Friday, 7 September 2012

Facebook v. Face to face

Qualquer semelhança com a Igreja de São Francisco
de Xavier, no Restelo, é pura... ilusão.
O Patriarca de Lisboa está preocupado com os padres que se afastam dos ensinamentos da Igreja. Foi o que disse ao simpósio do clero, ontem.

É no Cazaquistão que está prestes a ser sagrada a primeira catedral dedicada a Nossa Senhora de Fátima! Aura Miguel está lá e falou com o bispo-auxiliar Athanasius Scneider, responsável pela iniciativa. A foto é da catedral.

Nos Estados Unidos foi ontem condenado o primeiro bispo no âmbito do escândalo de abusos sexuais. Mons. Robert Finn não foi condenado por abusar ninguém, mas por encobrir um abusador, o que obviamente também é grave.


O cónego João Aguiar, presidente do Conselho de Gerência da Renascença e director do Secretariado Nacional das Comunicações Sociais, não quer que o Facebook substitua o “face-to-face”. O que nos leva a recordar-lhe que tem acesso a estas notícias, na hora, na nossa página do Facebook, precisamente.

Para a semana a Actualidade Religiosa estará na Cidade Eterna. Não sei se haverá mails, mas haverá certamente novidades no blogue e no Facebook, estejam atentos.

Thursday, 6 September 2012

Big Brother diz "despeça-se!"


Está preocupado porque sente que o seu emprego limita a sua expressão religiosa? O Governo Britânico tem um conselho para si! Despeça-se e vá trabalhar para outro lado…

Continuam a surgir notícias sobre a circuncisão na Europa Central. Desta vez é o Estado de Berlim que legalizou oficialmente a prática, mas só se for feita por médicos.


Cabinda devia ter autonomia. Quem o diz é o porta-voz da Conferência Episcopal Angolana, que comenta aqui o rescaldo das eleições naquele país.

Ontem no Simpósio Nacional do Clero esteve presente a especialista em cinema Margarida Ataíde, que falou da figura do padre na sétima arte. Podem ler a mais recente recomendação cinematográfica dela aqui.

Wednesday, 5 September 2012

Usain Bolt a caminho da Santa Sé


O que distingue um professor católico? João César das Neves explica aqui.

O Vaticano quer promover uma conferência TEDx no Vaticano e espera contar, entre outros, com o homem mais veloz do mundo…


E o que é que acontece quando se junta a rivalidade local com a religiosidade popular? Loucuras como um andor de 24 metros de altura que precisa de 130 homens para o carregar



Entretanto continua o Simpósio Nacional do Clero. D. José Cordeiro diz que não é preciso grandes esquemas para ultrapassar a crise de vocações e o afastamento do povo, basta os sacerdotes serem autênticos.

Finalmente, temos hoje um novo artigo de The Catholic Thing que analisa a bênção final que o Cardeal Dolan deu na convenção do Partido Republicano, a semana passada.

O Cardeal Reza

Joseph R. Wood
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Esta semana o Cardeal Timothy Dolan mostrou como se diz a verdade aos poderosos na praça pública.

Neste caso o “poder” era o Partido Republicano, e o poder estava bem disposto quando o Arcebispo subiu ao palco para fechar a convenção. Mas em vez de despedir a multidão com palavras bonitas de oportunidade, Dolan fez uma bênção rápida mas repleta de ensinamento católico. E fê-lo num espírito verdadeiramente americano.

Tal como aconteceu com a sua decisão de convidar ambos os candidatos presidenciais para o jantar de angariação de fundos Al Smith em Outubro, a aceitação por parte de Dolan para ir à convenção republicana causou controvérsia para a esquerda, tanto católica como não católica. Mas aqueles que o criticaram foram surpreendidos, se é que repararam, quando foi anunciado que também fará a bênção final da convenção democrata na próxima semana em Charlotte.

A diferença é que em Charlotte a lista de oradores inclui também a irmã Simone Campbell, cuja visão da doutrina social da Igreja Católica está alinhada com o programa eleitoral do Partido Democrata e que pode servir de “hierarquia alternativa” para quem procura o apoio católico para a agenda progressista.

Mas voltemos a Tampa. Dadas algumas das reportagens incrivelmente mal feitas sobre aquilo que disse aos republicanos, vale a pena gastar um momento para considerar algumas das coisas que o Cardeal disse realmente.

