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quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Os Monólogos da Vagina Silenciados

Randall Smith
Há alguns anos várias universidades confessionais estiveram envolvidas em discussões sobre se deviam permitir a encenação a peça “Monólogos da Vagina”. Muitas delas – algumas das quais católicas – foram coagidas a permitir a peça controversa, com o argumento de que seria contra a “liberdade académica” não o fazer.  

Agora, porém, pelo menos uma universidade tomou a decisão ousada de banir a peça, mas talvez não pelas razões que esperaria. Mount Holyoke College, que se descreve como uma “universidade de artes liberais para mulheres” decidiu agora que a peça “não é suficientemente inclusiva”.

Então? Não é uma peça só sobre mulheres? Ao que parece, não, não é.

A verdade é que o conselho de estudantes de Mount Holyoke baniu a peça porque, “no seu cerne, o espectáculo oferece uma perspectiva muito limitada do que significa ser mulher”.

Poderá estar a pensar “Viva! Mas porque é que as mulheres haviam de ser reduzidas a uma parte do seu corpo. Não é precisamente disso que muitas delas já se queixam?”

Claro que sim, mas o problema não é esse. Acontece que Mount Holyoke baniu a peça porque exclui “mulheres” que – e não, não estou a inventar – não têm vagina.

Ah... Calma... O quê?

Uma manchete louvou a decisão de Mount Holyoke, dizendo que “Algumas universidades estão a ultrapassar a peça ‘cisnormativa’ Monólogos da Vagina, de Eve Ensler”.

Eve Ensler, a autora da peça, defendeu-se dizendo “Penso que é importante que se saiba que a minha intenção nunca foi escrever uma peça sobre o que significa ser mulher. Esse nunca foi o objectivo de ‘Os Monólogos da Vagina’”.

Ainda bem que isso ficou esclarecido. Afinal ela e os manifestantes católicos estão de acordo nesse ponto. Mas afinal de contas sobre o que é a peça?

“É uma peça”, explica Ensler, “sobre o que significa ter uma vagina.” (Então afinal sempre é sobre uma parte do corpo). “Nunca se disse, por exemplo, que a definição de mulher é alguém que tem uma vagina… Penso que essa distinção é muito importante… Temos de ter muito cuidado com o que dizemos quando utilizamos linguagem”.

Pois claro que sim. Muito, muito cuidado. Porque é cada vez mais claro que toda a gente tem um alvo nas costas hoje em dia, enquanto a elite intelectual joga o seu jogo interminável de superioridade ideológica, que passa por ver quem consegue ser superior ao próximo quando toca a indignação moralista por alegadas falhas na defesa escrupulosa da “ideologia do género”. E como eu não consigo imaginar qualquer situação em que não estejamos a “utilizar linguagem” – uma vez que usamos palavras para pensar – suponho que a solução seja ter sempre “muito cuidado” com o que se pensa. A “liberdade” moderna, como George Orwell já tinha previsto, requer que as pessoas estejam sempre à procura de provas de “crime de pensamento”.

A verdade é que não me interessa muito o que a Mount Holyoke faz ou deixa de fazer, nem acho que a cultura de um campus universitário deve ser julgado com base na participação ou não dos seus alunos nos “Monólogos da Vagina”, mas tenho duas preocupações.

A primeira é que aquilo que se está a perder neste caos linguístico são as próprias mulheres – mulheres verdadeiras, reais, com as suas necessidades específicas, algumas das quais biológicas. Enquanto homem não me cabe a mim dizê-lo, mas penso que as mulheres o deviam fazer.

Claro que uma mulher não se reduz ao seu corpo, mas requer um gnosticismo radical afirmar que o ser mulher – ou humano, já agora – não tem absolutamente nada a ver com a corporeidade. As questões de saúde femininas não são apenas emocionais, psicológicas ou culturais. Há realidades biológicas e físicas sérias, também.

