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quarta-feira, 6 de novembro de 2013

O Poder do Crisma

por Kristina Johannes
Esta era uma missão secreta. Destino final: Cidade do México.

O telefonema chegou tão tarde que nem teve tempo para pedir uma cópia da certidão de nascimento do Estado onde nasceu, longe daquele onde actualmente vivia. Também não tinha passaporte e não fazia ideia como faria para entrar e sair do México sem essa documentação. Contudo, não hesitou em pagar milhares de dólares para comprar um bilhete de avião para si e para a sua criança.

Desembarcou num Estado fronteiriço e encontrou-se com os seus contactos que iriam introduzi-la no México e ajudá-la a sair de novo. Tinha consigo a carta de condução, o terço e fé de que Deus trataria do resto.

Entrou na carrinha com os seus novos amigos que a acompanhariam nesta missão. A carrinha aproximou-se da fronteira e passou sem problemas. Como é que seria o regresso?

Passadas algumas horas, com a missão cumprida, o veículo dirigiu-se de novo para a fronteira. Retirou o terço e começou a rezar, os outros juntaram-se. Quando o agente se aproximou até reteve a respiração. Olhou para a carrinha e perguntou: “Os passageiros são todos cidadãos americanos?” Responderam afirmativamente e mandou-os seguir sem mais confusões. A mulher respirou de alívio e começou a rezar outro terço em acção de graças.

Que missão secreta era esta? Acreditam que se tratava de obter o sacramento do Crisma para a sua criança, uma vez que esta lhe tinha sido negada por não ter chegado à idade da razão, conforme estipulado pela sua diocese americana?

A manta de retalhos que são as políticas sobre a idade do Crisma nos Estados Unidos conduziu a uma situação em que aqueles que querem recorrer à idade canónica universal para o Crisma precisam de ser bastante imaginativos. A concessão de excepções em relação à idade diocesana para o Crisma é extremamente rara, apesar das admoestações de Roma sobre o assunto.

Como é que se chegou a esta situação?

Alguns apontam para a decisão de S. Pio X de baixar a idade de recepção da Confissão e da Comunhão, sem ter aludido à idade do Crisma. Até então, a ordem tradicional tinha sido Baptismo, Crisma, Confissão e, finalmente, a Santa Eucaristia. Por essa ordem, a Eucaristia era vista como o completar do processo de iniciação.

O Código de Direito Canónico diz o seguinte sobre quem vai receber o Crisma:

Can.  889 §2  Fora de perigo de morte, para alguém receber licitamente a confirmação,
requer-se que se tiver o uso da razão, esteja convenientemente instruído, devidamente disposto e possa renovar as promessas do baptismo

Can.  891 O sacramento da confirmação administre-se cerca da idade da discrição, a não ser que a conferência episcopal determine outra idade, ou exista perigo de morte, ou, a juízo do ministro, causa grave aconselhe outra coisa.

A questão está no cânone 891, que permite às conferências episcopais estabelecer uma idade mais alta que a da discrição. Foi o que fizeram os bispos dos Estados Unidos. A norma complementar do cânone 891, nos Estados Unidos, diz: “A Conferência Episcopal dos Bispos Católicos, de acordo com as prescrições do cânone 891, decreta que o sacramento do Crisma, no rito latino, será administrado entre a idade da discrição e cerca dos 16 anos de idade, dentro dos limites determinados pelo bispo e com respeito pelas excepções legítimas, expressas no cânone 891.


Porque é que algumas pessoas consideram isto um problema? Porque em demasiados sítios o resultado foi um profundo mal-entendido sobre a natureza do sacramento do Crisma, que se transformou num sacramento em busca de uma teologia.

Para alguns tornou-se uma espécie de profissão pública, em que as pessoas confirmam a sua fé diante da comunidade. Para outros é visto como um rito de passagem para a maioridade católica. Noutros ainda é simplesmente uma forma conveniente de manter os alunos na catequese durante os anos do liceu. Nenhuma destas lógicas é digna do grande sacramento através do qual somos confirmados na nossa fé, não pela nossa acção, mas pela Graça do Espírito Santo.

