Monday, 13 March 2017

Quatro anos de Francisco, de Roma a Cintra

Faz hoje quatro anos que foi eleito o Papa Francisco.

Para assinalar a data a minha colega Matilde fez uma lista de 10 pessoas ou povos que foram afectados pelo seu pontificado, desde o jovem evangélico do Brasil ao Jeb Bush.

É já esta quarta-feira que é lançado o livro de Aura Miguel sobre as suas conversas com o Papa Francisco durante as viagens papais.


Os bispos do Canadá estão revoltados com o primeiro-ministro Trudeau por este ter prometido 450 milhões de euros para ajudar a abortar pessoas no mundo em desenvolvimento.

Durante os últimos dias falou-se muito da Cáritas de Lisboa. Ora D. Manuel Clemente saiu em defesa da instituição, o que é importante numa altura em que está prestes a começar o peditório anual.

Friday, 10 March 2017

Papa para a Colômbia, dinheiro para Alepo

Ainda não acabou a novela do apoio português à iniciativa “She Decides”. Depois de a secretária de Estado ter garantido que o apoio é só político, um movimento cívico quer ter acesso à documentação que o comprove.

O Papa deu uma entrevista ontem onde dá a entender que poderá ser possível, em alguns casos excepcionais, ordenar homens casados de virtude comprovada, ao mesmo tempo que diz que acabar com o celibato para a maioria dos padres não é solução para a crise de vocações.

Esta sexta-feira o Vaticano anunciou que o Papa vai visitar a Colômbia em Setembro e que em breve segue para Alepo um donativo de 100 mil euros para ajudar os mais pobres.

Atenção coleccionadores, os CTT anunciaram uma emissão filatélica alusiva aos cem anos das aparições e à visita do Papa Francisco a Fátima.


Wednesday, 8 March 2017

Vaticano quer dar voz às mulheres, e não por telemóvel

Não era bem isso que Francisco tinha em mente...
E se tratássemos a Bíblia como tratamos o telemóvel? A pergunta dá que pensar e é precisamente isso que o Papa quer que façamos.

Depois do enorme sucesso do movimento “Eu Acredito”, que reuniu jovens de várias organizações católicas na visita de Bento XVI em 2010, a iniciativa vai repetir-se com a visita de Francisco, em Maio. Saiba tudo aqui.

Por falar em visita do Papa, Francisco enviou esta semana uma mensagem para o Presidente Marcelo e para os portugueses. Conheça aqui.


Hoje é quarta-feira e por isso temos novo artigo do The Catholic Thing. Howard Kainz escreve – num estilo bem quaresmal – sobre os diferentes tipos de cruzes que existem e como podemos carregá-los.

Diferentes Tipos de Cruzes

Howard Kainz
Já várias vezes ouvi pessoas a falar das suas vidas e a dizer coisas do género “não mudaria nada, faria tudo igual”.

Fico sempre espantado com estas afirmações. Penso nas minhas experiências, nas listas e de prós e contras que fazia quando confrontado com grandes decisões (frequentemente com o mesmo número de prós e contras) e os arrependimentos que às vezes se seguiam aos meus erros e/ou pecados.

Quando rezo pelas Pobres Almas do Purgatório imagino-as a sofrer pelas consequências das suas más escolhas, talvez desejando poder voltar atrás para remediar esta ou aquela decisão. Mas infelizmente o tempo só flui para a frente, não se pode voltar atrás.

Sei que a minha forma de ver estes assuntos tem a ver com o meu temperamento. No livro “Variedades de Experiências Religiosas” William James explica que há dois tipos opostos de personalidade – os “nascidos uma vez” e os “nascidos segunda vez”. Os “nascidos uma vez” são os crentes que caminham ao longo daquilo que consideram ser um caminho recto, que estão geralmente satisfeitos com as suas vidas e não têm arrependimentos. Já os “nascidos duas vezes” são mais introvertidos, insatisfeitos com eles mesmos e/ou com o mundo, experimentando desejos conflituosos, chegando por vezes a uma experiência de conversão e “renascendo” para um estado de maior felicidade.

Em relação às cruzes – fardos nossos ou dos outros que temos de carregar – penso que existe uma divisão parecida:

1) Há muitos indivíduos que são inocentes mas que todavia são afectados por cruzes pesadas, como doenças genéticas, maus-tratos, rejeição devido a um desfiguramento ou impedimento de fala ou que são perseguidos por seguirem firmemente as suas consciências em vez da multidão.