Bruce Jenner
Mais ninguém está preocupado com o facto de haver pessoas a ocupar o território que devia ser exclusivo das mulheres? Não me parece nada claro que alguém como Bruce/Caitlyn Jenner tenha procurado aprender com mulheres sobre o que é ser mulher; antes, foram os media que o elevaram a “mulher do ano” no preciso momento em que alterou algumas (mas não todas) as partes do seu corpo.

Rachel Dolezal, que era branca, não pôde reclamar para si ser “negra”, apesar de ser muito dedicada à causa da justiça racial; mas Bruce Jenner foi nomeado “mulher do ano” porque acrescentou um par de maminhas falsas? Se isto não é reduzir a mulher a partes do seu corpo, então não sei!

As mulheres perdem meio litro de sangue todos os meses, carregam filhos nos seus ventres durante nove meses, suportam horas dolorosas de trabalho de parto e Bruce Jenner é a mulher do ano? Admito que não sou a pessoa mais inteligente do mundo, mas não percebo.

Questiono-me o que é que se vai passar ao longo dos próximos anos em áreas tão importantes como o desporto feminino, literatura feminina, ou até escolas e universidades femininas (como a Mount Holyoke, para dar apenas um exemplo óbvio)? Será que vão desaparecer por causa dos desejos e dos planos de certos – como é que posso dizer isto de forma delicada – homens? As mulheres atletas já começam a notar o potencial do problema.

Desculpem lá, mas isto é uma coisa que me preocupa, mesmo que não tenha nada a ver com isso, por ser aquele tipo de homem que não é uma mulher.

Mas há outra coisa que me preocupa também. Quando os católicos se queixaram que “Os Monólogos da Vagina” violava os seus princípios fundamentais, foram classificados como trogloditas. A “liberdade académica” tinha de triunfar. Agora que um grupo conseguiu posicionar-se ainda mais à esquerda que qualquer outro, o que é que aconteceu a esse grito de “liberdade académica”? Era apenas uma arma de arremesso para utilizar contra os inimigos naquele momento?

Acontece que eu acredito verdadeiramente na “liberdade académica”. Mas se as pessoas se convencerem que ela se tornou apenas um instrumento ideológico e não uma posição de princípio, então vão tornar-se cínicas e, tal como aconteceu em “Pedro e o lobo”, deixarão de acudir quando for invocada.

E isso é o que me preocupa verdadeiramente, porque todos nos devemos preocupar com a existência de um diálogo livre e aberto.

Infelizmente, porém, há quem prefira monólogos – excepto quando até isso se torna ideologicamente suspeito.


Randall Smith é professor de teologia na Universidade de St. Thomas, Houston.

(Publicado pela primeira vez na quarta-feira, 7 de Dezembro de 2016 em The Catholic Thing)

© 2016 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Papa em Sarajevo e Conferência de Hadjadj

Sarajevo aguarda visita do Papa Francisco em Junho
O Papa Francisco vai visitar Sarajevo em Junho. O anúncio foi feito ontem, durante o Angelus. Não deixa de ser muito interessante que com esta visita, três das quatro visitas europeias de Francisco fora de Itália sejam a países de maioria muçulmana!

Decorrem no Porto as Jornadas de Teologia da Universidade Católica, desta vez dedicadas a questões económicas.

Os últimos números mostram que por cada dois padres que morrem em Portugal, apenas um é ordenado. Passa-se uma situação parecida com as religiosas. Saiba mais aqui.

A lei que concede nacionalidade portuguesa a judeus sefarditas deu mais um passo em frente. Este é um momento histórico, dizem alguns judeus.

O director do Gabinete de Imprensa do Opus Dei em Portugal, Pedro Gil, considera que a Igreja precisa de mais mulheres a trabalhar na comunicação.


E as autoridades do Vaticano detectaram dois casos de posse de pornografia infantil dentro da Santa Sé em 2014. Houve também casos de tentativa de fazer entrar droga por via do correio. Saiba mais aqui.

