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segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Santo Sepulcro fechado outra vez

A Igreja do Santo Sepulcro está fechada. É um facto quase inédito e deve-se ao protesto das Igrejas cristãs contra o Estado de Israel. Vejam aqui e aproveitem para ver uma das melhores fotos de sempre… Quem é que se meteria com estes tipos?

A liberdade religiosa protege todos os cidadãos, diz a ministra da Justiça, enquanto o presidente da Comissão da Liberdade Religiosa diz que a presença de símbolos religiosos nos espaços públicos é uma decisão que cabe às comunidades.

As seis dioceses do centro já têm um documento para aplicação do Amoris Laetitia.

Quase 9 anos depois volta a haver um português na mais alta roda da diplomacia do Vaticano. É José Avelino Bettencourt.

A minha colega Elsa Rodrigues conversou com o sociólogo francês Dominique Wolton que falou do Papa Francisco. Ele surpreende porque fala como um laico”, diz o autor.

E conheça aqui as voluntárias que vão fazer “o que for preciso” para Cabo Verde.

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Gémeos guerreiros e israelitas perdidos na Birmânia

Fumadores, líderes do Exército de Deus, amigos do Rambo
O Papa continua na Birmânia e hoje viajou para a capital onde discursou juntamente com a primeira-ministra Aung Suu Kyi. Francisco não referiu os rohingya, embora Kyi tenha falado especificamente daquele conflito sem dizer a “palavra proibida”.

É inegável que o conflito que afecta os rohingya é uma tragédia, mas esta situação tem mais que se lhe diga. Conheça as raízes do problema, que envolve grupos militantes de inspiração jihadista.

Mas os rohingya não são os únicos com queixas sobre o regime birmanês. Há mais de uma dúzia de grupos étnicos ou políticos armados. Conheça os gémeos baptistas que aos 9 anos lideravam o “Exército de Deus” e a insurreição da tribo perdida de Israel…

Entretanto o Governo anunciou a realização de uma conferência para as minorias étnicas. Efeito Francisco?

Antes de se encontrar com as autoridades, o Papa Francisco esteve com líderes religiosos, a quem disse também que unidade não é necessariamente uniformidade.

E o santuário de Fátima anunciou um novo ciclo de anos temáticos para os próximos três anos. O tema será “Graça e Misericórdia”.

terça-feira, 18 de julho de 2017

Archer v. CR7 e D.J. Ortiga 50

O que diria o padre Luís Archer a Cristiano Ronaldo? Que é melhor gerar vida que a encomendar de um catálogo. Isto e muito, muito mais na interessantíssima entrevista que fiz a Francisco Malta Romeiras, que acaba de publicar, juntamente com Henrique Leitão, a obra selecta deste grande cientista.

A ONU apresentou um plano de acção para líderes religiosos combaterem o incitamento à violência, com Guterres a sublinhar a importância do exemplo destes líderes.

D. Jorge Ortiga assinala 50 anos de sacerdócio e diz que o ADN da Igreja está nas respostas corajosas. No fim-de-semana ordenou novos padres, a quem pediu para estarem no mundo sem “mundanismos”.

Conheçam aqui o projecto do Centro Comunitário São Cirilo, no Porto, que ajuda a integrar imigrantes.

Em todo o mundo morrem anualmente muitas raparigas, assassinadas pelas suas próprias famílias por alegadas ofensas à honra. Infelizmente um caso recente passou-se numa família cristã em Israel.

Este mail segue mais tarde que o normal porque hoje estou a fazer madrugada. Se isso vos aborrece de alguma forma, sigam o conselho do Papa: Proibido lamentar-se.

terça-feira, 3 de maio de 2016

Madre Teresa, Padre Halik e Tiago Cavaco

Riso de santo
Espero que a minha falta de assiduidade nas últimas semanas seja justificada por este mail, em que partilho convosco três reportagens de fundo em que tenho estado a trabalhar.

Começo com a entrevista ao padre Tomás Halík, uma das maiores figuras da teologia actual, que considera que a Europa está a atravessar uma “noite escura da alma” colectiva. Vale muito a pena ler, a entrevista primeiro, depois os livros…

Passamos agora ao padre Brian, postulador da causa de canonização de Madre Teresa de Calcutá, que nesta conversa fala do sentido de humor, do sofrimento espiritual, da amizade com João Paulo II e até do que diria sobre o Papa Francisco. Tudo em função da canonização, no dia 4 de Setembro.

E termino esta ronda com mais uma reportagem da série que tenho estado a fazer sobre o Jubileu da Misericórdia. Desta vez temos o pastor baptista Tiago Cavaco a comentar a misericórdia à luz das parábolas de Jesus, que também não se vai arrepender de ler.

Mas porque a actualidade religiosa não se faz apenas de grandes reportagens, temos também esta reacção dos juristas católicos, sobre as “barrigas de aluguer” e notícia sobre o último relatório anual da comissão americana para a Liberdade Religiosa, que considera que a situação mundial vai piorando.

Em Israel foi hoje condenado a prisão perpétua um extremista judeu que participou na tortura e assassinato de um jovem palestiniano, que contribuiu para a segunda guerra de Gaza, em 2014.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

“Before the street feared the leader, now the leader fears the street”

This is a full transcript, in the original English, of my interview with archbishop* Maroun Lahham, patriarchal-vicar for Jordan, about the situation in the Middle East, five years after the Arab Spring. His grace also speaks about conversion of Jews and whether Muslims and Christians worship the same God. The news item, in Portuguese, can be found here.

