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quarta-feira, 29 de abril de 2015

A Morte de um Grande Rabino

Filip Mazurczak
No domingo dia 19 de Abril, dias antes de fazer 100 anos, morreu Elio Toaff, antigo rabino-mor de Roma. Grande promotor do diálogo entre católicos e judeus e amigo de São João Paulo II, o rabino Toaff testemunhou uma era em que católicos e judeus – que para além do Antigo Testamento partilham uma herança espiritual com origem em Abraão, mas que foram frequentemente separados pela história – abandonaram, de forma dramática, preconceitos antigos.

Embora o Cristianismo tenha surgido do seio do Judaísmo, as relações entre judeus e cristãos foram muitas vezes dolorosas. Em 1215, o Quarto Concílio de Latrão decretou que os judeus deviam usar roupas que os distinguissem dos cristãos. Em 1555 o Papa Paulo IV criou o gueto judeu de Roma, que foi o último gueto europeu até ser abolido em 1888. Muitos cristãos acusaram os judeus de terem morto Cristo e as encenações de Sexta-feira Santa serviram frequentemente de inspiração para fomentar violência anti-judaica pela Europa fora.

Mas as relações entre cristãos e judeus nem sempre foram marcadas pela hostilidade. Na Idade Média os judeus foram muitas vezes defendidos, sobretudo por figuras como São Bernardo de Clairvaux (a razão pela qual muitos judeus ainda se chamam Bernardo) e o Papa Inocêncio IV. A corte pontifícia empregava médicos judeus e o Papa Gregório I promovia a tolerância para com os judeus já no século VII. Em todo o caso, a desconfiança continuou a separar cristãos e judeus durante vários séculos.

No século XX isto mudou radicalmente, para melhor. Hoje, as orações ecuménicas entre judeus e cristãos são um aspecto comum da vida religiosa em todo o mundo. Os líderes cristãos condenam frequentemente o anti-semitismo. Actualmente, o principal bastião de anti-semitismo católico é a Sociedade de São Pio X, um grupo cismático. Entretanto, afirmações escandalosas como as do Cardeal Oscar Rodrigues Maradiaga, que afirmou que os meios de comunicação social controlados por judeus usam as histórias de abusos sexuais de padres católicos para desviar as atenções do conflito israelo-árabe, são a excepção e não a norma.

Esta transformação foi possível graças á boa-vontade de pessoas como Elio Toaff.

Nascido na Toscânia em 1915, filho de um rabino, Toaff passou a II Guerra Mundial a combater na resistência anti-fascista italiana. Testemunhou o massacre de mais de 500 civis em Sant’Anna di Stazzema, na Toscânia e na última entrevista publicada antes da sua morte, disse ao site italiano judeu Moked que tinha experienciado hostilidade enquanto judeu na Itália de Mussolini, o maior aliado do Terceiro Reich. A única razão pela qual não saiu da Europa foi porque se recusou a abandonar a sua comunidade em tempo de perigo.

Mas Toaff testemunhou também a significativa ajuda que um grande número de católicos deu a judeus, apesar dos preconceitos da altura. Embora se tenha tornado moda falar do Papa Pio XII como o “Papa silencioso”, ele condenou regularmente o nazismo na Rádio Vaticano e apelou aos conventos italianos para darem refúgio a crianças judias, tendo ele mesmo escondido várias em Castel Gandolfo e no Vaticano.

Tendo visto a ajuda que os católicos deram aos judeus, Toaff – que se veio a tornar rabino-mor de Roma em 1951 – comentou, após a morte de Pio XII: “Os judeus recordar-se-ão sempre do que a Igreja Católica fez por eles, por ordem do Papa, durante a Segunda Guerra Mundial. Quando a guerra estava no auge, Pio XII levantou a voz várias vezes para condenar a falsa teoria das raças”.
João Paulo II e o rabino Toaff

Pouco tempo depois viriam mudanças significativas. São João XXIII removeu a oração “pela conversão dos pérfidos judeus”da liturgia da Sexta-feira Santa e, em 1965, a Igreja promulgou o Nostra Aetate, que declarou que os judeus, enquanto povo, não são responsáveis pela morte de Cristo.