A semana passada elogiei muito a conferência de Fabrice Hadjadj, no Congresso dos Leigos, que teve lugar no Porto no outro fim-de-semana. Agora podem ler o texto aqui. Não deixem de o fazer.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

A Alegria do Evangelho - Os Liberais

Repito aqui o que disse em relação aos “conservadores”. O rótulo “liberal” é vago e é obviamente uma caricatura, que abarca muitos géneros diferentes.

No entanto, apesar de os liberais gostarem de pensar que têm este Papa no bolso, há muitas áreas em que ele os vai desiludir, como fica claro ao longo deste documento.

Isto só serve para nos recordar que nem tudo encaixa nos nossos esquemas. O Papa não é “nosso” nem “deles”, é de todos.

O sacerdócio reservado aos homens, como sinal de Cristo Esposo que Se entrega na Eucaristia, é uma questão que não se põe em discussão, mas pode tornar-se particularmente controversa se se identifica demasiado a potestade sacramental com o poder. (...) O sacerdócio ministerial é um dos meios que Jesus utiliza ao serviço do seu povo, mas a grande dignidade vem do Baptismo, que é acessível a todos. (#104)
Às vezes fico com a ideia de que o Papa bem pode repetir isto as vezes que quiser, que há pessoas para quem estas palavras simplesmente não entram. Eu nem digo que deviam abandonar as suas ideias, apenas que deixem de acreditar que Francisco concorda com elas. “Não se põe em discussão”. Parece-me bastante claro.

A diversidade deve ser sempre conciliada com a ajuda do Espírito Santo; só Ele pode suscitar a diversidade, a pluralidade, a multiplicidade e, ao mesmo tempo, realizar a unidade. Ao invés, quando somos nós que pretendemos a diversidade e nos fechamos em nossos particularismos, em nossos exclusivismos, provocamos a divisão; e, por outro lado, quando somos nós que queremos construir a unidade com os nossos planos humanos, acabamos por impor a uniformidade, a homologação. Isto não ajuda a missão da Igreja. (#131)
Incluí esta passagem também no texto sobre os “conservadores” e penso que se aplica a ambos os lados da barricada, pelo que me limito a repetir aqui a minha reflexão:

Esta passagem é muito importante para os nossos dias, quando os novos meios de comunicação tornam cada vez mais fácil encontrar quem pensa como nós e assim formarmos grupinhos e grupetas, cuja legitimidade reivindicamos em nome da diversidade.

Por outro lado, não deixa de ter piada ver a ala mais liberal a exigir o fim sem tréguas de tudo o que é movimento e grupo mais conservador, contrariando precisamente essa diversidade que, supostamente, tanto prezam.

O Papa dá aqui uma resposta que desarma ambos esses excessos. A diversidade e a unidade não são incompatíveis… Desde que verdadeiramente inspirados pelo Espírito Santo. E essa confirmação vem-nos pela oração, antes de mais, mas vê-se também nos frutos. De resto o Espírito Santo não é monopólio nem de conservadores nem de liberais, mas serve os propósitos de Deus, sempre.

Desejo afirmar, com mágoa, que a pior discriminação que sofrem os pobres é a falta de cuidado espiritual. A imensa maioria dos pobres possui uma especial abertura à fé; tem necessidade de Deus e não podemos deixar de lhe oferecer a sua amizade, a sua bênção, a sua Palavra, a celebração dos Sacramentos e a proposta dum caminho de crescimento e amadurecimento na fé. A opção preferencial pelos pobres deve traduzir-se, principalmente, numa solicitude religiosa privilegiada e prioritária. (#200)
Estas palavras são dirigidas directamente para aquelas pessoas, e não são poucas, que começaram a acreditar que havia uma incompatibilidade entre a evangelização e a justiça social. Essa crença fez pessimamente à Igreja nas últimas décadas, legando-nos uma classe de religiosos que acredita que a sua missão é apenas e só melhorar condições de vida, abrir clínicas e fazer campanhas.

