Wednesday, 12 March 2014

Um Bispo Valente Denuncia a Pornografia

Austin Ruse
Não me recordo daquele momento eléctrico em que vi pornografia pela primeira vez, mas lembro-me como em miúdos, no início dos anos 60, éramos obcecados pelas imagens da Playboy.

Lembro-me como tudo isso parecia normal entre os adultos, embora não entre os meus pais. Uma vizinha perguntou uma vez se o meu pai queria trocar uns romances pelas Playboys do seu marido, que estava doente e não tinha nada para ler. O meu pai recusou, mas como é que eu sabia sequer disso? Eu escondo a própria existência desse tipo de coisa das minhas filhas.

Lembro-me que um dos meus amigos roubava Playboys ao seu pai e nós escondíamo-las no mato. Que rapaz de certa idade não se lembra de folhear revistas dessas, húmidas de terem estado escondidas debaixo de troncos e árvores? Lembro-me do cheiro.

Lembro-me de ter ficado de castigo quando a minha mãe descobriu um “Playboy: Entretenimento para Rapazes” mal desenhado, que eu tinha feito e agrafado para mostrar aos amigos. O castigo ficou a cargo do meu pai, mas não me lembro se levei com o cinto ou se apanhei o sermão do desapontamento.

Estes pensamentos, e outros, voltaram recentemente quando li o início da Carta Pastoral do bispo Paul Loverde, de Arlington, Virginia. Será publicada oficialmente na Festa de São José, o que é apropriado porque a carta enfatiza que o pai tem responsabilidade de proteger a sua família do flagelo da pornografia. Esta é a sua segunda carta pastoral sobre pornografia e, tanto quanto sei, apenas a terceira de qualquer bispo americano, sendo a outra da autoria do bispo Robert Finn, de Kansas City.

Num livro sobre este assunto Matt Fradd conta como, ao procurar numa arca de coisas antigas na garagem de um parente, encontrou “uma fotografia lustrosa de uma mulher completamente nua. Suspirei, parecia que o meu coração tinha parado – nunca tinha visto nada assim”. Diz que sentiu fascínio e depois remorso.

Não foi assim que tantos de nós entrámos em contacto com estas coisas?

Durante anos Fradd viu cada vez mais destas imagens. Escreve que “comecei a compreender que quando maridos e pais usam pornografia, não só se tornam escravos do pecado, mas ferem profundamente a sua habilidade de amar e proteger, da forma como a sua vocação exige”.

O final feliz de Fradd, depois de anos de luta, não é a norma hoje em dia, porque o mundo está imerso em pornografia. Aquelas primeiras imagens digitais atingem os jovens cérebros e continuam a escravizá-los, até depois do casamento e do começo da vida familiar. Os casamentos e as famílias são destruídas por elas.

O bispo Loverde é um verdadeiro pastor por publicar uma segunda edição de “Bought with a Price (edição Kindle)”:

“Nos meus quase cinquenta anos de padre vi o mal da pornografia a espalhar-se como uma praga através da nossa cultura. Aquilo que era o vício vergonhoso e ocasional de poucos tornou-se agora o entretenimento usual de muitos... A praga persegue a alma de homens, mulheres e crianças, dilacera os laços do casamento e vitimiza os mais inocentes de entre nós. Obscurece e destrói a habilidade das pessoas de se verem umas às outras como uma expressão bela e única da criação de Deus, em vez disso escurece a sua visão, levando-os a ver os outros como objectos a serem usados e manipulados.”

Bispo Paul Loverde
Elenca a ameaça, bem conhecida de todos os que já foram consumidores de pornografia ou que simplesmente estão a par do seu alcance e da sua profundidade. Mas acrescenta: “Talvez o pior, contudo, seja a forma como a pornografia danifica o modelo que o homem tem do sobrenatural. A nossa visão natural neste mundo é o modelo para a visão sobrenatural do próximo. Quando danificamos este modelo, como é que vamos compreender essa realidade?” A nossa visão sobrenatural é danificada pelo mau uso da nossa visão natural.

A carta é endereçada a todas as pessoas da sua diocese, mas esperamos que pelo menos os seus fiéis católicos leiam este documento tão importante: novos, solteiros, casados, padres e religiosos: “Ninguém que viva na nossa cultura se pode separar do flagelo da pornografia. Todos são afectados em maior ou menor grau, mesmo aqueles que não participam directamente no seu uso.”

