Friday, 2 May 2014

Pastoral penitenciária e eleições europeias

Afinal é mesmo importante...
Depois de ter escrito um texto inicial sobre a questão dos divorciados e o acesso à comunhão, publiquei ontem à noite uma nova reflexão com as conclusões que retirei depois de alguns dias de intensa discussão.

A Europa tem de pôr a família em primeiro lugar, diz a secretária-geral da Federação Europeia das Associações das Famílias Católicas. Maria Hildingsson explica ainda porque é que é importante votar nas eleições europeias.

Papa contra o futebol moderno! Francisco disse esta manhã que o dinheiro “polui” o desporto. Não sabemos se Platini ouviu o recado, ou se o crescimento súbito da sua cabeça lhe afectou a audição.

Tem decorrido o congresso da pastoral penitenciária, em Fátima. Hoje D. Jorge Ortiga manifestou-se contra a privatização das prisões e ontem o monsenhor Mario Toso falou da urgência de se ajudar os presos a encontrarem-se com Cristo.


Preocupação na Índia com um crime anti-islâmico que pode incendiar um país já em polvorosa por causa das eleições que se aproximam e, na Nigéria os bravos raptores de mulheres e assassinos de crianças do Boko Haram voltaram a fazer das suas.

Thursday, 1 May 2014

Divorciados, recasados e comunhão: Follow-up

Há dias escrevi um texto sobre a possibilidade do acesso à comunhão por parte de divorciados e “recasados”. Esse texto motivou uma grande e interessante discussão, na qual aprendi imenso. O que se segue são algumas das conclusões que tirei dessas discussões. Não vou repetir os meus argumentos, que podem encontrar no texto original.

Em primeiro lugar, tentei deixar claro, mas nem todos perceberam, que o meu texto era uma reflexão e não um manifesto. Penso que infelizmente temos pouco o hábito de discutir ideias de forma aberta, que não sejam necessariamente convicções. Mas é pena, porque é precisamente através dessas discussões, em que estamos abertos a reconhecer os nossos enganos e a razão dos outros, que crescemos.

Ora bem. Após estes dias de discussão, concluo que há apenas três possibilidades para que as pessoas em uniões irregulares sejam admitidas à comunhão.

Se a Igreja mudar ou reformular a doutrina da indissolubilidade do casamento.
Não acredito que isso seja possível e a minha reflexão, por causa disso, partia de outro pressuposto.

Se o adultério deixar de ser considerado pecado mortal.
O que não me parece provável nem aconselhável, embora como em tudo haja uma escala de gravidade para diferentes situações.

Se, mantendo-se a ideia do adultério como pecado mortal, for tomada a decisão de “baixar a fasquia” do acesso à comunhão, decidindo-se que não é necessário estar-se em estado de Graça para poder comungar. (Eu sei que "baixar a fasquia" tem um sentido perjorativo, mas não me vou pôr com jogos semânticos).

O meu argumento ia mais no sentido desta terceira hipótese.

Os meus adversários defendem que tal não é possível, pois a ideia de que só quem está em estado de Graça é que pode comungar é doutrina da Igreja que ninguém, nem o Papa nem os bispos, tem autoridade para alterar.

Não tenho qualquer problema em afirmar que reconheço aqui claramente um obstáculo que não pretendo, nem tenho capacidade para, discutir ou derrubar. Caso a ideia de que apenas quem está em estado de graça é que pode comungar seja, de facto, doutrina imutável, então sinceramente não vejo maneira de as pessoas em uniões irregulares poderem alguma vez vir a comungar.

Não sendo eu “liberal” ou “progressista”, não posso nem quero propor qualquer solução que seja uma ruptura com a tradição da Igreja.

