Friday, 8 June 2012

Corpo de Deus e amizades no Vaticano


D. António Moiteiro Ramos,
novo bispo-auxiliar de Braga
Espero que tenham aproveitado o feriado de ontem, pois tão depressa não voltarão a fazê-lo, pelo menos cinco anos…

Como de costume realizou-se a procissão do Corpo de Deus, em Lisboa, que foi acompanhado por milhares de pessoas.

Na missa, de manhã, o Cardeal Patriarca D. José Policarpo falou da crise, exigindo que as pessoas sejam sempre postas no centro das políticas. É também isso que pede o novo bispo-auxiliar de Braga, que foi hoje nomeado.

Ontem a missa na Sé de Lisboa contou com convidados especiais, nomeadamente os membros do Fórum Ortodoxo-Católico, que hoje termina. Aqui podem ver algumas fotografias engraçadas tiradas na quarta-feira, perto da Torre de Belém.

O Papa Bento XVI recordou ontem que o sagrado tem também uma função educativa e hoje, de Roma, recordou o início do Euro 2012.


E por fim, a Igreja Luterana da Dinamarca, que é a Igreja do Estado, vai ser obrigada a celebrar “casamentos” homossexuais.

Thursday, 7 June 2012

Coisas que não se vêem todos os dias em Lisboa

Membros do Fórum Ortodoxo-Católico em Lisboa

À direita o chefe da delegação ortodoxa,
o arcebispo Gennadios, do Patriarcado Ecuménico

O bispo Porfirijos, da Igreja Ortodoxa da Sérvia
Com a sua barba muito... ortodoxa

Lado a lado um delegado e outro ortodoxo
Uma boa forma de ver as diferenças estéticas


Católicos e Ortodoxos na fotografia de grupo,
à frente da Torre de Belém

Escusado será dizer que os turistas
acharam o espectáculo fabuloso.

Wednesday, 6 June 2012

O Domingo e a Liberdade


Ontem começou o Fórum Ortodoxo-Católico. O Patriarca de Lisboa recebeu os delegados e, ao jornalista Domingos Pinto, queixou-se de que a Banca não está a cumprir a sua parte no combate à crise.

A crise é o tema do encontro entre católicos e ortodoxos. O Arcebispo de Budapeste teme que se comece a reduzir as pessoas a códigos fiscais.

Aborto Selectivo e a Distorção das Almas

Hadley Arkes
Foi apelidado de um “modesto primeiro passo” na legislação do aborto, um projecto que visava preservar a vida de uma criança que sobrevivesse a um aborto. Foi aprovado finalmente em 2002 sob o título Born-Alive Infant’s Protection Act.

Os defensores do “direito ao aborto” pensaram tartar-se de parte de um esquema para minar esse direito, e claro que era. Mas o desafio para os defensores do aborto era explicar com que moral é que podem justificar votar contra uma medida que visava proteger uma criança que nasceu com vida.

Os nossos opositores ficam sempre ofendidos quando nos atrevemos a levantar este tipo de questões, ou quando os enfrentamos com uma série infindável destas perguntas. Depois de anos a fugir às principais questões morais, acabariam por cair no tipo de argumentos que, como efeito, iriam desfazer o próprio acto de raciocínio moral.

Tinham razão ao pensar que estávamos a tentar dissolver o sentido de “direito” ao aborto, um passo de cada vez. Mas mesmo sendo esse o caso, com que base é que aceitam que se mate uma criança nascida viva?

É verdade que caminhamos passo a passo. A cada passo que damos, pedimos aos liberais que honrem os princípios que eles próprios tornaram lei. Se não se pode discriminar contra os deficientes, como é que se justifica que se possa matar no útero uma criança com síndrome de Down?

Com cada medida, com cada pergunta feita, os defensores do aborto respondem com uma fúria crescente: Uma vez que, pensam, o aborto é do interesse das mulheres e da sua saúde reprodutiva, cada desafio apenas confirma para eles a maldade daqueles que gostariam de encontrar formas manhosas de retirar esses direitos às mulheres.

Essa fúria voltou de novo agora que a Comissão Judiciária da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos apresentou mais um desses passos legislativos, a proposta de banir os abortos com base no sexo. A ideia do Prenatal Nondiscrimination Act (PRENDA) existe há anos e voltou este ano principalmente devido à tenacidade de Trent Franks (R-AZ), o secretário da subcomissão para a Constituição, e o seu formidável e imbatível assessor, Jacki Pick.

