Monday, 14 May 2012

Fátima recebe centenas de milhares... e um húngaro


Cardeal Ravasi, em Fátima
Foi um fim-de-semana louco em Fátima. Bateram-se recordes de presença de fiéis no santuário, os hotéis e parques esgotaram, verdadeiramente impressionante.

Pelo meio esteve lá o Cardeal Ravasi, responsável pelo Conselho Pontifício da Cultura, que pediu aos fiéis que sujem as mãos no auxílio aos seus irmãos.

Ainda em Fátima esteve o vice-primeiro-ministro da Hungria, que falou sobre a polémica Constituição daquele país, que defende a vida desde a concepção e refere a identidade cristã da nação, entre outras coisas. Uma entrevista a não perder. Quem estiver descontextualizado pode ver este artigo, e ainda este, no blog.

Nos Açores também foi fim-de-semana de procissões. Milhares participaram na festa do Senhor Santo Cristo.


Por fim um convite: Amanhã a psicóloga Helena Marujo vai falar sobre como “A Felicidade Também se Educa”, numa conferência promovida pelas Equipas de Nossa Senhora, na Paróquia de Santo António do Estoril, a não perder.

A não perder...

Para pais, avós, formadores... a todos os interessados.


A conferência promete! Se puderem não percam.

Friday, 11 May 2012

Tradicionalistas divididos, hotéis de Fátima cheios


Nossa Senhora da Cruz do Sul

É já amanhã que se realiza a jornada “Juntos pela Europa”, que reúne 150 cidades europeias. Saiba tudo aqui…

Se pensa ir a Fátima esta semana… esqueça os hotéis, que estão esgotados. Por outro lado, o santuário anuncia que dispõe agora de serviços médicos mais rápidos e eficazes.

Os quatro bispos tradicionalistas da Sociedade de São Pio X estão divididos internamente. O superior-geral Bernard Fellay está apostado em chegar a acordo com Roma, mas arrisca-se a vir sem os seus três colegas.

Depois de Reino Unido e EUA, a Austrália vai ter um ordinariato pessoal para ex-anglicanos já em Junho. Chama-se Ordinariato Pessoal de Nossa Senhora da Cruz do Sul

Ontem o D. Pio Alves de Sousa, presidente da Comissão Episcopal para as Comunicações Sociais, falou de um défice de silêncio, de repouso e de pensamento nos media… e com esta me calo!

Thursday, 10 May 2012

"Casamento gay" = Divórcio entre Obama e Igreja


Barack Obama assumiu-se a favor do “casamento” entre pessoas do mesmo sexo. O presidente justificou a decisão com base na sua fé cristã. Quem não gostou foi o Cardeal Timothy Dolan, presidente da Conferência Episcopal Americana, que considerou as declarações “profundamente tristes”.

Não deixa de ser peculiar que Obama tome esta medida em ano de eleições. Leia aqui a minha análise.


A crise não poupa ninguém e as IPSS da Igreja em Bragança vão ter de despedir funcionários. O bispo lamenta e diz que vão tentar encontrar soluções.

Hoje Bento XVI recebeu uma delegação judaica e reafirmou a importância da declaração Nostra Aetate. Pode parecer insignificante, mas não é, saiba aqui porquê.

Por fim, se pensa ir a Fátima para as celebrações de dia 12 e 13 estará na boa companhia de outras 300 mil pessoas. A GNR tem conselhos, estão aqui…

Obama e “casamento homossexual”: Porquê agora?


Barack Obama assumiu-se em defesa do “casamento” entrepessoas do mesmo sexo. Mesmo que este não fosse um assunto com evidentes ramificações religiosas, o próprio presidente dos EUA fez questão de levantar a questão, defendendo a sua posição com base no seu Cristianismo.

Quais as repercussões desta afirmação? A nível legislativo, nenhumas. O Governo Federal dos EUA não reconhece o “casamento” gay. Por enquanto as principais batalhas são travadas ao nível dos Estados. Aqui a vantagem está claramente do lado dos defensores do conceito tradicional de casamento. Ontem a Carolina do Norte tornou-se o 31º Estado a aprovar umaemenda que diz que o casamento é apenas entre um homem e uma mulher. Do outro lado da barricada há apenas seis Estados (mais Washington D.C.), que aceitam a redefinição, aplicando o termo casamento às uniões entre pessoas do mesmo sexo.

Obama não vai, nem pode, impor qualquer alteração federal aos Estados. Mas o seu apoio dá um importante ânimo e fulgor aos grupos que batalham por estas alterações, e estes fizeram-no saber imediatamente após o anúncio de Obama.

E a nível político?
Aqui as repercussões são potencialmente importantes, mas ainda pouco claras. À primeira vista o efeito pode ser negativo para Obama. Romney, o candidato republicano, estava a ter dificuldade em conquistar o voto dos Evangélicos brancos, uma fatia importante do eleitorado que votou quase sempre no católico Rick Santorum durante as primárias. Os evangélicos jamais votariam em Obama, mas havia o perigo de ficarem em casa no dia 6 de Novembro. Esta decisão do Presidente é uma garantia de que irão para as urnas votar… contra ele.

Do lado contrário, Obama já contava com os votos de todos os que são a favor do “casamento gay”, por isso não tem grande coisa a ganhar.

Há uma incógnita importante. É que enquanto americano negro a posição pró “casamento gay” de Obama é rara. A maioria dos afro-americanos são conservadores no que diz respeito a questões morais. Interessantemente a Califórnia proibiu o “casamento” entre pessoas do mesmo sexo em 2008 num referendo estadual que teve lugar em simultâneo com as presidenciais. O resultado foi inesperado, tendo em conta que o Estado é bastante liberal, e deveu-se sobretudo aos votos dos eleitores negros, que foram às urnas em maior número precisamente para votar em Obama.

