Tuesday, 1 July 2014

Papa v. Guardas e despedidas rabínicas

"Keep on rockin in Italy, Rabbi"
O rabino Eliezer Shai di Martino, responsável pela sinagoga de Lisboa nos últimos sete anos e parceiro valioso do diálogo inter-religioso em Portugal, parte hoje para Itália. Leva saudades e deixa-as também. Podem ler aqui a sua última entrevista como Rabino de Lisboa.

Realiza-se neste momento o Suíça – Argentina. Imagina-se um ambiente tenso no Vaticano, entre os guardas suíços e o homem a quem juraram lealdade

Os bispos americanos mostraram-se agradados com a decisão do Supremo Tribunal americano de ontem. Obama nem por isso.


O Vaticano condenou esta segunda-feira a trágica matança de três jovens israelitas que tinham sido sequestrados pelo Hamas, isto enquanto o Estado Islâmico, como se chama agora o Estado Islâmico do Iraque e do Levante, declarou um califado e diz que todos os muçulmanos lhes devem jurar lealdade.

Amanhã é dia de novo artigo do The Catholic Thing, mas enquanto esse não aparece, não deixem de ler o da semana passada, que explica como chegámos ao ponto em que um pasteleiro tem mais obrigações para com um casal do que os esposos têm um para com o outro…

Monday, 30 June 2014

Derrota contraceptiva para Obama... e muito mais!

Que diria a freira mais destemida do faroeste
sobre o "mandato contraceptivo?
Temos muita coisa hoje, mas vamos começar por uma notícia de última hora… O Supremo Tribunal dos EUA decidiu contra o Governo americano no caso “Hobby Lobby”, que diz respeito ao mandato contraceptivo do ObamaCare. É uma importante vitória para a liberdade religiosa. Saiba tudo aqui. Há ainda contextualização aqui e aqui.

Antes de sair dos EUA, conheça a fantástica história da freira mais destemida do faroeste, que poderá estar a caminho da santidade. A irmã Blandina enfrentou, entrou outros, o famoso Billy the Kid…

Este fim-de-semana tivemos três notícias importantes do Papa Francisco. No domingo foi a missa da solenidade de São Pedro e de São Paulo, em que o Papa impõe o pálio aos novos arcebispos. Para além de ter perguntado aos presentes do que é que têm medo, o Papa fez questão de usar um pálio “normal” em vez do “Papal”, o que pode ser mais significativo do que uma mera questão de moda.

Mas mais interessante foi a entrevista que o Papa concedeu a um jornal italiano, em que disse que, em relação à pobreza, “os comunistas roubaram a bandeira” ao Cristianismo.

Antes, no sábado, o Papa tinha dado um recado importante sobre o diálogo ecuménico. Falando a uma delegação ortodoxa, Francisco convidou todos a olharem-se pelos olhos da fé.

Temos ainda para si uma entrevista com um padre nigeriano em Portugal, sobre a situação na Nigéria com os ataques do Boko Haram, bem como as últimas de Meriam Ibrahim que foi novamente libertada e encontra-se na embaixada americana no Sudão.

Mudando de ares, começou este fim-de-semana o Ramadão. O Sheikh David Munir explica quais são as dificuldades de não comer nem beber, em pleno verão, durante 17 horas e esclarece que os jogadores da selecção argelina não são obrigados a jejuar hoje, o dia em que jogam os oitavos de final do Campeonato do mundo. Pode ler a transcrição integral da entrevista aqui.

Para terminar, na passada sexta-feira a RTP transmitiu uma reportagem difamatória sobre uma pessoa que me é muito próxima. Porque a conheço e porque me dei ao trabalho de conhecer o caso, escrevi este artigo que vos convido a ler.

Selecção argelina não precisa de jejuar

Transcrição integral da entrevista ao Sheikh David Munir, sobre o início do Ramadão. As notícias respectivas podem ser encontradas aqui e aqui.

Quando é que começou o Ramadão?
Hoje [Domingo dia 29 de Junho] é o primeiro jejum do Ramadão. De acordo com o calendário islâmico o dia muda ao pôr-do-sol, portanto desde ontem ao pôr-do-sol, das 21h10 entrámos no mês do Ramadão. Como o jejum é durante o dia, das 4h10 até às 21h10 é o tempo em que os muçulmanos adultos saudáveis estão em jejum.

O Ramadão calha este ano muito em cima do Verão. Isto traz dificuldades acrescidas. São quase 17 horas de jejum…
É normal que quando os dias são mais longos ficamos mais horas sem comer e sem beber. Quem não come e não bebe durante muitas horas, o corpo ao fim do dia torna-se um pouco frágil. Mas também valorizamos mais aquilo que temos e sentimos mais na pele o que o outro não tem, porque há muita gente que não tem o mínimo, não come porque não tem, não é porque está em jejum, é porque não tem mesmo.

O jejum vem-nos dar um certo valor daquilo que temos e olhar sempre para os que têm menos que nós.

