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sexta-feira, 2 de agosto de 2019

Tomem lá esta celebração




Em Fátima já começaram as férias para famílias com filhos deficientes. É um projeto fantástico e muito generoso, que tem tido cada vez mais sucesso.

O Papa Francisco pede que se reze pelas famílias durante o mês de Agosto. E por falar em família, que dizer desta campanha de um grupo holandês? (Ver foto). Querem festejar o facto de haver cada vez menos bebés a nascer em Portugal (e não só). Fui lá com a minha família para mostrar um festejo tradicional português.


Agora o Actualidade Religiosa vai de férias. Continuarei a publicar os artigos do The Catholic Thing às quartas-feiras e a partilhar informação no Twitter e Facebook.

quinta-feira, 6 de junho de 2019

De Pothoven a Putin

Está muita gente a falar do caso de Noa Pothoven, uma menina de 17 anos que escolheu deixar de comer e de beber até morrer, com a conivência dos pais. É um caso muito triste, analisado aqui pela especialista em bioética Ana Sofia Carvalho.

Outro caso triste é o dos Estados Unidos, de onde surgiram mais dados sobre o bispo Bransfield, que resignou em setembro do ano passado. Para além de abusos e assédio sexual, é acusado de ter feito donativos no valor de 300 mil euros a vários bispos influentes, para promover a sua própria carreira.

Soube-se agora também de casos de abusos na comunidade Taizé.

O Papa Francisco vai receber no dia 4 de julho o Presidente Vladimir Putin. Será um prenúncio de uma tão desejada visita a Moscovo?


Há muito que estou convencido que se aprendêssemos a lidar melhor com a morte, acabaríamos a tratar melhor dos vivos. Randall Smith, no artigo desta semana do The Catholic Thing em português, vai ao cerne da questão e explica porque é essencial que a Igreja volte a conquistar o seu lugar de destaque em relação à morte e cerimónias fúnebres.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Dérbis há muitos, nenhum é como este

A Renascença estreia hoje uma nova grelha e foi para mim uma grande honra ser o autor da primeira grande reportagem a passar no dia da inauguração. Numa semana em que tanto se fala de dérbi, convido-vos a conhecer o dérbi mais improvável do mundo. Opõe cristãos de tradição siríaca/assíria, oriundos do Médio Oriente, mas que vivem na Suécia… Só visto, e lido. Espero que gostem, pois deu-me imenso prazer fazer.

Por falar em Médio Oriente, o Papa Francisco encontra-se em Abu Dhabi. Ainda agora acabou de falar num encontro inter-religioso, em que disse que ou se constrói o futuro em conjunto,ou não haverá futuro de todo. Ontem, antes de partir, rezou de forma especial pela paz no Iémen, um conflito esquecido por muitos, em que quem mais sofre continuam a ser as crianças.

Na Holanda chegou finalmente ao fim a maratona religiosa em defesa da família Tamrazyan. Batei e abrir-se-vos-á… Os cristãos holandeses bem bateram, e a família viu abrir-se a porta.

Nota ainda para o facto de o Papa ter enviado flores às religiosas do Vaticano e para a descoberta de uma capela quinhentista em Cabo Verde.

Em anexo mando o convite para a Caminhada de Namorados e Casais Novos promovida pela Pastoral da Família do Patriarcado de Lisboa e deixo-vos com o convite para ler o artigo da semana passada do The Catholic Thing sobre a importância do latim para a civilização ocidental.



sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Maratona religiosa pelos arménios


Hoje é dia de Santo André e o Papa, como é costume, escreveu uma carta ao Patriarca de Constantinopla em que volta a sublinhar o seu desejo de plena comunhão entre católicos e ortodoxos. A união entre os próprios ortodoxos é que está complicada por estes dias.

Na Holanda está a decorrer uma maratona de celebrações religiosas, de diferentes confissões, numa igreja protestante. O objetivo é impedir a deportação de uma família para a Arménia.

