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quarta-feira, 10 de maio de 2017

Mistérios de Fátima

Howard Kainz
A Ignatius Press publicou recentemente o livro “Fatima Mysteries; Mary’s Message to the Modern Age”, de autoria de Grzegorz Górny e Janusz Rosikon. Trata-se de um livro de grandes dimensões, de capa dura, com 400 páginas e mais de mil fotografias a cores, pinturas e cartazes, entre outros.

Apenas mais um livro sobre Fátima? Os factos principais sobre as aparições de Nossa Senhora em Fátima em 1917 já são bastante conhecidos e contidos em livros como “Fatima for Today” do padre Andrew Apostoli e o clássico “Our Lady of Fatima” de William Walsh, entre outros.

Esta semana assinalamos os 100 anos das aparições, mas a verdade é que “Fátima Mysteries” vai muito mais longe, dando-nos contexto e detalhes históricos, bem como um grande número de efeitos e eventos corolários e interligados, até hoje. A Primeira Guerra Mundial e o seu efeito sobre Portugal, a revolução de Outubro na Rússia bem como os movimentos anticatólicos como a Maçonaria, e outros, fornecem o pano de fundo para a aparição de Nossa Senhora às três crianças em Fátima.

O aviso em Fátima sobre a Segunda Guerra Mundial, o grande esforço dos Papas em lidar com as catástrofes humanas e os terríveis massacres e atrocidades levados a cabo sob a bandeira da “irmandade” comunista são descritos juntamente com os esforços contínuos da irmã Lúcia para convencer o mundo a utilizar os remédios oferecidos pela Virgem, bem como de tentar convencer os Papas a consagrar a Rússia, como tinha sido pedido, ao Imaculado Coração de Maria.  

O Papa Pio XII deu alguns passos, incompletos, para fazer esta consagração e houve desenvolvimentos dramáticos durante a década de 60 no Vaticano II, com centenas de bispos que defendiam a consagração da Rússia a serem marginalizados pela Ostpolitik do Vaticano para com a União Soviética e pela presença de hierarcas ortodoxos russos que tinham sido convidados para observar os trabalhos.

Finalmente João Paulo II, depois de consultar com a Irmã Lúcia, de ter trabalhado com movimentos políticos na Polónia e de se ter juntado ao Presidente Reagan para enfraquecer a mão dos soviéticos concluiu a consagração, depois de ter considerado que Maria interveio para o salvar de uma bala num atentado à sua vida.

A Consagração aconteceu quando os soviéticos estavam a planear um ataque à Europa, depois de o Reino Unido, a Alemanha, Itália, Holanda e Bélgica terem aceite mísseis americanos de médio alcance, em 1983. Mas no dia 13 de Maio, depois da consagração, ocorreu um acidente na base naval de Severomorsk que destruiu a maioria dos mísseis antiaéreos lá guardados, deixando a Frota do Norte soviética sem capacidade de ataque.

O “Fatima Mysteries” também nos dá a conhecer alguns dados e factos que são desconhecidos da maioria. Alguns dias depois do grande Milagre do Sol em Fátima, São Maximiliano Kolbe conseguiu finalmente estabelecer a Militia Immaculata, dedicada a evangelizar o mundo enfatizando de forma especial a consagração a Maria.

Entretanto, enquanto os jornais à volta do mundo se deslumbravam com notícias falsas sobre a vida debaixo do regime comunista, descrita como um paraíso dos operários, o pintor espanhol Salvador Dali recebia a encomenda do Apostolado Mundial de Fátima para pintar a visão do inferno vista pelos três pastorinhos, acabando por regressar à sua fé católica.

Activistas devotos a Fátima na Áustria conseguiram a retirada de forças soviéticas daquele país e ao mesmo tempo que o Papa João Paulo II fazia a consagração de 1984 em Roma o bispo Pavel Hnilica, que tinha viajado trajado à civil para o Kremlin, unia-se a ele, juntamente com o padre Leo Maasburg, na Igreja de São Miguel Arcanjo, em Moscovo, repetindo depois a consagração na Igreja da Dormição de Nossa Senhora. Recorrendo a hóstias, água e vinho escondidos em garrafas de aspirina, ele e o padre Maasburg conseguiram celebrar missa, disfarçados detrás de um exemplar do jornal soviético “Pravda”.