Que recomendações fazem aos fiéis?
Deus prescreveu o jejum para nós nos tornarmos piedosos, portanto cada um analise, verifique, faz uma auto-reflexão do seu ego, da sua própria pessoa, até que ponto cria uma aproximação com o criador. Tento ver o dia que passa. Pôr em prática o que Deus disse para fazer, uma boa conduta, tentar ser um bom cidadão, um cidadão exemplar, respeitar o próximo, pôr em prática os bons hábitos e costumes, e é claro que o Ramadão é considerado um mês de treino, porque não é só o jejum físico, mas também o espiritual. Controlar a sua língua, controlar os seus desejos, não difamar, não caluniar, não insultar, tentar ser o melhor possível.

E recomendações por causa do calor? Há pessoas que não podem deixar de trabalhar neste mês...
Essas pessoas têm de tentar mudar os seus hábitos em termos de alimentação, porque come-se muito cedo. Têm de ser pacientes e caso seja possível convencer o patronato para que haja uma alteração do horário. Se não, tenta cumprir com muita paciência e naquilo que for possível. Quem não consegue mesmo jejuar não deve jejuar.

A Argélia é o único país muçulmano a chegar aos oitavos de final do Mundial. O facto do jogo ser já em tempo de Ramadão pode afectar?
Em primeiro lugar, quando uma pessoa está de viagem está dispensado do jejum. Terá de jejuar os dias que não o fez, depois do Ramadão. Isso já dispensa, independentemente de estar a participar num campeonato de futebol, ou do que for.
Por outro lado, duvido muito que os jogadores, sabendo que vão participar nesta competição, nos dias de jogos, jejuem. Farão certamente esse jejum depois do Ramadão.

Do ponto de vista religioso, então, é justificável dispensarem o jejum?
É justificável, sim.

Tendo em conta que Portugal já foi eliminado, há alguma afinidade dos muçulmanos para com a Argélia?
A afinidade que a comunidade islâmica tem é para com Portugal, estamos muito insatisfeitos pela prestação que infelizmente a nossa selecção teve. Há várias razões, não vamos agora falar delas. Mas claro que um país islâmico participa e por isso há sempre aquele sorriso, aquele olhar, apoiar os nossos irmãos muçulmanos. Mas que ganhe o que jogar melhor. E não nos podemos esquecer que há muitos turcos muçulmanos na selecção alemã também!

Wednesday, 25 June 2014

Sacanices sudanesas, pasteleiros e casamentos

Vida salva pelo TEDH
O caso da sudanesa cristã, Meriam Ibrahim, já passou os limites do razoável. Agora parece que o Sudão está só a gozar connosco. Então não é que a mulher foi detida porque viajava com passaporte do Sudão do Sul, obtido em virtude de ser casada com um cidadão desse país… mas o Sudão não a reconhece como cristã, por isso não reconhece o seu casamento com um cristão e por isso também não reconhece o seu direito a ter um passaporte do Sudão do Sul…


E o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem impediu, numa decisão tomada na noite de ontem, um caso de morte assistida em França. O debate sobre a Eutanásia está de novo ao rubro.

Andámos ao longo das últimas décadas a brincar com o conceito de casamento. O resultado? Actualmente: “É mais difícil para um pasteleiro no Colorado deixar os seus clientes, do que os parceiros num “casamento” homossexual no Massachusetts deixaram-se um ao outro.

Amor Mais Fraco que o Comércio

Francis J. Beckwith
Até há pouco tempo o casamento era concebido universalmente como sendo constituído de três características essenciais: conjugalidade, permanência e exclusividade. As leis em vigor reflectiam, no geral, este conceito.

A conjugalidade refere-se à forma como o casamento é consumado: coito entre esposos masculino e feminino. A permanência refere-se ao facto de o casamento não poder ser dissolvido (ou anulado) sem que certas condições específicas sejam cumpridas ou um dos parceiros morra. A exclusividade refere-se ao facto de os esposos não poderem ter relações de intimidade sexual fora do casamento.

A conjugalidade só é uma condição devido à natureza da relação sexual, que se destina à criação de prole através da união dos dois corpos. É por isso que apertos de mão, abraços, beijinhos e outras formas de toque, penetração ou intimidade não preenchem este requisito.

É também por isto que é errado dizer-se que todas estas outras formas de relacionamento são indistinguíveis daqueles actos conjugais que, devido a doença ou idade, não podem gerar filhos. Estes actos, embora estéreis, não deixam de ser actos conjugais, da mesma maneira que um homem não deixa de ser um animal racional só porque se encontra em coma e deixou de poder exercer as suas faculdades racionais.

Tal como o doente ainda possui dignidade humana apesar de não conseguir exercer as suas capacidades humanas, o acto conjugal estéril entre um marido e a mulher possui a mesma dignidade, precisamente porque actualiza a mesma união misteriosa e profunda que é, pela sua natureza, ordenada para a criação de uma pessoa única e insubstituível que, literalmente, encarna a união.

