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quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

A fé que moveu o autor na Rússia move agora o médico no Sudão

Apresento-vos o Dr. Tom Catena. Um herói dos nossos tempos, que atende cerca de 400 doentes por dia e faz mil cirurgias por ano. No Sudão. Como? Com muita fé.  


Donald Trump aprovou uma lei destinada a ajudar as vítimas do genocídio do Médio Oriente.

Na passada segunda-feira assinalaram-se os 70 anos da declaração universal dos Direitos do Homem. Podem esses direitos ser mudados? Se sim, valerá a pena sequer existir uma carta dos Direitos do Homem? O Papa Francisco pede aos líderes mundiais que ponham esses direitos no centro de todas as políticas.

E ontem assinalou-se outra efeméride importante, mas que passou despercebida à maioria. Aleksandr Solzhenitsyn foi dos maiores heróis do Século XX na luta contra o comunismo, juntamente com João Paulo II. No artigo desta semana do The Catholic Thing em português, Douglas Skries escreve sobre o autor e o homem que sofreu na pele os horrores do comunismo e o ajudou a desmascarar.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Quarta de cinzas e jejum por perseguidos

Frei Bartolomeu dos Mártires
Hoje é Quarta-feira de Cinzas e por isso os cristãos são convidados a fazer jejum e abstinência. A fundação Ajuda à Igreja que Sofre pede que hoje, em particular, esse jejum e a oração sejam reforçados e em favor dos cristãos perseguidos no Médio Oriente.

Para quem ainda não sabe o que sofrem os cristãos – e outros, incluindo muçulmanos, claro – em países como o Iraque e a Síria, este artigo do The Catholic Thing em português ajuda a clarificar.

Por cá, hoje voltam à Assembleia da República as leis do aborto e da adopção por pessoas do mesmo sexo. Se tudo correr conforme se espera os partidos de esquerda ignorarão o pedido do Presidente de um debate mais aprofundado e aprovarão novamente. É uma situação que os juristas católicos, e não só, lamentam e criticam.

Como já era de esperar o debate da eutanásia também já chegou em força. O Patriarca de Lisboa diz que o que faz falta é mais acompanhamento, e não mais eutanásia; o director do Serviço de Bioética e Ética Médica da Faculdade de Medicina do Porto diz que este debate nem devia estar a acontecer agora; a reportagem na unidade de cuidados paliativos do IPO do Porto conclui que “sem o sofrimento e a dor, as pessoas querem viver” e o presidente da Associação de Médicos Católicos quer que o assunto vá a referendo. Ainda pode ler aqui a opinião de Graça Franco, directora de informação da Renascença.

Numa nota mais encorajadora, por estas semanas há milhares de jovens em missão por todo o país. As missões universitárias são um fenómeno incrível em Portugal, que pode conhecer melhor aqui.

E ainda, Portugal vai ter mais um santo. Frei Bartolomeu dos Mártires vai ser oficialmente canonizado

Cristãos Perseguidos no Médio Oriente em 2015

George J. Marlin
Em 2015 houve mais cristãos perseguidos do que membros de qualquer outra religião no mundo. A perseguição religiosa tem sido também a principal causa do grande aumento de migração forçada a nível global. De acordo com as Nações Unidas, o número de deslocados internos e refugiados atingiu um pico, no ano passado, de 60 milhões de pessoas.

Este ciclo persecutório cada vez maior criou também o mais significativo êxodo de cristãos na história do Médio Oriente.

Com populações inteiras a fugir das suas casas, os cristãos estão rapidamente a desaparecer de regiões inteiras – e não é só no Médio Oriente, mas também em África, onde várias dioceses se esvaziaram.

Em grande parte, esta migração é causada pela limpeza étnica motivada por ódio religioso. Os responsáveis por esta violência e intimidação sistemática são principalmente grupos terroristas islâmicos, em particular o Estado Islâmico.  

A perseguição levada a cabo pelo Estado Islâmico encaixa perfeitamente na definição de genocídio das Nações Unidas:

quaisquer dos seguintes actos cometidos com a intenção de destruir, em todo ou em parte, um grupo nacional, étnico, racial ou religioso, como por exemplo: matar membros do grupo e causar danos sérios corporais ou mentais aos membros do grupo…

Os actos de genocídio do Estado Islâmico são dirigidos em primeiro lugar contra os cristãos. Na sua revista online “Dabiq”, os militantes afirmam que vão “conquistar a vossa Roma, quebrar as vossas cruzes e escravizar as vossas mulheres, se Allah o permitir.”

O Estado Islâmico é liderado por fanáticos ideológicos que aderem a uma forma extremista de Islão salafita, que afirma que apenas eles são verdadeiros muçulmanos. Esta seita requer a criação de um califado para purificar o Islão do xiismo e da presença de infiéis. De acordo com Abu Bake Naji, um conhecido intelectual do Estado Islâmico, isto significa que os terroristas devem recorrer à jihad, definida como “nada se não violência, brutalidade, terrorismo, o aterrorizar de pessoas e massacres”.

Na Síria, esta política do Estado Islâmico e a guerra civil são responsáveis pela morte de mais de 250 mil pessoas e a deslocação de 11,6 milhões – metade da população do país. Pelo menos 3,9 milhões destas pessoas estão retidas no Líbano, na Jordânia, no Iraque e na Turquia. Incrivelmente, 25% da população do Líbano é agora composta por refugiados sírios. Porém, a maioria dos cristãos exilados recusam-se a ir para campos de refugiados ou a registarem-se com as agências de ajuda humanitária, com medo de serem raptados ou hostilizados por muçulmanos. Em vez disso dependem da ajuda de agências de auxílio internacional católicas, como a Ajuda à Igreja que Sofre, ou outros cristãos que os alimentem, vistam e ajudem a educar os seus filhos.

