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Monday, 9 September 2019

Crise? Qual crise?

O Papa Francisco termina hoje, de facto, a sua viagem a África, embora só regresse a Roma amanhã. Esta segunda-feira foi passada nas Ilhas Maurícias, onde pediu aos habitantes que sejam fiéis ao seu ADN e acolham os migrantes.

Antes, na homilia da missa que celebrou com 100 mil pessoas, disse que a crise de santidade é mais grave que qualquer crise de vocações.

O fim-de-semana foi dedicado ao Madagáscar, onde Francisco agradeceu à persistência do clero mas advertiu também que “a pobreza não é uma fatalidade”. Criticou ainda a “cultura de parentesco” que dá aso à corrupção. Tudo isto num país que tem um bispo português.

Antes, na sexta-feira, despediu-se de Moçambique, avisando que “Nenhum país tem futuro se o que o une é a vingança e o ódio”.

Fiquem ainda a conhecer o projecto LabOratório.

Monday, 1 July 2019

Os novos negreiros e os bloquistas de direita

Lembram-se da polémica por causa da Isabel Jonet? A mulher que, sozinha, já deve ter feito mais para aliviar a fome e a pobreza neste país do que todos os ministros dos últimos Governos, foi arrasada há uns anos depois de ter criticado algumas atitudes esbanjadoras dos portugueses.

Nessa altura a esquerda ao estilo “bloquista” deixou cair a máscara e trucidou-a. É que para eles a Isabel Jonet e todas as “isabéis jonets” deste país, fazem apenas “caridadezinha”. Ao alimentar os pobres não estão a fazer mais do que aplicar um adesivo a uma hemorragia causada pelo sistema capitalista, esse sim o verdadeiro culpado dos males sociais. Pior, ao disfarçar esses males, perpetuam o problema.

Pois agora temos uma nova versão da mesma estratégia, mas em vez da Isabel Jonet o problema é o Miguel Duarte e todos os que, como ele, ajudam a resgatar sírios, afegãos, e africanos de diferentes nacionalidades, de botes à deriva no Mediterrâneo.

E agora é malta de direita – de uma certa direita – que aponta o dedo. Não é que o Miguel Duarte e seus colegas são, aos olhos destas pessoas “negreiros”? Sim, leram bem. Para muitos críticos um homem que deixa o conforto da sua casa e do seu trabalho e vai viver para alto mar durante semanas a fio, retirando da água pessoas que talvez não, mas muito possivelmente sim, iriam morrer, entregando-os depois num porto seguro é equiparado a traficante de escravos.

Dizem os críticos que o Miguel Duarte e companhia são parte do problema, que não são a solução para a crise dos migrantes. Duvido que alguém tenha dúvidas disso. Duvido que o Miguel pense que ao tirar homens, mulheres e crianças do Mediterrâneo está a contribuir para melhorar o regime da Eritreia ou pôr fim à guerra na Síria. Mas há ali homens, mulheres e crianças a ser salvas e o seu afogamento também não trava guerras nem depõe ditadores.

Apliquemos, então, a lógicas dos “negreiros” a outras áreas. Afinal de contas, os amigos da Sea-Watch não são os únicos a fazer “a caridadezinha”.

Já ouviram falar daquelas freiras que saem de noite para ajudar prostitutas? Convidam-nas a entrar numa carrinha para beber um chá quente, comer uma bucha. Dão-lhes um cartão e convidam-nas a pensar em mudar de vida. Conhecem? Pois bem. Segundo esta lógica são chulas. Com aqueles gestos de amizade, a melhorar um bocado a vida daquelas mulheres, que mais estão a fazer se não a perpetuar a exploração sexual? Anátema!

As várias instituições que existem por todo o país, fundadas por ativistas pró-vida depois do primeiro referendo ao aborto em 1998? Que ideia é aquela de dar roupa, estadia e comida quente a miúdas que engravidam aos 16 anos? Assim não estão a resolver o problema da gravidez adolescente! Estão, pelo contrário a incentivar a sexualidade desregrada… Assim reza a lógica dos “bloquistas de direita”.

A Comunidade Vida e Paz? Alimenta redes de pobreza e de exclusão. Madre Teresa de Calcutá? Ui! O Christopher Hitchens é que tinha razão

Mas sobre estes, curiosamente, os bloquistas de direita não falam. Se calhar, afinal, o problema está em quem está a ser alvo da caridadezinha, e não de quem a pratica. O problema com os “novos negreiros”, aparentemente, não está nos “eiros”.

Deixem-me dizê-lo claramente, agora sem ironias. Nojo. Não há outras palavras para isto. É um nojo e deviam ter vergonha.

Wednesday, 2 September 2015

Deixem-nos entrar!

A Europa está dividida sobre o que fazer em relação à crise dos refugiados que nos batem à porta a pedir uma oportunidade de vida. Dos refugiados que vêm de contextos de tal forma desesperados que estão dispostos a arriscar a vida só para tentar ter uma vida melhor.

Temos aqui vários dramas.

Em primeiro lugar há o drama dos que tentam fazer as viagens intermináveis por terra, ou mais curtas e letais por mar. Não é uma crise que se compreenda com números, é uma crise que se conta com vidas e histórias individuais. Cada refugiado que é retirado morto do Mediterrâneo ou do porão de um navio, é uma pessoa profundamente amada e desejada por Deus, uma pessoa com potencial para o bem e para o mal, para a grandeza; amada por um pai e por uma mãe, que ama profundamente os seus filhos, que brincou em criança, que correu e fez asneiras, que chorou um primeiro coração despedaçado. São homens e são mulheres e estão a morrer para tentar ter um pedaço desta vida que nós vivemos e que ainda nos atrevemos a dizer que é de crise.

