Tuesday, 13 October 2015

Cada cabeça sua sentença, incluindo a minha

Peregrinos acendem velas em Fátima, ontem à noite
A conferência de imprensa do sínodo sobre a família desta terça-feira foi reveladora das diferenças de opinião que existem entre os presentes. O monge beneditino alemão, a consagrada ruandesa e a teóloga canadiana foram questionados sobre as “questões fracturantes” e cada um deu uma resposta diferente.

Sobre uma destas “questões fracturantes” escrevi eu um texto no blog, que vos convido a ler e, se for caso disso, criticar, porque este é um assunto que continua a dar muito que falar.

Há sítios no mundo onde a existência do Cristianismo está ameaçada. Essa é uma das conclusões do relatório anual da fundação Ajuda á Igreja que Sofre, apresentada hoje em Lisboa.

Centenas de milhares de pessoas resistiram à chuva ontem à noite e estiveram presentes no Santuário de Fátima, cujo reitor considera que “o poder político continua a envergonhar-se” do local de peregrinação.

Um importante documento português, um livro de comentários e iluminuras do Apocalipse, foi considerado “memória do mundo” pela UNESCO.

Acesso aos sacramentos para divorciados recasados – revisitado

Concílio de Trento
O ano passado escrevi dois textos sobre este assunto, um primeiro em que levantei uma hipótese de como se poderia arranjar forma de permitir o acesso aos sacramentos por parte de pessoas em uniões irregulares sem pôr em causa a questão da indissolubilidade, nomeadamente “baixando a fasquia” para acesso aos sacramentos, permitindo assim que pessoas em situação de pecado pudessem comungar. Esse texto motivou uma discussão viva e interessante que me levou a escrever um segundo artigo, em que concluí que afinal não me parecia possível fazer-se essa alteração sem, de alguma forma, contrariar a doutrina da Igreja.

Este texto não pretende voltar aos mesmos argumentos, nem apresentar uma ou outra solução, mas apenas levantar algumas questões interessantes que me parece estarem a passar ao lado da maioria dos debates.

Li recentemente o artigo do Padre Miguel Almeida s.j. na mais recente edição da Brotéria, que achei muito interessante. O padre Miguel parece defender o acesso dos divorciados recasados aos sacramentos e embora não me tenha deixado convencido das suas conclusões, convenceu-me de muitos outros pontos pelo caminho.

Os conservadores invocam constantemente – e de forma compreensível – as palavras de Jesus aos seus discípulos “Não separe o homem o que Deus uniu”. Contudo, ainda nos tempos apostólicos aparece evidente que São Paulo, por exemplo, achou-se na liberdade de abrir excepções a estas palavras duras.

Recordo que Jesus não estava a falar especificamente de casamentos cristãos sacramentais. Pelo contrário, estava a falar especificamente de casamentos judaicos, que não eram então, nem são hoje, sacramentais do ponto de vista cristão. Mas o casamento é uma instituição natural e o que Jesus nos diz é que qualquer casamento é, seja sacramental ou não, algo que Deus uniu e que o homem não deve separar. Isto não se aplica a cristãos que optem conscientemente por não casar pela Igreja, mas só pelo civil, mas aplica-se a um casal de hindus, a um casal de aborígenes, de esquimós ou de neo-pagãos da Suécia.

No entanto a Igreja desde cedo permite o chamado privilégio paulino, em que a Igreja usa do seu poder para “ligar e desligar” para dissolver o casamento natural entre dois não-baptizados quando uma das pessoas pretende tornar-se cristã e casar novamente dentro da fé.

Há outros casos levantados no artigo, já do conhecimento dos historiadores e teólgos, que são debatidos para trás e para a frente, mas parece-me que este exemplo do privilégio paulino é indiscutível e claro e abre desde já uma premissa: Se se pode abrir uma excepção ao que Jesus disse, então os Papas e os sucessores dos apóstolos podem abrir outras excepções.

Isto é basicamente o que os ortodoxos já fazem. Mas isso não é, ou parece não ser, o que os defensores da abertura do acesso aos sacramentos para recasados defendem, uma vez que eles não propõem que a Igreja aceite a celebração de novos casamentos. Ora aqui é que se dá um salto lógico que eu não entendo, porque se no privilégio paulino se aceita a dissolução do casamento, permite-se às pessoas regularizar a sua situação, casando novamente. Isto sim, pode ser apresentado como misericórdia. Mas a opção de simplesmente deixar andar a situação da segunda união não resolve o problema de fundo. Aquelas pessoas, por duras que sejam as palavras, estão em situação de adultério e, por isso, em pecado grave e é isso que as impede de comungar.

