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segunda-feira, 18 de setembro de 2017

E você, já rezou pelos políticos hoje?

Como tinha avisado, estive fora na semana passada e por isso não pude partilhar nenhuma das muitas notícias que foram publicadas por causa da morte inesperada de D. António Francisco, do Porto. Aqui podem recuperar algumas das mais importantes notícias e homenagens a um homem que era unanimemente considerado um cristão exemplar com um grande coração.

Esta segunda-feira o Papa alertou para a necessidade de se rezar pelos políticos, acrescentando que quem não o faz deve admiti-lo no confessionário. Ontem Francisco falou da necessidade de se perdoar e na incoerência de quem se recusa a fazê-lo.

Entretanto foi libertado o padre indiano que tinha sido raptado no Iémen há um ano e meio e um funcionário da nunciatura do Vaticano, em Washington, está a ser investigado por suspeita de pornografia infantil.

Durante a semana também publiquei um artigo novo do The Catholic Thing. David Warren recorda o autor Hillaire Belloc que previu, num livro escrito em 1938, que o Islão iria recuperar a sua força e continuar a ameaçar o Ocidente. Não perca!

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Rezar pela Venezuela e contra a pornografia

Contra a pornografia
O Parlamento congratulou-se esta sexta-feira com o sucesso da visita do Papa Francisco. O voto foi aprovado por unanimidade.

Também hoje a fundação Ajuda à Igreja que Sofre fez um apelo a uma jornada de oração pela Venezuela. Em Lisboa há missa e terço no domingo, mas quem quiser certamente pode associar-se pessoalmente, onde estiver.

Nos Açores decorrem por estes dias os festejos do Santo Cristo dos Milagres. Este ano preside o bispo de Fall River, onde há uma grande comunidade açoriana. Marcelo também lá vai estar.

Ao longo dos anos já publiquei alguns artigos, nomeadamente do The Catholic Thing, sobre o flagelo que é a pornografia nos nossos dias, que em muitos casos pode chegar a ser um terrível vício que prejudica muito mais os utilizadores do que possam imaginar. Dois desses artigos podem ser lidos aqui, aqui e aqui. Agora reparo, com grande satisfação, que a editora Princípia publicou em Portugal um livro da autoria da Conferência Episcopal dos Estados Unidos, que trata muitíssimo bem do assunto. Fica o conselho para quem se interessa por este tema!


quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Papa em África, Bebé em Manjedoura

Away in a manger...
O Papa Francisco chegou hoje a Nairobi para o começo da sua primeira viagem de sempre a África. Falou de pobreza e de terrorismo naquele que é visto como um dos países mais estáveis de África.

Na antevisão da visita, um missionário português com larga experiência de África diz que o Papa deve ver o continente com os olhos do coração.

Começou ontem o processo Vatileaks II, sob protesto dos jornalistas acusados. O Padre Saturino Gomes, que trabalha na Curia Romana, lamenta que o caso coloque os restantes funcionários do Vaticano sob suspeita.

Um bebé foi abandonado na passada segunda-feira. Onde? Na manjedoura do presépio de uma Igreja em Nova Iorque.

O artigo desta semana do The Catholic Thing foca um dos grandes problemas espirituais do mundo actual. A pornografia é um dos factores que leva à dessacralização do corpo e, por extensão, da própria humanidade. Não perca o artigo do estreante Pe. John McCloskey.

Termino com um aviso. Amanhã é o lançamento do livro do meu amigo José Luís Nunes Martins: Os Infinitos do Amor. É às 19h no Teatro Nacional São Carlos, em Lisboa. Se puderem não deixem de ir.

Pornografia: A Nossa Maior Ameaça Espiritual

Pe. John C. McCloskey
Os bispos dos Estados Unidos reuniram-se a semana passada em Baltimore, para a sua reunião anual. Um dos tópicos que decidiram abordar este ano tem a ver com aquela que é talvez a maior e mais constante ameaça à saúde espiritual e física dos católicos americanos. Destrói casamentos, mata o estado de graça e, em muitos casos, acaba com possíveis vocações ao sacerdócio e à vida religiosa. É uma praga e chama-se pornografia.

A pornografia gera lucros gigantes para quem a produz e distribui comercialmente. Muita desta pornografia tem origem em Los Angeles e, infelizmente, espalhou-se não só por toda a nação mas por todo o mundo, dando credibilidade àqueles que, como os extremistas islâmicos, denunciam a decadência do Ocidente. Embora a pornografia seja sobretudo comercializada e vista por homens, um número considerável de mulheres também a vê por curiosidade e geralmente ficam enojadas, embora um pequeno número caia na armadilha de a usar também.

