quinta-feira, 8 de março de 2012

Dia da Mulher, capela vencedora e Agapinhos

Foto: Nelson Garrido


Uma capela portuguesa venceu o prémio de arquitectura religiosa. Vale a pena ver de perto!

Ainda os feriados religiosos… Afinal agora diz-se que o 15 de Agosto poderá não acabar, diz o bispo emérito de Bragança.

Lembram-se do padre Marcelo Rossi? Está em Portugal para lançar o seu livro. Ontem visitou a prisão de Caxias e esteve também no auditório da Renascença, onde falou sobre o seu novo livro “Ágape”. Vai ser lançada também uma versão para crianças, chamada “Agapinho”. A sério.

Ontem na Renascença foi também dia de debate sobre a actualidade da Igreja. Entre outros assuntos, D. Nuno Brás falou da polémica das prostitutas da Mouraria e das freiras oblatas. É um tema que já abordámos em mais detalhe aqui.

Por fim, D. José Policarpo considerou ontem que o Concílio Vaticano II é hoje mais actual do que há 50 anos.


quarta-feira, 7 de março de 2012

Ecumenismo musical e cooperação com o mal

A situação na Síria mantém-se muito grave e valeu um apelo à paz por parte de Bento XVI esta manhã. O Papa falou também da importância do silêncio na oração.

Por cá ficámos a saber o tema da próxima catequese quaresmal do Patriarca de Lisboa. D. José Policarpo falará da importância da cultura e desafia os católicos a envolverem-se mais nela.

O diálogo ecuménico também se faz com a música. Prova disso é que o coro da abadia de Westminster (na imagem) irá actuar no Vaticano em conjunto com o coro da Capela Sistina. Um momento histórico para ambos os grupos.

E voltamos novamente à “guerra” entre os bispos americanos e Obama por causa da situação da liberdade religiosa versus contraceptivos. O Cardeal Timothy Dolan escreveu aos bispos a dizer que a Igreja não queria esta guerra, mas também não vai fugir dela, e enumera os últimos desenvolvimentos e a estratégia para o futuro.

O artigo que hoje publicamos no blogue de “The Catholic Thing” parte novamente desta questão para analisar o problema da cooperação com o mal, do ponto de vista da teologia moral, de uma forma fácil de compreender. É uma análise que também se pode aplicar à questão das prostitutas na Mouraria, que vimos nos últimos dias, e a tantas outras situações das nossas vidas.

Nenhuma Colaboração com o Mal

Randall Smith
Há um ensinamento da Igreja Católica que tem sido mal citado recentemente. Trata-se da distinção entre cooperação “formal” e “material” com o mal. Alguns comentadores têm insistido vivamente em tentar convencer os católicos de que o decreto da Health and Human Services [que obriga todas as organizações, incluindo as religiosas, a fornecer aos seus funcionários seguros de saúde que cobrem serviços contraceptivos e abortivos] não levanta problemas morais porque financiar serviços contraceptivos é apenas uma cooperação “material” num mal e, segundo eles, a cooperação material não é problemática.

Nessa linha David Gibson, da Religion News Service, escreveu no USA Today a criticar os bispos pela sua continuada oposição ao decreto da HHS. “Isto é teologia moral básica”, afirma um teólogo, e “acho que os bispos e os seus consultores não pensaram muito bem os valores todos que estão em jogo”, diz outro.

Ambos falaram “sob condição de anonimato”, explica Gibson, “com medo de enfurecer a hierarquia num tema tão sensível”, porque como sabemos os teólogos morais dissidentes são pessoas muito acanhadas. O artigo chama-se “Objecção à contracepção chumba no raciocínio moral católico”.

Será verdade?

No que toca a “Teologia Moral Básica”, sobretudo no campo de cuidados de saúde, não há melhor fonte que o texto padrão “The Ethics of Health Care” (3ª Edição), pelos padres Benedict Ashley e Kevin O’Rourke, O.P. Eis o que eles dizem, para que fique claro:

Às vezes as pessoas cooperam com alguém que pratica um acto mau, aprovando o que ela faz ou, voluntariamente e com conhecimento participam do acto... Isto é cooperação formal num acto antiético e é sempre errado. Por outro lado, posso cooperar com alguém não porque aprovo ou coopero livremente, mas porque sou obrigado a isso... quando há coacção em jogo a cooperação é conhecida como material e pode ser de dois graus. Se o acto de cooperação for essencial para desempenhar o acto mau, então é cooperação material imediata. Se for uma cooperação acidental ou não essencial para o acto em si, então é cooperação material mediata.