You were archbishop of Tunis at the time of the Arab Spring in Tunisia, were you not? What were your feelings at the time?
It was a big surprise for everybody. The regime of Ben Ali was so strict, nobody even dared to pronounce his name. All of a sudden there was this popular explosion and we lived it with much enthusiasm. It took almost 18 days until Ben Ali left for Saudi Arabia, and he is still there. 

Now I cannot say that Tunisia became a paradise after this, but at least one positive point is that they discovered democracy, and they live a democracy and if you have followed events in Tunisia, they have a very good Constitution, moderate, democratic, the only one in the Arab world which guarantees liberties of creed, of conscience for everybody.

Egypt went through much turmoil, but seems to have stabilized. Is democracy possible in a country like Egypt?
It is possible but it takes time.

Democracy is not a gift, you have to acquire it. 

The Tunisian people are much better educated than the Egyptian and certainly than the Lybians. I think that democracy might work in Syria, if things settle down in Syria. In Egypt I think they still need a hard hand, but even in Egypt, some sense of democracy exists. For instance, Mubarak left, but when the Muslim Brothers took power they were expelled by the people, which is a sign of democracy. 

So something positive occurred, even in Egypt, even though they have not reached a Democracy like they have in Tunisia.

And then, of course, we have Syria… Can you foresee an end to the war there?
Yes. I am optimistic by nature and also by faith. So I think that an end will come, but that depends also, and especially, on the Super powers, because in politics there are no values or ethics, there is only interests, so the USA has interests in Syria, Russia, Israel, Saudi Arabia, Iran. When these superpowers reach a solution, I hope...

Because the Syrian people are tired, Daesh is on the defensive, I think that a superpower would give a mortal coup to Daesh the moment they feel a threat in their own countries. You see the reaction of France after the bombings of the 13th of November, I hope not, but I think it could happen in Germany, England and France. I hope not in Portugal... But that will force them to act, because they fire will have come to their home.

The situation in Syria has made many more people aware of the split between Sunni and Shia. Is this the real conflict in the Middle East, more than a division between Islam and the West?
No. The real problem is not there. 

The real problem is that the superpowers do not want any Arab country to become strong and to have an effective role in the politics of the Middle East. 

In each Arab country there is a sensitive point you can't touch. In Syria its Sunni and Shiite. In other places its Christian against Muslim. In other places, palestinians and Jordanians. So this is the week point. The superpowers try to touch in order to create problems.

Sunnis and Shia lived together peacefully for centuries in Syria, in Iraq. They never reached the point of killing each other. It all depends on the big players. 

Jordan plays an important role in the refugee crisis, with close to 700 thousand refugees or asylum seekers. How difficult is the situation?
It is a real problem. The Jordanian population is up to 9 million people. Six million are Jordanians and three million are refugees. So imagine 30% of your population are refugees? 

First this is a human problem, second it is a social problem and third it is a moral problem.

A human problem because you are dealing with people who have lost everything, who suffered, who were persecuted for their political options or their creed, or their faith. So we have to work on that.

A social problem, because we have at least 1.5 million Syrians in Jordan. They are not allowed to work, but they work in the black market. And problem is that Syrians are much more practical at manual work than Jordanians, and though they are jobless, they accept to be paid much less than Jordanians. So they work better and they are paid less, this is very good for a business man. So that makes a social problem, with Jordanians who feel that their jobs are lost and stolen by Syrians.

Finally there is also a moral problem, because some of the Syrian families, pushed by poverty, accept to mary - I don't want to say sell - their young girls, 14 years old, to some millionaire of the Emirates for a hundred dollars for three months, so you imagine the trauma for the girl and the mother. This never occurred before in Jordan. And to talk about "closed houses" [brothels], these things never existed in Jordan, now with the arrival of Syrians we have many of these. We are not used to this but the human nature is what it is.

In Europe the influx of refugees has caused many debates and disagreements. What is your view, as a Christian from the Middle East? What message for the Europeans?
The message is the message proclaimed always by Pope Francis. We have to welcome people.

I understand, if I put myself on the side of the European countries, especially after what happened in Germany, in Cologne on new years, we have to be cautious. But if 95% are really poor people who need to work and to have a better future, it is enough to have 2% of infiltrators to cause problems, and that leaves you scandalized and shocked, and say who can oblige me to take people in where there is a percentage, even if a little one, of fanatics who come with ideological thoughts and choices. 

I understand both positions, but from a Human point of view I think we have to check who is coming in, but we can't close our borders.  

This crisis has earlier roots, but became much more serious after the so-called Arab Spring. Five years after the first signs of these revolutions, what do you make of them?
Initially the Arab Spring started very well. As you said, there is stability in Tunisia and Egypt. But when it arrived in Lybia, that was the end of the World, because Khadaffi never formed a state or a people, so there are tribes fighting each other and ruled them by force, while in Tunisia they were educated. 

I think one positive point of the Arab Spring, in all these countries, is that the street no longer fears the governments. Whereas before if the King or the President said 2+2 is 10, you say 10, if not 11. Now its the leaders who fear the street, and this is a positive point. 

Now democracy is also a process that may take one or two generations. But one thing is sure, Syria will not return to what it was before, nor will Iraq, or Egypt, nor Lybia, although Lybia may be the last to stabilise.