Escrevo este artigo enquanto padre que houve milhares de confissões todos os anos. Quando fui ordenado, a maior parte da pornografia consumida era entregue em casa das pessoas na forma de revistas. Hoje em dia, praticamente toda a pornografia está na internet, facilmente disponível para quem a quiser usar. Os homens viciados, só neste país, são aos milhões. Vivem num mundo de fantasia que é degradante tanto para eles como para as suas mulheres e namoradas.

O Catecismo da Igreja Católica diz-nos que os cristãos devem estar de prevenção contra a pornografia. Não só devemos evitar procurá-la e usá-la como devemos rejeitar qualquer imagem ou pensamento que nos possa surgir acidentalmente – por exemplo, quando vamos inocentemente ver um filme e somos apanhados de surpresa por uma cena de sexo explícita.

O que é que se pode fazer? Talvez os bispos tenham algumas recomendações “micro” para os indivíduos e outras “macro” para a sociedade em geral. A pornografia, como é evidente, e tal como outros tipos de pecado, não é nada de novo e provavelmente existirá até ao fim dos tempos. Contudo, a dimensão do problema e a dificuldade em evitar a contaminação, bem como a ameaça que coloca à inocência das crianças, é um produto sem precedentes do progresso tecnológico e da regressão moral do nosso tempo. É um bom sinal que a Igreja nos Estados Unidos esteja a debater esta matéria mortífera, que mata almas aos milhões tanto cá como no estrangeiro.

(Não é uma grande imagem, mas pesquisar por
pornografia no Google parecia-me contraproducente)
Todas as famílias católicas que querem educar crianças com um saudável amor pela bondade da sexualidade, da maternidade e do casamento devem fazer tudo ao seu alcance para manter as suas casas livres de pornografia. As instituições católicas de ensino, de todos os níveis, não devem faltar ao seu dever de pregar a beleza da castidade aos seus alunos, ajudando-os a compreender que a gravidade do abuso da sexualidade deriva do seu enorme valor para Deus e para a humanidade: A atracção dos homens e das mulheres um pelo outro, quando vivida de forma correcta, permite aos seres humanos participar no plano de Deus de conceber, carregar e criar a vida humana. Parte do plano de Deus para povoar os reinos celestes com almas salvas é a beleza do amor puro e do santo matrimónio que deriva deste amor.

Estou ansioso para ver a forma como os nossos bispos vão lidar com este assunto no futuro. Utilizar pornografia não só fere a alma mas transforma o utilizador num criminoso, que rouba algo que não lhe pertence. O consumo de pornografia leva muitas pessoas a ficarem viciadas e, tal como na maioria dos vícios, este geralmente leva o consumidor a ir aumentando as doses para alcançar os mesmos efeitos. Não admira, por isso, que o uso de pornografia possa, em alguns casos, levar a situações de violação e abuso de crianças.

Uma vez que o consumo da pornografia é frequentemente um vício e um pecado, o consumidor desta doença mortal para a alma deve não só confessar o seu pecado como ainda procurar auxílio profissional que possa ajudá-lo a libertar-se desta praga.

No que diz respeito aos métodos gerais, combatemos este tipo de pecado como combatemos outros. Começamos por confessar os nossos pecados e depois, em estado de graça, podemos receber a presença fortalecedora de Cristo na Eucaristia. A devoção à Santíssima Mãe é também uma grande ajuda no combate a todos os tipos de impureza. Devemos ainda ter o cuidado de evitar as ocasiões de pecado, instalando um filtro nos nossos computadores ou telefones para evitar aceder a pornografia. Outra dica útil é nunca usar um computador a não ser que esteja acompanhado por alguém na sala.

Estas são apenas algumas ideias que podem ser úteis para quem estiver apanhado por este tipo de comportamento pecaminoso. Acima de tudo, à medida que nos aproximamos do Jubileu da Misericórdia anunciado pelo Papa Francisco, que começa na festa da Imaculada Conceição, os utilizadores de pornografia penitentes, tal como qualquer outro, nunca devem desesperar da misericórdia e do perdão de Deus. Nunca devem perder a esperança na possibilidade de se conseguirem libertar desta escravatura, recorrendo à ajuda continuada da graça de Deus.


