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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Donald Wuerl

Nascido: 12 de Novembro de 1940
Ordenado padre a 17 de Dezembro de 1966
e bispo a 6 de Janeiro de 1986
Por inerência do seu cargo, o arcebispo de Washington D.C., capital dos EUA, tem de enfrentar muitas questões em que a política e a religião parecem entrar em conflito. Nos últimos anos, à medida que tem crescido um ambiente de conflito entre liberais e conservadores que tem repercussões tanto na política como na vida da Igreja, Donald Wuerl tem tido que tomar muitas posições a esse respeito.

O arcebispo tem sido firme na defesa dos valores cristãos e católicos. Recentemente manifestou-se contra a legalização do “casamento” entre homossexuais, chegando ao ponto de dizer que a alteração do conceito tradicional de casamento colocava em risco a prestação de serviços sociais por parte da diocese. A lei foi aprovada à mesma, e a maioria dos serviços continuou, mas as agências de adopção católicas, por exemplo, fecharam por se recusarem a considerar casais homossexuais para adopção.

Noutras questões Wuerl tem sido menos rigoroso que alguns dos seus colegas mais conservadores. No que diz respeito a dar a comunhão a católicos que defendem publicamente ideias contrárias à fé católica, como por exemplo políticos que sejam a favor do aborto, Wuerl tem sido moderado, dizendo que a Igreja prefere procurar convencer as pessoas do que fechar-lhes as portas.

Esta atitude, bem como uma relutância pública em relação ao rito tridentino, valem-lhe a desconfiança de muitos conservadores mais tradicionalistas.

Pelo contrário, a forma como tem agido em relação ao escândalo de abusos sexuais tem sido muito positiva e louvada desde que chegou a Washington. O arcebispo tem deixado claro que a principal responsabilidade da Igreja é para com as vítimas, depois para com as famílias das vítimas e só em último lugar deve estar qualquer preocupação com a reputação da Igreja.

Em vários casos o arcebispo conseguiu reduzir ao estado laical padres acusados de cometer abusos na sua diocese, incluindo numa instância em que para o fazer teve de contrariar pessoas no Vaticano que estariam a tentar proteger o sacerdote em causa.

Há, contudo, algumas acusações contra a actuação do mesmo arcebispo aquando do seu tempo à frente da diocese de Pittsburgh, que todavia não parecem ter levado a qualquer intervenção por parte das autoridades.

Apesar de Wuerl só ter sido elevado ao colégio dos cardeais em 2010, este será o seu segundo conclave. Isto porque o então padre Wuerl era secretário pessoal de um cardeal americano aquando do conclave que elegeu João Paulo II e, nessa altura, foi-lhe permitido acesso ao conclave para poder empurrar a cadeira de rodas do cardeal.

Wuerl é certamente uma figura a ter em conta neste conclave, onde participam 11 cardeais americanos, mas não é provável que o arcebispo de 72 anos seja eleito.

Cargos e Envelhecimento

Randall Smith
Talvez seja por me ter convertido em adulto, mas não estou tão chocado como a maioria das pessoas pela resignação de Bento XVI. Na verdade é o choque delas que me choca mais.

O Papa Bento XVI limitou-se a enfrentar um problema que nós, na América, nos temos recusado a enfrentar. Apesar de dizermos que conseguimos alargar o tempo médio de vida, o que de facto conseguimos foi anular muitas das coisas que matam a maioria das pessoas antes de chegarem aos oitenta ou noventa anos.

Por isso, em vez de morrer rapidamente de pneumonia, tuberculose ou AVC, como acontecia no passado, hoje os idosos vão vivendo, embora com capacidades cada vez mais reduzidas, por muitos anos. Por um lado isto é uma bênção, mas por outro é um desafio.

Quando se estabeleceu pela primeira vez o sistema de Segurança Social a idade a partir da qual se começava a receber subsídios era 65, porque os homens naquela altura morriam por volta dos 63. A Segurança Social era entendida como uma “rede de segurança” para apanhar aqueles que viviam até bem depois da reforma e da “garantia natural” da produtividade humana. A intenção nunca foi de criar um subsídio de reforma por 25 anos, que é aquilo em que se tem tornado. A nossa incapacidade de lidar com este facto conduziu à quase bancarrota do sistema.

Da mesma forma, não sabemos bem o que fazer com as nomeações vitalícias para o Supremo Tribunal. O que é que se faz quando um juiz se recusa a partir, apesar de já estar demasiado velho para desempenhar a sua função? Consta que nos últimos anos do juiz Marshal os seus colegas concordaram que não o deixariam ser o voto decisivo em casos importantes para que mais tarde esses votos não pudessem ser considerados “ilegítimos” por causa das suas capacidades diminuídas.

