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quarta-feira, 7 de agosto de 2019

Dois Caminhos

Pe. Jeffrey Kirby

Na vida encontramos duas correntes, que Nosso Senhor Jesus descreveu como dois caminhos. São Paulo desenvolveu mais esta noção ao descrever a batalha entre os que têm coração de carne e os que têm coração espiritual. Santo Agostinho, o protegido espiritual do Apóstolo dos Gentios, elaborou toda uma teologia com base na noção de duas cidades: A Cidade de Deus e a Cidade dos Homens. Fazendo eco da sabedoria do Senhor, o Doutor da Graça compreendeu que estas duas cidades eram formadas por dois tipos diferentes de amor. Uma das cidades procurava amar a Deus, a sua Lei e o próximo – enquanto a outra cidade era refém do narcisismo.

O Papa São João Paulo II traduziu estas duas noções para uma linguagem mais contemporânea. Na sua monumental encíclica Evangelium Vitae, de 1995 (em larga medida uma continuação mais desenvolvida da anterior Humanae Vitae do Papa São Paulo VI), o amado Papa criou dois termos que agora são parte integrante da visão católica do nosso tempo: a cultura da vida e a cultura da morte. Nestas expressões o Papa santo voltava a mostrar que existem dois caminhos e dois amores na vida. Estes caminhos e os amores que revelam dão aso não só a “cidades” mas também a culturas. Alimentam-se dos seus próprios amores.

A cultura da vida chama-nos a um serviço sacrificial a Deus e ao nosso próximo, sobretudo aos mais vulneráveis e necessitados, cada vez mais elevada. Radicado num amor por toda a gente, a cultura da vida crê, vive e labora para espalhar a mensagem de que toda a gente tem dignidade, todas as pessoas são um dom de Deus e todas as pessoas – por mais manchadas de pecado original e pessoal – devem ser estimadas e respeitadas.

Esta afirmação é um irritante para a cultura da morte. Essa cultura odeia a mensagem, despreza o mensageiro e procura retirar a dignidade e o respeito – enquanto professa o contrário – aos mais vulneráveis e fracos de entre nós.

Não obstante estas provas de consciência pesada, a cultura da morte preocupa-se unicamente consigo e com os seus desejos. Procura destruir tudo o que lhe seja inconveniente ou desconfortável. Os fracos e os vulneráveis são presa fácil numa cultura destas.

Por isso, para além de alimentar o seu próprio amor a Deus e ao próximo, uma cultura da vida robusta deve expor e combater a cultura da morte. Esta batalha é inevitável e quem vive uma forte cultura da vida compreende a sua necessidade. Logo, trabalha para desmantelar os argumentos, enfraquecer a sedução e impedir a influência e as estruturas de uma cultura antivida.

No Evangelium Vitae o Papa João Paulo II identificou correctamente uma “conjura contra a vida”, que “não se limita apenas a tocar os indivíduos nas suas relações pessoais, familiares ou de grupo, mas alarga-se muito para além até atingir e subverter, a nível mundial, as relações entre os povos e os Estados.” (#12)

As raízes desta conspiração encontram-se na revolta de Lúcifer contra Deus. O maligno espalhou essa revolta através das mentiras que contou aos nossos primeiros pais e do seu pecado no Jardim do Paraíso. Esta cultura da morte levou ao homicídio do seu primeiro filho Abel pelo seu irmão Caim. Esse acto de fratricídio conduziu a ofensas ainda maiores à dignidade humana.

E assim o palco estava preparado. As opções tornaram-se claras e as pessoas, cidades e culturas tiveram de decidir-se pela vida ou pela morte. Quem escolhe a vida tem de estar disposto a combater em sua defesa.

Historicamente, a batalha sobre a vida tem sido de uma só frente. Os arautos da cultura da morte atacam os nascituros. Negam a sua personalidade. Classificam-nos como indesejáveis. Partiram para uma batalha de palavras e redefiniram termos como autonomia, dignidade e escolha para apoiar os seus esforços. Travaram uma guerra particularmente feroz contra quem tem necessidades especiais, sobretudo quem tem Trissomia 21.