Tudo o que eu respondi a quem me argumentou desta forma é que antes do Concílio Vaticano II reinava a ideia de que a doutrina da Igreja impedia certas mudanças, como a abertura ao ecumenismo, ao diálogo inter-religioso e à liberdade religiosa. Contudo, os padres conciliares conseguiram encontrar formas de reler e apresentar de forma diferente a doutrina, aceitando estas práticas de tal maneira que hoje não reconhecemos a Igreja sem elas. Como bem sabemos, os críticos do Concílio, tanto sede-vacantistas como os seguidores de Monsenhor Lefebvre, apontam precisamente estas “inovações” como razão para não aceitar o concílio, portanto a coisa não foi pacífica.

Eu não faço ideia se é ou não é possível “reler” a doutrina, à luz dos nossos tempos, para se proceder a estas mudanças. Se não for, então tenho que admitir que a minha própria reflexão deixa de me convencer. Contudo, teria muita cautela em colocar-me na posição de decidir quais são os limites da acção dos bispos nesta matéria.

Esperarei calmamente, e muito atentamente, o resultado do sínodo, aceitando sem reservas qualquer que seja a decisão. De facto, acho pouco provável que haja uma mudança significativa da Igreja a este respeito.

Não queria terminar sem dizer mais uma coisa. Ao longo destes dias foram muitas as pessoas que partilharam histórias de vida e testemunhos muito fortes, ou publicamente, ou directamente a mim, por mensagem privada.

Se há uma coisa que aprendi e que julgo que é muito importante realçar, é que mesmo que as pessoas nestas situações não possam voltar a comungar, existem outras formas de viver em Igreja e edificar uma relação com Cristo que deviam ser melhor conhecidas.

Nesse sentido aponto para o testemunho do Joaquim Mexia Alves, que passou por esta experiência e já falou dela várias vezes. Leiam, mesmo… não se vão arrepender.

Wednesday, 30 April 2014

Não fala o Manuel, fala o Manuel! (E canta o Bob)

Actualidade Religiosa confirma que
Bob Dylan não é o porta-voz da CEP
D. Manuel Clemente foi reeleito presidente da Conferência Episcopal, ontem ao final da tarde. O porta-voz, padre Manuel Morujão, está de saída, sendo substituído pelo padre Manuel Barbosa.

Também ontem D. Ilídio Leandro comentou a questão das “barrigas de aluguer”, manifestando a oposição da Igreja a este assunto que está a ser discutido no Parlamento.

Nasceu hoje uma plataforma que torna o voluntariado mais fácil. Chama-se Dar e Receber e é um projecto do EntreAjuda e da Cáritas.

Atentado na China. Não há mortos, por enquanto, mas há feridos e há os suspeitos do costume, os militantes Uighur, que são muçulmanos e reivindicam independência para a sua região.

Hoje é quarta-feira e por isso trago-vos mais um artigo do The Catholic Thing. Confesso que sou fã de Francis J. Beckwith, que por sua vez é fã de Bob Dylan, o que resultou no artigo do qual sublinho este excerto: “Frequentemente media o Cristianismo dos outros, não com base na sua identificação com Cristo mas de acordo com a sua concordância inequívoca com uma série de “doutrinas essenciais”, como se o primeiro evento da vida depois da morte fosse um exame de teologia. Estudei, defendi e protegi Jesus, como se ele precisasse da minha ajuda. Não o amava.”

“Trouble in Mind”

Francis J. Beckwith
“When the deeds that you do don’t add up to zero
It’s what’s inside that counts, ask any war hero
You think you can hide but you’re never alone
Ask Lot what he thought when his wife turned to stone
Trouble in mind, Lord, trouble in mind
Lord, take away this trouble in mind”
Bob Dylan, “Trouble in Mind”

Fez sete anos esta segunda-feira, dia 28 de Abril, que fui recebido novamente na Igreja Católica, depois de quase três décadas como Evangélico. Como já escrevi em vários locais, incluindo no meu livro “Return to Rome” e na minha contribuição para o livro “Journeys of Faith”, havia certas questões teológicas para as quais eu precisava de respostas plausíveis antes de poder ser reconciliado com a Igreja. Pelo menos foi assim que compreendi a minha própria peregrinação.

