Showing posts with label Bob Dylan. Show all posts
Showing posts with label Bob Dylan. Show all posts

Monday, 30 May 2016

Contratos de Associação e outras guerras

Bob Dylan: Não é um padre da Igreja, mas quase...
Este fim-de-semana decorreu a grande manifestação dos defensores dos colégios afectados pelos cortes nos contratos de associação. A Conferência Episcopal deu o seu apoio à manifestação, embora, que eu saiba, nenhum bispo tenha marcado presença.

Há semanas que ando a evitar entrar nesta guerra, mas hoje acabei mesmo por escrever um texto de opinião. Julgo, sem me querer armar em especialista, que esta será a batalha errada e no meu texto defendo uma alternativa, que é o cheque ensino, e que me parece mais justa.

No sábado foi publicado mais um artigo da série que tenho feito sobre o jubileu da Misericórdia. Desta vez, com a ajuda do especialista padre Isidro Lamelas, olhamos para a misericórdia segundo os padres da Igreja. Uma conversa fascinante, com visões surpreendentes, onde até cabe o Bob Dylan e cinema italiano! Não deixem de ler, que vale a pena.

O Papa Francisco pede que haja mais disponibilidade nas paróquias e diz que até lhe apetece chorar quando vê os horários das paróquias.

Wednesday, 30 April 2014

Não fala o Manuel, fala o Manuel! (E canta o Bob)

Actualidade Religiosa confirma que
Bob Dylan não é o porta-voz da CEP
D. Manuel Clemente foi reeleito presidente da Conferência Episcopal, ontem ao final da tarde. O porta-voz, padre Manuel Morujão, está de saída, sendo substituído pelo padre Manuel Barbosa.

Também ontem D. Ilídio Leandro comentou a questão das “barrigas de aluguer”, manifestando a oposição da Igreja a este assunto que está a ser discutido no Parlamento.

Nasceu hoje uma plataforma que torna o voluntariado mais fácil. Chama-se Dar e Receber e é um projecto do EntreAjuda e da Cáritas.

Atentado na China. Não há mortos, por enquanto, mas há feridos e há os suspeitos do costume, os militantes Uighur, que são muçulmanos e reivindicam independência para a sua região.

Hoje é quarta-feira e por isso trago-vos mais um artigo do The Catholic Thing. Confesso que sou fã de Francis J. Beckwith, que por sua vez é fã de Bob Dylan, o que resultou no artigo do qual sublinho este excerto: “Frequentemente media o Cristianismo dos outros, não com base na sua identificação com Cristo mas de acordo com a sua concordância inequívoca com uma série de “doutrinas essenciais”, como se o primeiro evento da vida depois da morte fosse um exame de teologia. Estudei, defendi e protegi Jesus, como se ele precisasse da minha ajuda. Não o amava.”

“Trouble in Mind”

Francis J. Beckwith
“When the deeds that you do don’t add up to zero
It’s what’s inside that counts, ask any war hero
You think you can hide but you’re never alone
Ask Lot what he thought when his wife turned to stone
Trouble in mind, Lord, trouble in mind
Lord, take away this trouble in mind”
Bob Dylan, “Trouble in Mind”

Fez sete anos esta segunda-feira, dia 28 de Abril, que fui recebido novamente na Igreja Católica, depois de quase três décadas como Evangélico. Como já escrevi em vários locais, incluindo no meu livro “Return to Rome” e na minha contribuição para o livro “Journeys of Faith”, havia certas questões teológicas para as quais eu precisava de respostas plausíveis antes de poder ser reconciliado com a Igreja. Pelo menos foi assim que compreendi a minha própria peregrinação.

Mas agora, olhando para trás, com o benefício tanto do conhecimento actual e de sete anos como católico praticante, estou convencido de que a procura dessas respostas às questões teológicas, embora central para o meu regresso, foi auxiliada por uma sede mais profunda, de que não estava bem ciente em 2007.

A minha fé cristã tinha-se tornado, em grande parte, uma extensão dos meus projectos académicos enquanto filósofo profissional. É claro que não há mal em encarar a nossa fé como pertencendo a uma tradição intelectual que pode ser racionalmente compreendida, explicada e defendida. Afinal de contas, alguns dos nossos antecessores mais admiráveis, incluindo Santo Agostinho e São Tomás de Aquino, para não falar no agora santo Papa João Paulo II, eram filósofos cristãos da melhor qualidade.

Mas no meu caso, quase tudo sobre as minhas crenças tinha sido reduzido a uma questão de procurar argumentos e criticar os meus adversários. A minha fé, ou o que restava dela, tinha-se tornado um programa de investigação intelectual, que agora, em retrospectiva, parecia mais um exercício de autoconvencimento, mais do que uma tentativa de persuadir os outros. Era como um homem que, tendo-se casado, passa todas as horas a tentar ser um bom marido lendo livros sobre o matrimónio, mas ignorando a sua mulher.

