Wednesday, 15 October 2014

Que diferença faz ter fé?

David G. Bonagura, Jr
Que diferença é que a fé traz para a vida dos crentes? O que é que os crentes têm que falta aos não crentes?

Há sondagens que indicam que os crentes são mais felizes que os não crentes, e outras que indicam o contrário. Mas a mera experiência diz-nos que nem todos os crentes são felizes (no sentido de bem-estar geral), ou sequer pessoas com quem queiramos passar uma tarde. E há mais do que um caso de não crentes cuja boa-disposição faz deles excelente companhia.

Por isso a fé tem de servir para algo mais do que felicidade individual, embora as duas coisas não se excluam. Se a fé vale mesmo a pena, tem de transcender os limites da pessoa que a possui.

O que é que a fé dá aos crentes? Uma forma de vida e disposição completas. Uma relação pessoal e ilimitada com Deus, seu criador, que lhes fala no interior do coração. A pertença a uma Igreja que os une a todos, vivos ou mortos, como irmãos e irmãs no Espírito Santo. Um compromisso para com a caridade que, quando vivida como deve ser, enaltece a relação com Deus e com os outros. A certeza de que as suas vidas e o universo, criadas com um propósito e um valor intrínsecos, estão nas mãos da providência. Uma verdadeira esperança de que existe uma vida para além deste vale de lágrimas.

Estes dons da fé não são do género que marca pontos nas sondagens seculares, mas continuam a ser atributos indispensáveis daquilo a que Sócrates chama uma vida examinada – imbuída de sentido, direcção e esperança. Mas a vida da fé não é uma mera visão intelectual ou compromisso, como o optimismo ou o humanismo. A fé é uma realidade vivida, não apenas uma ideia que se tem, porque consiste de um encontro dinâmico com um Deus vivo que ama.

Os não crentes não reconhecem esta relação fundamental com Deus que devia, por sua vez dar forma a todas as relações humanas. Sem Deus, estão desprovidos de um sentido para a vida e uma esperança. Em vez disso, são obrigados a criar o seu próprio sentido para a vida, os seus próprios princípios para se relacionarem com outras pessoas, os seus próprios desejos. Com uma estranha ironia, comportam-se como directores executivos de vidas que nunca pediram e para cuja existência nada contribuíram.

Que sentido da vida é que os seres humanos criariam por si? Segundo Henri de Lubac, criam “deuses antropomórficos”, que podem ser os ideais ou os valores de qualquer época. Hoje, pensadores seculares como Steven Pinker defendem o “humanismo científico”, segundo o qual o sentido e a moralidade humanas são determinados pelas conclusões da ciência. Pinker baptiza esta visão do mundo como “a moralidade, de facto, das democracias modernas, organizações internacionais e religiões liberais e as suas promessas por cumprir definem os imperativos morais que enfrentamos actualmente”.
 
Steven Pinker
Mas o que acontece aos não crentes que abraçam (supostamente com bases científicas) as hipóteses filosóficas do darwinismo: que a vida humana não tem qualquer sentido inerente e a vida é apenas o produto do acaso acidental? O que acontece se interpretarem as provas científicas sobre quem deve ser considerado “inteiramente humano” de forma errada, como, por exemplo, os esclavagistas, eugenistas, nazis e abortistas? Afinal de contas foi a ciência que levou Richard Dawkins a dizer, recentemente, que qualquer mulher cujo embrião tivesse trissomia XXI devia: “abortá-lo e tentar de novo. Podendo escolher, seria imoral trazer essa criança ao mundo.”

Por maravilhosa e poderosa que seja a ciência, ela continua a ser um instrumento feito pelo homem para medir a realidade, mas que não a transcende e é a transcendência da nossa condição humana limitada que todos os corações buscam. Mas é também por causa dos nossos limites, diz De Lubac, que o homem “é incapaz de transcender os seus próprios recursos, permanece sempre um prisioneiro da noção muito limitada de individualidade que projectou nos seus deuses”. Logo, o seu “desejo de transcendência… continua sempre a ser ambíguo; um sonho, mas um sonho em que está ameaçado pela ruína e o desespero de acordar”.

Em contraste, os crentes sabem pela sua fé que Deus é simultaneamente a fonte e o objectivo dos desejos dos seus corações. Entre os caprichos da vida – alegria e tristeza, prazer e dor, sucesso e desilusão – mantêm a confiança de que existe uma razão e um propósito para tudo, mesmo que não encontrem respostas para todas as suas questões. Ao aceitar livremente o dom da fé, tornam-se livres para viver as suas vidas, não sem tristeza ou infortúnio, mas sem dúvidas e desespero.

A diferença que a fé traz pode ser vista, então, pela analogia de dois homens deixados sozinhos no meio da Amazónia. O homem de fé tem com ele uma bússola, um mapa, uma mochila, comida, água e botas; o outro insistiu que não precisa senão de si mesmo. Parece evidente qual dos dois está em melhor posição para conseguir regressar a casa.


David G. Bonagura, Jr. é professor assistente de Teologia no Seminário da Imaculada Conceição, em Huntington, Nova Iorque.