We know that conversion of Muslims to Christianity is a very difficult subject in the Middle East, and other Muslim countries. As Patriarchal-Vicar for Jordan, how do you deal with issues like this?
We are very cautious, first of all, to be sure of the good intentions of the people who come and say that they want to convert. Because sometimes they may be sent by security people to test our good will. That is why I told my priests, if any Muslim comes to you, saying that he wants to convert, you send him to the bishop and I will have the first conversation with him. Many of them, when they hear the name of the bishop, don't come anymore. 

Others come. So the first thing they do is ask some questions and I put before them the difficulties they will face if they become Christians, socially, as a family, in terms of religion, for the marriage, for the children who must be always Muslims. Some of them when they hear all of these dangers, they cease, and don't come anymore. 

Others continue, and when they continue and we are sure of their good intentions, I tell one priest or another to start with them a process of Cathechesis, which can take one or two years. Then I always tell them that if they want to be baptized and you want to stay in Jordan you have to live your faith as the early Christians, hidden. 

Others seek a visa for Germany or other European countries and go there, where they are free to practice. Others, if there are problems to be baptized in Jordan, we send them to Lebanon, where they are more free.

So it is not easy, but the principle is that you cannot say no to somebody who is sincere.

So there are people in Jordan at the moment living their faith in secret?
Yes.

In Tunisia, on the other hand, there is complete freedom to convert. But Tunisia and Algeria are the only countries where there is no problem for a Muslim, except from his family, but according to the Constitution he is free to convert.

Recently two issues have been widely debated. First, the issue of whether Christians and Muslims worship the same God. As a Christian who has lived all his life in Muslim dominated lands, what is your opinion on this?
Yes, it is the same God. In our liturgy we use Allah as well. It is a another way of seeing God, we see him as a family, as a trinity, while they see him as one, but basically it is the same. I am with Pope Francis.

Syrian refugees in Jordan
Also, the Pope’s recent visit to the Synagogue in Rome raised once more the issue of whether Christians should try to convert Jews or whether they already have a salvific covenant with God, and therefore there should not be specific missions to the Jews. What is your opinion, and what is the standard practice of the Latin Patriarchate in Jerusalem?
Firstly, we do not try to evangelize the Jews in Israel, it is very hard. Jesus himself tried, and he failed. Unless we evangelize by our witness, by our life.

Secondly, this famous document which was published on the 50th anniversary of Nostra Aetate, yes, they repeat more than 100 times that the covenant of God is irrevocable. The mere fact that they repeat it over 100 times means that they don't believe it.

When you have to insist on something so many times, there is something wrong. I understand that the west wants to repair the bad history with the Jews, but you cannot use the Bible as an instrument for political or historical issues.

If you go to the Bible, sure there is this sentence, but there are others which say the opposite.

It is a kind of Western theology, based on historical events and political events and psychological complexes, while theology, to be a true theology must be free, like the Holy Spirit, from any pressure here and there. So for me this is not really theology.

*His grace was previously archbishop of Tunis, and retains the references of archbishop.  

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Ainda os judeus: Nem todos os católicos pensam o mesmo

Na sequência do que tenho colocado neste blog sobre o problema teológico de saber se os cristãos devem ou não tentar evangelizar os judeus, coloco agora mais dois contributos para aprofundar a discussão. São contraditórios, o que apenas vem dar força ao título que escolhi para o post...

A primeira é um excerto da entrevista que fiz na semana passada ao padre Peter Stilwell, especialista em diálogo inter-religioso e ecuménico, a propósito da visita do Papa à Sinagoga de Roma.

Recentemente causou bastante discussão, e mesmo alguma polémica, um novo documento da Comissão para as Relações Religiosas com os Judeus. Surgiram logo órgãos de comunicação social a dizer que a Igreja estava a dizer que não é preciso converter os judeus. É assim?

Conheço o documento e essa expressão, dita dessa forma ou de outra, é correcta. 

A posição é que não se deve fazer proselitismo em relação aos judeus, e que deve haver diálogo, como é evidente, mas que deve haver respeito no sentido em que eles têm uma tradição que nós usamos quotidianamente na nossa liturgia para reflectir sobre a nossa tradição religiosa e temos muito que partilhar uns com os outros. 

Mas fazer uma evangelização dos judeus no sentido do proselitismo, de tentar transformar os judeus em cristãos, de uma forma de "pesca à linha", por assim dizer, é realmente uma posição que a Igreja não considera apropriada. 

Entretanto ontem entrevistei, a propósito de outro assunto, o vigário-patriarcal da Jordânia, o bispo Maroun Lahham. Coloco aqui a pergunta que lhe fiz sobre este assunto, no inglês original.

The Pope’s recent visit to the Synagogue in Rome raised once more the issue of whether Christians should try to convert Jews or whether they already have a salvific covenant with God, and therefore there should not be specific missions to the Jews. What is your opinion, and what is the standard practice of the Latin Patriarchate in Jerusalem?
Firstly, we do not try to evangelize the Jews in Israel, it is very hard. Jesus himself tried, and he failed. Unless we evangelize by our witness, by our life.

Secondly, this famous document which was published on the 50th anniversary of Nostra Aetate... Yes, they repeat more than 100 times that the covenant of God is irrevocable. The mere fact that they repeat it over 100 times means that they don't believe it. When you have to insist on something so many times, there is something wrong. 

I understand that the west wants to repair the bad history with the Jews, but you cannot use the Bible as an instrument for political or historical issues.

If you go to the Bible, sure there is this sentence, but there are others which say the opposite.

It is a kind of Western theology, based on historical events and political events and psychological complexes, while theology, to be a true theology must be free, like the Holy Spirit, from any pressure here and there. So for me this is not really theology.