(Publicado pela primeira vez no sábado, 21 de Novembro de 2015 em The Catholic Thing)

O Pe. C. John McCloskey, é historiador da Igreja e investigador não-residente da Faith and Reason Institute.

© 2015 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Tolos ou Mentirosos

Anthony Esolen
Os actuais defensores da Revolução Sexual – esse grande pântano de esgoto, miséria humana, famílias disfuncionais, entretenimento decadente e advogados – garantem que a ruptura antropológica mais radical que a humanidade alguma vez conheceu, a desvinculação entre o casamento, a procriação e os simples factos da vida, não terá qualquer efeito (nenhum, não se preocupem) sobre o casamento, a procriação, a família e a vida comunitária.

Ao que eu respondo: “Não foi isso que disseram das outras vezes?” Precisamente qual das previsões dos revolucionários sexuais é que se confirmou?

Disseram-nos que a liberalização das leis de divórcio não teria qualquer efeito, nenhum, não se preocupem, sobre as taxas de divórcio. A nova lei apenas tornaria o divórcio menos doloroso para o casal e, por isso, menos doloroso para os filhos. Porque aparentemente existem “bons” divórcios.

Através de uma demonstração milagrosa de simpatia e maturidade fora do alcance da sua idade, as crianças ficariam felizes por ver os seus pais felizes. Aliás, de outra forma a sua felicidade não seria possível. Ninguém se deu ao trabalho de perguntar como é que os pais poderiam ser felizes perante a infelicidade dos seus filhos. Mas os revolucionários enganaram-se em relação a isso. Ou então estavam a mentir, das duas, uma.

Disseram-nos que toda a gente fazia “aquilo”, sendo que “aquilo” se tornou gradualmente mais imoral e antinatural, e basearam as suas afirmações em investigação levada a cabo pelo pedófilo e fraude Alfred Kinsey. Ver com bons olhos a fornicação, disseram, não mudava nada, apenas libertava as pessoas da censura e permitia-lhes fazer aberta e honestamente aquilo que até então tinham feito desonestamente e em segredo. 

Em apenas uma geração a relação entre os sexos transformou-se completamente até que as raparigas e os rapazes que queriam praticar a normal virtude da prudência, e até a mais difícil virtude da castidade, se viram isolados e sós. Antigamente o coração de um rapaz entraria em sobressalto se a rapariga lhe desse um beijo. Agora, mal consegue fingir um bocado de afecto se ela não o levar ao clímax. Também aqui os revolucionários se enganaram. Ou então estavam a mentir.

Disseram-nos que a pornografia era um passatempo inocente para uma minoria que gostava. Não tinha nada a ver com violência, não seria prejudicial para a cultura. Seria possível proteger os nossos filhos dela. Não teria qualquer efeito, nenhum, não se preocupem. Vale a pena sequer comentar esta? Enganaram-se, ou então estavam a mentir.

Disseram-nos que com a pílula ia haver menos crianças concebidas fora do casamento, e que a liberalização das leis do aborto não afectaria, de todo, não se preocupem, o número de mulheres que o procuram. O Papa Paulo VI, na Humanae Vitae, previu o contrário. Actualmente 40% das crianças na América nascem fora de casamentos, a maior parte cresce sem um lar estável. Segundo o próprio Supremo Tribunal, o aborto tornou-se uma parte tão intrínseca da vida de uma mulher, como uma protecção de último recurso contra fazer um filho quando se faz a coisa que faz filhos, que não pode ser limitado. Mais uma vez, os revolucionários enganaram-se, ou estavam a mentir.

Talvez deva dizer que estavam a mentir outra vez, porque as provas que levaram até ao tribunal tinham sido sempre um monte de mentiras.

Disseram-nos que o facto de pequenas crianças serem introduzidas ao prazer sexual por pessoas queridas e mais velhas não tinha grande mal, a não ser que os pais reagissem de forma exagerada. Durante algum tempo tiveram de se esquecer que o tinham dito, mas agora que a Igreja Católica pôs a casa em ordem outra vez estão a esquecer-se de que se tinham esquecido e começam a cantar novamente a mesma melodia: não tem qualquer mal, nenhum, não se preocupem. Estavam, e estão, enganados, ou estavam e estão a mentir.

