Showing posts with label Métodos Naturais de Planeamento Familiar. Show all posts
Showing posts with label Métodos Naturais de Planeamento Familiar. Show all posts

Wednesday, 15 April 2015

Uma Pró-escolha que Defende os Métodos Naturais

Howard Kainz
Na introdução ao seu livro “Sweetening the Pill” [Dourar a Pílula], Holly Grigg-Spall deixa claro que é pró-aborto, em termos políticos, e não tem qualquer objecção aos vários métodos de contraceptivos de barreira – como preservativos, diafragmas, espermicidas etc. Todavia, ela encabeça um movimento contra a pílula contraceptiva e seus derivados (Injecções Depo-Provera, Implantes Nexplanon, anéis vaginais NuvaRing, o DIU hormonal Mirena, etc.) e fá-lo não só com o seu livro, mas com o seu site, entrevistas e um documentário que deve estrear em 2016.

Qual será a sua razão para contrariar assim, de forma tão evidente, a doutrina da Planned Parenthood, da Fundação Bill e Melinda Gates, agências americanas e da ONU e outros que promovem as mais modernas tecnologias de contracepção em todo o mundo?

Ela menciona os riscos para a integridade física, raramente abordados pelos principais meios de comunicação – o facto de a pílula contraceptiva aumentar significativamente o risco de doença cardíaca e de cancro cervical, do peito e do fígado; o facto de os contraceptivos orais serem classificados pela Organização Mundial da Saúde como cancerígenos de classe 1, a par do tabaco e do amianto; que a injecção Depo-Provera vem com um aviso de que é prejudicial para a saúde óssea de adolescentes, e por aí fora.

Mas a sua principal preocupação tem a ver com os efeitos mentais e emocionais da pílula. Cita um estudo de 1998 da Universidade da Carolina do Norte, um estudo de 2001 do Kinsey Insitute, outro da Universidade Monash, de 2005 e um de 2008 da Universidade Lakehead que mostram, todas, um impacto negativo dos contraceptivos hormonais sobre o bem-estar emocional.

As pílulas contraceptivas são usadas como tratamento alternativo para problemas físicos como hemorragias fortes, períodos irregulares, dores menstruais, endometriose e Síndrome do ovário policístico. Mas, pergunta, porque é que mulheres perfeitamente saudáveis hão-de começar a tomar medicamentos, muitas vezes desde a adolescência até à menopausa, que tem inúmeros efeitos secundários – para a tiróide, adrenalina, glicose no sangue, níveis de testosterona, etc?

Basicamente, a pílula funciona recorrendo a hormonas artificiais para colocar mulheres férteis num estado em que acabarão por nunca ovular (apesar das hemorragias de privação que acompanham muitos medicamentos) e que por isso serão sujeitas às alterações fisiológicas comuns às mulheres em menopausa – infertilidade, risco acrescido de AVC e cancro da mama, resistência à insulina, imunossupressão e decréscimo da libido, etc.

Por outras palavras, estamos a assistir a um fenómeno estranho em que vemos as mulheres a serem cuidadosas com o que comem, com o exercício, vida saudável e a optarem frequentemente por um estilo de vida “natural” – mas que de resto escolhem tomar comprimidos que utilizam hormonas para impedir toda a forma de menstruação, contribuindo para a contaminação das águas e desregulando a sua própria fisiologia. 

A motivação invocada para suportar tudo isto é, claro, o medo da gravidez. Holly Grigg-Spall, que usou contraceptivos hormonais desde a adolescência quase até aos 30, descreve da seguinte forma a sua experiência: enxaquecas, hemorragias e náuseas constantes e mudanças frequentes de receitas, mas nunca quis parar porque: “Estava aterrorizada pela ideia de engravidar”.

As pressões nos nossos dias são enormes – pais aterrorizados com a ideia de que as suas filhas adolescentes possam vir a ser “punidas” com uma gravidez; médicos (incluindo pediatras) querendo assegurar a “saúde” das suas pacientes; uma economia moderna que precisa que as mulheres estejam disponíveis para trabalhar sem o fardo de “assuntos femininos”, isto para não falar de homens que querem que as suas mulheres ou namoradas estejam constantemente disponíveis para ter relações sexuais.