2) No outro extremo há aqueles cujas cruzes são fruto das suas próprias acções: um recluso a cumprir uma longa pena por causa de uns breves momentos de paixão ou de vingança; uma mulher carrancuda, casada com um malandro alcoólico devido a uma paixoneta de juventude ou por ter dado o nó irreflectidamente; um homem ligado a um grupo de sócios corruptos por causa da ambição e da ganância da juventude; ou alguém de meia-idade a lidar com as debilidades de um corpo enfraquecido pelo abuso de drogas, álcool ou excesso de alimentação, etc.

Infelizmente os que encaixam neste grupo não podem propriamente perguntar “como é que Deus me fez isto?” ou “porque é que Deus me envia estas cruzes?”, porque sabem muito bem como é que chegaram a este ponto e que não podem voltar atrás para “dar o passo certo”.

Cruzes para todos os gostos
Mas tanto eles como nós podemos ter a certeza de que Deus está sempre disposto a ajudar-nos, seja pela reforma, pelo redireccionamento ou pela aceitação paciente. O simples reconhecimento do poço que cavámos para nós próprios pode ser um catalisador para a redenção e para a santidade. A lista de grandes santos que seguiram este caminho já vai longa.

Claro que a maior parte de nós encontra-se algures entre estes dois extremos.

Mas se nos fosse dado escolher as nossas cruzes, o melhor seria sempre optar pela que Jesus nos oferece: “Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração e encontrareis descanso para o vosso espírito. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve” (Mt. 11,29). Mais especificamente, o tipo de cruz que o Senhor promete dar-nos, adequados às nossas fraquezas, que não se fazem acompanhar de ansiedade, ressentimento ou a sensação de futilidade, mas que dão descanso às nossas almas.

Carregar as cruzes pelas quais não somos responsáveis até pode traduzir-se em deleite, como quando os apóstolos regozijaram “por terem sido considerados dignos de sofrer vexames por causa do Nome de Jesus” (Actos 5,41); ou então na serenidade do “pequeno caminho” de Santa Teresa de Lisieux, aturando simplesmente as dores, doenças, irritações ou mesmo hostilidades do dia-a-dia, “oferecendo-as” a Deus.

Se não for assim tão inocente e estiver com vontade de fazer penitência pelos seus pecados, talvez a melhor abordagem seja aquela que foi dada por São João Baptista quando os pecadores lhe perguntaram o que deviam fazer, como lemos em Lucas 3, 12-14. Aos cobradores de impostos disse para cumprirem os seus deveres e não cobrarem demais; aos soldados disse para se satisfazerem com os seus ordenados, evitarem a extorsão e não acusar falsamente – por outras palavras, cumpram os vossos deveres, não utilizem força desnecessária e respeitem os outros. Não estamos perante actos dramáticos de penitência, mas apenas progressos diários e conscientes.

Estes conselhos foram repetidos à Irmã Lúcia dos Santos, a vidente de Fátima, que se tinha tornado freira e queria responder às questões que recebia sobre que género de penitência Deus estava a pedir para o Século XX. Em 1945 Nosso Senhor apareceu a Lúcia e clarificou: “O sacrifício que se pede a cada um é o cumprimento dos seus deveres na vida e a observância da Minha Lei. Esta é a penitência que procuro e quero”.

Não há como evitar as cruzes. Mas sejam elas o tipo que trazemos sobre nós mesmos ou os que não pedimos, o mais relevante para nós são os conselhos do Baptista e de Jesus, via Lúcia.

Se tivéssemos o privilégio de ver um panorama espiritual do mundo, provavelmente ficaríamos espantados com a quase infinita variedade de cruzes que existem, muitas merecidas, muitas imerecidas. Talvez compreendêssemos que as pessoas que estão em melhor posição para compreender as cruzes de outros são as que carregam cruzes semelhantes.

Talvez nos traga consolo ouvir um “eu compreendo” genérico, mas é diferente alguém dizer-nos “sim, já estive na mesma situação, nisso somos iguais”.

Também pode ser útil recordar que, na misteriosa economia da salvação cristã, os sofrimentos que suportamos podem, de alguma forma, assegurar a salvação de outros, provavelmente pessoas que nem conhecemos.