Foi descoberto um documento cristão no Japão que data dos tempos da pior perseguição naquele país.

Começa na segunda-feira um curso online sobre “A Missa Explicada”, que promete ser do maior interesse para quem gosta de aprofundar o seu conhecimento nestas áreas.

Publiquei esta sexta-feira no blogue a transcrição integral da minha conversa com o Pe. Tomás Halík. Aconselho a sua leitura!


E deixo-vos ainda com o link para um site chamado Livres para Amar, que pode ser de interesse para cristãos que procuram conciliar a sua fé com uma atração por pessoas do mesmo sexo. Não tenho nada a ver com o site, mas este é um assunto que me interessa, por isso se tiverem comentários a fazer agradeço que me os façam chegar.

terça-feira, 26 de junho de 2018

Dois novos arcebispos, um Tolentino e um Coelho

O bibliotecário...
Foi um dia de grandes novidades para a Igreja em Portugal, com duas nomeações episcopais.


E numa notícia ainda mais surpreendente, o Papa nomeou o padre José Tolentino Mendonça bibliotecário e arquivista do Vaticano, elevando-o a arcebispo. O agora D. José Tolentino diz que quer continuar a servir a Igreja na Cultura e o próprio Presidente Marcelo já o congratulou.

Entretanto em Roma o Papa recebeu a visita de Emmanuel Macron, que tomou posse como “proto-cónego de honra” da Basílica de São João de Latrão.

E o Faith’s Night Out, que tanto sucesso tem feito nas cinco edições que já decorreram em Lisboa, vai estrear-se no próximo fim-de-semana no Porto.

E enquanto isto, na Holanda proibiram o véu islâmico nos edifícios públicos e nos EUA o Supremo Tribunal validou a proibição de Trump à entrada de cidadãos de cinco países de esmagadora maioria muçulmana.

quinta-feira, 16 de março de 2017

Marcelo omnipresente e Nossa Senhora de Fátima dos chineses

A Europa está a caminho de uma guerra religiosa. Quem o diz é o ministro dos Negócios Estrangeiros da Turquia. Como eles adoraram meter-se na guerra da Síria, deve saber alguma coisa sobre o assunto.

O Papa diz que é um pecado “gravíssimo” tirar trabalho às pessoas. Fê-lo ontem, no mesmo dia em que foi saudado, com grande emoção, por um grupo de peregrinos chineses com uma imagem de Nossa Senhora de Fátima.

O dinheiro que Francisco ofereceu a Alepo a semana passada vai ser usado para ajudar jovens que optam por constituir família, apesar da crise que a região atravessa.

Ontem foi o lançamento do novo livro de Aura Miguel “Conversas em Altos Voos” com o Papa Francisco. É uma obra que todos farão bem em ler! O Presidente da República, Marcelo “omnipresente” Rebelo de Sousa, apareceu inesperadamente e ainda interveio, agradecendo à jornalista este seu trabalho.

terça-feira, 14 de março de 2017

Véus, Wilders e elefantes

Geert Wilders
O Tribunal de Justiça da União Europeia decretou esta terça-feira que uma empresa pode, em alguns casos, proibir os seus funcionários de utilizar símbolos políticos, religiosos ou filosóficos. A sentença diz respeito a duas mulheres despedidas por usar véu islâmico, mas há diferenças entre as duas situações que vale a pena conhecer e temos aopinião de Paulo Nunes de Almeida, da Associação Empresarial de Portugal que merece atenção também.

Tudo isto acontece na véspera das eleições na Holanda, em que Geert Wilders, o “político 100% anti-islão” está em segundo lugar nas sondagens…

Vejam também a entrevista a Rui Ramos, o historiador que considera que Fátima é o “elefante na sala” que ainda não foi colocado na narrativa histórica da maneira que merece.

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Eutanásia? É isto. Tudo à Caminhada pela Vida!

