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terça-feira, 17 de julho de 2012

Nova reitora da Católica, Transparência financeira no Vaticano

Nova reitora da Católica
É já amanhã de manhã que será publicado o relatório sobre transparência financeira do Vaticano, preparado pela MoneyVal. Estaremos atentos.



O grupo da Actualidade Religiosa no Facebook já ultrapassou os 700 membros! É um espaço privilegiado para partilha de notícias e até já deu algumas discussões animadas e edificantes. Não deixe de aparecer e contribuir!

segunda-feira, 7 de maio de 2012

"Luz da Manhã", tradicionalistas e São Tomé



Apesar da crise, os peditórios continuam a render mais dinheiro às organizações de solidariedade. A Cáritas conta com mais 300 milhões de euros!


Os tradicionalistas “não puderam recusar a proposta” de Bento XVI que deverá, até ao fim do mês, levar à reintegração da sociedade fundada por Marcel Lefebvre.

O júri que representa a Igreja no IndieLisboa atribuiu o prémio Árvore da Vida ao filme “Luz da Manhã”.

O bispo de São Tomé esteve em Lisboa e falou de um país onde 90% da população é pobre.

E para quem pensa peregrinar a Fátima, seja quando ou por que razão for, não deixem de levar este Guia. Se tiverem mais tempo aproveitem e façam o caminho de Bragança…

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Spray na abóboda e culpa solteira no Egipto


Dois jovens entraram numa igreja em Espanha munidos de latas de spray e encheram-na de grafiti. Escusado será dizer que o padre ficou muito agradecido.
E o resultado? Impressionante. Pode ver mais imagens aqui.

Notícias piores vêm da Nigéria onde um novo ataque causou a morte a 15 cristãos.

Ainda em África, o Egipto arquivou um processo relativo ao massacre de cristãos em Outubro do ano passado. As imagens de blindados a esmagar manifestantes indefesos não chegou, pelos vistos, para identificar ninguém.


Amanhã entramos no mês de Maio. Antecipa-se a reunificação da Igreja com os tradicionalistas da Sociedade de São Pio X. Interessa? Muito!

O grupo Actualidade Religiosa no Facebook tem crescido a olhos vistos e hoje chegou aos 600 membros! É mais uma plataforma onde podemos trocar informação e onde poderá ficar a par das novidades mais “em cima da hora”.

Maio, mês de reconciliação? E será que interessa?



Um leitor deste blogue sugeriu o dia 13. Seria uma data interessante, sobretudo se tivermos em conta que o bispo Bernard Fellay, o actual líder desta sociedade fundada pelo Arcebispo Marcel Lefebvre que se encontra em ruptura com Roma desde 1988, convocou há poucos anos uma “cruzada de terços” pela reunificação.

A data certa é um mistério. Se o Vaticano trabalhar ao seu ritmo, que não é o ritmo do mundo (como já sabemos pelas negociações a propósito dos feriados religiosos), então bem podemos esperar. Mas penso que o Papa não quererá perder muito mais tempo a este respeito. Esta unificação, a confirmar-se, configurará a concretização de um sonho e uma reconciliação pessoal. Ratzinger era prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé na altura em que se deu a ruptura e, então, foi incapaz de a evitar.

E se os tradicionalistas forem recebidos de volta à Igreja, como se espera, o que se passará?

Em termos de organização, o Papa certamente lhes oferecerá uma estrutura que lhes dá bastante autonomia. Alguma coisa do género da prelatura pessoal do Opus Dei ou do ordinariato pessoal dos ex-anglicanos. Assim os membros da SSPX ficarão em larga medida a salvo das interferências dos bispos liberais que, em muitos locais da Europa Ocidental, são muito contrários a esta reunificação. Exactamente qual será essa estrutura não se sabe, mas o Papa tem total liberdade para inventar a estrutura que bem quiser, portanto não adianta muito tentar adivinhar.

Ou não...
Qual será a reacção da SSPX? Em primeiro lugar quero esclarecer que embora conheça uns quantos católicos de pendor tradicionalista, não conheço pessoalmente ninguém da SSPX. Em Portugal não são propriamente numerosos. Por isso tudo o que escrevo a seguir diz respeito ao que vou lendo, no meu esforço de acompanhar esta situação.