Não nos enganemos. Essas coisas são todas fundamentais, mas não são nem podem ser fins em si mesmas. A nossa principal missão enquanto baptizados é levar Cristo ao mundo. Como? Nalguns casos a celebrar missas, nalguns casos a constituir família, nalguns casos a ensinar catequese, nalguns casos a abrir escolas e sim, nalguns casos, a cuidar dos mais pobres de entre os pobres e a acolher os moribundos.

Há um mundo de diferença entre o trabalho que fazia Madre Teresa de Calcutá e o que fazem as freiras radicais americanas que andam há anos a desafiar abertamente a autoridade dos bispos e os ensinamentos da Igreja, apesar de todas poderem dizer que estão a ajudar os pobres e os fracos. Mas essas freiras americanas são apenas uma face mais visível de um problema que afecta toda a Igreja em todo o mundo, incluindo em Portugal.

Acredito que a principal questão aqui é que quando começamos a tentar acabar com os problemas do mundo, mas deixando Jesus em casa, como se Ele fosse um obstáculo – isto quando não O reinventamos como um activista político revolucionário – leva-nos facilmente a acreditar que a solução para os problemas do mundo está em nós, na nossa dedicação e na nossa força.

Essa perda de humildade é o primeiro passo da queda. É um mal terrível e que urge combater a todo o custo. Ajudar sim, ajudar quem mais precisa, ajudar aqueles que metem nojo aos nossos irmãos, claro! Mas sempre com Cristo a guiar-nos o caminho e levando Cristo, que é o verdadeiro tesouro, a todos.

Entre estes seres frágeis, de que a Igreja quer cuidar com predilecção, estão também os nascituros, os mais inermes e inocentes de todos, a quem hoje se quer negar a dignidade humana para poder fazer deles o que apetece, tirando-lhes a vida e promovendo legislações para que ninguém o possa impedir. Muitas vezes, para ridiculizar jocosamente a defesa que a Igreja faz da vida dos nascituros, procura-se apresentar a sua posição como ideológica, obscurantista e conservadora; e no entanto esta defesa da vida nascente está intimamente ligada à defesa de qualquer direito humano. (...) Se cai esta convicção, não restam fundamentos sólidos e permanentes para a defesa dos direitos humanos. (#213)

E precisamente porque é uma questão que mexe com a coerência interna da nossa mensagem sobre o valor da pessoa humana, não se deve esperar que a Igreja altere a sua posição sobre esta questão. A propósito, quero ser completamente honesto. Este não é um assunto sujeito a supostas reformas ou «modernizações». Não é opção progressista pretender resolver os problemas, eliminando uma vida humana. (#214)
Palavras para todos aqueles que esfregaram as mãos de contentes quando o Papa disse, numa entrevista, que a Igreja às vezes parecia estar obcecada com questões fracturantes.

Não. Este não é o Papa que se vai render ao mundo na questão do aborto. Este não é o Papa que vai abandonar a luta pelos mas fracos de entre os fracos.

Porquê? Primeiro, porque ao contrário do que alguns querem dar a entender, o Papa é católico e segundo porque ele mostra entender que esse desrespeito pela vida dos nascituros é a pedra angular de todos os desrespeitos por todas as formas de vida que infestam actualmente a nossa sociedade.

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quinta-feira, 28 de março de 2013

Pés lavados, masculinos e femininos

Entrámos já no tríduo pascal, pelo que desejo a todos os cristãos que recebem este e-mail uma Santa Páscoa e aviso que podem acompanhar várias celebrações através da Renascença, desde as principais missas e cerimónias em Portugal até à bênção Urbi et Orbi em Roma. Informação toda aqui.

Esta manhã começaram as celebrações próprias do Tríduo Pascal. Na missa crismal o Papa pediu aos padres de Roma que sejam “pastores com cheiro a ovelha”, isto é, que estejam bem próximos dos fiéis.

O Papa está agora na prisão juvenil onde celebrou missa e vai depois encontrar-se com os reclusos. Durante a missa lavou os pés a 12 jovens, incluindo duas raparigas. E então? Então isto....





