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Wednesday, 18 May 2016

Chegou a Hora de Agir

Hadley Arkes
Na Era de Obama aquilo que em tempos era inimaginável na nossa política e no direito tem-se tornado gradualmente “normal”, de tal forma integrado nas nossas vidas que mal se dá por ele. Em Setembro, como já fiz questão de dizer, 177 democratas no Congresso votaram contra uma lei que puniria “cirurgiões” que matam bebés que sobrevivem ao aborto. Até católicos notáveis na imprensa não acham que o assunto seja suficientemente importante para referir quando entrevistam Hillary Clinton, Donald Trump ou outros candidatos.

E caso não tenham estado a prestar atenção às notícias das últimas semanas, houve outra questão recente que tornou o bizarro não só plausível mas mesmo obrigatório nas nossas leis. Um tribunal anulou a decisão da Comissão de Educação do Estado da Virgínia, que obrigava as crianças a usar as casas de banho nas suas escolas de acordo com o seu sexo biológico.

O juiz Henry Floyd, nomeado por Obama, decidiu a dar crédito à ideia de que a Lei dos Direitos Civis [Civil Rights Act], que proíbe a discriminação sexual, pode agora ser lida de forma a abranger a discriminação de “género”. Ou seja, que a lei pode ser usada para obrigar a respeitar a visão que um jovem tem da sua própria “identidade” sexual, independentemente da sua anatomia.

O artigo IX das Emendas da Educação de 1972 torna claro que ao proibir a discriminação sexual a lei não puniria as instituições de ensino por manterem “residências separadas, com base no sexo”. O sentido de sexo, aqui, era claramente de “homens e mulheres”, rapazes e raparigas, e seria muito pouco plausível por parte da administração promulgar uma lei tão claramente distante dos estatutos e do senso comum.

O juiz Floyd decidiu impor essa leitura da lei com base apenas num parecer escrito pela Divisão dos Direitos Civis do Departamento de Educação. Na mesma altura, a Procuradora-geral dos Estados Unidos, Loretta Lynch, acusou o congresso estadual da Carolina do Norte de violar a Lei dos Direitos Civis, fazendo uma leitura idêntica do estatuto.

O congresso estadual tinha anulado a política adoptada em Charlotte, consagrando o direito de pessoas “transgénero” a usar a casa de banho que quiserem, independentemente dos sentimentos de terceiros. A procuradora-geral fez acompanhar a sua decisão de uma ameaça de cortar os fundos federais que o sistema educativo da Carolina do Norte recebe, em todos os níveis de ensino.

Vou deixar de lado, por hoje, a questão da implausibilidade da fantasia do “transgénero”. O Dr. Paul McHugh, da Escola de Medicina da John Hopkins, deixou de fazer operações de mudança de órgãos sexuais. Segundo ele, os estudos revelam um triste encadeamento de depressão, bem como um desejo de “voltar atrás” quando se torna claro que a operação não consegue alterar os factos profundos da natureza sobre aquilo que nos constitui. Estes jovens confusos precisam de aconselhamento sério e não de cirurgia.

Neste momento o meu enfoque é outro. Aquilo a que estamos a assistir é, em primeiro lugar, a esquerda libertada de qualquer respeito pelo lugar da “natureza” e das restrições morais em matéria de sexualidade.

Estamos ainda a assistir a uma vontade por parte da esquerda de utilizar os poderes do Estado administrativo, separados de qualquer ligação plausível aos estatutos que, por si só, constituem as bases de autoridade das ordens administrativas.

E vemos ainda a disposição de alargar os poderes do governo federal de tal forma que tornam nulas as barreiras e as restrições do federalismo.

Entre 2001 e 2011, o financiamento federal das escolas na Carolina do Norte aumentaram em cerca de 400 milhões de dólares. Quando eu era mais novo, nos dias de Eisenhower, o financiamento federal da educação era uma questão séria. À medida que esses subsídios foram sendo alargados, tanto aqui como noutras áreas, temos visto crescer o poder do governo federal para manipular os Estados, chegando ao ponto de impor uma política perversa.

