda termina numa sensação individual de solidão, que vejo muito nas famílias que acompanho. 

Ouvimos muito dizer que o conceito de família está a mudar. Concorda? E isso é bom, ou mau?
Acho que há aspectos que são novos e que são fruto de há umas décadas para trás. Podemos pegar se calhar na revolução francesa como pontapé de saída para estas mudanças familiares, mas desde então as mudanças são a um ritmo alucinante, da geração dos nossos pais para a nossa, da nossa para os nossos filhos, as mudanças são de uma riqueza e de uma violência enormes. 

Agora, se há benefícios? Claro que há benefícios, sem dúvida. Um dos benefícios mais evidentes que vejo é uma maior proximidade das relações dos pais com os filhos. Se calhar há duas gerações as relações dos pais com os filhos era de uma distância muito grande. O papel de educar cabia à mulher, ponto final. Hoje em dia não, há uma envolvência pais-filhos muito maior, que por um lado dá um acompanhamento e um carácter afectivo e emocional à relação pais-filhos muito mais próxima da nossa relação com Deus, por isso muito mais verdadeira e muito mais rica. Isso também é um benefício dessas mudanças todas, por isso efectivamente houve um papel muito grande sobretudo nas funções da mulher, na sua entrada no mercado de trabalho, mas a verdade é que o pai é muito mais tido e achado no seu papel de educador e de membro no seio de uma família.

Acha que o sínodo tem dado demasiada importância a questões fracturantes, e não o suficiente a famílias ditas normais, mas que também enfrentam problemas?
É preciso distinguir duas coisas. Uma é o que são os assuntos em cima da mesa no sínodo dos bispos, outra é o que se fala mais através da comunicação social. Aquilo que a comunicação põe mais em cima da mesa é o que acaba por ser mais falado e, por isso, atenção porque podemos estar a descurar e a descredibilizar o papel que os bispos têm em relação às famílias ditas normais e que, sim, precisam de imensa atenção, têm problemas concretos e que têm de ser vistos e pensados e reflectidos. Acredito, sim, que o sínodo não ignora essas questões.

Agora, que efectivamente a comunicação social também dá mais ênfase às questões fracturantes é natural, porque é o que está mais quente neste momento e que, de certa forma, não é disparatado. De facto há muitos assuntos que são fracturantes e que são gravíssimos - no sentido de importantes - e que estão em cima da mesa e que são de uma seriedade inegável, por isso não acho que se esteja a desvirtuar importâncias, acho que o sínodo dará certamente importância às questões de ordem normal das famílias, mas acho que não pode deixar de olhar com muita seriedade, tempo e com muita reflexão para os assuntos mais quentes. 

Acho que é evidente que no momento que estamos a passar agora, tem de ser olhado com muita seriedade, precaução e cautela. 

Perante os desafios que a família enfrenta hoje em dia, a proposta da Igreja é adequada? 
A resposta adequada encontraremos sempre no Evangelho, sempre. Abertos à acção do Espírito Santo, olhando para o Evangelho, certamente encontraremos a resposta ao desafio que temos em mãos em determinado momento. 

Também acredito que entre a doutrina social da Igreja e esta abertura dinâmica à acção do Espírito Santo, a seu tempo, na Igreja se vão encontrar as resposta que cada sociedade e cada tempo da história do mundo precisa. 

Portanto acho que neste momento, e digo isto por experiência de ter à minha frente inúmeras vezes situações difíceis e dramáticas de determinadas famílias, ou de determinado conjunto de pessoas, em que é difícil o que a Igreja propõe. É difícil muitas vezes a adesão ao que a Igreja propõe. Mas daí a dizer que a proposta que a Igreja nos faz é errada, é um caminho longuíssimo, uma coisa não é a outra. Que a proposta seja difícil é um caminho, que a proposta seja errada, é diferente. 

No limite a resposta está no Evangelho, e com oração e abertura ao Espírito Santo encontramos a resposta de certeza absoluta. Aliás, o próprio Papa é a isso que nos convida. Acredito que no momento em que vivemos, entre a Doutrina Social da Igreja e a abertura ao Espírito Santo, encontraremos para cada caso uma resposta adequada. 

O Papa Francisco tem falado do perigo para a família que representa a “colonização ideológica”. Como é que entende este termo e, concorda que a ameaça existe?
Acho o termo genial para explicar o que se passa. Acho que é uma expressão desafiadora. 

De certa forma o que o Papa nos quer dizer é que esta colonização vem de fora. Quem coloniza é quem vem de fora. Aquilo que o Papa nos explica é que há ideologias diversas, inúmeras, que vêm procurar desvirtuar o conceito de família, o objectivo número um da família e aquilo que Deus planeou para as famílias, que é o sonho de Deus da construção de uma família fundada no amor. Há inúmeras ideologias que vêm deturpar isso, e deturpar a origem da família é, no limite, deturpar a construção da sociedade.

