Showing posts with label Randal Smith. Show all posts
Showing posts with label Randal Smith. Show all posts

Wednesday, 3 July 2019

A pré-publicação do padre João

Vai de férias? Não deixe Deus de parte. Os jesuítas ajudam.

A questão dos refugiados continua a mobilizar muita gente. Ao contrário de alguns, que insistem em demonizá-los, estes artistas reuniram-se para mostrar que “somos todos os ‘outros’ uns dos outros”.

Amanhã é publicado o livro “João Seabra – à Sua maneira”, sobre o padre João Seabra. Temos na Renascença um capítulo do livro em pré-publicação, para lerem. O lançamento é às 19h no liceu Pedro Nunes.

O Vaticano vai abrir dois túmulos como parte das investigações sobre o desaparecimento da uma rapariga italiana em 1983.

Hoje temos novo artigo do The Catholic Thing. Randal Smith volta à carga sobre a questão da morte, e como a Igreja pode ajudar a sociedade a lidar melhor com o processo de morte. Este é um dos grandes temas do nosso tempo. Não estamos a lidar bem com o assunto! Não deixe de ler.

Música para os Moribundos

Randal Smith
Quando tinha dezoito anos a Elaine Stratton Hild ofereceu-se para tocar viola de arco no seu hospital local. Logo no primeiro dia uma assistente social pediu-lhe para ir ao quarto de uma mulher que queria ouvir “Amazing Grace”. A mulher estava sozinha no quarto. Fechando os olhos e deixando que a música as envolvesse às duas, Elaine tocou. Quando abriu os olhos percebeu que a senhora se tinha voltado para a janela e deixado de respirar. Morreu a ouvir o “Amazing Grace”.

Mais recentemente Stratton Hild, doutorada em musicologia, tem estado a dedicar-se ao estudo fascinante dos cânticos que as diferentes comunidades entoavam para moribundos na Idade Média. Havia liturgias inteiras para confortar quem estava a morrer. Partia-se do pressuposto que toda a comunidade de amigos e família acompanhariam os moribundos na sua viagem através da morte e para além dela. Presumia-se que ninguém deveria morrer sozinho e que ninguém deveria morrer sem o apoio da comunidade de crentes que cuidariam das suas necessidades físicas, emocionais e espirituais.

Não eram só os medievais que acreditavam nisto. Muitas culturas desenvolveram práticas para ajudar a “acompanhar” os mortos tanto física como espiritualmente. Uma mãe de três filhos, que tinha sido noviça numa comunidade religiosa, disse-me que quando tocava uma certa campainha no mosteiro toda a gente parava imediatamente o que estivesse a fazer e ia para o quarto da irmã que estava a morrer. Então toda a comunidade, incluindo as que não cabiam no quarto, entoava um cântico enquanto ela morria.

Neste mundo moderno e secularizado a maioria de nós já não sabe cuidar dos moribundos. A nossa tendência é para fechar as pessoas num quarto para que ninguém tenha de assistir a este “falhanço” da nossa tecnologia moderna.

Recebi de uma amiga uma descrição do trabalho da Elaine Stratton Hild há algumas semanas, quando publiquei um artigo no The Catholic Thing em que exortava os bispos e padres católicos a aliviar algum do peso das famílias quando morrer um paroquiano. O velório, o terço e o funeral devem ter lugar na Igreja, em plena vista do altar e da cruz, dizia, e não numa sinistra casa funerária, com custos exorbitantes.

Não precisamos de embalsamar os corpos – um desastre tóxico para o ambiente – e as pessoas devem ser sepultadas num simples caixão de madeira, na terra, nos arredores da igreja, como acontece há séculos. Gastar milhares de euros para enterrar um corpo, dando pouca atenção à missa é tão estúpido como gastar milhares de euros num casamento e não pensar na missa. Ah, pois! Também fazemos isso…

Mas ao ouvir Stratton Hild falar do seu trabalho percebi que mal tinha arranhado a superfície da questão com o meu artigo anterior. Agora, acredito que a Igreja deve oferecer a sua ajuda, e a presença consoladora do Corpo de Cristo, não apenas no funeral, mas durante todo o processo da morte. E quando digo “a Igreja” não me refiro apenas aos clérigos.