Já escrevi antes neste espaço, registando o meu desconforto, partilhado por muitos, sobre o facto de ter de escolher entre Clinton e Trump e, por enquanto, decidi-me pelo “joker” em vez da “Coisa Certa e Brutal”. Tenho amigos, porém, que dizem que mais vale esperar quatro anos, deixar a Hillary nomear o sucessor de Scalia [juiz do Supremo Tribunal que morreu este ano] e absorver o mal que for feito, em vez de arriscar ver o Trump transformar o partido conservador.

Mas temo que os meus amigos sejam demasiado optimistas. Subestimem seriamente a profundidade dos danos que podem ser infligidos se uma administração de esquerda encher os tribunais federais menores de juízes como Floyd. Esses juízes estarão mais que dispostos a defender as teorias dos intelectuais de esquerda sobre sexualidade e a extensão dos poderes executivos bem para lá dos limites da Constituição.

Estamos a subestimar seriamente o facto de que se estas novidades e corrupções continuarem durante mais quatro ou oito anos, poderão tornar-se de tal forma entranhados que serão impossíveis de desenraizar. Chegou a hora de homens e mulheres prudentes morderem o lábio e fazerem o que é preciso fazer.


Hadley Arkes é Professor de Jurisprudência em Amherst College e director do Claremont Center for the Jurisprudence of Natural Law, em Washington D.C. O seu mais recente livro é Constitutional Illusions & Anchoring Truths: The Touchstone of the Natural Law.

(Publicado pela primeira vez na Terça-feira, 17 de Maio de 2016 em The Catholic Thing)

© 2016 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

Wednesday, 9 March 2016

Yezidis & Cristãos

David Warren
Não sou perito em relação aos yezidis de (ou anteriormente de) Mossul e arredores. Também não sou perito em cristãos assírios que lá vivem; nem, verdade seja dita, em cristãos de parte alguma. Os judeus também me ultrapassam, não obstante os meus esforços na cadeira de religiões comparadas. A minha incompreensão estende-se a outras religiões, nacionalidades e tribos. Todas são uma névoa para mim. E ainda há dias em que não me compreendo a mim mesmo.

Como por exemplo as minhas sinceras – pelo menos assim o espero – convicções cristãs. De uma perspectiva de custo benefício, não se saem nada bem. Do ponto de vista de um economista profissional, que parte do princípio que o ser humano apenas procura o seu interesse económico, tornar-me católico foi a coisa mais parva que alguma vez fiz.

Mas olhando para o Iraque, parece-me que os yezidis poderão ser mais parvos ainda. Ou os cristãos assírios, já agora. Toda a gente os quer matar. Porque não alinham com quem os persegue?

Falo neles porque eles são, para nós, “estranhos”. Quando viajei pelo Iraque, há não muito tempo, depois do golpe de Estado do partido Ba’ath, mas antes de Saddam Hussein, fiquei fascinado com eles. Saddam ofereceu-lhes um certo grau de protecção, mas apenas porque tinha outras pessoas que queria massacrar e no que diz respeito aos massacres gostava de ter o monopólio.

Os yezidis viviam no cume dos montes, nas rochas secas que se elevam sobre as planícies da Mesopotâmia. Entravam na cidade para comprar e vender, e geralmente eram tolerados. Isto apesar de todas as outras seitas no Iraque se referirem a eles como “adoradores do diabo”, como faziam há séculos.

De resto, eram bastante reservados. Os seus santuários, tanto quanto conseguia perceber, eram poucochinho do ponto de vista arqutectónico, embora eu apenas tenha visto fotografias, tiradas às escondidas.

Tal como outros monoteístas, acreditam em algo a que chamam “Deus”, mas depois a coisa torna-se interessante, bem como confusa, uma vez que estas pessoas eram analfabetas há gerações e as suas revelações tinham sido transmitidas oralmente desde… ninguém sabe quando.

Tanto quanto consigo perceber, havia sete anjos sagrados. Melek Taus, o Anjo Pavão, foi designado por Deus desde o início para supervisionar a sua Criação. Mas ele não é de confiança, embora a comparação com Satanás talvez seja exagerada. A ideia de prestar culto a um agente cósmico conhecido por ser corrupto e imprevisível parece-me bizarra. Às vezes o Anjo Pavão é verdadeiramente mau, outras vezes, porém, chora e pede perdão a Deus. Seja como for, detém um assinalável poder no mundo.