O Estado Islâmico espera apagar o passado, presente e futuro do Cristianismo. Em 2015 foram destruídas igrejas, locais de interesse histórico e manuscritos antigos. Um rico património está em perigo – uma herança que é séculos mais antiga que o próprio Islão.

Mais de 150 igrejas, centros pastorais e mosteiros foram danificados ou destruídos na Síria, incluindo a histórica igreja de São Jorge, em Qaber Shamiya, que foi pilhada antes de ser incendiada. A Igreja Apostólica Arménia dos Quarenta Mártires, em Alepo, foi destruída em resposta a eventos dos cristãos para comemorar o 100º aniversário do genocídio arménio.

As 45 igrejas cristãs em Mosul, no Iraque, ou foram destruídas ou transformadas em instalações militares ou então convertidas em mesquitas. Em Janeiro de 2016, imagens de satélite confirmaram que o mais antigo mosteiro do Iraque, Santo Eliseu, localizado no topo de um monte nos arredores de Mossul desde o ano 590 tinha sido reduzido a um monte de entulho pelo Estado Islâmico.

Estado Islâmico e cristãos coptas
Outros países do Médio Oriente também têm assistido a uma intensa perseguição, como podemos ver:

Irão: Os cristãos têm sido atingidos por rusgas e detenções em cada vez maior número. O número de cristãos atrás das grades duplicou em 2015, apesar de promessas do Governo para promover a tolerância religiosa.

Arábia Saudita: Esta nação, que não permite a construção de qualquer igreja cristã e continua a ter o pior registo de abusos em relação à liberdade religiosa. O novo rei já augurou uma abordagem ainda mais severa.

Sudão: O Presidente Omar al-Bashir elevou a intensidade da sua promoção do Islão de ala dura. O número de cristãos no país continua a diminuir a um ritmo acelerado.

Turquia: Apesar de promessas de reformas por parte do Governo, os cristãos ainda são tratados como cidadãos de segunda. Os cristãos temem ainda o aumento do Islão radical na Turquia.

Egipto: Os ataques a igrejas diminuíram desde que o Presidente Morsi abandonou o cargo, mas os cristãos continuam a ser alvo de ataques ao nível individual. A 7 de Janeiro de 2015 o Presidente el-Sisi deu um forte sinal de apoio quando participou numa celebração de Natal ao lado do Papa copta Tawadros II, na Igreja de São Marcos. Também condenou a violência do Estado Islâmico e de outros grupos radicais numa celebração do nascimento de Maomé. “É inconcebível que a ideologia que nos é mais cara transforme todo o mundo islâmico numa fonte de ansiedade, perigo, morte e destruição para o resto do mundo”. Foram palavras e gestos de importância monumental. Infelizmente, têm tido pouco eco no resto do Governo egípcio, em termos de garantir direitos básicos aos cristãos. 

Em relação aos governos ocidentais, enquanto muitos condenaram os crimes contra a humanidade dos radicais islâmicos, não implementaram quaisquer planos efectivos para pôr termo à violência ou para assegurar que os cristãos e outras minorias recebam protecção ou um espaço seguro onde viver. Contudo, ainda o outro dia o Parlamento Europeu declarou que o Estado Islâmico está a levar a cabo um genocídio e pediu aos estados-membro que façam chegar a todos os grupos que são alvo desta crime “protecção e ajuda, incluindo ajuda militar e humanitária” em conformidade com o direito internacional.

Mas enquanto grande parte do Ocidente continua a olhar, muitos cristãos do Médio Oriente continuam a manter-se firmes, independentemente das dificuldades. A posição dos cristãos em dificuldade foi bem descrita pelo Arcebispo Melquita de Alepo, Jean-Clement Jeanbart:

Estamos a confrontar um dos desafios mais importantes da nossa história bi-milenar. Lutaremos com todas as nossas forças e agiremos com todos os meios possíveis para dar ao nosso povo razões para ficar e não abandonar; sabemos que o caminho que temos pela frente será muito difícil; não obstante, estamos convencidos que o nosso amado Senhor Jesus está presente na Sua Igreja e que jamais nos abandonará. Sabemos que nada pode intrometer-se entre nós e o amor de Jesus Cristo – e que através de todos estes desafios triunfaremos através do poder daquele que nos ama.


(Publicado pela primeira vez no Sábado, 6 de Fevereiro de 2016 em The Catholic Thing)

George J. Marlin é editor de “The Quotable Fulton Sheen” e autor de “The American Catholic Voter”. O seu mais recente livro chama-se “Narcissist Nation: Reflections of a Blue-State Conservative”.

© 2016 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Um "texto mártir" que o Papa não merece

Cardeal Tagle e Arcebispo Kurtz
Os bispos reunidos no sínodo para a família fizeram muitas críticas ao documento de trabalho que estão a analisar. O cardeal Tagle, das filipinas, diz que é natural, pois trata-se de um “texto mártir”. O consenso dos grupos de trabalho é de que a linguagem é demasiado negativa, é preciso falar mais da ideologia do género e que a perspectiva é demasiado ocidental. Depois há críticas mais gerais, como a de um dos grupos de língua inglesa que diz que o Papa merece um documento melhor…

Esta manhã o Papa Francisco interrompeu os trabalhos do sínodo para dizer aos bispos e outros delegados que é preciso rezar mais urgentemente pela paz, sobretudo no Médio Oriente.