Não quero com isso menosprezar a importância dos padres e das freiras. Não consigo pensar em nada mais consolador num hospital do que ver uma enfermeira que é também uma freira, de hábito. Os católicos costumavam ver isso a toda a hora, mas hoje em dia já não acontece. (Porquê?) Mas os padres e as freiras não podem fazer tudo, e não podem substituir-se a uma comunidade inteira. Não devemos querer descarregar neles esta responsabilidade, mantendo-a longe da vista, tal como já fizemos com os médicos e as enfermeiras.

Elaine Stratton Hild a fazer pesquisa
A única coisa que todos os moribundos que alguma vez conheci queriam era morrer em casa. Nenhum o fez. E as probabilidades de uma pessoa ter acesso a música, cânticos, uma liturgia comunitária ou a mera presença constante de família e amigos, é quase nula.

Deixámos que a cultura moderna nos atomize, transformando-nos em unidades isoladas. Quando isso acontece deixamos de ter qualquer poder contra as instituições que prometem cuidar de nós, mas que nos ameaçam cada vez mais. A comunidade médica tem um papel importantíssimo a desempenhar no tratamento dos moribundos, mas é apenas uma parte. Ninguém deveria ter de morrer sozinho, num hospital, longe de casa.

Recentemente tive o privilégio de poder participar numa celebração melquita em honra de um homem recém-falecido. Foi uma experiência triste, mas belíssima e profundamente tocante. A única tragédia era o homem não estar lá para o experienciar. E não o digo como piada, o que quero dizer é que há poucas coisas mais belas e consoladoras para uma pessoa que está a morrer do que experimentar este tipo de liturgia.

Precisamos de recuperar as liturgias e práticas comunais que a Igreja usou durante séculos para confortar os moribundos e consolar as suas famílias, antes da sociedade ter decidido que se tratava de um “assunto médico”. Cometemos uma violência contra a pessoa quando não compreendemos a importância e o valor de comer e falar com outros, do riso, do toque, da música, canto e da presença de amigos, família e comunidade. Isto é verdade tanto durante os nossos tempos de saúde como quando estamos às portas da morte.

A morte não é um falhanço humano. É o fim natural da vida humana. Mais, Cristo advertiu os seus seguidores para o facto de que “se o grão de trigo não cair na terra e não morrer, permanecerá ele só; mas se morrer produzirá muito fruto”. Mais tarde São Paulo escreveria que “se já morremos com Cristo, cremos que também com Ele viveremos”. Esta ainda é a nossa fé? Então precisamos de rodear as pessoas com expressões repetidas dessa mesma fé à medida que se aproximam da sua viagem final.

Podem encontrar uma introdução belíssima ao projeto de Elaine Stratton Hild neste curto vídeo.



(Publicado pela primeira vez em The Catholic Thing no sábado, 29 de Junho de 2019)

© 2019 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

Wednesday, 16 March 2016

Penitência, Absolvição e o Perdão dos Pecados

Randall Smith
Estamos na Quaresma. É uma boa altura para nos confessarmos, embora as filas também sejam maiores. Lembro-me de me encontrar no final de uma dessas filas, à espera para me confessar, quando tive um pensamento terrível: E se eu passasse à frente de toda a gente na fila, me ajoelhasse diante do padre e dissesse: “Perdoa-me, padre, porque pequei. Acabei de passar à frente de uma data de pesso
as na fila”.

Será que ele me negaria a absolvição? Provavelmente não. Mas não tenho grandes dúvidas que a minha penitência seria voltar para o fim da fila e rezar Avé Marias até toda a gente acabar de se confessar.

