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segunda-feira, 11 de novembro de 2019

Bebés no lixo e um novo santo

Frei Bartolomeu dos Mártires
Portugal tem um novo santo. Frei Bartolomeu dos Mártires foi canonizado ontem. Trata-se de um “santo com o cheiro das ovelhas”, como diz D. Anacleto, de Viana do Castelo, a diocese onde ele morreu.

Numa interessantíssima entrevista sobre a canonização, D. Jorge Ortiga falou do novo santo mas comentou também a atualidade, dizendo que o Estado devia investir em cuidados paliativos e não em matar pessoas, isto a propósito da Eutanásia.


O caso da mulher que pôs um bebé no lixo continua a dominar as atenções. Há muito a refletir sobre este triste evento, que felizmente não acabou em tragédia, mas uma das conclusões que tiro é que a reação geral de compaixão pela mulher que deixou o seu bebé num ecoponto desmascara a argumentação de quem defendeu a liberalização do aborto nas campanhas dos referendos.

Mais um dia triste no nordeste da Síria, onde hoje foram assassinados dois padres – pai e filho – e uma igreja foi atingida por uma bomba. Rezemos.

Por falar em cristãos do mundo árabe, está de volta a Portugal o Nicolas Ghobar, um cristão palestiniano que vende artigos de artesanato para ajudar a sustentar os cristãos da zona de Belém, na Terra Santa. Saibam mais aqui e ajudem!

Não deixem de ler o artigo encorajador da semana passada do The Catholic Thing

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Caracóis, fetos e esquartejamentos

Recentemente falou-se muito numa campanha absurda sobre os direitos dos caracóis. O facto de haver campanhas a favor do direito à vida dos caracóis diz muito sobre os nossos dias e mereceria todo um outro artigo, mas não é sobre isso que gostaria de falar hoje.

Pouco tempo depois apareceu uma campanha que claramente partia dessa dos caracóis mas era contra o aborto. Vários jovens deixaram-se fotografar com dois cartazes. Um mostrava um feto in utero, outro dizia: “Gostava de ser esquartejado vivo? Ele também não”, como se pode ver na foto.


Peço agora a vossa paciência para um pequeno exercício. Olhem novamente para a foto, e depois olhem para estas





Notam alguma diferença?

Antes de avançar, quero deixar uma coisa muito clara. Eu não conheço as pessoas que apareceram nas fotos da campanha do “esquartejado”, mas vocês são meus irmãos e minhas irmãs. A vossa causa é a minha causa. A “vossa” verdade não é vossa nem minha, é simplesmente a verdade. Eu não duvido por um segundo das vossas melhores intenções em terem participado nesta “campanha”. Por isso, por favor não leiam o resto deste artigo como um ataque, mas sim como um alerta e uma recomendação fraterna que torno pública pela simples razão de que me parece que seria benéfico para todos os que trabalham pela causa pró-vida que estas coisas se digam.

Vamos então por pontos.

1) Nunca, nunca, mas mesmo nunca, apresentar um slogan pró-vida acompanhado de uma foto de um homem/rapaz, sozinho, com ar sombrio. Se eu fosse uma rapariga que tivesse passado pela tragédia de abortar o meu filho, olhava para aquela foto e só me apetecia partir os dentes todos daquele rapaz ao pontapé.

Sejamos claros. Nós perdemos o referendo e não há outro no horizonte. Neste momento não estamos a tentar ganhar votos, voltámos à missão mais importante de todas que é a de salvar vidas e isso faz-se tocando o coração das pessoas que, em última instância, vão tomar a decisão de dizer sim, ou não. Essas pessoas são raparigas, muitas da mesma idade deste rapaz e a reacção que queremos despertar nelas não é uma de total alienação, como aqui acontece.

Por isso, de preferência, uma campanha pró-vida deve recorrer sobretudo a jovens mulheres. Eu sei que nesta do “esquartejado” também participaram algumas raparigas, mas novamente todas com ar sombrio, que intencionalmente ou não se confunde com julgamento.

Queremos sorrisos! Isso é fundamental. Olhem para as outras fotos que coloquei. Estão a ver algum olhar sombrio? A nossa causa não é uma causa triste, é a causa da vida. Quem tem a verdade do seu lado não pode, como é evidente, deixar de sentir tristeza pelo que se passa nas clínicas onde estas vidas são ceifadas, mas também não pode deixar de manifestar esta enorme alegria que nos move.

A marca de todos os eventos pró-vida em que tenho participado, desde as campanhas dos referendos até às caminhadas pela vida anuais, tem sido sempre a alegria e isso não é encenado, é natural e espontâneo, porque nós somos assim e um olhar até superficial sobre os nossos adversários ideológicos nesta causa mostra que isso é algo que nos distingue. Não tenhamos medo de o mostrar.

2) “Esquartejado”? A sério? Não consigo pensar em pior palavra para colocar numa frase destas.

Eu sei que é verdade, que nalguns procedimentos de aborto é isso que acontece. Quando não é assim, são queimados com solução salina, ou aspirados… Cada coisa é pior que a outra.

Mas a palavra “esquartejado” é tão terrível, tão visual, tão grotesca, que eu olho para a frase e fico a sentir-me mal. Não é esse o efeito que queremos criar nas pessoas. É que se isso me acontece a mim, imaginem como se sentirá uma rapariga que tenha passado por isso… A nossa luta não passa por encher as pessoas de remorsos até verem a luz.

Afinal é possível usar a palavra "esquartejar"
de forma positiva. Mas só com um sorriso!!
O outro problema é que esta frase coloca toda a ênfase do sofrimento e da dor no bebé. Simpatia pela mulher? Nem vê-la. Pelo contrário, uma vez que ela terá sido cúmplice no esquartejamento. Este não pode ser o caminho. Nós defendemos a vida. A vida do bebé que é morto num aborto, e a vida da mulher que fica irremediavelmente cicatrizada, no coração e por vezes na carne, pelo que fez ou pelo que a convenceram a fazer. Queremos mostrar que essa dor também nos interessa e também nos move, também a queremos evitar.

Dir-me-ão que aqui o objectivo era aproveitar o sururu causado pela “causa” dos caracóis e nada mais. Tudo bem, eu aceito isso. Mas mesmo aí seria possível fazer a coisa pela positiva. Imaginem a mesma cena, mas com uma pessoa sorridente e o segundo cartaz a dizer algo do género: “Preocupados com o sofrimento? E ele, não vale um caracol?” Ou apenas: “Não me digas que ele não vale mais que um caracol”. Querem o cenário perfeito? Mulheres grávidas, a sorrir, com a barriga à mostra e com uma destas frases escritas na pele.

Com estas frases consegue-se o mesmo efeito – pôr a nu o quão absurdo é haver quem se preocupa com o sofrimento dos caracóis quando a nossa lei nos permite matar seres humanos indefesos – mas sem grande parte dos problemas que já apontei.

Estão sempre a dizer-nos que Portugal está na cauda do mundo civilizado. O resultado disso é que noutros países, que estão supostamente na frente, esta luta já se trava há meio século. Eles já cometeram todos os erros que se podem cometer, aprenderam com eles e corrigiram a rota. Isso significa que nós não temos de os cometer outra vez. Vejam o que de melhor se faz lá fora e adaptem à nossa realidade.

A quem organizou esta campanha: Nota máxima pelo sentido de oportunidade, nota máxima pela vontade e pela iniciativa. Sobre a mensagem e o meio usado… Muito a melhorar, mas pelo menos vocês estavam a fazer alguma coisa, o que já é meio caminho andado!
A nossa é a causa dos sorrisos!

Filipe d'Avillez

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