(Publicado pela primeira vez na Quarta-feira, 8 de Outubro de 2014 no The Catholic Thing)

© 2014 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

Tuesday, 14 October 2014

Nem os bispos se entendem!

Parece que está o caldo entornado no sínodo da família.

Depois do polémico “relatório intercalar” de ontem, hoje veio um bispo sul-africano à sala de imprensa da Santa Sé, dizer que a ideia transmitida pelo mesmo é falsa e não corresponde ao que se passou no sínodo, etc. etc. É ler para crer!

Já ontem na sua reportagem a Aura Miguel dizia que o relatório era tudo menos consensual, hoje confirmou-se.

Isto ainda vai dar muito que falar.

Já aqui falei do curso de gestão para agentes da Igreja, mas hoje temos uma notícia sobre o assunto. É uma iniciativa que faz muita falta!

Publiquei hoje mais duas transcrições sobre a questão dos homossexuais católicos. Temos um membro do apostolado Courage que vive em Londres e também a irmã Maria Vaz Pinto, que faz o acompanhamento espiritual de muitas pessoas que vivem nessa situação. Ambas as conversas são mais curtas que a de ontem, recomendo vivamente a leitura.

A pedido de um amigo divulgo ainda que “A edição de Outubro da revista Além Mar já saiu. O destaque vai para a família a propósito do Sínodo que se está a realizar este mês em Roma. O autor do trabalho é o teólogo português Juan Ambrósio, que vê este Sínodo como o início de uma longa reflexão sobre um tema tão relevante como é o da família.”

“Deus pode gostar de mim assim?”

Transcrição integral da entrevista à irmã Maria Vaz Pinto, sobre o seu trabalho de acompanhamento espiritual de pessoas homossexuais. Pode ler a entrevista, conforme foi publicada, aqui.


Há quanto tempo acompanha pastoralmente homossexuais?
Eu não trabalho propriamente numa “pastoral dos homossexuais”. Faço um trabalho pastoral com jovens ou adultos onde aparecem pessoas que são homossexuais.

A primeira vez que alguém me contou que temia ser homossexual, foi há uns 14-15 anos e a primeira vez que acompanhei uma pessoa homossexual foi há cerca de 10 anos.

O seu trabalho é especificamente com mulheres, ou também com homens?
O meu trabalho pastoral é com todas as pessoas, homens e mulheres. No entanto, é verdade que para um acompanhamento espiritual me procuram mais mulheres que homens. Talvez pela simples razão de que uma mulher se pode sentir mais à vontade, para falar da sua intimidade, com outra mulher.

Quais diria serem as principais questões entre os homossexuais?
A primeira questão que me põem é a possibilidade do amor de Deus: “Deus, e os outros, podem gostar de mim ‘assim’? E a luta interior que esta dúvida causa: “Mas foi Deus que me criou ‘assim’!...” Depois, vem a questão da aceitação pessoal: “Como é que aquilo que define melhor uma pessoa, a sua capacidade de amar, em mim está ‘errado’”?

A proposta da Igreja para estes casos é de uma vida casta. Na prática, considera que é útil ou fácil fazer esta proposta às pessoas com quem trabalha?
Diria que é necessário fazer essa proposta por fidelidade à Igreja.

Também diria que não é fácil, sobretudo quando a pessoa não se sente capaz ou chamada a viver uma vida de celibato, ou já escolheu uma vida sexual activa.

Aí aparecem muitas vezes os problemas de pertença ou de experiência de exclusão da Igreja: “Como é que a Igreja pode pedir a todas as pessoas homossexuais que sejam celibatárias? Eu não me sinto chamado a ser celibatário… Então, não posso pertencer à Igreja? Não posso aceder aos sacramentos? Não tenho lugar nela?”

O facto de ser celibatária permite-lhe transmitir essa ideia com outra credibilidade?
O facto de ser celibatária permite-me dizer às pessoas – a qualquer pessoa – que é possível amar plenamente sendo celibatária, e acho que pode ajudar a relativizar ou dissociar a ideia de que para ser feliz é necessário ser casado ou ter uma vida sexual activa.

Para os casos em que a pessoa diz que não pode, ou não quer, viver em castidade, que abordagem procura?
Procuro fazer caminho com a pessoa a partir do “lugar” em que ela está; ajudá-la a encontrar-se com o amor de Deus e, desde aí, “responder-Lhe” com uma vida de amor e serviço aos outros. Se a pessoa, conhecendo a orientação da Igreja, em consciência e no pleno uso da sua liberdade, vê que não pode, ou não quer, viver o celibato que a Igreja lhe propõe, procuro ajudá-la a viver uma relação estável, um “amor até ao fim”, em fidelidade, generosidade e entrega totais.

Existe revolta entre estas pessoas para com a Igreja?
Em algumas, sim, mas não em todas.

Algumas, sentem-se excluídas ou muito culpabilizadas por não poderem viver o que a Igreja propõe e, por isso, revoltam-se e zangam-se muito. Essas, geralmente, afastam-se da Igreja e chegam mesmo a cortar a relação com Deus.

