Monday, 3 December 2012

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Quais foram as notícias de religião mais importantes de 2012? Sei que é isso que toda a gente quer saber e por isso elaborei o meu próprio ranking. Hoje apresento o 10º lugar:


Tive que juntar, se não era preciso fazer um ranking de +20...


O Vaticano anunciou hoje que o Papa está no Twitter com o nome “@Pontifex” e que embora não seja ele a escrever as mensagens, aprovará todas as que forem enviadas, o que já não é nada mau.


Também uma referência ao escândalo de abusos sexuais na Igreja que chegou agora à Austrália. Para ajudar a compreender a situação entrevistei o jovem jornalista católico Robert Hiini, que vê isto como uma oportunidade. Podem ler a transcrição integral da entrevista aqui, como de costume.

Termino com uma sugestão. Para quem gostaria de fazer um retiro de advento mas sente que não tem tempo, há amigos de Peniche que o querem ajudar. O santuário local oferece retiros de um dia, um dos quais mesmo a jeito para antes do Natal. Está tudo aqui…

10 – Viagens do Papa a Cuba, México e Líbano

Ao longo das próximas semanas vou publicar aqui um ranking das mais importantes notícias religiosas do ano de 2012. O critério é unicamente meu e quaisquer comentários são bem-vindos!

Em jeito de contagem decrescente, vejamos então qual foi a décima notícia mais importante...



As Viagens do Papa a Cuba, México e Líbano

Das várias viagens que o Papa empreendeu este ano escolhi estas por serem as mais significativas.

A visita à América Latina, em Março, que levou o Papa primeiro ao México e depois a Cuba foi especial por várias razões. Num caso estamos perante um país fortemente católico mas que viveu durante várias décadas debaixo de um regime totalmente anticristão onde a Igreja foi perseguida duramente, ao ponto de o povo ter pegado em armas para defender a sua fé, nas guerras que ficaram conhecidas como a Cristada.

A ida ao México foi, por isso, uma oportunidade de fazer as pazes com um país que está em mudança e que constitui um baluarte do Catolicismo naquele lado do Atlântico. Não podemos esquecer, por exemplo, que a população católica dos EUA está a crescer a olhos vistos em grande parte devido à entrada de imigrantes mexicanos.

Mas o ponto alto da viagem foi sem dúvida a ida a Cuba e aqui valeu tanto pelo seu conteúdo como pelas incríveis imagens que nos chegaram.

Desde a missa celebrada a céu aberto diante de gigantes painéis de Ché Guevara até à fotografia, para mim uma das mais fortes do ano, de um manifestante a ser levado da missa campal depois de ter gritado “Abaixo ao Comunismo”.

O encontro final entre Bento XVI e Fidel Castro foi também interessante e comovente. Toda a viagem revelou, no meu entender, uma vitória para a Igreja num local onde ela é já pouco conhecida depois de duas gerações de total supressão, mas onde se reinventou como fonte de apoio para movimentos civis de resistência ao regime.

Eventos deste género são sempre, também, vitórias para os regimes que assim se credibilizam, mas neste caso em particular fê-lo à custa da sua própria doutrina, na qual duvido que os próprios líderes ainda acreditem. Bento XVI falou sem medos e sem cerimónias sobre a situação política da ilha, com uma elevação intelectual e uma franqueza que lhe são características e manteve a tradição de transformar mais um “fracasso internacional”, como a imprensa insiste em descrever antecipadamente todas as suas viagens, num retumbante sucesso com banhos de multidão.

Mais tarde, em Setembro, o Papa foi ao Líbano.

Multidões para ver o Papa no Líbano
Esta notícia era importante por duas razões. A primeira, como é evidente, por causa da região e da situação geopolítica, sempre instável, mas particularmente difícil por causa da Guerra na Síria. Nesse sentido, como factor de esperança e mensagem de paz a viagem foi marcante e da maior importância. As centenas de milhares de pessoas que foram ver o Papa são o testemunho de uma Igreja viva no Médio Oriente e os encontros inter-religiosos mostram que a religião pode ser fonte de muita da violência no mundo, mas também há quem esteja apostado em usá-la para a paz.