Concordo completamente com a expressão do Papa. Temos de estar atentos, porque há imensas ideologias subtis, em nome de uma felicidade enganosa.

Por exemplo?
A forma como muito facilmente, na sociedade encontramos a promoção do divórcio em vez de uma luta por um casamento feliz. Um casamento feliz não significa um casamento baseado em alegrias e gargalhadas, mas sim um casamento fundado na confiança, no amor e na capacidade de em conjunto ultrapassar dificuldades e obstáculos, isso é possível. Mas o que na maioria das vezes encontramos na sociedade é o contrário, o que é claramente enganador. Promover que uma família se destrua em vez de promover que a família lute pelo seu casamento e pela sua felicidade verdadeira é enganador. Não é encaminhar para o bem.

Friday, 11 September 2015

Tragédia em Meca e amnistia em Cuba

O momento em que a grua em Meca
atingida por um relâmpago
É já na próxima segunda-feira que a Renascença transmite uma entrevista exclusiva com o Papa Francisco. Às 9h passa na Rádio e a partir dessa hora já poderá ver a entrevista no site. Até lá, vai ter de se contentar com este “teaser” em que o Papa admite que a sua popularidade é também uma cruz: “Jesus, num certo momento, foi muito popular e depois acabou como acabou”.

Uma notícia trágica chega de Meca, onde esta tarde a queda de uma grua fez dezenas de mortos e centenas de feridos na principal mesquita da cidade. Recordo que sexta-feira é o dia santo para os muçulmanos, pelo que a mesquita teria mais pessoas do que noutro dia qualquer.

O Governo de Cuba anunciou esta manhã que vai libertar mais de 3500 presos por ocasião da visita do Papa Francisco, no próximo dia 19.

Ontem o Papa encontrou-se com membros das Equipas de Nossa Senhora, em Roma, a quem falou das ameaças ideológicas que a família enfrenta.


Por fim, o padre Lino Maia diz que devemos olhar para esta crise de refugiados à porta da Europa não como uma ameaça, mas como uma oportunidade. Amen!

Thursday, 23 July 2015

O aborto como sacramento de uma nova religião

Isabel Moreira
 Fundamentalista religiosa
Foram ontem aprovadas alterações à lei do aborto. Nomeadamente:

- As mulheres que pensam abortar são agora obrigadas a fazer consultas de aconselhamento durante o período de reflexão;
- Algumas mulheres, as que não seriam isentas de taxas moderadoras de qualquer maneira, terão de passar a pagá-las para abortar;
- Os objectores de consciência passam a poder fazer consultas de aconselhamento.

A pergunta do referendo de 2007 foi esta:

"Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas 10 primeiras semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?"

Ou seja, não há aqui nada sobre as consultas de aconselhamento, nada sobre taxas moderadoras e nada sobre a exclusão de objectores de consciência de eventuais consultas de aconselhamento.

Contudo, ainda assim, a esquerda conseguiu vislumbrar na decisão de ontem uma “adulteração” do referendo. Segundo o expresso, as várias bancadas consideram que se trata de uma violação do “espírito” do referendo. São os tempos em que vivemos. Os fetos não têm direitos nem dignidade, mas os referendos têm espíritos (mas só alguns… o referendo de 1998 foi bastante menos espirituoso).

A questão dos objectores de consciência sempre me pareceu uma das maiores injustiças da actual lei (deixando de parte a óbvia injustiça que é o próprio aborto). Porque o que o Estado está a dizer quando exclui os objectores de consciência das consultas de aconselhamento é que as pessoas que acreditam que o aborto é um mal, e que por isso não o querem praticar, são de alguma forma incapazes de exercer outros aspectos da sua profissão e não conseguem sequer aconselhar mulheres em situações dramáticas sem tentar impor as suas crenças medievais.

O comunista António Filipe considera mesmo que a direita quer “transformar os objectores de consciência numa tropa de choque”. Mas se pensavam que o dramatismo se resumia ao menino do PCP que se veste à Bloco de Esquerda, enganam-se! Temos sempre a Isabel Moreira.

Não. Eu não vou fazer um post a destruir ou a criticar a Isabel Moreira. Isto porque embora eu possa discordar muito do aborto, sou um fervoroso defensor da liberdade religiosa e Isabel Moreira, nestes casos, está a agir claramente em defesa da sua fé.

Porque para quem ainda não percebeu, esta questão não é menos que uma questão religiosa. Toda a revolução sexual, que tanto mal tem feito às famílias, às crianças e às próprias mulheres que supostamente seriam as suas grandes beneficiárias, é hoje defendida com fervor religioso, contra todos os factos.