A solução apenas poderia passar, a meu ver, pela dissolução oficial do primeiro casamento, invocando o poder apostólico de ligar e desligar, para que a segunda união fosse regularizada. Mas aqui chegamos a outro obstáculo, que raramente vejo abordado nestas discussões.
Casamento - uma realidade natural

O Concílio de Trento diz o seguinte no seu cânone VII sobre o sacramento do matrimónio. “Se alguém disser que a Igreja erra quando ensina, segundo a doutrina do Evangelho e dos Apóstolos, que não se pode dissolver o vínculo do Matrimónio pelo adultério de um dos consortes, e quando ensina que nenhum dos dois, nem mesmo o inocente que não deu motivo ao adultério, pode contrair outro matrimónio, vivendo com outro consorte, e que cai em fornicação aquele que casar com outra, deixada a primeira por ser adúltera, ou a que deixando o adúltero se casar com outro, seja excomungado.”

Aqui quase que vejo algumas pessoas a levar a mão à cabeça em desespero: “Mas então ele vai buscar os cânones de um concílio do século XVI? O que é que isso interessa?”

Mas interessa muito, a meu ver, porque é isto que nos torna católicos. Ou nós acreditamos que o Espírito Santo inspira as decisões dos bispos quando falam em união com Pedro ou não acreditamos. Não podemos dizer que o fez em 1963 e que o fez no conclave de 2013 mas que em 1563 não esteve para isso. É por isso que insistimos que não se pode mudar a doutrina, porque estamos ligados ao que herdámos. Se nos desligarmos disso não há nada que impeça os nossos filhos e netos de se desligarem de tudo o resto, não há nada que impeça a minoria de contestar a eleição do próximo Papa e o resto conta-se em cismas.

Tudo isto para dizer que, do meu ponto de vista, quem defende o acesso aos sacramentos por parte de pessoas em uniões irregulares tem de me demonstrar pelo menos uma das seguintes premissas:

1)            Que o acesso aos sacramentos por parte de pessoas em estado de pecado grave – como é o adultério – não contraria a doutrina estabelecida.
2)            Que é possível contrariar directamente o cânone VII sobre o casamento do Concílio de Trento sem que isso implique uma ruptura com a doutrina do casamento.

Digo isto com a plena consciência de não ser teólogo e de, por isso, não ser especialista. Os especialistas que o vejam como um convite a desmascarar a minha profunda ignorância sobre o assunto, que assim todos ficamos a ganhar!

Peço, por favor, que nada disto seja lido como uma crítica ou um juízo de valor aos muitos casais que se encontram nesta situação e que sofrem com isso. Todos temos amigos, irmãos, pais ou tios que se encontram nessa posição. Pretendo apenas aqui contribuir para o debate, dentro daquilo que é a tradição católica, que devemos preservar.

Monday, 12 October 2015

Cartas ao Papa e aventuras na Lapa

Supostamente foi escrita uma carta ao Papa com reclamações sobre o modo de funcionamento do sínodo. Há carta? Não há carta? Foi assinada? Não foi? Ninguém sabe muito bem, mas foi o que dominou as atenções no sínodo, hoje.

Já durante o fim-de-semana o Patriarca de Lisboa fez uma intervenção no sínodo, sobre o qual pode ler mais aqui.

Hoje milhares de peregrinos chegaram a Fátima, onde decorrem as cerimónias do dia 12 e 13 de Outubro. O Cardeal Giovanni Battista Re preside e, do santuário, criticou a perseguição aos cristãos, sobretudo no Médio Oriente.

Os bispos portugueses aproveitaram para se encontrar também em Fátima, de onde lançaram um apelo à estabilidade política.

Também hoje soube-se que a imagem de Fátima afinal vale mais do que se pensava anteriormente.

Sexta-feira passada tive o prazer de ir participar no evento “Fim-de-semana Cheio na Lapa”, na Igreja Baptista do pastor e músico Tiago Cavaco. Aqui podem ter a experiência singular de me verem a falar de um púlpito de uma igreja evangélica. Eu sou o quinto orador, mas vejam tudo se tiverem tempo, porque vale a pena.