Com base nessas leituras, que incluem artigos, blogues e comentários aos mesmos feitos por simpatizantes e/ou membros da SSPX, penso que se engana quem pensa que os tradicionalistas regressam a Roma quais filhos pródigos, humildemente agradecidos pela magnanimidade do pai.

Há excepções, e já li alguns comentários de tradicionalistas a elogiar a benevolência de Bento XVI, mas a tendência geral é de um enorme triunfalismo, eventualmente de missão, de quem vem salvar Roma dos seus desvios. Os tradicionalistas não são conhecidos pela sua flexibilidade e, enquanto grupo, penso que o convívio debaixo do mesmo tecto nem sempre será fácil. A verdade, também, é que raramente estarão mesmo debaixo do mesmo tecto, uma vez que terão a sua estrutura autónoma.

Poderei estar a ser injusto com esta análise, se for o caso peço desculpa.

Who cares?
Finalmente, alguns poderão perguntar mas, afinal de contas, o que é que isto interessa?

Interessa muito, e basta olhar à nossa volta para ver o que se está a passar na Igreja actualmente para perceber porquê.

Sem querer fazer juízos de valor, o que é que vemos? O mesmo Papa que abriu as portas aos anglicanos conservadores (esvaziando, na prática, o diálogo ecuménico com uma igreja que insiste em cavalgar rumo ao liberalismo extremo) abre agora as portas aos católicos tradicionalistas que estavam afastados. No mesmo mês sabemos que a Congregação para a Doutrina da Fé criticou duramente as religiosas americanas pelos seus desvios à doutrina católica e a insistência em promover causas contrárias ao magistério.

Na Europa, onde a SSPX é mais forte, os tradicionalistas regressam a uma Igreja em que está a ocorrer, debaixo dos nossos olhos, uma rebelião liberal nos países germânicos. Centenas de padres assinam “manifestos pela desobediência”.

Aos 85 anos, e depois de sete na Cadeira de Pedro, o Papa está a tomar medidas concretas para reforçar a sua posição, que é conservadora e tradicionalista, sem ser extremista. Os resultados levarão tempo a fazer-se notar, mas penso que a atitude dos bispos americanos no seu “conflito” comObama já é um reflexo desta nova realidade.

Portugal não é um bom espelho desta realidade, mas a clivagem entre uma Igreja conservadora e uma Igreja liberal é demais evidente em várias partes do mundo.

Quando foi eleito muitos vaticinaram um duro pontificado do “Pastor Alemão”. Bento XVI tem surpreendido os mais críticos e, até certo ponto, desiludido os seus defensores mais ferozmente conservadores.

Afinal, ao que parece, o “Pastor Alemão” ainda sabe ladrar.

Filipe d’Avillez

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Feriados e tradicionalistas... estamos quase lá!

Não é definitivo, mas em 24 anos, nunca esteve tão próxima a reunificação entre os tradicionalistas da Sociedade de São Pio X e Roma. Pode ser uma questão de dias. Este assunto, e outros, estarão em discussão no debate de esta noite da Renascença, a ouvir depois do noticiário das 23h00




Porque hoje é quarta-feira temos um novo artigo de The Catholic Thing. Randall Smith escreve sobre a necessidade de conhecermos a fundo a fé e os ensinamentos da Igreja.

Tradicionalistas respondem “Sim”, segundo imprensa italiana

Fim da cisão com a Sociedade de São Pio X, fundada por Lefebvre, poderá estar por dias. Este é um projecto pessoal de Bento XVI.

Filipe d’Avillez


A reunificação entre a Sociedade de São Pio X (SSPX) e o Vaticano pode estar prestes a ser anunciada. Segundo o jornal italiano La Stampa, a resposta dos tradicionalistas já chegou a Roma e é positiva.

A SSPX está num estado de ruptura com o Vaticano desde 1988. Os seus padres e quatro bispos rejeitam alguns dos ensinamentos do Concílio Vaticano II, bem como a reforma litúrgica, e a cisão com Roma consumou-se quando o seu fundador, o Arcebispo Marcel Lefebvre, ordenou quatro bispos sem autorização do Vaticano.

