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segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Velas em Roma pela paz na Síria

O Papa acendeu ontem uma vela pela paz na Síria. Faz parte de uma campanha internacional lançada pela fundação Ajuda à Igreja que Sofre.

Soube-se também por estes dias que o Papa deu uma longa entrevista a um padre espanhol, que será publicada em breve, em que diz que os padres homossexuais que não vivem de forma celibatária devem abandonar o sacerdócio.

Conheça aqui a exposição “Capela Mundi”, sobre os 100 anos da Capelinha das Aparições.

Esta segunda-feira assinala-se o Dia Internacional dos Deficientes e Isabel do Vale, do Serviço Pastoral às Pessoas com Deficiência lamenta que ainda haja igrejas onde as pessoas com dificuldades de locomoção não conseguem entrar.


E termino com o convite, como tenho feito nos últimos anos, de se deslocarem, se possível, ao Chiado onde encontram no número 10 da rua Anchieta um espaço onde estão à venda artigos religiosos feitos pelos cristãos da Terra Santa, trazidos mais uma vez pelo Nicolas Ghobar (ver foto). Este ano o Nicolas esteve em directo na Renascença para falar sobre a sua experiência de cristão na terra onde Jesus nasceu.

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Papa vai à sinagoga e dicas de presentes de Natal

Presentes de Natal!
O Papa Francisco vai visitar a sinagoga de Roma em Janeiro, como já fizeram antes dele os Papas Bento XVI e João Paulo II.

Está disponível o livro “Quero dizer-Te: Obrigado!”, um roteiro espiritual, que pretende ajudar doentes e os que cuidam de quem está a viver a última etapa da vida.

Enquanto prosseguem os desenvolvimentos à volta dos atentados de Paris, a comunidade muçulmana de França teme represálias e insiste na mensagem de que o Islão não tem nada a ver com aquilo.

Encontram-se em Lisboa dois irmãos cristãos da Palestina, que vêm vender artesanato produzido pela comunidade cristã de Belém. Os artigos estão à venda na entrada da Igreja dos Mártires, no Chiado e a sua compra é uma forma muito concreta de ajudar estes cristãos, que vivem situações complicadas.

O ano passado também cá estiveram e na altura entrevistei um deles. A transcrição integral dessa entrevista, muito interessante, está aqui e não perdeu nada da sua actualidade.

“Sem cristãos os lugares santos tornam-se apenas pedras e prédios”

Transcrição integral da entrevista feita a Nicolas, um cristão da Terra Santa que se encontra em Portugal para vender artesanato produzido pelos cristãos de Belém. A entrevista foi feita o ano passado, mas na altura não publiquei a transcrição no blog. Os artigos estão à venda na Igreja dos Mártires, no Chiado e é uma maneira concreta de ajudar os cristãos na Terra Santa, que tanto precisam.


Estás em Portugal, mas originalmente és da Terra Santa, não é?
Sim, da Terra Santa, da cidade de Belém.

Cidade essa que ganha uma importância muito especial nesta altura do ano...
Sim.

És cristão?
Sou cristão, católico.

Os cristãos em Belém têm noção do significado do sítio onde vivem?
Sim. Sinceramente, temos um grande valor. Porque vivemos num lugar muito importante, muito religioso, que se pode considerar um dos lugares mais sagrados do mundo, onde nasceu o nosso salvador Jesus Cristo, e temos um grande amor, grande fé, desse lugar, o único lugar que temos, na cidade de Belém.

Belém é governada pela Autoridade Palestiniana?
Sim.

Houve uma altura em que os cristãos eram maioria em Belém...
Sim. Éramos quase 60% de cristãos no território da Palestina, hoje em dia somos perto de 1%.

Com as guerras e acontecimentos no país ao longo dos anos muitos cristãos emigraram e foi afectando a população.

E em Belém em Particular?
São cerca de 50 mil habitantes, os cristãos são cerca de 25%.

Com a causa palestiniana cada vez mais focada em movimentos islamitas, os cristãos ainda se identificam com ela?
Continuamos sempre a fazer parte da situação do território, mas sinceramente, como minoria que somos já não temos muita voz nem muitas opções. Temos que ficar calmos e ter fé que um dia os problemas passam.