A reconciliação entre judeus e católicos acelerou depois da eleição de João Paulo II em 1978. Ele já tinha muitos amigos judeus na sua Polónia natal; o mais próximo dos quais, Jerzy Kluger, tinha combatido no exército polaco que libertou a Itália dos Nazis. Kluger permaneceu em Roma até à sua morte, acabando por se tornar um elo importante entre o Papa e o mundo judeu.

Entretanto, quando o Governo comunista da Polónia iniciou uma campanha anti-semita em 1968, forçando muitos judeus a emigrar, o cardeal Karol Wojtyla visitou a sinagoga de Cracóvia e expressou a sua solidariedade para com os judeus polacos.

Providencialmente, o rabino Toaff liderava nessa altura a comunidade judaica de Roma. Em 1986, João Paulo II fez uma visita oficial à Grande Sinagoga de Roma, tornando-se o primeiro Papa desde São Pedro a visitar um local de culto judeu. Os dois homens cumprimentaram-se e rezaram. A imagem do Papa polaco e do rabino italiano a abraçarem-se e a sorrir tornou-se uma das mais icónicas do pontificado de João Paulo II. Foi Toaff quem iniciou este evento histórico, tendo tomado a iniciativa de convidar o Papa a visitar a sinagoga. Essa foi a primeira ocasião em que o Papa disse que os judeus são os “irmãos mais velhos na fé”, uma frase original de Adam Mickiewicz, o poeta nacional filo-semítico da Polónia.

A amizade entre os dois foi imediata. Mais tarde, no mesmo ano, João Paulo II convidou Toaff para participar com ele e com os líderes de muitas das outras religiões mundiais no Dia Mundial da Oração pela Paz, em Assis. Em 1994 Toaff e João Paulo II presidiram a um concerto no Vaticano para comemorar as vítimas da Shoah. Entretanto, Toaff ajudou a coordenar a visita de João Paulo II à Terra Santa, no ano 2000. Toaff foi uma de apenas duas pessoas referidas no testamento do Papa, a outra sendo o seu secretário, o arcebispo (agora cardeal) Stanislaw Dziwisz.

Tendo visto em primeira mão o fascismo, a ocupação de Itália pelos nazis, o anti-semitismo e o renascimento da comunidade judaica de Roma, o rabino Elio Toaff foi testemunha da história do Judaísmo no seu país. Mas acima de tudo ele possuía um coração aberto ao diálogo e à reconciliação. Os seus gestos para com os católicos e a sua amizade com São João Paulo II desempenharam um papel crucial no verdadeiro milagre que foi a mudança radical da era de desconfiança mútua para uma era em que os judeus são novamente os nossos “irmãos mais velhos”.

Alav Ha-sholom.


Filip Mazurczak contribui regularmente para o  Katolicki Miesięcznik “LIST”. Os seus textos já apareceram também no First ThingsThe European Conservative e Tygodnik Powszechny.

(Publicado pela primeira vez na quarta-feira, 22 de Abril de 2015 em 
The Catholic Thing
)

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segunda-feira, 28 de abril de 2014

Papas (e mais papas), islamitas e divorciados

Foi um fim-de-semana em grande para assuntos papais.

Dois Papas canonizaram outros dois papas diante de mais de um milhão de pessoas. É seguro dizer que Roma nunca viu nada assim.

Mas a verdade é que, para a Igreja Católica, João Paulo II e João XXIII são agora santos.

Na sua homilia o Papa Francisco disse que são os santos que fazem crescer a Igreja. Mas no fim da homilia houve também uma referência ao sínodo para a família… leiam e tirem as vossas conclusões.

Por isto, e por causa da questão do telefonema do Papa, decidi escrever uma curta reflexão (que não pretende ser mais que isso), sobre a questão do acesso à comunhão por parte dos divorciados e recasados. Leiam e deixem a vossa opinião.

Mudando de assunto, o Tribunal no Egipto recomendou a pena de morte para cerca de 700 militantes da Irmandade Muçulmana. Recomendou? Pois… é complicado, mas o artigo explica.

Termino com três avisos.

Primeiro, para todos os ex-membros das Equipas de Jovens de Nossa Senhora, inscrevam-se no jantar de angariação de fundos para o encontro internacional, que este ano se realiza em Portugal. São 20 euros por pessoa, mas é por uma causa boa! Eu vou.

