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quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Papa nos Emirados e Big Bang

O Papa Francisco vai visitar os Emirados Árabes Unidos em Fevereiro. A notícia saiu hoje e apanhou os principais especialistas de surpresa. Isto quer dizer que as muitas pessoas que obviamente estavam envolvidas na organização não andaram a dizer nada antes da divulgação oficial, não fossem estragar tudo. E mais não digo.

A Área Metropolitana de Lisboa é um laboratório da diversidade religiosa em Portugal, e como tal foi alvo de um interessante estudo coordenado pela Universidade Católica. Veja aqui os resultados, alguns dos quais surpreendentes.


Se não vai na conversa de que a religião e a ciência são incompatíveis, então este artigo do The Catholic Thing é para si. Michael Baruzzini escreve sobre o crescente reconhecimento que está a ser dado ao padre Lemaître, que desenvolveu a teoria do Big Bang, e como os seus primeiros críticos diziam que a teoria cheirava demais a religião… Como os tempos mudam!

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Apresentando a Lei de Hubble-Lemaître

Michael Baruzzini
No passado dia 29 de Outubro a União Astronómica Internacional anunciou a sua recomendação de que se passasse a referir à “Lei Hubble” como a “Lei Hubble-Lemaître”. Esta lei relaciona a distância das galáxias com o seu afastamento da Terra. Entre outras provas, as suas extrapolações sugerem que todo o cosmos teve origem num único ponto que, no passado mais remoto, se expandiu até ao que temos agora. Atualmente conhecemos essa teoria como o “Big Bang”.

Há muito tempo que o astrónomo americano Edwin Hubble, que mediu os redshifts de galáxias distantes – o que tem a ver com a velocidade a que se distanciam da Terra – tem o seu nome associado a esta descoberta. Mas na verdade o primeiro a derivar as leis sobre a expansão do cosmos, propondo que o universo tenha tido a sua origem num único e antigo ponto, foi o padre belga Georges Lemaître. Esta sua contribuição para a ciência tem estado a ser mais reconhecida ao longo dos últimos anos, incluindo através de gestos como esta mais recente recomendação da União Astronómica.

Diz-se tantas vezes que a fé e a ciência se opõem que é bom ver um padre, sobretudo um padre moderno, a ser reconhecido por um contributo importante no domínio científico. Mas mais do que meramente provar que os católicos também têm o seu lugar no mundo das ciências, esta ligação entre um clérigo católico e a teoria do Big Bang é significativa de uma perspetiva especial e irónica.

A teoria do Big Bang é uma cosmologia que fornece um pano de fundo para toda a nossa compreensão atual do cosmos como uma coisa histórica e em evolução. Se podemos dizer que a cosmologia clássica, com as suas esferas ordenadas e arrumação geométrica, ressoava na mente católica pela forma como sublinhava a ordem hierárquica, então também é verdade que a cosmologia moderna tem a ver mais com o instinto católico para a narrativa.

Segundo a ciência moderna, tal como na visão católica, o cosmos não é composto por uma homogeneidade eterna e imutável (tal como formulado na teoria do “Estado Estacionário”, que rivalizava com a do Big Bang no início do Século XX); mas também não é um lugar de caos confuso, com seres complicados a surgir, aparentemente de lado algum, como nas cosmogonias pagãs. Antes, a ciência moderna apresenta-nos uma imagem na qual a complexidade rica do universo moderno radica numa singularidade causal, da qual surgem as forças físicas básicas que, interagindo, florescem no cosmos como o conhecemos atualmente.

O próprio Lemaître referiu-se a esta singularidade antiga como um “Ovo cósmico”. Utilizando uma analogia que já serviu propósitos maiores, podemos também invocar a ideia de uma semente minúscula que depois cresce e forma grandes ramos, nos quais os passarinhos pousam e fazem os seus ninhos.

De uma perspectiva material, a ciência atual afirma que desta semente cósmica surgiu a teia de galáxias, estrelas e planetas. Na formação e no final explosivo de ciclos de incontáveis estrelas, o universo enriqueceu-se com os elementos que tornam possível tudo quanto existe à nossa volta, incluindo a vida. O carismático Carl Sagan, que era céptico quanto à religião mas ajudou a popularizar a ciência moderna, gostava de dizer que “somos todos pó de estrela”. Mas o que ele, com todo o seu imaginário poético, nem imaginou foi que um dia, num pequeno planeta rochoso que gira em torno de um desses pontos de luz, o Autor de toda a história cósmica se revestiu desse mesmo pó de estrela e entrou na sua própria criação, em forma humana.