A maioria dos cristãos que saem vão para onde?
Em 1910, 1915, começaram a ir para a América Latina, por causa da perseguição dos turcos. Mas hoje em dia, onde tiverem acesso fácil, saem para a Europa, América, América Latina, porque vão à procura de uma vida melhor, segurança, paz, tranquilidade. Formar uma família sem conflitos nem problemas.

No teu caso, sais da Palestina para vir temporariamente à Europa. Mas depois voltas?
Muitas pessoas ofereceram-me estadia aqui, mas sinceramente a minha família depende do meu trabalho e gostaria de ficar, mas prefiro voltar para a minha terra, porque somos a pedra e o sal desta terra e sem cristãos os lugares santos, com tempo, tornam-se apenas pedras e prédios.

Prefiro ficar na minha terra, porque sou um da minoria cristã que fica na Terra Santa e a Terra Santa sem cristãos é um problema grande.

Tens irmãos?
Sim, somos dois rapazes e uma rapariga.

E o teu irmão vem ajudar-te nestes tempos em Portugal?
Sim, porque ele não tem emprego na Terra Santa, na parte da Palestina. Belém é como Fátima, vivem do Turismo, dos peregrinos, mas muita gente que escuta e vê na televisão acha que é perigoso, que não vale a pena ir, que tem bombas e essas coisas, e como o nosso petróleo é o fabrico de artesanato de madre-pérola e madeira de oliveira, por causa destes problemas muitos cristãos tiveram de fechar as suas oficinas e sair do país. Então nós, como vários cristãos que têm contactos noutras partes do mundo, tentamos trazer artesanato dessas oficinas para mover os seus produtos e assim eles ficam nas suas oficinas, com a esperança de ainda poder sobreviver.

Vocês aqui vendem artesanato, mas não produzem...
Não, só trazemos directamente das oficinas de Belém.

A tua irmã também está lá em Belém?
Ela está em Espanha, a estudar. Em Julho termina. Arranjou um diploma através da Universidade Católica, porque também não tem trabalho na nossa terra, mas assim que terminar vai voltar à cidade de Belém.

Os desenvolvimentos dos últimos anos têm tornado a vida mais difícil para quem vive destas actividades em Belém, não é?
Sim. Está muito difícil. É difícil falar de como está a situação. E na Síria e no Iraque ainda está pior, mas por exemplo Portugal teve guerra, problemas políticos, agora económicos, mas tem liberdade, paz e prosperidade. Nós na Terra Santa sempre tivemos problemas políticos, religiosos e económicos, há dois mil anos. Não sabemos o que é paz, nem prosperidade nem liberdade. Mas continuamos nesta terra. Viver na Terra Santa é ser um herói.

A principal dificuldade nos últimos anos tem sido o muro...
Sim, são quase 720 quilómetros...

Que divide territórios e impede a chegada de outras pessoas a Belém, não é?
Sim.

Como é que viveram a ida do Papa à Terra Santa?
No tempo do Papa Bento XVI, quando ele foi à Terra Santa em 2009, estive lá, e ele trouxe muita gente e uma mensagem. Mas com o Papa Francisco veio ainda mais gente e mostrou ao mundo que precisamos de paz, que não tem de haver muralhas, mas pontes e surpreendeu-nos ao parar diante do muro e rezar diante do muro. Com a sua mensagem deu-nos uma grande paz e ânimo para ficar nesta terra.

Os israelitas defendem-se, dizem que desde que construíram o muro que de facto diminuíram os ataques...
É preciso ver para crer...Eles dizem que baixou muito. Mas com a muralha há pessoas que têm terrenos do outro lado e já não podem cultivar, não podem construir. Dificulta muito o acesso. Como cristãos temos direito a ir ao outro lado duas vezes por ano, no Natal e na Semana Santa, a certas horas e em certas partes. É mais fácil para um turista conhecer a nossa terra do que para nós mesmos.

Estava a dizer que há muitos turistas que têm medo porque pensam que há instabilidade e bombas em toda a parte. Para quem pensa eventualmente ir visitar, o que tem a dizer?
Diria que não há essas coisas. Claro que acontecem, mas é longe. Nos lugares de turismo, de peregrinação, nunca aconteceram esses conflitos. Estive com grupos em Junho e Julho e não se passou nada. É seguro e recomenda-se. Recomendo muito, é uma viagem da vida, é onde nasceu a nossa religião e não é como parece nas notícias.