Mesmo as mulheres que estão a sentir os efeitos secundários negativos da pílula hesitam em parar por causa dos aspectos “bons”. As adolescentes que usam contraceptivos descobrem não só que as menstruações mais pesadas acabam, mas que a acne começa a desaparecer e o cabelo fica menos oleoso. Continuando pelos anos 20 e 30, como diz Holly Grigg-Spall: “Deixamos de ter períodos chatos, podemos ter a pele mais limpa, somos mais magras, temos peitos maiores e, supostamente, livramo-nos da TPM maçadora”.

Deixar de tomar a pílula também pode resultar em sintomas de ressaca, comparáveis ao abandono de outras drogas – insónias, irritabilidade, etc. E as mulheres que querem engravidar podem descobrir que leva vários meses até começarem a ovular normalmente depois de vários anos a tomar a pílula. Mas para as mulheres que decidem que querem deixar de viver como homens, sem períodos, em menopausa perpétua (e com vários dos sintomas da menopausa), o abandono pode abrir novas vias de oportunidade.

Holly Grigg-Spall cita a sua experiência, que coincide com a de muitas outras:

“Quando tomava a pílula sentia-me estagnada – física, mental e emocionalmente. Ficava presa em sentimentos e pensamentos. Não pensava com clareza. Não progredia. Depois de deixar de tomar a pílula o meu corpo vai passando por alterações durante o mês, experimento ondas e picos, o vai e vem e tudo isto me move. Este movimento é galvanizante... Quando deixei de tomar a pílula foi como se tivessem ligado um interruptor. Rapidamente voltei a ter a capacidade para me relacionar verdadeiramente.”

A sua solução, como alternativa para os contraceptivos hormonais, são os Métodos Naturais de Planeamento Familiar, ao estilo do “Método Creighton” mas sem as motivações católicas “opressivas”. Especificamente, segue os métodos seculares da Fertility Awareness Methods (FAM), como o método “Justisse”. Cita estatísticas de estudos alargados da Universidade de Heidelberg e outros que mostram que as FAM são tão eficientes como a pílula. Proclama a boa nova da sua emancipação da pílula no seu site, num manual de instruções (Coming off the Pill: a Guide) e, como já tinha mencionado, num documentário que está a ser produzido. Também promove uma aplicação para smartphone e tablet – Kindara, uma forma “completa e sofisticada” para seguir os ciclos.

Um defensor católico dos Métodos Naturais gostaria mais de ver uma ênfase no direito natural, e veria os problemas enumerados por Grigg-Spall como manifestações empíricas da violação dessa lei. Mas como São Tomás de Aquino, que sublinhou que se devia apreciar a verdade, independentemente da sua origem, devíamos encarar este movimento, que põe a nu uma das mais potentes armadilhas da revolução sexual, como um passo na direcção certa.


Howard Kainz é professor emérito de Filosofia na Universidade de Marquette University. Os seus livros mais recentes incluem Natural Law: an Introduction and Reexamination (2004), The Philosophy of Human Nature (2008), e The Existence of God and the Faith-Instinct (2010)

(Publicado pela primeira vez em The Catholic Thing no Sábado, 11 de Abril de 2015)

© 2015 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte:info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

Monday, 11 November 2013

Filipinos chocados e padres envergonhados

O questionário preparatório para o Sínodo sobre a Família continua na ordem do dia. Uma das secções é sobre a forma como a doutrina sobre as questões da sexualidade e da vida são conhecidas. A especialista Mary Anne d’Avillez diz que são pouco conhecidas e que a culpa é, em parte, dos padres que têm vergonha de falar destes assuntos.


Este questionário é um assunto que será sem dúvida discutido por estes dias na reunião plenária da CEP. Mas pelo discurso do Patriarca de Lisboa, mais virado para os problemas do trabalho e da ideologia do género, não será propriamente uma prioridade.

Ainda em relação ao inquérito, o blog Religionline tem as perguntas publicadas e convida os seus leitores a responder, prometendo fazer chegar as opiniões à CEP.