Outras vivem o seu sentimento de pertença à Igreja com luta e sofrimento mas não com revolta, esperando que a Igreja, um dia, possa reconhecer a condição homossexual como uma possibilidade antropológica e não como perversão ou pecado.

Na sua experiência, os homossexuais defendem o casamento entre pessoas do mesmo sexo ou a adopção por homossexuais e consideram que quem se opõe a estas questões é homofóbico?
Eu não generalizaria: Nem todas pensam dessa maneira.

Algumas vivem fielmente a proposta da Igreja e, por isso, o casamento e a adopção estão fora do seu mundo de possibilidades. Por outro lado, muitas das que desejam para si o casamento e adopção, fizeram um longo caminho até chegar aí e reconhecem, por isso, que as outras pessoas também têm direito a fazer esse caminho de aceitação e respeito, que leva tempo. No entanto, parece-me que, a todas, lhes custará muito não poderem viver o amor como as pessoas heterossexuais o vivem.

Certamente haverá muitos homossexuais que sentem um conflito interior entre a sua fé e a sua orientação sexual. Que mensagem tem para eles?
Que não duvidem nunca do amor infinito de Deus por eles, tal como são e como estão.

Que procurem com seriedade a sua verdade mais profunda, sem se deixarem influenciar por correntes, amizades ou relações casuais, que os arrastem para onde não querem ir ou os levem a fingir ser outra coisa diferente daquilo que são.

Que sejam fieis a essa verdade que vão descobrindo de si próprios e ao caminho que Deus vai fazendo com e em cada um e cada uma.

Que não se deixem prender pelo egoísmo numa autocomplacência vitimista nem numa agressividade castigadora, mas que se abram aos outros, generosamente, numa vida de amor, entrega e serviço.

E para as famílias de pessoas que são homossexuais? Como é que uma família cristã devia reagir num caso destes?
Às famílias eu diria que, antes de ser um ou uma “homossexual”, o seu familiar é filho ou filha, irmão ou irmã, primo ou prima, sobrinho ou sobrinha… E que, ainda antes disso, é uma pessoa humana cheia de dignidade, filho ou filha de Deus. E que, assim como Deus nos ama tal como somos, não há outro caminho para nós senão o do amor incondicional.

Leia também a entrevista feita a Rimont, do apostolado Courage, no Brasil

“There was a time when I thought I was unlovable”

Full transcript of my interview with “George Day”, as he is known in the Courage UK Apostolate. The article, in Portuguese, can be read here.

Transcrição completa da conversa com “George Day”, como é conhecido no apostolado da Courage UK. O artigo respectivo pode ser lido aqui.


Perhaps you can explain briefly what the apostolate is, and what it's goals are...
Well, first of all, we don't use the term homosexual or gay, because this is, we fear, rather limiting of the anthropological mystery of the human person. We prefer to refer to ourselves as person with same-sex attraction.

Although in practice it doesn't make much difference, because we still have to deal with this on a day to day basis, the only difference from other organizations is that we try to live according to the Church's teachings.

By that you mean that your members are committed to a life of chastity and celibacy...
Yes.

When I was trying to find info about your group I found another group called courage, which has ceased to exist, and which was an Evangelical organization. Jeremy Marks, who replied to my e-mail said that although they had started out with the same focus, they had given up on that approach, because they found it to be harmful to the people they worked with.
Jeremy Marks and I know each other very well.

There are two approaches which are similar, in the sense that they are according to the church's teachings, to the Bible if you wish, which is either to live a chaste life, or to get married to somebody of the opposite sex. However, what some organisations tried to do, as was the case of the other “Courage”, is point more to a direction of change of sexual orientation.

But our organisation mainly tries to develop chastity, a desire for chastity, chastity of the heart. If a change of orientation does happen, then it is welcomed, but this is not our aim.

You are referring to conversion therapy, which in some places has even been forbidden. You say that if a change occurs it is welcomed, but what is your position on actually having therapy to try and change somebody's sexual orientation?
We don't endorse it, nor do we fight it. We are not against it or in favour. If some of our members... we do have members actually who are trying to change their orientation, and that is fine, we support them, but it is not something that we endorse.

So how does the group work? Do you meet on a regular basis to discuss...
Yes. We try to meet on a weekly basis. We are a little bit like Alcoholics Anonymous, we try to discuss in a safe and confidential environment, what our week has been like, the challenges that we faced, and how our success is, or even our failures, sometimes. It really is like a 12 step programme, we just try to, with the help of God, live according to the Church's teachings.

These groups are composed of men and women?
Yes.

How many people in London?
We have quite a good number. Those who come to the meetings regularly are about five or six, but we have more than 20 members.

What is the particular challenge to living a chaste lifestyle when you have same-sex attraction?
I think the challenge is that chastity is difficult for everybody, it doesn't matter whether you have same-sex attraction or opposite sex attraction, it is difficult for everybody.
Every day we are bombarded by messages, media, and it really is difficult.

This is a reason why we need to build a fellowship with like-minded people, because it really does help to have the support of other brothers and sisters who try to live according to the church's teachings.