Parece-me (e recordo que não sou perito) que a atitude dos yezidis para com os seres espirituais é “a arte do negócio”. Talvez esta visão seja partilhada pela maioria das religiões pagãs: “Não tomemos lados entre o bem e o mal, pode vir a custar-nos”. Em vez disso, deve-se negociar com quem se chegar à frente.

Os que encontrei (em Mosul) pareceram-me simpáticos e reservados, bastante atraentes com as suas túnicas brancas. “Vive e deixa viver” parecia estar a correr bem para eles na altura. Dizia-me que reagiam bem aos insultos, o que na visão mais agressiva do Islão sunita os tornava pouco merecedores de serem insultados. (Também os assírios estão habituados a ignorar os insultos).

Aquilo que mais me intrigava era a possibilidade de esta atitude dever-se menos às circunstâncias do que às suas crenças religiosas. A ideia de que o mundo está cheio de demónios e que aquilo que Deus espera é que se chegue a acordo com eles. Ser neutro. Não se comprometer. Isto, por sua vez, obriga a uma rigorosa “endogamia” para poder sobreviver – não só casar, mas viver, exclusivamente, dentro da tribo. Evita-se qualquer mistura desnecessária.

Fatalmente, para eles, apareceu o Estado Islâmico. Centenas de milhares foram massacrados ou exilados. Pelos vistos só se pode chegar a acordos com demónios “moderados”. O verdadeiro, demónio em corpo de homem, fanático e poderoso, não é daqueles que negoceia.

Melek Taus
Não sei se mencionei que não sou especialista, mas os yezidis são para mim tão misteriosos como a maioria dos protestantes e católicos de classe média e alta, bem como outros que vivem na sociedade da nossa América do Norte pós-moderna.

Não é que eles não “acreditem” na presença do mal neste mundo; ou que – cruzes credo – não acreditem em Deus. Muitos vão à igreja, como a Melania Trump afirma fazer com o seu marido: ao que tudo indica, uma simpática igreja presbiteriana na qual, como na maioria das igrejas, incluindo as católicas, os fiéis aprendem a sentir-se bem consigo mesmos. (É o que me chega através dos boatos.)

Na verdade, disse-me o Charles Murray e outros, na América é mais fácil ver os ricos do que os pobres, ou membros de outras “classes inferiores” nas igrejas. São sítios simpáticos e burgueses onde nos é dado poder socializar com outros membros da nossa tribo.

Não é só para ricos, claro. Há igrejas para brancos, igrejas para pretos e para todos os tons de castanho. Igrejas para ricos, pobres e todas as divisões demográficas que se possa imaginar. Depois do “serviço” serve-se café nos convívios, onde todos são bem-vindos. É tudo muito lindo.

Tenho tentado compreender as estatísticas – nomeadamente as sondagens, em particular as sondagens feitas à boca das urnas, segundo métodos científicos – que analisam os votos das pessoas de acordo com a idade, “género”, rendimento, “educação”, filiação religiosa, etc. Os políticos “carismáticos” – penso no Obama e no Trump – atravessam todas estas classes.

Fascina-me de modo particular que esta última classe, a categoria da “religião”, tenha deixado de ser um indicador útil para o sentido de voto. Enquanto cristão, mais precisamente um zeloso católico convertido, acho difícil imaginar como até um “moderado” poderia votar em alguém que seria anatemizado vinte vezes seguidas se fosse aplicado um critério minimamente catequético.  

Não é que o Cristianismo em si esteja a morrer. Pode haver uns milhões a menos a frequentar as igrejas aos domingos do que antes, mas continua a haver milhões. Porque é que é tão difícil, se não impossível, agrupá-los por tendência de voto nas sondagens?

A minha teoria é de que as suas posições estão a “evoluir”, tal como a sua estrutura de crenças, no sentido de algo mais em linha com a teologia dos yezidis. Talvez pensem que se chegarem a um acordo com o demónio, ele, na sua benevolência, os deixe em paz. 


David Warren é o ex-director da revista Idler e é cronista no Ottowa Citizen. Tem uma larga experiência no próximo e extreme oriente. O seu blog pessoal chama-se Essays in Idelness.

(Publicado pela primeira vez na Sexta-feira, 4 de Março de 2016 em The Catholic Thing)

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Wednesday, 17 October 2012

A Formação de uma Consciência Católica

Randall Smith
Agora sei porque é que o Lincoln perdeu para o Douglas [nas eleições presidenciais de 1858].

