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Tuesday, 1 October 2019

Valorizar a Bíblia e clarificar a campanha

(Clicar para aumentar)
O Papa Francisco instituiu um dia especial para valorizar a Bíblia. Em 2020 calha a 26 de janeiro. Podem-se ir preparando.

A dias das eleições, o arcebispo de Évora acha lindamente que o Alentejo seja um destino de descanso para muitos, mas diz que os que de lá são gostariam também que fosse um sítio onde houvesse emprego.

Ainda neste tema os Juristas Católicos publicaram uma nota em que pedem clareza na campanha eleitoral e os Jesuítas publicam uma série de respostas dos partidos às suas questões, sobre temas marcantes destas eleições.

Dentro de dias começa o Sínodo da Amazónia, uma oportunidade para encontrar “novos ministérios” e até “uma nova maneira de ser sacerdote”, diz o padre Joaquim Fonseca, que conhece bem a realidade.

Deixo-vos ainda com este desafio para um curso de namorados. A informação vai em anexo, as inscrições devem ser feitas aqui.

Wednesday, 8 July 2015

Namoro na era da Pílula

George Sim Johnston 
Fala-se muito, hoje em dia, da crise do casamento. Os níveis de divórcio são altos e demasiadas crianças vivem em famílias monoparentais e frequentemente as pessoas acabam por se sentir isoladas e sós quando chegam à meia-idade. Mas fala-se pouco de namoro. Como é que se chega a um casamento? Como é que uma pessoa de 25 anos devia lidar com toda a cena do namoro?

Segundo o filósofo Leon R. Kass, a razão pela qual se fala tão pouco de namoro é porque “os próprios termos: ‘cortejar’ e ‘pretendente’ são arcaicos e se hoje as palavras mal se usam é porque o fenómeno praticamente desapareceu. Actualmente não existem normas de conduta socialmente definidas para ajudar os jovens a orientarem-se para o casamento. Para a grande maioria o caminho para o altar é território desconhecido: É cada casal por si, sem bússola, frequentemente sem um objectivo”.

Esta ausência virtual de guiões para o namoro não tem precedentes. Até há pouco tempo, a sociedade possuía normas claras para governar a “dança” entre um homem e uma mulher antes do casamento. Há razões pelas quais isso já não acontece, salvo raras excepções.

Em primeiro lugar, vivemos naquilo a que Barbara Dafoe Whitehead chama uma cultura de divórcio. Muitos jovens adultos têm os pais divorciados e por isso falta-lhes não só bons conselhos como um modelo convincente para o matrimónio. O fim doloroso dos casamentos dos seus pais deixa-os reticentes quanto à ideia de compromisso.

Em segundo lugar, tem havido uma grande mudança de prioridades em relação ao trabalho e à família. Hoje as pessoas querem ter independência financeira antes de pensar sequer em casar, enquanto os seus pais (e certamente os seus avós) costumavam casar antes de terem uma situação financeira clara. Há cinquenta anos esperava-se que os jovens casais subsistissem com pouco nos primeiros anos do casamento e isto tendia a fortalecer a relação.

“Se esperar até aos trintas”, escreve Charles Murray, “é provável que o seu casamento seja uma fusão. Se casar antes é natural que seja um start-up… Quais são as vantagens de um casamento start-up? Em primeiro lugar, ambos terão memória das suas vidas em conjunto quando tudo estava ainda por definir (…) e cada um saberá que sem o outro não seria a pessoa que é hoje”.

Em terceiro lugar, muitos solteiros tendem a viver o que Kay Hymowitz apelida de uma “adolescência pós-moderna”. Este estado de suspensão emocional tem sido retratado em séries como Seinfeld. Homens novos (e algumas mulheres) que não vêem qualquer razão convincente para se tornar adultos; podem nem saber bem o que a palavra significa.

Para os homens este atraso em aceitar as responsabilidades da vida adulta explica-se em parte pela disponibilidade de sexo sem compromissos. “Se a cultura oferece acesso sexual sem exigir compromisso pessoal em troca”, escreve James Q. Wilson, “muitos homens optarão sempre pelo sexo”.

O sexo, em tempos reservado para o casamento, é agora visto como parte essencial do namoro. Isto não clarifica o pensamento nem enriquece as emoções. O sexo casual criou um clima de cinismo entre os jovens, que entraram no hábito de tratar os membros do sexo oposto como um meio para atingir um fim. A transformação do sexo numa actividade casual faz mirrar o sentido do namoro e, portanto, do próprio casamento.