Quando eu era catequista ilustrava o poder deste sacramento através da imagem dos apóstolos, reunidos cheios de medo no quarto superior, antes do Pentecostes. Depois da vinda do Espírito Santo, estes mesmos homens partiram sem medo para proclamar o Evangelho, resultando na conversão em massa de 3000 pessoas. A diferença? O Crisma!

Tal como diz no Catecismo, “A Confirmação dá-nos uma força especial do Espírito Santo para difundir e defender a fé pela palavra e pela acção, como verdadeiras testemunhas de Cristo, para confessar com valentia o nome de Cristo e para nunca sentir vergonha em relação à cruz.” [1303]

Quando Bento XVI era Papa ainda tive esperança de que emitisse um decreto para o Crisma, parecido com o que São Pio X publicou para a Comunhão. Pareceu apontar nesse sentido quando, na sua exortação apostólica Sacramentum Caritatis, escreveu: “é necessário prestar atenção ao tema da ordem dos sacramentos da iniciação. (...) Em concreto, é necessário verificar qual seja a prática que melhor pode, efectivamente, ajudar os fiéis a colocarem no centro o sacramento da Eucaristia, como realidade para qual tende toda a iniciação.” [18]

Talvez estas políticas parcimoniosas sobre o Crisma mereçam a atenção do actual Papa. Quem não quereria este dom para os seus filhos logo que eles se tornam responsáveis pelas suas acções e, por isso, necessitados desta força, sobretudo nos tempos em que vivemos?


(Publicado pela primeira vez em The Catholic Thing no Domingo, 3 de Novembro de 2013)

Kristina Johannes é enfermeira e instrutora de métodos naturais de planeamento familiar. Foi porta-voz da Alaska Family Coalition, que conseguiu a aprovação da emenda constitucional de protecção do casamento naquele Estado.

© 2013 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Confiar as preocupações a São Pedro...

D. José Policarpo foi ontem entrevistado pela Renascença onde referiu que a Igreja respondeu à crise com actos concretos e não com palavras.

Um vendedor de chapéus-de-sol italiano está chateado com a União Europeia e por isso fez aquilo que todos nós já pensámos fazer quando ficamos chateados… instalar-se na parte de fora da cúpula da Basílica de São Pedro.


Imune a ex-mordomos, vendedores de chapéus-de-sol e sociedades secretas, Bento XVI pediu aos fiéis que rezem pelo Sínodo dos Bispos e pelo Ano da Fé, que começam este mês.

São José, padroeiro do casamento


por Kristina Johannes
Não existe batalha mais important no nosso tempo que a defesa do casamento. Mesmo as questões de defesa da vida radicam na crise do casamento. Como é que a civilização pode sobreviver ao minar de um pilar tão importante da vida humana? Quando as fundações cedem, cede a casa toda. É por isso que esta batalha exige recursos espirituais especiais.

Estou envolvida nesta luta há muito tempo e já vi as sondagens em defesa do casamento a variar de Estado para Estado. Alguns peritos dizem que é apenas uma questão de tempo até a corrente mudar a favor de uma redefinição política do termo casamento. Não admira, tendo em conta a propaganda a que as novas gerações têm sido sujeitas nas escolas por todo o país.

Pelo caminho tem havido marcos importantes que têm travado a marcha, supostamente inevitável, em direcção à redifinição da realidade. Sempre que os eleitores são chamados a pronunciar-se reafirma-se a natureza, confirmando o que o senso comum nos diz sobre o casamento.

A destruição do casamento é inevitável? Claro que não. Mas os números cada vez menos expressivos das maiorias não podem ser ignorados.

Sempre pensei que os católicos deviam estar envolvidos em pelo menos um apostolado pró-vida, não interessa qual. Penso o mesmo em relação à protecção do casamento.

Santo Inácio terá advertido os seus seguidores a agir como se tudo dependesse de nós e a rezar como se tudo dependesse de Deus. É uma premissa exigente, mas que nos permite dormir descansados.

