Friday, 3 February 2017

Timothy Radcliffe pede diálogo com conservadores

Timothy Radcliffe
O Papa devia entrar em diálogo com os cardeais que têm levantado dúvidas sobre o seu pontificado, mais especificamente sobre a sua exortação apostólica Amoris Laetitia, diz o teólogo Timothy Radcliffe.

Na mesma entrevista, Radcliffe fala sobre a importância do corpo, a sua visão da homossexualidade e do perigo de as medidas de protecção de crianças irem ao ponto de prejudicar as crianças de outra forma.

Em ano de centenário das aparições, são 100 as pessoas convidadas para falar sobre o fenómeno de Fátima, comopo de ver aqui.

O Papa pede aos católicos que, neste mês de Fevereiro, rezem pelos refugiados e alerta os religiosos professos para os perigos de uma “mentalidade de sobrevivência”.

Se a sua paróquia tem um coro infantil, clique aqui!

Wednesday, 1 February 2017

(Muita) Eutanásia

Cartaz pró-eutanásia, Alemanha, anos 30
Hoje foi o dia em que arrancou o debate da Eutanásia no Parlamento. Ainda passará muita água debaixo da ponte…

A Renascença preparou um grande pacote de reportagens sobre o assunto. Destaco o trabalho da minha colega Matilde Torres Pereira sobre a “excepção” que tem o hábito chato de não parar de crescer e aqui uma reportagem com vídeo que procura mostrar ambos os lados do argumento e que revela a grande necessidade de investimento nos cuidados paliativos. Da minha autoria, um resumo da posição da Igreja sobre a Eutanásia. Temos ainda a opinião da directora de informação Graça Franco, de Ana Sofia Carvalho, especialista em ética da Universidade Católica do Porto A Renascença publicou ainda uma nota de abertura sobre este assunto, a deixar bem clara a posição institucional da casa. Para ver tudo o que se publicou sobre o assunto cliquem aqui.

Enquanto uns se preocupam em legislar a morte, outros apostam em melhorar a qualidade de vida dos mais pobres de entre os pobres. Foi o que fez a Cáritas portuguesa, com uma campanha que vai ajudar mais de 250 famílias na Grécia e na Sérvia.

Dos EUA temos duas notícias sobre Donald Trump. Será que a medida temporária que proíbe a entrada de muçulmanos de sete países é mesmo temporária, ou é um modelo para o futuro? E parece que o próximo juiz do Supremo Tribunal será Neil Gorsuch, que é episcopaliano e conservador (sim, parece que ainda existem).


No artigo do The Catholic Thing de hoje temos Anthony Esolen a lamentar o analfabetismo religioso dos seus alunos. Quando lhes perguntou qual dos apóstolos permaneceu junto à Cruz de Jesus, responderam “Pedro?” “Judas?” “Simão?” “Tomás?” “Paulo?”…

Analfabetismo Religioso e a Evangelização da Imaginação

Anthony Esolen
“Quando Beowulf parte para matar o dragão que tem estado a devastar os campos”, dizia eu aos meus alunos caloiros, há dias, “todos os seus seguidores juram que o acompanharão na batalha. Mas quando a situação aperta, desaparecem. Apenas um deles, Wiglaf, é leal e ajuda Beowulf, mortalmente ferido, a matar o dragão. Não indo ao ponto de dizer que Beowulf é uma figura semelhante Cristológica, o que claramente não é o caso”, continuei, “parece-me seguro dizer que o poeta está a evocar Cristo no Calvário”.

Até aqui, tudo bem. Toda a gente sabe que Jesus foi crucificado. Então perguntei, casualmente: “Qual dos apóstolos foi fiel ao ponto de ficar junto a Jesus quando o pregaram na cruz?”. Silêncio envergonhado. Dei-lhes umas pistas. “Aparece em praticamente todas as representações artísticas da Crucifixão. Normalmente é representado como um jovem sem barba, porque segundo a tradição ele era o mais novo dos apóstolos”. Nada. “Jesus falou directamente com ele a partir da Cruz”.

Então cinco dos alunos tentaram adivinhar.

“Pedro?”
“Judas?”
“Simão?”
“Tomás?”
“Paulo?”