Claro que a tragédia nas Filipinas esteve no centro das atenções. O Papa falou do assunto ontem e hoje enviou ajuda concreta. A comunidade filipina em Lisboa está “em estado de choque”, mas fortalecida pela oração.

No sábado o Papa recebeu em audiência um contingente de pessoas com deficiência física e mental, e seus familiares. Pediu-lhes que não tenham vergonha de ser um tesouro da Igreja e depois passou pelo menos uma hora a saudar pessoalmente os presentes… se calhar foi mais, às tantas tive de mudar de canal.

Duas sugestões para o Natal (não são só os centros comerciais que acordam cedo para esta realidade): O novo livro “A Lista de Bergoglio” e também qualquer artigo da campanha de Natal da fundação Ajuda à Igreja que Sofre, cujos proveitos revertem na íntegra para os refugiados sírios.

Termino com uma sugestão. Dias 22, 23 e 24 decorre o “Meeting de Lisboa”, organizado pelo movimento Comunhão e Libertação. Podem consultar aqui o programa mas destaco as presenças de figuras tão variadas como D. Manuel Clemente, o surfista de ondas gigantes Garrett McNamara e o pastor e cantor de punk rock Tiago Cavaco, que participa numa mesa redonda sobre o gigante Chesterton.

Sunday, 10 November 2013

"Maioria dos que usam métodos naturais não o fazem por razões religiosas"

Transcrição de entrevista a Mary Anne d’Avillez, sobre os métodos naturais de planeamento familiar, a propósito do inquérito preparativo para o sínodo dos bispos sobre a família, que se realizará em Outubro de 2014. Entrevista conduzida por Ângela Roque. Ver notícia aqui.


Os cristãos em geral conhecem a doutrina da Igreja para esta área, o que a Igreja propõe?
A grande maioria tem uma vaga ideia que é tudo proibido, mas nunca se deram ao trabalho de procurar melhor, de irem ler a “Humanae Vitae”, de pensar e reflectir sobre isso. Claro que há excepções, há grupos ligados a movimentos da Igreja, mais bem formados nesta área.

Mas a não ser pessoas que estejam nestes meios, onde essa informação circula, esta mensagem não passa...
A mensagem não passa. Os cristãos vivem na sociedade e são muito influenciados pela cultura que os rodeia, pelos meios de comunicação, pelo que ouvem falar. A maior parte das pessoas não conhecem ou não sabem que existem métodos de regulação natural do nascimento que são extremamente fiáveis e reconhecidos pela Organização Mundial de Saúde.

Há dois métodos principais, o método de ovulação Billings e o método sinto-térmico, e o método sinto-térmico tem uma eficácia ligeiramente maior.

O método Billings, com um estudo que foi feito na China, por um médico estatal, no ano 2000, indicou uma eficácia – e isto com milhões de casais, porque na China é sempre tudo aos milhões – uma eficácia de 99%. Um estudo mais recente feito pela universidade de Heidelberg na Alemanha indicou uma eficácia de 99,4% ou 99,6%, que é até mais alto do que a pílula.

Agora, o que é essencial é que esses métodos sejam bem ensinados, e sejam bem aprendidos. Os casais têm de ser acompanhados por uma monitora, ou um médico ou uma médica.

Como é que estes métodos chegam às pessoas? São alguns movimentos ligados à Igreja que os difundem, não é?
Sim, ligados à Igreja. Na zona de Lisboa conheço dois, o Movimento Defesa da Vida (MDV) onde eu trabalho, e uma associação chamada “Família e Sociedade” que dá dois cursos por ano.

Nada disto é falado nas escolas? Há educação sexual mas estes métodos são falados?
São falados se eu for lá... de resto duvido. Agora, mais importante que nas escolas é isto ser falado nas famílias, e as famílias também ignoram. Às vezes convidam-me para ir falar aos, Cursos de preparação para o Matrimónio. Curiosamente, em muitos, o planeamento familiar não faz parte, não é um dos temas...

E devia ser, do seu ponto de vista? São cursos promovidos pela Igreja...
Claro que devia ser. Eu vou extraprograma, convidada. Ao Algueirão já vou há bastantes anos, fui muitas vezes à Portela de Sacavém e a outras paróquias, pontualmente, e também ao Cupav, o Centro Universitário dos Jesuítas, que tem dois cursos por ano de preparação para o matrimónio.