Não se preocupem...
Disseram-nos que as leis de igualdade de género não resultariam em consequências absurdas, como o envio de mulheres para as frentes de combate, casas de banho unissexo e a normalização da homossexualidade. Não teria qualquer efeito, nenhum, não se preocupem. Enganaram-se, ou estavam a mentir.

Em que é que acertaram? Alguma vez as relações entre homens e mulheres estiveram mais marcadas pela suspeita, raiva e vergonha? De acordo com os seus próprios testemunhos, as nossas faculdades são agora selvas incontroláveis de assédio e violação. Não era assim antes de os revolucionários meterem mãos à obra.

Disseram-nos que o aborto não conduziria à eutanásia. Agora dizem ainda bem que o aborto conduziu à eutanásia mas dizem que a eutanásia, a morte medicamente assistida, não levará à matança de idosos sem o seu consentimento. Mas por acaso isso já aconteceu. Todos os dias há idosos a serem sujeitos a asfixia lenta e supostamente indolor, em todos os hospitais do país. Não terá qualquer efeito, nenhum, não se preocupem.

Disseram-nos que o alargamento da noção (não a realidade, que é impossível, mas a pretensão) de casamento a pessoas do mesmo sexo não teria qualquer efeito, nenhum, sobre qualquer outra coisa no país. Não afectará o que os nossos filhos aprendem na escola, não afectará o número de jovens a experimentarem coisas antinaturais, não afectará a liberdade religiosa, não afectará a liberdade de expressão.

Não poderia ter qualquer efeito sobre essas coisas porque, garantiram-nos, o comportamento em questão é perfeitamente natural, levado a cabo por pessoas perfeitamente saudáveis. Não teria qualquer efeito, nenhum, não se preocupem, agora concordem ou sejam destruídos.

Alguma vez as previsões desta gente se confirmaram? Porque é que havemos de confiar neles agora?


Anthony Esolen é tradutor, autor e professor no Providence College. Os seus mais recentes livros são:  Reflections on the Christian Life: How Our Story Is God’s Story e Ten Ways to Destroy the Imagination of Your Child.

(Publicado pela primeira vez na Quinta-feira, 30 de Abril de 2015 em The Catholic Thing)

© 2015 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Papa em Sarajevo e Conferência de Hadjadj

Sarajevo aguarda visita do Papa Francisco em Junho
O Papa Francisco vai visitar Sarajevo em Junho. O anúncio foi feito ontem, durante o Angelus. Não deixa de ser muito interessante que com esta visita, três das quatro visitas europeias de Francisco fora de Itália sejam a países de maioria muçulmana!

Decorrem no Porto as Jornadas de Teologia da Universidade Católica, desta vez dedicadas a questões económicas.

Os últimos números mostram que por cada dois padres que morrem em Portugal, apenas um é ordenado. Passa-se uma situação parecida com as religiosas. Saiba mais aqui.

A lei que concede nacionalidade portuguesa a judeus sefarditas deu mais um passo em frente. Este é um momento histórico, dizem alguns judeus.

O director do Gabinete de Imprensa do Opus Dei em Portugal, Pedro Gil, considera que a Igreja precisa de mais mulheres a trabalhar na comunicação.


E as autoridades do Vaticano detectaram dois casos de posse de pornografia infantil dentro da Santa Sé em 2014. Houve também casos de tentativa de fazer entrar droga por via do correio. Saiba mais aqui.

A semana passada elogiei muito a conferência de Fabrice Hadjadj, no Congresso dos Leigos, que teve lugar no Porto no outro fim-de-semana. Agora podem ler o texto aqui. Não deixem de o fazer.

quarta-feira, 26 de março de 2014

Bispos e Belles

O Papa aceitou esta quarta-feira a resignação do bispo despesista (e clone de Herr Flick, ver foto), que gastou 31 milhões de euros a renovar a sua residência episcopal.

No mesmo dia o Papa disse que quer bispos que rezem e que se confessem


Esperava-se que começasse hoje o julgamento da paquistanesa Asia Bibi, condenada à morte por blasfémia e na prisão há quatro anos. Segundo o seu advogado, ela “reza e espera”, mas está bem de saúde.

Atenção a todos que amanhã Obama visita o Papa. Terão certamente muito que conversar, mesmo que a maior parte nunca se torne público. Estejam atentos que a Renascença tem reportagens preparadas para o assunto.

Recentemente rebentou uma polémica nos EUA com uma jovem universitária a confessar que faz filmes pornográficos para pagar as propinas. “Belle Knox” é o tema do artigo desta semana do The Catholic Thing, a não perder.