Pe. Georges Lemaître
As principais críticas ao Big Bang costumam vir do campo religioso: como é que este relato pode ser compatível com a apresentação bíblica da Criação? Mas no início a desconfiança vinha precisamente do campo oposto, por cheirar demais a religião. A Igreja proclamava uma criação “ex-nihilo” – um momento antes do qual não existiram momentos nem nada de material – e agora a ciência parecia confirmá-lo.

Em 1978 Arno Penzias e Robert Wilson ganharam o Prémio Nobel da Física pela sua observação da “radiação cósmica de fundo em micro-ondas”, que se tornou a primeira grande prova do evento a que chamamos Big Bang. Penzias viria a escrever sobre o Big Bang e o início do universo que “os melhores dados a que temos acesso conformam perfeitamente com o que eu teria previsto, caso não tivesse outro recurso que não o Pentateuco e os Salmos, ou a Bíblia completa”.

Mas cuidado. O próprio Lemaître avisou o Papa Pio XII para não tentar identificar o Big Bang com o acto da criação. Descobrir esse próprio acto é, na verdade, algo que fica para além dos propósitos da ciência. Até São Tomás de Aquino considerava que a razão pura não seria capaz de discernir se o Universo teve um começo; apenas a revelação o poderia dizer. Assim também a ciência, quando investiga as causas materiais, apenas as pode seguir até certo ponto, não pode ver para além delas.

O Big Bang pode ter sido o começo, ou talvez não. Independentemente disso, do ponto de vista científico, o Big Bang representa o evento histórico singular a partir do qual emergiu todo o mundo material, tal como o conhecemos agora, o único ponto através do qual passam todas as histórias físicas. E é na descoberta deste facto que encontramos o padre Lemaître, um padre a contribuir para a ciência, não apenas com uma perspetiva científica entre outras, mas descrevendo a teoria mais importante da história do cosmos físico.

A religião sempre teve a sua própria cosmologia, a sua história da Criação. Mas eis que descobrimos que quando a ciência usa os seus próprios instrumentos – perfeitamente legítimos – para descrever uma história compreensiva do mundo, que o primeiro a fazê-lo não foi um ateu, livre das amarras da “superstição”, mas sim um padre que não encontrou qualquer conflito entre a sua fé antiga e as descobertas revolucionárias da ciência de ponta.


Michael Baruzzini é um freelancer e editor da área científica que escreve para publicações científicas e católicas, incluindo a CrisisFirst ThingsTouchstoneSky & TelescopeAmerican Spectator e outras. É também o fundador de CatholicScience.com, que oferece currículos e recursos científicos online para estudantes católicos.

(Publicado pela primeira vez na quinta-feira, 29 de Novembro de 2018 em The Catholic Thing)

© 2018 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Ciência e Religião, Bem Entendidas

Começo por confessar que passei grande parte da minha juventude fascinado por matemática e ciência – quanto mais abstractas melhor: Física particular fundamental em vez de química; Cosmologia em vez de biologia. Na minha ingenuidade juvenil este parecia ser o caminho para a sabedoria, para o verdadeiro cerne das questões.

Acabaria por tomar consciência do meu erro, mas ainda hoje gosto de ler sobre estes assuntos – acabo de ler uma análise fascinante sobre aquilo que se sabe actualmente acerca de partículas subatómicas. É claro que tudo isto tornou-se bastante complexo. A ciência mais básica requer agora níveis de conhecimento matemático muito elevados e fora do alcance do mero amador. Ainda assim, sinto orgulho e humildade quando penso no trabalho e no génio dos cientistas e engenheiros que, não só através de teorias mas também através do desenho e desenvolvimento de maquinaria e experiências, conseguiram levar-nos de volta ao tempo de Planck, que parece ser o limite máximo de observação neste universo, ou isto:



Trata-se de uma equação bastante simples, na realidade, que significa cerca de 10-43 segundos depois do Big Bang. Se ao menos os nossos filósofos e teólogos abordassem os seus respectivos assuntos com esta ambição e precisão!

Os cientistas têm feito descobertas fantásticas mesmo em relação às realidades mais humildes e minúsculas. Até meados do século XX, o átomo continuava a parecer um minissistema solar. Não é uma visão inteiramente falsa e serve para alguns propósitos, mas a imagem complicou-se através da descoberta de partículas com nomes como quark, muon, tau, já para não falar de novas forças, campos e antimatéria.

