Monday, 12 October 2015

Cartas ao Papa e aventuras na Lapa

Supostamente foi escrita uma carta ao Papa com reclamações sobre o modo de funcionamento do sínodo. Há carta? Não há carta? Foi assinada? Não foi? Ninguém sabe muito bem, mas foi o que dominou as atenções no sínodo, hoje.

Já durante o fim-de-semana o Patriarca de Lisboa fez uma intervenção no sínodo, sobre o qual pode ler mais aqui.

Hoje milhares de peregrinos chegaram a Fátima, onde decorrem as cerimónias do dia 12 e 13 de Outubro. O Cardeal Giovanni Battista Re preside e, do santuário, criticou a perseguição aos cristãos, sobretudo no Médio Oriente.

Os bispos portugueses aproveitaram para se encontrar também em Fátima, de onde lançaram um apelo à estabilidade política.

Também hoje soube-se que a imagem de Fátima afinal vale mais do que se pensava anteriormente.

Sexta-feira passada tive o prazer de ir participar no evento “Fim-de-semana Cheio na Lapa”, na Igreja Baptista do pastor e músico Tiago Cavaco. Aqui podem ter a experiência singular de me verem a falar de um púlpito de uma igreja evangélica. Eu sou o quinto orador, mas vejam tudo se tiverem tempo, porque vale a pena.

Friday, 9 October 2015

Um "texto mártir" que o Papa não merece

Cardeal Tagle e Arcebispo Kurtz
Os bispos reunidos no sínodo para a família fizeram muitas críticas ao documento de trabalho que estão a analisar. O cardeal Tagle, das filipinas, diz que é natural, pois trata-se de um “texto mártir”. O consenso dos grupos de trabalho é de que a linguagem é demasiado negativa, é preciso falar mais da ideologia do género e que a perspectiva é demasiado ocidental. Depois há críticas mais gerais, como a de um dos grupos de língua inglesa que diz que o Papa merece um documento melhor…

Esta manhã o Papa Francisco interrompeu os trabalhos do sínodo para dizer aos bispos e outros delegados que é preciso rezar mais urgentemente pela paz, sobretudo no Médio Oriente.

A tragédia que se abateu sobre Meca no dia 24 de Setembro foi, afinal, a mais grave da história da peregrinação anual. Números oficiais contabilizam 1,453 mortos, 600 mais do que as estimativas do próprio dia.

Thursday, 8 October 2015

Abdulmasih, Ashur e Bassam rogai por nós

Com ou sem eurocentrismos
com esse tricórnio já ganhaste!
Será que o sínodo sobre a família sofre de eurocentrismo? A resposta é um claro nim da parte do arcebispo de Acra, no Gana.

O Estado Islâmico divulgou hoje um vídeo que mostra a decapitação de três homens cristãos que tinham sido raptados no início do ano. O Patriarca dos Siro-Católicos diz que os cristãos do Médio Oriente se sentem traídos pelo Ocidente.

Porque nunca é demais rezar pela paz, a Fundação Betânia desafia-o a fazê-lo amanhã, em Lisboa.

Como prometido, publico hoje a transcrição da entrevista feita ao provincial dos salesianos no Médio Oriente, abuna Munir al Rai, que diz que os seus padres estão dispostos a morrer na Síria.


E por fim, recordo que amanhã, a partir das 20h30, há Fim-de-semana Cheio na Lapa, que não deve perder!

“Estamos dispostos a morrer na Síria”

Transcrição da entrevista ao abuna Munir al Rai, provincial dos salesianos no Médio Oriente. A reportagem pode ser lida aqui.

É responsável por quantos salesianos no Médio Oriente?
Eu sou responsável por cerca de 100 salesianos, presentes no Médio Oriente, e que são de quase 18 nacionalidades. 40% são italianos, 30% são locais e outros 30% de outras nacionalidades.

Em que países?
Temos a casa provincial em Belém, depois temos na Terra Santa, no Egipto, Turquia, Irão, Síria e Líbano. Também nos é confiado o Iraque.

Trabalham sobretudo na educação?
Sim, essa é a nossa missão fundamental. Temos muitas escolas para crianças e jovens, sobretudo escolas profissionais e centros profissionais. Temos também oratórios juvenis e também paróquias e igrejas públicas, bem como vários serviços sociais para as pessoas.

Estas escolas e trabalhos servem quantas pessoas no Médio Oriente?
Temos no Médio Oriente, entre crianças, jovens e leigos que frequentam as nossas casas, cerca de 10 mil pessoas. São números estimados, tudo depende da situação. Mas registados são quase 10 mil.