Desde a sua eleição, Bento XVI tem feito esforços para tentar sanar a ruptura. Depois de alguns anos de conversações o Vaticano apresentou a Bernard Fellay, o superior da SSPX, um “preâmbulo doutrinário”. Caso Fellay assine o documento o Vaticano oferecerá uma estrutura autónoma que permita aos tradicionalistas agir com liberdade e sem interferência dos bispos diocesanos dos países em que têm membros.

Segundo o vaticanista Andrea Tornielli, do jornal La Stampa, a resposta de Fellay já terá chegado ao Vaticano e é positiva. Fellay poderá ter proposto algumas ligeiras alterações ao documento que lhe foi apresentado, mas que não alteram substancialmente o seu conteúdo. A resposta deverá agora ser estudada por Roma que poderá em breve anunciar o fim da cisão com os tradicionalistas e explicitar a estrutura que lhes será oferecida no seio da Igreja.

Para além de quatro bispos, a SSPX conta nas suas fileiras com cerca de 500 sacerdotes, bem como 200 seminaristas e algumas centenas de religiosos. Os fiéis leigos rondarão as centenas de milhares.

Não é certo, contudo, que todos os membros acompanhem o superior no regresso a Roma. Pelo menos um dos bispos, o inglês Richard Williamson, é tido como ferozmente anti-romano e deverá permanecer fora da Igreja Católica, à frente de um grupo de “ala dura” que não aceitam submeter-se novamente ao Papa.

Para além das notícias que circulam na imprensa italiana não há, por enquanto, qualquer confirmação oficial por parte de Roma ou da Sociedade.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

85 anos de Bento XVI, tradicionalistas e igrejas de papel

Sarajevo... com cada vez menos cristãos

Esta é uma semana importante para Bento XVI. O Papa cumpre 7 anos no trono de Pedro na quinta-feira, mas hoje celebra 85 anos de vida.




E finalmente, sobretudo para quem se interessa por arquitectura religiosa, já imaginaram uma catedral de cartão? Vai ser construída na Nova Zelândia. Podem ver mais fotos aqui.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Um presente tradicional para Bento XVI?

Quatro bispos, 500 padres, 200 seminaristas, 280 religiosos, 88 escolas, duas universidades e algumas centenas de milhares de fiéis.

É este o presente que está a ser preparado para os 85 anos de Bento XVI?

As indicações apontam nesse sentido. Um artigo publicado na edição de hoje de Le Figaro, da autoria do seu especialista em assuntos religiosos, garante que o Vaticano e a Sociedade de São Pio X (SSPX) estão a dias de anunciar oficialmente a reconciliação.

O último passo neste processo foi a resposta enviada pela Sociedade ao Vaticano, no decorrer de um já longo percurso de diálogo. A ser positiva, poderá ser anunciada a reintegração da SSPX no seio da Igreja Católica, de onde anda afastada desde 1988.

Bento XVI investiu fortemente neste processo de reconciliação. O Vaticano pediu à Sociedade que enviasse a sua resposta até domingo, dia 15 de Abril. O que é que acontece a dia 16? Bento XVI faz 85 anos.

Poderá parecer exagerado que tudo isto esteja a ser preparado para ser anunciado no dia de anos do Papa? Ou pelo menos para ficar resolvido nessa altura? Talvez seja. Mas seria um belo presente.

Os contornos de um eventual acordo não são ainda conhecidos. Tudo indica que a Igreja oferecerá à Sociedade uma estrutura autónoma, ao estilo de uma prelatura pessoal, como tem o Opus Dei. Isso é essencial para a SSPX, para poder agir sem interferência dos bispos diocesanos, muitos dos quais, sobretudo na Europa, não são favoráveis à sua reintegração e, ainda por cima, não fizeram grande questão de o esconder.

Em troca, a Sociedade aceitaria os termos de um Preâmbulo Doutrinal que lhe foi apresentado pelo Vaticano o ano passado e cujos termos são secretos. Não se sabe se depois de uma resposta inicial que, não tendo side explicitamente negativa, deixou pelo menos dúvidas suficientes para que o Vaticano requisitasse outra mais clara, esse preâmbulo sofreu alterações. Certo é que tem havido muitas negociações informais entre as partes nas últimas semanas para tentar chegar a um ponto em que fosse possível estabelecer um acordo.

