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Tuesday, 30 October 2012

Tantas mitras sem cabeça...

D. Fernando Luz Soares
Os anglicanos portugueses vão escolher um novo bispo. Após 31 anos à frente dos destinos da Igreja Lusitana, ramo da Comunhão Anglicana em Portugal, D. Fernando Luz Soares está de saída por limite de idade. Foram demasiados anos, considera, mas o balanço é positivo.

Uma notícia terrível chega-nos da Síria. Um padre ortodoxo raptado, torturado e assassinado. E a cada dia que passa a Síria mais parecida com o Iraque…

Por cá não há nada que se pareça, mas o Observatório das Armas da Conferência Episcopal está preocupada com o aumento de armas, legais e ilegais, em Portugal.

Amanhã faz 500 anos que se inaugurou o tecto da Capela Sistina. O Papa não vai deixar passar em claro a efeméride.

Termino com uma curiosidade. Com esta notícia da Igreja Lusitana são já vários as sedes episcopais a que estamos atentos. Para além de Lisboa, que nos próximos meses terá novo Patriarca, também o bispo das Forças Armadas está prestes a ser substituído.

A escolha de um novo Arcebispo de Cantuária está a revelar-se muito complicada e já está atrasada.

Melhor está a correr o processo de escolha do novo Papa da Igreja Copta, no Egipto. No Domingo uma criança escolherá um de três envelopes de cima do altar da catedral de São Marcos, sendo encontrado assim o sucessor a Shenouda III, que morreu há vários meses.

Por fim, também se procura um novo Patriarca da Igreja Ortodoxa da Etiópia, embora ainda não conseguido perceber qual o processo de escolha nem quais as datas previstas.

31 anos "é um tempo demasiado" diz D. Fernando Luz Soares


Transcrição integral da entrevista a D. Fernando Luz Soares, bispo da Igreja Lusitana, que pertence à comunhão anglicana. Ver notícia aqui.

Resigna por livre vontade, ou por razões estatutárias?
De acordo com os cânones da Igreja, o bispo diocesano deve resignar da sua jurisdição aos 65 anos. Entretanto se por ventura houver necessidade pode haver um acordo entre a Igreja e o bispo no sentido de manter a jurisdição até aos 70.

Eu faço para o ano 70 anos e portanto havia a necessidade de se eleger alguém que me possa suceder quando eu chegar aos 70 anos. Como o sínodo anterior aos meus 70 anos é agora, vamos eleger o novo bispo.

Com que frequência se realizam os sínodos?
Os sínodos realizam-se de dois em dois anos.

Como é que é o processo de selecção do seu sucessor?
Foram nomeadas duas comissões pela Comissão Permanente, o órgão que governa a Igreja entre sínodos, com o bispo, evidentemente. Uma das comissões foi para ver quem reunia condições para ser candidato e outra que tratou de aspectos de natureza financeira e outras, mais ligados ao próprio desenvolvimento do processo.

Durante dois anos a também tivemos uma preparação mais de natureza doutrinal e teológica acerca do que representa para a Igreja Lusitana o ministério episcopal. Para além da Igreja Católica Romana somos a única Igreja em Portugal que tem o ministério episcopal como parte essencial da sua estrutura [O Sr. D. Fernando não estará a incluir as Igrejas Ortodoxas nesta análise]. Foi preciso explicar isso às pessoas, porque entretanto a Igreja tem vindo a transformar-se, é composta por pessoas mais novas e é preciso explicar estas coisas.

Agora vai acontecer a eleição e a seguir a isso o que a Igreja faz é escrever ao Arcebispo de Cantuária, como nossa autoridade metropolitana, porque somos uma diocese extra-provincial, e para manter a nossa catolicidade temos de estar ligados a outras províncias, e isso é feito através do Arcebispo de Cantuária.

Se o Arcebispo de Cantuária estiver de acordo, como esperamos, esse candidato passa a ser bispo eleito e depois terá de ser feita a sagração. É preciso acertar uma data, onde o próprio Arcebispo de Cantuária, ou um seu representante, estará presente. Eu também estarei e alguém de uma igreja irmã, porque só podemos sagrar bispos com outros três bispos presentes.

No momento em que essa pessoa é sagrada assume a diocese e eu passarei a ser um bispo resignatário, como foi o meu antecessor quando eu assumi há 31 anos.

Que candidatos há?
A comissão apenas definiu, dos clérigos da Igreja, quem reúne as condições para poder ser candidato, tendo em conta a idade e outros factores. Temos quatro clérigos nessas condições. Não quer dizer que aceitem. Desses quatro poderá haver um ou outro que diga que não está interessado e os outros dizerem que estão disponíveis e então submetem-se à eleição.
Temos um presbítero angolano de nascença, o reverendo Barros Banza, temos um outro que é daqui do Norte, o reverendo Carlos Duarte; temos também o reverendo José Jorge Pina Cabral e temos outro de Vila Franca de Xira, o reverendo Fernando Santos.

A selecção será feita já durante o sínodo?
Sim. Na sexta-feira de manhã há um ponto da agenda que é a alocução do bispo e depois será a eleição do novo bispo.