No mesmo dia Papa envia sinais contraditórios para tradicionalistas

"There aren't any women here, are there?"
Como já tive oportunidade de referir aqui, logo depois da eleição, a escolha do Papa Francisco não foi particularmente bem aceite por alguns católicos tradicionalistas.

O seu historial de não implementação do “Sumorum Pontificum” em Buenos Aires não ajudou, e o facto de nas primeiras semanas ter abandonado muitos dos sinais exteriores que Bento XVI cultivava no campo litúrgico, agravou a preocupação.

Hoje, contudo, surgem dois sinais contraditórios mas que poderão ajudar a compreender melhor o Papa.

Na missa crismal, de manhã, numa homilia dirigida de forma especial aos padres, o Papa disse o seguinte:

As vestes sagradas do Sumo Sacerdote são ricas de simbolismos; um deles é o dos nomes dos filhos de Israel gravados nas pedras de ónix que adornavam as ombreiras do efod, do qual provém a nossa casula actual: seis sobre a pedra do ombro direito e seis na do ombro esquerdo (cf. Ex 28, 6-14). Também no peitoral estavam gravados os nomes das doze tribos de Israel (cf. Ex 28, 21). Isto significa que o sacerdote celebra levando sobre os ombros o povo que lhe está confiado e tendo os seus nomes gravados no coração. Quando envergamos a nossa casula humilde pode fazer-nos bem sentir sobre os ombros e no coração o peso e o rosto do nosso povo fiel, dos nossos santos e dos nossos mártires, que são tantos neste tempo.

Depois da beleza de tudo o que é litúrgico – que não se reduz ao adorno e bom gosto dos paramentos, mas é presença da glória do nosso Deus que resplandece no seu povo vivo e consolado –, fixemos agora o olhar na acção…

Ora isto é precisamente o género de coisa que muitos tradicionalistas estavam à espera de ouvir da boca do Papa, um claro sinal de que no seu entender pobreza e humildade não são para confundir com miserabilismo e que a riqueza litúrgica em nada ofende a pobreza de espírito, como aliás São Francisco tão bem demonstrou com a sua vida e os seus escritos.

Contudo, horas mais tarde, surge a notícia de que esta tarde na prisão juvenil o Papa vai lavar os pés não só a jovens rapazes institucionalizados, mas também a pelo menos uma rapariga. Salvo erro será mesmo a primeira vez que um Papa o faz, embora, alegadamente, Bergoglio já o fizesse em Buenos Aires.

E então? Bom… então muito! É que se há coisa que enerva os tradicionalistas (e não estou a ser sarcástico, pois incluo-me, moderadamente, neste lote), é o desprezo pelas rubricas e a mania que muitos padres têm de “inventar” e celebrar missas não como manda a Igreja mas como lhes apetece.

E o que dizem as rubricas? Indicam claramente que neste gesto, que é opcional, mas que é uma parte tão importante da simbologia da Ceia do Senhor, o sacerdote deve lavar os pés a 12 homens. Em latim o termo é “Viris”, que significa mesmo “homens” no sentido masculino e não no sentido geral de “seres humanos”.

Vejamos como serão as reacções. Para muitos estas preocupações podem parecer absurdas, mas para muitos outros não são.

A presença de mulheres... uma preocupação antiga...

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Mulheres para Roma e Olivença portuguesa

Matilde Trocado,
encenadora de "O Quadro"
Para aqueles que começam já no Outono a pensar nos presentes de Natal, aqui fica a dica: O terceiro livro do Papa sobre Jesus de Nazaré deverá ser publicado até lá, embora a edição portuguesa deva demorar mais algum tempo a sair.

Aproxima-se o sínodo dos bispos para a Nova Evangelização que contará, entre peritos e observadores, com o maior contingente feminino de sempre. 19 mulheres não é propriamente uma grande quantidade, mas é um bom sinal.

E agora permitam-me um pequeno momento de patriotismo… Qual é o recanto mais bonito de Espanha*? É uma igreja portuguesa com certeza!