Como é que é o Natal em Belém? Claro que vão muitos turistas, mas para vocês, que tradições têm?
Há dois anos colocaram uma árvore de Natal na praça da Manjedoura, onde transmitem a Missa do Galo e deram um pouco mais de vida e de sabor à cidade de Belém, com mais decoração, mais luzes, uma vez que este lugar é a capital do Natal. Nós como cristãos temos a tradição de estar em família. Jantamos juntos e depois ir à missa, mas com poucos cristãos a tradição, a decoração, essas coisas, estão a perder-se um pouco cada ano.

Certamente têm vizinhos e amigos muçulmanos, eles respeitam os vossos festejos?
Respeitam muito, sim. Assim como nós respeitamos o Eid-al-Adha ou o Ramadão, duas festas muito importantes, cada um respeita o dos outros.

Há quantos anos vem a Portugal vender estes produtos?
Há quase cinco anos, de Novembro a Dezembro.

Vale a pena?
Vale. Eu diria que vale a pena porque conhecemos melhor os países, vendemos os produtos das oficinas de Belém e gosto muito do país. Também não tenho outra opção.

Consegue dinheiro pelo menos para pagar as viagens?
Sim. Como trazemos as coisas directamente das oficinas e não da loja, o preço é acessível e são coisas de artesanato e religiosas e coisas de que os portugueses muito gostam, como presépios, cruzes, terços.

Há quanto tempo é que a sua família é cristã?
Essa é uma pergunta que nos fazem muitas vezes, porque trabalho como guia em Belém e muitas pessoas pensam que não há cristãos, pensam que só há judeus e muçulmanos, mas a minha família, toda a vida foi cristã. Não é como noutros países onde se pode trocar de religião, lá isso não acontece, por tradição e por cultura. Toda a vida fomos católicos, desde a altura de Jesus.

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Os direitos constitucionais que ninguém sabia existirem...

Bolas! Estava à procura de
um direito constitucional
Por onde começar? Não sei mesmo qual será a notícia mais importante em termos do impacto que tem sobre a nossa civilização…

Mas começo pelas notícias com sangue e mortos. Nesta mesma sexta-feira do Ramadão, vários atentados abalaram o mundo. Uma decapitação em França, um atentado num hotel turístico na Tunísia e ataque suicida numa mesquita xiita no Kuwait. Preparem-se, vai ser um looongo Ramadão.

Nos Estados Unidos, outra bomba. O Supremo Tribunal decidiu que o casamento entre pessoas do mesmo sexo é um direito constitucional e de uma assentada legalizou-o em todo o país. É uma tremenda vitória para os activistas gay, agora vão começar as batalhas legais que afectam mais directamente as instituições religiosas etc.

O Vaticano assinou um tratado com a Palestina em que se refere a ela como um Estado. Não é novo em si, mas é mais um passo nas relações entre os dois.

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Um Arraiolos para o Papa e duas santas para a Palestina

As duas novas santas palestinianas
Um autarca em França, do mesmo partido de Sarkozy, teve a brilhante ideia de propor que o Islão seja proibido, dizendo que isso resolverá os problemas do país. Sem dúvida um candidato a Ministro das Ideias Inúteis, no caso de vitória eleitoral de Sarkozy.

Uma artesã alentejana quer homenagear o Papa oferecendo-lhe um tapete de Arraiolos. Demorou quatro meses a ser elaborado e tem mais de 200 mil pontos.

No próximo domingo o Papa Francisco vai canonizar duas freiras palestinianas, um gesto que enche de esperança os cristãos da Terra Santa.

Também no domingo decorre a Festa das Famílias do Patriarcado de Lisboa. Eu vou lá estar e sei que estará uma banca da Alêtheia onde o meu livro “Que fazes aí fechada” estará à venda, por isso quem quiser adquirir o livro e pedir uma dedicatória só tem de procurar o tipo alto e careca a tentar controlar os filhos.

Por falar no livro, ontem apareceu uma reportagem alargada no programa de televisão da Ecclesia. Vale a pena ver sobretudo por causa do trabalho inicial, com declarações de Maria João Avillez e de uma das freiras entrevistadas no livro.