Têm-se avolumado as provas, tanto nos Estados Unidos como no estrangeiro, de que com a difusão das ecografias – que nos trazem os meios para descobrir o sexo da criança intrauterina – tem havido uma tendência para preferir machos e abortar fémeas. O resultado tem sido uma deturpação dos rácios de sexo, com efeitos pressagiosos.

Nicholas Eberstadt, que dedicou toda uma carreira à demografia, notou que “o aborto selectivo assumiu uma dimensão comparável a uma guerra global contra meninas bebés”. A situação é tão grave que a Índia, o Reino Unido e até a China proíbem abortos baseados no sexo do feto. Mas essas leis são mal aplicadas e chegou-se ao ponto de muitas pessoas virem para os Estados Unidos para fazer abortos tardios deste género que até no Leste são proibidos.

Protesto contra o aborto selectivo, na Índia
Temos assistido a escritoras feministas como Mara Hvistendahl a referir a gravidade do problema, mostrando ter plena noção do errado que é matar crianças no útero por serem do sexo feminino. Mas em vez de apoiar a restrição do aborto, ela enfurece-se contra um obscuro professor de Amherst College, que acusa de ser o génio malévelo por detrás desta estratégia do “passo a passo” [referência ao póprio autor. Ver aqui].

Como sabemos, as feministas liberais na América não aceitam qualquer medida que proíba o aborto com base no sexo do feto. As razões são simples: Admitir que um aborto possa ser errado ou injustificado é deitar abaixo a barreira legal que protege o direito ao aborto por qualquer razão e em qualquer altura. É o princípio do fim, porque abre a arena legislativa para todos os juízos a que chegam as pessoas normais, sobre o tipo de aborto que se pode considerar injustificado e, por isso, devia ser proibido.

O PRENDA foi discutida no plenário da Câmara dos Representantes no dia 31 de Maio e mais uma vez os rituais de evasão moral entraram em acção: Este é mais um passo, ouvimos dizer, para fazer regredir o direito ao aborto. Mas como é que pode ser “no interesse das mulheres” aceitar matar mulheres em larga escala?

Mas deixemos de lado a “perda” de, por ora, milhões de mulheres no mundo, e milhares nos Estados Unidos: Porque é que não consideramos errado, por uma questão de princípio, matar bebés porque são meninas – independentemente da quantidade de pessoas que o está a fazer?

O representante Jerry Nadler e os democratas insistiram que os republicanos são hipócritas porque não votam a favor de outras medidas, com programas mais liberais que dão benefícios às mulheres – como se fosse preciso comprar o direito a banir a matança de mulheres, à custa de mais apoio e financiamento a grupos feministas.

O PRENDA recebeu os votos favoráveis de 226 republicanos e 20 democratas; 161 democratas e 7 republicanos opuseram-se. Mas por razões que terei de explicar noutra altura, a medida estava sujeita a aprovação por dois terços para poder passar. Este foi claramente um teste. Mas o que revelou, mais uma vez, foi a forma como as almas se têm distorcido ao longo dos anos, à medida que as pessoas absorveram os rituais de evasão aos argumentos morais.


Hadley Arkes é Professor de Jurisprudência em Amherst College e director do Claremont Center for the Jurisprudence of Natural Law, em Washington D.C. O seu mais recente livro é Constitutional Illusions & Anchoring Truths: The Touchstone of the Natural Law.

(Publicado pela primeira vez na Terça-feira, 5 de Junho de 2012 em http://www.thecatholicthing.org/)

© 2012 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: http://www.blogger.com/info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

Tuesday, 5 June 2012

De Ortodoxos a Hologramas


Hologramas em Fátima

Como prometido hoje temos mais notícias sobre o Fórum Ortodoxo-Católico, que se realiza em Lisboa ao longo dos próximos dias.


Também em Portugal para participar neste Fórum está o Arcebispo Católico de Moscovo, Monsenhor Paulo Pezzi. Ontem, a convite do movimento Comunhão e Libertação, foi falar à Igreja da Encarnação, onde abordou entre outras coisas o estado das relações ecuménicas com a Igreja Ortodoxa Russa.

Por fim, e mudando de ares, temos um novo espaço em Fátima onde a história das aparições é contada através do recurso a hologramas, sons e odores… hmm…

"Ecumenismo também parte da amizade"


Monsenhor Duarte da Cunha
Transcrição integral da entrevista com monsenhor Duarte da Cunha, secretário da Comissão das Conferência Episcopais da Europa, acerca do 3º Fórum Católico-Ortodoxo, que hoje começa em Lisboa. Notícia aqui.