A tragédia que se abateu sobre Meca no dia 24 de Setembro foi, afinal, a mais grave da história da peregrinação anual. Números oficiais contabilizam 1,453 mortos, 600 mais do que as estimativas do próprio dia.

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Patriarca Siríaco no Vaticano e Rito Moçarabe em Lisboa

Vasos sagrados a serem tapados com um véu
numa celebração de rito moçárabe
O Papa encontrou-se esta sexta-feira com o Patriarca da Igreja Ortodoxa Siríaca, uma Igreja de mártires, como disse Francisco. Juntos rezaram pelas vítimas da guerra na Síria, incluindo os dois bispos raptados há mais de dois anos perto de Alepo.

A encíclica do Papa Francisco continua a dar que falar. Ontem na Renascença houve um debate entre Pedro Vaz Patto, da Comissão Nacional Justiça e Paz e Francisco Ferreira, da Quercus, em que foi dito esta é uma “forma de pressão” sobre os líderes mundiais.

Pelo menos um desses líderes, Barack Obama, não poupou elogios ao documento.

Ontem houve um trágico massacre numa igreja histórica afro-americana, no sul dos Estados Unidos. O assassino, que matou nove pessoas, incluindo um pastor, é um jovem branco e racista, que entretanto foi detido.

O eurodeputado Paulo Rangel publicou um ensaio sobre política e religião que foi lançado esta semana e no qual se descreve como um “mau samaritano”.


Deixo-vos com um aviso e um convite. No sábado, às 18h30, quem vive na zona de Lisboa tem a oportunidade raríssima de ir a uma missa de rito moçárabe na Sé de Lisboa. A não perder!

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Um Natal misturado com lágrimas no Médio Oriente

O Papa Francisco deixa uma mensagem de Natal para os cristãos do Médio Oriente, que este ano vão ter festejos misturados com lágrimas.

Um desses cristãos, da Palestina, encontra-se em Portugal para vender artesanato da Terra Santa e fala de como é preciso ser um herói para sobreviver como cristão naquela parte do mundo.

E é precisamente como gesto de solidariedade para com os cristãos do mundo árabe, sobretudo os refugiados no Iraque e na Síria, que a cantora Ana Stilwell gravou uma versão do “Merry Xmas (War is Over)” do John Lennon. Saiba tudo, e ajude a divulgar, aqui.

Hoje é terça-feira, mas como amanhã é véspera de Natal e estaremos quase todos com outras preocupações, antecipei a publicação do artigo do The Catholic Thing. Temos uma estreia. Todd Worner traz-nos um artigo simples sobre como as histórias são mais úteis para transmitir as grandes verdades do que as fórmulas complexas.

Desejo a todos os meus leitores, sobretudo os cristãos, um Santo Natal, recordando de forma especial todos aqueles que o passam temendo a perseguição.

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Acabou o sínodo, Viva Kobani!

Paulo VI, novo beato
O sínodo acabou… por enquanto! Para o ano há mais, e vai ser muito interessante ver o que se passa nos entretantos.

Os pontos mais polémicos foram amenizados no relatório final, e mesmo assim não conseguiram maioria qualificada. Mas o grande destaque terá ido para o discurso fantástico do Papa no encerramento dos trabalhos, apontando o dedo aos piores defeitos, tanto de conservadores como de liberais.

Pela minha parte, depois de uma semana a acompanhar praticamente tudo o que se dizia ou escrevia sobre o sínodo, passei o dia crucial num casamento. E foi a melhor coisa que podia ter feito, como explico aqui.

O Papa aproveitou a presença em Roma de vários bispos do Médio Oriente para convocar um consistório para se falar da crise dos cristãos naquela região do mundo. Não nos podemos resignar a um Médio Oriente sem cristãos, diz Francisco. Eu aplaudo!

Como aplaudo o facto de os curdos em Kobani estarem finalmente a receber reforços, tanto de homens como de material de guerra, comida e medicamentos. A coisa está melhor na guerra com o Estado Islâmico, mas ainda há muitas dificuldades pela frente.

Entretanto a Igreja tem mais um beato. Paulo VI. Adriano Moreira fala da relação entre o Papa e Salazar e o cardeal Ré recorda ter trabalhado com o Papa Montini.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

A Caminhada que foi e o sínodo que já caminha

A Caminhada Pela Vida correu bem, apesar da divulgação limitada. Para o ano correrá certamente melhor!

Houve várias reacções na imprensa, desde esta reportagem na SIC até à notícia do Público, passando, claro pelas notícias da Renascença e os dois takes da Agência Ecclesia.

Em breve espero poder escrever um texto maior sobre a Caminhada, mas por enquanto quero agradecer em particular à cantora Ana Stilwell, que esteve no palco. Quem anda nesta vida sabe como é difícil conseguir o apoio de figuras públicas, sobretudo artistas, músicos e actores, que tantas vezes são impedidos pelos seus managers ou então preferem não se comprometer, para não prejudicar a sua carreira. A Ana, pelo contrário disse logo que sim. Podem seguir as ligações neste artigo para ouvir a sua música, partilhar e divulgar. É uma forma de agradecer a quem deu a cara por uma nobre causa.

O sínodo para a Família começou ontem oficialmente, e hoje na prática.

O Papa começou logo por dizer que quer uma discussão franca e o Cardeal Vingt-trois, de Paris, confirmou que é proibido dar graxa ao Papa durante os trabalhos.

Para amanhã a Ajuda à Igreja que Sofre convocou uma jornada de oração pelos cristãos no Médio Oriente. É uma forma útil – e grátis! – de poder ajudar quem é perseguido pelas suas crenças.