Seja como for, esperemos e esforcemo-nos durante esta Quaresma para que a maioria das nossas futuras cruzes sejam “feitas à medida” e não o género que criamos para nós mesmos por causa dos nossos erros.


Howard Kainz é professor emérito de Filosofia na Universidade de Marquette University. Os seus livros mais recentes incluem Natural Law: an Introduction and Reexamination (2004), The Philosophy of Human Nature (2008), e The Existence of God and the Faith-Instinct (2010)

(Publicado pela primeira vez em The Catholic Thing no sábado, 4 de Março de 2017)

© 2017 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte:info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing

Friday, 3 March 2017

She Decides e aborto? Nada a ver!!

Afinal o Governo português diz que não vai financiar organizações que praticam o aborto no estrangeiro. A secretária de Estado diz que o apoio ao programa “She Decides” é sobretudo político e nem percebe porque é que se parte do princípio que o She Decides é uma iniciativa pró-aborto… Leia e decida por si.

O Cardeal Sean O’Malley lamenta a demissão de Marie Collins da comissão sobre abusos de menores, elogia o seu trabalho e diz que a voz das vítimas de abusos vai continuar a ser escutada no Vaticano.


As Nações Unidas querem uma comissão de inquérito para investigar os atentados aos direitos humanos da minoria rohingya, na Birmânia.

Fica aqui um desafio a todos os que casaram em 2010 ou depois. Vai haver um retiro organizado pela pastoral da Família para casais novos, já nos dias 11 e 12 de Março. Mais informação aqui.

Thursday, 2 March 2017

Cruzes carregadas a quatro braços

Entrámos novamente na Quaresma. Se não sabe o que é, ouça esta entrevista esclarecedora com o padre Vítor Gonçalves… Se souber, ouça na mesma.

Nesta época é tradicional os bispos divulgarem as causas às quais destinarão a renúncia quaresmal. Este ano o Sudão do Sul e os refugiados estão entre as principais prioridades. O Papa Francisco descreve a Quaresma como um “caminho de esperança” e D. Manuel Clemente fala da importância de “converter o olhar”.

Marie Collins demitiu-se da comissão que aconselha o Papa sobre como responder à crise de abusos sexuais na Igreja. Trata-se da única vítima de abusos que ainda restava na comissão e cita os constantes bloqueios por parte da Cúria Romana como razão para ter saído…

E voltando à Quaresma, temos esta semana um artigo de Randall Smith no The Catholic Thing em português. O autor recorda-nos que temos de pegar na nossa cruz e carregá-la, mas que ninguém nos diz que a temos de carregar sozinhos! Leia e inspire-se para esta caminhada quaresmal!

E este ano a Quaresma volta a coincidir com a campanha dos 40 dias de Oração pela Vida. Como sempre, são precisos voluntários para ir rezar. Só rezar, mais nada (como se fosse pouco). Toda a informação aqui.

Wednesday, 1 March 2017

O Homem que Partilhou a Cruz

Randall Smith
Quando rezamos os mistérios dolorosos do terço, passamos imediatamente de “Jesus Carrega a Cruz” para a própria Crucifixão. Mas quando fazemos a Via Sacra, por exemplo, há vários passos intermédios, um dos quais é “Simão de Cirene carrega a Cruz de Jesus”. A história do cireneu aparece nos três evangelhos sinópticos – Mateus, Marcos e Lucas – mas não consta do Evangelho de João. Porquê?

Penso que podemos discernir aqui uma das razões pelas quais os Evangelhos nos dão, por vezes, narrativas diferentes de Jesus. Neste caso, obtemos duas perspectivas cruciais, que não são contraditórias, mas que nos ensinam, ambas, uma lição importante.

Vejamos o caso do Evangelho de João. João enfatiza que é unicamente através do Sacrifício de Jesus que somos salvos. É através da sua Crucifixão e Ressurreição que os nossos pecados são perdoados e temos acesso à vida eterna. Tudo isto bate certo com o que lemos em Isaías 53,5: “Mas foi ferido por causa dos nossos crimes, esmagado por causa das nossas iniquidades. O castigo que nos salva caiu sobre ele, fomos curados pelas suas chagas.” O enfoque aqui é aquilo que Deus feito homem fez por nós, a sua dádiva gratuita pela humanidade.