Sobretudo cristãos? Ou cristãos e muçulmanos?
A maioria são muçulmanos. Servimos também cristãos, mas de vários ritos, ortodoxos, católicos... De vários ritos.

Disse uma vez que os salesianos estavam preparados para serem martirizados por permanecer na Síria. Já perderam algum salesiano durante esta guerra civil?
É verdade, os salesianos presentes na Síria arriscam, como disse, o martírio. Estamos sempre disponíveis até a dar a vida.

Houve vários momentos graves, de grande perigo, mas graças a Deus estão todos seguros.

Abuna Munir al Rai, à direita
Qual é a presença dos salesianos na Síria neste momento?
A primeira casa fundada na Síria é em Aleppo, no Norte, data de 1948. Foi a primeira escola profissional da Síria. Em 1960 foi nacionalizada. Actualmente temos um grande oratório e centro juvenil e uma grande igreja publica. Estão lá actualmente três salesianos, dois sírios e um italiano.

Depois temos em Damasco uma casa fundada em 1990, o oratório e centro juvenil, inserido num ambiente ligado às nossas irmãs salesianas, que gerem lá um grande hospital, que serve muitos doentes. Lá temos quatro salesianos, três sírios e um italiano.

Temos uma outra casa, sobretudo com a presença de salesianos religiosos e no inverno confiámos esta casa a uma família de colaboradores salesianos.

Nenhuma destas casas está em áreas controladas pelo Estado Islâmico?
Não. São zonas que até agora têm estado nas mãos do Governo, zonas bastante tranquilas, mas tranquilo, na Síria deixou de existir, porque o perigo é iminente e o improviso pode sempre acontecer.

Enquanto provincial, onde está sedeado?
A sede é na Terra Santa, porque os salesianos chegaram ao Médio Oriente pela Terra Santa e as grandes obras são na Terra Santa. A casa provincial é em Belém e eu faço as minhas visitas às casas do Médio Oriente a partir de lá. Passo muito tempo com os meus irmãos e com as pessoas.

É fácil viajar?
Não. Nada fácil. É muito difícil. Mas vamos conseguindo.

Como é que faz para visitar Aleppo ou Damasco, por exemplo? É fácil entrar e sair de lá?
Depende do momento. Há alturas em que era impossível, estava muito grave e era difícil a passagem. Há alturas menos difíceis, mas não usamos a palavra fácil, nem tranquilo. Não se usa. Usamos situação gravíssima ou menos grave. São estes os termos.

Quando viajamos são viagens cansativas e duras e podem surgir problemas inesperados. Por exemplo, recordamos que foram várias pessoas raptadas e mortas, dois padres raptados nas suas viagens, bispos também. Pode acontecer o inesperado. Mas é preciso muito cuidado e quando viajamos é com muita simplicidade, com muito cuidado, tentando confiar-nos ao Senhor.

Ainda tem família em Aleppo?
A minha família... Como sabe, no Médio Oriente tivemos várias etapas de emigração. A minha família emigrou no fim dos anos 80, para o Canadá, tenho lá muitos parentes. Eu escolhi permanecer no Médio Oriente.

Igreja destruída em Aleppo. Foto: Alfredo Girardi
A Europa está agora a debater a questão dos refugiados, muitos dos quais vêm da Síria. Como sírio, como descreve a resposta europeia a este problema?
É verdade que a questão dos refugiados é muito complicada e muito difícil. É justo recordar que há muitos refugiados - e fala-se pouco deste problema - também na Turquia, Líbano, Jordânia, também no Egipto. Estamos a falar de milhões. É justo sublinhar este ponto. Muitos deles vivem em campos de refugiados e sofrem.  Este é um ponto a recordar e sublinhar, porque se fala do problema como se só afectasse a Europa.

Desde o início da guerra que alguns começaram a vir para a Europa. Muitas pessoas, ao longo dos anos da guerra, vieram para a Europa. Estranhamente, e é isso que questionamos, só agora é que são notícia de primeira página e só os da Europa.

Outra coisa, é certo que a Europa está a tentar ajudar estes refugiados, mas não existe um plano bem organizado nem adequado. Por isso há deslizes e divergências entre países europeus. Há também fortes restrições. Por isso muitos jovens perdem-se, não sabem o que é que deviam fazer, basta dizer também, porque é que devem arriscar as suas vidas para chegar à Europa?