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Vontades inquebráveis em Gaza e justos no Iraque

E não esqueçam!!!
Hoje temos uma edição quase totalmente médio-oriental…

Gaza continua debaixo de fogo, por isso falei com os directores de duas agências católicas que socorrem os habitantes daquela região da Palestina, onde a Igreja se recusa a abandonar os civis à sua sorte.

O padre Raed, da Cáritas, diz que o poderio militar israelita não poderá quebrar a vontade do povo palestiniano, e Matt McGarry fala de uma situação “horrível, que está a piorar”, como podem ver nas transcrições completas das entrevistas, no blogue.


Por ser quarta-feira temos também artigo novo do The Catholic Thing. David Warren fala do sofrimento dos cristãos no Iraque, mas não esquece os muçulmanos que tudo têm arriscado para salvar os seus vizinhos perseguidos. Uma excelente perspectiva do problema.

Por fim, e para dar um toque mais português, uma notícia sobre os alunos da Católica que mudaram a vida dos habitantes de “Vale de Papas”.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Beijinhos e abraços na Terra Santa

(Clicar para aumentar)
O Papa Francisco está neste momento a despedir-se da Terra Santa, onde passou os últimos três dias. Está por publicar um artigo com 10 dos pontos altos desta viagem, que divulgarei amanhã, mas desta peregrinação destaco os seguintes:


O discurso do Rei Abdullah, da Jordânia, que chamou ao Papa “Consciência do mundo”.

O encontro ecuménico entre Francisco e o Patriarca de Constantinopla.

E por fim o momento esta manhã em que o Papa beijou as mãos a seis sobreviventes do Holocausto.

Leiam também a crónica de Aura Miguel sobre a viagem para a Jordânia, em que o Papa falou de Fátima.

A viagem termina, mas o Papa vai falar com os jornalistas a bordo do avião, de regresso a Roma, pelo que haverá certamente novidades ainda, já sabem que as poderão encontrar na Renascença.

Na próxima quinta-feira realiza-se um colóquio em Lisboa que não vai querer perder. Trata-se do primeiro evento do género dedicado a Chesterton (pelo menos de que eu tenha conhecimento…). Supostamente eu vou moderar uma das conferências, mas acabei de ser informado pelo obstetra da minha mulher que na quinta-feira os planos poderão ser outros, por isso não posso garantir a minha presença. Mas a não ser que estejam a ter filhos também, espero que consigam ir ao Auditório 2 da Universidade Católica a partir das 16h para ouvir João César das Neves, Tiago Cavaco, Pedro Picoito, Miguel Morgado e Zita Seabra, entre outros, a falar desta figura ímpar.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

O Hamas Precisa de Amigos...

O Papa Francisco actualizou hoje o código penal da Santa Sé. Naquele Estado deixa de existir pena de prisão perpétua e alarga-se a definição de crimes contra menores.


Normalmente os rigores do jejum do Ramadão só comprometem os muçulmanos, mas na Arábia Saudita quem violar as suas regras em público, mesmo que seja não muçulmano, pode ir para a cadeia ou ser expulso do país.

No Egipto foi morto mais um cristão como represália pelo apoio que os coptas têm dado ao golpe militar contra a Irmandade Muçulmana.

Tem muito dinheiro ou fabrica bombas caseiras? Ligue para a Palestina, porque ao que parece, o Hamas está a precisar de amigos.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Não queremos um Iraque em todas as regiões


Transcrição integral da entrevista feita a Dom Farès Maakaroun, arcebispo do greco-melquitas no Brasil. A notícia está aqui. Para esta entrevista contei com a ajuda inestimável de Philippe Gebara, a quem agradeço.

Quando falámos, D. Farès estava ainda no Líbano, onde esteve a participar no sínodo da Igreja Melquita.

Foi discutida a questão da Síria durante o Sínodo?
O Sínodo aconteceu no Líbano, na sede Patriarcal, a 50 quilómetros de Beirute. Participaram todos os bispos do Oriente e da Diáspora também, da América, Canadá, Austrália e América do Sul. Todos participaram menos os que estavam bem doentes.