Estado de suspensão emocional
A modernidade dá muita importância à ideia de liberdade, mas diz pouco sobre como usar essa liberdade. Um caso concreto é a revolução sexual, que tem tido um impacto devastador sobre o namoro e o casamento. De forma geral é difícil, passados estes anos todos, afirmar que a revolução sexual tornou as pessoas mais felizes. Talvez seja mais fácil comprovar o contrário. Considere-se, por exemplo, o número de nascimentos fora do casamento, que agora já ultrapassa os 40% na América e no Reino Unido, ou a epidemia de doenças sexualmente transmissíveis.

A revolução sexual foi iniciada pela introdução da pílula contraceptiva para mulheres. A pílula era suposto “libertar” as mulheres, mas teve uma série de efeitos imprevistos – pelo menos pelos que a promoviam mais vigorosamente.

A pílula concedeu aos homens uma autorização em branco para ter sexo sem responsabilidades, tornou-se algo que podiam exigir sem se preocuparem com as consequências. Tornou-se fácil aos homens tratar as mulheres como objectos de prazer (e algumas mulheres adoptaram a mesma atitude). Esta transformação de prazer físico em comodidade esvaziou o acto sexual do seu sentido nupcial. Fez com que os homens e as mulheres passassem a olhar uns para os outros de formas que têm pouco a ver com a aliança de permanente doação própria que é o casamento.

A pílula também ajudou a criar uma cultura de engate que – como até escritoras feministas de tendência liberacionista como Donna Freitas admitem – tem causado muita dor e frustração, sobretudo entre mulheres. Não é difícil ver que a promiscuidade sexual tanto nos campus universitários como mais tarde tem resultado em muitos homens e mulheres a entrar para o casamento com uma atitude consumista em relação ao sexo.

A pílula também ajudou a criar uma cultura de coabitação antes do casamento. Em 1960, o ano em que a pílula foi introduzida, quase ninguém coabitava antes de casar. Agora 60% já o faz. E acontece que a coabitação não é uma boa rampa de acesso ao casamento. Para começar, ensina aos casais uma noção de compromisso “light”. Apelidos diferentes e contas bancárias separadas, a certeza de que se podem separar “a qualquer instante”. Muitos casais descobrem apenas tarde de mais que a coabitação e o casamento não são de todo a mesma coisa.

A transformação da instituição do casamento terá de passar pela restauração do namoro, embora de uma forma diferente do que era há 60 anos. Recentemente uma aluna de 23 anos contou-me que o que se faz actualmente é juntar-se a um tipo que pode ou não vir a ser seu marido e nem pensar em casar até perto dos trinta. A sua geração precisa de ouvir as razões pelas quais isto é uma fórmula para a infelicidade aos cinquenta anos.


George Sim Johnston é autor de “Did Darwin Get It Right? Catholics and the Theory of Evolution” (Our Sunday Visitor).

(Publicado pela primeira vez no sábado, 4 de Julho de 2015 em The Catholic Thing)

© 2015 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

Wednesday, 22 January 2014

De Beijos e Comunicação

Randall Smith
A verdadeira comunicação é muitas vezes mais difícil do que imaginamos, especialmente no que diz respeito a temas como sexo e romance.

Nos primeiros anos da universidade tive uma discussão com o meu amigo Ed. Eu dizia que ele não devia beijar uma mulher a não ser que estivesse aberto à possibilidade de se casar com ela. Atenção, não estava a dizer que teria de estar pronto para casar logo, apenas que deveria estar aberto à ideia e que, se o casamento com esta mulher em particular fosse uma perspectiva impossível ou impensável, então ele não devia estar a envolver-se desta maneira. O Ed nunca tinha ouvido ninguém dizer algo tão radical na vida e, naquela altura, achou a ideia absurda.

“Sou da Califórnia do Norte”, explicou, “e os jovens californianos têm uma compreensão sofisticada do sexo, por isso podemos envolver-nos em entretenimento sexual mútuo” (como ele lhe chamou), “sem que isso tenha implicações românticas”. Ele podia, explicou, “curtir” com “uma amiga” e seria “apenas diversão”. Nada mais.

É verdade que cada pessoa é diferente, mas mesmo assim eu não estava convencido.

Passadas algumas semanas o Ed trouxe um amigo até ao meu apartamento para repetir a discussão. “Ei, Smith”, disse ele, a rir-se, “diz ao Chris aquilo que me disseste a mim”.

E eu disse.

“É inacreditável”, respondeu o Chris. “É da Idade das Trevas. Eu sou da Califórnia do Sul”, disse ele (começava a notar um certo padrão), “e nós curtimos a toda a hora e não tem de significar nada”.