Há várias semanas escrevi aqui uma coluna em que sugeria que um católico de consciência bem formada não pode votar num candidato que é a favor do aborto quando existe outro que se opõe, tal como no passado um católico de consciência bem formada não poderia justificar votar num candidato pró-escravatura ou pró-nazi.

As respostas que recebi sugerem que é fácil perder de vista o que é realmente importante, no meio de um mar de temas secundários.

Alguns acusaram-me de ter comparado Obama a Hitler, apesar de o nome do Presidente nunca ter aparecido no artigo. Trata-se de uma incompreensão sobre analogias, que envolvem sempre a comparação de coisas diferentes.

Se eu disser que o terço está para o dominicano como a espada está para o soldado, não estou a equiparar os dominicanos aos soldados. Antes, estou a contrastar a relação que o dominicano tem com o seu terço com a que o soldado tem com a sua espada (ambos a usam à cintura). A questão é que, tal  como os nossos antepassados, nós também temos de enfrentar desafios morais cruciais.

Outros responderam com o argumento de que os cortes propostos para o sistema de saúde  Medicare poderão trazer um aumento de abortos, apesar de não haver quaisquer dados estatísticos que o sustentem. Isto sem mesmo ter em conta que, por um lado, se agora não fizermos nada sobre o Medicare terá de haver cortes muito mais preocupantes no futuro e, por outro, que não podemos tomar decisões sólidas com base em consequências imprevisíveis. 

Hoje em dia não teríamos muita paciência para alguém que, em 1858, argumentasse que ia votar em Douglas porque, se a economia melhorasse, talvez diminuísse a pressão para alargar a escravatura.

Que diríamos sobre um eleitor desses se a economia acabasse por não melhorar – se, pelo contrário, piorasse bastante – e ele continuasse a votar no Douglas? Começaríamos a pensar que as preocupações expressas pelos escravos eram afinal uma mentira, para dar cobertura aos seus verdadeiros interesses.

Também houve quem afirmasse que certos candidatos actuais não são suficientemente pró-vida, ou que “não faz qualquer diferença”. Na altura de Lincoln também se faziam argumentos do género, de que não era suficientemente anti-escravatura (e na verdade não era), ou de que não seria capaz de mudar nada. Mas isso não passa de sofismas.

Não vivemos num mundo de candidatos perfeitos, mas pense no seguinte: No dia em que um presidente pró-vida assumir funções: A proibição de usar fundos públicos para promover abortos no estrangeiro volta a aplicar-se; As leis contra a experiências com células estaminais embrionárias também; Isto para não falar na possibilidade de se poder nomear um juiz do Supremo Tribunal (ou dois), que poderia votar contra o aborto em vez de a favor, o que seria certamente o cenário contrário.

A única forma de refutar a proposição de que um católico com consciência bem formada não pode votar a favor de um candidato pró-aborto quando existe outro que seja pró-vida, da mesma forma que não poderia votar a favor de um candidato que fosse pró-escravatura ou pró-nazi, seria argumentar que: (A) Um católico de consciência bem formada poderia ter votado a favor de um candidate pró-escravatura ou pró-nazi (será que alguém acredita nisso?), ou (B) Que o aborto não é um mal tão grave como a escravatura ou o genocídio Nazi.

É importante realçar que o juízo sobre a gravidade moral do aborto não é meu, é da Igreja. Quem praticar, ou cooperar formalmente na prática de um aborto incorre em excomunhão automática à luz do direito canónico (cânone 1398).

A declaração sobre aborto provocado, publicado pela Congregação para a Doutrina da Fé em 1974 afirma: “O primeiro direito de uma pessoa humana é a sua vida. Ela tem outros bens e alguns deles são mais preciosos; mas este — da vida — é fundamental, condição de todos os demais.”

Na exortação apostólica Christifideles Laici, João Paulo II afirma:
“Ora, a inviolabilidade da pessoa, reflexo da inviolabilidade absoluta do próprio Deus, tem a sua primeira e fundamental expressão na inviolabilidade da vida humanaÉ totalmente falsa e ilusória a comum defesa, que aliás justamente se faz, dos direitos humanos — como por exemplo o direito à saúde, à casa, ao trabalho, à família e à cultura, — se não se defende com a máxima energia o direito à vida, como primeiro e fontal direito, condição de todos os outros direitos da pessoa.”