As tentativas revelaram mais que o silêncio, e foram mais desencorajadoras.

Dezasseis caloiros universitários, a maioria católicos de uma forma ou de outra, e nem um deles recordava a passagem “mulher, eis o teu filho”.

Ocorreu-me que se tivessem diante do quadro da Crucifixão no santuário da igreja que frequentei quando era criança, em Archbald, Pensilvânia, não seriam capazes de o “ler”. Isso é verdadeiramente bizarro, quando paramos para pensar no que motiva a arte religiosa.

Porque só pintamos uma cena das Escrituras, ou esculpimos em pedra, ou fundimos em vitrais, se pudermos contar que outros cristãos a vão reconhecer. Fazemos parte de uma história partilhada do mundo e a nossa arte fornece aos fiéis uma experiência partilhada, ou uma visão comum de algum momento ou incidente histórico.

O Regresso do Filho Pródigo, de Rembrandt, tem pouco ou nenhum significado se não conhecermos a parábola. Não compreenderemos porque é que o jovem está de joelhos, nem por que razão tem os sapatos desfeitos ou porque é que os que observam estão trajados com mantos reais.

Em certo sentido estamos perante uma verdadeira inversão. Os analfabetos da Idade Média, quando os livros eram raros e caros e, por isso, havia pouca ou nenhuma razão para que um agricultor ou um moleiro soubessem ler, estavam, ainda assim, imersos em histórias. Os quadros e os vitrais eram simultaneamente uma expressão da fé e um elemento de instrução da mesma.

A crucifixão, de Hendrick ter Brugghen
Essa expressão e instrução abrangiam ainda a riqueza de orações e de hinos que as pessoas ouviam e conheciam de cor. Quando se inventou a imprensa, os livros tornaram-se mais acessíveis, dando às pessoas comuns uma razão prática para aprender a ler. Todos os salmos, as orações da missa e a liturgia das horas, para além de incontáveis orações, hinos e relatos das vidas dos santos, estavam de repente ao alcance.

Mas tudo isso é passado. Os nossos jovens sabem ler, mais ou menos – as nossas escolas abandonaram em larga medida tanto a poesia em geral como a literatura inglesa escrita antes de ontem à tarde.

Mas no que diz respeito às histórias da Escritura e da fé, não estão em melhor posição que os índios pagãos, olhando deslumbrados para os símbolos estranhos que comunicavam com o sacerdote a partir do seu livro. Aliás, em certo sentido estão ainda em pior situação. Os Huron e os Iroquois tinham séculos de histórias poéticas imemoriais para os ajudar a compreender o mundo. Os nossos pobres sub-pagãos têm apenas o Homer Simpson e o Han Solo.

Que fico claro que não estou a sugerir que eu, na idade deles, estava em muito melhor posição. Certo, conhecia os Evangelhos de trás para a frente, bem como as principais histórias do Antigo Testamento. Mas para além disso, também eu sofria de analfabetismo religioso.

Durante seis anos frequentei a escola de São Tomás de Aquino e não aprendi nada sobre São Tomás de Aquino. Assistia frequentemente à missa naquela igreja, mas era incapaz de reconhecer Santo Inácio e São Francisco Xavier nos vitrais. O guarda-roupa na sacristia tinha gravado nas portas um pelicano medieval com as suas crias, com uma frase do hino eucarístico de São Tomás, mas eu não fazia ideia do que se tratava. Ninguém falava do assunto. O elo histórico tinha sido quebrado.

Permitam-me fazer então o diagnóstico, da forma mais crua que posso. Não há catequese que compense esta lacuna. Se a sua imaginação for formada pelo entretenimento de massas – se o Spock lhe for mais familiar do que Abraão e Moisés, se consegue cantarolar o último sucesso da Madonna, mas não consegue identificar as palavras de Jesus sobre os lírios do campo – então é como um pagão que acaba de ser baptizado, mas que ainda só tem uma ideia vaga do que significa ser cristão.