O Papa Francisco anunciou esta quinta-feira que vai criar uma comissão para estudar a questão das diaconisas na Igreja primitiva. Caso se conclua que as que existiram eram ordenadas, tal como os diáconos, poderão abrir-se as portas a esta realidade na Igreja Católica. Mas não é claro que assim seja…

Os defensores da Eutanásia gostam muito de dizer que a legalização será só para casos limite. Na Holanda também começaram com essa conversa. Mas a realidade é outra. Hoje soube-se do caso de uma mulher de 20 anos que sofria de stresse pós traumático e outros problemas psiquiátricos e cujo pedido para morrer foi aceite pelos médicos.

Já que estamos a falar de causas fracturantes, amanhã vão a votação não só as alterações à procriação medicamente assistida, mas também as “barrigas de aluguer”. O PMA passa certamente, mas o PCP vai votar contra as barrigas de aluguer. Felizmente para os progressistas de todo o mundo, há sempre o PSD que já disse que dá liberdade de voto aos seus deputados pelo que alguns irão certamente votar a favor. Pedro Passos Coelho já deu o exemplo e disse que vota sim.

Pelo lado mais positivo… D. Manuel Clemente apelou publicamente à participação na Caminhada pela Vida, no próximo sábado, em Lisboa. É às 15h e parte do Largo Camões. Eu vou lá estar com a família.


Hoje as atenções dos católicos centram-se em Fátima, para onde se espera ainda uma visita do Papa Francisco em 2017.

Na semana em que assinalamos ainda a ascensão de Jesus aos céus e preparamo-nos para o Pentecostes, um artigo que vem mesmo a calhar, de autoria do padre Paul Scalia, é a nossa escolha do Catholic Thing em português. Não percam e descubram como é que o wrestling angélico pode ajudar a vossa vida espiritual.

quinta-feira, 28 de abril de 2016

500 transacções suspeitas no Vaticano; 5 eutanasiados por dia na Bélgica

Mais um dia de trabalho nas clínicas de morte da Bélgica
Antes de mais, um aviso para agenda. A Caminhada Pela Vida realiza-se já no dia 14 de Maio. Não deixem de ir! Eu não estou tão envolvido como estive o ano passado, infelizmente, mas também conto lá estar.

Temos várias coisas hoje no blog, a começar pelo artigo desta semana do The Catholic Thing em que David Carlin argumenta que a revolução sexual, não contente com ter ganho a guerra, quer agora pulverizar o que resta da oposição.

Temos também a transcrição completa da entrevista feita a Robert Clarke, da ADF International, sobre a eutanásia na Bélgica, onde por dia são eutanasiadas cinco pessoas, e também a Esme Wiegman, sobre a eutanásia na Holanda.

Parabéns ao padre Tolentino Mendonça, que ganhou ontem (mais) um prémio literário.

As inscrições para o III Encontro de Leigos, que vai decorrer em Évora, estão quase a fechar. Não deixem de ler esta entrevista com Alexandra Viana Lopes.

E o Vaticano detectou mais de 500 transacções suspeitas em 2015. Faz tudo parte da operação de limpeza das finanças da Santa Sé.

Has Euthanasia brought dignity to the sick in Holland? Not at all

This is a full transcript, in the original English, of my recent interview with Esme Wiegman about euthanasia in Holland. The news report, in Portuguese, can be read here.

Esta é uma transcrição completa, no inglês original, da minha recente entrevista com Esme Wiegman sobre a eutanásia na Holanda. A reportagem pode ser lida aqui.

What exactly is the Dutch Patient’s Association, and what is your position?
We are a Christian pro-life organization with 58 thousand members. We focus on medical-ethical issues but we are also an organization which gives free help to people who need care in their home situations.

I was a member of the Dutch Parliament for five and a half years and spokeswoman for medical and ethical issues.

Could you explain to us exactly what the law in the Netherlands is concerning Euthanasia?
What the law actually says is also not clear for many people in the Netherlands. Euthanasia is actually still forbidden, but for doctors there are criteria to follow which can exclude them from punishment in cases of euthanasia. That is what the law says, but lots of people in the Netherlands and in all of Europe think that people in the Netherlands have a right to Euthanasia, but that is not what the law actually says.