A confissão é uma coisa bizarra. Não só entramos numa pequena divisão onde dizemos, em voz alta, todos os nossos pecados mais sórdidos e secretos, mas ouvimos uma pequena voz que nos diz as palavras do perdão, ainda antes de termos cumprido a penitência. Não devia ser ao contrário? Primeiro a penitência e depois a absolvição?

Claro que não. A penitência não é uma forma de ganhar o perdão de Deus. Aliás, ir-se confessar também não é. Cristo já nos conquistou esse perdão, através do seu sacrifício na Cruz. E esse perdão torna-se presente para nós através do seu Espírito Santo.

Mas se Deus já nos perdoou, e se a confissão torna esse perdão presente para nós de uma forma concreta, visível e audível, então para que serve a penitência?

Mesmo que alguém nos perdoe, isso não quer dizer que nós mudámos de alguma maneira. “Perdoar” é algo que a outra pessoa faz. E eu, que faço? Será que interiorizámos esse perdão? Mudou-nos? Dissemos verdadeiramente que “sim” ao amor transformador de Deus?

Digamos que eu roubo alguma coisa a alguém. Ao roubar, transformei-me num ladrão. Agora, digamos que essa pessoa, porque me ama, e porque não quer mais do que reconciliar-se comigo e fazer de mim seu amigo, ver-me andar para a frente e florescer, perdoa-me. A questão agora é: Será que vou continuar a ser ladrão?

O perdão abre a porta para uma relação modificada e uma vida nova. Mas seria um erro pensar que o perdão é o fim de um processo, quando na verdade é apenas o primeiro passo. O próximo passo é deixar que esse amor mude o meu coração e me coloque num novo rumo para a minha vida. Ninguém que nos ama verdadeiramente e nos perdoa quer que permaneçamos no nosso pecado, da mesma maneira que quem ama e perdoa a um alcoólico não o quer continuar a ver escravo do vinho.

A penitência depois da confissão é precisamente o primeiro desses passos numa nova direcção. Trata-se de compreender que o perdão de Cristo não é apenas algo que existe por aí, num vazio incorpóreo – uma nota de crédito que posso apresentar algum dia quando estiver a enfrentar o Céu ou o Inferno. O amor transformador de Deus não me deixa no meu pecado; o seu objectivo é transformar-me imediatamente. A graça do sacramento funciona mudando o meu coração. E se o meu coração for verdadeiramente mudado, então preciso de começar a viver de forma diferente.

Por isso, depois da confissão, tomo esses pequenos passos num novo rumo, cumprindo por inteiro, e fielmente, a minha penitência. Não porque imagino que ao fazer estas coisas estou a fazer por merecer o perdão e o amor de Deus. Não, nós amamos “porque Deus nos amou primeiro” (1 Jo, 4). Só se eu aceitar o amor e o perdão de Deus é que posso mudar. Basta-me olhar para o crucifixo antes de entrar no confessionário para compreender que Ele me ama e que já me perdoou. Vou-me confessar, não para mudar Deus, mas para deixar que Deus me mude.

É normal que essa mudança não aconteça instantaneamente, nem de forma simples. A graça de Deus trabalha ao longo do tempo, e Deus tem o seu próprio ritmo. Deus não exige que nos tornemos perfeitos num instante. O que Deus pede, e o que o padre nos diz em seu nome, é: “Dá uns pequenos passos. Depois tem fé que eu estarei activo na tua vida, frequentemente de formas que não serás capaz de ver”.

Pode ser difícil confessar-se. Por vezes parece uma espécie de morte. E até é, pois morremos para nós mesmos. Mas esse “morrer para nós mesmos” é necessário se quisermos “viver em Cristo”.

