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Friday, 22 February 2019

Como lidar com os bispos abusadores e tolerância zero

Mais um dia de cimeira sobre os abusos no Vaticano. Hoje o cardeal Cupich, dos Estados Unidos apresentou uma lista de 12 pontos para ajudar a criar um mecanismo de responsabilização dos bispos, que todos têm reconhecido ser uma lacuna nos actuais sistemas em vigor nos diferentes países.

Tanto Cupich como o cardeal Gracias da Índia falaram da importância de uma abordagem colegial a este problema.

Mais tarde, durante o briefing diário, houve oportunidade de se esclarecer um termo que é muitas vezes usado mas nem sempre explicado. Tolerância Zero… O que é que significa afinal?

Para além das diretrizes da Conferência Episcopal portuguesa, os jesuítas têm em vigor as suas próprias normas. A Renascença e a Ecclesia entrevistaram o padre José Maria Brito, do gabinete de imprensa, que diz que a denúncia destes casos deve ser entendida como uma obrigatoriedade de todos na Igreja.

Uma das vítimas que ontem deu o seu testemunho por vídeo foi uma mulher africana. África está imune a esta crise dos abusos sexuais? De todo… Simplesmente em muitas partes do continente nem existe a noção de que se trata de abusos.

E por fim, mudando de assunto, morreu esta sexta-feira o frei Bernardo Domingues.


Thursday, 17 October 2013

Caneta da paz.catholic

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O Papa recebeu esta manhã o Presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmoud Abbas. Francisco ofereceu uma caneta a Abbas, que disse querer assinar com ela um tratado de paz com Israel. Oxalá!

África já não é um destino de missionários, mas sim um ponto de partida. É sobre isso que se discute hoje e amanhã num colóquio no Porto. Helena Vilaça explica tudo aqui.

Esta “entrevista” que fiz à Helena Vilaça ia ser uma coisa tão curta que nem ia publicar a transcrição. Mas em apenas 10 minutos ela disse coisas tão interessantes sobre esta realidade que não resisti. Leiam, que vale bem a pena.



Hoje é dia internacional para a erradicação da pobreza. Neste dia os sem-abrigo de Lisboa vão receber mapas de serviços de apoio e na Basílica dos Mártires celebra-se missa por intenção das 94 pessoas que morreram absolutamente sozinhas ao longo deste ano.

Os paulistas fazem 70 anos amanhã. Há descontos nas livrarias e um prémio literário


Termino com um desafio. Jantar de angariação de fundos organizado pelo movimento Comunhão e Libertação, amanhã em Lisboa. Inclui noite de fados e conferência de Aura Miguel. A informação está na imagem.

“Problema do Cristianismo europeu é ter perdido a transcendência”

Transcrição integral da entrevista com Helena Vilaça sobre o colóquio “Da Evangelização de África à África Evangelizadora – Mediações Evangelizadoras em África e a Partir de África”. Notícia aqui.

Qual o objectivo do colóquio?
É reflectir sobre as diferentes modalidades da evangelização em África, desde os seus frágeis inícios até ao forte incremento verificado a partir do século XIX e deste até à actualidade pós-colonial, e globalizada, e tentar perceber a respectiva interacção com outros domínios da realidade africana.

Nós sabemos que desde os primeiros contactos que a presença europeia em África se fez acompanhar por campanhas missionárias assegurada num primeiro momento pelas ordens e congregações religiosas católicas, e essa acção missionária vai lentamente obtendo resultados que se traduzem de uma forma mais estável e institucionalizada nas dioceses que vão sendo criadas e instaladas. Isso é um indicador importante.

Este congresso tem um registo que é bastante histórico, até porque o que se tenciona é evidenciar o conjunto de produções e de pesquisas realizadas a partir dos arquivos missionários e será também um ponto de partida para ir à descoberta de arquivos que não foram ainda explorados e estabelecer, por exemplo, um protocolo entre as congregações religiosas e a academia, e a universidade. E quando digo a universidade não estou a pensar unicamente nos investigadores portugueses, o Brasil está a manifestar um grande interesse por este congresso e por toda a documentação que existe nesta área das missões.

Mas também, ao mesmo tempo, queremos perceber as transformações mais recentes que se estão a operar em África. Ao entrar no século XX apenas 10% de África era cristã, hoje podemos dizer que cerca de metade de África é cristã. Esse sucesso de expansão, curiosamente, resultou de muitos africanos convertidos se terem transformado em missionários.

