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Monday, 29 July 2019

Adiós Ortega, adeus Cartuxa, olá hospital e missionários em Macau


O Papa Francisco insurgiu-se ontem contra o facto de continuarem a morrer migrantes às dezenas no Mediterrâneo.

Macau mantém-se como porta do Cristianismo no extremo-oriente. O Caminho Neocatecumenal vai gerir um colégio de missionários destinados à Ásia, que estudarão na Universidade de São José.

Boas notícias também do Iraque, onde a Igreja abre um hospital que serve toda a população e promove a presença cristã na região.

Morreu o cardeal Jaime Ortega, que ajudou a manter viva a Igreja Católica em Cuba e desempenhou um papel muito importante nas relações entre o Vaticano e Havana, mas também entre Cuba e os EUA.



Wednesday, 9 May 2012

Entre os lacaios e a desobediência

D. Filomeno, bispo de Cabinda
A oposição ao regime cubano acusa a Igreja de ser uma “lacaia” do regime. Este é um dos riscos que as religiões enfrentam nestas situações, não é o primeiro caso, nem será o último, e só o tempo dirá quem teve razão.

O bispo de Cabinda (que alguns cabindas acusam de ser um “lacaio” do regime), sugere a criação de um “observatório da pobreza”.


O que move milhares de pessoas a caminhar para Fátima? Este sacerdote diz que é o amor. A entrevista completa está disponível aqui.

A questão da obediência tem estado na ordem do dia, com centenas de padres austríacos a assinar um “apelo à desobediência”. O artigo desta semana de The Catholic Thing aborda este assunto, não deixem de ler.

Esta noite há debate na Renascença depois do noticiário das 23h. Em destaque está a situação da catequese, a mensagem do Papa para o dia das Comunicações Sociais, a questão dos feriados e ainda o facto de hoje ser Dia da Europa.

Nas trincheiras, ou à volta da mesa?

Presidente Raul Castro e Cardeal Ortega, frente-a-frente
A questão é tão velha como a própria Igreja. Se é verdade que esta tem a obrigação de defender a verdade, os oprimidos, os perseguidos e os pobres, nem sempre é claro qual deve ser a fórmula para o conseguir.

Tomemos um caso concreto que na altura deu muito que falar. No auge da perseguição aos timorenses pelos indonésios, a Igreja, sobretudo a nível internacional, foi criticadíssima por não falar mais firmemente em favor dos timorenses, que ainda por cima são na vasta maioria católicos e se mantinham firmemente agarrados à sua identidade cristã.

O Vaticano não falava abertamente por medo de hostilizar ainda mais o regime de Jakarta, com potenciais repercussões para as outras comunidades cristãs que vivem naquele arquipélago. Recorde-se que, na altura, ninguém tinha grande esperança numa eventual libertação de Timor-Leste.

Todavia, trabalhava-se nos bastidores, e havia gestos. O Papa João Paulo II, por exemplo, beijava sempre o solo de um novo país. Quando chegou a Dili todos aguardavam para ver qual seria o gesto. O Papa beijou um crucifixo, que depois levou ao solo.

E há muitos outros casos também. O mais polémico, ainda hoje, tem a ver com Pio XII e a Alemanha Nazi. Os seus críticos alegam que não fez o suficiente para condenar os crimes dos nazis, mas os seus defensores dizem que é fácil falar em retrospectiva, mas que na altura ele tinha que decidir entre trabalhar nos bastidores ou hostilizar abertamente um regime que depois poderia vingar-se na população católica não só da Alemanha mas também dos países ocupados. Tomou a decisão correcta? O debate continuará aceso, sem dúvida.

Não é por isso surpreendente que estejamos a assistir a uma situação parecida em Cuba. A Igreja foi muito louvada por conseguir sacar importantes cedências do regime, sobretudo a libertação de dezenas de presos políticos. Mas essas cedências só se conseguem com proximidade, e a proximidade tem um preço. Agora são alguns opositores que acusam o Arcebispo de Havana de ser um “lacaio” do regime.

A questão é séria. A atitude da Igreja em Cuba estará a credibilizar o regime e, por isso, a prolonga-lo? Seria mais vantajoso colocar-se numa posição de hostilidade aberta? Devemos estar sequer a falar de vantagens ou desvantagens, numa questão que se prende com a fidelidade ao Evangelho e defesa de direitos humanos básicos?

Não são questões fáceis mas são importantes, nem que seja para realçar os perigos inerentes a estas “relações próximas” com regimes ditatoriais.

Filipe d’Avillez

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