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Monday, 3 September 2012

Redacção: As minhas férias...

Nas minhas férias dediquei-me à restauração...
Durante o último mês a maior parte de nós esteve de férias, mas o mundo não pára!

Assim sendo, passou-se muita coisa em termos de actualidade religiosa. Tentarei aqui fazer um resumo o mais sintético possível:

A Síria continua a ferro e fogo, com a maioria sunita a revoltar-se contra o regime dominado por alauitas, e com as outras minorias (nomeadamente cristãos e drusos) a tentar não ser apanhados no meio do fogo cruzado. Isto no contexto alargado do Médio Oriente com os principais países sunitas (a começar pela vizinha Turquia, a Arábia Saudita e o Egipto) a torcer pelos rebeldes e os países de maioria xiita (Irão e Iraque) a torcer, com maior ou menor influência, pelo regime. O Líbano, onde vai o Papa dentro de duas semanas, vai esperando que a coisa não se espalhe para lá.

Outra notícia importante vem do Paquistão. Poderia parecer mais do mesmo, a detenção de uma cristã indefesa acusada de blasfemar contra o Islão, mas este fim-de-semana houve um golpe palaciano, com a detenção de um imã da mesma aldeia, acusado de encenar o caso. O imã foi detido porque testemunhas disseram que quem rasgou páginas de um Alcorão foi ele, e não a menina cristã.

Não posso deixar de sublinhar a importância disto. 1º Porque mostra, (pela primeira vez que tenho conhecimento, pelo menos num caso desta magnitude, o "sistema" paquistanês a "tomar o partido" de uma cristã acusada de blasfémia e, 2º, Pelas repercussões que tudo isto pode ter socialmente, ou seja, se for provado que o imã é que rasgou as folhas do Alcorão, nesse caso o blasfemo é ele e a pena de blasfémia no Paquistão, como todos sabemos, é a morte... Se for enforcado um imã muçulmano no lugar de uma menina cristã... eu pelo menos prevejo motins e perseguição. Mas talvez esteja a ser pessimista.

Mudando de palco e de tema, na América ficou fechada a candidatura republicana à presidência, que é histórica em termos religiosos. Não porque o principal candidato é Mórmone (já o fundador dessa religião, Joseph Smith, se candidatara à presidência), mas porque, sendo o candidato a vice-presidente um católico, é a primeira vez que uma candidatura de peso à Casa Branca não conta com um único protestante.

Na Rússia, num dos casos mais mediáticos do ano, três elementos da banda Pussy Riot foram condenadas a penas de prisão efectiva pela representação de uma música/crítica não autorizada no interior da principal catedral ortodoxa de Moscovo.

Tivemos três óbitos importantes nestas semanas. A começar por Portugal, morreu o Bispo emérito de Angra do Heroísmo, D. Aurélio Escudeiro.
Na passada Sexta-feira morreu também o Cardeal Martini, respeitadíssimo arcebispo emérito de Milão, uma das principais vozes da ala liberal do Colégio dos Cardeais.
Patriarca da Etiópia, falecido em Agosto
O que poderá ter passado mais despercebido a muitos dos nossos leitores foi a morte, no início de Agosto, de Abuna Paulos, quinto Patriarca e Catolicós da Etiópia, Abade da Sé de São Tekle Haymanot e Arcebispo de Axum. A Igreja Ortodoxa da Etiópia, uma das mais antigas do mundo, faz parte da comunhão de Igrejas Ortodoxas Orientais pré-calcedónias, juntamente com a Igreja Ortodoxa Copta e a Igreja Arménia, entre outras. Isto significa que duas dessas igrejas, a copta e a etíope, estão neste momento acéfalas, aguardando a eleição de um novo patriarca.

Entretanto no blogue foram publicados mais três artigos de The Catholic Thing, que pode ler nos seguintes links.


É evidente que houve muito mais, (como esquecer o “restauro” da imagem de Cristo numa igreja espanhola), mas férias são férias e para acompanhar a actualidade a um ritmo diário existe o resto do ano, que começa agora!