Foi uma semana de encontros, de reflexão e, visto a situação um pouco crítica no Oriente, especialmente na Síria, e como de greco-melquitas já morreram pelo menos 200 a 300 pessoas, e há bastantes pessoas que já saíram das suas aldeias, estudámos a possibilidade de como fazer para poder lançar uma chamada ao mundo inteiro, pela paz, pela fraternidade, pela ajuda mútua, porque todo o mundo está a precisar de amor, de carinho, de amor, de comida e de bebida, de padres para cuidar deles. Há padres que precisam de ajuda, porque a maioria, em algumas regiões, não têm possibilidades de ter sequer um salário mínimo para viver.

Estudámos um pouco esta situação complicada e pedimos muitas orações aos responsáveis de todo o lado, de permitir um pouco mais à região, de trabalhar a humanidade, aos homens de boa-fé, de boa vontade, de trabalhar bem, para que a paz possa reinar em todo o lugar, porque perder tudo seria algo prejudicial para todos.

Discutimos essa situação e também estamos tentando colocar bispos onde faltam, mesmo dentro da Síria, porque em muitas regiões a paz reina completamente, não têm nada de especial, mas há regiões que são um pouco críticas e faltam dois* bispos na Síria. Enviámos os nomes para o Vaticano e estamos à espera de confirmação.

No início das revoltas a Igreja Melquita teve uma posição muito cautelosa e parecia estar com algum medo do que poderia acontecer se de facto fosse derrubado o regime.
Somos cristãos do Oriente. Somos árabes. Somos sírios, libaneses, iraquianos, egípcios, jordanianos, palestinianos. Não somos estrangeiros aqui, é nossa terra. Sempre os cristãos tentaram ser cidadãos exemplares em todos os lugares. Mas com esta situação complicada ninguém sabe o que está a acontecer. Pedimos às forças mundiais para nos deixarem em paz ou para nos ajudarem para permitir a paz. Ninguém sabe o que o amanhã pode trazer, nem o que uma troca de regime pode dar. Tome-se o exemplo do Iraque, que é muito triste. Não queremos um Iraque em todas as regiões. Hoje, depois de anos e anos, centenas de pessoas morrem todos os dias. Queremos a paz, o amor e o perdão. Vamos continuar a rezar, a amar e a perdoar a todos.

Tem havido relatos de perseguição aos cristãos por parte dos opositores ao regime. Confirma isso?
Não tem casos muito especiais, mas quando há pessoas a morrer, um tipo de guerra aqui ou ali, todos perdem, sejam cristãos ou não. Mas como os cristãos não participam, não andam armados, eles ficam na situação de perder tudo. Nós olhamos ao exemplo de Nosso Senhor Jesus Cristo, levado à cruz, sim, mas sabemos que na final a religião vai vencer, a fé vai vencer, o bem vai vencer o mal. Com a graça de Deus, a graça da Virgem Maria nossa mãe, mãe de todos nós, respeitada também pelo mundo muçulmano, temos muita esperança que apesar dos feridos e dos mortos, vamos ter no final uma cura.

Acredita que essa paz que tanto deseja é possível ainda com o regime actual no poder?
Não entendo bem a política, mas entendo bem as coisas do céu. E com a ajuda do Senhor ninguém sabe. Nosso Senhor venceu a morte pela morte. Tudo é possível com a graça de Nosso Senhor Jesus Cristo.

*Por erro do entrevistador, numa versão anterior lia-se que faltavam dez bispos na Síria. O som da entrevista não estava totalmente perceptível, mas a Igreja Melquita teve a bondade de me enviar uma correcção a esse respeito. É de realçar que dos dois que faltavam, o novo bispo de Homs já viu a sua nomeação confirmada pelo Vaticano.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

“To be pro-Israel is to be pro-Palestinian”

Full transcript of the interview with Archbishop Kelly, of Liverpool, about his recent trip to the Holy Land

What exactly is the Holy Land Coordination meeting, what is its mission?

These meetings were set up about 12 years ago by the Holy See. The initial idea was that the presidents of the Bishops conferences or a representative, of the countries which played a political role in establishing the present reality of the Holy Land would come together to the Holy Land above all to support the local church in two things, in its endeavours never to be silent in the face of injustice wherever it comes from, but also always to be a church which seeks to reconcile, and that has always been the focus.

As we know, the Christian community in the Holy Land has been diminishing, is that something you feel on your trips?

