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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

God save the Queen e a barba de Matisyahu

Isabel II... e não Matisyahu
Antes de mais nada, o mundo pode dormir descansado… Matisyahu deixou crescer a barba outra vez! O judeu ortodoxo e estrela do reggae tinha chocado o mundo ao rapá-la em Dezembro. Agora está de volta, o que me deu uma desculpa para escrever sobre a complexa relação entre as religiões e as barbas!

O Patriarca de Lisboa anunciou hoje a “Missão Metrópoles” que decorre em simultâneo em 12 capitais europeias. Durante a Quaresma vai ser realçada penitência e as catequeses quaresmais.

Passou também a estar disponível em português o Site Oficial do YouCat, o catecismo para jovens da Igreja Católica.


E nos Estados Unidos soube-se que a embaixadora itinerante pela liberdade religiosa tentou viajar para a China mas foi-lhe recusado o visto! Obama está a ser novamente criticado por tentado abafar a situação…

Santa Barba!

Matisyahu antes e depois

Em Dezembro foi com espanto que se soube que Matisyahu, o artista judeu ortodoxo de Reggae, tinha rapado a barba. Especulou-se sobre as implicações religiosas de tal acto, porque toda a gente sabe que um verdadeiro judeu ortodoxo pode sempre ser identificado pela sua barba.

Mas os judeus não estão sós neste fascínio por assuntos capilares. Várias são as religiões que regulam detalhadamente as barbas ou os cabelos dos seus crentes.

Entre as religiões que dão preferência a barbas encontramos também o Islão, mas com uma particularidade. Maomé terá dito que o bigode deve ser aparado, mas alguns interpretam isso como significando que se deve cortar totalmente o bigode, enquanto outros afirmam que isso é estritamente proibido e que se deve apenas aparar.

A situação é tão séria que no Irão o Governo publicou um manual com exemplos de cortes de cabelo e estilos de barba que são “islamicamente” aceitáveis.


Entre as culturas orientais a barba é frequentemente um símbolo de dignidade e sabedoria. A tradição passou para as religiões também. Os Sikhs, por exemplo, recusam cortar o cabelo e consideram que a barba é um símbolo da sua masculinidade e dignidade.

Este conceito passou também para o jainismo, outra religião do subcontinente indiano, mas já entre o hinduísmo não há uma corrente única. Algumas correntes ascetas proíbem a posse de bens, o que inclui lâminas, mas outras exigem caras rapadas como símbolo de limpeza.

Um fiel da religião Sikh
Também os rastafáris, uma religião que nasceu na Jamaica e que mistura conceitos cristãos, judaicos e um messianismo negro, proíbem que se corte quer o cabelo como a barba.

No Budismo, embora haja alguma liberdade, a tradição mais generalizada é de rapar não só os pelos faciais como todo o cabelo também.

E quanto ao Cristianismo? Depende da geografia.

No ocidente há uma longa tradição, herdada do império romano, de ausência de barbas. A razão é que a barba seria considerada um adorno, um sinal de vaidade, que se devia evitar a todo o custo. Por isso, embora hoje em dia não seja obrigatório, os clérigos cristãos de tradição ocidental tinham a tradição de não deixar crescer a barba.

No oriente, porém, é diferente. Aí a barba é um adereço obrigatório para os clérigos. A razão é que rapar a barba é considerado um sinal de vaidade… tudo depende da perspectiva! Essa tradição ainda é largamente respeitada, sobretudo nas igrejas ortodoxas.

Monges cristãos ortodoxos
Mas este fascínio por barbas tem às vezes efeitos inesperados, até no campo legal.

Nos Estados Unidos já se registaram vários casos de conflitos laborais e judiciais. Foi o caso de um bombeiro a quem foi ordenado que rapasse a barba para poder caber a máscara de oxigénio ou de um guarda-prisional Sikh que teve de ir a tribunal para poder guardar a dele, uma vez que era considerado um risco para a segurança.

Entre os Amish, uma confissão cristã anabaptista que enaltece a não-violência e evita o uso de tecnologia, tem sido um assunto particularmente complexo. Recentemente uma das comunidades sofreu uma dolorosa disputa na qual uma das facções adoptou o hábito de cortar as barbas dos seus adversários enquanto dormiam, para os humilhar…

Os Amish, curiosamente, não cortam a barba a partir do dia em que casam, mas uma vez que há uma longa tradição militar associada aos bigodes, estes são proibidos por causa dos princípios de não-violência.


O assunto também é melindroso nas prisões americanas, mas aí afecta sobretudo rastafarianos. Em vários estados a lei obriga a que os reclusos tenham o cabelo curto, sobretudo para evitar esconder objectos perigosos, mas como os “rastas” não podem cortar o cabelo tem havido casos de prisioneiros que passam anos em solitária.

E tudo isto a propósito de quê?

Ah, é verdade! Podem respirar de alívio. Contrariando os rumores de que tinha abandonado a sua fé, Matisyahu colocou ontem uma fotografia on-line onde se vê claramente que a sua famosa barba está de volta!


A nova barba de Matisyahy,
para sossego dos seus fãs

Filipe d'Avillez

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Hanukkah

Gmar chatimah tovah!*
Hoje começa o Hanukkah. Esta não é a principal festa dos judeus, mas começou a ganhar notoriedade por calhar perto do Natal, sendo por isso uma alternativa festiva para os judeus neste período do ano.

A história do Hanukkah prende-se com a vitória dos judeus sobre os seleucidas, de cultura grega. É a vitória do monoteísmo sobre a idolatria.

Querem saber mais? Podem ler os livros de Macabeus, I e II do Antigo Testamento.

Em alternativa, ouçam a versão dos Maccabeats. Os judeus mais "cool" a seguir a Matisyahu...


* Fui entretanto amavelmente corrigido quanto a esta frase por Esther Mucznik. Transcrevo o mail que me enviou: a frase: “Gmar chatimah tovah” pertence à festa do Yom Kipur e nada tem a ver com Hanucá. Significa “que termines com uma boa assinatura”, ou seja que Deus sele por bem o teu destino para o próximo ano.

Obrigado Esther pela correcção, sempre bem-vinda. Em todo o caso, uma vez que estamos perto do final do ano segundo o calendário gregoriano, mantenho lá a frase na esperança de que o seu significado se aplique para todos os meus leitores!

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Rock, reggae, reeducação e macacos

O menino “cool” do judaísmo ultra-ortodoxo, estrela de reggae Matisyahu, revoltou-se e cortou a barba

Se no Paquistão tentaram censurar SMS com as palavras “Jesus Cristo”, a Turquia não quis ficar atrás e bloqueia o acesso a sites que falem de Darwin ou de evolucionismo. Macaquices.

16 feridos em confrontos entre cristãos e muçulmanos na Indonésia. Noutro ponto do arquipélago mais de 60 jovens foram apanhados num concerto de rock e levados para campos de “reeducação”. Não, não era Matisyahu, ele canta reggae…

Matisyahu - A revolta do judeu "cool"

Foi uma bandeira e uma inspiração para milhares de jovens judeus ortodoxos, demonstrando que era possível conciliar tradição com modernidade. Ontem revoltou-se. Diz que não abandonou o judaísmo ortodoxo mas pelo menos a imagem já não é a mesma, e neste mundo pode ser difícil distinguir os dois.

Fica aqui um vídeo de Matisyahu quando ainda era "kosher"

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