A veracidade do boato é-me indiferente, o que quero dizer é que temos um problema que nos recusamos a enfrentar. Os cargos vitalícios faziam sentido quando os seus ocupantes morriam no espaço de meses depois de terem sido atingidos por uma maleita mortal. Agora, graças a Deus, temos a capacidade de viver até mais tarde, gozando longos anos com os nossos netos, e sobrevivendo como pilares de sabedoria para a sociedade. Mas isso não significa que seremos todos capazes de desempenhar as funções inerentes aos nossos ofícios (sendo que “officium” é latim para “dever”).

Lembro-me, quando era mais novo de ouvir falar de importantes cardeais a morrer em plenas funções aos 65 ou 68 anos. Hoje em dia pede-se aos bispos que apresentem as suas resignações aos 75. E os cardeais, independentemente da sua idade ou sabedoria (penso por exemplo nos últimos anos do Cardeal Dulles), não podem votar no Conclave depois dos 80 anos. Esta política sempre me pareceu prudente. É evidente que nalguns casos, como do Cardeal Dulles, perdemos votos importantes, mas há outros que provavelmente deviam ser dispensados dessa obrigação. Será o Papa a única figura eclesiástica que está isenta das dificuldades do envelhecimento? É evidente que não.


Os fiéis estão habituados a ter os seus “antigos” bispos e arcebispos a circular pela diocese, a celebrar missas e a aparecer em público, fazendo discursos. Alguns deles, como o meu amado bispo emérito John D’Arcy, que morreu recentemente, estão também a combater os efeitos debilitantes de doenças como o cancro. Homens destes merecem ser dispensados da atenção constante dos media e têm direito a alguma paz enquanto entram no processo de morrer. Porque sejamos honestos: é isso que lhes espera – e a nós também.

Na Idade Média os sábios escreviam tratados sobre a ars moriendi, a “arte” de morrer e morrer bem. Não tinha nada a ver com as doses certas de veneno a tomar, era sobre como preparar-se a si e aos seus durante os últimos meses e dias de vida para poder enfrentar o Criador face a face.

Não se tratava de uma preparação que pudesse ser alcançada durante um seminário de fim-de-semana ou um churrasco. Era preciso oração, muita oração, um ofício no qual não há profissionais e no qual poucos são peritos. Os monges não precisam de reforma. Mas para pessoas que vivem o tipo de “vida activa” de que tanto nos orgulhamos, e que tiveram poucos momentos na vida para acalmar a mente e ficar na presença de Deus, a velhice era o tempo ideal para se habituarem à prática.

Em contraste, no mundo moderno, adoptamos a frase que Dylan Thomas escreveu ao seu pai, no seu leito da morte: “Rage, rage against the dying of light. / Do not go gentle into that good night”. Em vez de acompanhar os nossos idosos, com amor, no seu processo de morte, insistimos que se comportem como “yuppies” produtivos, ou então escondemo-los para que morram sozinhos e longe da vista. A nossa é uma cultura verdadeiramente cruel.

O Papa está no processo de morrer, e tudo o que algumas pessoas conseguem fazer é pensar sobre como a sua partida para uma vida de oração e preparação para esse momento vai afectar a política deste reino efémero que julgamos ser tão importante.

Bento XVI serviu-nos bem e sabiamente. Aguardo ansiosamente mais um ou dois livros, se for esse o seu desejo e o de Deus. Que possa retirar-se e descansar em paz. E que os católicos de todo o mundo se virem novamente para aquele que é o seu protector em tempos de dificuldade: Deus: Pai, Filho e Espírito Santo, que continuará a guiar a sua Igreja, como sempre fez.


Randall Smith é professor de teologia na Universidade de St. Thomas, Houston.

(Publicado pela primeira vez no Domingo, 24 de Fevereiro 2013 em http://www.thecatholicthing.org/)

© 2013 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Sean O'Malley

Nascido: 29 de Junho de 1944
Ordenado padre a 29 de Agosto de 1970
e bispo a 2 de Agosto de 1984
Em 2003 o bispo Sean O’Malley recebeu das mãos de João Paulo II uma das missões menos invejáveis que é possível imaginar: chefiar uma grande e influente diocese americana que estava totalmente falida e dilacerada por causa de um enorme escândalo de abusos sexuais.