Ver também: 

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Fiambre ameaçador e Deus no manicómio

Grande ameaça militar
O Papa celebrou hoje missa de Corpo de Deus, em Roma. Pediu cristãos firmes na fé, como os perseguidos e mártires, mas deixou também uma opinião sobre o que a Eucaristia é e o que não é… Não é a primeira vez que o Papa expressa esta opinião, mas é natural que alguns a leiam como uma “dica” para o sínodo. Cada um que tire as suas conclusões.


Francisco está, entretanto, quase de partida para a Bósnia. É já no sábado que o Papa viaja para uma visita de apenas um dia a um Estado ainda dividido e com feridas abertas pela guerra.

Mas passemos a assuntos verdadeiramente importantes. Um soldado israelita foi condenado a 11 dias de prisão por entrar no quartel com… Uma sandes de fiambre. Se os iranianos ouvem isto, é fim!

E por falar em loucuras, o actor Miguel Borges passou três semanas dentro de um manicómio, por causa de um documentário, e afirma que “O Conde Ferreira é um manicómio, mas é o sítio no mundo onde existe mais amor. Ali existe Deus”.

Por fim um alerta para quem vive em Lisboa e arredores. No dia 10 de Junho, feriado, estarei na Feira do Livro de Lisboa entre as 16h e as 18h, na banca da Alêtheia. É uma oportunidade para pedir uma dedicatória no meu livro “Que fazes aí fechada?”, ou simplesmente para conversar um bocadinho. Apareçam e levem amigos.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Do Burke ao Burkina Faso, passando pelos arameus

Futuro presidente do Burkina Faso?
Não queriam mais nada, não?!
Peço desculpa pela minha ausência, mas nos últimos dois dias estive no terreno a fazer reportagens por causa da legionella.

Mas o mundo da religião não parou! No fim-de-semana confirmou-se a dança de cadeiras no Vaticano, com a saída prevista do Cardeal Burke, herói dos conservadores.

No domingo começou a semana de oração pelos seminários. Fomos conhecer o seminário do Porto e a história do homem que confundiu liberdade com libertinagem até que uma “queda de cavalo” o projectou para o seminário.

O Papa recordou o fim do muro de Berlim no Domingo e esta quarta-feira rezou também pelos estudantes mexicanos que, tudo indica, foram assassinados de forma grotesca.

Na segunda-feira Francisco criou uma nova estrutura para lidar com recursos de casos de abusos sexuais e outros, muito graves.

Não é o Cardeal Burke, mas o Cardeal do Burkina Faso. É popular no seu país e por isso ofereceram-lhe a presidência. Ele agradece, mas diz que não está interessado.

A fé e a ciência são incompatíveis? O vencedor da medalha Carl Sagan de 2014 acha que não. Deve saber, porque para além de ser astrónomo é jesuíta. Quem também acha que não é Robert Royal, do The Catholic Thing, que no interessante artigo desta semana explica porque é que os católicos nunca rejeitaram a ciência e a razão.

Israel reconheceu uma nova etnia entre os seus cidadãos. Os poucos que se consideram “arameus” são todos cristãos. Mas a decisão está a ser encarada como polémica. Estará Israel a tentar dividir a comunidade árabe?

E por falar em cristãos no mundo árabe, temos a transcrição integral da entrevista que fiz a semana passada ao arcebispo libanês Issam Darwish, que fala da situação política e social dos cristãos no seu país, incluindo as alianças partidárias com o Hezbollah. A notícia original está aqui.

Termino com um convite. Quem estiver interessado em fazer a consagração total a Nossa Senhora pode fazê-lo em Lisboa ou em São João do Estoril. Já não vão a tempo da primeira reunião, mas quem sabe diz-me que isso não deve ser impeditivo.

Datas previstas para a Paróquia de S.Pedro
e S.João do Estoril (sábado às 15h30)
08 nov
13 dez
10 jan
14 fev
14 mar
11 abr

Datas previstas para a Basílica 
dos Mártires (Chiado) – (5ªfeira às 19h00)
13 nov
18 dez
15 jan
19 fev
19 mar
16 abr

quarta-feira, 30 de julho de 2014

Vontades inquebráveis em Gaza e justos no Iraque

E não esqueçam!!!
Hoje temos uma edição quase totalmente médio-oriental…

Gaza continua debaixo de fogo, por isso falei com os directores de duas agências católicas que socorrem os habitantes daquela região da Palestina, onde a Igreja se recusa a abandonar os civis à sua sorte.

O padre Raed, da Cáritas, diz que o poderio militar israelita não poderá quebrar a vontade do povo palestiniano, e Matt McGarry fala de uma situação “horrível, que está a piorar”, como podem ver nas transcrições completas das entrevistas, no blogue.


Por ser quarta-feira temos também artigo novo do The Catholic Thing. David Warren fala do sofrimento dos cristãos no Iraque, mas não esquece os muçulmanos que tudo têm arriscado para salvar os seus vizinhos perseguidos. Uma excelente perspectiva do problema.

Por fim, e para dar um toque mais português, uma notícia sobre os alunos da Católica que mudaram a vida dos habitantes de “Vale de Papas”.

"Israel can't keep controlling the will of a nation"

Father Raed greeting Pope Francis.
(From Fr. Raed's Facebook page)
Full transcript of my interview with Fr. Raed Abusahlia, head of Caritas Jerusalem, about the situation in Gaza. The news item, in Portuguese, can be found here.