Mas agora, olhando para trás, com o benefício tanto do conhecimento actual e de sete anos como católico praticante, estou convencido de que a procura dessas respostas às questões teológicas, embora central para o meu regresso, foi auxiliada por uma sede mais profunda, de que não estava bem ciente em 2007.

A minha fé cristã tinha-se tornado, em grande parte, uma extensão dos meus projectos académicos enquanto filósofo profissional. É claro que não há mal em encarar a nossa fé como pertencendo a uma tradição intelectual que pode ser racionalmente compreendida, explicada e defendida. Afinal de contas, alguns dos nossos antecessores mais admiráveis, incluindo Santo Agostinho e São Tomás de Aquino, para não falar no agora santo Papa João Paulo II, eram filósofos cristãos da melhor qualidade.

Mas no meu caso, quase tudo sobre as minhas crenças tinha sido reduzido a uma questão de procurar argumentos e criticar os meus adversários. A minha fé, ou o que restava dela, tinha-se tornado um programa de investigação intelectual, que agora, em retrospectiva, parecia mais um exercício de autoconvencimento, mais do que uma tentativa de persuadir os outros. Era como um homem que, tendo-se casado, passa todas as horas a tentar ser um bom marido lendo livros sobre o matrimónio, mas ignorando a sua mulher.

Trouble In Mind ( Slow Train by Bob Dylan on Grooveshark

Eu tinha adoptado uma visão sobre-intelectualizada da fé cristã que me tinha fornecido um tesouro inesgotável de críticos a derrotar e de discussões para vencer, mas que me tinha deixado com uma espiritualidade diminuída, sustentada apenas pelas cascatas de ansiedade e de euforia que acompanham o pugilismo filosófico. Por esta razão, frequentemente media o Cristianismo dos outros, não com base na sua identificação com Cristo mas de acordo com a sua concordância inequívoca com uma série de “doutrinas essenciais”, como se o primeiro evento da vida depois da morte fosse um exame de teologia. Estudei, defendi e protegi Jesus, como se ele precisasse da minha ajuda. Não o amava.

Recentemente vi um bocadinho desse antigo “eu” numa série de comentários de um escritor, blogger e apologista protestante. Num post em que descreve o Papa Francisco como um “falso professor”, este autor escreve: “Embora Francisco lave os pés de prisioneiros e beije a face aos deformados, fá-lo com base em, e apontando para, este falso Evangelho, que não conduz a Cristo, mas sim directamente para longe dele”.

Este “falso Evangelho”, segundo o autor, consiste na visão católica da justificação, que, como referi num post, ele claramente não compreende. Mas estas confusões à parte, pensem na mensagem que isto transmite aos evangélicos, bem como não crentes, que o lêem: Seguir Jesus, obedecendo aos seus mandamentos, não é a forma correcta de conduzir pessoas a Nosso Senhor. O que é preciso é convencer as pessoas de que os seus argumentos são melhores que os deles.

Esse era eu, antes do meu regresso a Roma. O que eu não compreendi durante muitas décadas, aquilo que a Igreja Católica de facto ensina, é que a vida da fé, como o estado do matrimónio, requer devoção total de corpo, alma e mente. Estar em comunhão com a Igreja não pode ser reduzido a uma lista de “doutrinas essenciais” para as quais se reúnem uma série de argumentos apologéticos capazes de contrariar os desafios da descrença. Embora a tradição intelectual da Igreja ofereça ao mundo um vasto reservatório de autores, perspectivas, santos e sábios para satisfazer a sede filosófica, a sua sabedoria acumulada deriva da riqueza da sua vida litúrgica.

Era dessa vida que eu tinha sede. Os sacramentos e os sacramentais, as devoções e os livros de orações, a Bíblia e o breviário, fazem tanto parte da minha vida cristã que não consigo imaginar-me sem eles. Mas não é uma piedade de mera solidão. Está fortemente amarrada a uma compreensão do Evangelho vivido na prática das virtudes teológicas: fé, esperança e caridade. É a graça suave, expressada nas mãos estendidas de um Papa a lavar os pés aos seus irmãos. E essa é uma boa nova.