Estes são apenas alguns exemplos de ocorrências históricas que os autores interligam com a mensagem de Fátima, classificando-as como “mistérios” de Fátima, orquestradas pela providência divina. Mas não posso deixar de referir outros factores que me parecem misteriosos, ou pelo menos intrigantes:

A identidade do anjo que apareceu a Lúcia, Jacinta e Francisco antes das aparições de Nossa Senhora. Na Primavera de 1916 ele identifica-se como o “Anjo da Paz”, mas no Verão já se apresenta como “Anjo de Portugal”. O padre Andrew Apostoli e outros autores referem-se a isto como a segunda visita do primeiro anjo, mas não devíamos distinguir entre os dois?

Nossa Senhora assegurou a irmã Lúcia de que Portugal jamais “perderia a Fé”. Mas estimativas recentes de participação na missa dominical em Portugal rondam os 20% e o país, juntamente com outros da União Europeia, legalizou o aborto, bem como o divórcio e casamento gay. Isto parece problemático e a própria irmã Lúcia confessa preocupação com a Fé de Portugal no seu livro: “Se Portugal não aprovar o aborto estará seguro, mas se o aprovar então terá muito que sofrer”.

Durante a aparição de Maio, Lúcia perguntou a Nossa Senhora sobre duas amigas que tinham morrido, Maria e Amélia. Nossa Senhora respondeu que Maria estava no Céu, mas que a Amélia estaria no purgatório até ao fim do mundo. O padre Apostoli comenta que a Amélia, tinha entre 18 e 20 anos quando morreu “em circunstâncias envolvendo comportamento imoral”.

Até o primo de Lúcia, Francisco, de 10 anos, teria de “rezar muitos terços” antes de entrar no Céu. Este tipo de admoestações levarão muitos de nós a questionar como conseguir atingir o estado de purificação necessária para evitar o purgatório.

Por fim, consideremos os comentários misteriosos de Nossa Senhora que terá dito a Lúcia: “Ela sublinhou que o milagre cientificamente ‘impossível’ de 13 de Outubro de 1917 teria sido ainda maior”, não fosse a falta de fé. Parece-me praticamente impossível imaginar um milagre maior do que o sol a girar e a aproximar-se da terra.

Mas, escusado será dizer, o maior mistério associado a Fátima é a prevista conversão da Rússia que, no mínimo, é ainda um trabalho por concluir. 


Howard Kainz é professor emérito de Filosofia na Universidade de Marquette University. Os seus livros mais recentes incluem Natural Law: an Introduction and Reexamination (2004), The Philosophy of Human Nature (2008), e The Existence of God and the Faith-Instinct (2010)

(Publicado pela primeira vez em The Catholic Thing no domingo, 7 de Maio de 2017)

© 2017 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte:info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing

quarta-feira, 8 de março de 2017

Diferentes Tipos de Cruzes

Howard Kainz
Já várias vezes ouvi pessoas a falar das suas vidas e a dizer coisas do género “não mudaria nada, faria tudo igual”.

Fico sempre espantado com estas afirmações. Penso nas minhas experiências, nas listas e de prós e contras que fazia quando confrontado com grandes decisões (frequentemente com o mesmo número de prós e contras) e os arrependimentos que às vezes se seguiam aos meus erros e/ou pecados.

Quando rezo pelas Pobres Almas do Purgatório imagino-as a sofrer pelas consequências das suas más escolhas, talvez desejando poder voltar atrás para remediar esta ou aquela decisão. Mas infelizmente o tempo só flui para a frente, não se pode voltar atrás.

Sei que a minha forma de ver estes assuntos tem a ver com o meu temperamento. No livro “Variedades de Experiências Religiosas” William James explica que há dois tipos opostos de personalidade – os “nascidos uma vez” e os “nascidos segunda vez”. Os “nascidos uma vez” são os crentes que caminham ao longo daquilo que consideram ser um caminho recto, que estão geralmente satisfeitos com as suas vidas e não têm arrependimentos. Já os “nascidos duas vezes” são mais introvertidos, insatisfeitos com eles mesmos e/ou com o mundo, experimentando desejos conflituosos, chegando por vezes a uma experiência de conversão e “renascendo” para um estado de maior felicidade.