Por falar em cristãos do Médio Oriente, o Papa voltou a manifestar a sua preocupação, após uma reunião com os núncios apostólicos daquela região.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Os temas do Sínodo e Cavaco pela Caminhada (o fixe)

Em breve numa declaração de IRS perto de si...
Aproxima-se o sínodo sobre a Família e ao longo destes dias publicaremos várias reportagens sobre o assunto. Hoje, fique a par dos principais temas que irão ser discutidos no encontro dos bispos.

Mas nem só de bispos se faz este encontro! Saiba o que faz um casal brasileiro no Sínodo para a Família!

E por falar em Família, D. Antonino, bispo de Portalegre e Castelo Branco, vê com bons olhos a inclusão de “avós” a cargo das famílias na declaração do IRS.

Por fim, o Papa Francisco chamou a Roma os núncios apostólicos dos países do Médio Oriente, para falar sobre a ameaça apresentada pelo Estado Islâmico.

E não deixem de ver o vídeo de Tiago Cavaco, de apoio à Caminhada pela Vida! Ele considera que há causas que exigem que saíamos da nossa “zona de conforto”. E você? Está pronto a largar o conforto da sua “vidinha” para caminhar em defesa da VIDA?

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Iraq: “Our Lord, surely, will hear the voice of good people”

Bispo Shlemon Warduni com dois representantes
da comunidade muçulmana no Iraque
Full transcript of the interview with Shlemon Warduni, auxiliary Bishop of Baghdad of the Chaldean Catholic Church. News feature, in Portuguese, here.

Transcrição completa, no inglês original, da entrevista a Shlemon Warduni, bispo auxiliar de Bagdade, da Igreja Caldeia Católica. Notícia aqui.


What brings you to Portugal?
The Aid to the Church in Need wrote to me, saying that they have these meetings, as propaganda for the churches in the Middle East, especially in Iraq and Syria. Our Patriarch was here three years ago, and now he was in Rome with the Pope, with all oriental Patriarchs, so he asked me to come here, so I came.

Violence in Iraq has become much worse over this past year. Why?
First of all we are so sorry about this violence, because it is terrible for all people in Iraq. But why and how? It is too difficult to know, because there are many causes. First of all, the elections that we will have in April; secondly, there are many interests; third there is this fanaticism between confessions and sometimes between religions also.

It has been some time since we hear about violence in Iraq against Christians. Has the situation improved?
I think in general it is better not to speak about persecution, but sometimes that is what we feel that, in those who are fanatics.

But the general bad situation is not only for Christians. The war, or the car bomb, or suicide attack, they don’t know who is a Christian or a Muslim, who is a child or an adult. When the bomb explodes, many are killed.

But sometimes we have this insistence with Christians: If you don’t become Muslim you will be killed, you must leave your house, or give us your daughters for our princes. A few years ago they took our bishop [Faraj Rahho] who died. I was negotiating between the Church and these people who kidnapped the bishop and the other priests. These people have no conscience, no God. They just want money, or then they don’t like Christians.

Once I was trying to liberate a priest and I suggested a sum of money, for example 4.000 dollars, and he told me, we cannot by a cow for this price. They don’t have the value of the human person. It is difficult, because they’re education is only that. They want money to kill others, why? We don’t know. Even back in Iraq they say, these people have no religion. For that we are sorry to have this situation.

But yes, it is better, over the past two or three years. But over the past three or four months we have had a bad situation, because of the explosions. Anyhow we pray. Also the Muslims are very sorry when they hear about the kidnap of a priest or a bishop, or about the tragedy at the Lady of Salvation church [where dozens were killed].

In the church and everywhere we talk about peace, reconciliation and forgiveness. Of course those who lost relatives find it difficult to understand forgiveness, but the spirit of Christianity is this and they understand and they try to live it, but many of them are leaving because of this situation. When we try and tell them to stay they ask, can you preserve my life or my family’s life? I say, I cannot preserve my own life, how can I preserve yours? But we trust in our Lord Jesus Christ, who died for us.

I know the bishops have always refused to arm the Christians, but have there been any attempts of the people to arm themselves?
We have Assyrians, they have some weapons. We also have some guards. They became soldiers for the Government, or police, and they guard.

But in general, the arms don’t resolve problems. Even in our situation, it is more difficult with arms, than without arms. Because if they kill Muslims, there is the question of revenge, and they will come to kill, or get money. It is better not to have weapons, so as not to aggravate the problems.

Recently we heard the Melkite Patriarch ask “Does anybody hear our cry?”. We hear you cry, but many people ask… what can we do?
Many times I said that Europeans don’t care about Christians. If a small Muslim child is harmed by Christians in any country, all Muslims in the world come and cry “we must kill…”, “we must do…”. But when many Christians, bishops and priests are killed, the European Christians, or in general the Europeans who speak about our freedom, don’t do anything. They talk about human rights, but many of them are interests. In Iraq they talked about WMD’s, and they didn’t find any chemical weapons.

Iraq is a very rich country. Our Lord gave us richness, but we are very poor. Why? Because of buying weapons, and fighting. No peace. What is the reason? We hope that somebody from the world leaders understands the meaning of the church not wanting weapons.

But you are talking about leaders. What about me and my family, what can we do?
First of all, you can pray. We cannot do anything, but we pray also, with you. Our Lord, surely, will hear the voice of good people. The second thing is to pressure leaders not to go to war. For example, Pope Francis, said: “We must pray and fast”, and the majority of the people say it was a miracle of prayers and fasting [that helped avoid international intervention in Syria].

