Mostrar mensagens com a etiqueta Espírito de Assis. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Espírito de Assis. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Assis e mais Assis


Hoje os olhos do mundo religioso estiveram pousados em Assis onde Bento XVI esteve, com cerca de 300 convidados de diferentes confissões religiosas, numa peregrinação pela paz.
Chamo particularmente a vossa atenção para o discurso do Papa ao fim da manhã. Muito forte. Podem ver aqui a notícia e aqui o texto completo. A minha opinião está aqui (e aqui também).
Ao fim da tarde Bento XVI despediu-se dos presentes com a promessa de que “continuaremos unidos”.
Portugal esteve representado, curiosamente, por um membro da comunidade ismaelita, entrevistado aqui.
De resto e sobretudo para quem vive mais a norte de Portugal, fica a informação de que o Mosteiro de Santa Maria de Salzedas já abriu ao público. Por esta reportagem fica a ideia que a visita vale bem a pena!

A verdadeira religião não é violenta? Quem decide?


De nada adianta, como tantos líderes religiosos e fiéis gostam de fazer, negar que a religião tem um potencial de violência e que grande parte da violência no mundo é motivada por ela. O próprio Papa admitiu-o hoje.
Claro que isso não significa que a violência religiosa seja inevitável. Será antes uma utilização abusiva da fé: “repetimos com vigor e grande firmeza – que esta não é a verdadeira natureza da religião. Ao contrário, é a sua deturpação e contribui para a sua destruição”, afirmou hoje Bento XVI.
Mas será mesmo? Quem decide? O próprio Papa levanta estas questões antecipando-se aos eventuais críticos. No fundo está a questão: Quem está mandatado para definir o que é a verdadeira religião e o que não é?
Na Igreja Católica a resposta é mais fácil. Com uma estrutura estritamente hierárquica a legitimidade cabe ao sucessor de Pedro, que todos sabemos quem é.
Mas no Judaísmo e no Islão, com as suas múltiplas correntes? E nas igrejas protestantes e evangélicas? E na multiplicidade de seitas, com incontáveis milhões de seguidores?
Somos recordados das tentativas vãs dos políticos ocidentais, desde Bush a Blair, sem esquecer Obama e tantos outros, que insistem em falar do “verdadeiro Islão”, escolhendo como interlocutores e elevando os seus representantes mais moderados, com uma legitimidade que vem ninguém sabe bem de onde. Haverá melhor maneira de alienar um jovem muçulmano do que meter um político ocidental a dar-lhe sermões sobre a sua própria religião?
O Papa não respondeu às questões que levantou. Não pode. Ele saberá que esse debate não se ganha com retórica nem com a razão.
Essa legitimidade e autoridade ganha-se nos corações. Quando os promotores da paz forem rectos e puros de coração, quando o perdão for a sua reacção automática perante a ofensa e mostrarem ao mundo que por essa mesma razão são mais e melhores homens e mulheres; quando puderem apresentar-se credivelmente ao mundo como um novo modelo de heroísmo, aí sim os terroristas estarão em desvantagem.
O encontro que hoje decorreu é um ponto de partida, o verdadeiro trabalho terá de ser feito internamente e aí se verá quem esteve do corpo presente para aparecer nas fotografias e quem esteve de alma e coração.
Filipe d'Avillez

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Verão da Sharia e "O Último Segredo"


Nos últimos dias recebi alguns e-mails a perguntar se a Igreja tinha dito alguma coisa sobre o mais recente livro de José Rodrigues dos Santos. Disse sim, está aqui.
Falando agora de coisas sérias, a Igreja Católica fez algumas propostas em relação ao sistema financeiro. Pode ver aqui a reacção de D. Carlos Azevedo. O artigo tem ligações para as notícias originais também.
Até amanhã com mais novidades, certamente centradas no encontro de Assis que começa na Quinta.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Cardeal em greve de fome e padre com pena suspensa