Trouble In Mind ( Slow Train by Bob Dylan on Grooveshark

Eu tinha adoptado uma visão sobre-intelectualizada da fé cristã que me tinha fornecido um tesouro inesgotável de críticos a derrotar e de discussões para vencer, mas que me tinha deixado com uma espiritualidade diminuída, sustentada apenas pelas cascatas de ansiedade e de euforia que acompanham o pugilismo filosófico. Por esta razão, frequentemente media o Cristianismo dos outros, não com base na sua identificação com Cristo mas de acordo com a sua concordância inequívoca com uma série de “doutrinas essenciais”, como se o primeiro evento da vida depois da morte fosse um exame de teologia. Estudei, defendi e protegi Jesus, como se ele precisasse da minha ajuda. Não o amava.

Recentemente vi um bocadinho desse antigo “eu” numa série de comentários de um escritor, blogger e apologista protestante. Num post em que descreve o Papa Francisco como um “falso professor”, este autor escreve: “Embora Francisco lave os pés de prisioneiros e beije a face aos deformados, fá-lo com base em, e apontando para, este falso Evangelho, que não conduz a Cristo, mas sim directamente para longe dele”.

Este “falso Evangelho”, segundo o autor, consiste na visão católica da justificação, que, como referi num post, ele claramente não compreende. Mas estas confusões à parte, pensem na mensagem que isto transmite aos evangélicos, bem como não crentes, que o lêem: Seguir Jesus, obedecendo aos seus mandamentos, não é a forma correcta de conduzir pessoas a Nosso Senhor. O que é preciso é convencer as pessoas de que os seus argumentos são melhores que os deles.

Esse era eu, antes do meu regresso a Roma. O que eu não compreendi durante muitas décadas, aquilo que a Igreja Católica de facto ensina, é que a vida da fé, como o estado do matrimónio, requer devoção total de corpo, alma e mente. Estar em comunhão com a Igreja não pode ser reduzido a uma lista de “doutrinas essenciais” para as quais se reúnem uma série de argumentos apologéticos capazes de contrariar os desafios da descrença. Embora a tradição intelectual da Igreja ofereça ao mundo um vasto reservatório de autores, perspectivas, santos e sábios para satisfazer a sede filosófica, a sua sabedoria acumulada deriva da riqueza da sua vida litúrgica.

Era dessa vida que eu tinha sede. Os sacramentos e os sacramentais, as devoções e os livros de orações, a Bíblia e o breviário, fazem tanto parte da minha vida cristã que não consigo imaginar-me sem eles. Mas não é uma piedade de mera solidão. Está fortemente amarrada a uma compreensão do Evangelho vivido na prática das virtudes teológicas: fé, esperança e caridade. É a graça suave, expressada nas mãos estendidas de um Papa a lavar os pés aos seus irmãos. E essa é uma boa nova.


(Publicado pela primeira vez na Sexta-feira, 25 de Abril de 2014 em The Catholic Thing)

Francis J. Beckwith é professor de Filosofia e Estudos Estado-Igreja na Universidade de Baylor. É autor de Politics for Christians: Statecraft as Soulcraft, e (juntamente com Robert P. George e Susan McWilliams), A Second Look at First Things: A Case for Conservative Politics, a festschrift in honor of Hadley Arkes.

© 2014 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte:info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

Wednesday, 12 June 2013

O Direito ao Erro e a Morte da Tolerância

Francis Beckwith
“Well, George Lewis told the Englishman, the Italian and the Jew
«You can’t open your mind, boys
To every conceivable point of view»”
Bob  Dylan, High Water (For Charley Patton)


Há vários anos fui convidado para participar num programa de rádio para discutir um dos meus livros. Nem me lembro qual, mas recordo-me perfeitamente de um diálogo com um ouvinte que ligou. Ele estava claramente irritado pelo facto de eu estar a dar argumentos a favor da inviolabilidade da vida humana nascitura e de estar a explicar, detalhadamente, por que razão acreditava que um ser humano não nascido tem uma natureza pessoal e que o aborto é um homicídio sem justificação.

Depois de alguma conversa de circunstância e de eu ter respondido à sua questão sobre a personalidade humana, o ouvinte declarou, claramente exasperado: “Dr. Beckwith, você é intolerante. Tem tanta certeza de que está certo e que todos os outros estão errados.” Para alguém como eu que gosta de brincar com questões filosóficas este tipo de declaração é boa de mais para ser verdade. É o tipo de cliché mal pensado que tem ajudado a manter o meu livro “Relativism: Feet Firmly Planted in Mid-Air”, escrito com Gregory P. Koukl, nas livrarias há 15 anos.