Esse acordo dificilmente passará por uma aceitação simples de todos os aspectos do Concílio Vaticano II que até agora tinham sido rejeitados pela Sociedade, nomeadamente a liberdade religiosa, o diálogo inter-religioso, o ecumenismo e a reforma litúrgica. É provável que em pelo menos alguns destes aspectos seja permitido à Sociedade manter as suas reservas. Fazendo uma comparação simples, os bispos da SSPX que são contra o ecumenismo estariam numa situação parecida com os actuais bispos liberais que, também contra os ensinamentos do magistério, defendem publicamente a ordenação de mulheres.

A consumar-se esta reunificação, ficam ainda duas grandes questões. Em primeiro lugar, que efeitos é que isto terá na SSPX? A sociedade está presente em vários países. Nem todos estão de acordo em relação ao diálogo com Roma. É mais que natural que haja uma boa secção da Sociedade que rejeite a oferta do Vaticano e que acabe por se separar da SSPX para se poder manter fora de Roma. É quase um dado adquirido que um dos quatro bispos ficará de fora. Trata-se do inglês Richard Williamson, cujas posições anti-semitas e negacionistas do holocausto, tornadas públicas pouco depois de Bento XVI ter levantado a excomunhão que pendia sobre os quatro, foram um grande embaraço para o Papa. Williamson nunca escondeu o seu ódio por Roma e desde esse incidente tem sido colocado nas margens da SSPX pelo actual dirigente, Bernard Fellay.

Richard Williamson
A outra questão é saber que efeito terá em França. O país que atravessa uma das maiores crises, em termos religiosos de toda a Europa, é também aquele em que a SSPX tem maior presença e influência.

Apesar de um aumento de padres conservadores na Igreja Católica actual, o episcopado francês é bastante liberal e o peso da SSPX no seu quintal não tem facilitado as relações. Uma abertura dos portões de Roma poderá ser entendido como uma traição por partes da Igreja institucional francesa.

Tudo isto depende, claro está, de uma resposta positiva. Sobre isso há apenas, por enquanto, especulações. A única coisa que é mesmo certa é que Bento XVI completa 85 anos na Segunda-feira.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Corrupção em Timor, silêncio tradicionalista

O Patriarca de Lisboa fez ontem um discurso sobre a missão da Renascença. Como tende a acontecer quando fala de improviso, D. José Policarpo foi simples, muito simpático e divertido.

Menos positivo foi o Bispo de Baucau, em Timor-Leste, que falou da existência de corrupção no seu país.

Do Irão chega-nos uma notícia preocupante de 12 cristãos que foram detidos e poderão enfrentar a pena de morte se forem condenados por “crimes contra a ordem pública”.

Faltam quatro dias para que a Sociedade de São Pio X faça chegar a Roma a sua resposta em relação à proposta de reintegração plena na Igreja Católica. Ao contrário de prazos anteriores, este não tem sido antecedido de comentários públicos por parte dos bispos da Sociedade. No meu entender, isto pode ser bom sinal.

E porque hoje é quarta-feira temos um novo artigo de The Catholic Thing. “Nesta curta vida temos duas hipóteses. Andamos à volta da igreja, ou andamos em direcção a ela”, escreve Ashley McGuire, curiosamente a primeira mulher que figura nos artigos deste site que traduzimos até agora.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Anglicanos, Lefebvrianos e jornais diocesanos

Mais velho que Rowan Williams e sem vontade de resignar
Hoje, nem sei bem por onde começar!

O Arcebispo de Cantuária anunciou que vai renunciar ao cargo em Dezembro deste ano. Falámos com o bispo anglicano de Portugal e com o padre Peter Stilwell sobre o assunto.

Os interessados podem ler no blogue a transcrição completa das entrevistas a D. Fernando e ao Pe. Peter.

Novidades nas negociações entre a Igreja Católica e os “lefebvrianos”. A bola volta para o campo da Sociedade de São Pio X.