Que encontro é este, qual a ideia por detrás?
Esta é a terceira edição do Fórum Católico – Ortodoxo. De dois em dois anos reúne-se um grupo de 12 bispos representantes das conferências episcopais da Europa com delegados de cada Igreja Ortodoxa da Europa.

A ideia partiu de alguns ortodoxos, sobretudo do patriarcado de Moscovo que, preocupados com a secularização da Europa, bateram à porta da Igreja Católica, da CCEE a dizer que era preciso fazer alguma coisa para haver uma resposta unida aos desafios de hoje.

O objectivo por isso não era substituir a comissão de diálogo que já existe, que trata de questões de doutrina, mas sim colocarmo-nos juntos à mesa para discutir questões sociais, pastorais e antropológicos que sejam mais da área do trabalho concreto da pastoral das igrejas, e também um desafio às instituições europeias e à sociedade e ao Governo para que se possam ver confrontados por uma posição em comum de católicos e ortodoxos sobre os temas actuais.

Porquê em Portugal este ano?
Decidimos fazer este ano em Lisboa porque a ideia desde o início é que um ano organiza uma Igreja Católica, noutro ano organiza uma Igreja Ortodoxa. O primeiro encontro foi em Trento, o segundo foi em Rhodes, organizado pelo Patriarcado Ecuménico e este ano surgiu a ideia de fazer em Lisboa.

O Ecumenismo também se processo desta forma?
O ecumenismo tem vários aspectos. Uma área é do diálogo teológico-doutrinal, onde se deve tentar perceber as diferenças, tentando perceber o que é o mais fiel à origem da nossa fé. Vai buscar as coisas que nos dividiram e tenta encontrar modos de nos percebermos juntos e de unirmos as nossas tradições.

Outro modo é da relação concreta entre pessoas que vivem lado a lado. Os cristãos que são vizinhos e precisam de se entender, é uma parte também importante.

O terceiro aspecto é na questão de unidos termos uma posição comum sobre determinados aspectos, em que se vê que a nossa comum fé pode ter também um juízo ou uma proposta para a sociedade hoje em dia, e que por isso tenha mais força.

Através destes encontros vai-se estabelecendo uma amizade entre as pessoas…
O Ecumenismo, como em muitas outras coisas, de facto hoje em dia parte da amizade e das relações humanas, porque essa amizade depois abre as inteligências e abre o coração para que as pessoas encontrem caminhos de união. Estes encontros em que há tempo de oração comum, tempo de conversa, em que se almoça e janta juntos, são momentos em que se afirmam relações de amizade, em que as pessoas se começam a conhecer. São altos representantes das suas igrejas e por isso podem falar em nome das suas igrejas.

O tema é actual, uma crise que tem afectado tanto países católicos como ortodoxos, não é?
Exactamente, nós precisamos de enfrentar aquilo que são os problemas actuais e esta crise que afecta a Europa parece-me evidente que tem de ser abordada por nós. Essa abordagem será feita teologicamente, porque apesar de não ser um diálogo sobre a doutrina, é um diálogo que parte da nossa fé, da teologia. Portanto é uma abordagem teológica sobre os problemas que a Europa atravessa e esperamos poder ter alguma proposta e uma posição comum sobre a crise que afecta muitos países ortodoxos e católicos, sobretudo do sul mas também do Norte.

Monday, 4 June 2012

Um milhão em milão, duas dúzias em Bagdade, 12 na Nigéra


Consigo ver o Papa daqui!


Bento XVI falou sobre os casais separados, sobre os jovens e a santidade e sobre a liberdade, e saiu de Milão feliz.

Felicidade que bem falta lhe tem feito numa altura marcada pelo escândalo Vatileaks. O Vaticano avisa que poderão sair mais documentos. Escrevi sobre este assunto para o blogue, para ajudar a compreender o que se está a passar.

Também para ajudar a compreender o que se está a passar, mas neste caso entre sunitas e xiitas, devem ler este artigo, sobre o atentado que matou duas dúzias de pessoas em Bagdade, hoje.


E por fim, chegam amanhã a Lisboa duas dezenas de padres e bispos católicos e ortodoxos. Vêm falar sobre a crise, que não olha a confissões religiosas quando ataca. Amanhã há mais sobre este assunto.

Partilhar