In practice, however, is that what happens? Or is it as if euthanasia has been fully legalised?
In practice people think they have the right to euthanasia and when they ask for it doctors have to explain to them exactly what the law says. One of the criteria is about unbearable suffering. But what is unbearable suffering? When the law began in 2002, everybody was thinking that pain was the most important reason for euthanasia, patients with terminal illnesses or suffering from cancer. But nowadays loss of dignity is also a reason many people ask for euthanasia. 

Sometimes doctors say that this is also a form of unbearable suffering, and that they will give euthanasia, and last Monday we saw a case on Dutch television about people who were suffering from dementia and who asked for euthanasia, or, rather, the family asked for euthanasia and it was given. 

So there are cases in Holland where people are being euthanized at the request of the family and not their own request?
Well, they say it was her own request from some years ago, written, but is it really clear that a request from years ago is still valid now? We don't know. But some doctor says that he knows the patient and we can euthanize her.

The Portuguese manifesto for legalizing Euthanasia defines Euthanasia as “the reply to an informed, conscious and repeated request to hasten or abbreviate the death of patients in great pain and with no hope for a cure”. In your experience, does this fit the practice of Euthanasia in the Netherlands, Belgium and Switzerland, the only European countries where the practice is legal?
No, I am afraid it is not. 

Because the criteria in our law are very wide. Exactly how wide they are was visible on television last Monday. What exactly is unbearable suffering? It was better when our law spoke only about terminally ill patients, that was clear, but the criteria now is very open and very wide. 

Defenders of Euthanasia often speak of a right to death with dignity. Has the legalization of Euthanasia brought more dignity to patients in Holland?
Not at all. 

I am also in favour of dying with dignity, but by that I mean good palliative care. So the word dignity is very misleading in a debate. The right of dying with dignity says something about the standard of good care and good palliative care, but not about a right to euthanasia.

Proponents of Euthanasia insist that it should be a last resort for the desperate and always speak only of voluntary euthanasia. Yet in the countries where it is legal we see repeated calls to expand the law and make it available for psychiatric patients, children and even for people who are not even sick but just “tired of living”…Is it realistic to speak of euthanasia only in these terms?
No I don't. Because what exactly is voluntary?

Patients are always patients with a context? What is their complete situation? Not only of their personal health but also family, the places where they live, it is more complex than only being your own voluntary will.

The context of patients is very important.

There are also stories of elderly people moving to Germany, where Euthanasia is illegal, out of fear of being euthanized against their will. Are these credible?
I am not familiar with them, but I don't think they are realistic. I am worried about our laws, but I am not worried about situations where people are forced to having euthanasia. 

But I am worried about what all this tells us about our opinion of elderly people. Because elderly people can suffer in life because of loss of family and because they feel life has become meaningless. I think that is a problem in the Netherlands, but our answer should not be euthanasia, but thinking how to treat those people, what can we give them that might make their life still meaningful?

Is there also a danger that people will ask for euthanasia not because they want to die, but because they don't want to be a burden to their families?
I think that is a very realistic scenario, and people may not use these words, but I think it is realistic. Elderly people might think they do not want to be a burden, but they also think of loss of dignity and significance. That is a problem. They don't want to be a burden but they also do not want to get help because they equate this with a loss of dignity. 

Is euthanasia still a difficult topic in Holland? Or is everybody fine with it?
I think last Monday what we saw on television made lots of people angry. Some said we shouldn't show euthanasia on television, but others said that the answer for this woman suffering from dementia...