Transcrição completa da entrevista com o padre Raed Abusahlia, dirigente da Cáritas Jerusalém, sobre a situação em Gaza. A reportagem pode ser lida aqui.

Whjat is the situation on the ground?
The situation in Gaza has been dramatic for 24 days. Escalation from both sides, huge damages to properties, but most important are the human casualties from both sides. Unfortunately we have had more than 1250 Palestinians from Gaza who were killed. Most are innocent people, women, children and old people. More than 7000 people were injured. More than 250.000 people who evacuated their homes and are living in the UN schools, so it is a huge humanitarian crisis and at the same time, from the Israeli side, there are casualties, mainly among the army and soldiers, with more than 55 soldiers killed. And the whole Israeli society is under fear and they are terrorized.

So our position is very clear. This should stop and end as soon as possible, to save more lives, mainly among innocent people.

Have the staff at Caritas in Gaza been able to do their job?
We work in Gaza since 1990, mainly in the medical field. We have a medical center in Al Shati refugee camp and we have a mobile clinic working in six different localities in the Gaza Strip.

Now the mobile clinic cannot move, but we work in our medical center and we are receiving a lot of casualties, especially children, who are transferred to our center from the UN schools.

Then we have an immediate intervention, working with the displaced people who are living in the two schools which belong to the Catholic and Orthodox church. We have 1100 people in the Holy Family Catholic Church and 1900 in the Orthodox School. So Caritas Jerusalem is providing them with food, daily meals, milk, gasoline, for over 1 week, and we will continue doing that.

We hope that someday, after the end of this conflict and the war, we will be able to have a long term intervention, because we launched an emergency appeal through our partners in Caritas Internationalis, and thank God we had a good response from many friends all over the world.

We will intervene in three directions. The first is food distribution for 3000 families, distribution for 3000 families in medical supplies for our center and three other medical centers in Gaza, including Al-Ahli Hospital, which is run by the Anglican church. So we have a huge responsibility and work to do.

The 14 members of our staff are working hard, day and night, and sometimes risking their lives. Hopefully they will remain safe.

You mentioned The Holy Family Catholic Parish in Gaza. I have seen news that it was hit by Israeli bombing. Can you confirm this?
Our parish of the Holy Family is located in the Al-Zeitoun quarter, which has been under attack for over 1 week, with bombardments from all sides. So the situation is severe and critical. The population of the quarter received messages from the Israeli army asking everybody to evacuate, but our Parish priest, who is Argentinean, did not want to evacuate the Church and the school because they also have the sisters of Mother Theresa who are taking care of 28 Handicapped people and nine old people. So the question is, if they leave, where do they take all these people? For this reason they prefer to remain there.

The Israeli jets bombarded the surrounding houses in the last few days, and these houses were completely destroyed. Due to the explosions, the windows of the School and the Church were broken, but it was not targeted directly, but there were damages due to the surrounding buildings, which were destroyed.

Are you from Gaza?
No, I am not. I am based in Jerusalem at the moment, but originally from the West Bank and also the Parish priest of Ramallah and general director of Caritas, but I was in Gaza recently and already the situation was dramatic, but now it is worse.

This conflict is between Israel and Hamas, because al-Fattah is not involved. Do the Christians in Gaza feel at all represented by Hamas? Are they tired of Hamas? What is the relationship like?
Firstly you have to know that the Christian population in the Gaza Strip is very, very small. They are only 1300 people, around 300 families, and we can say that their numbers decreased over the last 10 years, due to the occupation and the siege. They are really tired. But we can say that the relationship is good, we can't say they are persecuted, because at the end of the day they are Palestinians and part of the Palestinian people. They are Christians, Arabs and Palestinians, like their brothers and sisters who are Arabs, Palestinians and Muslims. But they are tired of the whole situation.

My opinion is that if the siege could be lifted and the crossing opened... if the conflict is not resolved I am afraid that many of them would leave to Egypt or Jordon, or come here to the West Bank, because they are tired.

For this reason, the best solution for everybody is that Israel and Hamas, under the umbrella of the Palestinian Authority, with this National Unity Government, sit down and negotiate and resolve the root cause of this conflict, which is the occupation, which should end as soon as possible.

There is no military solution to this conflict. Israel, with its military might can't keep controlling the will of a nation, of a people asking for their freedom. Of course, in the case of Gaza Strip, they have to lift the siege and at the same time open the crossing at both sides, the Egyptian side and the Israeli side, so that the people of Gaza can live a normal life.

If the crossings from both sides are under the control of the Palestinian Authority, with an International presence, the crossing and the borders will be controlled. Hamas will not have any excuse to dig these thousands of tunnels which are underground from both sides.

So we say, really, ending this conflict, putting Gaza under the Palestinian Authority with an International presence, is in the interest of Israel and the Israeli people.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Beijinhos e abraços na Terra Santa

(Clicar para aumentar)
O Papa Francisco está neste momento a despedir-se da Terra Santa, onde passou os últimos três dias. Está por publicar um artigo com 10 dos pontos altos desta viagem, que divulgarei amanhã, mas desta peregrinação destaco os seguintes:


O discurso do Rei Abdullah, da Jordânia, que chamou ao Papa “Consciência do mundo”.

O encontro ecuménico entre Francisco e o Patriarca de Constantinopla.

E por fim o momento esta manhã em que o Papa beijou as mãos a seis sobreviventes do Holocausto.

Leiam também a crónica de Aura Miguel sobre a viagem para a Jordânia, em que o Papa falou de Fátima.