(Nesse sentido, permito-me regozijar no facto de que pelo menos a minha religião defende – e tem longa tradição de defender – que a fé não pode ser incompatível com a razão, coisa que aos fiéis da Igreja da Revolução Sexual não se aplica, mas crenças são crenças e temos de respeitar.)

E como qualquer religião que se preze, a Igreja da Revolução Sexual tem liturgias – ver aqui um exemplo recente e perturbador –, tem apologistas – ver Isabel Moreira –; tem doutrina (e por consequência considera hereges que não segue a ortodoxia) e tem sacramentos: o aborto*.

Só assim é que se explica a paixão com que pessoas como Isabel Moreira, mas não só, defendem algo que até recentemente os seus correligionários classificavam apenas como um “mal necessário”. Só assim se explica que, segundo a própria, a existência de consultas de aconselhamento, com o intuito de informar as mulheres daquilo que vão fazer e das consequências, é uma forma de “terrorismo psicológico sobre as mulheres” praticada por pessoas imbuídas de “maldade pura”.

Os fiéis desta igreja até reivindicam para os seus praticantes a isenção de impostos que tanto criticam nos outros credos. Mas porque razão as nossas irmãs têm de pagar taxas moderadoras quando são operadas a um tumor no útero, mas as nossas primas devem ser isentas quando optam por abortar?

Um dos problemas desta religião é que nem sequer é fiel à sua própria tradição. Hoje diz uma coisa, amanhã diz outra. Lembram-se quando nos pintavam a imagem da pobre mulher, forçada a abortar numa clínica de vão de escada, sozinha e sem apoio? Pois Helena Pinto critica precisamente que com as alterações à lei a mulher pode abortar, pode decidir, “mas não pode decidir sozinha”.

"Recebei Senhor este sacrifício das nossas mãos"
Eu lembro-me da campanha de 2007. Lembro-me que os adeptos do sim nos diziam que o aborto é uma coisa terrível, mas que pelo menos a mulher não deve ir presa e que o referendo era unicamente sobre isso: a descriminalização. Nem liberalização era! Apenas descriminalização.

Pois quem diria! É uma coisa tão terrível que os únicos que trabalham no terreno para ajudar as mulheres a não o praticar são “terroristas imbuídos de pura maldade” e os médicos que se recusam a desmembrar os nossos filhos, apenas porque a mãe, na sua sagrada autonomia o deseja (ou, o que é mais comum, porque os seus pais ou o seu parceiro a pressiona), são uma “tropa de choque”.

Sim, é verdade… A revolução sexual é uma religião, a nova religião oficial. E o facto de o PS deixar que Isabel Moreira seja a face visível da sua política neste campo diz tudo o que eu preciso de saber sobre esse partido, obrigado.

É que eu nunca gostei de partidos de inspiração religiosa.


*Caso seja um defensor do aborto e esteja irritado com o facto de eu o ter chamado um "sacramento" de uma nova religião, fique descansado que a equiparação não é original. Foi uma das vossas que o fez primeiro, eu limitei-me a roubar.

Filipe d'Avillez

Monday, 6 July 2015

O Papa, as famílias e as talhas de bom vinho

Fiéis aguardam o Papa no Equador
O Papa Francisco está no Equador, onde esta tarde visitou um santuário da Divina Misericórdia e, depois, celebrou missa para uma grande multidão, debaixo de um calor intenso.

Da homilia há uma frase sobre o sínodo da família que há-de ser interpretado e lido das mais variadas maneiras, mas seria uma enorme pena se essa frase desviar a atenção do texto como um todo, que é dos mais bonitos que já ouvi este Papa proferir.

Durante a semana que estive fora, de férias, o Papa Bento XVI fez um discurso oficial e público, o primeiro desde a sua resignação, sobre um dos seus temas preferidos… A música!

Também durante a semana publicou-se, como sempre, mais um artigo do The Catholic Thing. O padre Mark Pilon pergunta se a Igreja precisa de pessoas como João Baptista hoje em dia, recordando o caso do bispo de Nova Orleãs que excomungou um político que se opunha às leis de integração racial na década de 60.

Wednesday, 10 June 2015

Evangelização e Amizade

Pe. C. John McCloskey
É cada vez mais aparente para qualquer pessoa séria que aquilo que era conhecido como o Ocidente cristão está em colapso. Basta olhar para as taxas de fertilidade nos Estados Unidos e nos países europeus que em tempos foram solidamente católicos.

O vazio está a ser preenchido quase inevitavelmente por muçulmanos que têm filhos e, salvo uma viragem radical no sentido da fertilidade, estes conseguirão finalmente aquilo que não conseguiram em Malta, Lepanto ou às portas de Viena. E como agora sabemos, tendo em conta os recentes eventos na Irlanda sobre a redefinição do casamento, talvez só o regresso de São Patrício em pessoa possa salvar até a Irlanda de se tornar islâmica.