Respondi fazendo ao ouvinte a seguinte pergunta: “Estou errado ao pensar assim?” Esta é uma resposta interrogativa que tanto eu como o Greg já usámos inúmeras vezes, e que já partilhámos com o público em muitas conferências. O ouvinte respondeu: “Sim”. Pelo que eu disse: “Então você é exactamente igual a mim. Você pensa que tem razão, e que eu estou errado. A diferença é que eu admito que algo é verdade. Você, por outro lado, acredita que algo é verdade, mas age como se não acreditasse”.

Então ele tentou dizer a mesma coisa de outra maneira, mas passava o tempo a tropeçar. Não o conseguia dizer sem entrar em contradição. A dada altura confessou: “Não consigo dizer o que quero dizer sem parecer ridículo”. Respondi: “Isso é porque o que está a tentar dizer é ridículo”.

Reparem que o ouvinte ignorou simplesmente a substância do meu caso, embora isso não me tenha surpreendido. A maioria das pessoas com quem me cruzo, mesmo aquelas que tiraram licenciaturas de instituições de elite, não se preocupa muito com argumentos, apesar de se definirem como campeões da “razão” e inimigos da “superstição religiosa”.

Claro que também afirmam ser defensoras da “diversidade” e do “multiculturalismo” ao mesmo tempo que consideram que todas as instituições, tanto públicas como privadas, devam parecer idênticas na sua composição étnica e de género, bem como nas suas posições fundamentais sobre a sexualidade humana, o conhecimento e o papel do Estado.



É por isso que a recusa da Igreja Católica em mudar o seu ponto de vista sobre o sacerdócio masculino, o casamento, a sacralidade da vida, contracepção e a instrumentalização da reprodução é confrontada com histeria e não com um apelo à defesa das contribuições distintivas que o Catolicismo introduz na nossa sociedade multicultural.

Uma vez que os críticos da Igreja confundem antropologia com cosmetologia, acabam por apelar à conformidade forçada, travestida de diversidade. O que a muitos de nós parece uma hostil exigência de hegemonia liberal, eles dizem ser apenas um convite a alegrarmo-nos no pluralismo.

A minha conversa com aquele ouvinte é um microcosmo desta incoerência. A maioria das pessoas com tendências liberais, tal como este ouvinte, invocam muitas vezes a “tolerância” sem se aperceberem verdadeiramente do que isso implica numa democracia liberal como a nossa.

Se a tolerância é uma virtude cívica, então implica que reconheçamos que aqueles com quem discordamos estão errados. Porque quando eu e outro cidadão estão de acordo não nos estamos a tolerar, estamos de acordo. Porém, ironicamente, muitos na nossa sociedade pensam que o facto de considerar que alguém está errado é em si um acto de intolerância.

Sob esta definição de tolerância o estar de acordo, em vez de estar em desacordo, é que se torna uma condição necessária para a tolerância. Neste caso a tolerância fica de pernas para o ar e torna-se, paradoxalmente, intolerância.

Muitos dos meus amigos liberais, tal como o ouvinte, dizem que devemos ser cépticos em relação à confiança que depositamos nos nossos juízos relativos a assuntos sobre os quais pessoas razoáveis podem discordar. Mas é precisamente em relação a alguns desses assuntos que os seus amigos são mais impiedosos, punitivos e prontos a fazer juízos de valor. Parecem dispostos, ironicamente, a copiar precisamente o tipo de dogmatismo e fechamento mental que apontam de forma pejorativa aos “fundamentalistas cristãos”. Defendendo, embora, a rejeição de instituições e formas de vida que excluem quem é diferente, não praticam o que pregam e, na prática, fazem questão de excluir todos os que pensam de forma diferente da oficial.

A tolerância não pode ser infinitamente elástica. Tanto liberais como conservadores estão de acordo a este respeito. Mas se em questões fracturantes, para as quais o liberalismo foi inventado para fornecer um modus vivendi, a tolerância não pode ser aplicada de forma coerente, então chegámos ao ponto em que o liberalismo abraçou aquilo que, em tempos, afirmava rejeitar: “Não existe o direito ao erro”.

Se assim é, então a tolerância morreu.


(Publicado pela primeira vez na Sexta-feira, 7 de Junho 2013 em The Catholic Thing)

Francis J. Beckwith é professor de Filosofia e Estudos Estado-Igreja na Universidade de Baylor. É autor de Politics for Christians: Statecraft as Soulcraft, e (juntamente com Robert P. George e Susan McWilliams), A Second Look at First Things: A Case for Conservative Politics, a festschrift in honor of Hadley Arkes.

© 2012 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte:info@frinstitute.org


The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

Partilhar