A viagem termina, mas o Papa vai falar com os jornalistas a bordo do avião, de regresso a Roma, pelo que haverá certamente novidades ainda, já sabem que as poderão encontrar na Renascença.

Na próxima quinta-feira realiza-se um colóquio em Lisboa que não vai querer perder. Trata-se do primeiro evento do género dedicado a Chesterton (pelo menos de que eu tenha conhecimento…). Supostamente eu vou moderar uma das conferências, mas acabei de ser informado pelo obstetra da minha mulher que na quinta-feira os planos poderão ser outros, por isso não posso garantir a minha presença. Mas a não ser que estejam a ter filhos também, espero que consigam ir ao Auditório 2 da Universidade Católica a partir das 16h para ouvir João César das Neves, Tiago Cavaco, Pedro Picoito, Miguel Morgado e Zita Seabra, entre outros, a falar desta figura ímpar.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Ter filhos, sem medo!

Quarta-feira é dia de audiência-geral no Vaticano, o que com o Papa Francisco dá sempre muitas notícias. O Papa respondeu a todas aquelas pessoas que dizem admirar Cristo mas não gostar da Igreja, defendendo que isso não faz sentido.

1º Bravo!
2º Claramente Sua Santidade não conhece a minha filha mais nova…

Esta não é de hoje, mas ainda do Vaticano, o Papa propõe uma adoração eucarística simultânea em todo o mundo para o dia 2 de Junho, Domingo para o qual foi deslocado liturgicamente o Corpo de Deus, que se celebra de facto esta quinta-feira.

Lembram-se do musical Wojtyla? Foi um grande sucesso na altura e agora está de volta aos palcos, a começar por Porto e Braga. Está tudo aqui, não percam!

Polémica em Israel, com o Governo a aprovar o fim da isenção ao serviço militar para os ultra-ortodoxos. Mais pacífica é a descoberta, em Génova, daquele que poderá ser o rolo de Torá mais antigo do mundo!

Na Venezuela falta vinho de missa, imagine-se, e a Igreja teme que dentro dos próximos dois meses poderá esgotar mesmo. Alimento é o que não falta, porém, na tradição beneditina. O mosteiro de São Martinho de Tibães (hoje em dia património do Estado), vai lançar um livro de receitas tradicionais da ordem.

Por falar em clérigos e em alimentação, o artigo do The Catholic Thing desta semana fala do perigo da luxúria entre os religiosos e começa com esta história: Enquanto o noviço olha, pasmado, para os quartos aprumados, a mobília luxuosa e os plasmas caríssimos na parede do mosteiro, exclama: “Se isto é pobreza, que venha a castidade!”

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Dois anos de selecção, apartheid no Médio Oriente

The boys in yellow
É já hoje o lançamento do livro “Auto de Fé – A Igreja na Inquisição da Opinião Pública”, de Zita Seabra e o padre Gonçalo Portocarrero. Aura Miguel conversou com os dois para esta reportagem.


O Vaticano vai continuar a investigar a fuga de documentos secretos. Hoje foi publicada a sentença do ex-mordomo Paolo Gabrielle.

Ainda em Roma faz hoje dois anos que se formou a selecção de futebol do Vaticano. O saldo não é mau, quatro jogos, duas vitórias e duas derrotas.

Pelo Médio Oriente motivos de preocupação. Em Israel uma maioria de judeus parece convencida de que o Estado pratica apartheid, mas pior que isso, muitos pensam que é pouco.

No Irão são os Bahá’i que mais sofrem, mas a perseguição toca a todas as minorias religiosas, segundo as Nações Unidas.

Por fim um convite da Renascença para todos os interessados. É lançado na quinta-feira o CD “Missa Brevis” de autoria de João Gil. Aqui podem ouvir um excerto da música que vos deixará certamente com vontade ir à Igreja de São Roque no dia 25, às 18h30. Apareçam.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Médio Oriente com intolerância para todos os gostos!

"Nojento", Sr. Deputado, disse bem
A Síria está um atentado mais perto de guerra total. Entre as vítimas de hoje estava o mais alto representante cristão no Governo, o ministro da defesa. À medida que o conflito se agrava, também o factor religioso, de que já tinha falado aqui.

Entretanto um deputado israelita decidiu rasgar e deitar para o lixo um Novo Testamento, que apelidou de "nojento". Sim, porque é mesmo disso que o mundo precisa neste momento!

Como tínhamos avisado ontem, foi publicado um relatório sobre os esforços do Vaticano para tornar o seu banco mais transparente. Nada mau, mas falta fazer muita coisa, considera a MoneyVal.

Poderemos ter pastorinhos santos em 2017? Talvez, mas é difícil, diz a nova postuladora da causa de canonização, irmã Ângela Coelho.


terça-feira, 22 de maio de 2012

Todos fortes, todos diferentes



Os israelitas também são fortes e por isso mesmo não tencionam largar mão dos lugares santos de Jerusalém. Netanyahu diz mesmo que isso seria um “erro fatal”.


Na Irlanda querem-se fazer das fraquezas forças e criar um “Dia da Expiação” para pedir perdão às vítimas de abusos sexuais. A Igreja já disse que alinha… só é pena que a ideia tenha tido que partir de uma vítima.

E segundo os tradicionalistas bem precisamos todos de força, isto porque “O diabo está à solta”, e quer evitar a reintegração da SSPX na Igreja.