(Publicado pela primeira vez na Sexta-feira, 25 de Abril de 2014 em The Catholic Thing)

Francis J. Beckwith é professor de Filosofia e Estudos Estado-Igreja na Universidade de Baylor. É autor de Politics for Christians: Statecraft as Soulcraft, e (juntamente com Robert P. George e Susan McWilliams), A Second Look at First Things: A Case for Conservative Politics, a festschrift in honor of Hadley Arkes.

© 2014 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte:info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

Tuesday, 29 April 2014

De concílios, revoluções e discussões

A caminho de Paris?
Começou esta manhã a reunião plenária da CEP. D. Manuel Clemente fez o discurso de abertura e recordou que tanto o Concílio Vaticano II como o 25 de Abril estão ainda por cumprir plenamente.


Faz hoje 9 meses que foi raptado o padre Paolo Dall’Oglio, na Síria. A sua família voltou a pedir a libertação do jesuíta e um site italiano diz que a informação indica que ele está vivo. Bom sinal, pelo menos!

Por fim, andam cabeções na estrada em França. Dois mil padres, diáconos, religiosos e seminaristas disputem o troféu de ciclismo para o clero.

Ontem apontei para uma reflexão que publiquei no blog sobre a questão dos divorciados, recasados e o acesso à comunhão. Tem motivado bastante discussão, tanto no espaço dos comentários como no Facebook. Gostaria de realçar três coisas.

1º Esta é uma reflexão, não mais que isso. Admito perfeitamente que esteja enganado em relação ao assunto. Se os bispos reafirmarem o “status quo”, serei o primeiro a aceitar e a recomendar que quem “fura o esquema” actualmente, acate obedientemente essa decisão.

2º Ao contrário do que eu mesmo esperava, a discussão à volta do tema tem sido civilizadíssima e muitíssimo interessante. Este é um tema que toca muita gente e que infelizmente é rapidamente visto como uma guerra entre “conservadores e liberais”. Fico muito contente por ver a elevação com que tem decorrido tanto no blogue como no Facebook.

3º O que mais gostaria de sublinhar é que desde que publiquei o texto, e no seguimento das discussões, já três pessoas me enviaram e-mails ou mensagens pessoais a contar as suas próprias experiências, algumas profundamente dolorosas. São testemunhos nalguns casos contrários. Mas o que realço é que isto só é possível porque estas pessoas entenderam que eu entro nesta discussão de boa-fé e não com qualquer “agenda escondida”. Temo que haja quem não tenha compreendido bem isso, gostaria por isso de salientá-lo. Obrigado a todos!

Monday, 28 April 2014

Papas (e mais papas), islamitas e divorciados

Foi um fim-de-semana em grande para assuntos papais.

Dois Papas canonizaram outros dois papas diante de mais de um milhão de pessoas. É seguro dizer que Roma nunca viu nada assim.

Mas a verdade é que, para a Igreja Católica, João Paulo II e João XXIII são agora santos.

Na sua homilia o Papa Francisco disse que são os santos que fazem crescer a Igreja. Mas no fim da homilia houve também uma referência ao sínodo para a família… leiam e tirem as vossas conclusões.

Por isto, e por causa da questão do telefonema do Papa, decidi escrever uma curta reflexão (que não pretende ser mais que isso), sobre a questão do acesso à comunhão por parte dos divorciados e recasados. Leiam e deixem a vossa opinião.

Mudando de assunto, o Tribunal no Egipto recomendou a pena de morte para cerca de 700 militantes da Irmandade Muçulmana. Recomendou? Pois… é complicado, mas o artigo explica.

Termino com três avisos.

Primeiro, para todos os ex-membros das Equipas de Jovens de Nossa Senhora, inscrevam-se no jantar de angariação de fundos para o encontro internacional, que este ano se realiza em Portugal. São 20 euros por pessoa, mas é por uma causa boa! Eu vou.