As pessoas estão sempre a perguntar-me porque é que Deus precisa de um padre e da confissão para nos perdoar os pecados. Claro que Deus não precisa nem de uma coisa nem de outra, Ele já nos perdoou os pecados. Nós é que precisamos do padre e da confissão. Somos nós que precisamos de reflectir a fundo sobre as nossas vidas e ganharmos consciência das formas como nos afastámos de Deus. Somos nós que precisamos de coragem para pronunciar, em voz alta, por palavras e a uma pessoa de verdade, os nossos pecados, para que o som ressoe bem alto nos nossos ouvidos e nos nossos corações. E somos nós que precisamos de ouvir as palavras da absolvição, para que saibamos, naquele momento de vergonha e humildade, que Deus nos perdoa.

Os sacramentos tornam presente para nós o amor de Deus de uma forma física. Perguntar para que é que “precisamos” da presença física de um sacramento é como perguntar se na verdade “precisamos” de beijar a pessoa que amamos. Poderíamos amá-la à distância, de uma forma “espiritual”, mas assim a coisa tem muito menos piada. Enquanto seres humanos físicos, a maior parte das pessoas parece achar que a cena dos beijos até é uma coisa boa.

Antes de me converter ao Catolicismo, já adulto, achava que a confissão era uma das coisas mais absurdas que se podia fazer. Mas entretanto compreendi que o acto físico da confissão é um dos melhores aspectos do Catolicismo. É como ser beijado por Deus.


Randall Smith é professor de teologia na Universidade de St. Thomas, Houston.

(Publicado pela primeira vez na quinta-feira, 9 de Março de 2016 em The Catholic Thing)

© 2016 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

Wednesday, 17 February 2016

Erros papais

Randall Smith
Em 1986 o Papa João Paulo II organizou o Dia Mundial da Paz, em Assis, para o qual convidou 160 líderes religiosos, incluindo judeus, budistas, sikhs, hindus, jains, zoroastrianos e membros religiões tradicionais africanas. Alguns católicos ficaram escandalizados. Mais tarde, João Paulo viria a publicar as encíclicas Centesimus Annus (1991), Veritatis Splendor (1993); Evangelium Vitae (1995); e Fides et Ratio (1998). Pergunto: Se um católico tivesse ficado enfurecido pelo encontro de oração de Assis, ele ou ela continua a ser obrigado a oferecer aos ensinamentos destas encíclicas a “submissão religiosa de intelecto e vontade”?

Em 1929 Pio XI assinou o Tratado de Latrão com o Governo fascista de Benito Mussolini, que reconheceu o Vaticano como Estado independente e garantiu à Igreja o apoio financeiro do seu Governo. Muitas pessoas – na altura e desde então – criticaram esta decisão, não só por ter sido um pacto celebrado com fascistas, mas também porque Pio tinha cedido a sua autoridade tradicional sobre os Estados Pontifícios. Esses católicos que acreditam que a decisão de Pio foi um erro são obrigados pelos ensinamentos do Quadragesimo anno, Quas primas, ou Divini Redemptoris?

Em 1633 o Papa Urbano VIII recusou determinantemente a decisão de membros do seu próprio tribunal da inquisição, de que Galileu devia ser perdoado pelo “erro” de publicar o seu “Diálogo sobre os dois principais sistemas do mundo”. Urbano, que tinha sido um patrono e defensor de Galileu, estaria ofendido pelo facto de este ter colocado um dos seus argumentos na boca da sua personagem “Simplício” (o simplório). A decisão do Papa de colocar Galileu em prisão domiciliária teve repercussões negativas para a Igreja até hoje. Esta decisão torna tudo o resto que ele ensinou, sobre fé e moral, inútil?

Há que fazer algumas distinções. A Igreja defende que os papas podem, em determinadas circunstâncias e quando o pretendem explicitamente, pronunciar-se de forma infalível sobre questões de fé e de moral. Em toda a história da Igreja há talvez oito proclamações que encaixam nesses requisitos. A maioria dos ensinamentos dos papas acarretam autoridade, mas não infalíveis, pedindo não o “assentimento da fé”, como fazem os infalíveis, mas “a submissão religiosa de intelecto e de vontade”.