Será este factor suficiente para afastar parte do eleitorado negro? Isso depende em grande parte das campanhas, mas a verdade é que não deve ser. Dificilmente os negros votarão em massa no Partido Republicano. Nesse sentido, Obama poderá pensar que vai conseguir escapar ileso deste anúncio e, no processo, consolidar a sua aura de herói para os movimentos liberais.

Mas porque não esperar até depois das eleições? Bem, aí a culpa pode ser de Joe Biden. O vice-presidente achou boa ideia ir a público dizer que se sentia “perfeitamente confortável” com o “casamento” entre pessoas do mesmo sexo, levando muitos a exigir que Obama clarificasse a sua posição. Obama poderá ter pensado que mais valia assumir-se já do que deixar os seus adversários acusá-lo de esconder as suas verdadeiras convicções por razões eleitorais.

E os católicos?
A nível da população não haverá grandes alterações. Não existe um “voto católico” só por si. Existem é diferentes tendências consoante a prática religiosa e outros factores, como a etnia. Os hispânicos, por exemplo, são fortemente democratas, mas os católicos anglo-saxónicos de prática religiosa regular tendem a votar republicano e, nesse sentido, pouco mudará.


Obama deu assim mais munições aos bispos para sustentarem a teoria de que ele está em guerra contra a identidade cristã do país e contra a liberdade religiosa.

O presidente será reeleito em 2012? O mais natural é que sim, mas não está a tornar as coisas mais fáceis para si mesmo, e a guerra que abriu contra a Igreja Católica está longe de sanada.

Filipe d’Avillez

Wednesday, 9 May 2012

Entre os lacaios e a desobediência

D. Filomeno, bispo de Cabinda
A oposição ao regime cubano acusa a Igreja de ser uma “lacaia” do regime. Este é um dos riscos que as religiões enfrentam nestas situações, não é o primeiro caso, nem será o último, e só o tempo dirá quem teve razão.

O bispo de Cabinda (que alguns cabindas acusam de ser um “lacaio” do regime), sugere a criação de um “observatório da pobreza”.


O que move milhares de pessoas a caminhar para Fátima? Este sacerdote diz que é o amor. A entrevista completa está disponível aqui.

A questão da obediência tem estado na ordem do dia, com centenas de padres austríacos a assinar um “apelo à desobediência”. O artigo desta semana de The Catholic Thing aborda este assunto, não deixem de ler.

Esta noite há debate na Renascença depois do noticiário das 23h. Em destaque está a situação da catequese, a mensagem do Papa para o dia das Comunicações Sociais, a questão dos feriados e ainda o facto de hoje ser Dia da Europa.

Nas trincheiras, ou à volta da mesa?

Presidente Raul Castro e Cardeal Ortega, frente-a-frente
A questão é tão velha como a própria Igreja. Se é verdade que esta tem a obrigação de defender a verdade, os oprimidos, os perseguidos e os pobres, nem sempre é claro qual deve ser a fórmula para o conseguir.

Tomemos um caso concreto que na altura deu muito que falar. No auge da perseguição aos timorenses pelos indonésios, a Igreja, sobretudo a nível internacional, foi criticadíssima por não falar mais firmemente em favor dos timorenses, que ainda por cima são na vasta maioria católicos e se mantinham firmemente agarrados à sua identidade cristã.

O Vaticano não falava abertamente por medo de hostilizar ainda mais o regime de Jakarta, com potenciais repercussões para as outras comunidades cristãs que vivem naquele arquipélago. Recorde-se que, na altura, ninguém tinha grande esperança numa eventual libertação de Timor-Leste.

Todavia, trabalhava-se nos bastidores, e havia gestos. O Papa João Paulo II, por exemplo, beijava sempre o solo de um novo país. Quando chegou a Dili todos aguardavam para ver qual seria o gesto. O Papa beijou um crucifixo, que depois levou ao solo.

E há muitos outros casos também. O mais polémico, ainda hoje, tem a ver com Pio XII e a Alemanha Nazi. Os seus críticos alegam que não fez o suficiente para condenar os crimes dos nazis, mas os seus defensores dizem que é fácil falar em retrospectiva, mas que na altura ele tinha que decidir entre trabalhar nos bastidores ou hostilizar abertamente um regime que depois poderia vingar-se na população católica não só da Alemanha mas também dos países ocupados. Tomou a decisão correcta? O debate continuará aceso, sem dúvida.

Não é por isso surpreendente que estejamos a assistir a uma situação parecida em Cuba. A Igreja foi muito louvada por conseguir sacar importantes cedências do regime, sobretudo a libertação de dezenas de presos políticos. Mas essas cedências só se conseguem com proximidade, e a proximidade tem um preço. Agora são alguns opositores que acusam o Arcebispo de Havana de ser um “lacaio” do regime.

A questão é séria. A atitude da Igreja em Cuba estará a credibilizar o regime e, por isso, a prolonga-lo? Seria mais vantajoso colocar-se numa posição de hostilidade aberta? Devemos estar sequer a falar de vantagens ou desvantagens, numa questão que se prende com a fidelidade ao Evangelho e defesa de direitos humanos básicos?

Não são questões fáceis mas são importantes, nem que seja para realçar os perigos inerentes a estas “relações próximas” com regimes ditatoriais.

Filipe d’Avillez

Partilhar