What makes it more difficult for persons with same-sex attraction is that there is a lot of misunderstanding, even in the Church. Most people do not understand this issue. So sometimes we face maybe prejudice, condemnation, which really is not needed, it doesn't help. Even when we try to do the right thing we feel overburdened with things that don't really belong to us, like prejudice and condemnation. We need more education of the Church and society at large, about chastity or same sex attraction, or chastity in the context of same-sex attraction would help a lot!

Do you have hopes that the synod of the Family will deal with this issue?
I can't speak about that, I am not a member of the hierarchy so it is not my position to make a judgement. But I trust the Holy Father, I trust my partners. I believe Pope Francis has a very clear understanding of this issue. My only concern is that there are groups in the church which do not support the teachings of the Church and are trying to push their way to the forefront.

This is only my opinion... I feel that there is a danger that they might actually affect the thinking of some pastors in authority. I would like to see Courage more supported by the clergy, and this is my strong desire. We are the only organisation that enjoys the full endorsement of the Holy See, the Pontifical Council of the Family. Any other group whether they endorse reorientation or the gay life-style, they simply are not approved by the Church. We are the only group approved by the Church.

Groups like yours come under a lot of fire from the activist groups which press for "gay rights". How are you seen by them?
We don't have dealings with each other. We respect each other. At the end of the day... we don't wake up one morning and say, ‘You know what? Today I am going to be attracted to men...’. No, it’s a cross that we have to bear.

And like every cross, we respect the fact that each individual has a choice to deal with it in their own right, in their own way. We respect that. However we are very adamant, very serious, very committed to our efforts.

You have to think of alcoholics who want to stay sober. They wouldn't go to the pub with their drinking mates, would they? Because that wouldn't help their sobriety. But that doesn't mean that they hate them, or that they are against them, or anything. It just means they have chosen the path of sobriety.

If we began to mingle with activist groups that don't support the message of chastity, this would not help, of course.

Where are you from?
I am Italian.

Being Italian, did you grow up in a Catholic family?
My family are not Catholic.

So yours is a story about conversion?
Yes.

Can you tell us a bit about it?
Oh yes! I am very open about it, although this matter is still under investigation of the Holy See, my conversion came through Medjugorje.

It was the Blessed Mother, the Mother of Jesus. It was an experience of love that I felt from Jesus and Mary.

I always knew the teachings of the Church. In fact I used to be a member of Quest, I used to be one of the leaders of Quest, an activist group, and when I came to a deep, profound experience of the love of God, I felt that with all the respect and love I had for them, that organisation was not helping my conversion to holiness. So it was my own choice to move away from them and begin my journey with Courage.

What led you to go to Medjugorje in the first place?
Like everybody, I just went on a pilgrimage, the rest just happened.

What message would you give to young people struggling with a tension between their same sex attraction and their faith?
Jesus loves you.

This is true.

There was a time when I thought I was unlovable. The message I received was a very strong message of condemnation. No matter where people are at in life, Jesus is with them in their journey. All I can say is He picked up the adulterous woman and said to her I don't condemn you, go and sin no more.

It is a message of love, but it is also a message of conversion. But the conversion has to be once we feel the unconditional love of Jesus, then we can choose to follow his path.


Leia também a entrevista feita à irmã Maria Vaz Pinto

Monday, 13 October 2014

Um exemplo dos ícones
do agora D. João Marcos
O sínodo chegou a uma fase crucial. Hoje foi lido o relatório intercalar, que serve de base para as discussões da próxima semana. É importante realçar que não se trata de conclusões nem mudanças de posição, é um instrumento de trabalho. Em todo o caso contém ideias interessantes sobre o acolhimento aos homossexuais e questões ligadas à coabitação e uniões irregulares. Podem ler o essencial do documento aqui.

Entretanto hoje é 13 de Outubro. As celebrações em Fátima foram presididas pelo Arcebispo de Goa, Patriarca das Índias Orientais, que invocou a protecção de Deus para Portugal. Leiam também esta reportagem sobre peregrinações que mudam vidas.


E no meio de tudo isto continua a defesa heróica da cidade de Kobani. De um lado os curdos, do outro os militantes do Estado Islâmico e, a uma distância confortável, a observar tudo, os tanques do maior exército da região, que pelos vistos preferem deixar mulheres e adolescentes sozinhos na luta contra o mal. É isso Turquia, desde o massacre dos arménios que não desciam tão baixo.

Portugal tem um novo bispo, que ainda por cima é iconógrafo! João Marcos vai ser coadjutor de Beja.

Publiquei esta segunda-feira no blogue a transcrição completa da entrevista com o membro brasileiro da Courage, a organização que ajuda os homossexuais a viver uma vida de celibato e castidade, na linha do que a Igreja pede. Vale mesmo muito a pena ler o seu testemunho, que é fortíssimo.

Entretanto, no mail que mandei a semana passada, divulgando a reportagem sobre a Courage, escrevi o seguinte: “Estes são os “outros” homossexuais católicos, que não fazem protestos nem reivindicações e dos quais provavelmente nunca ouviu falar.”