It is not only pro-life Christians who are against euthanasia and are speaking out now, but also people who work in healthcare and are asking if this is what we need in our society. So yes, there are critics, but a majority in the country say that the law is ok, and also that if people want euthanasia, who are they to say no?

terça-feira, 26 de abril de 2016

Eutanásia, das intenções à realidade

A mãe de Tom Mortier, eutanasiada por depressão
A eutanásia chegou ao Parlamento. Os promotores portugueses querem uma lei à imagem das que existem noutros países. Fomos ver o que se passa na Bélgica, onde as pessoas podem ser legalmente mortas por estarem deprimidas ou cansadas de viver e na Holanda, onde uma ex-deputada nos garante que a legalização da eutanásia não trouxe mais dignidade para os doentes.

O Papa Francisco não se esquece dos padres e bispos raptados durante estes longos anos de guerra civil na Síria.

Francisco também não se esquece da Ucrânia, para quem destinou os ofertórios de todas as missas na Europa do passado fim-de-semana. Os ucranianos agradecem.

Durante o fim-de-semana Francisco esteve com os adolescentes, em Roma, para uma celebração jubilar dedicada a eles. Surpreendeu ao ouvir confissões em São Pedro e no domingo disse-lhes que a felicidade não é como uma aplicação que se descarrega.

A propósito do 25 de Abril fomos ouvir um capelão militar que está ao serviço há mais de 30 anos e que já esteve em vários cenários de conflito.

Recordo o artigo da semana passada do The Catholic Thing, sobre como a revolução que abala o mundo ocidental é menos contra o Cristianismo do que contra a própria realidade e aproveito para pedir desculpa pela inconstância dos meus mails, o que tem a ver tanto com folgas como com variações na minha carga de trabalho. Pode ser que em Maio a coisa acalme.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Duas Caras na Multidão

Randall Smith
Tinha acabado de tirar os olhos de uma das caras quando vislumbrei a outra. A primeira era a cara de um pobre senhor camponês (“Estudo para o Retrato de um Velho”) pintado pelo grande artista norueguês Edvard Munch quase duas décadas antes do seu trabalho mais famoso, “O Grito”.

Tive o privilégio de estar a visitar a fantástica exposição sobre Munch e Van Gogh no Museu Van Gogh em Amesterdão com a minha mulher e um grande amigo. Uma das coisas que ressalta logo sobre os primeiros trabalhos de ambos estes grandes artistas é o seu interesse pelas vidas e caras de simples camponeses, como aquele que tinha acabado de ver.

Estudo para o retrato de um velho
Mas quando me voltei do quadro do pobre camponês os meus olhos não repousaram sobre a famosa cara angustiada de “O Grito” – isso ficaria para mais tarde. Em vez disso vi uma cara ainda mais espantosa, tendo em conta onde me encontrava. Era a cara pura e simples de um adolescente com trissomia XXI, a observar aquelas pinturas com admiração e espanto, tal como nós, num país onde muitas pessoas teriam partido do princípio que ele simplesmente não tinha suficiente “qualidade de vida” para existir.

Diante de mim, a poucos quilómetros da casa onde Anne Frank se escondeu dos seus algozes por ser considerada “geneticamente impura”, estava um jovem cuja alegada “impureza genética” tem levado ao extermínio daqueles que partilham da sua condição.

Todos sabemos que as crianças com trissomia XXI têm aquela cara distintiva. É mais fácil de identificar do que o judaísmo. Quantas das pessoas artisticamente sensíveis que passeavam por aquele museu holandês, agiriam com base no desejo de não ter olhar para aquela cara ou outras como ela? Cerca de 92% das crianças com trissomia XXI são actualmente abortadas. Há quem diga que, ao ritmo actual, a Dinamarca, por exemplo, poderá ver a sua última criança com trissomia XXI até ao ano 2030.

O que é que estes estetas holandeses estariam a pensar quando viam esta simples cara entre eles? O que é que os terá preparado para esta visão numa nação que há muito perdeu a sua ligação a uma cultura que interessa – uma cultura que costumava valorizar de forma especial, na sua maior arte, as vidas dos pobres e desapossados?