Começou por invocar “Deus todo poderoso, Pai de Abraão, Isaac, Jacob e Jesus.” A autoridade e nome de “Pai”para a primeira pessoa da Trindade é repetida vezes sem conta no Catecismo Católico. “Pai” significa coisas diferentes no caso de Abraão e Jesus, como é evidente. Mas começar a sua bênção com esta referência é um afirmação sólida das crênças católicas numa altura em que o lado”paterno” de Deus precisa de ser realçado.

O Cardeal fez questão de extender a sua bênção a “todos os que ainda não nasceram”, bem como aos que se aproximam da morte, um pedido claro para acarinhar a vida em todas as suas fases. E, sem fugir à questão das políticas de imigração, pediu a bênção de Deus para todos aqueles cujas famílias chegaram há muitas gerações e também os que chegaram mais recentemente “para construir um futuro melhor, enquanto juntam as suas vidas à rica tapeçaria que é a América”.

Invocou o princípio da solidariedade para aqueles que sofrem com desastres naturais e para com os pobres, sem receitar quaisquer soluções específicas.

Numa passagem crucial recordou que “o único Governo justo é o Governo que serve os seus cidadãos e não se serve a si mesmo”. A partir deste princípio, que está radicado no pensamento católico sobre política, prosseguiu para aquela que terá sido a sua mensagem central: “Renova em todo o nosso povo um respeito integral pela liberdade religiosa, essa liberdade que nos é mais cara”.

Não pode haver dúvidas sobre o destinatário dessa petição tão concisa. Nessa afirmação simples o Cardeal Dolan fez aquilo que outros deveriam ter feito no contexto da convenção.

Mas o Cardeal prosseguiu, pedindo que sejamos tornados “verdadeiramente livres, ancorando a liberdade à verdade e ordenando a liberdade em torno da bondade”. Este ancorar a liberdade na verdade, e a colocação da liberdade no contexto de uma ordem maior que é boa, são o antídoto para o niílismo que se segue ao relativismo moral.


Essa liberdade deve servir um propósito – levar uma boa vida. E embora eu não seja perito na história dos discursos de convenções, ficaria muito surpreendido se qualquer outro orador nos anos recentes tivesse falado à multidão sobre as virtudes da fé, esperança, amor, prudência, justiça, temperança e fortaleza como sendo guias e marcas sobre como viver uma vida livre.

De seguida Dolan recordou as palavras da Declaração de Independência, pedindo que possamos “conhecer a verdade da vossa criação, respeitando as leis da natureza e do Deus da natureza...” Embora ninguém defenda que os fundadores dos EUA fossem predominantemente católicos, tratou-se de uma recordação de que esses fundadores aceitavam que uma certa medida de lei natural é essencial para a natureza e espírito da República. Isso foi um aspecto central para o que Jefferson quis dizer, 49 anos mais tarde, quando caracterizou o documento como sendo uma expressão de verdades mais antigas, como eram entendidas pelos americanos, e não uma afirmação de princípios novos ou inovadores.

Foi importante também o acrescento de Dolan de que não devemos “procurar substituir [as verdades da criação e da lei natural] com ídolos feitos por nós”. Este aviso contra colocar as nossas ideias sobre o aperfeiçoamento do mundo no lugar da verdade de Deus está no âmago de grande parte da discórdia política e pessoal nos dias de hoje, como tem sido sempre o caso ao longo da história. Logo, devemos ter “o bom senso de não descartar os limites de uma vida recta”.

O Cardeal pediu a bênção de Deus para “todas as pessoas, em todas as terras, que procuram conduzir as suas vidas na liberdade”. A sua bênção foi uma oração a Deus de verdades que são universais e não só americanas. Mas terminou o discurso com palavras muito americanas, recordando-nos que “somos de facto uma nação debaixo de Deus, e em Deus confiamos”.

Há sempre questões sobre o papel que a hierarquia católica devia desempenhar na política. Como ficou demonstrado este ano, estas questões são mais pertinentes agora do que em qualquer outra altura da nossa história. Exigem uma consideração cuidadosa sobre como e quando os bispos devem abordar líderes políticos. Os pedidos habituais de diálogo e bons modos não serão o suficiente para guiar a Igreja nestas circunstâncias, quando é a sua própria liberdade de acção que está ameaçada.

Mas no que diz respeito à obrigação central dos bispos em falar a verdade, foi uma boa semana.

Joseph Wood é professor no Institute of World Politics em Washington.

(Publicado pela primeira vez na Sexta-feira, 24 de Agosto de 2012 em www.thecatholicthing.org)

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The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

Monday, 3 September 2012

Reentré com Martini e Moon

Reverendo Moon "o pai perfeito"
A grande notícia de hoje, a nível internacional, é a morte do reverendo Sun Myung Moon, fundador da Igreja da Unificação. Podem aprender mais sobre esta personagem peculiar aqui.