Hoje, Numa conversa com um grande amigo, que trabalha estas questões no terreno, foi-me dito que esta frase é agressiva. Relendo, compreendo que ele tem toda a razão. Não foi minha intenção sê-lo e se há coisa que aprendi com a investigação que fiz sobre estes assuntos é a necessidade de enfrentar sempre esta problemática com uma atitude e disposição que revele a dimensão do amor de Deus por todos. O exemplo dos entrevistados e do apostolado da Courage é suficientemente forte para não ter de ser apresentado em oposição a ninguém.

Peço desculpa a quem possa ter-se sentido magoado com a frase.

“Os desejos homossexuais não definem que és”

Publicamos aqui as respostas, na íntegra, de Rimont, de 25 anos e membro da Courage no Brasil. As respostas foram enviadas por escrito. Alguma da linguagem foi “aportuguesada” e fiz emendas de pontuação, mas não cortei qualquer resposta.

A notícia respectiva pode ser lida aqui.

Está a decorrer em Lisboa um encontro de associações homossexuais católicas. Ouviram falar nesse encontro?
Não soubemos do evento. Além da distância geográfica óbvia, pesou neste desconhecimento, provavelmente, a natureza do encontro, que se dirige às pessoas que tomaram outras resoluções diante da fé católica e os desafios da atracção pelo mesmo sexo (AMS).

Nós, membros do apostolado Coragem, fiéis ao que nos pede a Santa Madre Igreja no Catecismo e em tantos outros documentos, optamos por viver castamente e buscar a santidade, tal como nos pede também Nosso Senhor Jesus Cristo e tal como viveram os santos homens e mulheres que nos inspiram até hoje e por nós intercedem no Céu.

A associação brasileira que participa chama-se “Diversidade Católica”. Que comentário lhes merece essa associação?
Desconhecemos o trabalho em detalhes. O que conhecemos é a unidade em Cristo e Sua Igreja. A diversidade da Igreja existe apenas enquanto permanece ligada à mesma raiz que é Cristo e não há outra forma de mostrar esse vínculo senão pela fidelidade ao que nos ensinou Jesus, Nosso Senhor, e que foi transmitido pelos Apóstolos e seus sucessores ao longo dos séculos.

Elementos que diferem entre si apenas pela negação e pelo protesto em favor de novidades desordenadas não podem naturalmente coexistir e formar uma unidade orgânica - se fosse possível, seria como um corpo cujos membros se repelem entre si, pois não aceitam os comandos da Cabeça.

A verdadeira e justa diferença só encontra sua vitalidade na obediência e na humildade, mesmo quando são virtudes difíceis de se praticar - o que, aliás, as torna ainda mais heróicas e meritórias.

Acreditamos que Deus tem, com respeito a cada um de nós, um amor particular e infinito, um caminho de santidade próprio e a cruz correspondente, que não falta a ninguém. Assim, todos nos identificamos uns com os outros porque nos vemos irmãos na mesma fé e filhos do mesmo Pai do Céu, fiéis ao mesmo propósito de conversão e santidade, o que não nos impede de ver também as diferenças dos dons, que colocamos a serviço de Deus e do próximo, e das cruzes, que carregamos cotidianamente a exemplo de Nosso Senhor. Essa é, assim cremos, uma autêntica diversidade católica.

Há ideia de quantas pessoas a Courage acompanha no Brasil? Há quanto tempo existe no vosso país?
Acompanhamos directamente cerca de cinquenta pessoas, actualmente, e outras centenas indirectamente, por meio das publicações na Internet. Acreditamos, porém, que conseguimos falar a outras mais, devido às várias ferramentas de compartilhamento disponíveis no mundo virtual. Muitos irmãos e muitas irmãs, que carregam a mesma cruz, devem-nos acompanhar em silêncio, lendo nossos textos e ouvindo nossas palestras, talvez esperando que algum dia demos a grata notícia que começaremos um grupo na sua paróquia.

Somos poucos e temos algumas limitações que as obrigações de estado nos impõem, mas estamos disponíveis sempre para acolher, mesmo que simplesmente pelo correio electrónico. Buscamos responder a todos que nos escrevem e fazer um acompanhamento mais próximo, se for o caso - pois há os que nos escrevem apenas para saber do apostolado; informação que damos com muito gosto.

O nosso serviço começou há pouco tempo, desde 2009, e cresce a cada dia, graças ao Bom Deus.

A Courage encoraja os seus membros a viver uma vida de castidade no celibato. Isto é difícil para qualquer pessoa solteira… há uma dificuldade acrescida quando se tem atracção por pessoas do mesmo sexo?
Nosso director, Pe. Paul Check, gosta de citar que a castidade, como qualquer virtude, é uma força da alma. A própria etimologia da palavra nos sugere: uirtus que, em latim, significa a força viril.

De facto, a castidade não é uma dificuldade, nem acrescenta um fardo, mas ela é o motor que nos põe em marcha para praticar mais livremente e perfeitamente o amor que nos ensina Nosso Senhor. Muitas vezes nos queixamos que a vida é difícil e fazemos isso enquanto apontamos os obstáculos ou o grande número de tarefas. Porém nós nos esquecemos frequentemente que a dificuldade não nos fala sobre a complexidade e as exigências das nossas tarefas, mas, sim, da nossa fraqueza em atendê-las.