"genéticamente impura?"
Mas aquilo que mais me interessava naquele momento era o que estaria a passar pela cabeça do meu amigo, uma vez que ambos vimos o rapaz ao mesmo tempo. É que o meu amigo tem um filho com trissomia XXI e, como qualquer pai, eu sabia que ele seria ainda mais sensível a tudo isto e protectivo desta criança. Ele teria reparado naqueles olhares desconfortáveis e condenatórios milhares de vezes e sabia que naquele instante só queria gritar.

O Munch descreveu da seguinte forma a inspiração para “O Grito”:
Estava a caminhar na rua com dois amigos – o sol estava a pôr-se – de repente o céu ficou cor de sangue. Parei, sentindo-me exausto, e encostei-me à cerca. Havia sangue e línguas de fogo por cima do fjord azul e preto e da cidade. Os meus amigos continuaram a andar e eu fiquei ali a tremer de ansiedade – e senti um grito infinito a passar pela natureza.

O desenho original e as subsequentes pinturas que Munch produziu com base nele são geralmente interpretados como representações da angústia e da ansiedade do mundo moderno, despido de todas as suas amarras à fé e à tradição.

Houve uma altura em que as pessoas pensavam que podiam substituir a “religião” com a espiritualidade das artes. Pensar-se-ia que o holocausto tinha acabado com essa tolice. Havia grandes obras de arte expostas no Rijksmuseum em Amesterdão, a uns meros 15 minutos a pé de onde a Anne Frank e a sua família estavam escondidos num anexo secreto durante os anos escuros da Segunda Guerra Mundial. E agora damos por nós novamente a defender as vidas dos “geneticamente impuros” contra as selvajarias da elite bárbara que se apresenta como grande guardiã da cultura.

Quem não conhece a história está condenado a repeti-la. E demasiadas vezes até aqueles que conhecem a história recusam-se a deixar que ela sirva de aviso ou de juízo. “Afinal de contas, não somos nazis”, dizem as pessoas, como se não fosse expectável que as nossas aspirações fossem um bocadinho mais altas que isso.

Quando começarmos a ver “grandes artistas” a procurar novamente a face de Cristo nas caras dos pobres e nas caras das crianças com trissomia XXI em vez de gastar toda a energia na sua libido sexual, teremos uma cultura a que vale a pena prestar novamente atenção. Até lá será mais da mesma masturbação artística auto-indulgente.

O Grito, de Edvard Munch
leiloado por 120 milhões
Uma cultura deve ser julgada com base no valor que dá aos membros mais fracos da sua sociedade e da forma como cuida deles, e não no valor que gasta nas suas pinturas e nos seus museus. A nossa é uma cultura em que a versão de pastel sobre madeira de 1895 deste quadro foi vendido no Sotheby’s de Londres no dia 2 de Maio de 2012 por um recorde de 120 milhões de dólares. Mas é também aquela em que 92% das crianças com trissomia XXI são abortadas. Não, não somos nazis. Mas daqui a 100 anos nenhuma pessoa decente olhará para o nosso tempo com um sentido de orgulho.

Se o Papa Francisco está a pensar montar um “hospital de campanha” no meio de uma batalha furiosa, então não precisa de ir mais longe do que os campos da morte da Europa e da América. É tão inútil perguntar a uma cultura seriamente ferida se tem as compensações de carbono em ordem como é perguntar a um ferido grave no campo de batalha se tem problemas de colesterol. Protejam primeiro as nossas crianças. Depois podemos falar de tudo o resto.


Randall Smith é professor de teologia na Universidade de St. Thomas, Houston.

(Publicado pela primeira vez na quarta-feira, 6 de Janeiro de 2016 em The Catholic Thing)

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The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

4 – Liberdade Religiosa na Europa


Uma semana mais tarde um tribunal em Colónia proibiu a circuncisão de crianças por razões religiosas, o que passados seis meses ficou novamente resolvido por forma legislativa.