O lado menos positivo terá sido, talvez, a própria exortação apostólica que o Papa foi ao Líbano entregar. O documento resulta do sínodo para os bispos do Médio Oriente, que decorreu em 2010, e embora tenha incluído alguns bonitos apelos à paz e considerações sobre a região, muitas das questões práticas que foram levantadas pelos padres sinodais foram simplesmente esquecidas. Dois exemplos claros são a autoridade dos patriarcas e demais líderes de Igrejas orientais sobre os seus fiéis a residir fora dos territórios patriarcais tradicionais e ainda a proibição, anacrónica, de estas igrejas ordenarem homens casados fora dos mesmos territórios.

Não se percebe, por exemplo, porque é que os católicos maronitas a viver nos EUA não dependem directamente do Patriarca dos Maronitas mas sim de Roma, nem é aceitável que a Igreja Greco-Católica da Ucrânia possa ordenar homens casados em Kiev, mas não em Nova Iorque.

Os sínodos de bispos de pouco servirão enquanto Roma continuar a fazer o que quiser das suas deliberações, digo eu.

Friday, 30 November 2012

“Sexual abuse crisis is opportunity for Australian Church”

Robert Hiini
Full transcript of the interview with Robert Hiini, journalist with The Record, diocesan newspaper of Perth, Australia, about the sexual abuse crisis in Australia.
See news story here (in Portuguese).

Transcrição integral da entrevista a Robert Hiini, jornalista de The Record, jornal diocesano de Perth, na Austrália, sobre o escândalo de abusos sexuais na Austrália. Ver notícia aqui.


The sexual abuse crisis has hit Australia now, what exactly is going on at the moment?
The most recent event is that the Federal Government has announced a Royal Commission into sexual abuse of minors in institutions, religious and non-religious. Victim groups have been making a concerted push, as have the media in the last six months, to drive the Government to take this action. On November 12th Prime Minister Julia Gillard announced a Royal Commission.

So the Commission will also focus on non-Catholic institutions? But media coverage seems to be almost exclusively related to religious institutions, is it not?
It’s true that the media have focused largely on the Catholic Church. The Australian Broadcasting Corporation (ABC) has run several high profile stories about specific dioceses and terrible incidents that have occurred in those dioceses and that has stirred a wider national conversation.

There are a lot of organized victim groups which have agitated for an investigation into the Catholic Church. One of the things that the leader of the opposition in the Federal Parliament said was conditional to his support for a Royal Commission was that it should not only pertain to the Catholic Church but should be extended to other organizations such as Government and non-Catholic organizations.

The cases that have come to light, are they recent?
The cases that have been referenced, particularly by the ABC are cases in which the incidents occurred nearly 20 years ago. I have heard statistics from the State of Victoria, Australia’s second most populous state, which suggest something like 13 to 20 cases that happened after 1990, so there seems to be a massive drop-off in the number of offenses, whether this is due to delayed reporting is anyone’s guess, but it certainly is true that most of the allegations are 15 to 20 years old or older.

How have the bishops reacted to the Royal Commission?
Australia’s bishops have universally welcomed the Royal Commission. There was a joint statement put out on behalf of all Australian bishops saying they welcomed the move and were interested in continuing to ensure that healing was available for victims. The one point of controversy was Cardinal George Pell, from Sydney, who held his own press conference on November 13 in which he reiterated support for the Royal Commission but also said he hoped the Royal Commission would separate fact from fiction, accusing what he described as a hostile media of exaggerating the number of claims. He’s been roundly criticized by the media and victim groups for doing that, but broadly Australian bishops have welcomed this move.

Julia Gillard, primeira-ministra da Austrália
There has been debate about the seal of confession…
There was a debate for many days, mainly in tabloid publications such as the News Limited publications but also in Australia’s second largest media group Fairfax publications. That seems to have died down, at least for the time being. It was set off by the premier of New South Wales who said he couldn’t imagine how a priest who heard that in confession could sit on it and not report it to police, and that fuelled the debate.
In the quality press it has largely been assessed to be a red herring. Most people would agree it’s not how most incidences of abuse come to light, and most people want to see real action taken to real situations.

As a journalist but also as a Catholic, what has your reaction been to what is going on?
I guess it’s a mixed picture for me because I watch some of the media coverage and there has been an incredible looseness of language. Whether the coverage relates to specific incidences in specific dioceses its always the church that is held to account. Of course as a Catholic whenever I hear “the church” I think of myself and one billion other people and the saints in heaven and so on.