Pode, então, ser lícito a um católico fiel discordar de um ensinamento com autoridade mas não infalível de um Papa? Sim, pode. Se a pessoa tiver investigado diligentemente o ensinamento em questão e se, depois de séria reflexão e oração, sentir que é necessário proceder a uma correcção fraterna, então poderá expressar publicamente o seu desacordo desde que: A) As suas razões forem sérias e bem fundamentadas; B) a discordância não impugnar ou questionar a autoridade da Igreja para ensinar e C) se a natureza da dissensão não for tal que dá origem a escândalo.

Já várias vezes pensei que estas regras servem igualmente para qualquer outra situação em que estamos em desacordo com alguém. Devemos ter boas razões por detrás da nossa posição; devemos fazer todos os esforços para não impugnar a integridade ou as boas intenções do nosso interlocutor; e devemos argumentar de forma a não criar escândalo. Raramente conquistamos os outros (incluindo os meros observadores) adoptando uma atitude agressiva. Normalmente só se consegue dar má imagem do nosso lado.

Estamos conversados, portanto, quanto a ensinamentos do Papa.

João Paulo II no encontro de Assis
E sobre as acções do Papa? Será que em conjunto com o dom da infalibilidade, os Papas têm também o dom da impecabilidade? Um carisma especial que os impede de cometer qualquer erro?

A Igreja nunca defendeu tal coisa. Muito pelo contrário, aqueles que mais acerrimamente defenderam a infalibilidade sempre fizeram questão de a distinguir de impecabilidade precisamente porque A) é claro que vários Papas cometeram pecados graves e, B) é uma questão de fé acreditar que todos os papas são pecadores, tal como qualquer um de nós, necessitados da Graça salvífica de Deus, conquistada através da morte e ressurreição de Cristo. Não adoramos o homem; respeitamos o seu cargo e temos fé nas promessas de Cristo de estar com a Sua Igreja até ao fim dos tempos e de enviar o seu Espírito Santo para a guiar e proteger.

Há anos alguém me disse que o Papa João Paulo II não dava comunhão na mão, o que provava que estava a condenar essa prática. Eu sugeri que se o Papa quisesse comunicar tal mensagem, então tinha diversos canais oficiais pelos quais o podia fazer. Existe uma espécie de idolatria papal que, a longo prazo, não é útil. Que diria hoje esse meu amigo? Se continua a confundir as acções pessoais do Papa com ensinamentos oficiais, então deve estar confuso – e zangado.

Observar cada acto do Papa para discernir o seu significado político é o tipo de tolice que levou certas pessoas a condenar Cristo por comer com prostitutas e cobradores de impostos. Dizia-se que tais actos “causavam escândalo”, “semeavam discórdia” e “revelavam apoio aos inimigos da Igreja”. Talvez, talvez não. “O tempo dirá onde se encontra a sabedoria”.

Alguns papas cometeram grandes erros. Mas todos os papas cometem alguns erros, afinal de contas, são humanos. Se anda à procura de perfeição e impecabilidade, está à procura de uma Igreja que não existe, uma promessa vazia do Pai das Mentiras, e não aquela que foi fundada por Cristo.

Ficar confuso ou desapontado com um papa é coisa que não falta na história da Igreja. Mas os católicos que imaginam que eles é que têm a autoridade para estabelecer a fasquia canónica pela qual o ensinamento deste ou de qualquer outro papado pode ser julgado estão simplesmente a demonstrar que afinal de contas sempre foram protestantes e que a sua visão da autoridade é a mesma que caracteriza em demasia a política americana, a ideia de que a função da autoridade é fazer o que eu mando e esmagar os meus opositores.

A Igreja nem sempre foi bem servida pelos seus papas. Mas por outro lado, sempre esteve bem pior nas alturas em que cedeu às vozes moralistas da multidão – especialmente quando clamam “crucifica-o”.


Randall Smith é professor de teologia na Universidade de St. Thomas, Houston.

(Publicado pela primeira vez na quinta-feira, 12 de Fevereiro de 2016 em The Catholic Thing)

© 2016 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

Partilhar