O’Malley, que já tinha feito os possíveis para ultrapassar escândalos semelhantes noutras dioceses por onde tinha passado, tem por isso excelentes credenciais no que toca a lidar com aquele que é provavelmente o mais complicado problema que a Igreja tem de enfrentar actualmente. Em Boston o Cardeal instaurou uma política de tolerância zero para com padres suspeitos de abusos sexuais, acabando com a prática de encobrimentos que foi uma parte tão grande do escândalo até então. Criou também políticas globais para lidar com situações que pudessem surgir entretanto, que são consideradas pioneiras.

Numa medida que lhe garantiu a simpatia de muitos fiéis, O’Malley não hesitou em vender o palácio episcopal para ajudar a pagar as indemnizações às vítimas, tendo-se mudado para um pequeno quarto no seminário da diocese.

Em reconhecimento desse facto, Sean O’Malley foi um dos bispos encarregados de levar a cabo uma visitação apostólica à Igreja irlandesa para tentar averiguar as raízes do escândalo sexual que também abalou a credibilidade dessa igreja.


Foi na Irlanda que O’Malley teve um gesto simbólico muito forte, ao prostrar-se no chão diante de um altar despido, juntamente com o arcebispo de Dublin, Cardeal Martin, em Fevereiro de 2011. Depois os dois arcebispos lavaram os pés a oito vítimas de abusos sexuais.

O’Malley começou a sua vida sacerdotal como monge capuchinho e está fortmente imbuído da espiritualidade franciscana. Aquilo que lhe falta em experiência na curia romana, onde nunca viveu, tem em experiência missionária, tendo trabalhado nas Ilhas Virgens Americanas, com sem abrigo e vítimas de HIV.

No único livro que tem publicado em Portugal, “Anel e Sandálias” (Paulinas), escreve sobre a aparente contradição entre ser monge e bispo: “As sandálias e o anel tornaram-se os símbolos de uma vocação de frade capuchinho chamado a servir como bispo, uma combinação incómoda. Ser franciscano quer dizer procurar o último lugar à mesa e ser o menor dos irmãos. A função de Bispo na Igreja é de autoridade apostólica e de paternidade. Ser ao mesmo tempo o irmão mais pequeno e o pai é um verdadeiro desafio. Não sei se tenho tido sucesso num ou noutro desempenho, mas sei que estou grato a Deus pelo privilégio destas duas vocações”.

Interessantemente, O’Malley é também um grande amigo e admirador de Portugal. Tem um doutoramento em literatura espanhola e portuguesa, trabalhou com a comunidade portuguesa na diocese de Washington e visita frequentemente o país, onde ainda tem bons amigos.

Muitos cardeais hesitam perante a possibilidade de eleger um Papa de uma superpotência mundial, mas com a sua humildade franciscana O’Malley é tudo menos o estereótipo do americano arrogante. Acresce que O’Malley simplesmente não é muito conhecido na Igreja Universal e, como é natural, a maioria dos cardeais irá votar em alguém que conhece bem. Por outro lado o conhecido vaticanista John J. Allen Jr, escreveu no dia 19 de Fevereiro um artigo no qual afirma que O’Malley tem estado a tornar-se um nome cada vez mais repetido, e em termos elogiosos, tanto no Vaticano como na imprensa italiana, o que é muito importante.

O Cardeal americano tem 68 anos, uma idade que se enquadra bem no perfil de Papa mais novo que muitos cardeais têm dito que faz falta agora em Roma.


segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Timothy Dolan

Nascido: 6 de Fevereiro de 1950
Ordenado padre a 19 de Junho de 1976
e bispo a 15 de Agosto de 2001
O Arcebispo de Nova Iorque é uma das figuras mais carismáticas de todo o colégio cardinalício.

Num país a braços com um escândalo de abusos sexuais, Dolan tem a grande vantagem de não estar manchado por qualquer suspeita e de ter tido palavras e acções significativas no sentido de limpar a imagem da Igreja e de mudar práticas para melhor lidar com o assunto.

Contudo, no dia 21 de Fevereiro surgiu uma notícia na imprensa a dizer que o Cardeal tinha sido interrogado no dia 20 por advogados a propósito de suspeitas de abusos sexuais que se terão passado em Milwaukee na altura em que era bispo daquela diocese. Não existe, contudo, qualquer indício de responsabilidade ou de más práticas neste momento.

O Cardeal viveu algum tempo em Roma, como prefeito do Colégio Americano, e fala por isso italiano mas não com a fluência que muitos esperariam para um Papa. Tem, obviamente, a vantagem de dominar aquela que é actualmente a língua mais importante do mundo, mas o dia-a-dia do Vaticano ainda decorre muito em italiano e isso pode ser uma desvantagem.