Estamos a pouco mais de uma semana do encontro inter-religioso de Assis e já foi divulgada a lista de participantes. Muitos recordarão que o então Cardeal Ratzinger foi muito crítico do encontro original de 1986. Então porque é que vai e o que podemos esperar?
Não é todos os dias que um cardeal entra em greve de fome. Durante os próximos três dias o Cardeal Joseph Zen, bispo emérito de Hong Kong (na imagem), vai viver à base de água e a comunhão diária. Saiba porquê.
O recém-consagrado bispo de Bragança – Miranda afirma que a sua diocese será particularmente atingida pelas medidas de austeridade.
Lembram-se do padre de Boticas que foi apanhado com um arsenal em casa? Apanhou três anos de pena suspensa.
Finalmente, se tem dúvidas vocacionais e um iPhone, experimente o novo “Vocations App” lançado pela Igreja irlandesa.

Bento XVI e o “espírito de Assis”


Para muitas pessoas foi surpreendente saber que Bento XVI tencionava evocar a memória do encontro inter-religioso de Assis, a que o Papa João Paulo II presidiu em 1986.
O então Cardeal Ratzinger foi um crítico de Assis em 1986 e na altura escusou-se a participar no encontro, um gesto que teve o peso adicional do facto de na altura ele ser Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, ou seja, o guardião da ortodoxia do Catolicismo.
A principal preocupação de muitos cristãos, sobretudo aqueles de tendência mais conservadora, com o encontro de Assis, é a imagem que transpareceu e que poderia ser interpretada como sincretista, como se no fundo todas as religiões tivessem o mesmo valor, fossem igualmente válidas.
O facto de algumas igrejas católicas terem sido atribuídas a representantes de outras religiões também foi uma questão complicada. As imagens de budistas a venerar uma estátua do fundador da sua religião colocada no altar de uma Igreja Católica ainda hoje é usada como arma de arremesso por grupos como os lefebvrianos, por exemplo.
Por isso, embora na prática seja compreensível que Bento XVI não pudesse deixar passar o 25º aniversário daquele que foi o mais significativo encontro inter-religioso da história, não é de espantar que esta edição tenha o seu cunho e seja, por isso, diferente da original.
Numa carta endereçada a um amigo luterano, que lhe escrevera a manifestar preocupação sobre a reedição de Assis, o Papa esclarece bem a sua posição:
“Compreendo bem a sua preocupação em relação à participação no encontro de Assis. Contudo, esta comemoração tinha de ser assinalada de algum modo e, no fim de contas, pareceu-me melhor estar presente para poder determinar a orientação pessoalmente. Farei tudo o que estiver ao meu alcance para impossibilitar uma interpretação relativista ou sincretista do evento para que fique claro que sempre acreditarei e confessarei aquilo para o qual chamei à atenção da Igreja com o «Dominus Iesus»”.*
A declaração Dominus Iesus foi emitida em Agosto de 2000 e afirma, entre outras coisas, que só a Igreja Católica possui o pleno da verdade, embora reconheça que outras religiões possam ter elementos de verdade. Afirma ainda que as comunidades cristãs que não tenham os sete sacramentos válidos não são igrejas no sentido correcto do termo, devendo antes ser descritas como “comunidades eclesiais”.
Por tudo isto podemos esperar um encontro de Assis bastante diferente daquele de 1986. Para começar, deverá ficar bem claro que as diferentes religiões não vão rezar “em conjunto” pela paz, mas sim rezar “ao mesmo tempo” pela paz, cada um segundo a sua tradição, para não se correr o risco de cair no relativismo, tendência que o Papa tem criticado desde a primeira hora do seu pontificado.
Filipe d’Avillez
* O excerto foi divulgado pelo Cardeal Raymond Burke, num encontro no Vaticano, e reproduzido pelo blog tradicionalista Rorate Caeli no dia 3 de Outubro de 2011.

Partilhar