Eis que Deus nos dá a castidade para nos fortalecer e, se houver alguma dúvida sobre as nossas capacidades naturais, Ele nos oferece, ainda, a Sua graça, em abundância. "Pedi e recebereis", diz o Senhor.

Ora, o sexo e os desejos sexuais trazem consigo muitos desafios, especialmente: o desafio de amar alguém do sexo oposto dentro de uma aliança para a vida inteira, com aquela obediente e responsável abertura à vida dos filhos que Deus enviar.

Semelhantemente, no que toca à situação da pessoa com AMS, os desafios mais decisivos não se resumem à libido, como muitos fazem parecer. A moderação do apetite sexual se consegue com as ferramentas que Igreja sempre indicou: fuga das ocasiões de pecado, oração, recebimento dos sacramentos e jejum. Resta, contudo, o desafio de sair das atitudes de vitimismo e de isolamento. É necessário amar assim como Cristo nos pede para fazer. Por isso, o apostolado Coragem insiste na recomendação da Igreja e dos santos, como São Francisco de Sales e Santo Afonso Maria de Ligório, de que a pessoa precisa se abrir ao próximo, sair de si mesmo, cultivar as amizades espirituais e castas.

Para esse desafio também, Deus nos ajuda e, cremos, o apostolado Coragem é um dos meios dos quais Ele se vale para fazer isso.

Alguns activistas homossexuais dizem que esta recomendação de celibato pode levar a danos psicológicos, frustração, repressão de sentimentos… Como comentam?
O celibato não é a frustração de um desejo, mas a recondução dele ao seu propósito original, nem é sua repressão, mas sua moderação, para que se expresse ordenadamente, segundo o seu fim próprio.

A conversa de que pessoas celibatárias degeneram-se até a loucura é bem antiga. Não é estranha também sua associação com a frieza, o distanciamento emocional, o farisaísmo e atitudes semelhantes.

Entretanto, qualquer um que conheça um convento de freiras – eu, ao menos, conheço alguns muito bons – conhece também como as irmãs cultivam um grave senso de realidade – melhor que o de muitos experimentados na vida –, são muito afectuosas e conservam sempre, não importa a idade, um brilho jovial nos olhos, próprio da pureza mantida desde a mais tenra idade. Qualquer um que tenha bons amigos monges - até mesmo um monge budista, quem sabe – pode ter a mesma impressão com respeito a eles.

Como diz o padre Groeschel, morto recentemente, em seu livro "Courage to be chaste", o problema existe no irrealismo com que alguns buscam a castidade, ou quando tentam negar sua realidade sexual e afectiva, ou quando tentam abraçá-la sem a prudência necessária. O segredo, como nos ensina o padre, é viver castamente, enquanto admitimos sem máscaras as nossas fraquezas, trabalhamos para cultivar as castas amizades e progredimos alegremente no amor cristão, buscando lidar criativamente com os desafios que aparecerem. Ao invés de uma prisão de regras, o celibato é, na verdade, libertador. Ele nos ensina que podemos amar e sermos amados, independentemente da atracção pelo mesmo sexo e seus desafios.

Pe. Groeschel
O que pensam da forma como a Igreja acolhe as pessoas com atracção pelo mesmo sexo? Que recomendariam à hierarquia?
A Igreja, enquanto Corpo Místico de Cristo, é perfeita na sua acolhida. Pessoalmente, quando eu me vi aos 14 anos sendo amado por Jesus e pela multidão dos santos e dos anjos, fiquei muitíssimo tocado e soube que não havia nenhum outro lugar que me acolheria daquele jeito.

O que preocupa, porém, leigos e padres, muito provavelmente também os leitores, é o testemunho do cristão que está na comunidade paroquial. Sejamos claros e coloquemo-nos todos no lugar desse cristão, pois somos ele. Nós já gastamos muito tempo apontando o dedo para os outros, denunciando suas atitudes enquanto mostramos nossos elevados princípios. A hora é de exame de consciência e conversão.

O mandamento já nos foi dado: "Amar ao próximo como a si mesmo". Então, como eu tenho acolhido meu irmão, minha irmã, em Cristo, na comunidade? Seja ele quem for, tenha ele feito o que for. Eu o escuto? Eu o aconselho a se aproximar de Deus? Busco compreendê-lo? Adianto-me em ver e atender suas necessidades, se isto estiver ao meu alcance? Ajudo-o a fazer um exame de consciência, que o desperte para o mal que esteja eventualmente fazendo a si mesmo ou a outros? Mostro com acções concretas que estou próximo e que não lhe virarei as costas, nem o abandonarei de uma hora para outra?

Se cada um se dedicar a este exame de consciência, fizer novo propósito de amar como Cristo nos pede e agir, creio que não haverá nenhuma recomendação a acrescentar a quem quer que seja e sobre o assunto que for.