Adenda do dia seguinte
Depois de publicar este post recebi dois comentários (que podem ler abaixo), a lamentar o facto de eu estar a comparar o bispo Franz-Peter Tebartz-Van Elst ao Herr Flick... escusado será dizer que não estou a insinuar qualquer semelhança moral entre um bispo e a Gestapo. É mesmo só a parecença física... digam lá que não é igual?!

Quanto ao Bispo, o post não era de análise, mas já agora aproveito para dizer que acredito na redenção de qualquer homem. Penso que ele errou, e muito (não é só a questão dos gastos, há mais detalhes, incluindo perjúrio no tribunal e desvio de dinheiro de um fundo de assistência a famílias numerosas para a tal residência episcopal), acredito que se foi enfiando num buraco do qual dificilmente conseguiu sair até que o escândalo público o acordou para a realidade.

Mas acredito, sobretudo, que é perfeitamente capaz de se arrepender, virar uma nova página e levar o resto da sua vida como um bom pastor e um bom cristão e é isso que espero que aconteça.

Agora, a fotografia? Por amor de Deus, é só uma brincadeira.

A Bela e o Monstro

Pe. Dwight Longenecker
A Bela e o Monstro conta a história de uma donzela bonita que encanta um tipo terrível mas transforma-o no nobre príncipe que estava destinado a ser desde sempre. A beleza conquista a besta. A Bela vence o Monstro.

Tudo isto levou uma volta quando, há semanas, uma caloira de Duke University chamada Miriam Weeks revelou ser “Belle Knox”, uma estrela da indústria pornográfica. Esta versão do conto de fadas acaba de maneira diferente. A bela universitária torna-se a besta. Não deixa de ser bonita, claro, mas admitiu que estava a produzir filmes pornográficos para pagar as propinas.

O mais peculiar desta história não é o facto de se estar a prostituir, como mulheres desesperadas ou sem escrúpulos têm feito desde tempos imemoriais, razão pela qual nos referimos à prática como o trabalho mais antigo do mundo. O peculiar não é a sua profissão, mas a confissão.

Belle Knox apareceu no programa de Piers Morgan para se defender. A aluna de Estudos Femininos sublinhou que ela é que tinha escolhido ser actriz pornográfica. Negou que estava a ser explorada. Toda a gente que tinha conhecido na indústria, garante, é simpática, amigável e profissional. Mais, no futuro espera vir a começar uma organização para ajudar trabalhadoras do sexo abusadas.

A sua confissão revelou a moralidade não só de Belle Knox mas da maior parte do país. A maioria dos americanos não pode, na verdade, argumentar contra a terrível escolha da Belle.

Já acreditam que o sexo é para a recreação e não para a procriação. Aceitam que é perfeitamente natural uma mulher jovem e saudável dormir com tantos homens quantos queira, e que a universidade é a altura certa para engates descomprometidos. Quem se recusar a aceitar a promiscuidade é considerado antiquado.

A assunção comum é de que toda a gente pode ter relações sexuais com quem quiser, desde que seja consensual. O sexo é como o ténis, é divertido se for com um bom parceiro.

Seguindo essa lógica, se a Belle decidir ser paga pelo seu hobby, qual é o problema? Para o americano típico, porque é que a sua decisão de receber dinheiro difere da escolha de um jogador de basquete universitário de enveredar pelo profissionalismo?

Alguns dir-se-ão “ofendidos”, mas estão mesmo? Não. É só o factor nojo. É uma questão de snobismo e não de moral. Pensam que os actores pornográficos são gente rasca do lado errado de Los Angeles. Quando uma rapariga bonita, de classe média, se volta para a pornografia ficam chocados, não por causa da moral, mas porque consideram ser de mau gosto. Por outras palavras, não faz mal ela dormir com quem lhe apetecer, mas é feio fazê-lo com a câmara ligada e com o agente a contar os lucros.

A verdade inconveniente é que a esmagadora maioria dos americanos não tem qualquer razão inteligente e inteligível para não apoiar o “vale tudo” sexual. Pior, a maioria dos cristãos não tem qualquer razão válida para encorajar a castidade.

Durante gerações a única arma que os cristãos tinham contra a imoralidade sexual eram proibições baseadas na Bíblia e no medo. O sermão era algo como: “A Bíblia diz que não devias fornicar! Se o fizeres a rapariga vai-se meter em sarilhos. As boas meninas não fazem isso. Podes engravidar! Vais apanhar uma doença terrível e enlouquecer. Não faças isso.”