Cumprimentos a todos!
Filipe

Saturday, 18 August 2012

Dois anos atrás das grades para afinar a voz

Três das meninas da banda Pussy Riot foram condenadas a dois anos de pena efectiva pela “actuação” que tiveram na Catedral de Moscovo.

É uma pena severa? É. Mas não me parece totalmente desajustada. Quem ouve apenas os bem-pensantes liberais a falar do assunto diria que elas estão a ser condenadas só porque são anti-Putin, ou porque criticaram a Igreja russa. Mas aquilo que elas fizeram foi de uma total falta de respeito pelas crenças mais profundas de milhões de pessoas e a profanação de um espaço sagrado.

Para colocar as coisas em perspectiva, se eu e os meus amigos amanhã fizéssemos um “show-concerto-punk-protesto”, devidamente mascarados, na Mesquita de Meca, ou junto ao Muro das Lamentações, a protestar contra a ligação entre as respectivas religiões e Estados, o que é que vos parece que me aconteceria?

Dito isto, tinha ficado bem uma condenação meramente simbólica e, para que fique claro, com estas palavras não estou a dizer que acho que os tribunais russos funcionam de forma transparente, ou sequer que aprovo do Governo ou da sua cada vez mais estreita ligação à Igreja Ortodoxa.

Para este blog interessa especialmente analisar o papel da Igreja Russa no meio disto tudo. Parece-me que ela caiu aqui numa perigosa armadilha. Ao alinhar numa condenação e num circo mediático que interessa mais a Putin que à Igreja, expõe-se em demasia por uma causa pateta. O acto das Pussy Riot não teve nada de heroico. Foi de mau gosto, ofensivo e, sobretudo, infantil. Mas a Igreja Ortodoxa conseguiu fazer destas miúdas mártires de uma causa que nada devia ter a ver consigo e assim assumiu uma aura de perseguidora, cimentando a ideia de que está de facto ao serviço de Putin e do Kremlin.

O maior perigo da não separação entre a Igreja e o Estado é sempre para o lado da Igreja, e não do Estado. Esta é mais uma prova de que isso é verdade. A revolta do mundo por esta causa (que só prova que estamos de facto na Silly Season informativa) tem agora por alvo os padres e bispos ortodoxos que, sinceramente, merecem melhor do que serem descritos como lacaios de Vladimir Putin.

Thursday, 15 March 2012

Banda feminista em maus lençóis por “oração punk” em catedral

Não se sabe ao certo se o objectivo da banda punk feminista russa, que dá pelo nome de Pussy Riot, era de protestar contra alguma coisa ou de chocar, mas neste momento pelo menos três membros da banda estão detidas.

O “concerto” que a banda diz ter sido uma “oração punk” teve lugar no dia 21 de Fevereiro. Membros da banda entraram na Catedral de Cristo Salvador, em Moscovo, aproximaram-se da iconóstase, que separa a nave principal das igrejas ortodoxas do altar, a que só os padres podem ter acesso, e irromperam numa música que deixou os presentes estupefactos.

As cantoras de Pussy Riot costumam actuar vestidas com saias ou vestidos curtos e collants, e sempre com a cara tapada por “balaclavas” coloridas. As suas músicas costumam ser de intervenção social ou de protesto e a identidade das artistas é escondida.

Contudo, as autoridades terão conseguido descobrir pelo menos três das intervenientes que se encontram agora detidas, acusadas de vandalismo. O caso está a mexer com a opinião pública russa com movimentos humanitários a considerá-las “prisioneiras de consciência” e várias organizações religiosas a pedir uma punição exemplar.

A Igreja Ortodoxa Russa, em cuja catedral o “concerto” teve lugar, já admitiu perdoar as jovens, mas diz que para isso é necessário que mostrem arrependimento, o que não parece estar próximo de acontecer.

Também a principal organização muçulmana da Rússia sugeriu que as detidas sejam castigadas mas sugere que as condenações sejam de trabalho comunitário. “Se as mãos estiverem ocupadas a fazer algum trabalho físico, como por exemplo apanhar lixo do chão nas ruas de Moscovo, a cabeça poderá ocupar-se de coisas úteis, talvez isso tire estas parvoíces das suas mentes”, disse Muhammedgali Huzin, dirigente desta organização.

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