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quinta-feira, 8 de março de 2012

Dia da Mulher, capela vencedora e Agapinhos

Foto: Nelson Garrido


Uma capela portuguesa venceu o prémio de arquitectura religiosa. Vale a pena ver de perto!

Ainda os feriados religiosos… Afinal agora diz-se que o 15 de Agosto poderá não acabar, diz o bispo emérito de Bragança.

Lembram-se do padre Marcelo Rossi? Está em Portugal para lançar o seu livro. Ontem visitou a prisão de Caxias e esteve também no auditório da Renascença, onde falou sobre o seu novo livro “Ágape”. Vai ser lançada também uma versão para crianças, chamada “Agapinho”. A sério.

Ontem na Renascença foi também dia de debate sobre a actualidade da Igreja. Entre outros assuntos, D. Nuno Brás falou da polémica das prostitutas da Mouraria e das freiras oblatas. É um tema que já abordámos em mais detalhe aqui.

Por fim, D. José Policarpo considerou ontem que o Concílio Vaticano II é hoje mais actual do que há 50 anos.


segunda-feira, 5 de março de 2012

Freiras, Bordel, Mouraria, Cáritas e campas profanadas

Na semana passada falou-se muito da polémica de um suposto “bordel” que iria ser aberto pela Câmara de Lisboa na Mouraria e “gerido” pelas irmãs oblatas.

Fui falar com as irmãs em causa para esclarecer a questão. Vale a pena ler a reportagem, porque se é verdade que a história não é de modo nenhum o que parece, continua a ter alguns aspectos que me parecem discutíveis. Encontrarão a minha opinião aqui.

Este fim-de-semana o Patriarca de Lisboa fez a sua segunda catequese quaresmal, dedicado ao matrimónio. D. Manuel Clemente também falou sobre a Quaresma, numa conferência.

Entrámos no Domingo na Semana Nacional da Cáritas. Aqui pode conhecer melhor o trabalho desenvolvido em Setúbal, e aqui o que se faz em Évora. Destaco a frase: “Fazemos o que o Estado não pode ou não sabe fazer”. Durante a semana haverá certamente mais reportagens.

A nível internacional, notícias tristes da Líbia onde um cemitério de ingleses e italianos mortos na Segunda Guerra Mundial foi profanado, com campas vandalizadas e cruzes destruídas (na foto).

Recentemente escrevi uma carta ao jornal britânico The Tablet, a reclamar pelo facto de terem deturpado as declarações de D. Manuel Monteiro de Castro. Recebi na Sexta-feira uma resposta a dizer que foi publicada uma correcção na presente edição. Como já não sou assinante não cheguei a ver, mas não deixa de ser um sinal positivo.

Por fim, uma chamada de atenção para a edição especial do “webzine” dos jesuítas, este mês dedicado todo ele à esperança.

Sobre as irmãs oblatas e o “bordel” na Mouraria

Na Quinta-feira, salvo erro, o Jornal de Negócios publicou um artigo com um título que dizia que a Câmara Municipal de Lisboa vai abrir um bordel na Mouraria, que será gerido pelas freiras Oblatas do Santíssimo Redentor (não confundir com as outras Oblatas, que trabalham na área do ensino).

Claro que deu brado. Nessa noite as televisões pegaram no assunto e no dia seguinte vinha em todos os jornais.

Na Renascença temos uma responsabilidade acrescida no que diz respeito a notícias que metem religião e a Igreja Católica ao barulho. Por isso, e porque a notícia não parecia estar bem explicada, decidiu-se enviar alguém para falar mesmo com as freiras e suas colaboradoras. Calhou-me a mim.

O resultado foi esta reportagem. Mas no que diz respeito à polémica, explica-se rapidamente do seguinte modo.