Finalmente, para quem não pôde ir à conferência de ontem de Peter Colosi, podem ver o vídeo no blogue, graças ao trabalho da Infovitae, que agradecemos. Força aí!

terça-feira, 6 de março de 2012

Festejos de Purim e tatuagens mágicas

Faz hoje anos D. Eurico Dias Nogueira, Arcebispo emérito de Braga, é o único bispo português ainda vivo que participou no Concílio Vaticano II. Por ele, realizava-se um terceiro.

Também hoje, aliás, já daqui a bocado, a Fundação Evangelização e Cooperação realiza um debate sobre a situação económica. Quem estiver para os lados do Chiado pode aparecer, é na Livraria Ferin, às 18h

Os judeus estão prestes a festejar o Purim. Nesta data recordam como triunfaram sobre os persas que os queriam aniquilar. Uma história… tão actual!

No Tibete mais duas mulheres auto-imolaram-se. Desde a publicação da notícia já foi mais um rapaz também. E já se ultrapassou as vinte vítimas…

Por falar em Budismo, cliquem aqui para ver uma faceta dessa religião que, aposto, a maioria não suspeitava que existia!

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Indiana Jones e os casamentos obstáculo


D. Robinson Cavalcanti, bispo anglicano
assassinado no Brasil
O Patriarca de Lisboa diz que a Igreja está “cansada” de casamentos que se tornam obstáculos à fidelidade cristã. Palavras interessantes que antecipam a catequese quaresmal do próximo Domingo.

Do Brasil vem a notícia do assassinato de um bispo anglicano e da sua mulher. Parece que o suspeito é o filho.

Na China novos confrontos entre muçulmanos de etnia Uigure e polícias. Doze mortos no total, sete dos quais polícias.

O “Indiana Jones” de Israel fez uma descoberta interessante. Já a teoria que está a tentar sustentar com base nela é… enfim… menos credível.

Porque hoje é quarta-feira temos novo artigo em português do The Catholic Thing. Este artigo toca novamente na questão do decreto de Obama sobre contracepção e menciona duas figuras formidáveis pela sua fé face a regimes tirânicos, um dos quais foi o Bispo de Múnster que criticou ferozmente os nazis e cuja história heróica merece ser conhecida.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Os enjoos de Rick Santorum e os amigos de Israel

O Patriarca de Lisboa e o Papa Bento XVI assinalaram ontem o primeiro Domingo da Quaresma. O primeiro, que ontem fez 76 anos, falou sobre o catecumenato e o segundo sobre o casamento.


Na Nigéria mantém-se o ataque aos cristãos. Três pessoas morreram durante um ataque suicida em Jos.


E por fim, em Israel o responsável pelos lugares santos católicos queixou-se ao presidente de uma onda de vandalismo contra locais cristãos. Faz tudo parte de uma campanha contra o desmantelamento dos colonatos judaicos.


A complexa relação entre cristãos e Israel

Este tema dava para um livro, ou vários, e por isso vou ser o mais sintético possível. O meu objectivo é elaborar aqui uma ‘mini guia’ para os leigos compreenderem alguns dos aspectos mais relevantes de uma relação complexa.

Embora o Estado moderno de Israel só exista há pouco mais de 60 anos, as relações entre este e as diferentes igrejas cristãs são influenciadas por muitos aspectos que antecedem a fundação do país. A isso deve-se somar a existência de diferentes igrejas cristãs, cada uma com os seus interesses estratégicos. E atenção que interesse, neste contexto, não tem obrigatoriamente que significar “interesseiro”.

Comecemos pelos “melhores amigos” de Israel. Em muitos casos estes não são apenas os judeus que vivem na diáspora, muitos dos quais até são bastante críticos do Estado Israelita, mas sim cristãos evangélicos. Isto é particularmente verdade nos Estados Unidos, onde estes cristãos têm maior expressão, influência e força, mas não é confinado à América.

Os Evangélicos americanos acabam por reflectir a posição genérica das diferentes administrações em Washington, mas as razões são mais complexas. Em alguns casos pelo menos, não digo que seja em todos, está em causa uma visão milenarista. A crença de que a existência de Israel enquanto Estado político independente é uma pré-condição necessária para se verificar o fim dos tempos e o regresso de Cristo em todo o seu esplendor.

Na maior parte esses cristãos acreditam que os judeus que agora tanto defendem serão condenados ao inferno por não terem aceite a salvação que vem de Cristo, por isso é uma amizade um tanto ou quanto estranha. Mas é palpável e não apenas moral. Um grande número de voluntários nas forças armadas de Israel (que aceita alguns estrangeiros) são cristãos evangélicos que sentem ser o seu dever preservar aquele país e defendê-lo dos seus inimigos. Mais importante que isso, contudo, é a ajuda financeira e política que este sector garante.

Fora da América o caso muda de figura. Na Europa, por exemplo, a situação é bastante diferente. Em alguns países mantém-se uma lamentável desconfiança dos judeus que se traduz em atitudes anti-Israelitas. Outras pessoas simplesmente não concordam com as políticas daquele Estado face aos palestinianos, o que não deve ser necessariamente confundido com anti-semitismo. Isto aplica-se tanto a cristãos como a não-cristãos, mas nos últimos tempos tem-se tornado particularmente a bandeira de uma certa esquerda radical, que é também anti-cristã, e por conseguinte tem empurrado alguns cristãos para o lado contrário.