Ontem surgiram várias notícias sobre o “imposto da Igreja” na Alemanha e as penas em que incorrem os católicos que deixarem de o pagar. É um tema complicado mas fiz um esforço por esclarecer os detalhes aqui.

Termino com um desafio para irem ver a peça “O Quadro”, encenado por Matilde Trocado (na foto), que produziu o musical Wojtyla, e com texto do Pe. Nuno Tovar de Lemos. Vai estar em cena a partir de 11 de Outubro, e os bilhetes já estão à venda. Eu lá estarei na noite de estreia.

*Esta frase não deve ser lida como um reconhecimento da anexação de Olivença. Quando no-la quiserem devolver, agradecemos.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Freiras americanas em regenopausa a liderar o Agora Evolucionário

Não, não é mesmo uma das freiras... acho eu
Este ano o Vaticano publicou uma nota em que criticava uma organização de líderes de ordens religiosas femininas na América, que representa cerca de 80% das religiosas daquele país.

Entre as críticas está uma forte tendência feminista e exagerado empenho em causas sociais por oposição a causas que o Vaticano considera importantes, como a promoção do Cristianismo, a causa da vida, etc.

A Leadership Conference of Women Religious (LCWR) está sujeita à Santa Sé e o Vaticano nomeou um bispo para supervisionar as suas actividades de agora em diante.

Hoje começa a conferência anual da LCWR. Entre os assuntos a discutir estará a resposta a dar ao Vaticano. As freiras já indicaram que não estão nada satisfeitas e até disseram ao arcebispo Peter Sartain, o tal nomeado para supervisionar a organização, que a sua presença na conferência não seria bem-vinda.

As freiras consideram injusto que o Vaticano as critique e por isso vão concertar uma resposta num encontro subordinado ao seguinte tema: “Mystery Unfolding: Leading in the Evolutionary Now”.

Sinceramente, nem sei bem como traduzir isto: “Um mistério que se revela: Liderança no Agora Evolucionário”? Faz tanto sentido para mim assim como no inglês original.

E quem é a conferencista principal deste encontro de freiras católicas? A senhora Barbara Marx Hubbard. Certamente uma figura destacada do mundo católico americano… ou não. Marx Hubbard não é católica nem pertence a qualquer outra religião.

Então como é que ela se descreve? Segundo a sua página de Facebook, assim:
I am an 82 year old Visionary enjoying “Regenopause 2.” Regenopause 1 is from 50 to 80. # 2 is 80 and beyond. I feel I am here to be a voice for the Collective Emergence of humanity as a Co-creative Universal Species!

Mais uma vez, vou tentar traduzir: “Sou uma Visionária de 82 anos, a gozar a ‘Regenopausa 2.’ Regenopausa 1 é dos 50 aos 80. O 2 é dos 80 em diante. Sinto que estou aqui para ser uma voz da Emergência Colectiva da humanidade enquanto Espécie Co-Criadora Universal!”.

Desculpe?

Há tempos publiquei aqui no blogue uma reportagem sobre a Igreja Ortodoxa Africana de São John Coltrane. Disse na altura que: “Depois de uns quantos anos a trabalhar nesta área e mais uns quantos apenas a segui-la com interesse, continuo a surpreender-me com algumas das coisas que descubro.”

Obrigado Barbara Marx Hubbard e as simpáticas freiras da LCWR por tornarem o meu trabalho tão interessante!

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Obrigado ERC!

Sim, ainda o “caso” D. Manuel Monteiro de Castro e o lugar das mulheres.

Lembram-se desta polémica? Fiz disto bandeira há uns meses. É com agrado que vejo a ERC a dar razão às posições que eu defendi na altura, aqui, no Facebook e num artigo de opinião escrito para a Renascença.

Cito da deliberação da ERC, que podem ler na totalidade, se assim entenderem. Também vou meter links para os outros textos que escrevi sobre o assunto.


