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Friday, 16 July 2021

Missas católicas limitadas e cemitérios judaicos abandonados

O Papa Francisco publicou esta sexta-feira um motu proprio em que limita o recurso ao rito antigo da missa. É um tema sempre polémico. Infelizmente, temo que o Papa tenha toda a razão na decisão que tomou, e aqui explico porquê.

O novo bispo de Pemba vê com bons olhos uma intervenção militar internacional para travar a onda de terrorismo, mas avisa que esta deve ser feita dentro da lei.

Na quinta-feira o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem decidiu que os Estados Europeus podem proibir os seus cidadãos de usar símbolos religiosos no local de trabalho, mas pedem bom senso.

Cerca de metade dos cemitérios judaicos na Europa estão em estado de negligência, segundo uma organização da União Europeia encarregue de identificar e proteger estes espaços.

Não deixem de ler o artigo desta semana do The Catholic Thing, que nos traz uma visão católica do debate sobre racismo nos Estados Unidos.

Infelizmente o Papa tem razão. E quem perde somos nós

O Papa Francisco mandou publicar esta sexta-feira um documento que limita drasticamente o acesso dos fiéis ao chamado rito antigo.

Infelizmente, compreendo perfeitamente porque é que o fez.

Antes de prosseguir, deixem-me dizer que embora eu não frequente com regularidade o rito antigo, já o fiz diversas vezes e fi-lo mesmo antes do Summorum Pontificum, mais do que uma vez. Conheço de perto várias pessoas para quem esta é a forma principal de missa.

Nada me choca no rito antigo e direi mesmo que uma das coisas que choca muitos, o facto de o padre estar virado para o altar durante grande parte da liturgia, eu gostava de ver aplicado ao rito novo também, pelo menos para algumas partes da celebração.

Não encontrarão aqui qualquer crítica ao rito que animou e alimentou os nossos avós e bisavós durante mais de um milénio.

Mas o rito não tem vida, é uma fórmula, um conjunto de instruções e rúbricas. No fundo, no fundo, quando não está a ser celebrado, o rito é um conjunto de palavras em folhas de papel. O problema não é o rito, portanto, é o que se faz com ele.

Tal como qualquer outro ritual, texto ou símbolo, a liturgia pode ser abusada e instrumentalizada. Acontece o mesmo com bandeiras. A bandeira dos confederados, nos EUA, não é apenas um pedaço de pano. Foi amada por muitos que morreram por ela e eram bons homens, mas hoje ganhou outro sentido, ao tornar-se o símbolo de saudosistas de sistemas racistas no sul dos Estados Unidos. A culpa não é de todos, mas de alguns. É fácil estragar um símbolo.

Infelizmente um certo sector de tradicionalistas radicais estragou o rito antigo. Estragou-o para todos nós que amamos a sua beleza, sem o transformar num instrumento ideológico. Porque é isso que os radicais de ideologias fazem. Estragam coisas.

O rito antigo foi liberalizado como um gesto de justiça para muitos e como um gesto de reconciliação para alguns que se encontram nas margens, ou mesmo fora da Igreja. O resultado, a nível global, não foi o desejável. As divisões acentuaram-se, muitos dos que estavam dentro ficaram cada vez mais fora e os que estavam fora não entraram. 

Eu deixei de me sentir confortável nas celebrações do rito antigo quando me apercebi que se tinham tornado, em larga medida, locais de disseminação de ódio ao Papa Francisco e a muitos dos nossos bispos, onde se falava de uma igreja de iluminados e uma igreja de hereges ignorantes. Gosto de tradições e de solenidade, mas não o suficiente para me sujeitar a isso.

E foram estes que estragaram o rito antigo para o resto da Igreja. Vão fazer agora aquilo que fazem tão bem, vitimizar-se e lamentar-se de mais uma agressão por parte da Igreja Maçónica Globalista da Nova Ordem Mundial.

Pelo meio ficam – e escolho estas palavras com cuidado – vidas destroçadas, famílias divididas pela influência daquilo que se tornou em muitos casos uma verdadeira seita.

Não são todos, como é evidente. Alguns, talvez muitos, apenas lá iam por amor a uma tradição que não deixa de ser nossa só porque nascemos depois de ter sido reformada. São esses que ficam a perder. Neles me incluo. É pena.

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