Há ainda o drama dos países e das realidades de origem, que é um drama pintado em tons de guerra e de violência, razão da fuga.

Mas o drama que mais me aflige – já que os outros sempre os teremos connosco – é o drama de que nós somos personagens. Com estas vagas de pessoas a bater-nos à porta, a suplicar pelas suas vidas para entrar, que haja sequer um debate sobre como agir e se devemos abrir a porta ou não revela uma fraqueza moral da Europa de tal forma profunda que nos deve entristecer e chocar.

Deixem-me colocar isto na primeira pessoa, para não andar apenas pelo reino das teorias, que são tão fáceis… O meu avô inglês combateu na Segunda Guerra Mundial. Perdeu dois irmãos no conflito. Casou em Londres ao som de rockets V2 e teve o copo-de-água num hotel cuja parede tinha sido destruída na véspera.

O meu avô português era piloto da força aérea e durante a guerra foi para Inglaterra receber formação de jactos que Portugal ia comprar aos britânicos. Durante pelo menos uma das sessões de formação o instrutor inglês detectou aviões alemães e informou os seus formandos portugueses de que tinha de os atacar. Eles, contra todas as convenções e ordens, juntaram-se a ele.

Tenho como um dos maiores orgulhos do meu património familiar o facto de, numa altura em que a Europa se dividia entre o mais puro do mal e aqueles que resistiam, ambos os meus avôs não só estavam do lado certo como foram à luta. Ambos, certamente, agiram com base na sua educação e nos valores cristãos que sempre os animaram.

Eu sou também herdeiro desses valores. Num outro tempo, noutras circunstâncias, mas são valores que transpõem todos os tempos e todas as circunstâncias. A verdade é assim mesmo.

Portanto digo em nome próprio, a quem é de direita ou de esquerda, a quem é conservador ou liberal, a quem é ateu ou crente, a quem é católico ou protestante… Enquanto houver um homem ou mulher a bater desesperado à nossa porta e esta não se abrir, devíamos cobrir a cara de vergonha e lavar a boca antes de reivindicar uma cultura e valores cristãos.

Sim, eu ponho esta questão em termos religiosos porque é isso que sinto. Esta crise é uma prova ao nosso Cristianismo. E choca-me que aqueles que alertam para o perigo de uma “invasão” de estrangeiros para a cultura e civilização da Europa não percebam, pobres almas, que são eles mesmos o mais visível sinal da morte dessa mesma civilização.

Deixem-nos entrar.

Por amor do Santo Deus, do Senhor dos Céus e da Terra, do Cristo que foi refugiado no Egipto, deixem-nos entrar!

Ou então mantenham as portas fechadas, mas nesse caso retirem definitivamente os crucifixos das paredes, os nomes de santos às terras e às escolas e atirem-nos todos ao mar, porque definitivamente deixámos de os merecer.

Filipe d'Avillez

Friday, 9 March 2012

A migração pela perspectiva da religião e em defesa do casamento

Cerca de metade dos migrantes no mundo são cristãos. Mesmo na Europa, ao contrário do que alguns tentam fazer passar, são mais os migrantes cristãos do que muçulmanos. Curiosidade? A maior parte dos migrantes budistas vai para os EUA…


E hoje no Vaticano Bento XVI encorajou os bispos americanos a defender o casamento tradicional, isto dias depois de mais um estado ter reconhecido o “casamento” homossexual.

Monday, 27 February 2012

Os enjoos de Rick Santorum e os amigos de Israel

O Patriarca de Lisboa e o Papa Bento XVI assinalaram ontem o primeiro Domingo da Quaresma. O primeiro, que ontem fez 76 anos, falou sobre o catecumenato e o segundo sobre o casamento.


Na Nigéria mantém-se o ataque aos cristãos. Três pessoas morreram durante um ataque suicida em Jos.


E por fim, em Israel o responsável pelos lugares santos católicos queixou-se ao presidente de uma onda de vandalismo contra locais cristãos. Faz tudo parte de uma campanha contra o desmantelamento dos colonatos judaicos.


Friday, 20 January 2012

"Kikos" aprovados, migrantes discutidos e bilhar episcopal

O “nosso” grupo no Facebook arrancou bem e já conta com cerca de 70 pessoas. Divulguem entre os possíveis interessados, é uma boa forma de partilharmos opiniões e sugestões.

O Vaticano aprovou hoje, de forma definitiva, os estatutos e a liturgia do movimento Caminho Neocatecumenal. O movimento tem os seus admiradores e detractores, uma das questões polémicas é precisamente a liturgia. Aqui podem ver um vídeo que mostra um pouco do espírito dos “Kikos” como são conhecidos, por causa do seu fundador Kiko Arguello.

Hoje entrevistei o Arcebispo de Liverpool, recém-chegado da Terra Santa. Patrick Kelly (na foto a jogar bilhar em Nablus) comenta a situação da Igreja local e, interessantemente, compara-a à Irlanda. Aqui podem encontrar a transcrição completa desta curta entrevista, no inglês original.

Hoje esteve em discussão a Maternidade de Substituição, ou “barrigas de aluguer”. O Padre Vítor Feytor Pinto dá aqui a sua opinião sobre o assunto.

E por fim, durante este fim-de-semana a Igreja debate a situação dos migrantes. Tudo bem com os que vêm para cá, menos bem com os nossos que estão fora…

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