Há também leigos a participar nessa eleição?
Sim. Participam todos os membros do sínodo. Eu, todos os clérigos que podem estar presentes, neste caso nove presbíteros e quatro diáconos, havendo dois ou três que estão doentes e já sabemos que não vão estar presentes, e também os outros participantes leigos. Ao todo são 40 pessoas no sínodo, incluindo 24 leigos, todos eles eleitos pelas respectivas paróquias para participar no sínodo e com direito a voto efectivo.

Estará ainda presente uma representante do Arcebispo de Cantuária, no caso uma cónega.

Que balanço faz destes 31 anos?
Para já posso dizer que é um tempo demasiado. Fui chamado muito cedo, porque eu sou bispo há 32 anos mas só há 31 assumi a diocese, porque durante um ano fui auxiliar de D. Luís Pereira, o meu antecessor.

Acho que o tempo da minha jurisdição foi excessivo, porque entretanto aconteceram muitas coisas na sociedade portuguesa, a nível político, social, cultural e também a nível religioso, que foram demasiadas para uma igreja pequena como a nossa, porque temos as nossas dificuldades exactamente pela nossa pequenez.

Durante este tempo houve momentos excelentes, da minha perspectiva. Eu consegui introduzir a ordenação das mulheres na Igreja Lusitana, consegui com alguma eficácia criar uma organização da própria Igreja, que não existia. Ela era constituída por paróquias, mas todas demasiado autónomas umas das outras. Criar um espírito de diocese não foi fácil, mas conseguiu-se.

Desenvolveu-se um determinado tipo de situações, na área da formação, não tanto quanto gostaria, aí está, é um aspecto que não foi conseguido como eu queria.

A Igreja cresceu por dentro, não em número de pessoas, mas cresceu por dentro. Ganhou consciência da sua condição de Igreja Anglicana, que não tinha, ganhou consciência da sua condição de Igreja episcopal, embora já tivesse tido dois bispos, mas a acção deles passou ao lado da grande maioria das pessoas da Igreja, o bispo passou a ser uma pessoa central e importante a nível da Igreja.

Houve outro facto importante, de a Igreja se ter afirmado no contexto da Comunhão Anglicana. Eu fui eleito em dois mandatos, entre 1993 e 1999 para a comissão permanente do Conselho Consultivo Anglicano. O Conselho Consultivo reúne anualmente e desenvolve um trabalho ao nível mundial para criar as condições de coordenação e contacto entre as diferentes províncias da Igreja Anglicana. A Igreja Lusitana foi chamada, embora sendo uma diocese extra-provincial não teria lugar, mas foi chamada a dedo.

Outro aspecto muito positivo que vejo do meu episcopado foi todo o relacionamento ecuménico que se realizou em Portugal com a Igreja Católica e com outras igrejas com as quais temos mantido uma relação fraterna.

Agora, houve também aspectos negativos, que derivam da nossa condição pecaminosa, no modo como funcionamos e tentamos assumir cada vez mais os nossos desejos e pontos de vista humanos, esquecendo que estamos ao serviço de Deus.

Thursday, 19 January 2012

Blog no Facebook, padres raptados no Sudão, Vaticano discute abusos

Custou mas foi. O Actualidade Religiosa chegou ao Facebook. Hoje criei um grupo, convido-vos a juntarem-se. Peço ainda que tenham paciência porque a coisa acabou de nascer e pode levar alguns dias até estar tudo a 100%. Abrindo a página, cliquem no botão a pedir para se juntarem, é simples.

Quanto a notícias, o Vaticano promove um congresso onde será debatida a resposta a dar ao problema dos abusos sexuais na Igreja. Portugal será representado pelo porta-voz da Conferência Episcopal.

Depois da independência, continua a violência no Sudão do Sul. Dois padres foram raptados, como explica o missionário português José Vieira.


Wednesday, 18 January 2012

Concertação Social, Ecumenismo e The Catholic Thing

No dia em que só se fala do acordo de concertação social, temos D. Jorge Ortiga a comentar que o entendimento é bem-vindo e o porta-voz da CEP, o padre Manuel Morujão, a falar dos feriados. Se o Governo só cortar um civil, então a Igreja também só “cede” um religioso.

Hoje começa a Semana de Oração Pela Unidade dos Cristãos. O Papa aproveitou para se referir ao assunto na sua audiência-geral. Hoje a Escola de Oração de São José (órgão do Patriarcado de Lisboa), publica uma reflexão da autoria de D. Fernando Luz Soares, bispo da Igreja Lusitana, a primeira de uma série de contribuições de membros de diferentes confissões cristãs.


Para finalizar uma novidade importante. A partir de hoje no blogue serão publicados textos do site americano The Catholic Thing, gerido pelo autor e académico Robert Royal, no âmbito de uma parceria. Está tudo explicado aqui.

O artigo que hoje publicamos fala do trabalho feito em conjunto por cristãos e muçulmanos para derrotar propostas pró-aborto nas Nações Unidas e das questões que isso levanta. Não percam.

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