O que resta dizer, na verdade, é um pedido. Que os bispos e os presbíteros nos ajudem a levar este trabalho do apostolado Coragem para as várias dioceses, paróquias e comunidades. Qualquer católico pode, com a sua amizade, ajudar uma pessoa que tenha AMS, porém o apostolado possui o programa e as ferramentas apropriados para atender às questões que nem sempre alguém com AMS se sente à vontade para partilhar com quem não passa pelo mesmo. A especificidade do nosso serviço só tem a somar e contribuir com as comunidades.

Pode contar-nos um pouco da sua experiência pessoal? Sempre foi católica, ou converteu-se? Sempre teve esta forma de viver a sua orientação sexual? A sua família acompanha e apoia, ou não sabe sequer? No caso de ter amigos homossexuais que não optam por esta via, como é que reagem à sua opção?
Eu nasci numa família católica, porém o meu pai e a minha mãe tornaram-se espíritas depois de um tempo e eu não tive formação religiosa na infância.

No meu coração, notei sempre um chamado à vida com Deus. Mais tarde, minha imaginação juvenil tacteou muitas crenças confusas em espíritos, magia e realidades ocultas, à procura desse Alguém que me via tal como eu era. Isto era-me muito caro, pois eu notava em mim a atracção pelo mesmo sexo desde os cinco anos. Não era algo erotizado, mas tornou-se depois, com o tempo.

Aos catorze anos, dentro de um processo de toda família de retornar à fé Católica, participei num retiro espiritual, organizado por jovens da minha paróquia, e lá eu ouvi pela primeira vez e aceitei que Jesus Cristo é o Senhor, meu Salvador, Aquele que sempre esteve comigo e me amou infinitamente.

Quando li o Evangelho segundo São Mateus pela primeira vez, lágrimas caíam copiosamente dos meus olhos e um desejo ardente queimava no meu peito, dizendo-me que naquelas páginas estava uma palavra verdadeira, que fazia ressonância total com todas as aspirações da minha alma.

Foi quando eu me converti à fé Católica, que decidi abrir-me com os meus pais sobre a minha situação. Contei-lhes tudo depois daquele retiro. Graças ao Bom Deus, eles me acolheram e apoiaram-me. Conversaram comigo sobre suas adolescências e seus namoros, seus desafios e como se conheceram e se casaram. Os meus pais casaram-se virgens, os dois. Comemoram 26 anos de matrimónio este ano. Eles me ajudaram a procurar ajuda, primeiro psicológica e, depois, pastoral.

A psicóloga ajudou-me muito. Contrariamente ao que devem pensar agora os leitores – suspeito –, eu não fui fazer terapia reparativa. Nunca passou pela minha cabeça seriamente a ideia de superar a AMS. De algum modo que não sei explicar, eu via que, no máximo, eu aprenderia a lidar com ela, conhecer suas raízes e tratá-las, na expectativa de que, pelo menos, a forma de eu me relacionar comigo mesmo e com os outros melhorasse. Os padres com quem conversei me ajudaram no mesmo sentido.

No site do apostolado, eu falo mais da minha história. Basta procurar por "testemunho de Rimont".

Eu tenho amigos que aderiram às práticas homossexuais e alguns estão em relacionamentos. Não me abro com eles sobre o assunto e isso porque eles não têm o mesmo propósito de vida. Amo-os e respeito-os. Sei que eles não compreendem uma decisão como a minha, mas não os culpo, pois julgam de acordo com o que sabem da realidade. Vejo as suas dificuldades e rezo por eles, sempre. Noto também como sofrem por razões que ignoram, mas que eu vejo claramente hoje, graças à fé. Busco não os confrontar sobre o assunto, pois, antes de lhes falar sobre moral, eu tento apresenta-los ao Jesus que os ama.

Tudo começou para mim no encontro com a pessoa de Nosso Senhor. Amparado nas catequeses de Bento XVI e Francisco, estou persuadido que será assim com eles, também.

Que mensagem tem para quem vive actualmente o dilema de tentar conciliar a sua orientação sexual com a sua fé?
Ao meu irmão e à minha irmã de cruz, eu dirijo as seguintes palavras. Eu sei que é difícil. Você não está sozinho.

Andamos neste mundo à procura de alguém que nos veja, nos escute e entenda. Sentimos a falta da proximidade de um amigo que nos enxergue além das máscaras, mesmo aquelas que colocamos com a desculpa de "sermos livres" ou "nós mesmos".

Como você, eu já chorei muitas vezes, no quarto, antes de dormir, abafando os soluços com o travesseiro, porque eu me sentia muito sozinho. Nada me doía mais do que esse isolamento, nem mesmo os xingamentos de "viado", "bixa", "maricas".

Eu vivi assim por nove anos, até que eu conheci Jesus e Seu amor por mim.