É preciso um plano bem organizado e bem preparado para que possam ao menos deixar de arriscar a vida, porque tantos morrem durante a viagem, muitos são deixados aos traficantes, muitos sofreram verdadeiramente, por isso, na minha opinião, devemos agradecer à Europa este acolhimento, esta vontade de acolher, mas neste momento falta um plano bem estudado, bem organizado, para poder acolher e acompanhar, porque são duas coisas diferentes.

Acolher uma coisa, mas acompanhar, de forma sistemática e com dignidade, isso seria uma coisa importante.

Também há pessoas que dizem que o facto de muitos destes refugiados serem muçulmanos constitui uma ameaça à Europa e à sua identidade cristã.
O que digo é que esta questão é muito complicada. Em todo o lado em que existe emigração há lados negativos e positivos. Penso que esta resposta basta.

Há também pessoas que dizem que com os refugiados podem vir jihadistas infiltrados...
Como já disse, há sempre lados positivos e negativos.

Penso que é preciso resolver o problema das pessoas e do Médio Oriente procurando soluções pacíficas para evitar todos os perigos possíveis e imagináveis. Esta é a questão mais importante. Depois, acolhendo as pessoas, é preciso haver um plano bem claro. Cada estado deve estudar a sua capacidade de acolher e acompanhar para inculturar estas pessoas nos seus países, porque caso contrário podem surgir vários problemas incontroláveis.

Mas a coisa principal, para mim, é procurar soluções para os problemas que causaram esta imigração, que causaram esta inundação massiva de pessoas do Médio Oriente, potenciando mais a paz, esse é que é o grande trabalho para evitar tantos problemas e tantos perigos.

Desde o início da crise no Iraque e, antes disso na Palestina, temos visto cristãos a abandonar o Médio Oriente em maior proporção que muçulmanos. E fala-se no perigo de o Médio Oriente ficar sem cristãos nos próximos anos. Ouvimos alguns patriarcas a dizer que em vez de ajudar os cristãos a abandonar o Médio Oriente devíamos estar a ajudá-los a permanecer. Isto é realístico?
Para nós, pastores das igrejas do Oriente, o nosso sonho, não só o sonho, mas aquilo que desejamos e queremos e pelo qual trabalhámos toda a vida, é que os cristãos permaneçam no Médio Oriente. Isto é o mais importante, o mais fundamental para nós.

É verdade que no Médio Oriente estamos a assistir a esta hemorragia de cristãos, mas também de muçulmanos, de pessoas que não quer aceitar a guerra, o sofrimento e a destruição e procura um mundo melhor.

Membros da família salesiana em Aleppo
Mas quando, falando com as pessoas, falando com os jovens sobretudo, quando depois de anos de guerra e de destruição e há um alto risco de vida, não podemos dizer-lhes para permanecer. Obviamente eles dizem que querem tentar salvar pelo menos as suas vidas, por isso procuramos uma solução.

Nós tentamos ajudar, sustentar espiritualmente, moralmente, materialmente, procurando sustentá-los nos países vizinhos, mas muitos decidem ir, de modo definitivo, para mais longe.

Esta forte imigração é a principal questão com que nos confrontamos no cristianismo oriental.

Os cristãos estarão algum dia em segurança no Médio Oriente, ou no mundo islâmico em geral?
Tento sempre dizer que no Médio Oriente tanto cristãos como não-cristãos têm sofrido com a guerra. Também muitos muçulmanos morreram. Bebés, jovens, mulheres, homens e todos pagaram o preço da guerra.

Vivemos também momentos felizes e belos no Médio Oriente, mas também momentos de sofrimento. Por isso acredito que podemos voltar a ter momentos bonitos também.

Alguns grupos cristãos defendem a criação de uma região autónoma ou mesmo independente, onde os cristãos e outras minorias possam viver com protecção e maior segurança. A maioria dos bispos com quem falei rejeitam esta ideia. Acredita que isto pode ser uma solução?
Eu não vou entrar em política. Como bom salesiano não falo de política. Falo de jovens e os jovens querem segurança, uma justa segurança uma justa paz e uma justa justiça. Apenas direi isto.

Os cristãos no Médio Oriente estão divididos entre diferentes ritos, com diferentes patriarcas. Não seria melhor ter uma voz forte para falar pelos cristãos no Médio Oriente, em vez de muitas vozes mais fracas?
Digo antes que esta diversidade não é uma fraqueza. Esta diversidade, para nós cristãos no Médio Oriente, é uma riqueza. Por isso eu não digo que estamos divididos, mas somos de muitos ritos mas unidos no caminho cristão. Penso que os cristãos do Médio Oriente e os homens de boa-vontade são unidos na condenação desta guerra e na busca por uma solução de paz.