Por exemplo, se uma pessoa trabalha numa clínica de aborto unicamente porque precisa de um emprego para sustentar a família, isso é cooperação material. Mas o grau de cooperação material depende da forma como se coopera com a pessoa responsável pelo mau acto. Se for o operador do aspirador que aborta os fetos, então é algo essencial para o acto mau que é o aborto, logo é cooperação material imediata. Este tipo de cooperação com o mal não é ético, mesmo que haja coacção.

Contudo, se o trabalho consistir em cuidar das mulheres depois de terem abortado, ou cortar a relva da clínica, então não se está a contribuir de forma essencial para o acto do aborto em si e isso seria um acto de cooperação material mediata. Por fim, a possibilidade de causar escândalo pode proibir mesmo actos de cooperação material mediata, uma vez que mesmo que o objecto moral do acto seja bom, pode conduzir outros a pecar.

Percebem a ideia? Mesmo a cooperação material mediata é de se evitar. Não há aqui nenhuma safa para uma consciência verdadeira.

Perguntei uma vez ao vice-presidente de uma grande farmacêutica, um bom católico e chefe de família, se alguma vez tinha enfrentado dilemas morais graves no seu trabalho. “Bom, havia uma bomba”, respondeu, “que podia ser usada para muitas coisas, mas toda a gente sabia que era principalmente usada para fazer abortos. Era uma coisa que me preocupava muito”.

“E então o que é que fizeste?”, perguntei. “Uma colega minha organizou um grupo de oração”, que se encontrava com regularidade para, como ele me disse, “rezar para que a bomba desaparecesse”. E a verdade é que o FDA [Federal Drug Administration] acabou por alterar as especificações da bomba e a empresa decidiu que era demasiado caro alterar as máquinas e por isso deixaram de a fabricar. Por vezes a solução mais prática é mesmo rezar.

Mas há outra história sobre essa bomba. Acontece que sempre que a linha de produção se avariava, levava muito mais tempo do que era habitual para arranjar. Por isso o patrão do meu amigo pediu-lhe para ir até à fábrica descobrir porquê. Quando ele perguntou ao gerente da fábrica este respondeu, um bocado envergonhado: “Ah, pois. Essa bomba! O meu chefe de manutenção é católico. Ele sabe para que é que a bomba é usada e recusa-se a trabalhar nela.” E não o fazia.

Reparem que o chefe de manutenção poderia ter escolhido considerar que o seu trabalho de reparação era meramente uma “cooperação material com o mal”, e assim passar ao lado da responsabilidade. Mas não o fez. Ele estava disposto a ser despedido mas, estranhamente, não foi. O gerente da fábrica não o despediu – podemos assumir que ele já tinha uma boa dose de credibilidade em termos de honestidade, decência e trabalho bem feito. O vice-presidente católico que me contou a história não insistiu no assunto e o presidente a quem reportou deve ter reclamado mas, por alguma razão, também deixou passar. Eventualmente Deus interveio e fez com que a bomba desaparecesse.

As coisas poderiam ter sido diferentes, claro. O homem da manutenção estava a colocar muita coisa em risco: o seu rendimento, dinheiro para a sua família, a sua reputação. Sempre considerei a sua coragem uma fonte de humildade.

Mas lembremo-nos que, durante o holocausto, um homem operava os comboios, outro abria as portas e outro mandava entrar os prisioneiros, de modo que nenhum deles se tinha de responsabilizar pelo mal que estava a ser feito. Aqueles que quiserem violar a sua consciência procurarão primeiro desinformá-la e depois calar a sua voz.

É bom que comecemos a pensar no tipo de sacrifícios que vamos ter de fazer nos próximos anos. Depois talvez devêssemos duplicar essa estimativa e rezar pela graça de nos mantermos fiéis quando chegar a hora.


Randall Smith é professor de teologia na Universidade de St. Thomas, Houston.

(Publicado pela primeira vez no Domingo, 4 de Março 2012 em www.thecatholicthing.org)

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The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

terça-feira, 6 de março de 2012

Festejos de Purim e tatuagens mágicas

Faz hoje anos D. Eurico Dias Nogueira, Arcebispo emérito de Braga, é o único bispo português ainda vivo que participou no Concílio Vaticano II. Por ele, realizava-se um terceiro.