45. As peças em análise referem nos respetivos títulos que a “mulher deve ficar em casa”, devidamente entre aspas por forma a sinalizar que se trata de uma citação de um trecho das declarações do cardeal D. Manuel Monteiro de Castro. Como se pode verificar, ocorre, de facto, um desfasamento entre os títulos e as respectivas declarações incluídas nos corpos das notícias, com a omissão da palavra “poder” (cf. ponto 31).

46. O Bispo diz: «a mulher deve poder ficar em casa»; os órgãos de comunicação social titulam ter ele afirmado: «a mulher deve ficar em casa». São duas frases com alcance significativamente distinto.

48. Pelo exposto, entende-se que a opção pelos títulos supra citados incorre numa falta de rigor no relato dos fatos, nomeadamente no que respeita à reprodução das declarações, podendo induzir nos leitores interpretações desfasadas do sentido real dos fatos relatados na notícia.

O Conselho Regulador delibera … Declarar que os jornais “Correio da Manhã” e “Diário Económico” e o sítio online do serviço de programas “TVI 24”, por falta de rigor e exactidão na transcrição das palavras do Bispo Manuel Monteiro de Castro, ao usarem o título «a mulher deve ficar em casa», em vez de «a mulher deve poder ficar em casa» que corresponde ao que o citado efectivamente disse, violaram o artigo 3.º da Lei de Imprensa.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Aborto Selectivo e a Distorção das Almas

Hadley Arkes
Foi apelidado de um “modesto primeiro passo” na legislação do aborto, um projecto que visava preservar a vida de uma criança que sobrevivesse a um aborto. Foi aprovado finalmente em 2002 sob o título Born-Alive Infant’s Protection Act.

Os defensores do “direito ao aborto” pensaram tartar-se de parte de um esquema para minar esse direito, e claro que era. Mas o desafio para os defensores do aborto era explicar com que moral é que podem justificar votar contra uma medida que visava proteger uma criança que nasceu com vida.

Os nossos opositores ficam sempre ofendidos quando nos atrevemos a levantar este tipo de questões, ou quando os enfrentamos com uma série infindável destas perguntas. Depois de anos a fugir às principais questões morais, acabariam por cair no tipo de argumentos que, como efeito, iriam desfazer o próprio acto de raciocínio moral.

Tinham razão ao pensar que estávamos a tentar dissolver o sentido de “direito” ao aborto, um passo de cada vez. Mas mesmo sendo esse o caso, com que base é que aceitam que se mate uma criança nascida viva?

É verdade que caminhamos passo a passo. A cada passo que damos, pedimos aos liberais que honrem os princípios que eles próprios tornaram lei. Se não se pode discriminar contra os deficientes, como é que se justifica que se possa matar no útero uma criança com síndrome de Down?

Com cada medida, com cada pergunta feita, os defensores do aborto respondem com uma fúria crescente: Uma vez que, pensam, o aborto é do interesse das mulheres e da sua saúde reprodutiva, cada desafio apenas confirma para eles a maldade daqueles que gostariam de encontrar formas manhosas de retirar esses direitos às mulheres.

Essa fúria voltou de novo agora que a Comissão Judiciária da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos apresentou mais um desses passos legislativos, a proposta de banir os abortos com base no sexo. A ideia do Prenatal Nondiscrimination Act (PRENDA) existe há anos e voltou este ano principalmente devido à tenacidade de Trent Franks (R-AZ), o secretário da subcomissão para a Constituição, e o seu formidável e imbatível assessor, Jacki Pick.

Têm-se avolumado as provas, tanto nos Estados Unidos como no estrangeiro, de que com a difusão das ecografias – que nos trazem os meios para descobrir o sexo da criança intrauterina – tem havido uma tendência para preferir machos e abortar fémeas. O resultado tem sido uma deturpação dos rácios de sexo, com efeitos pressagiosos.

Nicholas Eberstadt, que dedicou toda uma carreira à demografia, notou que “o aborto selectivo assumiu uma dimensão comparável a uma guerra global contra meninas bebés”. A situação é tão grave que a Índia, o Reino Unido e até a China proíbem abortos baseados no sexo do feto. Mas essas leis são mal aplicadas e chegou-se ao ponto de muitas pessoas virem para os Estados Unidos para fazer abortos tardios deste género que até no Leste são proibidos.