Every year when we go we are made ever more aware of the diminishing numbers and there is no doubt that a number of factors weigh down upon them. They feel very much, especially in a place like Bethlehem, that they are almost living within prison walls, their restriction of movement is so great, and indeed the movement across the West Bank. In our final communiqué we used the word was that they are living in a state of occupation.

We also experienced that very often there is wonderful work done in education, but for reasons I can understand, not least as a son of an economic migrant from Ireland to England, very often education opens up opportunities to go to other countries where they have more space and freedom.

So the diminishing numbers are a real factor, but there are many factors that bring that about.

Despite that, do you feel there is hope for the future?

There must always be hope for that. I always go back to the first pilgrim pope to the Holy Land who said, “If you want peace, seek justice”, then I am sure, if there is justice for the two peoples and three ways of walking before God, which are the reality of that land. If that justice is achieved then there will be peace and then the communities have more hope for the future. At the present time there is still the clear teaching of the Holy See in favour of a Two State Solution. One thing we also mention in our final Communiqué is that to be pro-Israel is to be Pro-palestinian, it is not an either or, for there to be peace for both peoples there has to be justice for all.

Archbishop Kelly plays snooker in Nablus, Palestine

Just a few weeks ago we witnessed a fight between monks in the Church of the Nativity. The same thing often happens in Jerusalem, around Easter Time. Were these bad examples discussed?

It was mentioned. I gather it was more complex as to who was involved, certainly the leaders were not involved.

I know well the story of Ireland and have always found that wherever you have people suffering under a sense of injustice behaviour can go very wrong indeed. It is so hard to have a normal discourse in a context which has so many factors which weigh down upon you. It is tempting for me to say that this should not happen, but if I lived with this reality every day I am sure I would probably break out into words and actions which I wish were not there.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Quanto vale a vida de um israelita?


Podem perguntar: o que tem a libertação de Gilad Shalit a ver com religião? Respondo que quase tudo o que se passa no Médio Oriente tem alguma coisa a ver com religião.
A troca de mais de mil detidos palestinianos por um soldado israelita levanta dezenas de questões, algumas das quais especificamente religiosas, outras do campo da moral.
Não é por acaso que há rabinos a favor e contra a troca que esta manhã se efectuou. Vejamos algumas das questões que se põem:
É moralmente lícito libertar mil pessoas que, directa ou indirectamente, são responsáveis pela morte de mais de 500 israelitas, em troca de um só soldado?
O que dirão os israelitas se algum dos homens hoje libertado matar mais israelitas no futuro?
Não está Israel a incentivar que mais dos seus soldados sejam raptados?
Os soldados israelitas ficam a saber os sacrifícios que o seu país está disposto a fazer para lhes resgatar, mas por outro lado para quê arriscar a vida a deter militantes palestinianos se estes podem vir a ser libertados passado pouco tempo noutra troca?
Um comentador escrevia hoje no Jerusalem Post que a troca (e esta não foi a primeira vez que se efectuou um acordo deste género) revela a diferença entre Israel e os seus inimigos. É que enquanto Israel considera a vida sagrada e está disposta a fazer grandes sacrifícios para salvar os seus, os seus inimigos louvam a morte e estão dispostos a morrer e a perpetuar uma cultura do martírio para ferir o país judaico. É uma posição interessante, que merece reflexão, na certeza de que, neste conflito pouco ou nada é preto ou branco.
Confesso que tenho uma dúvida diferente, que ainda não vi ninguém discutir. É claro que, do ponto de vista puramente pragmático, a Palestina conseguiu a libertação de mais de um milhar de militantes. São mil pais, irmãos, filhos e filhas que regressam às suas casas. Isto ninguém lhes tira.
Mas ao aceitar este acordo não está o Hamas a aceitar a ideia de que a vida de um israelita vale mais do que a de um palestiniano? Neste caso, mil e tal vezes mais? Haverá esperança para a paz nesta região enquanto o valor da vida de uns for tida como (tão) superior à dos outros?
Quanto vale a vida de um israelita? Israel deu a sua resposta hoje, que não surpreende. Que os palestinianos aceitem, sejam quais forem as vantagens imediatas, são outros quinhentos. Ou mil, neste caso.
Filipe d'Avillez

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