Mais, no Evangelium Vitae, João Paulo II deixou claro que, embora haja uma vasta gama de questões ligadas à vida e ataques à dignidade humana sobre as quais nos devemos preocupar, o aborto e a eutanásia são de “outra categoria” e de “gravidade extraordinária”.

Finalmente, em 1998, no documento “Living the Gospel of Life: A Challenge to American Catholics,” os bispos americanos declararam:

“Introduzir o respeito pela dignidade humana na vida política pode ser um tarefa assustadora. Há uma grande variedade de questões que envolvem a protecção da vida  e a promoção da dignidade humana. É frequente pessoas boas discordarem sobre quais os problemas a abordar, que políticas adoptar e a melhor maneira de as aplicar. Mas tanto para cidadãos como para políticos o princípio base é simples: Devemos começar com o compromisso de nunca matar intencionalmente, nem cooperar com a morte de, qualquer vida humana inocente...”

Por outras palavras, há certas escolhas de acção que são sempre incompatíveis com o amor de Deus e com a dignidade da pessoa humana criada à sua imagem. O aborto directo nunca é uma opção tolerável. É sempre um acto grave de violência contra uma mulher e o seu filho por nascer.

A Igreja tem sido tudo menos pouco clara sobre este assunto. A questão passa por saber se os católicos se consideram obrigados a formar as suas consciências de acordo com os repetidos ensinamentos da Igreja e depois agir conforme, ou se preferem tomar a atitude equivalente a tapar as orelhas e gritar: “não estou a ouvir, não estou a ouvir!

Quem tem ouvidos que ouça. O sangue dos nossos filhos clama do chão.



Randall Smith é professor de teologia na Universidade de St. Thomas, Houston.

(Publicado pela primeira vez em www.thecatholicthing.com na Quinta-feira, 11 de Outubro de 2012)

© 2012 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte:info@frinstitute.org

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Wednesday, 22 August 2012

A Guerra de Obama Contra a Liberdade Religiosa

George J. Marlin
Durante a campanha presidencial de 2008, o senador Barack Obama deu aos eleitores a impressão de que rejeitava a posição da elite do Partido Democrata de que os princípios morais são uma imposição na vida política. Tal como tinha dito num discurso em 2004: “Os secularistas estão errados quando pedem aos crentes que deixem a sua religião à porta antes de entrar na praça pública… Dizer que os homens e mulheres não devem trazer a sua “moral pessoal” para o debate público é um absurdo. A nossa lei é, por definição, a codificação da moralidade, muita da qual fundada na tradição judaico-cristã”.

Quatro anos depois sabemos que não só Obama nos enganou, como está decidido a secularizar todos os aspectos da vida americana e a declarar guerra à liberdade religiosa.

Para ter ideia da gravidade do problema, leia “No Higher Power: Obama’s War on Religious Freedom”, de Phyllis Schlafly, fundadora e presidente da Eagle  Forum e George Neumayr, da American Spectator. Este livro explica como Obama abraçou entusiasticamente as tácticas de Saul Alinsky para promover a sua agenda ideológica e a sua carreira política. Uma das máximas de Alinsky que ele praticou foi: “reveste as tuas acções na linguagem da moralidade”.

“No Higher Power” comprova que Obama e os seus subordinado têm estado a impor uma agenda secularista e têm-se esforçado por “fazer do Governo o árbitro da moralidade e subordinar a liberdade religiosa à coerção governamental”. Embora o ataque mais badalado à liberdade religiosa tenha sido o decreto do Department of Health and Human Services de que as instituições católicas devem “financiar contraceptivos, esterilização e pílulas abortivas para os seus funcionários”, tem havido muitos outros assaltos que não têm merecido tanta publicidade.

Aqui ficam algumas selecções do “Índice de Hostilidade de Obama  à Religião”, elaborada por Schlafly e Neumayr:

·        Depois de ser empossado em Janeiro de 2009, Obama revogou uma ordem executiva da era Bush que proibia a transferência de fundos públicos americanos para ONG que praticassem abortos noutros países.

·        A Administração de Obama disse em Fevereiro de 2011 que iam ser eliminadas as objecções de consciência para médicos e enfermeiros pró-vida que trabalham em hospitais com financiamento público.