Many Christian leaders must act as Christians. Why are they afraid, at meetings like this: “You can end the war. First, don’t sell weapons; second, speak to Arabic leaders and ask them what they are doing; third, the terrorists, who are giving them weapons? These are things that can be done.

There are many different churches in the Middle East. Chaldeans, Melkites, Maronites, Syriacs, Armenians… and then all the different Orthodox churches as well… This variety may be enriching from a liturgical and spiritual point of view, but is there enough communication between the bishops? Is it possible to improve the coordination, have the Christians speak in one voice, without destroying this richness?
And we have protestants also. Especially those who came after the war. They think we are not Christians… sometimes they baptize our faithful…

The issue of the church is a little bit weak, because there is no unity among us. Not unity as in having just one leader or liturgy, but at least to be one as Our Lord said, to love one another as he loved us. Are we ready to love one another? Jesus gave his life for us, He sacrificed His life.

This is the first question. Our churches must come together in the heart, to love one another, to love the good of the Church of my Armenian, Syriac or Orthodox brothers, more than I love my own. In this case we will give a good witness to others. This could be our strength. This is the first thing, many others will come afterwards.

In 2010 there was a synod of Middle Eastern bishops. Two years later, in Lebanon, Pope Benedict XVI delivered the Apostolic Exhortation… What did you think of the text?
And since we have had a synod in Lebanon, also, talking about how we can live this document. Sure, it was very good. “Communion and Witness”, but many times, unfortunately, we talk too much but in reality do little, or even nothing. So we hope that the Holy Spirit, and especially for this year that ended today, or rather, that we have to live from here on, that we can have a good life, living our faith and witness with communion with others. Then, I hope, sure, there will be good results for all the churches.

Paulus Faraj Rahho, asassinado
por raptores no Iraque
At least two of the things that had been requested by the bishops were denied by the Vatican. I am thinking of the authority of Patriarchs over their faithful in the diaspora, and the ordination of married men to the priesthood outside of traditional territories… I have heard some Eastern Catholics say that things like these make them feel like second rate Catholics…
Sure, on one hand. These two things affect sometimes negatively. Why? Because our brothers can ordain many priests, as many as they want. But our catholic churches are almost captive, they cannot do what they want.

Slowly, I think these two things will be given. By Pope Francis… we shall see. The Patriarchs want this. Not so as to have married priests or not, but because we are not allowed to do it in the West. But sometimes we send over married priests and they do their job. The more difficult is the question of the authority of the Patriarch, but that also I think, through dialogue will be resolved.

Are you expecting any changes in this respect from Pope Francis?
For the future I cannot decide. But I say, we hope, with dialogue, with an open mind, with theological discussions, I hope something will be done about this.

There is a terrible situation in Syria. There are two bishops who were kidnapped and a priest as well. Do you have any hope that they will be returned alive?

Not just one priest, two or three, and many other people. But this question is very difficult, especially because of other countries. They must make efforts to be near each other, for forgiveness and dialogue, but many do the opposite. They arm the terrorists; they arm the government, so how can we have peace? But we pray, because we are children of hope, that these people are alive. This is all we can do, and we continue to pray.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Escutas no Vaticano e São João de Brito goes Bollywood!

Confirma-se existência de
escutas no Vaticano
O santuário de São João de Brito, em Oriyur, na Índia, vai produzir uma curta-metragem sobre a vida do santo português. Na reportagem vídeo podem ver mais sobre a vida do santo, o santuário e até a minha linda cara!

Os americanos também andaram a escutar o Vaticano? Uma revista italiana diz que sim, a Santa Sé diz que se está nas tintas

Esta manhã o Papa Francisco convidou a rezar pelo Iraque. Será que isso foi escutado em Washington?

O manuscrito da terceira parte do segredo de Fátima vai ser exposto publicamente na Basílica da Santísisma Trindade, a partir de final do mês de Novembro.

Passamos agora para o Médio Oriente onde no Líbano o chefe dos serviços secretos do Líbano afirma que está a ser negociada a libertação dos bispos sírios raptados em Abril. Leia para saber como eles se tornaram parte de um jogo muito complexo de interesses regionais.

Já no Cairo a polícia carregou sobre estudantes da universidade islâmica de Al-Azhar e, da Arábia Saudita vem uma “fatwa” a proibir as viagens para Marte.

Hoje é dia de novo artigo do The Catholic Thing. Brad Miner analisa a diferença entre humildade e miserabilismo: “Sem qualquer desrespeito pelos trabalhadores franceses que fizeram o Renault de que o Papa gosta, mas tanto quanto sei de carros, os feitos pela Mercedes, a marca admirada por Bento XVI, são melhores”, considera.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Uma primavera persa?

Há quase precisamente um ano estava em Roma e assisti a uma conferência após a qual escrevi o seguinte:

"Michelle Zanzucchi, director da revista Cittá Nuova, do movimento Focolares, falou longamente sobre a questão da Primavera Árabe e da situação dos cristãos no mundo árabe e no Médio Oriente. Uma coisa que retive de forma particular foi em relação ao Irão, o menino mau regional. Segundo Zanzucchi a Arábia Saudita vai explodir dentro dos próximos 8-10 anos, e isso terá influências no resto do Médio Oriente. Nessa altura, acredita, o Irão, que deverá sofrer uma importante transição nos próximos quatro anos, será fundamental para ajudar a pacificar a região, isto porque, segundo ele, o Irão é de longe o país do Médio Oriente que é mais próximo, em termos de mentalidade, do Ocidente.

É uma perspectiva interessante. De facto o Irão não é um país árabe, mas sim indo-europeu e quem conhece a realidade persa actual diz que o fundamentalismo islâmico do regime praticamente não tem raízes no país, sobretudo na capital."