Uma das maiores armas de Dolan é o seu sentido de humor. Tem um à vontade com a imprensa, por exemplo, que é ímpar entre os outros cardeais e consegue apresentar os ensinamentos católicos de uma forma simples, simpática e divertida, mas ao mesmo tempo firme, que desarma facilmente os seus críticos e adversários.

Apesar do seu sentido de humor e ár divertido, Dolan é também um líder formidável. Os seus pares americanos estão satisfeitíssimos com a sua liderança da conferência episcopal. Ao longo dos últimos anos conseguiu unir totalmente os bispos, sem excepção, num duro conflito com a administração de Barack Obama por causa da insistência deste em obrigar as empresas, incluindo as católicas, a fornecer contraceptivos aos seus funcionários através dos seguros de saúde, obrigatórios ao abrigo do novo sistema de saúde conhecido como Obama Care.

Apesar de essa batalha não estar ganha, Dolan tem-se tornado um herói para os católicos praticantes nos EUA pela forma como a tem travado. Contudo, para os restantes cardeais, isso pode também ser visto como uma razão para não o retirar dos Estados Unidos, numa altura em que faz lá falta e pode, enquanto arcebispo de Nova Iorque, tomar posições e fazer afirmações que enquanto Papa dificilmente poderia fazer.

Com apenas 63 anos, Dolan é ainda bastante novo, este vai ser o seu primeiro conclave, e por isso alguns cardeais que simpatizam com ele poderão também pensar que ainda é cedo para ele assumir uma responsabilidade tão grande. Outros há que simplesmente se sentem desconcertados com o seu estilo à vontade e que sentem que lhe falta a seriedade para assumir uma posição desta importância.

Questionado por um jornalista sobre se poderia votar nele próprio, o Cardeal respondeu calmamente que não, porque não deixam entrar malucos no Conclave.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Afinal ninguém sabe de investigações!



Ontem e hoje surgiram revelações na imprensa italiana que dão conta de “lobbies” homossexuais na Curia romana, que poderão estar envolvidos no caso Vatileaks. Falo desse assunto aqui.

Na nossa senda de conhecer alguns dos mais interessantes cardeais deste conclave, e depois de Itália e África, vamos ao continente americano! Começamos por Marc Ouellet.

O Vaticano deu a entender que Bento XVI poderá ser tratado por Sua Santidade depois da resignação. Uma informação crucial para a mão-cheia de pessoas que o vai voltar a ver depois das 20h de dia 28, sem dúvida!


Atenção ao próximo módulo da Escola de Oração, basta clicarem na imagem para ver datas e horários!

Marc Ouellet

Nascido: 8 de Junho de 1944
Ordenado padre a 25 de Maio de 1968
Ordenado bispo a 19 de Março de 2001
No meio das especulações de que o próximo Papa seja de fora da Europa há quem defenda que os cardeais não queiram logo um candidato de um país em vias de desenvolvimento e que prefiram por isso um norte-americano. Há alguns candidatos fortes dos EUA mas muitos cardeais quererão evitar nomear um Papa de uma superpotência, sobretudo uma que é vista com antagonismo em muitas partes do mundo.

Nesse sentido um candidato canadiano poderá ser visto como uma boa solução, ainda por cima um canadiano que viveu muito tempo na Colômbia e que fala muitas línguas.

Mas não é só a geografia que joga a favor do Cardeal Ouellet. O cardeal vem da América do Norte, sim, mas é francófono. Teve experiência à frente de uma grande arquidiocese, do Quebeque, e por isso conhece como ninguém o secularismo agressivo que afecta tantas zonas do mundo ocidental.

Mudou-se para Roma em 2010 quando foi nomeado prefeito da Congregação para os Bispos, que trata da selecção e propõe ao Papa a nomeação de bispos para quase todo o mundo. Conhece por isso, melhor que ninguém, o episcopado mundial, e é muito influente em Roma.

Teologicamente é tido como conservador, considerando, como Bento XVI, que o Concilio Vaticano II tem sido interpretado de forma demasiado liberal, na linha de uma “hermenêutica de ruptura” e não de continuidade, como Bento XVI referiu várias vezes.

Em Junho de 2011, quando questionado sobre as perspectivas de poder eventualmente vir a ser Papa, Ouellet disse que a ideia era “um pesadelo”. É conhecido por ser humilde e uma pessoa aberta a ouvir opiniões de outros.

Poucos dias antes do Conclave, Ouellet deu nova entrevista em que reconheceu que é um dos "papabiles" mas considerou que não só havia outros em melhor posição, como havia cardeais que desempenhariam melhor o cargo.

