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sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Como se diz colaboracionista em língua gestual?

Homem de Deus ou agente Hristov?
Tem curiosidade em saber como é uma missa para surdos-mudos? Amanhã celebra-se uma em Leiria, às 19h. Trata-se de uma iniciativa importante, o ministério para surdos-mudos tem muito que caminhar na Igreja. Mas pode uma missa ser celebrada em língua gestual? A resposta a essa e outras questões, aqui.

A Igreja Ortodoxa da Bulgária está a ser abalada pela revelação de que 11 dos 15 membros do Santo Sínodo eram colaboradores da polícia secreta do regime comunista. Falámos com o padre da comunidade ortodoxa búlgara em Lisboa, que fala numa tentativa de descredibilizar a Igreja.

Seja como for, a Bulgária será um dos últimos países do Bloco de Leste a ser abalado por este escândalo que também afectou a Igreja Católica, por exemplo na Polónia.

Na Nigéria as preocupações são outras. A Ajuda à Igreja que Sofre fala em 35 mil cristãos que já fugiram do Norte do país. Sobre este assunto volto a chamar atenção para este artigo de The Catholic Thing, que publicámos em português no blogue.


A Igreja e os surdos

Há uns anos a minha mãe foi falar a uma turma numa escola para surdos-mudos. Enquanto falava uma professora interpretava tudo em língua gestual. Acontece que o sinal para “Deus” consiste em apontar para cima. Mais tarde ela contou-me que sempre que a intérprete fazia esse gesto, os miúdos olhavam todos para cima.

É só uma história, mas reflecte bem a dificuldade que tantos surdos têm em viver plenamente a sua espiritualidade numa Igreja que é muito centrada na palavra e na proclamação dessa palavra, com liturgias em que o som é um elemento fulcral.

Uma coisa é ir a uma missa numa língua diferente. Podemos não perceber nada, mas mesmo o som ambiente transmite-nos o sentimento que estamos a presenciar a algo sagrado. Retira-se o som e temos apenas gestos que, por mais solenes que sejam, podiam tão simplesmente ser um teatro.

A iniciativa da diocese de Leiria, de ter uma missa com interpretação em língua gestual uma vez por mês e, de igual importância, sessões de catequese para adultos, é muito bem-vinda e preenche uma lacuna importante na Igreja.

Pelo que percebi, neste caso a missa será celebrada normalmente, com recurso a uma intérprete. Contudo, há outros casos em que os próprios sacerdotes conhecem a língua gestual. Mas pode uma missa ser celebrada inteiramente em língua gestual?

Homilia em Língua Gestual numa missa em Medjugorje

É um assunto que está em discussão. Oficialmente, e pelo que consegui averiguar, a Santa Sé não reconhece a validade dos sacramentos em língua gestual. Vejamos. Se um padre absolve um penitente na confissão, não basta pensar as palavras da absolvição, a intenção não basta, é preciso dizer as palavras. O mesmo se aplica com outros sacramentos.

Uns argumentam que sendo a língua gestual precisamente uma língua, essas palavras já estão a ser “faladas”, mas a Santa Sé, pelo menos por enquanto, não aprovou essa teoria.

Logo, na celebração de uma missa seria necessário que as palavras da consagração, pelo menos, fossem expressas de forma audível. Há pelo menos uma pessoa a fazer uma tese de doutoramento que tenta provar o contrário, que língua gestual serve perfeitamente, mas a posição oficial ainda é outra.

Isto levanta outra questão. Pode um homem surdo-mudo ser ordenado padre? Tal como noutros casos de deficiência, podem, mas precisam de autorização dos seus bispos. (Esta regra não é exclusiva para surdos, sei de um rapaz que era profundamente disléxico que precisou de dispensa para ingressar num seminário e é sabido que homens que não possuam órgãos genitais, por exemplo, não podem ser ordenados). Presumo, pelo que escrevi acima, que esse sacerdote teria de poder pelo menos pronunciar as palavras da consagração para celebrar missas.

Padre Tom Coughlin
Fora de Portugal há vários casos de padres surdos-mudos e nos Estados Unidos, na diocese de São Francisco, Califórnia, há um seminário só para surdos-mudos, associado ao seminário diocesano.

Este seminário foi iniciado por iniciativa do padre Tom Caughlin, um dos primeiros padres surdo de nascença a ser ordenado na história recente dos Estados Unidos. Foi por sua iniciativa também que nasceu aquela que será provavelmente a única ordem religiosa formada quase inteiramente por homens surdos, o Dominican Missionaries for the Deaf Apostolate.

Como se vê, este é um caminho que a própria Igreja apenas começou a percorrer recentemente e onde ainda haverá muito por descobrir.

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