Não admira que os antigos vikings, acabados de evangelizar, pensassem que podiam continuar a pilhar como tinham feito. Da mesma maneira não nos deve surpreender que os novos pagãos, praticamente sem evangelização, pensem que podem continuar a matar crianças no ventre, ou caminhar alegremente rumo a Sodoma.

C.S. Lewis, influenciado por antigos filósofos e poetas, dizia que a cabeça governa a barriga através do peito. Pois o peito é o reino da arte imaginativa, que nos inspira com contos de valor e de santidade, ou que então degrada com contos de hedonismo, cinismo, ateísmo e depravação.

Temos de evangelizar a imaginação. Jesus ensinou através de histórias. Isso não nos devia dizer alguma coisa?


Anthony Esolen é tradutor, autor e professor no Providence College. Os seus mais recentes livros são:  Reflections on the Christian Life:How Our Story Is God’s Story e Ten Ways to Destroy the Imagination of Your Child. 

(Publicado pela primeira vez na segunda-feira, 30 de Janeiro de 2017 em The Catholic Thing)

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The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

Tuesday, 31 January 2017

Manif contra a eutanásia, amanhã

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Vai haver amanhã uma manifestação contra a eutanásia, no dia em que o assunto começa a ser discutido no Parlamento. É em cima da hora, é a meio de um dia de trabalho… é tudo isso, mas é o que há. Se puder ir, vá; se não puder, divulgue. É o meu caso.

A paróquia de São Brás, em Évora, faz 50 anos. Há todo um programa de festejos.

Quem também faz 50 anos em breve é a Universidade Católica, que também organizou uma conferência para assinalar o facto. Tudo aqui.

O homem de 27 anos que ontem matou seis pessoas numa mesquita, no Canadá, é admirador de Trump e de Marine Le Pen, aparentemente.

Friday, 27 January 2017

Auschwitz recordado em dia de Marcha pela Vida

Cliquem para aumentar
Faz hoje 72 anos da libertação de Auschwitz. O assunto não foi esquecido pelo Papa, que recebeu em audiência líderes de comunidades judias na Europa. Também hoje se soube que na Alemanha, nos últimos tempos, os ataques a judeus duplicaram.

O Papa disse também esta sexta-feira que são as pessoas que vivem “situações miseráveis” que estão mais sujeitas ao fundamentalismo. Disse-o num encontro com representantes da Igrejas Cristãs do Médio Oriente.

Encontra-se em Portugal por estes dias um arcebispo paquistanês que vai deixar o seu testemunho sobre a perseguição por parte de fundamentalistas islâmicos. Saiba aqui onde e quando pode ir ouvir monsenhor Sebastian Shaw.

No final da semana de oração pela Unidade dos Cristãos, católicos e evangélicos assinam uma declaração comum sobre o valor da vida. Ontem sete associações de profissionais católicos assinaram uma declaração conjunta de apoio à petição que pede aos deputados que não aprovem qualquer legalização da eutanásia ou morte assistida.

Por falar em unidade dos cristãos, amanhã há um encontro em Sintra. Cliquem no cartaz para ver os detalhes.

Está neste momento a decorrer em Washington a marcha pela vida. São centenas de milhares de pessoas nas ruas, mas desta vez o alvo das críticas não é Trump, é o aborto.

Thursday, 26 January 2017

Demissões Maltesas e igrejas feias, salvas

A malta não se curte
O grão-mestre da Ordem de Malta demitiu-se a pedido do Papa Francisco… Vejamos se esta medida põe termo à polémica… Não sei não…

A China reforça a repressão sobre religiões organizadas. Os católicos são perseguidos, mas não são os únicos.

O bispo de Bragança-Miranda diz que está a aguardar a visita do Papa em Maio com “oração, carinho e estima”.

No Porto há actualmente seis processos de canonização em marcha. O bispo quer reforçar o empenho nas iniciativas, que pode conhecer aqui.

No artigo desta semana do The Catholic Thing em português, o nosso querido Randall Smith diz-nos onde encontra sinais de esperança para o futuro… É na arquitectura religiosa, nomeadamente em algumas das renovações de igrejas feias que se têm feito nos Estados Unidos. Já agora recupero um post que fiz no blog há vários anos sobre igrejas extraordinariamente feias… É sempre giro rever.

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