Não sei como posso descrever isto. Em meu coração eu ouvia uma voz que me dizia para amar o próximo e Jesus me disse o mesmo nos Evangelhos. Em meu coração eu ouvia uma voz que me dizia estar próximo de mim e Jesus me disse o mesmo no Apocalipse: "Eis que eu estou à porta e bato. Quem abrir, eu entrarei e nós cearemos juntos". Eu queria conhecer alguém que me acolhesse e me amasse, independentemente dos meu erros do passado, e eu vi aquele homem, Jesus de Nazaré, chamar a Levi, o cobrador de impostos, e dizer-lhe "Hoje eu vou a sua casa". E Jesus foi. E ele esteve entre pecadores públicos, como um médico perto dos enfermos. Ele não os repeliu, não os rejeitou, mas amou e apostou neles, que eles podiam mudar de vida e ser pessoas melhores.

Ele entregou-se na cruz por mim, por eles e por você, deixando jorrar o sangue até Lhe secar as medulas. Fez para pagar o preço das nossas almas e fê-lo gratuitamente.

Nunca ninguém nos amará assim, nem é possível que alguém assim nos proponha algo que nos faça mal, ou que nos afaste de si. Assim, Ele nos deixou um caminho de amor que exige a castidade, também para nós que temos este espinho na carne. Tantas vezes pensei - creio que você também - que seria mais feliz se não o tivesse. Talvez eu conseguisse ser uma pessoa melhor. Mas eu enganei-me. Os sofrimentos que me afligiam antes, trazem-me hoje o consolo da presença e união com o Senhor. Cristo abraçou a cruz e Ele nos pede para abraçar, também, junto com ele.

Pe. Paul Check
"Basta-te a minha graça", disse Ele a São Paulo. Ele está connosco. Jesus não nos propõe com a castidade nada que seja contra nossa natureza, nada que nos violenta. Pelo contrário, Ele nos propõe algo que atende ao mais profundo dos nossos anseios. Amar!
Para isso, não tenha medo. As pessoas não vão saber mais sobre você, se algum dia você lhes contar sobre a AMS. Isso não fará diferença, pois os desejos homossexuais não definem quem você é.

Então não tema que as pessoas se aproximem, não tema se aproximar delas, não tema servir os mais necessitados e amar o Cristo presente neles. Deixe seu coração se alargar com generosidade e não desista de investir na prática do bem e da virtude. O isolamento não é o melhor jeito de lidar com a AMS, nem a fuga para as práticas homossexuais.

Coragem! Ame como Cristo ama. Seus irmãos e irmãs no Brasil rezam por você.

Escreva-nos, que estamos aqui para ajudar também. Mais uma vez: você não está sozinho. Nos corações de Jesus e Maria. Um abraço fraterno.

Leia também a entrevista feita a George Day, do apostolado Courage, no Reino Unido
Leia também a entrevista feita à irmã Maria Vaz Pinto

Thursday, 9 October 2014

Os "outros" homossexuais católicos e C.S. Lewis na Lapa

C.S. Lewis, na Lapa, às 17h30 de Sábado
No meu trabalho já entrevistei muitas pessoas, mas poucas me inspiraram tanto como o George e o Rimont, dois católicos que vivem a sua homossexualidade em fidelidade ao que a Igreja lhes pede, celibato e castidade. Estes são os “outros” homossexuais católicos, que não fazem protestos nem reivindicações e dos quais provavelmente nunca ouviu falar.*

Falei também com a Irmã Maria Vaz Pinto, que acompanha espiritualmente muitas pessoas homossexuais e que fala da sua experiência.


O debate sobre os católicos recasados e em uniões irregulares chegou finalmente ao sínodo. Foi uma discussão “franca e acalorada”, segundo a nossa repórter Aura Miguel.

Ontem falou o Patriarca D. Manuel Clemente, que explicou à Renascença, entre outras coisas, o termo “gradualidade” de que tanto se tem falado ultimamente.

Quando sabemos que alguém bate nos seus filhos ficamos revoltados, e bem. Mas porque é que não ficamos revoltados com os casos de homens que simplesmente abandonam os seus filhos, saindo de casa e mandando um cheque de vez em quando? Este é o teor do artigo desta semana do The Catholic Thing, que merece ser bem lido.

O artigo parte de uma reflexão de C.S. Lewis, um autor incontornável. Para quem tiver interesse em saber mais sobre ele, há uma oportunidade este sábado, na Igreja Baptista da Lapa. Será uma de várias conferências durante o dia e que incluem uma apresentação de um membro da Opus Dei. Sim, leram bem, um membro da Opus Dei vai falar a uma igreja Baptista. Confessem-se e despeçam-se dos vossos amigos, o fim pode bem estar próximo! 


*Numa conversa com um grande amigo, que trabalha estas questões no terreno, foi-me dito que a última frase deste parágrafo é agressiva. Relendo compreendo que ele tem toda a razão. Não foi minha intenção sê-lo e se há coisa que aprendi com a investigação que fiz sobre estes assuntos é a necessidade de enfrentar sempre esta problemática com uma atitude e disposição que revele a dimensão do amor de Deus por todos. O exemplo dos entrevistados e do apostolado da Courage é suficientemente forte para não ter de ser apresentado em oposição a ninguém.

Peço desculpa a quem possa ter-se sentido magoado com a frase. Não a apago por uma questão de honestidade, mas deixo esta nota visível para que fique claro o que se passou.

Partilhar