terça-feira, 11 de outubro de 2011

Os cristãos na Primavera Árabe

Aqui na Europa emocionamo-nos e aplaudimos a queda das ditaduras árabes. Primeiro Tunísia, depois Egipto, Líbia… qual será a próxima?
Temos dificuldade em compreender que os cristãos na Síria, na sua maioria educados e próximos dos valores ocidentais, defendam tão obstinadamente o regime de Bashar Al-Assad.
Agora aceite este desafio. Ponha-se no lugar de um desses cristãos? O que tem visto nos últimos anos?
A queda do regime de Saddam Hussein e a consequente fuga dezenas de milhares de cristãos daquele país, muitos dos quais para a própria Síria e agora, depois da queda de Mubarak, os cristãos na rua a protestar a morte dos seus irmãos, atropelados por veículos militares e fuzilados nas ruas do Cairo.
Conheço alguns cristãos sírios e posso dizer que poucos deles sentem grande amor por Assad ou o seu regime. Sei de um que passou a ser vigiado pela polícia secreta quando esta soube que tinha estado em Portugal para participar num encontro de jovens católicos.
Mas ao menos sentiam-se seguros. E agora? É este o preço a pagar pela libertação dos povos árabes? O aumento da perseguição das comunidades cristãs locais?
Podemos não concordar com a defesa de ditaduras sanguinárias… mas nestes casos concretos, podemos dizer honestamente que não compreendemos? Podemos prometer uma alternativa melhor?
Cheguei a pensar que no caso do Egipto sim. Que a união entre cristãos e muçulmanos na Praça Tahrir era um bom augúrio. Os eventos dos últimos dias deixaram uma grande mossa nessa crença.
Filipe d'Avillez

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