O Papa Francisco falou de um ecumenismo de sangue. Sentem isso, que o sofrimento aproximou os cristãos?
Sim. O sofrimento e o conflito uniram-nos mais.

Acredita que haverá paz na Síria, ou não vê qualquer solução para breve?
Como sou bom sírio, bom cristão e bom salesiano, creio na paz. Chegará certamente o tempo da paz.

Wednesday, 7 October 2015

Lóbis? Sim. So what?

Arcebispo Chaput confirma lóbis
Há lóbis no sínodo para a família? Claro que há. E então? Foi esta a atitude – refrescantemente franca – do arcebispo americano hoje na conferência de imprensa.

O Papa Francisco falou também esta manhã, na audiência geral, onde criticou a falta de apoio que as famílias recebem na sociedade.

O bispo de Viseu lamenta que há igrejas que estão sempre fechadas e só abrem quando há missa, algo que considera “um atentado”.

Podemos respirar de alívio, pelos vistos. O FBI conseguiu impedir a venda de material nuclear ao Estado Islâmico…

Hoje aproveito para divulgar mais uma transcrição integral de uma das entrevistas feitas de antecipação do sínodo. O padre Bernardo Magalhães ajuda a explicar o que é a “comunhão espiritual” e também aborda o tema do acolhimento aos homossexuais na Igreja.

Por fim, sendo quarta-feira, mais um artigo do The Catholic Thing. Anthony Esolen revela as suas preocupações pelo destino das crianças que são as principais vítimas da cultura do divórcio, num texto que nos deixa com a sensação de ter levado um murro no estômago…

A Criança Invisível

Anthony Esolen
Ultimamente tenho pensado em casamentos e processos de nulidade e na instrução do Senhor de que devíamos sair em busca da ovelha perdida no deserto, longe das outras 99. Creio profundamente nessa instrução, porque essa ovelha era eu.

Mas o que acontece se for devido à nossa negligência e desobediência que a ovelha se perde? Será que o pastor vai em busca da ovelha perdida só porque isso é mais fácil do que cuidar do aprisco que deixou degradar-se? Vemo-lo a cantarolar pelo prado enquanto o lobo se aproxima? E quando regressa com a ovelha perdida dá-se ao trabalho de contar as que permanecem? Repara sequer no sangue e nas entranhas que mancham as paredes em ruínas?

Um rapaz tinha uma mãe e um pai. Eles tinham prometido amar-se um ao outro e serem fiéis até que a morte, e só a morte, os separasse. Não eram mentalmente débeis, sabiam o que significavam as palavras daquela promessa. E o rapaz era feliz.

Depois apareceu o Pai das Nuances, que sussurrou ao marido que as palavras são só palavras, não são coisas, e que as palavras estão sujeitas a interpretação, e que uma palavra proferida com total confiança num contexto poderia não ter o mesmo significado quando o contexto mudasse. E tinha mudado, porque a mulher era agora mais velha e os seus hábitos femininos que em tempos tinham fascinado o marido, agora não passavam de alfinetadas e beliscões. Por isso ele começou a deixar o seu olhar resvalar e o seu coração endureceu.

“Mulher”, disse, “vou levar a minha metade dos bens, que me pertence”. E ela não pôde fazer nada, por causa das leis do país onde viviam. Por isso ele vendeu a casa, a casa que o rapaz tanto amava, e levou metade dos bens e viajou para um país distante. Mas não foi sozinho. Levou outra mulher com ele.

E o rapaz amava o seu pai, porque era seu pai; e odiava-o, porque os tinha abandonado. E não havia quem o conseguisse consolar. Os seus professores chegaram ao ponto de lhe dizer que tinha sorte, porque agora tinha duas mães em vez de uma e duas casas também. Em breve teria também dois pais, porque a sua mãe desanimou.

Ela foi ter com um padre e disse: “Vê como o meu marido nos deixou a sangrar na berma da estrada”. Mas o padre não podia fazer nada por ela, incentivou-a a perdoar o marido e sugeriu que se juntasse a um grupo da paróquia para adultos solteiros. Foi ter com um escriba, perito na lei, e disse: “Vê como o meu marido quebrou os seus votos, agora estamos em sofrimento”, mas o escriba sorriu e disse que ela devia estar satisfeita com o que tinha recebido, que era bem generoso. 

E por isso desanimou. E um dia quando ela e o seu filho estavam no Templo, juntamente com outros, em oração, ouviu as palavras daquele que disse, “Então eles já não serão dois, mas uma só carne. E por isso não separe o homem o que Deus uniu”.