Mas a cultura da morte alimenta-se de si mesma. Não se satisfaz apenas com uma frente de batalha. E por isso a guerra tem agora duas frentes, incluindo o final da vida.

As notícias estão cheias de relatos de crianças a quem são negados os cuidados de fim de vida, doentes como Vincent Lambert, que morreu recentemente em França depois de lhe ter sido recusada comida e água e Estados como o Maine vão criando leis para facilitar o suicídio medicamente assistido.

A guerra de palavras deu aso a novas definições de termos como fardo, qualidade de vida e até misericórdia.

Chegou o momento – enquanto os ataques à vida se tornam mais sofisticados e alargados – de as pessoas se tornarem mais criativas e ativas, mais assertivas em sublinhar o contexto e a definição próprias das palavras, em dar testemunho do amor desinteressado pelos fracos e vulneráveis, em protestar e mudar as leis contra a vida e em partilhar com paroquianos, vizinhos e colegas a beleza e a dignidade objetiva de toda a vida humana.


O padre Jeffrey Kirby, STD é professor-adjunto de Teologia em Belmont Abbey College e pároco da paróquai de Our Lady of Grace em Indian Land, SC. O seu mais recente livro é Be Not Troubled: A 6-Day Personal Retreat with Fr. Jean-Pierre de Caussade.

(Publicado pela primeira vez no domingo, 4 de Agosto de 2019 em The Catholic Thing)

© 2019 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.


quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Filémon e o Novo Homem em Cristo

Randall Smith
Um amigo meu protestante fez uma observação interessante, o outro dia, sobre a Epístola de São Paulo a Filémon. Esta carta é muitas vezes encarada com algum embaraço, porque aparentemente Paulo está a enviar um escravo fugitivo, Onésimo, de volta para o seu senhor, um líder da Igreja Colossense chamado Filémon. “Como é que Paulo podia mandar um escravo de volta ao seu senhor?”, pergunta-se, “porque não proibiu simplesmente a escravatura?”

Alguns académicos modernos responderão, indubitavelmente, que Paulo, sendo um homem da sua época, não compreendia o quão horrível era a escravatura. Nós, que vivemos numa era mais iluminada, temos a visão que lhe faltava. Talvez seja verdade – todos temos pontos cegos – mas eu prefiro dar o benefício da dúvida às pessoas, sobretudo se estavam a escrever textos sob inspiração do Espírito Santo. Parece-me mais seguro.

Eis o que diz São Paulo:

Embora tenha toda a autoridade em Cristo para te impor o que mais convém, levado pelo amor, prefiro pedir como aquele que sou: Paulo, um ancião e, agora, até prisioneiro por causa de Cristo Jesus. Peço-te pelo meu filho, que gerei na prisão: Onésimo, que outrora te era inútil, mas agora é, para ti e para mim, bem útil. É ele que eu te envio: ele, isto é, o meu próprio coração. Eu bem desejava mantê-lo junto de mim, para, em vez de ti, se colocar ao meu serviço nas prisões que sofro por causa do evangelho. Porém, nada quero fazer sem o teu consentimento, para que o bem que fazes não seja por obrigação, mas de livre vontade. É que, afinal, talvez tenha sido por isto que ele foi afastado por breve tempo: para que o recebas para sempre, não já como escravo, mas muito mais do que um escravo: como irmão querido; isto especialmente para mim, quanto mais para ti, que com ele estás relacionado tanto humanamente como no Senhor. Se, pois, me consideras em comunhão contigo, recebe-o como a mim próprio. E se ele te causou algum prejuízo ou alguma coisa te deve, põe isso na minha conta.