"Não posso não pensar nessa possibilidade. Quando entrar no Conclave tenho de dizer a mim mesmo 'E se, e se...' Faz-me reflectir, faz-me rezar, faz-me algum medo. Estou muito consciente do peso desta tarefa", afirmou, citado pela Reuters.

Por fim, para todos os que estão a olhar para a fotografia dele e a pensar "eu conheço esta cara de algum lado...", sim, é igual ao Arménio Carlos da CGTP.

[Actualizado dia 5 de Março]

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Peter Turkson

Nascido: 11 de Outubro de 1948
Ordenado padre a 20 de Julho de 1975
e bispo a 27 de Março de 1993
Já no último conclave se falou da possibilidade de se eleger um Papa africano negro, uma vez que até já houve três papas da África do Norte, nos primeiros séculos da Igreja.

Desta vez, e sobretudo depois do fenómeno Obama nos Estados Unidos, as expectativas voltam a ser grandes e aquele que é visto como o principal candidato africano é Peter Turkson, actual prefeito do Pontifício Conselho para a Justiça e Paz.

Tendo em conta que muitos esperam um Papa novo, Turkson, com 64 anos, tem a seu favor o factor da idade.

Para além disso o cardeal tem experiência curial, residindo em Roma desde 2009 e sendo membro de sete congregações romanas, incluindo a Congregação para a Doutrina da Fé.

Mas Turkson tem ainda uma grande experiência pastoral, tendo sido Arcebispo de Cape Coast, uma das maiores cidades do Gana, e tendo acumulado o trabalho num seminário com o de pároco antes de ser bispo. Fala também várias línguas, incluindo italiano, inglês, hebraico, alemão e francês.

Ao contrário da Europa, onde o Cristianismo está em recuo, a Igreja em África está em franca expansão, mas este é também um continente onde existe um grande potencial para conflito entre muçulmanos e cristãos. Nesse aspecto Turkson também tem factores a seu favor uma vez que tem membros da família que são muçulmanos. Do ponto de vista ecuménico também pode ser um candidato a ter em conta, devido ao facto de a sua mãe ser metodista. Mas estas credenciais foram prejudicadas durante o sínodo para a Nova Evangelização, em 2012, quando o cardeal mostrou aos seus pares um vídeo do YouTube, alegadamente sobre “demografia islâmica”, que tem sido denunciada como sendo incorrecto, alarmista e discriminatório.

Doutrinalmente seguro, Turkson agrada também àqueles que dão mais importância a questões de justiça social, devido ao trabalho que tem desenvolvido à frente do Conselho Pontifício a que actualmente preside. Contudo, os seus apelos à criação de uma autoridade global financeira causaram desconfiança em muitos sectores.

Num tema muito polémico, por exemplo, o cardeal tem demonstrado firmeza doutrinal mas também abertura pastoral. Questionado sobre o uso de preservativos para combater a Sida em África, Turkson repetiu o ensinamento católico mas disse que poder-se-ia abrir excepções em casos de casais em que um dos membros está infectado, para prevenir contágio. Disse também, contudo, que a aposta em preservativos para combater a doença era um perigo uma vez que a qualidade geral dos preservativos em África é baixo, pelo que se poderia estar a fomentar um clima de falsa confiança, e que o dinheiro gasto em contraceptivos seria mais bem aproveitado para fornecer medicamentos retrovirais para quem já está infectado.

Poucos dias depois do anúncio de Bento XVI, Turkson deu uma entrevista à CNN em que disse que não era provável que o escândalo dos abusos sexuais se espalhasse em África da mesma forma que se espalhou no ocidente, porque em África a cultura não aceita bem qualquer forma de relacionamento homossexual. Sendo verdade que a maioria dos casos de abusos sobre menores na Igreja é de natureza homossexual, praticados por homens sobre crianças, as declarações do cardeal foram interpretados por alguns como querendo estabelecer uma ligação entre a orientação homossexual e a pedofilia.

Entretanto, uma coisa é certa: Se Peter Turkson for eleito Papa os teoristas da conspiração terão um autêntico festival, uma vez que segundo a profecia de São Malaquias o último Papa deve chamar-se Pedro e, de acordo com a lista de Papa da profecia é chegado agora o momento de eleger o último…

[Um leitor avisou-me que tinha colocado Cape Town em vez de Cape Coast. Agradeço o reparo, já foi corrigido]

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Cardeais, balas e jejum

O Vaticano voltou a dizer hoje que o Conclave pode ser antecipado, começando por isso antes de dia 15 de Março.

Na Renascença tivemos uma sessão de perguntas e respostas com Aura Miguel e o cónego João Aguiar (na foto). Muitas das suas dúvidas poderão estar respondidas aqui.