Protesto anti-israelita na Grécia
 No plano oficial, porém, a atitude dos cristãos na Europa, sobretudo da hierarquia católica, rege-se pela linha orientadora do Vaticano que tem defendido consistentemente o direito à existência de Israel, aliado a uma defesa dos direitos dos palestinianos, o que se traduz na defesa da solução de dois estados para aquela região.

Do ponto de vista geopolítico e ideológico isto até poderá parecer estranho. Nos dias de hoje, não têm os judeus mais em comum com os cristãos face à ameaça comum que representa um Islão em expansão? Talvez. Note-se que a nível de diálogo inter-religioso, por exemplo, o Judaísmo é tratado de forma diferente do que o Islão, em reconhecimento dessa maior proximidade.

Contudo, e aqui chegamos ao aspecto mais importante, há que recordar o factor dos cristãos árabes. Uma boa percentagem da população palestiniana é cristã, tanto nos territórios ocupados (onde está a diminuir), como em Israel propriamente dito, onde são cerca de 10% da população palestiniana.

Tradicionalmente estes cristãos palestinianos eram tão ferozmente anti-israelitas como os seus compatriotas árabes. George Habash e Nayef Hawatmeh, por exemplo, dois dos pioneiros da luta armada contra Israel, eram ambos cristãos.

George Habash, cristão e pioneiro da luta armada palestiniana

Esta tendência alarga-se ao resto do mundo árabe. Geralmente os cristãos árabes são anti-israelitas e culpam o conflito israelo-árabe pela instabilidade geral da zona que acaba por desembocar em perseguições anti-cristãs. Esta atitude ficou bem vincada no último sínodo para os bispos do Médio Oriente, por exemplo.

Compreende-se por isso que a Igreja Católica, uma vez que muitos destes cristãos árabes são católicos, tenha que manter um, por vezes difícil, equilíbrio entre uma maior proximidade ideológica com os israelitas democráticos e ocidentalizados, sobretudo reconhecendo uma dívida para com o povo judaico, fruto de séculos de perseguição, e a defesa de alguns direitos elementares de justiça e dignidade para os palestinianos, muitos dos quais são cristãos. Nem sempre é um jogo fácil de jogar e as relações diplomáticas entre a Santa Sé e Israel são tensas.

Por fim, temos o factor grego e russo. Aqui sente-se de forma particular o peso da história. Recordemos que até à Primeira Guerra Mundial toda a Terra Santa pertencia ao Império Otomano, a grande potência do mundo islâmico.

Havia cristãos em vários territórios do Império Otomano, que viviam com uma boa dose de liberdade, incluindo na Terra Santa. Entretanto, não esqueçamos que o Patriarcado de Constantinopla se encontrava sedeada precisamente na capital deste mesmo Império.

Clérigos ortodoxos gregos em Jerusalém
 Aos olhos dos Otomanos os cristãos ortodoxos, fiéis ou a Constantinopla ou a Moscovo, mas não a Roma, eram de maior confiança que os católicos, que mais facilmente podiam ser encarados como “agentes” dos países ocidentais. Os ortodoxos ganharam bastante com isso e a sua presença no Império era mais bem tolerada. Na Terra Santa isso ainda hoje se faz sentir. O Patriarcado Ortodoxo Grego de Jerusalém é ainda hoje o maior detentor de terras em Israel, possuindo por exemplo o terreno no qual está construído o Knesset, o parlamento israelita.

Ao mesmo tempo os Russos investiram muito dinheiro em Jerusalém, construindo inúmeros mosteiros, albergues para os seus peregrinos e outras coisas, estabelecendo uma significativa presença na Terra Santa.

As boas relações que tinham com o Império Otomano chegaram ao fim com a guerra e não são as mesmas com o Estado de Israel. Por um lado os ortodoxos e os judeus têm obrigatoriamente que se entender, mas por outro da parte dos ortodoxos não existem as mesmas atenuantes que há em Roma para moderar a desconfiança ou mesmo ódio que os fiéis árabes sentem pelo Estado Judaico.

Uma última nota para recordar que tudo isto está em permanente mudança, é natural que assim seja quando depende de tantos factores. Por exemplo, o aumento do fundamentalismo islâmico no Médio Oriente, e na Palestina em particular, poderá empurrar muitos cristãos árabes para o colo de Israel. Outro factor é demográfico. Com o crescente êxodo de cristãos árabes vai diminuindo a influência das suas comunidades no Médio Oriente e isso também pode ter os seus efeitos.

Filipe d’Avillez

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

As fugas no Vaticano, baronesas muçulmanas na Santa Sé

Hoje é Quarta-feira, logo há um novo artigo de The Catholic Thing no blogue. Robert Royal analisa a “guerra” entre Obama e os bispos católicos, e não poupa o Presidente.

D. Jorge Ortiga alertou hoje para o risco de “ruptura social”, por causa da crise. Ontem, na mesma linha, D. José Policarpo pediu aos católicos para serem “voz de esperança”.

Fartos de fugas de informação, a sala de imprensa da Santa Sé emitiu um comunicado em que diz que o objectivo é desacreditar os responsáveis da Igreja. O alvo poderá mesmo ser o Cardeal Bertone, como já tinha indicado aqui.

Ainda pelo Vaticano, está lá uma delegação britânica chefiada por uma baronesa muçulmana que ontem fez fortes críticas ao secularismo militante.

Os Kachin (na foto), que são uma minoria étnica cristã no Myanmar, estão a ser duramente perseguidos pelo Governo.

O que nos vale é que alguém se lembrou de vender terra do Muro das Lamentações no eBay. (O rabino responsável pelo local não está contente!)

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