Tudo isto pode parecer inútil para a pessoa comum, mas é precisamente através desta análise cuidadosa dos elementos constitutivos do universo (pelo menos assim pensamos, por enquanto), que a nossa raça gloriosa e trágica conseguiu chegar ao Big Bang que poderá, eventualmente, apontar para algum tipo de transcendência. Como a boa filosofia e teologia perceberam há muito tempo, o nosso mundo de seres contingentes tem de depender de algum ser que esteja, necessariamente, para além das “coisas”. Mas esta não é a única razão para nos interessarmos pelos avanços científicos.

Vale a pena lembrar que a calúnia de que a Igreja é contra a ciência não surgiu por que a Igreja se opunha à ciência em si. A resistência a Copérnico, Kepler e Galileu baseava-se na teimosa fidelidade a uma modelo científico anterior, o sistema geocêntrico de Ptolomeu, por parte de alguns clérigos (não todos). A Comédia Divina de Dante encarna brilhantemente a profunda interligação entre essa ciência e as verdades espirituais na alta Idade Média.

A grande ironia é que a Igreja não estava sequer a defender uma cosmologia bíblica (na medida em que se pode dizer que a Bíblia tem uma cosmologia), mas o sistema ptolemaico desenvolvido por gregos pagãos. Essa cosmologia serviu bem no seu tempo, mas foi ultrapassado, como todos os modelos acabam por ser, por avanços registados posteriormente. (O livro “The Discarded Image” de C.S. Lewis é o melhor e mais sábio guia dessa mundivisão ultrapassada). Mas há aqui uma lição.


Alguns dos meus amigos afirmam que o Big Bang, ou outras teorias científicas, estão ligadas à doutrina da criação. É interessante que o padre belga Georges Lemaître, o matemático que propôs pela primeira vez uma teoria para um universo inflacionário em 1927, apesar da resistência de Einstein, protestou quando Pio XII fez essa mesma ligação. A física é o limite da ciência, que tem apenas relações indirectas com a metafísica. Se o Big Bang acabar por ser apenas mais um modelo intermédio, não fará qualquer diferença à noção da Criação.

O padre Robert Spitzer conhece bem a ciência actual e aborda-a com a cautela necessária – aliada a um génio fora do comum – no seu recente “New Proofs for the Existence of God”. Outros, infelizmente, são menos contidos ao abraçar ou criticar a ciência moderna.

Entre estes últimos incluo os nossos irmãos e irmãs na comunicação social. É impressionante o quão pouco aprendem ou recordam no que diz respeito à relação entre religião e ciência. A maioria dos jornalistas não sabe quase nada sobre ciência moderna, mas partem do princípio que deve levantar obstáculos à crença religiosa.

O Papa Francisco afirmou recentemente que a evolução e a criação não são incompatíveis – uma verdade que praticamente não precisa de ser repetida. O resultado foi um furor mediático. Num discurso à Academia Pontifícia das Ciências em 1996, João Paulo II disse que a evolução era “mais do que uma hipótese”. A reacção foi parecida. Nessa altura eu fui convidado para falar na CNN e disse ao pivot incrédulo que tinha aprendido essencialmente a mesma coisa dita por freiras com hábito completo durante os anos 60 no meu liceu católico (ainda por cima nas trevas do mundo anterior ao Concílio Vaticano II).

Os católicos não são fundamentalistas. Estamos constantemente a repetir isto não só aos media, mas a família, amigos e colegas, agentes da praça pública. Acreditamos tanto na fé como na razão e acolhemos a ciência e as tecnologias apropriadas, como fazem a maioria das pessoas sãs. Não devia ser necessário estarmos sempre a recordar toda a gente deste facto, mas é um peso que carregamos graças a certos tipos de cristãos que temem a razão humana, que nos foi dada por Deus.

Encontramo-nos num conflito constante com jornalistas preguiçosos e pouco rigorosos e um estabelecimento educacional que continua a acreditar que Cristóvão Colombo descobriu que o mundo era redondo (leiam Dante, amigos!).

Pensam todos que quem acredita no Cristianismo tradicional deve acreditar também, como os mais extremos de entre os fundamentalistas, que o mundo começou há 4000 anos e que a evolução é incompatível com a Bíblia.

Daí que se compreenda a palhaçada das reacções cada vez que um Papa – como fizeram todos desde Pio XII na década de 50 – declara que a Criação e a evolução não são contraditórias. Temos muito a reparar nesta cultura, nem que seja para fazer justiça aos nossos antepassados. O tempo de pegar nesse fardo, seja qual for a nossa posição na vida, já tarda.  


