segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

O Diabo Vermelho que está numa Igreja

Muitos são os jogadores de futebol que são venerados como santos pelos seus adeptos, mas poucos têm direito a serem imortalizados num vitral de igreja.

Apresento-vos o que penso ser um caso único (para futebol pelo menos). As imagens são da Igreja de Saint Francis, em Dudley, Inglaterra. O jovem rapaz representado é Duncan Edwards, um dos jogadores do Manchester United que morreu no desastre aéreo de 6 de Fevereiro de 1958.

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Edwards tinha apenas 21 anos e era uma das estrelas da equipa. Morreu juntamente com outras 21 pessoas, incluindo sete jogadores do United.

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Como eram treinados por Matt Busby e devido à baixa média de idades, ficaram conhecidos para a posteridade com os "Busby Babes".

Um dos sobreviventes da tragédia foi o famoso Bobby Charlton.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Padroeiro dos saxofonistas?

Depois de uns quantos anos a trabalhar nesta área e mais uns quantos apenas a segui-la com interesse, continuo a surpreender-me com algumas das coisas que descubro.

Já vi muita coisa estranha, mas nada me preparava para a Igreja Ortodoxa Africana de São John Coltrane. A sério...


Há tanta coisa para comentar aqui... que acho que o melhor é ficar calado.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Aliança das civilizações em Lisboa e anti-obama nos EUA

Men in Black "LIKE" protesto católico contra Obama

Realiza-se amanhã um encontro na Mesquita de Lisboa integrado na “Aliança das Civilizações”, que junta diferentes religiões em diálogo, fica aqui a informação e o desafio para quem quiser aparecer.

O número de bispos católicos nos EUA que se manifesta publicamente contra uma recente medida de Obama continua a subir. Agora contam com o reforço de 65 bispos ortodoxos (os da foto, mais 61).

Hoje chamamos a vossa atenção para duas decisões judiciais. Em França a Igreja da Cientologia foi condenada a uma pesada multa por fraude e no Iraque os terroristas que mataram 57 pessoas numa Igreja de Bagdade foram condenados à morte.

O líder supremo do Irão raramente fala, mas quando o faz não mede as palavras. Como dizia um comentador no grupo do Facebook, é interessante comparar o tom do líder do Irão com o dos líderes de outras duas teocracias, o Vaticano e o Tibete.

Quem também falou foi o líder da Sociedade de São Pio X (lefebvrianos). Foi uma homilia interessante e reveladora do estado das negociações com a Santa Sé, que analiso e comento aqui.

Para finalizar, Lisboa tem novos regulamentos sobre exorcismos (não é tão emocionante como parece).

Questões, dúvidas? Perguntem ao Bispo de Viseu.

Lefebvrianos dispostos a deixar morrer “a geração Vaticano II”

O bispo Fellay com Bento XVI
A reintegração dos lefebvrianos da Sociedade de São Pio X na Igreja poderá levar cinco a dez anos, disse ontem o superior-geral desta organização, o arcebispo Bernard Fellay.

Numa homilia ontem, no Minnesota, Estados Unidos, Fellay falou de forma franca sobre as negociações com Roma e as perspectivas de sucesso das mesmas. Deixando bem claro que uma resolução será difícil.

Quem se interessa pelo assunto deve ler o texto completo aqui, em inglês. Contudo, realço os seguintes aspectos.

Afinal, nada está perdido. No final do ano passado, com base em palavras do mesmo Fellay, tinha-se ficado com a ideia de que a SSPX ia simplesmente rejeitar a proposta de Roma. Desde então a sociedade mandou uma resposta para o Vaticano que, pelos vistos, dava alguma margem de manobra e por isso as negociações continuam.

Os Lefebvrianos estão dentro ou fora da Igreja? A resposta não é simples. Vejamos esta passagem da homilia: “Mesmo se estamos a lutar contra Roma estamos ainda, por assim dizer, com Roma. Lutamos com Roma, ou se preferirem, contra Roma, mas ao mesmo tempo ao lado de Roma. E dizemos, e continuamos a dizer, que somos católicos. Queremos permanecer católicos”.

O que eu tenho dito antes é que este estatuto de “dentro mas simultaneamente fora” é incomportável durante muito mais tempo. Se as negociações falharem definitivamente então a SSPX pode-se considerar definitivamente fora, com tudo o que isso implica, e que descrevi aqui.