Também hoje, aliás, já daqui a bocado, a Fundação Evangelização e Cooperação realiza um debate sobre a situação económica. Quem estiver para os lados do Chiado pode aparecer, é na Livraria Ferin, às 18h

Os judeus estão prestes a festejar o Purim. Nesta data recordam como triunfaram sobre os persas que os queriam aniquilar. Uma história… tão actual!

No Tibete mais duas mulheres auto-imolaram-se. Desde a publicação da notícia já foi mais um rapaz também. E já se ultrapassou as vinte vítimas…

Por falar em Budismo, cliquem aqui para ver uma faceta dessa religião que, aposto, a maioria não suspeitava que existia!

Uma faceta do Budismo que você não conhecia…

Está a ver aquela imagem do monge budista sereno a meditar e a abstrair-se do seu corpo físico? Agora esqueça-a.

Na Tailândia há um mosteiro que é famoso pelas tatuagens que faz aos devotos. Tatuagens de animais, sobretudo, que alegadamente possuem poderes mágicos de protecção para quem as ostenta.

Anualmente os fiéis podem regressar ao mosteiro para “recarregar” os poderes mágicos das tatuagens. Nessa altura é comum entrarem em transe e começarem a imitar os animais das tatuagens que têm.

O resultado? Veja por si…

segunda-feira, 5 de março de 2012

Freiras, Bordel, Mouraria, Cáritas e campas profanadas

Na semana passada falou-se muito da polémica de um suposto “bordel” que iria ser aberto pela Câmara de Lisboa na Mouraria e “gerido” pelas irmãs oblatas.

Fui falar com as irmãs em causa para esclarecer a questão. Vale a pena ler a reportagem, porque se é verdade que a história não é de modo nenhum o que parece, continua a ter alguns aspectos que me parecem discutíveis. Encontrarão a minha opinião aqui.

Este fim-de-semana o Patriarca de Lisboa fez a sua segunda catequese quaresmal, dedicado ao matrimónio. D. Manuel Clemente também falou sobre a Quaresma, numa conferência.

Entrámos no Domingo na Semana Nacional da Cáritas. Aqui pode conhecer melhor o trabalho desenvolvido em Setúbal, e aqui o que se faz em Évora. Destaco a frase: “Fazemos o que o Estado não pode ou não sabe fazer”. Durante a semana haverá certamente mais reportagens.

A nível internacional, notícias tristes da Líbia onde um cemitério de ingleses e italianos mortos na Segunda Guerra Mundial foi profanado, com campas vandalizadas e cruzes destruídas (na foto).

Recentemente escrevi uma carta ao jornal britânico The Tablet, a reclamar pelo facto de terem deturpado as declarações de D. Manuel Monteiro de Castro. Recebi na Sexta-feira uma resposta a dizer que foi publicada uma correcção na presente edição. Como já não sou assinante não cheguei a ver, mas não deixa de ser um sinal positivo.

Por fim, uma chamada de atenção para a edição especial do “webzine” dos jesuítas, este mês dedicado todo ele à esperança.

Sobre as irmãs oblatas e o “bordel” na Mouraria

Na Quinta-feira, salvo erro, o Jornal de Negócios publicou um artigo com um título que dizia que a Câmara Municipal de Lisboa vai abrir um bordel na Mouraria, que será gerido pelas freiras Oblatas do Santíssimo Redentor (não confundir com as outras Oblatas, que trabalham na área do ensino).

Claro que deu brado. Nessa noite as televisões pegaram no assunto e no dia seguinte vinha em todos os jornais.

Na Renascença temos uma responsabilidade acrescida no que diz respeito a notícias que metem religião e a Igreja Católica ao barulho. Por isso, e porque a notícia não parecia estar bem explicada, decidiu-se enviar alguém para falar mesmo com as freiras e suas colaboradoras. Calhou-me a mim.

O resultado foi esta reportagem. Mas no que diz respeito à polémica, explica-se rapidamente do seguinte modo.