Em relação às cruzes – fardos nossos ou dos outros que temos de carregar – penso que existe uma divisão parecida:

1) Há muitos indivíduos que são inocentes mas que todavia são afectados por cruzes pesadas, como doenças genéticas, maus-tratos, rejeição devido a um desfiguramento ou impedimento de fala ou que são perseguidos por seguirem firmemente as suas consciências em vez da multidão.

2) No outro extremo há aqueles cujas cruzes são fruto das suas próprias acções: um recluso a cumprir uma longa pena por causa de uns breves momentos de paixão ou de vingança; uma mulher carrancuda, casada com um malandro alcoólico devido a uma paixoneta de juventude ou por ter dado o nó irreflectidamente; um homem ligado a um grupo de sócios corruptos por causa da ambição e da ganância da juventude; ou alguém de meia-idade a lidar com as debilidades de um corpo enfraquecido pelo abuso de drogas, álcool ou excesso de alimentação, etc.

Infelizmente os que encaixam neste grupo não podem propriamente perguntar “como é que Deus me fez isto?” ou “porque é que Deus me envia estas cruzes?”, porque sabem muito bem como é que chegaram a este ponto e que não podem voltar atrás para “dar o passo certo”.

Cruzes para todos os gostos
Mas tanto eles como nós podemos ter a certeza de que Deus está sempre disposto a ajudar-nos, seja pela reforma, pelo redireccionamento ou pela aceitação paciente. O simples reconhecimento do poço que cavámos para nós próprios pode ser um catalisador para a redenção e para a santidade. A lista de grandes santos que seguiram este caminho já vai longa.

Claro que a maior parte de nós encontra-se algures entre estes dois extremos.

Mas se nos fosse dado escolher as nossas cruzes, o melhor seria sempre optar pela que Jesus nos oferece: “Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração e encontrareis descanso para o vosso espírito. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve” (Mt. 11,29). Mais especificamente, o tipo de cruz que o Senhor promete dar-nos, adequados às nossas fraquezas, que não se fazem acompanhar de ansiedade, ressentimento ou a sensação de futilidade, mas que dão descanso às nossas almas.

Carregar as cruzes pelas quais não somos responsáveis até pode traduzir-se em deleite, como quando os apóstolos regozijaram “por terem sido considerados dignos de sofrer vexames por causa do Nome de Jesus” (Actos 5,41); ou então na serenidade do “pequeno caminho” de Santa Teresa de Lisieux, aturando simplesmente as dores, doenças, irritações ou mesmo hostilidades do dia-a-dia, “oferecendo-as” a Deus.

Se não for assim tão inocente e estiver com vontade de fazer penitência pelos seus pecados, talvez a melhor abordagem seja aquela que foi dada por São João Baptista quando os pecadores lhe perguntaram o que deviam fazer, como lemos em Lucas 3, 12-14. Aos cobradores de impostos disse para cumprirem os seus deveres e não cobrarem demais; aos soldados disse para se satisfazerem com os seus ordenados, evitarem a extorsão e não acusar falsamente – por outras palavras, cumpram os vossos deveres, não utilizem força desnecessária e respeitem os outros. Não estamos perante actos dramáticos de penitência, mas apenas progressos diários e conscientes.

Estes conselhos foram repetidos à Irmã Lúcia dos Santos, a vidente de Fátima, que se tinha tornado freira e queria responder às questões que recebia sobre que género de penitência Deus estava a pedir para o Século XX. Em 1945 Nosso Senhor apareceu a Lúcia e clarificou: “O sacrifício que se pede a cada um é o cumprimento dos seus deveres na vida e a observância da Minha Lei. Esta é a penitência que procuro e quero”.

Não há como evitar as cruzes. Mas sejam elas o tipo que trazemos sobre nós mesmos ou os que não pedimos, o mais relevante para nós são os conselhos do Baptista e de Jesus, via Lúcia.

Se tivéssemos o privilégio de ver um panorama espiritual do mundo, provavelmente ficaríamos espantados com a quase infinita variedade de cruzes que existem, muitas merecidas, muitas imerecidas. Talvez compreendêssemos que as pessoas que estão em melhor posição para compreender as cruzes de outros são as que carregam cruzes semelhantes.

Talvez nos traga consolo ouvir um “eu compreendo” genérico, mas é diferente alguém dizer-nos “sim, já estive na mesma situação, nisso somos iguais”.