Há coisa de semanas o debate sobre a matança ritual, que afecta judeus e muçulmanos, voltou a estar na ordem do dia, mas desta vez na Polónia.


À primeira vista são várias notícias diferentes, mas todas têm em comum as novas ameaças à liberdade religiosa na Europa.

Se não se tiver em conta o caso britânico, então até seria possível fingir que isto não é mais do que um continente historicamente cristão a adaptar-se a novas religiões, como o Islão, que vão chegando juntamente com as suas tradições.  No caso da matança ritual o que choca os opositores é o facto de os animais não serem atordoados quando são abatidos.

Mas não é nada disso. Os judeus vivem na Europa há milhares de anos e sempre usaram os mesmos rituais para matar animais e garantir que a carne é ritualmente pura, acontece que esses rituais são praticamente idênticos aos islâmicos. Ou seja, isto não é nada de novo. O que é novo é a ideia de que um grupo religioso, respeitável e bem implementado na sociedade, possa ser agora impedido de levar a cabo uma prática que lhe é essencial.

Com a carne, ainda vá que não vá, há comunidades judaicas e muçulmanas que não têm dimensão suficiente para garantir toda a logística necessária para montar os processos de matança que respeitem as regras kosher e halal. Podem passar muito bem sem comer carne, se assim entenderem. Mas o que dizer sobre a circuncisão?

Sejamos claros. A história da proibição, e mais tarde legalização, da circuncisão religiosa na Alemanha (por mais que tenha sido só num Estado e a verdade é que rapidamente o fenómeno se espalhou), é uma das mais importantes notícias deste ano. A circuncisão é, para os judeus e muçulmanos, o cumprimento de um mandato divino, a correspondência do povo à aliança estabelecida por Deus. Uma comunidade judaica que não pode circuncidar os seus filhos está efectivamente a ser impedida de ser judaica.

Chegámos mesmo ao tempo em que um tribunal se julga no direito de proibir algo deste género? Pelos vistos sim. Pode-se argumentar que é indiferente porque mais tarde o Parlamento legalizou a circuncisão, mas apesar de resolver o problema a solução não deixa de ser preocupante também. Efectivamente, a circuncisão é hoje legal na Alemanha por decreto, não porque é um direito inalienável dos pais, mas sim porque os políticos se deram ao luxo de o permitir. Da mesma forma poderão retirar esse direito quando quiserem. Isto é, simplesmente, inacreditável.

Inacreditável e só possível porque chegámos a um ponto em que somos governados por classes políticas para quem a sensibilidade religiosa é inexistente. O exemplo máximo disso foi a provedora das crianças na Noruega que sugeriu, qual iluminada, que os judeus e muçulmanos passassem a circuncidar os seus filhos “simbolicamente”. Simbolicamente? Que mais senhora provedora? Porque é que não pedimos aos carnívoros para passarem a comer carne apenas de forma simbólica? Baptismo simbólico para os cristãos? Afinal de contas, a água fria pode fazer mal aos pequenos.

No meio disto continua no Reino Unido a saga de duas pessoas que foram despedidas por que se recusaram a retirar crucifixos e outras duas porque disseram que eram contra o “casamento” homossexual. O caso está perante o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem porque os tribunais britânicos não reconheceram nestes despedimentos nada de anormal.

Shirley Chaplin, uma das queixosas
Uma sociedade em que eu, de um dia para o outro, tenho de deixar de usar o meu crucifixo ao pescoço, ou no qual eu perco o meu emprego porque digo que defendo que o conceito de casamento não deve ser mudado, é uma sociedade em que a liberdade religiosa está severamente ferida.

E é porque acredito que isto é uma clara tendência e não apenas um apanhado de factos isolados, que não tenho dúvidas em considerar que as notícias sobre liberdade religiosa na Europa são, no seu conjunto, uma das histórias mais importantes dos nossos tempos, às quais não se está a dar o devido valor.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

A arte de não comentar...

O Patriarca de Lisboa disse hoje que não quer entrar na balbúrdia das opiniões sobre a situação actual do país.