Paulo, prisioneiro por Cristo, insta Filémon a não lançar na prisão o seu “amado filho” Onésimo, cujo “pai” ele se tornou durante o seu cativeiro. Na qualidade de escravo, Onésimo era “inútil” para Filémon. Agora, regressando não como escravo mas como irmão, pode ser útil a ambos, não para carregar os fardos das suas possessões terrenas inúteis, mas ajudando-os a carregar a cruz que conduz à salvação celeste.

“Recebe-o como a mim próprio”, diz Paulo, um homem acostumado a pedir aos outros que o recebam a ele como se recebessem Cristo. Se receber Paulo é receber Cristo, e se receber Onésimo é receber Paulo, então Filémon deve receber Onésimo como Cristo, aquele que “se esvaziou da sua divindade”, lavou os pés dos seus discípulos e lhes disse: “Estou entre vós como aquele que serve”, para que os primeiros sejam os últimos e aquele que seria o mestre venha a servir os outros.

“Se ele te causou algum prejuízo ou alguma coisa te deve”, diz Paulo a Filémon, “põe isso na minha conta”. Seria necessário Paulo dizer mais alguma coisa para recordar a Filémon a sua dívida não só para com Paulo, mas para Deus – Dívida essa paga por inteiro por Cristo? Paulo sabe que, tendo em conta tudo quanto Filémon lhe deve, poderia simplesmente dar-lhe uma ordem. Mas nesse caso Filémon não estaria a dar livremente, e Paulo sabe bem a diferença entre a obediência externa a um mandamento e aquilo que significa tornar-se um “homem novo”, inspirado por uma dádiva livre de amor.

Onésimo regressa a casa de Filémon
Por isso sim, Paulo envia Onésimo de volta para Filémon, não já como escravo, mas como “irmão” – um irmão em Cristo. A base da sua relação foi inteiramente transformada e com este gesto Paulo semeou as sementes que levarão ao fim da escravatura, não através de um tratado político cujo objectivo seja dirigir a partir de cima a aplicação do poder político, mas procurando mudar corações, levedando o pão a partir de dentro. Planta-se a semente nesta casa, com esta relação, e deixa-se a vida nova crescer daqui para o exterior.

Por mais “imperfeita” que pensemos que foi a resposta de Paulo ao problema da escravatura, não é verdade que nos deparamos com problemas semelhantes no nosso tempo? Existem instituições que sabemos que estão marcadas pela decadência da condição humana, contudo, não temos nem o poder nem a autoridade para as abolir. Burocracias que denigrem as pessoas em vez de as dignificar; estruturas económicas que enriquecem poucos e deixam os pobres sem meios de subsistência; mecanismos financeiros que protegem as pessoas das consequências morais das suas decisões de investimento.

Mas poderíamos viver sem as funções organizativas fornecidas pelas instituições burocráticas? Como é que reestruturávamos a nossa economia e reorganizaríamos a nossa bolsa para servirem melhor e mais fielmente o bem comum? É fácil criticar os males passados; mais difícil é compreender como reformar os aspectos difíceis do nosso sistema sem introduzir nele males ainda maiores do que aqueles que já enfrentamos.

Não nos devemos, então, rever em São Paulo? Sozinho ele não conseguiria reformar todo o Império Romano, nem convencer toda a gente a abandonar a instituição da escravatura. Que fazer?

Mesmo que não possamos fazer mais nada, podemos plantar as sementes e confiar que Deus as ajudará a crescer. Podemos estar dispostos a sacrificar-nos pelo Evangelho e abraçar-nos uns aos outros, não como “escravos” e “mestres”, “ricos” e “pobres”, “fracos” e “fortes”, mas como “irmãos em Cristo”.

Não nos cabe salvar o mundo; esse é o trabalho de Deus. Mas se amarmos os outros como Cristo, plantamos sementes espirituais e abrimos novas perspectivas para futuras gerações que neste momento talvez estejam vedadas ao pensamento humano. Temos de caminhar pela fé, e não à vista, fiéis ao Evangelho que nos foi confiado, mesmo quando parece bizarro ou chocante. Como Filémon certamente se deve ter sentido chocado quando abriu a porta e encontrou uma encomenda de São Paulo: Um antigo escravo, um novo irmão.