Robert Royal é editor de The Catholic Thing e presidente do Faith and Reason Institute em Washington D.C. O seu mais recente livro The God That Did Not Fail: How Religion Built and Sustains the West está agora disponível em capa mole da Encounter Books.

(Publicado pela primeira vez em The Catholic Thing na sexta-feira, 4 de Novembro de 2014)

© 2014 The Catholic Thing. Direitos reservados. Para os direitos de reprodução contacte: info@frinstitute.org

The Catholic Thing é um fórum de opinião católica inteligente. As opiniões expressas são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Este artigo aparece publicado em Actualidade Religiosa com o consentimento de The Catholic Thing.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Especialist em terapia familiar em Portugal

Médica a tratar doente com ébola
O Papa Francisco falou esta quarta-feira da luta contra o ébola e mostrou-se próximo de todas as pessoas que lutam contra esta doença.

Entretanto continuamos atentos ao que se passa na Síria e no Iraque, onde o Estado Islâmico continua a lançar o terror. O último ataque fez 30 mortos, mas há dados positivos, com reforços a chegar finalmente a Kobani para socorrer os curdos.

A notícia de o Papa ter “aceite” a teoria do Big Bang, esta semana, causou alguma surpresa nos media e entre comentadores, apesar de a teoria ter sido desenvolvida por um padre católico e a Igreja estar em paz com essa e outras teorias científicas, como da evolução, há décadas. Ainda assim, há quem insista em dizer que a teoria da evolução e a religião são incompatíveis… David G. Bonagura mostra porque não é assim, neste excelente artigo que vale bem a pena ler.

Aproveito para lançar um desafio a todos. Está cá em Portugal o Dr. Peter Damgaard Hansen, psicólogo, terapeuta da família, especialista na Teologia do Corpo. Vem dar uma série de conferências sobre “Os quês e os porquês das relações humanas”, que recomendo vivamente.

Hoje conversei com ele, uma entrevista que estará disponível esta semana, mas estou a falar do assunto agora para marcarem nas vossas agendas as conferências e tentarem ir, se possível.

Assim, quinta-feira de manhã, no Seminário dos Olivais, ele fala exclusivamente a padres, das 10h às 15h30, com enfoque no trabalho com casais. Uma vez que tantos padres têm responsabilidades nestas áreas, não deixem de ir, se puderem.

Amanhã à noite fala das 17h às 20h a agentes da Pastoral da Família, no Instituto Diocesano de Formação Cristã, Rua Camilo Castelo Branco, nº 4, Lisboa.

No sábado haverá outro workshop destinado a profissionais da área, das 10 – 18h, no Auditório Orlando Ribeiro, em Telheiras e, por fim, uma sessão aberta a todos, das 21h30 – 23h, na segunda-feira dia 3 de Novembro, no auditório de São João de Deus.

Há mais informações na página da APSIC. Divulguem e apareçam. Não nos podemos apenas lamentar da crise das famílias e do casamento sem fazer nada para a contrariar.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

O "grande Papa" e o "Big Bang"

O Papa recebeu este fim-de-semana representantes do movimento de Schoenstatt, a quem disse que a família e o casamento nunca têm sido atacados como agora.

O Patriarca D. Manuel Clemente também está preocupado com a família e também falou do assunto, durante o lançamento da caminhada sinodal do Patriarcado de Lisboa.

Esta segunda-feira o Papa Francisco voltou a falar. De manhã descerrou um busto de Bento XVI, a quem chamou “um grande Papa” e depois recebeu a Academia Pontifícia das Ciências, a quem disse que o “Big Bang” não era obra do acaso.

Os europeus ocidentais podem ter-se esquecido deles, mas ainda há quem esteja disposto a morrer pelos valores europeus. É isso que diz o Patriarca da Igreja Greco-Católica da Ucrânia, que também revela coisas interessantes sobre o sínodo da Família, no qual participou.

Passa a Palavra! A tua primeira Bíblia” é a nova obra de Maria Teresa Maia Gonzalez, para ter debaixo de olho, sobretudo para quem tem filhos.

Se participou na Caminhada Pela Vida, ou se não participou e gostaria de ter participado, não deixe de responder a este inquérito para ver se para o ano tudo corre ainda melhor. Não se esqueçam que a data já está marcada! 3 de Outubro.

E para quem tem filhos e se interessa por estes assuntos, não percam uma interessante conferência, que terá lugar na sexta-feira, sobre: “A Internet e a Família”, que conta com o autor do recente livro: “A exploração sexual das crianças no ciberespaço”. Ver convite na imagem.

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