Segundo, a II Semana de Cultura e Identidade Cristã, organizada pelo Instituto Superior de Ciências Religiosas de Aveiro (ISCRA).

E por fim, o MSV está a organizar um jantar de angariação de fundos também, para financiar um projecto no Príncipe. É no dia 30 de Abril, em Lisboa. Os interessados devem pedir mais informação para este contacto

Divorciados, recasados e comunhão

 [Nota: A seguir a este texto escrevi um novo, com as conclusões da discussão que decorreu a este propósito. Aconselho a sua leitura também]

Este ano não há nada a fazer, o tema do casamento, das segundas uniões e do acesso aos sacramentos para pessoas em uniões irregulares não vai acalmar.

Em Outubro do ano passado o Papa convocou um sínodo para a Família, que vai inevitavelmente abordar estes temas, entre outros. Foi feito um inquérito aos fiéis, o que conduziu logo a uma maior atenção mediática e maior discussão nas redes sociais.

Desde essa altura temos assistido, a meu ver tristemente, a uma guerrilha pública entre cardeais, com uns e outros a apresentar os seus argumentos procurando marcar terreno. Pior, nalgumas dioceses vemos mesmo uma antecipação ao sínodo, procurando dessa forma condicionar as suas conclusões.

Até agora, tanto quanto vi, toda a discussão se tem centrado na indissolubilidade do casamento. Mas será a única abordagem? E se víssemos a questão pela perspectiva do acesso à comunhão?

Hoje em dia estamos habituados à ideia de que todos podem comungar, todos os dias se quiserem. Mas nem sempre foi assim. Antigamente a comunhão, para os leigos, era uma coisa rara. Comungava-se na Páscoa, e eventualmente numa ou noutra celebração importante. E para isso era necessário ter-se confessado imediatamente antes.

Aliás, tudo isto apenas é possível porque se verificaram mudanças no entendimento do acesso à confissão. Antigamente a pessoa confessava-se uma vez, de preferência à beira da morte. Mais tarde, por iniciativa de monges irlandeses, nasceu o hábito da confissão frequente.

E se os bispos chegarem à conclusão que, da mesma maneira que se mudou a prática em relação à comunhão frequente, era agora possível dar mais este passo e admitir à comunhão pessoas que anteriormente estariam excluídas? Se em vez de se encarar a Eucaristia como o coroar de um “Estado de Graça”, se encarar como um auxílio também para quem falhou mas quer continuar a caminhar e não desistir de crescer na proximidade com Deus?

Há um grande obstáculo a este raciocínio. “Portanto, todo aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente será culpado de pecar contra o corpo e o sangue do Senhor. Examine-se cada um a si mesmo e então coma do pão e beba do cálice. Pois quem come e bebe sem discernir o corpo do Senhor come e bebe para sua própria condenação”, diz São Paulo numa epístola aos Coríntios.

Contudo quem, se não a Igreja, tem a legitimidade para determinar quem é digno ou indigno? No tempo de São Paulo, provavelmente uma pessoa a viver em estado de adultério seria considerada indigna de comungar, mas na mesma medida, digo eu, seria considerada indigna sequer de ir à missa, de estar à mesa do Senhor.

Se a Igreja já disse várias vezes que os divorciados e recasados podem e devem estar integrados na vida da Igreja, que devem estar à mesa do Senhor, então não os pode admitir à comunhão? Faz sentido convidá-los para se sentarem à mesa mas não comer?

Pessoalmente, penso que este pode ser um caminho que dá aos milhões de pessoas que aguardam uma resposta da Igreja o sinal de esperança que não os desilude, sem no entanto abdicar da ideia da indissolubilidade do casamento, que é fundamental.

Este texto é uma mera reflexão. Não é uma reivindicação, nem quero colocar no lugar dos bispos. Eles que reúnam, que discutam, que decidam, é isso que esperamos deles!

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