Agora, na Assembleia Geral das Nações Unidas, uma das grandes questões em cima da mesa é a aproximação entre os Estados Unidos e o Irão... a ver, a ver... mas isto pode ser histórico.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Fé no Campo Pequeno, tourada no Iraque

Começou hoje uma exposição sobre a Fé no Campo Pequeno, em Lisboa. A entrada é livre, há actividades hoje à noite e amanhã, não percam.

Em todo o continente africano, e mesmo em muitas partes do mundo ocidental, a Igreja depara-se com o problema da feitiçaria. Os bispos angolanos não vão admitir mais que os fiéis tenham um pé em cada campo. Quem pratica feitiçaria não comunga em Angola.

A Igreja tem novos cardeais. São seis e ouviram o Papa falar da universalidade da Igreja. Recorde-se que no último consistório houve queixas de que os cardeais eram quase todos do mundo ocidental, pois esta leva era quase exclusivamente africana e asiática.

No Iraque mais um atentado dirigido a muçulmanos xiitas. Digam o que disserem, o grande conflito regional no Médio Oriente agora é este, entre sunitas e xiitas, como se explica aqui.

Uma última nota para esta reportagem. Não tem nada a ver com religião, mas não é todos os dias que se entrevista um homem com 101 anos e só por isso merece ser visto!

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Dois anos de selecção, apartheid no Médio Oriente

The boys in yellow
É já hoje o lançamento do livro “Auto de Fé – A Igreja na Inquisição da Opinião Pública”, de Zita Seabra e o padre Gonçalo Portocarrero. Aura Miguel conversou com os dois para esta reportagem.


O Vaticano vai continuar a investigar a fuga de documentos secretos. Hoje foi publicada a sentença do ex-mordomo Paolo Gabrielle.

Ainda em Roma faz hoje dois anos que se formou a selecção de futebol do Vaticano. O saldo não é mau, quatro jogos, duas vitórias e duas derrotas.

Pelo Médio Oriente motivos de preocupação. Em Israel uma maioria de judeus parece convencida de que o Estado pratica apartheid, mas pior que isso, muitos pensam que é pouco.

No Irão são os Bahá’i que mais sofrem, mas a perseguição toca a todas as minorias religiosas, segundo as Nações Unidas.

Por fim um convite da Renascença para todos os interessados. É lançado na quinta-feira o CD “Missa Brevis” de autoria de João Gil. Aqui podem ouvir um excerto da música que vos deixará certamente com vontade ir à Igreja de São Roque no dia 25, às 18h30. Apareçam.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

O filme de Maomé e a cabeça de Salman Rushdie

Uma cabeça que vale 3,3 milhões de dólares
A viagem de Bento XVI correu bem e sem perigos. A Aura Miguel faz aqui uma síntese desta visita.

O Papa foi entregar aos bispos do Médio Oriente a Exortação Apostólica correspondente ao Sínodo que decorreu em 2010. Podem ler o meu resumo desse documento aqui.

Entretanto o mundo islâmico continua com tumultos por causa do filme sobre Maomé. Mas há vozes muçulmanas que se erguem contra a violência, incluindo a do Grão Mufti da Arábia Saudita e a deste americano, que vale bem a pena escutar.

Na mesma altura (mas que timing!) é publicado o livro de memórias de Salman Rushdie, o que levou a que o seu valor (o valor da sua cabeça, entenda-se), aumentasse em 500 mil dólares

Por cá não há cabeças a prémio, por enquanto, mas os bispos lembram que a “política não é nenhum ringue”. Imaginem as audiências do Canal Parlamento se fosse!

E Guimarães e Braga vão receber uma sessão do Átrio dos Gentios em Novembro, em que deverão participar Olga Roriz, Assunção Cristas e valter hugo mae.

Por fim, para quem interessar, o sociólogo de religiões José Maria Pereira Coutinho, vai falar sobre a religiosidade dos universitários amanhã, no Seminário Mundos juvenis no Instituto de Ciências Sociais, pelas 17h30.

domingo, 16 de setembro de 2012

Resumo da Exortação Apostólica para o Médio Oriente


Já é conhecido o texto da Exortação Apostólica para o Médio Oriente, cuja revelação e entrega está na base da visita que o Papa fez ao Líbano nos últimos dias.

O texto completo pode ser lido aqui, mas só para quem tiver paciência e tempo, porque são 96 páginas!!! Por isso, para vossa comodidade, aqui fica um curto resumo com os principais pontos.

O primeiro ponto a destacar tem a ver com as relações ecuménicas. Aqui o Papa aborda um problema que é muito grave e talvez o menos conhecido por parte de quem vive fora da região, a unidade. Claro que seria bom haver mais unidade entre cristãos de diferentes denominações, não só no Médio Oriente como no resto do mundo, mas infelizmente nos países árabes, onde os cristãos são sempre uma minoria e muitas vezes uma minoria perseguida, não existe sequer unidade entre católicos de diferentes ritos, quanto mais entre estes e ortodoxos, que são outros tantos.

O Papa faz questão de enfatizar que a unidade que se pede não é sinónimo de uniformidade de tradições e liturgia. É antes o estabelecimento de boas relações e de abrir canais de comunicação para que os cristãos possam falar a uma só voz sobre temas fundamentais.

Já o disse antes, considero que este é um dos assuntos chave a resolver no Médio Oriente. É absurdo que os refugiados cristãos sírios no Líbano sejam ignorados e desprezados pelos seus correligionários locais, bem como é absurdo que os cristãos e seus bispos na Síria continuem a tratar cada um dos seu quintal, sem tomar uma posição comum que pudesse fazer a diferença.