·        Obama acabou com a tradição de patrocinar um evento na Casa Branca no Dia Nacional da Oração.

·        Obama eliminou o programa de vales-escolares no Distrito de Columbia. A maioria destes vales era usada em escolas paroquiais católicas.

·        A Administração Obama acabou com o financiamento de cursos de educação sexual para a abstinência.

·        O Departamento de Segurança Interna (DOHS) publicou um relatório absurdo que argumenta que os pró-vida poderiam ser uma ameaça séria à Segurança Nacional. Os pró-vida são potenciais terroristas porque o DOHS considera-os extremistas anti-Governo dedicados a uma só causa.

·        O convite ao reverendo Franklin Graham para falar no Dia Nacional da Oração no Pentágono foi cancelada porque o movimento esquerdista Military Religious Freedom Foundation o catalogou, falsamente, como islamófobo. Graham, que explicou à CNN que a acusação era absurda e que, embora não concordasse com todos os ensinamentos, não desejava qualquer mal aos muçulmanos, foi insultado publicamente pelo porta-voz do Pentágono. Segundo o Coronel Tom Collins, as suas visões teológicas sobre o Islão não são apropriadas: “Somos umas Forças Armadas inclusivas. Honramos todas as fés… a mensagem que passamos aos nossos militares e funcionários civis é da necessidade de diversidade e apreciação de todas as fés”.

·        Quando citou a frase da Declaração de Independência: “Todos os homens são criados iguais…”, Obama omitiu as palavras “pelo seu criador”.

·        Em Fevereiro de 2011, Obama ordenou ao Departamento de Justiça que deixasse e defender em tribunal a “Defesa Federal do Casamento” [que define o casamento como sendo só entre um homem e uma mulher, e impede o reconhecimento federal dos “casamentos” entre pessoas do mesmo sexo].

·        O Departamento de Assuntos de Veteranos proibiu a invocação de Jesus Cristo nas cerimónias fúnebres no Cemitério Nacional de Houston. A proibição foi cancelada depois de protestos por parte de veteranos.

·        A Força Aérea cancelou um curso sobre a Teoria da Guerra Justa que tinha sido leccionado há vinte anos porque os conteúdos examinavam pensamento cristão e bíblico. Um porta-voz disse “As chefias olharam para o material do curso e disseram que não, que podemos fazer melhor que isto”.

·        O Centro Médico Walter Reid ordenou que “Itens religiosos (como por exemplo Bíblias e material de leitura) não podem ser oferecidos ou usados nas visitas”. O regulamento foi abandonado depois da reacção negativa por parte do público.

·        O Departamento de Defesa furou a Lei de Defesa Federal do Casamento em Setembro de 2011 ao permitir cerimónias de “casamento” homossexual em instalações militares.

·        A Academia da Força Aérea deixou de participar na Operação Presente de Natal, uma caridade que distribuía mais de oito milhões de pequenos presentes a crianças pobres em mais de 100 países. A razão invocada foi: “Uma mensagem cristã evangélica estava incluída nas caixas”.

·        O Departamento de Educação anunciou em Fevereiro de 2012 que “deixará de perdoar dívidas estudantis em troca de serviço público quando esse serviço for de teor religioso”.

·        Em Fevereiro de 2012 a Força Aérea retirou a palavra Deus do lema do Gabinete de Rapid Capabilities. Agora o lema é: “A fazer milagres com o dinheiro dos outros” em vez de “A fazer o trabalho de Deus com o dinheiro dos outros”.

·        As Forças Armadas avisaram os capelães católicos para não distribuir uma carta do Arcebispo Castrense, Timothy P. Broglio, porque criticava o decreto do Department of Human Health and Services sobre contracepção e aborto nas instituições católicas.

Estes são só alguns exemplos do ataque da Administração de Obama contra a liberdade religiosa. Para aprender mais, compre um exemplar de No Higher Power.


(Publicado pela primeira vez na Quarta-feira, 22 de Agosto de 2012 em http://www.thecatholicthing.org)

George J. Marlin é editor de “The Quotable Fulton Sheen” e autor de “The American Catholic Voter”. O seu mais recente livro chama-se “Narcissist Nation: Reflections of a Blue-State Conservative”.

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