Miriam Weeks - "Belle Knox"
Com a melhoria dos cuidados de saúde e a invenção e aceitação de contracepção artificial os jovens passaram a ter respostas.

“Vais engravidar…”

“Ela toma a pílula”.

“Vais apanhar uma doença!”

“Penicilina.”

“A Bíblia diz que não se deve fornicar!”

“Isso era antes. Isto é agora”.

Os cristãos não podem fazer nada se não queixar-se e lamentar-se. Ninguém acredita neles. A Caixa de Pandora foi aberta e os males que saíram são demasiado apetitosos para serem presos de novo.

Os únicos cristãos que sugerem uma resposta coerente e consistente são os católicos, e o nosso argumento é simples e profundo.

A razão pela qual a Belle não se pode comportar como um monstro é porque ela não é um monstro. É filha de Deus. O seu sistema reprodutivo é desenhado para dar a vida, e não apenas prazer. A sua escolha de viver só para o prazer e não para a vida significa uma negação da vida, e quando se nega a vida, escolhe-se o seu contrário.

A teologia do corpo de João Paulo II ensina que cada alma humana está ligada a um corpo físico e que os nossos corpos são o meio através do qual experimentamos o eterno. O metafísico vive no físico e através do físico. Os nossos corpos são transceptores do transcendental.

Dito de forma simples, uma vez que os nossos corpos e as nossas almas estão interligados, o que fazemos com o nosso corpo afecta o estado da nossa alma. Só uma religião baseada nos sacramentos pode transmitir esta verdade. O protestantismo não serve.

Por isso é preciso fazer escolhas. O nosso destino como seres humanos é participar na beleza eterna. Cada escolha física pelo verdadeiramente belo conduz à Beleza final. Segue que, se escolhermos portar-nos como bestas com os nossos corpos, poderemos encontrar-nos, algum dia, no festim da Besta.


O livro mais recente do padre Dwight Longenecker’s é The Romance of Religion – Fighting for Goodness, Truth and Beauty. Visitem o seu blogue, folheiem os seus livros e contactem-no em dwightlongenecker.com

(Publicado pela primeira vez na Quinta-feira, 20 de Março de 2014 em The Catholic Thing)

© 2014 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte:info@frinstitute.org

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quarta-feira, 12 de março de 2014

Um Bispo Valente Denuncia a Pornografia

Austin Ruse
Não me recordo daquele momento eléctrico em que vi pornografia pela primeira vez, mas lembro-me como em miúdos, no início dos anos 60, éramos obcecados pelas imagens da Playboy.

Lembro-me como tudo isso parecia normal entre os adultos, embora não entre os meus pais. Uma vizinha perguntou uma vez se o meu pai queria trocar uns romances pelas Playboys do seu marido, que estava doente e não tinha nada para ler. O meu pai recusou, mas como é que eu sabia sequer disso? Eu escondo a própria existência desse tipo de coisa das minhas filhas.

Lembro-me que um dos meus amigos roubava Playboys ao seu pai e nós escondíamo-las no mato. Que rapaz de certa idade não se lembra de folhear revistas dessas, húmidas de terem estado escondidas debaixo de troncos e árvores? Lembro-me do cheiro.

Lembro-me de ter ficado de castigo quando a minha mãe descobriu um “Playboy: Entretenimento para Rapazes” mal desenhado, que eu tinha feito e agrafado para mostrar aos amigos. O castigo ficou a cargo do meu pai, mas não me lembro se levei com o cinto ou se apanhei o sermão do desapontamento.

Estes pensamentos, e outros, voltaram recentemente quando li o início da Carta Pastoral do bispo Paul Loverde, de Arlington, Virginia. Será publicada oficialmente na Festa de São José, o que é apropriado porque a carta enfatiza que o pai tem responsabilidade de proteger a sua família do flagelo da pornografia. Esta é a sua segunda carta pastoral sobre pornografia e, tanto quanto sei, apenas a terceira de qualquer bispo americano, sendo a outra da autoria do bispo Robert Finn, de Kansas City.

Num livro sobre este assunto Matt Fradd conta como, ao procurar numa arca de coisas antigas na garagem de um parente, encontrou “uma fotografia lustrosa de uma mulher completamente nua. Suspirei, parecia que o meu coração tinha parado – nunca tinha visto nada assim”. Diz que sentiu fascínio e depois remorso.