O Patriarca de Lisboa foi ontem à RTP 1 e falou de vários assuntos, incluindo a crise na Europa.

No blogue continuamos a dar a conhecer alguns dos cardeais a ter debaixo de olho no Conclave. Hoje encerramos o lote de italianos com o arcebispo de Génova, o Cardeal Angelo Bagnasco.

Ainda pensa que o jejum só existe para poder dar esmolas e repartir comida com os pobres? Não é que isso não seja importante, mas há muito mais a saber sobre esta antiga prática cristã. Saiba mais no artigo desta semana de The Catholic Thing.

Angelo Bagnasco

Nascido: 14 de Janeiro de 1943
Ordenado padre a 29 de Junho de 1966 e
Bispo a 7 de Fevereiro de 1998
O Cardeal Bagnasco é arcebispo de Génova. É considerado um conservador e, desde 2007, preside à Conferência Episcopal Italiana, uma posição que lhe dá grande influência junto dos seus compatriotas.

Aos 70 anos parece ter uma idade adequada para ser elegível.

Durante a sua carreira académica Bagnasco foi professor de filosofia e de “Ateísmo contemporâneo” o que o deixa bem equipado para enfrentar um dos grandes desafios que se colocam à Igreja actualmente no mundo ocidental.

Nos últimos anos Angelo Bagnasco tem sido uma das vozes mais firmes do episcopado italiano contra o aborto e o “casamento” entre homossexuais, por exemplo. As suas declarações mereceram-lhe críticas severas da parte de activistas homossexuais e chegou a receber várias ameaças de morte, incluindo embalagens no correio com munições, ao ponto de a polícia de Génova ter destacado um agente para o proteger.

Apesar da firmeza demonstrada na defesa da doutrina católica, o facto de já acarretar tanta inimizade por parte de sectores fora da Igreja poderá ser um factor de alarme para os outros cardeais.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Cardeais a conhecer e o maior aplauso do mundo

Aproxima-se um Conclave e é natural que nos questionemos quem será o próximo Papa. No blogue comecei a analisar alguns cardeais. Não digo que sejam “os” candidatos ou não, são simplesmente aqueles que devemos ter debaixo de olho… Ontem publiquei o perfil de Angelo Scola e hoje o de Gianfranco Ravasi.

Estamos já em contagem decrescente para o fim do pontificado de Bento XVI e recuperados do choque inicial vários grupos começam a organizar homenagens. Destaco o maior aplauso do mundo!


Fala-se muito na possibilidade de um Papa africano. Falámos com um bispo africano que diz que a proveniência é indiferente, mas D. Ildo Fortes gostava que fosse um homem mais novo.

Entretanto o Papa ainda não resignou, nem deixou de trabalhar. Ontem decidiu enviar representantes para conhecer a situação dos refugiados sírios na Jordânia.

Parabéns ao Passo-a-Rezar, que completou três anos no fim-de-semana e já vai em cinco milhões de downloads!

Gianfranco Ravasi

Nascido: 18 de Outubro de 1941, Lecco, Itália
Ordenado padre a 28 de Junho de 1966 e bispo a 29 de Setembro de 2007
Continuamos a conhecer alguns dos cardeais que vão participar no conclave em Março. Depois de Angelo Scola olhamos para outro italiano mencionado como "papabile".

O Cardeal Ravasi tem sido uma estrela em ascensão nos últimos anos no Vaticano e Bento XVI tem dado provas continuadas de confiança nele, ao ponto de o ter escolhido para pregar o seu retiro quaresmal o que, dado o anúncio da sua resignação, colocará o cardeal bem no centro das atenções.

Ravasi tem-se tornado a grande figura da Igreja no diálogo com a cultura. Pode-se dizer que está para a Igreja Universal como o padre José Tolentino Mendonça para a Igreja portuguesa, pelo menos por enquanto... Ou seja, é um homem de cultura e erudição invulgares, com uma oratória cativante e apaixonante que é aceite e respeitado em meios tradicionalmente mornos ou mesmo hostis à Igreja.

Aos 70 anos este italiano enquadra-se na idade que muitos cardeais estão a dizer que querem para o futuro Papa.

Contudo, apesar de ser uma das figuras mais mediáticas da Igreja actualmente, Ravasi não deverá ter grandes possibilidades de ser eleito Papa. Para começar há indícios de que não é unânime entre os cardeais italianos, cujo apoio seria fundamental ter. Há, também, alguns que consideram que a sua ascensão tem sido um bocado rápida de mais e é-lhe apontada alguma falta de experiência, sobretudo pastoral mas mesmo dentro da cúria romana, uma vez que praticamente só desempenhou cargos ligados à cultura.