Friday, 9 October 2015

Um "texto mártir" que o Papa não merece

Cardeal Tagle e Arcebispo Kurtz
Os bispos reunidos no sínodo para a família fizeram muitas críticas ao documento de trabalho que estão a analisar. O cardeal Tagle, das filipinas, diz que é natural, pois trata-se de um “texto mártir”. O consenso dos grupos de trabalho é de que a linguagem é demasiado negativa, é preciso falar mais da ideologia do género e que a perspectiva é demasiado ocidental. Depois há críticas mais gerais, como a de um dos grupos de língua inglesa que diz que o Papa merece um documento melhor…

Esta manhã o Papa Francisco interrompeu os trabalhos do sínodo para dizer aos bispos e outros delegados que é preciso rezar mais urgentemente pela paz, sobretudo no Médio Oriente.

A tragédia que se abateu sobre Meca no dia 24 de Setembro foi, afinal, a mais grave da história da peregrinação anual. Números oficiais contabilizam 1,453 mortos, 600 mais do que as estimativas do próprio dia.

Thursday, 8 October 2015

Abdulmasih, Ashur e Bassam rogai por nós

Com ou sem eurocentrismos
com esse tricórnio já ganhaste!
Será que o sínodo sobre a família sofre de eurocentrismo? A resposta é um claro nim da parte do arcebispo de Acra, no Gana.

O Estado Islâmico divulgou hoje um vídeo que mostra a decapitação de três homens cristãos que tinham sido raptados no início do ano. O Patriarca dos Siro-Católicos diz que os cristãos do Médio Oriente se sentem traídos pelo Ocidente.

Porque nunca é demais rezar pela paz, a Fundação Betânia desafia-o a fazê-lo amanhã, em Lisboa.

Como prometido, publico hoje a transcrição da entrevista feita ao provincial dos salesianos no Médio Oriente, abuna Munir al Rai, que diz que os seus padres estão dispostos a morrer na Síria.


E por fim, recordo que amanhã, a partir das 20h30, há Fim-de-semana Cheio na Lapa, que não deve perder!

“Estamos dispostos a morrer na Síria”

Transcrição da entrevista ao abuna Munir al Rai, provincial dos salesianos no Médio Oriente. A reportagem pode ser lida aqui.

É responsável por quantos salesianos no Médio Oriente?
Eu sou responsável por cerca de 100 salesianos, presentes no Médio Oriente, e que são de quase 18 nacionalidades. 40% são italianos, 30% são locais e outros 30% de outras nacionalidades.

Em que países?
Temos a casa provincial em Belém, depois temos na Terra Santa, no Egipto, Turquia, Irão, Síria e Líbano. Também nos é confiado o Iraque.

Trabalham sobretudo na educação?
Sim, essa é a nossa missão fundamental. Temos muitas escolas para crianças e jovens, sobretudo escolas profissionais e centros profissionais. Temos também oratórios juvenis e também paróquias e igrejas públicas, bem como vários serviços sociais para as pessoas.

Estas escolas e trabalhos servem quantas pessoas no Médio Oriente?
Temos no Médio Oriente, entre crianças, jovens e leigos que frequentam as nossas casas, cerca de 10 mil pessoas. São números estimados, tudo depende da situação. Mas registados são quase 10 mil.

Sobretudo cristãos? Ou cristãos e muçulmanos?
A maioria são muçulmanos. Servimos também cristãos, mas de vários ritos, ortodoxos, católicos... De vários ritos.

Disse uma vez que os salesianos estavam preparados para serem martirizados por permanecer na Síria. Já perderam algum salesiano durante esta guerra civil?
É verdade, os salesianos presentes na Síria arriscam, como disse, o martírio. Estamos sempre disponíveis até a dar a vida.

Houve vários momentos graves, de grande perigo, mas graças a Deus estão todos seguros.

Abuna Munir al Rai, à direita
Qual é a presença dos salesianos na Síria neste momento?
A primeira casa fundada na Síria é em Aleppo, no Norte, data de 1948. Foi a primeira escola profissional da Síria. Em 1960 foi nacionalizada. Actualmente temos um grande oratório e centro juvenil e uma grande igreja publica. Estão lá actualmente três salesianos, dois sírios e um italiano.

Depois temos em Damasco uma casa fundada em 1990, o oratório e centro juvenil, inserido num ambiente ligado às nossas irmãs salesianas, que gerem lá um grande hospital, que serve muitos doentes. Lá temos quatro salesianos, três sírios e um italiano.

Temos uma outra casa, sobretudo com a presença de salesianos religiosos e no inverno confiámos esta casa a uma família de colaboradores salesianos.

Nenhuma destas casas está em áreas controladas pelo Estado Islâmico?
Não. São zonas que até agora têm estado nas mãos do Governo, zonas bastante tranquilas, mas tranquilo, na Síria deixou de existir, porque o perigo é iminente e o improviso pode sempre acontecer.