  1. Esta ordem trabalha exclusivamente com prostitutas, em vários países do mundo.
  2. A Câmara está a fazer a requalificação da Mouraria e, nesse âmbito, as freiras pediram que fosse cedido um espaço para apoio às prostitutas daquela zona.
  3. No sentido de responsabilizar o grupo de prostitutas com quem trabalham, as freiras e a equipa técnica (que inclui leigas), decidiu deixar a elas a decisão do uso a dar à casa. Cito: “Pensou-se então em criar um espaço no Intendente onde elas se reunissem e se organizassem elas próprias, porque, até este momento, somos sempre nós a possibilitar-lhes estes serviços. Aqui era para lhes dar voz e serem elas as protagonistas, a dizerem o que precisavam, se de formação, de apoio na saúde ou de outra coisa. Se elas decidissem que era um espaço onde queriam que se praticasse o trabalho sexual para terem melhores condições de segurança, garantindo a saúde e a higiene, que pudessem fazer também essa escolha”.
  4. A casa é da Câmara, a gestão seria das prostitutas, as Oblatas, em todo o processo fariam apenas de intermediárias.
  5. Não foi ainda tomada qualquer decisão. Não se deve partir do princípio que a decisão passe por ter “um espaço para praticar o trabalho sexual” e, o que não é de somenos, não é nada claro que a Câmara o aceitasse de qualquer maneira, sobretudo depois da polémica dos últimos dias.
Mouraria
Feito este resumo, não queria deixar de dar a minha opinião sobre tudo isto.

Em primeiro lugar penso que não é demais elogiar, muito, o trabalho que estas pessoas fazem junto das mulheres mais marginalizadas da nossa sociedade. Eu sei que há prostitutas de luxo, e algumas que se calhar fazem aquele trabalho por escolha e não por obrigação etc. etc. Pela explicação que me foi dada, não são essas com quem as Oblatas trabalham. Elas estão junto de quem mais precisa e, crucialmente, transmitem-lhes a ideia de que são pessoas, com dignidade, com valor. Humanizam quem, pelo trabalho que exerce, é diariamente desumanizada por clientes, chulos e sociedade.

Segundo, acredito que seja de facto possível que para muitas prostitutas o simples exercício de se organizarem, tomarem decisões e sentirem que alguém lhes confia essa responsabilidade, possa ser o empurrão que faltava para procurar outras soluções.

Terceiro, não obstante tudo isso e sem perder o imenso respeito que ganhei ao tomar conhecimento do trabalho que fazem junto das prostitutas, não concordo com a possibilidade sequer de aquela casa poder ser usada para o exercício da prostituição.

Não posso deixar de pensar nisto pela perspectiva de pai. Tenho duas filhas que, salvo alguma tragédia, jamais conhecerão algo que se pareça sequer com a vida de uma prostituta. Mas se por acaso isso acontecesse?

Como pai faria tudo, mas tudo, o que estivesse ao meu alcance para as “resgatar”, mostrar-lhes que têm valor. Jamais lhes viraria as costas nem as colocaria fora da minha vida. Agora daí a abrir as portas da minha casa para que pudessem exercer... não. Não sou capaz de achar bem que se abram as portas de outras casas para aquelas que não sendo minhas filhas, são filhas de alguém.

Há aqui, por mais que se tente olhar de perspectivas diferentes, um selo de aprovação inerente, que parece legitimar o “trabalho sexual”. Não me refiro às intenções de quem neste caso está a “mediar” o processo, falo sobretudo da impressão que pode causar na sociedade e nas próprias prostitutas. Não me convenço de que seja benéfico.

Eu sei que isto não é um assunto fácil, e claro que não sou eu que lá estou noite após noite a tentar ajudar estas mulheres, a ver o que sofrem. Por outro lado, às vezes é preciso estar de fora para ter uma visão menos influenciada das coisas.

A existência da casa parece-me bem, evidentemente. A formação, apoio sanitário, psicológico e tudo o resto, não posso deixar de louvar, mesmo muito. Mas penso que é importante passar uma mensagem clara. A prostituição não é mais digna por ser “higiénica e segura”, é uma instrumentalização que atenta sempre, sempre, contra a dignidade inerente das mulheres e se não pode ser ignorada, não deve de forma alguma ser encorajada, mesmo que seja visto apenas como um mal menor para se conseguir o objectivo final de possibilitar o abandono daquela vida.

Concluindo, contudo, deixo aqui o contacto da instituição, porque eu vi com os meus olhos muitos dos serviços práticos que prestam, de enormíssimo valor, e sei que obras destas precisam sempre da ajuda que lhes possamos dispensar, seja material, financeiro ou humano. Quem estiver interessado em contactá-las pode fazê-lo para aqui: irmasoblatas@gmail.com.

Filipe d’Avillez

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