Não devemos esperar grande misericórdia dos muçulmanos, a julgar pela destruição do Cristianismo no Médio Oriente que estamos a testemunhar agora, com grande tristeza. Milhares dos nossos irmãos estão a ser forçados a abandonar as suas terras, ou martirizados pela sua fé cristã, praticamente sem qualquer ajuda daquilo que sobra do Ocidente cristão.

Resta a questão: O que é que se pode fazer? Duvido muito que o Papa Francisco esteja a pensar convocar uma cruzada, como fizeram vários dos seus antecessores quando terras e povos cristãos foram atacados pelos muçulmanos, mas pode ser que me surpreenda.

Mas não, se o que sobrar da Cristandade se erguer para salvar o Ocidente, será pela procriação, tendo filhos, muitos filhos, sem medo, e educando-os como membros firmes da Igreja fundada por Jesus Cristo, nosso Salvador.

E os cristãos devem estar prontos a dar o peito às balas. Uma forma de os homens o fazerem é simplesmente tendo muitos amigos com quem partilham a sua fé católica. Todos os anos um jornal de grande tiragem nos Estados Unidos publica um inquérito em que pergunta: “Quantos amigos tem?”. Tristemente, a resposta mais comum para os homens, ano após ano, é dois: a sua mulher e um amigo!

Só por si isto é muito triste, mas também revela uma falta de verdadeira masculinidade e, infelizmente, o impacto da nossa cultura protestante e individualista nos Estados Unidos (e mesmo essa está a desmoronar-se).

Dois dos meus autores favoritos, ambos alunos de Oxford, um protestante (C.S. Lewis) e outro católico (o beato John Henry Newman), escreveram eloquentemente sobre a importância, e até a necessidade, de ter bons amigos homens. Lewis afirmou: “A amizade é o melhor dos bens mundanos. Para mim é certamente a maior alegria da vida. Se tivesse de aconselhar um jovem sobre o lugar onde viver, penso que diria: ‘Sacrifica quase tudo para poderes viver perto dos teus amigos’”.

G. K. Chesterton e Hilaire Belloc.
Grandes amigos, grandes cristãos
Numa carta ele escreveu: “Haverá maior prazer no mundo que uma roda de amigos junto a uma boa lareira?”. No seu livro “Os Quatro Amores” ele dedica um excelente capítulo à amizade, onde se pode ler: “Para os antigos, a amizade parecia o mais feliz e mais inteiramente humano de todos os amores. A coroa da vida e a escola de virtude. Comparativamente, o mundo moderno ignora-a… Mas na amizade – esse mundo luminoso, tranquilo e racional das relações escolhidas livremente – podia-se escapar de tudo isso. Apenas este, de entre todos os amores, parecia elevar-nos ao nível dos deuses ou dos anjos”.

No mesmo capítulo, Lewis escreve: “A amizade tem origem na mera camaradagem, quando dois ou mais companheiros descobrem que têm em comum alguma ideia ou interesse ou até gosto que os outros não partilham e que, até esse momento, todos pensavam ser um tesouro (ou uma cruz), unicamente seu. A expressão típica que dá início a essas amizades seria algo como: ‘O quê? Tu também? Pensava que era o único’”.

O beato John Henry Newman diz na sua homilia sobre Amor por Parentes e Amigos: “O amor pelos nossos amigos privados é apenas um exercício preparatório para o amor por todos os homens. O amor pela Humanidade em geral não é igual ao amor dos nossos pais, embora seja paralelo; mas o amor pela humanidade em geral devia ser, principalmente, o mesmo que o amor pelos nossos amigos, mas dirigido a objectos diferentes. A grande dificuldade das nossas obrigações religiosas é a sua extensão. Isto assusta e confunde o homem – naturalmente mais aqueles que negligenciaram a religião durante algum tempo e sobre os quais estas obrigações se revelam de uma só assentada. Devemos começar a amar os nossos amigos próximos, depois gradualmente começar a alargar o círculo das nossas afeições até chegar a todos os cristãos e depois a todos os homens”.

Resumindo tudo o que foi dito até aqui, se o Cristianismo vai sobreviver, é necessário que os homens católicos sejam maridos de uma só mulher e queiram ter muitos filhos. Como escreveu aquele grande homem Hilaire Belloc: “Nada vale o esforço da vitória, se não o riso e o amor dos amigos”.


(Publicado pela primeira vez no Domingo, 7 de Junho de 2015 em The Catholic Thing)

O Pe. C. John McCloskey é historiador da Igreja e Investigador na Faith and Reason Institute em Washington D.C.

© 2015 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

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