Enquanto provincial, onde está sedeado?
A sede é na Terra Santa, porque os salesianos chegaram ao Médio Oriente pela Terra Santa e as grandes obras são na Terra Santa. A casa provincial é em Belém e eu faço as minhas visitas às casas do Médio Oriente a partir de lá. Passo muito tempo com os meus irmãos e com as pessoas.

É fácil viajar?
Não. Nada fácil. É muito difícil. Mas vamos conseguindo.

Como é que faz para visitar Aleppo ou Damasco, por exemplo? É fácil entrar e sair de lá?
Depende do momento. Há alturas em que era impossível, estava muito grave e era difícil a passagem. Há alturas menos difíceis, mas não usamos a palavra fácil, nem tranquilo. Não se usa. Usamos situação gravíssima ou menos grave. São estes os termos.

Quando viajamos são viagens cansativas e duras e podem surgir problemas inesperados. Por exemplo, recordamos que foram várias pessoas raptadas e mortas, dois padres raptados nas suas viagens, bispos também. Pode acontecer o inesperado. Mas é preciso muito cuidado e quando viajamos é com muita simplicidade, com muito cuidado, tentando confiar-nos ao Senhor.

Ainda tem família em Aleppo?
A minha família... Como sabe, no Médio Oriente tivemos várias etapas de emigração. A minha família emigrou no fim dos anos 80, para o Canadá, tenho lá muitos parentes. Eu escolhi permanecer no Médio Oriente.

Igreja destruída em Aleppo. Foto: Alfredo Girardi
A Europa está agora a debater a questão dos refugiados, muitos dos quais vêm da Síria. Como sírio, como descreve a resposta europeia a este problema?
É verdade que a questão dos refugiados é muito complicada e muito difícil. É justo recordar que há muitos refugiados - e fala-se pouco deste problema - também na Turquia, Líbano, Jordânia, também no Egipto. Estamos a falar de milhões. É justo sublinhar este ponto. Muitos deles vivem em campos de refugiados e sofrem.  Este é um ponto a recordar e sublinhar, porque se fala do problema como se só afectasse a Europa.

Desde o início da guerra que alguns começaram a vir para a Europa. Muitas pessoas, ao longo dos anos da guerra, vieram para a Europa. Estranhamente, e é isso que questionamos, só agora é que são notícia de primeira página e só os da Europa.

Outra coisa, é certo que a Europa está a tentar ajudar estes refugiados, mas não existe um plano bem organizado nem adequado. Por isso há deslizes e divergências entre países europeus. Há também fortes restrições. Por isso muitos jovens perdem-se, não sabem o que é que deviam fazer, basta dizer também, porque é que devem arriscar as suas vidas para chegar à Europa?

É preciso um plano bem organizado e bem preparado para que possam ao menos deixar de arriscar a vida, porque tantos morrem durante a viagem, muitos são deixados aos traficantes, muitos sofreram verdadeiramente, por isso, na minha opinião, devemos agradecer à Europa este acolhimento, esta vontade de acolher, mas neste momento falta um plano bem estudado, bem organizado, para poder acolher e acompanhar, porque são duas coisas diferentes.

Acolher uma coisa, mas acompanhar, de forma sistemática e com dignidade, isso seria uma coisa importante.

Também há pessoas que dizem que o facto de muitos destes refugiados serem muçulmanos constitui uma ameaça à Europa e à sua identidade cristã.
O que digo é que esta questão é muito complicada. Em todo o lado em que existe emigração há lados negativos e positivos. Penso que esta resposta basta.

Há também pessoas que dizem que com os refugiados podem vir jihadistas infiltrados...
Como já disse, há sempre lados positivos e negativos.

Penso que é preciso resolver o problema das pessoas e do Médio Oriente procurando soluções pacíficas para evitar todos os perigos possíveis e imagináveis. Esta é a questão mais importante. Depois, acolhendo as pessoas, é preciso haver um plano bem claro. Cada estado deve estudar a sua capacidade de acolher e acompanhar para inculturar estas pessoas nos seus países, porque caso contrário podem surgir vários problemas incontroláveis.

Mas a coisa principal, para mim, é procurar soluções para os problemas que causaram esta imigração, que causaram esta inundação massiva de pessoas do Médio Oriente, potenciando mais a paz, esse é que é o grande trabalho para evitar tantos problemas e tantos perigos.