Também hoje foi o funeral do Cardeal Martini. Muitas pessoas foram à catedral de Milão para a despedida e claro que a sua entrevista ao Corriere della Sera, publicada postumamente e na qual deixa críticas à Igreja, está a fazer correr muita tinta.

E como o mundo da informação religiosa não se dignou a parar durante as minhas e vossas férias, aqui encontram um resumo das coisas mais importantes que se passaram em Agosto.

Redacção: As minhas férias...

Nas minhas férias dediquei-me à restauração...
Durante o último mês a maior parte de nós esteve de férias, mas o mundo não pára!

Assim sendo, passou-se muita coisa em termos de actualidade religiosa. Tentarei aqui fazer um resumo o mais sintético possível:

A Síria continua a ferro e fogo, com a maioria sunita a revoltar-se contra o regime dominado por alauitas, e com as outras minorias (nomeadamente cristãos e drusos) a tentar não ser apanhados no meio do fogo cruzado. Isto no contexto alargado do Médio Oriente com os principais países sunitas (a começar pela vizinha Turquia, a Arábia Saudita e o Egipto) a torcer pelos rebeldes e os países de maioria xiita (Irão e Iraque) a torcer, com maior ou menor influência, pelo regime. O Líbano, onde vai o Papa dentro de duas semanas, vai esperando que a coisa não se espalhe para lá.

Outra notícia importante vem do Paquistão. Poderia parecer mais do mesmo, a detenção de uma cristã indefesa acusada de blasfemar contra o Islão, mas este fim-de-semana houve um golpe palaciano, com a detenção de um imã da mesma aldeia, acusado de encenar o caso. O imã foi detido porque testemunhas disseram que quem rasgou páginas de um Alcorão foi ele, e não a menina cristã.

Não posso deixar de sublinhar a importância disto. 1º Porque mostra, (pela primeira vez que tenho conhecimento, pelo menos num caso desta magnitude, o "sistema" paquistanês a "tomar o partido" de uma cristã acusada de blasfémia e, 2º, Pelas repercussões que tudo isto pode ter socialmente, ou seja, se for provado que o imã é que rasgou as folhas do Alcorão, nesse caso o blasfemo é ele e a pena de blasfémia no Paquistão, como todos sabemos, é a morte... Se for enforcado um imã muçulmano no lugar de uma menina cristã... eu pelo menos prevejo motins e perseguição. Mas talvez esteja a ser pessimista.

Mudando de palco e de tema, na América ficou fechada a candidatura republicana à presidência, que é histórica em termos religiosos. Não porque o principal candidato é Mórmone (já o fundador dessa religião, Joseph Smith, se candidatara à presidência), mas porque, sendo o candidato a vice-presidente um católico, é a primeira vez que uma candidatura de peso à Casa Branca não conta com um único protestante.

Na Rússia, num dos casos mais mediáticos do ano, três elementos da banda Pussy Riot foram condenadas a penas de prisão efectiva pela representação de uma música/crítica não autorizada no interior da principal catedral ortodoxa de Moscovo.

Tivemos três óbitos importantes nestas semanas. A começar por Portugal, morreu o Bispo emérito de Angra do Heroísmo, D. Aurélio Escudeiro.
Na passada Sexta-feira morreu também o Cardeal Martini, respeitadíssimo arcebispo emérito de Milão, uma das principais vozes da ala liberal do Colégio dos Cardeais.
Patriarca da Etiópia, falecido em Agosto
O que poderá ter passado mais despercebido a muitos dos nossos leitores foi a morte, no início de Agosto, de Abuna Paulos, quinto Patriarca e Catolicós da Etiópia, Abade da Sé de São Tekle Haymanot e Arcebispo de Axum. A Igreja Ortodoxa da Etiópia, uma das mais antigas do mundo, faz parte da comunhão de Igrejas Ortodoxas Orientais pré-calcedónias, juntamente com a Igreja Ortodoxa Copta e a Igreja Arménia, entre outras. Isto significa que duas dessas igrejas, a copta e a etíope, estão neste momento acéfalas, aguardando a eleição de um novo patriarca.

Entretanto no blogue foram publicados mais três artigos de The Catholic Thing, que pode ler nos seguintes links.


É evidente que houve muito mais, (como esquecer o “restauro” da imagem de Cristo numa igreja espanhola), mas férias são férias e para acompanhar a actualidade a um ritmo diário existe o resto do ano, que começa agora!

Cumprimentos a todos!
Filipe

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