Também pode ser útil recordar que, na misteriosa economia da salvação cristã, os sofrimentos que suportamos podem, de alguma forma, assegurar a salvação de outros, provavelmente pessoas que nem conhecemos.

Seja como for, esperemos e esforcemo-nos durante esta Quaresma para que a maioria das nossas futuras cruzes sejam “feitas à medida” e não o género que criamos para nós mesmos por causa dos nossos erros.


Howard Kainz é professor emérito de Filosofia na Universidade de Marquette University. Os seus livros mais recentes incluem Natural Law: an Introduction and Reexamination (2004), The Philosophy of Human Nature (2008), e The Existence of God and the Faith-Instinct (2010)

(Publicado pela primeira vez em The Catholic Thing no sábado, 4 de Março de 2017)

© 2017 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte:info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Prefácios papais

O Papa Francisco com o autor do livro que agora prefaciou

Já há mais detalhes sobre a visita do Papa Francisco a Fátima, que podem conhecer aqui. A propósito dessa visita, o Santuário divulgou números. Só me 2016 foram mais de cinco milhões de pessoas que visitaram.

Na Renascença temos também uma entrevista ao bispo de Fátima que admite que era céptico em relação ao fenómeno das aparições, mas que se converteu desde que assumiu as suas funções.

A semana passada divulguei duas notícias sobre o padre Timothy Radcliffe. Hoje dou-vos a oportunidade de ler a transcrição integral dessa entrevista, no inglês original. Vale sempre a pena aprofundar.

Depois das novidades que surgiram recentemente sobre o processo de canonização dos pastorinhos, o reitor do santuário admitiu, na sexta-feira, que não espera mais novidades antes do final do ano. Já do processo da irmã Lúcia há boas-novas, terminou a fase diocesana, com o bispo a elogiar o rigor.

Do Paquistão temos notícias tristes de atentados e da Guarda a notícia peculiar de dois irmãos detidos na posse de armas e de um exemplar do Alcorão. Os luso-descendentes admitem terem-se convertido ao Islão, mas ao que parece não têm ligações a grupos extremistas.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Lúcia e Fernanda, duas irmãs, duas causas

Irmã Fernanda
A Obra Católica das Migrações pede mais disponibilidade para acolher refugiados em Portugal, numa altura em que o Papa recorda a quantidade de vezes que Deus nos pede, na Bíblia, para acolher migrantes e estrangeiros.

A beatificação da Irmã Lúcia está agora nas mãos de Roma, tendo já terminado a fase diocesana. A postuladora da causa não acha que haverá novidades no ano do centenário das aparições.

Conheça a história da irmã Fernanda, cuja esclerose lateral amiotrófica não impediu de continuar a trabalhar em prole dos outros. Foi o que a levou a ganhar o Troféu Português do Voluntariado.

A Cáritas de Coimbra promove uma campanha para ajudar mulheres de etnia cigana.

Podem ler aqui a transcrição integral da entrevista que fiz semana passada ao líderda Ordem de Malta em Portugal, sobre a polémica que opõe a ordem à Santa Sé. D. Augusto de Athayde manifesta esperança numa solução que agrada a todos.

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Conselhos da Irmã Lúcia e conservadores na encruzilhada

Sobrinha da irmã...
Uma sobrinha da irmã Lúcia revela o conselho que a sua tia lhe deixou. Clique para saber qual é, mas não espere grandes surpresas!

Esta manhã em Roma o Papa Francisco afirmou que uma sociedade que se torna indiferente ao sofrimento é uma sociedade cega.

O massacre da Flórida continua a dar que falar. Obama atacou Trump por este ter tentado aproveitar o atentado para promover as suas causas, isto apenas dois dias depois de Obama ter usado o atentado para promover as suas causas… Política. Entretanto a mulher do assassino pode vir a ser acusada, uma vez que, ao que parece, tinha conhecimento dos planos do seu marido.

Por falar em Trump, o fenómeno tem levado muitas pessoas a compreender finalmente que os conservadores não são todos iguais. Neste artigo do The Catholic Thing, Francis Beckwith divide o movimento entre os que limitam o seu conservadorismo ao mercado e os que são conservadores em termos de valores morais. Estamos numa encruzilhada, diz o autor, e é preciso decidir que vai tomar as rédeas… O artigo diz directamente respeito à realidade americana, mas aplica-se também à Europa e a Portugal.

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