Confirmou-se hoje que Bento XVI vai mesmo ao Líbano, como já se suspeitava. A viagem decorrerá em Setembro.

A Congregação para a Doutrina da Fé criou um site para facilitar a consulta dos seus documentos. Já os assistentes espirituais e religiosos dos hospitais portugueses, de diversas confissões, ficaram-se por um livro de bolso.

Este fim-de-semana é lançado um CD sobre Fátima e a Eucaristia, que contém orações nunca antes musicadas.

E terminamos em Évora, onde o jornal diocesano está prestes a completar 89 anos, apesar dos tempos difíceis, querem continuar!

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Lefebvrianos dizem que não. E agora?

Ao que parece a Sociedade de São Pio X vai rejeitar a proposta feita por Roma para reunificação. Os detalhes estão nesta notícia.

Que dizer deste aparente falhanço das negociações?

Em primeiro lugar um cristão deve recordar que embora a situação pareça impossível, a Deus nada é impossível.

Em segundo lugar, porém, é com muita pena que vejo o processo a chegar a um beco sem saída. Este sempre foi um projecto pessoal de Bento XVI, não duvido que ele desejava muito a regularização da SSPX e que acreditava que a sua reintegração na plena comunhão da Igreja pudesse servir para fortalecer a “reforma da reforma” que parece apostado em fazer.

Acima de tudo, a recusa e os termos em que é feita são um duro golpe da ala tradicionalista para um Papa que todos os dias tem de lidar com obstáculos colocados por bispos da ala liberal, que fazem tábua rasa dos seus documentos e das suas recomendações, por exemplo, no campo da liturgia.

Aparentemente a resposta da SSPX vai ser algo do género “obrigado pela vossa proposta, mas não a aceitamos. E se em vez de sermos nós a mudar a nossa visão fossem vocês a mudar para que nos possamos sentir em casa?”

Por um lado até se percebe o optimismo dos lefebvrianos. Olham para os seminários vazios da Igreja Católica e para os seus, que estão cheios, e abanam a cabeça. Olham para as missas com fantoches gigantes e sucessivos atropelos litúrgicos nas catedrais europeias e sentem-se reconfortados com as suas missas solenes. Vêem centenas de padres na Áustria a assinar “manifestos de desobediência” e consolam-se dizendo que estão firmemente agarrados à tradição imutável da Igreja.

Mas há um problema, estão fora de comunhão com Pedro. A consumar-se um “chumbo” à iniciativa romana, o cisma poderá tornar-se definitivo.

E depois? Depois, na minha opinião, assistiremos ao que tem acontecido a todos os grupos que entram em cisma convencidos da sua superioridade, uma espiral descendente em direcção à loucura, bizarria e obscuridade. Pode levar décadas, mas não tenho dúvidas de que acontecerá.

A Igreja Católica está em crise, sem dúvida, embora essa crise se faça sentir sobretudo nas sociedades ocidentais (ao criticar os seminários vazios na Europa, Monsenhor Bernard Fellay não fala dos africanos ou asiáticos que rebentam pelas costuras), mas já passou por muitas e há-de sair de pé. Os lefebvrianos que ficarem na SSPX preferem saltar de um barco desorientado e morrer afogados na certeza das suas verdades a permanecer e contribuir para que o rumo seja corrigido.

Penso que um dos primeiros efeitos da recusa será uma onda de deserções individuais, ou de pequenos grupos que regressarão a Roma. A SSPX está presente em muitos países e é ilusão pensar que não tem as suas próprias divisões internas. Essas poderão tornar-se mais aparentes agora, levando mesmo a fracturas.

Quando surgiu a notícia do “convite” de Roma, num blogue católico mas tradicionalista e próximo das posições dos Lefebvrianos os comentários foram bem indicativos da vontade que muitos dos seus membros têm de regressar à plena comunhão. Esses dificilmente se manterão no caso de uma rejeição que mais parece fruto de birra do que convicção.

Nos Evangelhos Jesus deixa bem claro o que acontece aos ramos que se separam da vinha. Ao olhar para toda esta situação só me vem à cabeça o cartoon de uma pessoa que serra um ramo alto enquanto se mantém sentado alegremente em cima dele.

Filipe d’Avillez

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