Em português estão editadas pelo menos cinco obras suas: “Breve História da Alma”, “O que é o Homem”, “Via Sacra no Coliseu com Bento XVI”, “Um Mês Com Maria - 31 Imagens Bíblicas” e “Os Rostos de Maria na Bíblia”.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Cardeais a ter "debaixo de olho" - Angelo Scola

Angelo Scola
Nascido: 7 de Novembro de 1941, em Itália
Ordenado padre a 18 de Julho de 1970 e bispo a 21 de Setembro de 1991
Ao longo das próximas semanas vou publicar aqui textos sobre alguns dos cardeais que vale a pena ter debaixo de olho neste conclave. Incluo aqueles que são tidos como "candidatos" e outros de particular interesse. Todos sabemos que "quem entra no Conclave como Papa, sai como Cardeal", mas em todo o caso existe claramente um lote que tem maiores probabilidades que outros. Proponho apenas conhecerem-nos melhor.

Historicamente há duas grandes dioceses conhecidas por fornecerem Papas: Veneza e Milão contribuíram, juntas, cinco pontífices nos últimos dois séculos.

Foi por isso muito significativo que Bento XVI tenha nomeado para arcebispo de Milão o então Patriarca de Veneza, Cardeal Angelo Scola.

Há quem tenha interpretado a mudança como um claro indicador por parte de Bento XVI de que era este o homem que lhe deveria suceder.

Scola é um homem da confiança de Bento XVI e é membro do movimento Comunhão e Libertação, que tem ganho muita influência ao longo dos últimos anos em Roma.

Há mais uma série de características que poderão jogar a seu favor no conclave. Scola tem apenas 71 anos, pelo que não sendo novíssimo, é definitivamente mais novo do que Bento XVI era quando foi eleito. Para além disso mistura experiência académica, curial e pastoral.

Ainda novo foi um dos colaboradores da revista “Communio”, juntamente com nomes de peso como Henri de Lubac, Hans Urs Von Balthazar e... Joseph Ratzinger. Fundou também o boletim “Oasis”, que aborda o Médio Oriente e contribui para o conhecimento do Islão e do Cristianismo daquela parte do mundo. Pastoralmente tem tido atitudes de abertura para com os divorciados e recasados, convidando-os a frequentar as igrejas e a aproximarem-se do altar para receber uma bênção especial, embora não possam comungar.

A questão do amor conjugal tem sido objecto da sua reflexão e o único livro que tem editado em português é sobre este assunto: “Homem – Mulher”. Nas palavras da editora portuguesa: “Partindo das origens do sentimento amoroso e das suas raízes católicas, o autor disserta, neste livro de cariz essencialmente teológico, sobre a essência deste sentimento e a importância que nele assumem a partilha, a aceitação das diferenças entre os sexos e a inerente procriação, salientando permanentemente a complementaridade entre o Homem e a Mulher.”

Em 1986 começou a colaborar com a Congregação para a Doutrina da Fé, como consultor, um posto que ocupou até 1991, quando foi nomeado bispo de Grosseto.


Em 1995 voltou para Roma para servir como reitor da Universidade Lateranense e desde então esteve muito envolvido na cúria romana, fazendo parte da Congregação para o Clero, a Congregação para a Família, a Congregação para a Cultura e ainda a Congregação para a Promoção da Nova Evangelização.

A sua actividade pastoral foi entretanto retomada com a nomeação em 2002 para Patriarca de Veneza, o que o colocou automaticamente na lista de potenciais futuros papas. Esse estatuto foi aumentado ainda mais com a transferência para Milão em 2011.

Acresce que Scola esteve algum tempo nos Estados Unidos e fala correctamente inglês.

Apesar de os italianos constituírem o maior número de cardeais eleitores, de longe, não se deve esperar que votem todos em bloco uma vez que não são um grupo unido. Contudo, se a vontade de ter um Papa italiano falar mais alto, poder-se-ão unir à volta de Scola, independentemente de alguma desconfiança de alguns em relação ao Comunhão e Libertação, tornando-o um candidato formidável.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Bento XVI vai para longe da vista...

Museu do Franciscanismo, nos Açores
Bento XVI voltou a falar esta manhã e deu a entender que depois de dia 28 vai desaparecer da praça pública, como seria aliás de esperar. Fez ainda um discurso muito interessante sobre o Concílio, considerando que ele foi deturpado pelos media.

Seja como for o Papa não estará sozinho, terá com ele o seu secretário pessoal e as leigas consagradas do Comunhão e Libertação que tratam do seu apartamento.