A Califórnia, ao que parece, tinha-se tornado a Terra do Beijo Insignificante.

Infelizmente para o Chris, estava acompanhado pela sua namorada. E embora ela tivesse ficado calada o tempo todo, passada uma semana acabaram. Quando, mais tarde, nos tornámos amigos e voltámos a falar daquela noite ela disse-me: “Estava sentada a ouvir e a pensar ‘O quê? Beijar não significa nada? Pois para mim significa!’”

Não é que o Chris fosse imoral. Simplesmente era novo e insensato e, claro, era da Califórnia. Deus sabe bem que eu não era mais “moral” do que ele, em termos de possuir as virtudes relevantes. Uma coisa é reconhecer que não sabemos comunicar efectivamente com mulheres sobre assuntos românticos, outra é aprender a fazê-lo sabiamente e bem. A esse respeito ainda tenho muito pouco a aconselhar aos jovens salvo isto: perseverem e rezem.

É precisamente porque sei que tão pouco sei sobre o que as mulheres pensam, que acho sempre estranho que outros homens presumam que sabem. O Chris presumiu saber o que a sua namorada queria; ele partiu do princípio, sem ter discutido o assunto com ela, que ela partilhava da sua atitude para com a relação física que tinham. O meio de onde ele vinha tinha-o convencido que toda a gente pensava da mesma maneira sobre a intimidade física. Pior, ele vinha de uma cultura que o tinha convencido que todas as mulheres encaram a intimidade física da maneira que certos homens gostariam que encarassem.

"Olha, dois bons amigos"

Se pensa que o que fazemos com o nosso corpo não tem qualquer significado intrínseco, então porque é que o sorriso é uma expressão universal de felicidade entre seres humanos? Não há um grupo na Terra que expresse a alegria com uma cara carrancuda. Até bebés recém-nascidos reagem positivamente perante um sorriso e choram quando vêem uma cara carrancuda. Os bebés até conseguem detectar a diferença entre um sorriso verdadeiro e um falso. Dizer que um beijo pode ser insignificante é como dizer que um sorriso não tem de significar que se está feliz. A questão é que, na verdade, normalmente é isso mesmo que significa. E as pessoas que nos vêem a sorrir têm boas razões para perguntar: “Porque é que estás tão contente?” Se nessa altura respondêssemos: “Porque é que um sorriso tem de significar que estou contente?”, achariam que eramos doidos.

De igual modo, a pessoa que andou a beijar não tem pelo menos uma boa razão para pensar que talvez tenha significado algo para si? Quando vemos duas pessoas a beijarem-se num filme o que é que pensamos: “Olha, dois bons amigos”? Não. Dizemos: “Ah, estão apaixonados”.

Dizer que um beijo não significa nada é tão insensato como tentar insistir que uma mulher que cozinha para nós todas as noites não está necessariamente interessada numa relação a longo prazo. Pensam que estou a brincar, mas conheci um rapaz que pensava isso. “Somos só amigos”, insistia. O facto de esta mulher estar a fazer-lhe o jantar todas as noites não lhe sugeria qualquer compromisso a longo-prazo, por isso partiu do princípio que para ela também não poderia querer dizer nada. Era como aquelas crianças que tapam os olhos com as mãos e dizem aos adultos à sua volta: “Não me conseguem ver”.

Jovens que estão a pensar em qualquer forma de intimidade física bem podem virar o bico ao prego e considerar não apenas o que eles pensam (ou presumem) que se está a passar, mas como é que a outra pessoa está a interpretar este acto físico. Estou a partir do princípio que o acto “não significa nada” porque é isso que quero, mas não necessariamente o que ela quer?

Vivemos num mundo pluralista e multi-cultural (ou pelo menos é isso que nos dizem), no qual é suposto os jovens serem sensíveis a outras culturas. E sabemos que certos gestos inocentes nos Estados Unidos podem ser interpretados de forma diferente, por exemplo, na Itália (não façam certos gestos com as mãos lá a não ser que queiram ter chatices). Por isso pessoas de boa vontade farão por ter cuidado.

Ter atenção aos sentimentos de outras pessoas e não partir do princípio que toda a gente interpreta um beijo como sendo “meramente para efeitos de entretenimento”, pode ser um bom começo no que diz respeito a lidar com o sexo oposto.

A não ser, claro, que queira ser um perfeito idiota.


Randall Smith é professor de teologia na Universidade de St. Thomas, Houston.

(Publicado pela primeira vez na Quinta-feira, 16 de Janeiro 2014 em The Catholic Thing)

© 2014 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

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