Quando estamos a atravessar períodos de dificuldade, podemos unir-nos a Cristo. Mesmo perante uma ameaça mortal, podemos dizer: “Tu, Senhor, conheces as minhas dificuldades e as minhas dores. Partilhaste delas. Tomaste-as sobre ti e carregaste-as, elevando-as acima de si mesmas. Aprendi contigo que estes tempos obscuros são as sementes da minha redenção. Posso ter fé nessa dura verdade porque tu não evitaste caminhar pelo caminho que agora me convidas a trilhar. Abraçaste inteiramente o sofrimento humano”. E assim o autor de Ben Sirá pode dizer-nos, com todo o seu ser:

Meu filho, se entrares para o serviço de Deus, prepara a tua alma para a provação.
Endireita o teu coração e sê constante, não te perturbes no tempo do infortúnio.
Conserva-te unido a Ele e não te separes, para teres bom êxito no teu momento derradeiro.
Aceita tudo o que te acontecer e tem paciência nas vicissitudes da tua humilhação, porque no fogo se prova o ouro e os eleitos de Deus, no cadinho da humilhação.
Nas doenças e na pobreza, confia nele.
Confia em Deus e Ele te salvará, endireita os teus caminhos e espera nele.
Confiança no Senhor Vós que temeis o Senhor, esperai na sua misericórdia, e não vos afasteis, para não cairdes. (Sir 2:1-7)

Tal como Cristo, devemos carregar a cruz. Mas temos de a carregar sozinhos? Quando nos unimos a Cristo e resolvemos carregar a cruz difícil e perigosa em “tempos de adversidade” e de “esmagador infortúnio”, devemos carregá-la sozinhos?

Esta é a importância da história de Simão de Cirene: Até Jesus teve ajuda a carregar a sua cruz. “Carregar a nossa cruz” não tem de ser entendido como um convite ao individualismo estoico. Embora seja verdade que ninguém pode carregar os nossos sofrimentos senão nós, a mensagem do Evangelho é de que não é necessário – aliás, nem deve – carregá-los sozinho. Em tempos de dificuldade, confiamos no amor e na fidelidade de Deus e dos outros: os médicos, advogados, conselheiros e amigos que podem tornar-se, como nós somos chamados a ser, instrumentos do amor de Deus e da sua graça salvífica.

Os católicos que aceitam a compreensão sacramental da Criação que a Igreja ensina não descartam a possibilidade de podermos colaborar com Deus. Olhamos para Deus como fonte de ajuda principal e sabemos que nada somos sem a sua Graça. E sabemos também que podemos olhar para os nossos próximos – amigos, vizinhos, conselheiros, especialistas – para ajudar a guiar-nos e a confortar-nos pelo caminho. Eles podem ajudar-nos a carregar a cruz naquelas alturas em que parece demasiado pesada, em que sentimos que simplesmente não podemos dar mais um passo.

Mas depois damos. De alguma maneira. Com alguém a apoiar-nos, alguém a carregar o nosso fardo e com Deus a segurar-nos aos dois nos seus amáveis braços.

Esta Quaresma peguemos na nossa cruz e carreguemo-la. Compreenderemos, ao fim de algum tempo, que não somos nós que carregamos a cruz; na verdade é ela que nos carrega a nós, purificando-nos dos nossos ídolos e das nossas ilusões, concedendo-nos maior sabedoria, tornando-nos verdadeiramente mais próximos de Cristo. Mas olhemos também para os outros cujos fardos podemos partilhar e com quem podemos partilhar os nossos. No final de contas, é isto que significa “Igreja” – sermos diferentes membros no Espírito do único Corpo de Cristo, crucificado e ressuscitado.

Unamo-nos a Cristo durante esta época bem-aventurada, para nos purificarmos e livrarmos de todos os ídolos impuros – a devoção à riqueza, ao poder, prazer, vaidade e incitamento ao pecado – e dêmo-nos mais inteiramente àquele que se deu a si mesmo em amor por nós, dando-nos em amor aos outros.


Randall Smith é professor de teologia na Universidade de St. Thomas, Houston.

(Publicado pela primeira vez em The Catholic Thing na quarta-feira, 1 de Março de 2017)

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