Os tradicionalistas terão gostado do discurso do Papa esta manhã, mas resta saber se isso será o suficiente para os levar a aceitar o ultimato que o Vaticano lhes impôs recentemente.


Abriu hoje um museu nos Açores sobre “Franciscanismo”, fica em São Miguel.

Longe de Roma e do Catolicismo, as auto-imolações no Tibete já ultrapassaram a centena. Trágico.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Cinzas, despedidas e parabéns

Hoje Bento XVI explicou novamente, desta vez aos fiéis na audiência geral, a razão da sua resignação. Disse também que sentia, quase de forma física, as orações de todos.

A audiência em si foi composta por uma catequese muito rica, que incluiu um interessante gesto para com ortodoxos e judeus!

Por falar em gestos, simpáticas palavras de Mustafa Ceric, principal líder muçulmano da Europa, para Bento XVI. Aqui pode saber mais sobre o ecumenismo durante o pontificado de Ratzinger.

O Conclave deve começar no dia 15 de Março. Mas talvez não… resumindo, em relação a isso como em relação a tanta coisa, há mais dúvidas que certezas!

Mas nem tudo é Papa! Hoje começa a Quaresma e por isso temos aqui uma explicação sobre o sentido deste período e do jejum e tudo o resto que o acompanha.

Mudando bastante de assunto, referência para os 900 anos que a Ordem de Malta faz por estes dias. Conheça melhor o trabalho desta instituição através do artigo desta semana de The Catholic Thing.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Dia de surpresas!

Esta é que eu não esperava! Nem eu nem quase ninguém, está visto.

Uma lista das principais notícias do dia, com análise, reacções etc. já está disponível aqui. Este post serve para partilhar alguns dos meus pensamentos sobre este assunto.

Em primeiro lugar quero deixar uma coisa bem clara. O Papa lá sabe porque é que tomou esta decisão. Ele sabe melhor que ninguém o seu estado de saúde e sabe melhor que ninguém as dificuldades que enfrenta no dia-a-dia, concluindo, evidentemente, que não estava em condições para continuar este serviço.

Por isso não quero que pareça uma crítica quando digo que esta notícia me deixa triste e que se ontem me perguntassem se esta era uma possibilidade diria que não e pelas seguintes razões.

Eu acho que uma das maiores lições que a humanidade recebeu nos últimos anos foi poder assistir ao envelhecimento e à morte de João Paulo II. Numa altura em que a fragilidade e a morte se escondem, em lares, em quartos fechados, debaixo de plásticas… o mundo não sabe envelhecer e não sabe como tratar a morte. O mundo ocidental, pelo menos.

João Paulo II mostrou que a dignidade humana não se prende com a capacidade de falar, de reagir, de andar. É inerente à nossa condição. Morreu quebrado, mas sem perder um pingo de dignidade.

A tradição na Igreja sempre foi de os clérigos morrerem nos seus cargos. De Papa a bispo diocesano. Há claras desvantagens… a possibilidade de ficar anos com um bispo frágil e adoentado, sem energia, que se cansa. Mas as vantagens parecem-me superiores. Os fiéis afeiçoam-se à pessoa, criam com ela laços de familiaridade, o Bispo torna-se mesmo um pai para os seus fiéis.

Como as coisas estão agora, com os bispos obrigados a resignar aos 75 anos, soa-me sempre a funcionalismo público e dá a ideia que depois de uma certa idade as pessoas perdem o seu valor. Cria, sobre tudo, distanciamento em relação aos fiéis que não têm tempo para criar a tal ligação. É pelo menos isso que eu, com a minha curta experiência, sinto.

Nas Igrejas orientais acontece o contrário, os bispos e Patriarcas ficam até resignarem por vontade própria ou até morrerem e não me parece que venha mal ao mundo por isso.

Respeito com devoção filial a decisão de Bento XVI. Não tenho dúvidas que terá medido bem as consequências do seu acto. Mas penso que o pior que poderia acontecer agora seria instalar-se a ideia que um Papa deve sempre resignar mal começa a enfraquecer. Espero que isso não aconteça.

As próximas semanas serão de grande entusiasmo e novidade. Fiquem atentos a este espaço, que irei actualizando na medida do possível. Temos quase dois meses para todas as análises e especulações.

Filipe d’Avillez

Principais notícias sobre a resignação do Papa - Actualizado


Um Colaborador da Verdade – O perfil do Papa, por Aura Miguel


Aqui encontram uma fotogaleria feita por mim. Como a viagem a Cuba reflecte bem o pontificado do Papa.

Afinal de contas, o que prevê a lei da Igreja sobre a resignação de um Papa?

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