Contudo, o bispo tem razão ao apontar uma incoerência nas atitudes de Roma: “Seria mais fácil estarmos fora. Teríamos muito mais vantagens. Tratar-nos-iam muito melhor! Olhem os protestantes, como lhes abrem as portas das suas igrejas. A nós fecham-nas”. Não são apenas palavras, são factos. Bem sei que as disputas são tanto mais dolorosas quanto mais próximas são as pessoas, mas vejam isto pelos olhos dos tradicionalistas: Deve doer ver que as antigas catedrais se abrem mais rapidamente a celebrações protestantes do que a comunidades seguidoras de Lefebvre.

Fellay continua a usar um tom pouco realista quando diz que estão dispostos a negociar mas que a única solução viável é que a Igreja renuncie a todos os “erros” do Concílio Vaticano II. Contudo, olhando mais de perto entrevê-se outra possibilidade: “Dissemos-lhes muito claramente, se nos aceitarem como somos, sem nos obrigarem a aceitar estas coisas, então estamos prontos. Mas se querem que aceitemos estas coisas, então não estamos”.

Portas fechadas, ou prestes a abrir?
Ou seja, deixem-nos voltar sem nos obrigarem a aceitar o que o Concílio diz e não nos chateamos mais. “Live and let live”. Curiosamente há precedentes para esta atitude, o que não significa que Roma aceite. Se SSPX está dividida internamente, a Igreja Católica também. Há muita pressão no sentido de não permitir a reentrada desta sociedade sem que ela ceda, sobretudo no que diz respeito à questão da liberdade religiosa e do diálogo ecuménico, as duas grandes questões do Concílio que eles não aceitam. O que nos leva a…

O factor tempo
Fellay refere que uma solução poderá ser possível, mas que não prevê que isso aconteça num futuro próximo. “Talvez em cinco, ou dez anos”, diz.

Como é que se pode ler esta frase? Basicamente o que Fellay está a dizer é que daqui a cinco ou dez anos a “geração Vaticano II” já terá, efectivamente, partido para conhecer o seu Criador. E insinua que a geração seguinte será mais compreensiva, sem uma ligação tão forte ao concílio.

Fellay está a apostar em algo que muitos já notaram, que a nova geração de sacerdotes (e por conseguinte a próxima geração de bispos) é significativamente mais conservadora e tradicionalista que a actual.

Tudo bem, mas não deixa de ser uma aposta arriscada. Como estará a SSPX dentro de cinco a dez anos? Manter-se-á unida? O que achará uma nova geração de lefebvrianos que nunca esteve em comunhão plena com Roma? Sentirão a falta? Vale a pena correr esse risco? Ou será tudo isto bluff, tendo em conta a próxima ronda de negociações que se aproxima?

Em conclusão, contudo, pode-se dizer que esta intervenção de Fellay é substancialmente mais positiva no seu tom do que aquelas que ele teve antes de enviar a resposta para Roma. Para todos os efeitos a bola está agora no campo do Papa, que estará a meditar uma contraproposta. Por enquanto só sabemos que a proposta que está em cima da mesa “já é bastante diferente daquilo que nos foi apresentado a 14 de Setembro”, nas palavras de Fellay, por isso a situação não está tão negra como parecia estar em finais do ano passado.

E agora? Cá estaremos para ver.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Patriarca de Veneza e freiras contra a exploração sexual


Porque hoje é Quarta-feira publicou-se no blogue mais um texto de The Catholic Thing no blogue. Eis um excerto:

Nota ainda para uma reportagem interessante sobre as Irmãs Adoradoras, que trabalham no terreno para combater o tráfico humano e a exploração sexual das mulheres.

E por fim a triste notícia de 35 cristãos detidos e maltratados na Arábia Saudita. O crime? Rezar.

A Fé enquanto compromisso

Randall Smith
Às vezes falamos da “fé” como se implicasse nada mais que o assentimento intellectual a uma lista de proposições, sem a necessidade de provas. Quando essa fé é desafiada deixamos de saber se ainda “acreditamos”. Será que Deus existe?

Quando falamos assim de Deus é como se estivessemos a falar de OVNIs ou fantasmas. Existem? E se sim, que diferença é que isso faz? Mesmo que os fantasmas existam, para que é que servem para além de fazer barulho e arrastar a mobília? Isso até os filhos fazem. A existência ou não de fantasmas não afecta a minha vida.

Mas a fé – pelo menos a fé cristã – é diferente.

Pensemos no seguinte caso. Imagine que está de volta no liceu – por mais que isso lhe custe – e que tem uma professora daquelas, das que claramente o odeia. Está constantemente a pensar isso: “Ela odeia-me.”

Agora imagine que um bom amigo vem ter consigo e diz que ouviu uma conversa entre o director e vários outros professores, durante a qual aquela professora que supostamente o odeia o estava a defender com unhas e dentes, contra todos os outros que acham que deveria ser expulso da escola. (Isto é baseado numa história real.)