Protesto contra o aborto selectivo, na Índia
Temos assistido a escritoras feministas como Mara Hvistendahl a referir a gravidade do problema, mostrando ter plena noção do errado que é matar crianças no útero por serem do sexo feminino. Mas em vez de apoiar a restrição do aborto, ela enfurece-se contra um obscuro professor de Amherst College, que acusa de ser o génio malévelo por detrás desta estratégia do “passo a passo” [referência ao póprio autor. Ver aqui].

Como sabemos, as feministas liberais na América não aceitam qualquer medida que proíba o aborto com base no sexo do feto. As razões são simples: Admitir que um aborto possa ser errado ou injustificado é deitar abaixo a barreira legal que protege o direito ao aborto por qualquer razão e em qualquer altura. É o princípio do fim, porque abre a arena legislativa para todos os juízos a que chegam as pessoas normais, sobre o tipo de aborto que se pode considerar injustificado e, por isso, devia ser proibido.

O PRENDA foi discutida no plenário da Câmara dos Representantes no dia 31 de Maio e mais uma vez os rituais de evasão moral entraram em acção: Este é mais um passo, ouvimos dizer, para fazer regredir o direito ao aborto. Mas como é que pode ser “no interesse das mulheres” aceitar matar mulheres em larga escala?

Mas deixemos de lado a “perda” de, por ora, milhões de mulheres no mundo, e milhares nos Estados Unidos: Porque é que não consideramos errado, por uma questão de princípio, matar bebés porque são meninas – independentemente da quantidade de pessoas que o está a fazer?

O representante Jerry Nadler e os democratas insistiram que os republicanos são hipócritas porque não votam a favor de outras medidas, com programas mais liberais que dão benefícios às mulheres – como se fosse preciso comprar o direito a banir a matança de mulheres, à custa de mais apoio e financiamento a grupos feministas.

O PRENDA recebeu os votos favoráveis de 226 republicanos e 20 democratas; 161 democratas e 7 republicanos opuseram-se. Mas por razões que terei de explicar noutra altura, a medida estava sujeita a aprovação por dois terços para poder passar. Este foi claramente um teste. Mas o que revelou, mais uma vez, foi a forma como as almas se têm distorcido ao longo dos anos, à medida que as pessoas absorveram os rituais de evasão aos argumentos morais.


Hadley Arkes é Professor de Jurisprudência em Amherst College e director do Claremont Center for the Jurisprudence of Natural Law, em Washington D.C. O seu mais recente livro é Constitutional Illusions & Anchoring Truths: The Touchstone of the Natural Law.

(Publicado pela primeira vez na Terça-feira, 5 de Junho de 2012 em http://www.thecatholicthing.org/)

© 2012 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: http://www.blogger.com/info@frinstitute.org

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quinta-feira, 8 de março de 2012

Dia da Mulher, capela vencedora e Agapinhos

Foto: Nelson Garrido


Uma capela portuguesa venceu o prémio de arquitectura religiosa. Vale a pena ver de perto!

Ainda os feriados religiosos… Afinal agora diz-se que o 15 de Agosto poderá não acabar, diz o bispo emérito de Bragança.

Lembram-se do padre Marcelo Rossi? Está em Portugal para lançar o seu livro. Ontem visitou a prisão de Caxias e esteve também no auditório da Renascença, onde falou sobre o seu novo livro “Ágape”. Vai ser lançada também uma versão para crianças, chamada “Agapinho”. A sério.

Ontem na Renascença foi também dia de debate sobre a actualidade da Igreja. Entre outros assuntos, D. Nuno Brás falou da polémica das prostitutas da Mouraria e das freiras oblatas. É um tema que já abordámos em mais detalhe aqui.

Por fim, D. José Policarpo considerou ontem que o Concílio Vaticano II é hoje mais actual do que há 50 anos.


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