As pessoas têm de perceber que os métodos de regulação natural da fertilidade fazem parte da gama de escolha de métodos de planeamento familiar, em que há uns que são técnicos, que são os métodos contraceptivos, e há outros que são naturais, que são estes que usam a fisiologia da mulher, para a mulher perceber quando está fértil e quando está infértil, não implicam tomar nem colocar nada. E um casal não tem liberdade de escolha se não conhece todos. Portanto, onde se fala só sobre contracepção sem falar sobre os métodos naturais está errado, onde se fala só sobre os métodos naturais sem falar nos contraceptivos também acho errado, no sentido em que não é permitido às pessoas fazerem a avaliação da diferença moral que existe entre uns e outros, uma avaliação ética.

É essa diferença moral, ou ética, que justifica a posição da Igreja relativamente à contracepção?
Justifica, pois. Claro que estes métodos só funcionam bem num casal estável, em que ambos querem. Este documento [questionário de preparação para o Sínodo da Famíli] fala sobre casais cristãos, não é um cristão que quer depois estar a dormir com A, B, C e D, implica uma moral e uma ética.

Nestes métodos a pessoa aceita a sua fertilidade como um todo, e aceita a fertilidade do seu marido e o marido da mulher, e não está a tentar fugir ou apagá-la, ou eliminá-la, mas estão em casal a geri-la.

Do ponto de vista relacional é muito positivo porque obriga o casal a dialogar constantemente. No fundo tem que ter uma conversa todos os dias, “como é que tu estás?”, “estamos numa fase fértil, não estamos, como é que é o nosso projecto de vida, como é que vamos gerir”.

Depois do ponto de vista ecológico é ideal. Eu posso dizer que a maioria das pessoas que me tem procurado para aprender os métodos naturais não tem sido por razões religiosas, tem sido por razões ecológicas ou de saúde, mulheres que têm problemas graves e não podem mesmo usar o método contraceptivo. Eu diria que a maioria não é por razões religiosas.

Também há quem pense que quem segue estes métodos é por razões religiosas.
Há.

Está-me a dizer exactamente o contrário…
Estou a dizer o contrário.

Acho que na Igreja deixou-se de falar mesmo entre muitos padres há uma grande ignorância sobre a eficácia e como funcionam os métodos naturais.

Paulo VI, em cujo pontificado
se produziu o Humanae Vitae
Também pode haver alguma vergonha em falar do assunto, pouco à vontade.
Alguma vergonha, pouco à vontade, é difícil falar sobre sexualidade. Medo que lhe digam “ai, não sabe nada disto, é celibatário, e não sabe o que é que está a falar”.

Este não é um método de Igreja, é um método de planeamento familiar que pertence à gama de métodos de planeamento familiar que a Igreja defende ou propõe porque de facto a Igreja olha para a pessoa como um todo, criada por Deus, e aqui a fertilidade é aceite e gerida, e não é eliminada. É toda uma atitude perante a vida. Como é que devia ser passada? Devia ser passada de mãe para filha, mas grande parte das mães também desconhecem.

Aqui o papel dos leigos é fundamental...
Eu acho que é fundamental. Eu fui reler a “Humanae Vitae”, e o Papa Paulo VI diz que aqui os grandes apóstolos são os leigos e são os casais.

Do seu ponto de vista o que é que será ideal acontecer cá em Portugal, na Igreja portuguesa, como é que espera que a Igreja reaja ao inquérito e ponha isto a andar?
Podia haver mais encorajamento e abertura, talvez até mais interesse da parte dos padres em geral. Tem de haver uma grande mudança de mentalidade.

Eu acho primeiro que se isto vai partir dos bispos e dos padres eles próprios têm de ser bem instruídos nesta área, e saber falar com uma linguagem actual e de beleza, e para isso é preciso aprender...

Quem estiver interessado em aprender, informar-se, saber mais, o que é que pode fazer?

Contactar o Movimento Defesa da Vida, que tem um site, ou a Associação da Família e Sociedade, que também ensina os métodos. Isso é que era muito importante, haver mais gente.

Partilhar