O cristianismo é uma religião muito plástica, no sentido em que se adapta às culturas, o que não significa abdicar da ortodoxia do ponto de vista doutrinário, às vezes sim, mas grande parte das vezes não, mas do ponto de vista cultural e formal o Cristianismo é profundamente plástico e curiosamente um dos factores que contribuiu para isto foi a primeira guerra mundial e o retorno de muitos missionários à Europa durante esse período. Isso fez com que o Cristianismo africano crescesse e mais recentemente a forte expansão pentecostal e neopentecostal que se foi sentindo desde finais do século XX. Já desde o século XIX que a par das missões católicas, as mais antigas, houve trabalho missionário protestante.

Outro aspecto contemporâneo é que a missão europeia em África hoje encontrou novas estratégias, que reflectem o que a Europa e o Ocidente são. Estão menos centradas na evangelização do ponto de vista de anunciar a mensagem e mais em obras sociais enquadrando isso em ONGs. Muitos dos leigos que vão para África fazem um trabalho social, menos preocupados com a missionação. O que é interessante é que o que está a vir de África para cá é um espírito profundamente evangelizador. Muitos cristãos que vêm para a Europa, sejam católicos ou evangélicos, sentem que têm a obrigação de actuar num meio que está descristianizado.

Isto pode sentir-se no mundo católico, por exemplo nos movimentos carismáticos, mas também na presença de padres que têm vindo para cá e o seu trabalho em paróquias normais. Ao mesmo tempo temos as igrejas africanas, de língua portuguesa ou de língua inglesa, a Nigéria tem uma grande igreja evangélica, pentecostal, em Londres. Eles sentem a necessidade de contribuir para esta Europa que está secularizada.
Arcebispo John Sentamu, à esquerda,
número 2 da Igreja Anglicana

O Papa Francisco falou no perigo de se confundir a Igreja com uma ONG, precisamente. Essa nova dimensão da missão cristã ocidental enfraquece a mensagem?
Sem dúvida. No fundo esse tipo de estratégia reflecte aquilo que as próprias igrejas fizeram na Europa. Grande parte das igrejas na Europa, incluindo a católica, abdicaram de uma certa intervenção na esfera pública, no sentido de anunciar a mensagem claramente, cingindo-se ao trabalho social, que é fundamental, sem dúvida, mas em muitos sítios o discurso foi muito imanente. Um dos problemas do Cristianismo europeu é ter perdido a transcendência, ou ter abdicado de anunciar uma mensagem que tem a ver com a transcendência.

Sabe-se que na Igreja Católica há muitos padres e missionários que estão agora a vir para a Europa, invertendo a lógica missionária. Aplica-se o mesmo noutras confissões cristãs?
Sim, isso começa a notar-se. Entra-se em igrejas protestantes, e falo de protestantes históricos, ligados à reforma, ou a Igreja anglicana, e nota-se que se estão a tornar pluriétnicas e isso tem contribuído em muito para a vitalidade de algumas igrejas que até estavam bastante amorfas, e por outro lado até temos as igrejas evangélicas, dentro do protestantismo evangélico, as chamadas igrejas livres, que crescem por todos os lados, e que têm uma componente étnica, mas também de missionação dos portugueses, que é um trabalho que não é feito pelos portugueses, porque os europeus cristãos conformaram-se com a ideia de que a religião tinha de ficar apenas na esfera privada, e esse discurso continua, mesmo que Bento XVI tenha chamado a atenção para a nova evangelização.

Qual é a estratégia da nova evangelização? Vê-se pouco, em termos práticos. A Igreja em Portugal tem feito um trabalho com algum sucesso junto das elites culturais, por exemplo a questão do Pátio dos Gentios, mas ainda não percebi, tanto quanto tenho pesquisado, qual é a agenda de uma evangelização para as pessoas comuns.

Friday, 8 March 2013

Conclave marcado

Nada a ver com as notícias, mas uma belíssima
foto da entronização do Patriarca da Etiópia

Apesar de todos os cardeais serem homens, o dia da mulher não lhes passou despercebido. Hoje na congregação geral discutiu-se o papel da mulher na Igreja.

Continuamos a olhar para a Igreja no mundo. Ontem na edição da noite da Renascença vimos o continente africano, com entrevistas com um bispo na Guiné, uma portuguesa que já trabalhou em quatro PALOP diferentes e um padre nigeriano que fala do mal que é o tribalismo na Igreja. Na segunda-feira viramos a atenção para a Europa.

A data do Conclave parece escolhida de propósito para mim porque dá-me tempo para publicar todos os perfis de cardeais que “vale a pena ter debaixo de olho”. Hoje olhamos novamente para um brasileiro, o Cardeal D. João Bráz de Aviz.


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