Os católicos gostam de colocar tudo sob a protecção de santos padroeiros. Enquanto protector da Sagrada Família, São José parece-me um candidato perfeito para a protecção do casamento.

Em tempos de turbulência para a Igreja, Leão XIII escreveu uma encíclica sobre São José, Quamquam Pluries, na qual propôs que juntássemos à devoção a Nossa Senhora a devoção a São José. Para melhor implementar esta prática o Papa incluiu uma oração que devia ser recitada no fim do terço durante o mês de Outubro. Ele esperava que esta devoção se tornasse anual. Passados quase 125 anos, talvez devêssemos torná-la diária.

Basta pensar um bocado na vida de São José para perceber porque é que ele é um intercessor tão poderoso.

Maria não era uma “mãe solteira” na altura da Anunciação, já era esposa de José. O noivado judaico implicava uma verdadeira troca de consentimento matrimonial. Por isso, a Encarnação esperou pelo casamento de Maria e José. Este facto não tem sido suficientemente apreciado e, ao que parece, alguns preferiam nem sequer saber.

O casamento envolve um dom mutual de si. O dom de Maria foi uma consagração magnífica e total a Deus (o que a tornou a mãe perfeita de Deus). O dom recíproco de José foi o sacrifício da vida conjugal, permitindo assim a total consagração de Nossa Senhora.

Através do seu sacrifício, José deu a sua vida por Maria e, consequentemente, pôde recuperá-la de forma extraordinária, tornando-se o pai de Deus, não na carne mas na mente, quando a sua mulher, Maria, concebeu pelo poder do Espírito Santo.

O casamento de Maria e José
Por isso, embora Maria tenha concebido de forma totalmente milagrosa, permanecendo virgem, o amor de Maria e José foi uma verdadeira união esponsal de corações e foi abençoada de forma singular pela Encarnação.

O Beato Joao Paulo II sublinha esta ideia em Redemptoris Custos, onde escreve: “O Salvador deu início à obra da salvação com esta união virginal e santa ... o casal formado por José e Maria constitui o vértice, do qual se expande por toda a terra a santidade”.

Podemos supor que José tinha sido bem preparado por Deus para este papel de marido de Nossa Senhora e, por isso, para efeitos legais, pai do Salvador do Mundo. Coube a José guardar o mistério da Encarnação.

Não deve ter sido fácil para este homem humilde ter de assumer o papel de Guardião do Filho de Deus. Apesar da sua natureza divina, Jesus apreendeu parte da sua natureza humana do exemplo de São José. E tal como Jesus nos legou a sua mãe, também nos deixa o seu pai que o amava.

Depois de Maria, José é a criatura humana mais santa que alguma vez viveu. Como se pode ler em Quamquam Pluries: “Por isso mesmo que entre a Santíssima Virgem a José foi estreitado o vínculo conjugal, não há dúvida de que ele se aproximou como ninguém dessa altíssima dignidade, em virtude da qual a Mãe de Deus ocupa lugar eminente, a grande distância de todas as criaturas. Uma vez que o casamento é a comunidade e a amizade máxima a que, por sua natureza, anda ligada a comunhão de bens, segue-se que, se Deus quis dar José como esposo à Virgem, deu-lo não apenas como companheiro na vida, testemunha da sua virgindade e garante da sua honestidade, mas também para que ele participasse, mediante o pacto conjugal, na sua excelsa grandeza.

À medida que a batalha pelo casamento prossegue precisamos urgentemente de um padroeiro. Da minha parte não consigo pensar em ninguém melhor para esse papel que São José.



(Publicado pela primeira vez em www.thecatholicthing.com no Domingo, 30 de Setembro de 2012)

Kristina Johannes é enfermeira e instrutora de métodos naturais de planeamento familiar. Foi porta-voz da Alaska Family Coalition, que conseguiu a aprovação da emenda constitucional de protecção do casamento naquele Estado.

© 2012 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte:info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

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