Interessantemente o Papa deixa espaço para o desenvolvimento de uma “communio in sacris”, isto é, a possibilidade de cristãos poderem usufruir de sacramentos nas diferentes igrejas. Actualmente, só em caso de emergência é que um católico pode receber a comunhão, ou confessar-se, por exemplo, numa Igreja ortodoxa, mas Bento XVI deixa espaço para contrariar isso, o que levará tempo e diálogo, mas que essencialmente vira ao contrário a noção de ecumenismo que tem reinado no Ocidente, de um diálogo longo e complexo que visa culminar na mesa da comunhão, para um encontro em diálogo precisamente à volta da mesa, que parte dos sacramentos para tentar construir a unidade nas vidas e corações. Francamente, a mim sempre me pareceu uma abordagem mais humana as divisões na Igreja...

O texto fala depois do diálogo inter-religioso. O Papa pede, essencialmente, o fim da violência inter-religiosa. Reconhecendo que cristãos, muçulmanos e judeus adoram todos os mesmo Deus, estes devem reconhecer uns nos outros a dignidade e evitar situações de violência que são “injustificáveis” para “verdadeiros crentes”. Aqui o Papa faz um apelo à liberdade religiosa, tendo o cuidado de explicar que não se trata de sincretismo.

Por fim, nesta primeira parte do texto, Bento XVI fala dos cuidados a ter com os imigrantes que vão para o Médio Oriente principalmente de países africanos e asiáticos, sendo que muitos são cristãos. Muitos vivem em países onde a prática da sua religião não é tolerada, como a Arábia Saudtia, por exemplo. Outros, mesmo nos países onde há cristãos, por não pertencerem a comunidades tradicionais, são vítimas de discriminação.

A segunda parte tem secções dedicadas aos Patriarcas, Bispos, Padres e Leigos, mas tanto quanto consigo perceber não tem grandes novidades. Talvez a coisa mais interessante seja o apelo do Papa para que os filhos fiquem no país, ou que regressem, para que não acabe a presença cristã na região, sem a qual “O Médio Oriente não seria o Médio Oriente”.


Interessantemente, no texto o Papa nunca fala especificamente de países. Por um lado, é natural que assim seja, a mensagem é dirigida a cristãos e não a Estados. Por outro, isso significa que nunca se fala de Israel, nem do problema israelo-árabe, algo que foi amplamente discutido no Sínodo do qual este texto resulta.

Outro tema muito importante que foi falado no Sínodo mas que não vejo reflectido aqui é a falta de liberdade das igrejas orientais no Ocidente. Passo a explicar. Tomemos a Igreja Melquita, por exemplo. O Patriarca está na Síria e é responsável pelos melquitas em todo o Médio Oriente. Fiel à tradição da sua Igreja, pode ordenar homens casados para o sacerdócio. Mas segundo as regras ainda em vigor, um bispo melquita nos EUA ou noutro país de tradição ocidental, não pode ordenar homens casados. Este é só um exemplo. Há casos nos quais as Igrejas orientais em território tradicionalmente “latino”, em vez de responderem perante os seus patriarcas, respondem directamente a Roma.

Vários bispos queixaram-se disto no Sínodo. A ideia é a Igreja ser uma comunhão de diferentes igrejas de direito próprio, ou sui iuris, em Latim. Mas na realidade, actualmente, as igrejas orientais têm um estatuto inferior, na prática. Para além de ser uma falta de respeito por estas igrejas veneráveis e antigas, é também um péssimo sinal ecuménico que se dá, levando os ortodoxos a concluir rapidamente que, caso aceitassem reunificar a Igreja, ficariam subjugados à Igreja Latina, quando a ideia não deve ser essa.

Com o texto já publicado resta saber se passará das palavras aos actos. Para isso, e voltando ao primeiro ponto, é preciso unidade e diálogo, o que já por si seria um avanço para os cristãos que vivem no mundo islâmico.

Filipe d'Avillez

quinta-feira, 1 de março de 2012

Padres pedem sangue, china aposta na simpatia

"Olha mãe, daqui não consigo ver os meus irmãos!"
A Igreja portuguesa diz-se disponível para apelar às dádivas de sangue nas missas. O apelo é que será feito nas missas, as dádivas presume-se que não.

O Vaticano pede dádivas de outro género, desta feita para ajudar a salvar a vida das comunidades cristãs no Médio Oriente, sobretudo na Terra Santa.

A Santa Sé também está preocupada com a desertificação em África e está a investir na sua prevenção.

O ministro da Economia diz que o Turismo Religioso pode ser muito importante para combater a crise.

Finalmente, um assunto que não é explicitamente religioso mas que levanta todo o género de questões morais. A China quer promover a política do filho único de forma mais simpática. Parece que frases como “Se escapares [à esterilização], vamos encontrar-te. Se te quiseres enforcar, damos-te a corda” são consideradas demasiado agressivas.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Arcebispo de Kirkuk - multimédia


Foi uma conversa muito interessante e Monsenhor Sako falou com franqueza sobre os problemas que afectam os cristãos no Iraque e no Médio Oriente.

Quem se interessar mais pelo assunto pode ler aqui a transcrição completa, em inglês, da entrevista.

De resto hoje foi proclamada “Justa entre as Nações” uma freira católica que salvou raparigas judaicas durante o holocausto.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Quem são os Coptas?

Os coptas são os descendentes dos egípcios antigos e a sua presença no país antecede a invasão árabe do século VII.