Penso nas minhas filhas e pergunto-me quantas das amigas da sua escola católica vêm de uma família com um problema escondido de pornografia? Sinto que seria capaz de matar qualquer pessoa de qualquer idade que mostrasse às minhas filhas as imagens terríveis que estão ao alcance de alguns toques em qualquer iPhone hoje em dia.

O bispo Loverde analisa a fundo aquilo a que chama “Quatro Falsos Argumentos”; 1) Não há vítimas, 2) o uso moderado da pornografia pode ser terapêutico, 3) a pornografia é um auxílio na maturação, e 4) a oposição à pornografia tem por base o ódio ao corpo.

Entre as vítimas, aponta Loverde, está a dignidade dos “artistas” pornográficos que frequentemente são os “necessitados” e os “vulneráveis”, incluindo os “pobres, abusados e marginalizados, até crianças”, que são transformadas em meros objectos. O uso da pornografia desumaniza quem vê e corrói a família. Um pai é suposto proteger a família, mas através da pornografia permite a entrada daquilo a que Loverde chama “uma serpente” que rasteja por entre a sua mulher e filhos.

“Bought with a Price” é um documento de ensino formidável de um dos melhores bispos dos nossos tempos. Outros bispos tendem a estar mais no centro das atenções, enquanto Loverde faz os possíveis para manter a ortodoxia e a fé dos que lhe foram confiados.

O seu apelo eloquente merece ser lido e estudado por homens, sobretudo pelos seus filhos – os mesmos filhos que um dia virão bater-me à porta, à procura das minhas filhas.

São José, rogai por nós.


Austin Ruse é presidente do Catholic Family & Human Rights Institute (C-FAM), sedeado em Nova Iorque e em Washington D.C., uma instituição de pesquisa que se concentra unicamente nas políticas sociais internacionais. As opiniões aqui expressas são apenas as dele e não reflectem necessariamente as políticas ou as posições da C-FAM.

(Publicado pela primeira vez em The Catholic Thing na Sexta-feira, 07 de Março de 2014)

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The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

Monday, 10 March 2014

Freiras libertadas na Síria, pastor convertido na Suécia

Patriarcas ortodoxos a fazer história
Depois de três anos de desgraças, uma boa notícia da Síria! Foram libertadas 13 freiras que tinham sido raptadas em Dezembro. Estão de boa saúde e já voltaram para Damasco.


Os patriarcas e primazes ortodoxos pediram uma solução pacífica para a Ucrânia e marcaram um concílio para 2016. Não seria nada de especial, não tivesse o último concílio acontecido há cerca de 1200 anos…

Um pastor protestante muito influente na Suécia anunciou numa homilia, ontem, que vai tornar-se católico, juntamente com a mulher. É uma notícia significativa tendo em conta a reduzida dimensão do Cristianismo naquele país.

Este fim-de-semana foram anunciados os nomes do conselho económico do Vaticano. Saiba aqui quem são os 8 cardeais e 7 leigos que o compõem.


Cumprimentos a todos e não se esqueçam que amanhã, na Universidade Católica, há conferência a propósito do primeiro aniversário do pontificado do Papa Francisco. Apareçam, a partir das 15h, a entrada é livre.

Friday, 7 March 2014

A esquerda e o dogma do aborto

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O Papa Bento XVI deu uma entrevista! Poderia parecer uma contradição, tendo em conta que prometeu retirar-se da vida pública, mas a verdade é que esta entrevista é toda sobre… João Paulo II.

A propósito de Papas, já na próxima terça-feira há uma conferência na Católica sobre o aniversário do pontificado do Papa Francisco. Os detalhes estão na imagem. Apareçam e divulguem.

Hoje o Parlamento discutiu a petição para acabar com o aborto gratuito. A maioria quer, o Governo empata e a esquerda volta a mostrar que para eles o aborto livre e gratuito é dogma.

Em tempos de dificuldades as organizações de solidariedade ressentem-se. A Cáritas de Leiria, por exemplo, teve mais 41% de pedidos do que no ano passado.