Desde o início da crise no Iraque e, antes disso na Palestina, temos visto cristãos a abandonar o Médio Oriente em maior proporção que muçulmanos. E fala-se no perigo de o Médio Oriente ficar sem cristãos nos próximos anos. Ouvimos alguns patriarcas a dizer que em vez de ajudar os cristãos a abandonar o Médio Oriente devíamos estar a ajudá-los a permanecer. Isto é realístico?
Para nós, pastores das igrejas do Oriente, o nosso sonho, não só o sonho, mas aquilo que desejamos e queremos e pelo qual trabalhámos toda a vida, é que os cristãos permaneçam no Médio Oriente. Isto é o mais importante, o mais fundamental para nós.

É verdade que no Médio Oriente estamos a assistir a esta hemorragia de cristãos, mas também de muçulmanos, de pessoas que não quer aceitar a guerra, o sofrimento e a destruição e procura um mundo melhor.

Membros da família salesiana em Aleppo
Mas quando, falando com as pessoas, falando com os jovens sobretudo, quando depois de anos de guerra e de destruição e há um alto risco de vida, não podemos dizer-lhes para permanecer. Obviamente eles dizem que querem tentar salvar pelo menos as suas vidas, por isso procuramos uma solução.

Nós tentamos ajudar, sustentar espiritualmente, moralmente, materialmente, procurando sustentá-los nos países vizinhos, mas muitos decidem ir, de modo definitivo, para mais longe.

Esta forte imigração é a principal questão com que nos confrontamos no cristianismo oriental.

Os cristãos estarão algum dia em segurança no Médio Oriente, ou no mundo islâmico em geral?
Tento sempre dizer que no Médio Oriente tanto cristãos como não-cristãos têm sofrido com a guerra. Também muitos muçulmanos morreram. Bebés, jovens, mulheres, homens e todos pagaram o preço da guerra.

Vivemos também momentos felizes e belos no Médio Oriente, mas também momentos de sofrimento. Por isso acredito que podemos voltar a ter momentos bonitos também.

Alguns grupos cristãos defendem a criação de uma região autónoma ou mesmo independente, onde os cristãos e outras minorias possam viver com protecção e maior segurança. A maioria dos bispos com quem falei rejeitam esta ideia. Acredita que isto pode ser uma solução?
Eu não vou entrar em política. Como bom salesiano não falo de política. Falo de jovens e os jovens querem segurança, uma justa segurança uma justa paz e uma justa justiça. Apenas direi isto.

Os cristãos no Médio Oriente estão divididos entre diferentes ritos, com diferentes patriarcas. Não seria melhor ter uma voz forte para falar pelos cristãos no Médio Oriente, em vez de muitas vozes mais fracas?
Digo antes que esta diversidade não é uma fraqueza. Esta diversidade, para nós cristãos no Médio Oriente, é uma riqueza. Por isso eu não digo que estamos divididos, mas somos de muitos ritos mas unidos no caminho cristão. Penso que os cristãos do Médio Oriente e os homens de boa-vontade são unidos na condenação desta guerra e na busca por uma solução de paz.

O Papa Francisco falou de um ecumenismo de sangue. Sentem isso, que o sofrimento aproximou os cristãos?
Sim. O sofrimento e o conflito uniram-nos mais.

Acredita que haverá paz na Síria, ou não vê qualquer solução para breve?
Como sou bom sírio, bom cristão e bom salesiano, creio na paz. Chegará certamente o tempo da paz.

Wednesday, 7 October 2015

Lóbis? Sim. So what?

Arcebispo Chaput confirma lóbis
Há lóbis no sínodo para a família? Claro que há. E então? Foi esta a atitude – refrescantemente franca – do arcebispo americano hoje na conferência de imprensa.

O Papa Francisco falou também esta manhã, na audiência geral, onde criticou a falta de apoio que as famílias recebem na sociedade.

O bispo de Viseu lamenta que há igrejas que estão sempre fechadas e só abrem quando há missa, algo que considera “um atentado”.

Podemos respirar de alívio, pelos vistos. O FBI conseguiu impedir a venda de material nuclear ao Estado Islâmico

Hoje aproveito para divulgar mais uma transcrição integral de uma das entrevistas feitas de antecipação do sínodo. O padre Bernardo Magalhães ajuda a explicar o que é a “comunhão espiritual” e também aborda o tema do acolhimento aos homossexuais na Igreja.

Por fim, sendo quarta-feira, mais um artigo do The Catholic Thing. Anthony Esolen revela as suas preocupações pelo destino das crianças que são as principais vítimas da cultura do divórcio, num texto que nos deixa com a sensação de ter levado um murro no estômago…

Partilhar