O Cristianismo existe no Egipto desde a sua aurora. A tradição atribui a evangelização naquela região ao Evangelista São Marcos, que terá sido bispo de Alexandria.

Desde os primeiros tempos da era cristã Alexandria assumiu uma enorme importância na Igreja Universal. Era um grande centro de educação cristã e só se encontrava atrás de Roma na hierarquia dos primeiros quatro Patriarcados – Roma, Alexandria, Antioquia e Jerusalém.

Foi na região do Egipto que nasceu a tradição do monaquismo, preconizada por Santo Antão. Ainda hoje os mosteiros são uma pedra angular da cultura e espiritualidade cristã copta, incluindo uma iconografia muito rica e distinta. Um exemplo é o ícone de São Minas e Cristo, que foi adoptado pela comunidade ecuménica de Taizé.
A palavra Copta deriva do egípcio Aegiuptos, que significa nada mais nada menos que “egípcio” e desde a invasão árabe passou a designar os habitantes originais do país, que na sua maioria mantiveram o Cristianismo.

Hoje os cristãos coptas representam cerca de 10% da população, o que equivale a cerca de 8 milhões de fiéis. A esmagadora maioria pertence à Igreja Copta Ortodoxa, liderada pelo Patriarca de Alexandria, Papa Tawadros II eleito em Novembro de 2012. Esta Igreja separou-se da Igreja Universal depois do concílio de Calcedónia, devido a divergências teológicas sobre a natureza de Cristo. Faz parte da comunhão de Igrejas Ortodoxas pré-calcedónias juntamente com a Igreja Arménia Ortodoxa, a Igreja Siríaca Ortodoxa, a Igreja Ortodoxa Etíope e a Igreja Malankara, da Índia.

Existem ainda outras confissões cristãs no Egipto, incluindo algumas igrejas coptas protestantes e uma pequena Igreja Copta Católica, com umas centenas de milhares de fiéis.

Existe ainda uma importante diáspora copta em países ocidentais, tal como a Austrália, Estados Unidos ou Reino Unido. Em Portugal os cristãos coptas, de diferentes confissões, contam-se pelos dedos.

Há longos anos que os coptas se queixam de discriminação política, religiosa e social. A comunidade praticamente não está representada nas forças armadas, na polícia ou no sistema judicial. Desde o regime de Mubarak que é extraordinariamente difícil construir ou sequer restaurar igrejas, enquanto as leis que regem as mesquitas são muito mais suaves.

Mesmo assim, muitos coptas temeram as revoltas da Primavera Árabe, que levaram ao derrube de Mubarak, mas milhares de cristãos, sobretudo jovens, estiveram nas ruas a contribuir para a libertação do país. Os medos dos mais cépticos pareceram justificados quando um Governo da Irmandade Muçulmana venceu as primeiras eleições no país, e a situação começou a deteriorar-se para os cristãos que, sem grandes surpresas, apoiaram a revolta do general Sisi que levou ao derrube desse governo.

A situação interna melhorou sob a alçada de Sisi, mas a aparente colagem ao homem forte do Egipto tem servido para hostilizar ainda mais os jihadistas que, num dos piores episódios de violência contra os coptas, decapitaram 21 cristãos numa praia na Líbia, em Fevereiro de 2015.

Coptas etíopes?
Por vezes os cristãos da Etiópia são apelidados de coptas também. Isto deve-se ao facto de esta Igreja ancestral (a Etiópia é o país cristão independente mais antigo do mundo) ter estado na esfera de influência dos Patriarcas de Alexandria durante muitos séculos.

Eram estes quem nomeava um bispo para reger a Igreja Etíope, ordenar sacerdotes e resolver disputas teológicas e litúrgicas. A Igreja Etíope apenas se tornou independente em 1959, com a nomeação de um Patriarca próprio.

Em bom rigor, porém, o termo copta apenas se aplica correctamente aos cristãos de origem egípcia.

[Texto actualizado no dia 16 de Fevereiro de 2015]

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Os cristãos na Primavera Árabe

Aqui na Europa emocionamo-nos e aplaudimos a queda das ditaduras árabes. Primeiro Tunísia, depois Egipto, Líbia… qual será a próxima?
Temos dificuldade em compreender que os cristãos na Síria, na sua maioria educados e próximos dos valores ocidentais, defendam tão obstinadamente o regime de Bashar Al-Assad.
Agora aceite este desafio. Ponha-se no lugar de um desses cristãos? O que tem visto nos últimos anos?
A queda do regime de Saddam Hussein e a consequente fuga dezenas de milhares de cristãos daquele país, muitos dos quais para a própria Síria e agora, depois da queda de Mubarak, os cristãos na rua a protestar a morte dos seus irmãos, atropelados por veículos militares e fuzilados nas ruas do Cairo.
Conheço alguns cristãos sírios e posso dizer que poucos deles sentem grande amor por Assad ou o seu regime. Sei de um que passou a ser vigiado pela polícia secreta quando esta soube que tinha estado em Portugal para participar num encontro de jovens católicos.
Mas ao menos sentiam-se seguros. E agora? É este o preço a pagar pela libertação dos povos árabes? O aumento da perseguição das comunidades cristãs locais?
Podemos não concordar com a defesa de ditaduras sanguinárias… mas nestes casos concretos, podemos dizer honestamente que não compreendemos? Podemos prometer uma alternativa melhor?
Cheguei a pensar que no caso do Egipto sim. Que a união entre cristãos e muçulmanos na Praça Tahrir era um bom augúrio. Os eventos dos últimos dias deixaram uma grande mossa nessa crença.
Filipe d'Avillez

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