Randall Smith é professor de teologia na Universidade de St. Thomas, Houston.

(Publicado pela primeira vez em The Catholic Thing no sábado, 7 de Janeiro de 2017)

© 2017 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

quinta-feira, 7 de março de 2013

D. Odilo Pedro Scherer

Nascido: 21 de Setembro de 1949
Ordenado padre a 7 de Setembro de 1976
e bispo a 2 de Fevereiro de 2002
Quando se fala na possibilidade de um Papa oriundo do “terceiro mundo”, como era conhecido, o Brasil surge logo como uma das possibilidades mais fortes, até por ser o maior país católico do mundo, em termos demográficos.

D. Odilo Scherer é arcebispo de uma das maiores e mais importantes dioceses do Brasil. A isso acresce o facto de o actual arcebispo do Rio de Janeiro não ser Cardeal, o que não impossibilita a sua escolha, mas torna-a muito pouco provável. Para além disso D. Odilo tem experiência curial, sem ser um "homem da cúria", e conhece bem o Banco do Vaticano, pertencendo ao comité de 15 cardeais encarregues de acompanhar mais de perto a situação financeira da Santa Sé.

O Cardeal brasileiro é bastante novo, com apenas 63 anos, o que poderá desmotivar mesmo alguns cardeais que já manifestaram querer um Papa mais novo do que era Bento XVI quando foi eleito. Por outro lado, João Paulo II tinha 58 quando foi eleito.

Do ponto de vista teológico Scherer apresenta visões equilibradas. Critica os excessos da Teologia da Libertação, que tantos adeptos tem ainda na América do Sul, mas louva por exemplo a acentuação da justiça social da mesma corrente teológica. Tem criticado as tentativas de legalizar o aborto no Brasil e, do ponto de vista liturgico tende para o conservador, tendo criticado as missas “espectáculo” do padre Rossi, por exemplo. Permite na sua arquidiocese a celebração da forma extraordinária do rito romano, conhecido frequentemente como rito tridentino.

Recentemente viu-se envolvido numa polémica por causa da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) quando, na qualidade de magno-chanceler, vetou o nome do reitor eleito por alunos e professores, nomeando antes a terceira classificada, mas a única candidata que considerava adequada à chefia de uma instituição católica. A decisão foi mal recebida por muitos alunos, mas louvada por sectores mais conservadores da população, preocupados com a deriva liberal da universidade.

Nos últimos dias tem-se falado na existência de uma “campanha” por parte da comitiva brasileira em torno de D. Odilo. Não é certo se a intenção existe mesmo, se está a ser empolada pela imprensa brasileira ou se é invenção mesmo. Certo é que frases como “vocês podem divulgar, dos cardeais brasileiros, elementos que podem apresentá-lo como um bom candidato”, atribuída pela Folha de São Paulo ao assessor dos cardeais brasileiros, só prejudicam as hipóteses do Arcebispo de São Paulo.

É de notar que o segundo nome de D. Odilo é Pedro, o que seria uma dádiva a todos os crentes nas “profecias” de São Malaquias e coisas do género.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Perdoa-me Papa! Ass. Paolo

Universidade do Peru procura jardineiros...
A Síria continua a dar que falar. Temos um artigo interessante com as opiniões do Patriarca Melquita, com sede em Damasco. Sua Beatitude Gregórios Halam III é muito pró-árabe e tem uma visão da realidade no Médio Oriente que muitos acharão surpreendente vindo de um líder cristão.





E por fim, o ex-mordomo do Papa, Paolo Gabriele, escreveu uma carta ao ex-patrão a pedir perdão.

Ontem, por lapso, disse que as ordenações de diáconos tinham sido em Viana do Castelo, na verdade foram em Viseu.

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