Tudo isto em Fátima, na conferência de imprensa que lança as celebrações do 13 de Maio, que lança o Ano da Fé em Portugal.

A citação do dia vai para o Pe. António Vieira, por via do Bispo de Beja, D. Vitalino Dantas: “A fé que não se apega, apaga-se”.

Ontem o Papa voltou a falar do Concílio Vaticano II, falando de um legado com “luzes e sombras”. Uma das sombras é a fuga dos fiéis… exemplo disso é a holanda, onde fecham duas igrejas por semana.

No meio disto tudo a Renascença encerra este fim-de-semana, também em Fátima, as celebrações dos 75 anos de existência. O padre João Aguiar considera que enquanto rádio católica ela tem “uma responsabilidade diferente” das restantes.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Budistas zangados e bispos felizes

"Não está aqui ninguém do Tibete, pois não?"
A maior parte das pessoas não percebem sequer as leituras na missa, considera o Patriarca de Lisboa, que considera que a Igreja tem de melhorar a comunicação da sua mensagem.

O Papa condenou hoje a violência inter-religiosa na Nigéria. Ao fim de meses a matar cristãos os terroristas do Boko Haram terão conseguido a sua maior vitória até agora, levar os cristãos a retaliar, provocando assim um conflito em larga escala.

Apesar do clima de guerra entre os bispos americanos e Barack Obama ainda há algumas áreas de consenso. A legalização de imigrantes é um exemplo.


E a última coisa que se espera de um encontro de monges budistas é discórdia e acusações, mas foi o que se passou em Yeosu, pela delegação chinesa ter mandado expulsar os três delegados do Tibete.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Hitchens, Lefebvre e Rainer Maria Rilke

Temos muitas notícias para irem digerindo este fim-de-semana.

Hoje foi divulgada a mensagem para o próximo Dia Mundial da Paz. Vejam aqui o essencial, com link para a mensagem completa. Ontem Bento XVI alertou para o perigo das ideologias sem Deus.


Da Holanda surgiu um relatório que aponta que houve entre 10 e 20 mil crianças abusadas em instituições católicas desde 1945. Os dados, para além de tristes, são interessantes. Confirma-se, por exemplo, que as instituições seculares apresentam números idênticos, mas é fraco consolo…

Ontem morreu Christopher Hitchens. O homem tinha muitas facetas, naturalmente nós destacámos aquelas que se cruzam com a religião, desde a sua militância anti-religiosa ao seu ódio de estimação por madre Teresa de Calcutá.

Boas notícias para os cristãos na Terra Santa, esperam-se 90 mil peregrinos este Natal naquelas bandas.

Boas notícias também de Viseu, onde os padres se têm revelado generosos ao doar parte do seu subsídio de Natal para o fundo de emergência social.

Para quem gosta de Teatro, atenção que Miguel Loureiro leva a palco “Vida de Maria” de Rainer Maria Rilke, fá-lo, confessa, também por devoção.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Mensagens de Natal episcopais e tolerância religiosa "à holandesa"

É sempre por volta desta altura que começam as mensagens de Natal dos bispos. Este ano, como seria de esperar, andam todos à volta da crise. Têm aqui a de D. Manuel Clemente e aqui uma notícia sobre as de D. Jorge Ortiga e D. Anacleto Oliveira.


D. Jorge Ortiga que, ontem, recordou o facto de o emprego ser tanto um direito como um dever. A Liga Operária Católica está, entretanto, muito preocupada precisamente com o desemprego.


Na cena internacional temos mais dois cristãos assassinados no Iraque, os dois filhos menores ficaram feridos mas estão fora de perigo.

Há meses falámos de uma lei que proibiria a matança ritual de animais na Holanda, impedindo judeus e muçulmanos de manter a sua prática ancestral. Ao que parece essa proposta será chumbada no senado.

(Imagem, mitra episcopal com cena da natividade, Museu da Idade Média, Paris)

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