Dada a natureza sagrada da conjugalidade, um conceito que em tempos era aceite sem qualquer controvérsia por praticamente toda a gente, a exclusividade e a permanência fazem todo o sentido, especialmente para quem acredita que as crianças não só se criam melhor com, como têm direito a, um pai e uma mãe, ligados um ao outro sob a autoridade de uma aliança cujos contornos não têm competência para dissolver ou mudarem meramente pelo consentimento.

Claro que tudo isto – conjugalidade, permanência e exclusividade – já não é um dado adquirido e, para muitos dos cidadãos cuja moral se formou na cultura pós anos 60, pode parecer literalmente incompreensível.

Com a entrada em vigor das leis de divórcio sem culpabilidade, no início dos anos 70, a permanência começou a dissipar. A exclusividade seguiu rapidamente o mesmo caminho. A revolução sexual trouxe consigo não só o desvendar da moral que condenava a fornicação, mas também os conceitos de “swinging”, casamentos “abertos” e mesmo o poliamor. As violações da exclusividade começaram a ser vistas não como intrinsecamente erradas, mas erradas apenas na medida em que os esposos não davam o seu consentimento.

Sem grandes surpresas, estas mudanças levaram à proliferação de nascimentos fora do casamento, mães solteiras (com filhos de uma variedade de pais diferentes), famílias destroçadas e famílias mistas.
 
Casamento moderno: Um esqueleto do que já foi
Consequentemente, não permaneceu nada de especial no casamento. Todas as relações podem, em princípio, ser quebradas, religadas ou removidas desde que exista consentimento dos adultos envolvidos. Contudo, aqueles que não podem consentir, como as crianças, podem ser eliminadas (através do aborto) ou, como qualquer propriedade comum, distribuídos de forma equitativa pelas partes interessadas através de procedimentos judiciais.

Dada esta trajectória, porque é que a conjugalidade há-de se manter? É precisamente isso que insinua a retórica de quem apoia o reconhecimento legal das uniões entre pessoas do mesmo sexo. Isto faz todo o sentido para muitos dos nossos concidadãos, à luz da sua experiência pessoal de terem crescido numa cultura em que lhes foi ensinado que o “casamento” é um artefacto moldado pela nossa vontade e não uma instituição sagrada que não inventámos e à qual as nossas vontades e os nossos corpos ficam sujeitos quando a ela aderimos.

O que nos leva a uma das grandes ironias do nosso tempo. Recentemente um pasteleiro no Colorado foi avisado pelo Estado de que não se podia recusar a fazer e decorar um bolo para um casal do mesmo sexo que se tinha “casado” no Massachusetts, mas ia fazer a festa no Colorado onde, actualmente, essas uniões não são reconhecidas. O pasteleiro tinha-se recusado, por não poder, em consciência, apoiar materialmente um evento litúrgico que as suas crenças teológicas consideram gravemente imoral.

Estranhamente, com o fim das condições de exclusividade e permanência, e agora de conjugalidade, esta decisão significa que cada parceiro de um casamento legalmente reconhecido (ou união de facto) tem literalmente menos obrigações legais um para o outro do que o pasteleiro tem para com o casal. Aparentemente, o Estado acredita que a preservação da relação entre o pasteleiro e o “casal” homossexual é de maior importância para a causa da justiça pública do que fazer o mesmo para as relações que afirma estar a defender.

Dito de outra maneira: É mais difícil para um pasteleiro no Colorado deixar os seus clientes, do que os parceiros num “casamento” homossexual no Massachusetts deixaram-se um ao outro.


(Publicado pela primeira vez na Sexta-feira, 20 de Junho de 2014 em The Catholic Thing)

Francis J. Beckwith é professor de Filosofia e Estudos Estado-Igreja na Universidade de Baylor. É autor de Politics for Christians: Statecraft as Soulcraft, e (juntamente com Robert P. George e Susan McWilliams), A Second Look at First Things: A Case for Conservative Politics, a festschrift in honor of Hadley Arkes.

© 2014 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

Tuesday, 24 June 2014

Monday, 23 June 2014

Triplete africano e mafiosos excomungados

"Estás excomungado padrinho"
Comecemos por um triplete de notícias africanas: Forças quenianas conseguiram hoje uma importante vitória contra os islamitas do Al-Shabaab, baseados na Somália.

Na Nigéria, mais do mesmo, com um novo ataque do Boko Haram, desta vez a uma universidade.

Mas a melhor notícia, nem que seja porque não envolve mortes, vem do Sudão, onde a cristã Meriam Ibrahim, que estava condenada à morte, foi libertada por ordem do tribunal.

O fim-de-semana foi de Corpo de Deus, com a tradicional procissão em muitos pontos do país, incluindo Lisboa. D. Manuel Clemente destacou a importância da presença de Deus em cada um. Leia também o testemunho do Padre José Vieira, que foi missionário no Sudão do Sul durante vários anos, e fala-nos de como se vivia a devoção eucarística naquele país.

Em Roma o dia já tinha sido assinalado na quinta-feira, mas ontem o Papa criticou a tortura e, no sábado, não fez mais nada do que excomungar os mafiosos!

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