Não foi assim que tantos de nós entrámos em contacto com estas coisas?

Durante anos Fradd viu cada vez mais destas imagens. Escreve que “comecei a compreender que quando maridos e pais usam pornografia, não só se tornam escravos do pecado, mas ferem profundamente a sua habilidade de amar e proteger, da forma como a sua vocação exige”.

O final feliz de Fradd, depois de anos de luta, não é a norma hoje em dia, porque o mundo está imerso em pornografia. Aquelas primeiras imagens digitais atingem os jovens cérebros e continuam a escravizá-los, até depois do casamento e do começo da vida familiar. Os casamentos e as famílias são destruídas por elas.

O bispo Loverde é um verdadeiro pastor por publicar uma segunda edição de “Bought with a Price (edição Kindle)”:

“Nos meus quase cinquenta anos de padre vi o mal da pornografia a espalhar-se como uma praga através da nossa cultura. Aquilo que era o vício vergonhoso e ocasional de poucos tornou-se agora o entretenimento usual de muitos... A praga persegue a alma de homens, mulheres e crianças, dilacera os laços do casamento e vitimiza os mais inocentes de entre nós. Obscurece e destrói a habilidade das pessoas de se verem umas às outras como uma expressão bela e única da criação de Deus, em vez disso escurece a sua visão, levando-os a ver os outros como objectos a serem usados e manipulados.”

Bispo Paul Loverde
Elenca a ameaça, bem conhecida de todos os que já foram consumidores de pornografia ou que simplesmente estão a par do seu alcance e da sua profundidade. Mas acrescenta: “Talvez o pior, contudo, seja a forma como a pornografia danifica o modelo que o homem tem do sobrenatural. A nossa visão natural neste mundo é o modelo para a visão sobrenatural do próximo. Quando danificamos este modelo, como é que vamos compreender essa realidade?” A nossa visão sobrenatural é danificada pelo mau uso da nossa visão natural.

A carta é endereçada a todas as pessoas da sua diocese, mas esperamos que pelo menos os seus fiéis católicos leiam este documento tão importante: novos, solteiros, casados, padres e religiosos: “Ninguém que viva na nossa cultura se pode separar do flagelo da pornografia. Todos são afectados em maior ou menor grau, mesmo aqueles que não participam directamente no seu uso.”

Penso nas minhas filhas e pergunto-me quantas das amigas da sua escola católica vêm de uma família com um problema escondido de pornografia? Sinto que seria capaz de matar qualquer pessoa de qualquer idade que mostrasse às minhas filhas as imagens terríveis que estão ao alcance de alguns toques em qualquer iPhone hoje em dia.

O bispo Loverde analisa a fundo aquilo a que chama “Quatro Falsos Argumentos”; 1) Não há vítimas, 2) o uso moderado da pornografia pode ser terapêutico, 3) a pornografia é um auxílio na maturação, e 4) a oposição à pornografia tem por base o ódio ao corpo.

Entre as vítimas, aponta Loverde, está a dignidade dos “artistas” pornográficos que frequentemente são os “necessitados” e os “vulneráveis”, incluindo os “pobres, abusados e marginalizados, até crianças”, que são transformadas em meros objectos. O uso da pornografia desumaniza quem vê e corrói a família. Um pai é suposto proteger a família, mas através da pornografia permite a entrada daquilo a que Loverde chama “uma serpente” que rasteja por entre a sua mulher e filhos.

“Bought with a Price” é um documento de ensino formidável de um dos melhores bispos dos nossos tempos. Outros bispos tendem a estar mais no centro das atenções, enquanto Loverde faz os possíveis para manter a ortodoxia e a fé dos que lhe foram confiados.

O seu apelo eloquente merece ser lido e estudado por homens, sobretudo pelos seus filhos – os mesmos filhos que um dia virão bater-me à porta, à procura das minhas filhas.

São José, rogai por nós.


Austin Ruse é presidente do Catholic Family & Human Rights Institute (C-FAM), sedeado em Nova Iorque e em Washington D.C., uma instituição de pesquisa que se concentra unicamente nas políticas sociais internacionais. As opiniões aqui expressas são apenas as dele e não reflectem necessariamente as políticas ou as posições da C-FAM.

(Publicado pela primeira vez em The Catholic Thing na Sexta-feira, 07 de Março de 2014)

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