  1. Esta ordem trabalha exclusivamente com prostitutas, em vários países do mundo.
  2. A Câmara está a fazer a requalificação da Mouraria e, nesse âmbito, as freiras pediram que fosse cedido um espaço para apoio às prostitutas daquela zona.
  3. No sentido de responsabilizar o grupo de prostitutas com quem trabalham, as freiras e a equipa técnica (que inclui leigas), decidiu deixar a elas a decisão do uso a dar à casa. Cito: “Pensou-se então em criar um espaço no Intendente onde elas se reunissem e se organizassem elas próprias, porque, até este momento, somos sempre nós a possibilitar-lhes estes serviços. Aqui era para lhes dar voz e serem elas as protagonistas, a dizerem o que precisavam, se de formação, de apoio na saúde ou de outra coisa. Se elas decidissem que era um espaço onde queriam que se praticasse o trabalho sexual para terem melhores condições de segurança, garantindo a saúde e a higiene, que pudessem fazer também essa escolha”.
  4. A casa é da Câmara, a gestão seria das prostitutas, as Oblatas, em todo o processo fariam apenas de intermediárias.
  5. Não foi ainda tomada qualquer decisão. Não se deve partir do princípio que a decisão passe por ter “um espaço para praticar o trabalho sexual” e, o que não é de somenos, não é nada claro que a Câmara o aceitasse de qualquer maneira, sobretudo depois da polémica dos últimos dias.
Mouraria
Feito este resumo, não queria deixar de dar a minha opinião sobre tudo isto.

Em primeiro lugar penso que não é demais elogiar, muito, o trabalho que estas pessoas fazem junto das mulheres mais marginalizadas da nossa sociedade. Eu sei que há prostitutas de luxo, e algumas que se calhar fazem aquele trabalho por escolha e não por obrigação etc. etc. Pela explicação que me foi dada, não são essas com quem as Oblatas trabalham. Elas estão junto de quem mais precisa e, crucialmente, transmitem-lhes a ideia de que são pessoas, com dignidade, com valor. Humanizam quem, pelo trabalho que exerce, é diariamente desumanizada por clientes, chulos e sociedade.

Segundo, acredito que seja de facto possível que para muitas prostitutas o simples exercício de se organizarem, tomarem decisões e sentirem que alguém lhes confia essa responsabilidade, possa ser o empurrão que faltava para procurar outras soluções.

Terceiro, não obstante tudo isso e sem perder o imenso respeito que ganhei ao tomar conhecimento do trabalho que fazem junto das prostitutas, não concordo com a possibilidade sequer de aquela casa poder ser usada para o exercício da prostituição.

Não posso deixar de pensar nisto pela perspectiva de pai. Tenho duas filhas que, salvo alguma tragédia, jamais conhecerão algo que se pareça sequer com a vida de uma prostituta. Mas se por acaso isso acontecesse?

Como pai faria tudo, mas tudo, o que estivesse ao meu alcance para as “resgatar”, mostrar-lhes que têm valor. Jamais lhes viraria as costas nem as colocaria fora da minha vida. Agora daí a abrir as portas da minha casa para que pudessem exercer... não. Não sou capaz de achar bem que se abram as portas de outras casas para aquelas que não sendo minhas filhas, são filhas de alguém.

Há aqui, por mais que se tente olhar de perspectivas diferentes, um selo de aprovação inerente, que parece legitimar o “trabalho sexual”. Não me refiro às intenções de quem neste caso está a “mediar” o processo, falo sobretudo da impressão que pode causar na sociedade e nas próprias prostitutas. Não me convenço de que seja benéfico.

Eu sei que isto não é um assunto fácil, e claro que não sou eu que lá estou noite após noite a tentar ajudar estas mulheres, a ver o que sofrem. Por outro lado, às vezes é preciso estar de fora para ter uma visão menos influenciada das coisas.

A existência da casa parece-me bem, evidentemente. A formação, apoio sanitário, psicológico e tudo o resto, não posso deixar de louvar, mesmo muito. Mas penso que é importante passar uma mensagem clara. A prostituição não é mais digna por ser “higiénica e segura”, é uma instrumentalização que atenta sempre, sempre, contra a dignidade inerente das mulheres e se não pode ser ignorada, não deve de forma alguma ser encorajada, mesmo que seja visto apenas como um mal menor para se conseguir o objectivo final de possibilitar o abandono daquela vida.

Concluindo, contudo, deixo aqui o contacto da instituição, porque eu vi com os meus olhos muitos dos serviços práticos que prestam, de enormíssimo valor, e sei que obras destas precisam sempre da ajuda que lhes possamos dispensar, seja material, financeiro ou humano. Quem estiver interessado em contactá-las pode fazê-lo para aqui: irmasoblatas@gmail.com.

Filipe d’Avillez

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