Segundo, a II Semana de Cultura e Identidade Cristã, organizada pelo Instituto Superior de Ciências Religiosas de Aveiro (ISCRA).

E por fim, o MSV está a organizar um jantar de angariação de fundos também, para financiar um projecto no Príncipe. É no dia 30 de Abril, em Lisboa. Os interessados devem pedir mais informação para este contacto

terça-feira, 22 de abril de 2014

Páscoa em Roma, na Síria, e numa prisão paquistanesa

Narendra Modi
Antes de mais, espero que todos os cristãos e judeus tenham tido uma Santa Páscoa. Talvez não tenham notado, mas este ano a Páscoa calhou no mesmo dia no calendário gregoriano e no calendário juliano, e na mesma semana que as festividades dos judeus.


É ainda com tristeza que vemos que esta foi mais uma Páscoa atrás das grades para Asia Bibi, a paquistanesa acusada de blasfémia.

Passada a Páscoa, as atenções focam-se nas canonizações de João Paulo II e João XXIII, que terão lugar no próximo Domingo. Ontem a Aura Miguel fez um trabalho excelente sobre João XXIII. Esta terça-feira foi a vez de João Paulo II, visto pelos olhos do seu “porta-voz” de 20 anos, Joaquín Navarro-Valls.

A Renascença aproveitou ainda estes dias para relançar um trabalho multimédia, devidamente actualizado, sobre João Paulo II, que não devem mesmo perder.

Mudando de ares… os cristãos e os muçulmanos na Índia estão preocupados com a possível eleição de Narendra Modi para primeiro-ministro. Saiba aqui porquê…

segunda-feira, 31 de março de 2014

Roma prepara-se invasão, Quénia para a poligamia

Hmmm...
Roma prepara-se para a grande invasão! Não, não é o Putin preocupado com os russos italianos, são os milhões esperados para as canonizações de João Paulo II e João XXIII, daqui a menos de um mês.

Mudando de Papa, este fim-de-semana Francisco falou a milhares de surdos e de cegos, no Sábado, e no domingo perguntou se os fiéis têm um coração aberto ou fechado.

Hoje Francisco recebeu em audiência o dono de uma cadeia de lojas que tem resistido ao decreto do ObamaCare que visa obrigar as empresas a fornecer, nos seguros de saúde dos seus funcionários, cobertura de serviços contraceptivos e abortivos.

O Patriarca D. Manuel Clemente inaugurou a nova Igreja do Parque das Nações. É uma Igreja do Século XXI, segundo o pároco, um lugar onde se pode respirar, segundo o Patriarca. A estética e a arquitectura da Igreja têm gerado muito debate, mas a verdade é que se trata de uma comunidade viva e jovem. No Facebook pode deixar a sua opinião.

Morreu o cónego Miguel Ponces de Carvalho, de Lisboa, que foi pároco da Lapa e por isso responsável pela Basílica da Estrela, durante vários anos.

Os cristãos no Quénia estão unidos contra a poligamia, que está prestes a ser legalizada no país.

Por fim, estreou na passada quinta-feira o filme “O Filho de Deus”. Conversei com a crítica de cinema Margarida Ataíde que deixa aqui a sua opinião sobre a obra.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Carne de porco à recluso

Halal pork? Vai-te sair caro...
Já há data para a canonização de João Paulo II e João XXIII. Será a 27 de Abril. Saiba porquê, e mais detalhe, aqui.

Foi um “daqueles” dias no Vaticano. De manhã o Papa esteve com representantes da Comunidade de Santo Egídio e disse que a religião não pode justificar a violência. O Vaticano também publicou esta segunda-feira a mensagem para a jornada das Comunicações Sociais.

Amanhã a comissão dos oito “super-cardeais” reúne com o Papa para discutir as reformas na curia romana.

Começa a ganhar forma a viagem do Papa à Terra Santa, para comemorar os 50 anos de um dos mais importantes abraços da história.

Se a religião não pode justificar a violência, alguém se esqueceu de avisar o Boko Haram, que ontem matou pelo menos 40 estudantes de agronomia.

Também não avisaram os sunitas no Iraque, que mataram 50 xiitas num funeral



Termino com um pequeno gesto desavergonhado de auto-promoção, um artigo sobre a minha viagem ao Michigan, escrito para o site da Universidade

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