E então o padre disse que as palavras não passam de palavras, e que as palavras estão sujeitas a interpretação, e que uma palavra proferida num contexto não tem de significar o mesmo quando o contexto mudar. E tinha mudado, porque o padre incentivou os fiéis a abrirem as suas mentes e aceitar os fornicadores, os sodomitas e os adúlteros no meio deles. E o rapaz ouviu tudo, e passou a acreditar que tudo aquilo não passava de uma mentira.

Era suposto dizer que gostava de visitar o seu pai e a mulher que tinha ajudado a estragar a sua juventude, mas era mentira. Era suposto dizer que acreditava nas palavras de Jesus, mas pelos vistos ninguém acreditava nelas, em vez disso mentiam continuamente. A sua mãe passou a viver com outro homem, sem se dar ao trabalho de casar, porque ninguém acreditava que existia ligação entre o casamento e o acto conjugal, por isso deitavam-se no seu pecado como se nada fosse, continuamente. Era suposto ele amar aquele homem, e de certa forma amava, mas também era suposto fingir que tudo tinha acabado da melhor maneira, o que também era mentira.

"Por isso embriagou-se..."
Quando o seu corpo estava preparado para a fornicação, também ele estava. Tornou-se especialista no acto de dizer, com o seu corpo, “sou teu para sempre”, quando na verdade “para sempre” queria dizer apenas “até ficar farto de ti”, o que por vezes acontecia pouco tempo depois, outras vezes esgotava-se no próprio acto. Mas as raparigas mentiam também, por isso não devemos sentir muita pena por elas.

Então um dia o seu pai regressou com a madrasta e as pessoas foram instruídas a celebrar, porque ele tinha regressado. Não tinha regressado à sua mulher, e não procurou recompensar o seu filho pela sua tristeza, abandono e perda de fé. Não disse “trata-me como um dos teus empregados, porque pequei contra Deus e contra ti”, disse: “Vinde e festejai comigo, porque regressei!”

E o bispo gordo disse ao rapaz: “É bom que vás festejar com o teu pai, porque ele regressou”.

Por isso o rapaz foi para o banquete e embriagou-se. Afastou da memória as muitas vezes que tinha chorado de noite, porque o seu pai não estava lá. Afastou da memória aquele primeiro dia em que percebeu que ninguém dizia a verdade. Afastou da sua imaginação aquele Jesus que disse: “Deixai vir a mim as criancinhas”.

Pendurou uma mó à volta do seu coração. Não perdoou, porque toda a gente lhe dizia que não havia nada a perdoar. Por isso embriagou-se.


Anthony Esolen é tradutor, autor e professor no Providence College. Os seus mais recentes livros são:  Reflections on the Christian Life: How Our Story Is God’s Story e Ten Ways to Destroy the Imagination of Your Child.

(Publicado pela primeira vez na Quarta-feira, 30 de Setembro de 2015 em The Catholic Thing)

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Tuesday, 6 October 2015

A terra onde "fácil" e "tranquilo" não existem

Depois de ontem o cardeal Erdö ter dado a entender que a comunhão para pessoas em uniões irregulares não estava sequer em discussão, hoje ficámos a saber que afinal está. Mas o Papa quer que se saiba que essa não é a única questão que se discute no sínodo.

O que o Papa também não quer, pelos vistos, é que os bispos entrem em modo conspiração, e por isso hoje falou novamente aos bispos. Se fosse pelo gabinete de imprensa da Santa Sé, porém, nunca o saberíamos.

Entretanto a pouca distância de Roma, na Síria, as palavras “fácil” e “tranquilo” já não são usadas. Quem o diz é o provincial dos salesianos para o Médio Oriente, numa entrevista interessantíssima em que fala também dos refugiados, dos perigos da sua missão e da tristeza de ver os cristãos a abandonar o Médio Oriente.

Hoje partilho convosco mais uma transcrição completa de uma das entrevistas que fiz de antecipação do sínodo. Assunção Guedes é mediadora familiar e fala daquelas famílias que acabam por ser esquecidas no meio destas discussões do sínodo, isto é, as famílias “normais”, mas que também têm problemas.


E por fim, um convite. Na sexta-feira estarei na Igreja Baptista da Lapa, a convite do meu amigo o pastor Tiago Cavaco. É com enorme prazer que participo pela segunda vez no “Fim-de-Semana Cheio na Lapa”, cujo programa vai em anexo. Apareçam, que todos são bem-vindos!

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