Thursday, 6 March 2014

Wednesday, 5 March 2014

Dia de "tens uma cena na testa"

Hoje é Quarta-feira de Cinzas. À 10ª pessoa que me perguntou o que é que tinha na cabeça, comecei a responder que fui pontapeado na testa…

Imagino que o Papa não tenha esses problemas. Na missa de hoje, em que recebeu as cinzas, o Papa falou da verdadeira conversão e dos benefícios da esmola para quem dá.

D. Nuno Brás considera que a Quaresma é uma boa altura para reforçar a autodisciplina, em declarações feitas no debate das quartas-feiras que vai para o ar depois das 23h, na Renascença.

O Patriarca de Lisboa já publicou a sua mensagem para a Quaresma, apelando a uma opção pelos pobres nesta preparação da Páscoa.

Esta manhã saiu mais uma entrevista do Papa Francisco a um jornal italiano. Francisco diz que não é um super-homem e também que ninguém tem feito mais que a Igreja no combate aos abusos sexuais.


Uma Revolução sobre o Casamento – Em Roma?

No sábado o Il Foglio, o mais importante jornal conservador de Itália, publicou o texto completo do discurso inaugural do Cardeal Kasper ao Consistório sobre a Família, que se realizou no Vaticano, uma reunião preparatória para o Sínodo Extraordinário da Família que terá lugar de 5-19 de Outubro, em Roma. O texto apenas está disponível em italiano (embora haja passagens significativas em inglês aqui). O Cardeal, conforme a sua própria descrição, “colocou questões”, questões altamente controversas, sobre o tratamento pastoral dos católicos divorciados e recasados, em particular no que diz respeito à readmissão à comunhão.

O discurso não era para ser secreto, na verdade, era suposto ter sido publicado em forma de livro, presumivelmente com outro material. Mas ao aparecer de repente, como apareceu, e com sugestões aparentemente revolucionárias inspiradas em práticas antigas, é evidente que se vai tornar um assunto quente para os próximos meses. Alguns comentadores já estão a dizer que se agora a Igreja não permitir que os divorciados e recasados recebam comunhão, passaremos por outro período de choque e revolta, semelhante ao que se seguiu à publicação por Paulo VI do “Humanae Vitae” em 1968, que reafirmou o ensinamento cristão sobre a contracepção.

Estamos a colocar vários carros à frente de vários bois. O texto de Kasper é cauteloso, embora pareça apontar numa direcção revolucionária. Ele reafirma a proibição que Jesus fez ao divórcio, enquanto explora como lidar com algo que se tornou um difícil problema moderno.

Não há um católico hoje que não conheça alguém que viva em circunstâncias matrimoniais irregulares. O divórcio, mesmo entre católicos praticantes, é cada vez mais comum e – dada a loucura sexual e a pressão económica e cultural das sociedades modernas – nem sempre a culpa é de apenas um. Essa é uma razão pela qual vários papas – João Paulo II, Bento XVI e agora Francisco – sugeriram a exploração de soluções pastorais. O porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, já disse que o pensamento de Kasper está em linha com o do Papa.

Dito isso, contudo, o discurso dá a ideia de estar a fazer algo que, pelo menos à superfície, é contraditório. Kasper fala da necessidade de se “alterar o paradigma”, com a Igreja a tornar-se o Bom Samaritano para aqueles que pedem socorro. Mas na mesma passagem afirma a indissolubilidade do casamento que “não pode ser abandonado ou desfeito, apelando a uma compreensão superficial de misericórdia barata”.

Ele compara a nossa situação à do Vaticano II, quando princípios dogmáticos pareciam impedir certas acções, mas o Concílio “abriu portas”. Apesar dos sinais de alarme que esta comparação possa despertar nalgumas pessoas, Kasper oferece, tentativamente, duas possíveis “aberturas”.

A primeira é o que pode ser considerado a “racionalização” e “personalização” do processo de nulidade. Em vez de passar por um processo canónico formal, “o bispo poderia confiar a tarefa a um padre com experiência espiritual e pastoral como um vigário episcopal ou penitenciário”. Presumivelmente este conheceria melhor as pessoas e a situação, evitando assim o incómodo de um processo impessoal e desajeitado. Alguns advogados canónicos já levantaram questões sobre como isto poderia funcionar na prática, mas pelo menos em teoria não é mais que um ajuste da ideia existente de que em certas condições a celebração de um casamento possa ser nula.