Agora pense na sua resposta. A primeira reacção talvez fosse de dizer: “Não acredito.” Como quem diz: “Não acredito que isso tenha acontecido; não acredito que ela tenha feito isso; deves ter ouvido mal.”

“Não”, responde o amigo, “eu vi pela porta, era ela.”

Consoante a fé que tem nas suas crenças sobre esta professora, a sua próxima reacção talvez seja mais extrema: “Não, isso não aconteceu, estás a mentir.”

Mas imaginemos que se trata de um bom amigo que nunca lhe mentiu. Que, ainda por cima, já o ajudou em algumas situações complicadas e que, francamente, não tem qualquer razão para lhe mentir. O que é que implicaria “acreditar” nesta história?

Em primeiro lugar, não tendo estado lá, para acreditar na história é preciso acreditar no seu amigo o suficiente para acreditar que este facto histórico aconteceu mesmo. Mas isso é só o início.

Porque mesmo que acredite que esse evento aconteceu tal e qual lhe foi descrito, continua a ser possível negar que a professora tenha agido “em seu benefício.” Isto é, mesmo que acredite que ela o defendeu, pode insistir consigo mesmo que ela o fez apenas para o tramar: “Ela quer manter-me aqui para continuar a torturar-me”, ou algo do género.

Logo, para além de ter de acreditar no seu amigo o suficiente para acreditar que o evento aconteceu mesmo, também tem de acreditar nele o suficiente para confiar na sua interpretação do evento: que a professora fez o que fez porque se preocupa consigo e não apenas para dar cabo do seu juízo.

Assim, “acreditar” envolve não só uma aceitação da historicidade de um evento, inclui a aceitação do significado e da importância desse evento. Se for capaz de acreditaqr que esta professora, que pensava que o odiava, não só o defendeu como o fez por que se preocupa com o seu bem-estar, então talvez tenha que repensar todas as coisas que ela lhe fez no passado e reinterpretar essas acções à luz deste novo facto.

É uma realização desconcertante: “Oh não! Não me digam que esta mulher está do meu lado, que todo este tempo tem estado a tentar ajudar-me! Vou ter de reavaliar tudo!” Quando uma boa parte da nossa vida foi passada a odiar alguém que pensamos que nos odeia também, descobrir que afinal essa outra pessoa não partilha dos nossos sentimentos pode ser assustador. É como se alguém nos tirasse a muleta em que nos apoiávamos.

Imaginemos que, afinal, a hipótese de que ela apenas o quisesse manter na escola para o torturar não lhe parece muito credível, obrigando-o a considerar a ideia de que ela se preocupa mesmo consigo. A verdade é que mesmo assim ainda pode dizer: “Tudo bem, admito que ela o fez e que (talvez) o tenha feito por amor, mas a verdade é que não quero saber. É uma parva e eu não quero viver como ela.”

Isso ainda é possível, não é? Ninguém o obriga a respoder com gratidão ou amor. Pode responder com desprezo. Não falta quem o faça. O que tem à sua frente é um convite. Pode dizer “sim” e deixar que isso o mude, ou pode dizer “não” e endurecer o coração.

A “fé”, no verdadeiro sentido da palavra, significa deixar que o amor de Deus nos mude de tal forma que respondemos na mesma moeda, com amor. Uma fé que não nasce do amor, e não dá frutos no amor, permanece vazia. É como acreditar em fantasmas. Pode passar o dia todo a falar de fantasmas ou a falar de Deus mas isso não muda nada se aquilo em que acredita não tocar tanto a sua mente como o seu coração e o levar a fazer mudanças na sua vida.

Visto assim, a principal questão não é saber se acredita em Deus, a primeira questão é saber se acredita no amor. Porque se não consegue, ou não quer, acreditar no amor, nunca estará em condições de aceitar a boa nova de Jesus, tal como não foi capaz de aceitar as boas noticias sobre a professora que pensava que o odiava.

É muito mais fácil agarrar-se à convicção de que não pode ser verdade. Acreditar em Deus não é difícil. As pessoas acreditam em toda a sorte de coisas que nunca viram, fantasmas, OVNIs, quarks. Desistir das suas convicções infantís, mudar a sua visão do mundo e dar a volta à sua vida: isso é que é difícil.


Randall Smith é professor de teologia na Universidade de St. Thomas, Houston.

(Publicado pela primeira vez no Domingo, 22 de Janeiro 2012 em http://www.thecatholicthing.org/)

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The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

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