But the reporting aside, when you hear the accounts of victims you know that that pain is real. And where there are incidents, particularly in the last 20 years when we are supposed to have cleaned up our protocols and our acts, when you hear of incidents that are recent, I see that as an opportunity to do our best by children. Having said that I think most media in Australia are of a progressive, vaguely anti-Catholic bent and some of this reporting seems to be a proxy for underlying resentment against the catholic church and its teaching, but I am trying to focus on the facts that have happened, and the pain of victims and making sure it doesn’t happen again, I think it’s an opportunity for us to do that.


Filipe d’Avillez

Wednesday, 28 November 2012

DeusBebé, Yad Vashem, Coptas e Fernando Santos


A ideia desta campanha da ChurchAds é recordar as pessoas da centralidade de Jesus no Natal. Imaginativo? Mau gosto? Decida por si e já agora veja algumas das melhores e mais provocadoras campanhas desta organização dos últimos anos.

Para os fãs de peregrinações existe um novo caminho para Fátima: O Caminho do Mar… são 140 quilómetros ao longo da costa. Imagino que deve ser belíssimo.



Amanhã é o último dia da exposição sobre a Fé no Campo Pequeno. Ontem falou Fernando Santos, o treinador de futebol e católico praticante.

ChurchAds, as melhores campanhas

Todos os anos a organização britânica ChurchAds faz campanhas cujo objectivo é recordar da centralidade de Cristo no Natal.

Este ano o tema é o GodBaby, uma sátira aos bonecos cada vez mais realísticos que a televisão impinge aos nossos filhos. Existem duas versões e, como todos os anos, está lançada a polémica.

GodBaby em versão soft

E aqui numa versão que só pode chocar
quem nunca viu anúncios de bonecos
 Aqui ficam algumas das melhores campanhas desta organização dos últimos anos.

Uma das primeiras campanhas, na Páscoa de 1999. Esta deu que falar, como devem imaginar, mas tinha como objectivo contrariar a ideia de um Jesus "coitadinho".

Aqui um exemplo de uma das primeiras campanhas "Christmas Starts With Christ", para recordar que por mais que a sociedade nos aponte outros caminhos, o Natal é sobre Jesus.

Aqui uma das campanhas mais imaginativas. Afinal de contas, Deus está em todo o lado e podemos encontrá-lo nos sítios mais imprevisíveis...

O regresso à temática revolucionária. 25 de Dezembro, a verdadeira revolução...

Tuesday, 27 November 2012

Fé no Campo Pequeno, tourada no Iraque

Começou hoje uma exposição sobre a Fé no Campo Pequeno, em Lisboa. A entrada é livre, há actividades hoje à noite e amanhã, não percam.

Em todo o continente africano, e mesmo em muitas partes do mundo ocidental, a Igreja depara-se com o problema da feitiçaria. Os bispos angolanos não vão admitir mais que os fiéis tenham um pé em cada campo. Quem pratica feitiçaria não comunga em Angola.

A Igreja tem novos cardeais. São seis e ouviram o Papa falar da universalidade da Igreja. Recorde-se que no último consistório houve queixas de que os cardeais eram quase todos do mundo ocidental, pois esta leva era quase exclusivamente africana e asiática.

No Iraque mais um atentado dirigido a muçulmanos xiitas. Digam o que disserem, o grande conflito regional no Médio Oriente agora é este, entre sunitas e xiitas, como se explica aqui.

Uma última nota para esta reportagem. Não tem nada a ver com religião, mas não é todos os dias que se entrevista um homem com 101 anos e só por isso merece ser visto!

Friday, 23 November 2012

Quando a chacina chegou ao mercado

Hoje foi a Semana Social, promovida pela Conferência Episcopal Portuguesa, a dominar as atenções. Podem começar por esta entrevista a D. Jorge Ortiga e ir seguindo as ligações. Durante o fim-de-semana têm novidades no site.

Se algum dia tentarem falar hausa, um dos dialectos da Nigéria, cuidado com a língua. Um empresário enganou-se a dizer um ditado e cinco cristãos morreram…


Temos também uma reportagem sobre o livro “A Vida Numa Palavra” (ver imagem) de Bernardo Corrêa d’Almeida. Aqui, como de costume, podem ler a entrevista na íntegra. Recomendo a leitura não só da entrevista como do próprio livro, quem sabe pode ser um bom presente de Natal.

Por falar em festas, hoje e amanhã há uma venda de Natal no Centro Comunitário da Boa Nova, no Estoril. Se estiver para esses lados não deixe de aparecer.

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