A “abertura” mais revolucionária, a segunda, sugere, depois de um período de penitência, “não um segundo casamento, mas sim uma tábua de salvação através da participação na comunhão”.

Aqui o argumento torna-se mais obscuro e precisa de ser clarificado. Roberto de Mattei, um historiador que já escreveu para o The Catholic Thing, respondeu no Il Foglio, no mesmo dia em que apareceu o texto de Kasper, que o Cardeal não pode anular a história e a doutrina “com uma revolução descarada na cultura e na prática”.

É difícil dizer se é isso que Kasper está a propor – embora de Mattei seja uma pessoa inteligente e pareça estar no caminho certo. O Cardeal acrescenta que o arrependimento em condições certas devia levar à confissão. Até aqui tudo bem. Mas depois lista cinco condições que poderão levar ao regresso à Comunhão para uma pessoa nesta situação:

1. se estiver arrependida do falhanço do primeiro casamento

2. se tiver clarificado as obrigações do primeiro casamento, se estiver definitivamente posto de parte que possa voltar atrás,

3. se não puder abandonar, sem causar danos, as responsabilidades assumidas pelo novo casamento civil,

4. se, contudo, estiver a fazer tudo ao seu alcance para viver as possibilidades do segundo casamento com base na fé e a educar as crianças na fé,

5. se desejar os sacramentos como fonte de força na sua situação, devemos ou podemos negar-lhe, depois de um período de tempo noutra direcção, de “metanoia”, o sacramento da penitência e, depois, de comunhão?

O Cardeal Kasper afirma que esta não poderia ser uma solução massiva, mas apenas aplicada a poucas pessoas em situações indesejáveis, que verdadeiramente queiram os sacramentos. E assenta as suas propostas em casos derivados da história antiga da Igreja – os ortodoxos ainda permite o divórcio e o recasamento – que poderiam ser aplicados cuidadosamente. Alguns académicos negam que esses casos existissem antes de os padrões se tornarem mais frouxos nos séculos posteriores do Império Bizantino.

Perguntei a um padre de confiança o que pensava desta linha de argumentação. Ele respondeu-me com uma perspectiva “pastoral” diferente:

“Enquanto pároco, sinto muito pelas boas pessoas que se encontraram, ou encontram, em casamentos falhados. Há entre eles algumas pessoas heróicas e santas – algumas das quais contraíram segundos casamentos. Gostaria verdadeiramente de as ajudar a encontrar uma forma de receber a Eucaristia e regularizar a sua situação, mas não vejo como a “solução de Kasper” possa resultar. Sei da forma como se lidava com alguns destes casos na Igreja primitiva, que havia um período de penitência e mesmo uma dimensão penitencial no segundo casamento, mas conseguem mesmo ver-nos a implementar estas práticas penitenciais? Conseguem imaginá-las a serem aceites? Eu não. E com todo o respeito, isto seria mais um tiro dado a um sacramento que já se encontra ferido pelo pelotão de fuzilamento cultural.”

Preparem-se. Vamos ouvir falar muito mais sobre este assunto no futuro próximo.


Robert Royal é editor de The Catholic Thing e presidente do Faith and Reason Institute em Washington D.C. O seu mais recente livro The God That Did Not Fail: How Religion Built and Sustains the West está agora disponível em capa mole da Encounter Books.

(Publicado pela primeira vez em The Catholic Thing na segunda-feira, 3 de Março de 2014)

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Monday, 3 March 2014

A Magnanimidade da Coreia do Norte

Tão queridos que eles são!
O Papa sentiu-se doente na passada sexta-feira, levando-o a cancelar alguns pontos da agenda, mas no sábado já estava tudo bem e até recebeu mais uma camisola de futebol para a sua colecção, que já deve ser assinalável.

Domingo Francisco falou da providência divina e pediu orações pela Ucrânia. A propósito da Ucrânia, aqui têm um guia de perguntas e respostas com tudo o que precisam de saber sobre a Crimeia.

Começou hoje a ser julgado um falso padre acusado de burla. O homem chegou a celebrar casamentos e a fazer exorcismos

Um missionário australiano na Coreia do Norte foi libertado depois de duas semanas preso. Vale a pena ler a notícia nem que seja para se rirem um bocado com o seu alegado pedido de desculpas…


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